Guarda Costa
13 Proteja-nos
Notas iniciais
No dia seguinte ao encontro de Noah, Yuri e Bianca, Segunda-feira, foi agitado. A empresa da morena estava passando por um processo de expansão. E com expansão vem a compra de terreno, contratação da construtora, compra de material.. Resumindo, papelada para tudo que é lado.
Os sócios passaram a manhã na sala de reuniões junto aos advogados.
—Finalmente -Suspirou a guarda costas- Hora do almoço.
—Amém -Comentou o parceiro. Que logo relaxou em sua cadeira.
Ambos fizeram questão de aproveitar a uma hora que lhes restava de descanso, mal conversaram, comeram rapidamente e deitaram nos sofás que tinha na sala que compartilhavam.
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A manhã também não foi nada tranquila para Bianca. Um de seus clientes, Jason Jackson, mais conhecido como J.J, O Cara dos barcos e Capitão.
O Capitão é um cara um tanto quanto extremo, ele gosta de tudo em excesso. Principalmente, drogas, álcool, e claro, barcos.
—Capitão -Suspirou Bianca. Estava a muito tempo tentando convencer J.J que ele teria, sim, que responder no tribunal- Você dirigiu bêbado, atropelou duas pessoas e tem 18 anos. Então, você vai no tribunal ser julgado.
—E se eu não quiser? -Perguntou colocando os pés na mesa da empresária.
—Você não tem essa opção -Empurrou os pés de Jason- Eu estou dizendo que você VAI -Ao pronunciar ultima palavra, Bianca mirou o cliente, intimidando-o.
—Tanto faz -Murmurou quase inaudível. O loiro levantou, encarou a loira e logo foi embora coçando a cabeça.
Só então Bianca sentou na cadeira e relaxou.
—J.J é sempre um problema -Comentou Mariana, a copeira, enquanto adentrava a sala.
—Ele pode ter 18 anos mas ainda age como um garoto de 12 -Falou sem levantar a cabeça que estava no encosto.
—É difícil quando eles agem assim, sempre achando que vão se livrar das consequências pelas besteiras que fazem, só por que são famosos -ela hesitou e serviu o café. Ao sentir o delicioso aroma do café puro, a chefe levantou e se apossou da caneca, enquanto acompanhava a velha copeira com os olhos.
Após uns telefonemas com as emissoras tentando não piorar as coisas para o Capitão, dirigir bêbado e atropelar 2 pessoas era um pedido de joelhos para os abutres caírem matando.
No final do dia Bianca só queria duas coisas: banho e cama, mas os abutres não a deixaram em paz, o mundo queria uma entrevista, uma notícia, qualquer coisa, ser empresária do astro teen conhecido mundialmente não era fácil.
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Quando chegou em casa, Noah não conseguiu nem chegar no sofá, desmaiou na entrada mesmo. Depois de quatro horas deitada no chão, babando e roncando, a morena finalmente acordou.
Entre tropeços e trombadas, a guarda costas chegou ao banheiro, ela hesitou observando cada detalhe da sua própria face. Sua pele estava pálida, dando destaque as olheiras que agora estavam pretas. Os cabelos negros, um verdadeiro ninho de pombo.
O zombie, apelido que Noah se deu, se despiu e tomou uma breve ducha. Após se trocar, Zozo subiu as escadas e deitou na cama, não demorou muito para que voltasse ao mundo dos sonhos.
6h30 da manhã o despertador toca e Zozo se arrasta para o banheiro, desta vez a sua aparência estava mais aceitável. Descendo as escadas Noah viu os estragos da noite passada. Uma moldura com a foto da família unida, quebrado. O único vaso de flores, no chão. Uma moldura que contem a foto de Noah e Yuri no aniversário de Yuri, trincado.
Com toda coragem do mundo os cacos foram juntados e as fotos, junto com a pequena planta carnívora, deixados sob a mesinha de centro. Em seguida, seguiu para a cozinha e fez o café. Após tomar café, com uma rosca, Noah se trocou e montou na moto e foi para a Eskorte, sua empresa.
—Bom dia -Cumprimentava a todos que esbarrava. Chegando na sua sala, deixou a jaqueta na cadeira e a mochila na cadeira.
—Bom dia cara amaçada -Brincou Yuri bebericando o café. A morena deu uma risada fraca, chegou próxima ao amigo e passou os braços pelo pescoço do mesmo. repousou a cabeça no seu ombro, respirou fundo e murmurou contra seu pescoço.
—Eu..To..Com muito sono -A resposta do moreno foi uma risada gostosa e os braços na cintura da guarda costas.
—Okay.. vem, você precisa de café -Saiu guiando a amiga de costas até a cozinha.
—Nãããoo.. -Falou manhosa, mas mesmo assim serviu o café na caneca. Depois de tomar uns goles seguiu para a sala. Entretanto, as risadas e comentários feitos por ela sessaram subitamente quando ela parou repentinamente na porta da sala.
—Que foi, Noh? -Perguntou o guarda costa, enquanto saia de trás da amiga. Acompanhando o olhar vidrado que estavam na mulher que estava na sala. Ela era..- Cris..
Como a porta estava aberta a mulher virou para eles ao ouvir o nome ser pronunciado. O olhar dela foi do Yuri para Noah, varias vezes até sorrir para o velho amigo e o abraçar.
—Oi -disse enquanto o moreno retribua o abraço. Ao se soltar dos braços, olhou para a ex-namorada que agora mirava o chão.- Oi Nohse.
—Você não tem o direito de me chamar assim -Disse ríspida- E saia daqui ou chamarei a segurança.
—Segurança? sério? -riu com desdem acompanhando a morena para dentro da sala- Você não pode me tratar assim.
—Eu acho que eu posso sim -depositando o café na mesa.
—Você ta sendo infantil -Concluiu- A oito anos me tratando mal.
—Por que será não é mesmo? -A morena fingiu pensar por um instante enquanto sentava e continuou- Ah..sim.. Você me traiu e destruiu o meu coração.
—Supera! -Exclamou. E antes de continuar a guarda costas deu um murro na mesa e levantou.
—"Supera"? -perguntou-"SUPERA"? -Esbravejou- Claro, Pois pra você é fácil falar. Não foi você que amou secretamente sua melhor amiga a vida inteira e quando sabe que seus sentimentos são FINALMENTE correspondidos, namora ela, e então, na MALDITA comemoração de dois anos de namoro junto com os amigos descobre que tem um, muito bem polido, par de chifres.
A morena dos olhos azuis paralisou aonde estava. A muito não falava sobre isso. Quando sua família soube que ela despedaçou o coração da única pessoa, no mundo inteiro, que mataria uma pessoa se ela pedisse. Ficaram arrasados, não era possível que a doce Cris traísse Noah.
Ela saiu como vilã, a má da história. E não tinha como usar o argumento "eu só traí pois ela não me dava a atenção que precisava", ela não tinha pois a sua parceira dava a medida certa de amor e carinho, não era muito melosa e nem muito seca.
—Eu..-Começou- Não sei por que beijei aquele cara..-Em resposta uma risada debochada, mas não se deixou abalar- Eu não estava bêbada, não estava carente. Eu.. só olhei pra ele.. e elogiei ele, falei como ele cantava bem .. e quando vi.. eu já tinha jogado no lixo o melhor relacionamento que eu poderia ter na vida -lágrimas acumulavam e insistiam em cair- E agora, eu tô que nem trouxa, engolindo meu orgulho e vindo pedir ajuda pra única pessoa que eu confio -despejou de uma vez.
—Ajuda? Para que? -Só então Yuri se pronunciou- O que que houve?
—Esse cara da banda, o Josh..-Ela parou como se tivesse escolhendo as palavras certas- depois daquela noite, nós namoramos por um ano, até a banda decolar. Só que.. na última noite, nós transamos e acabou que eu engravidei e agora ele ta querendo o Guilherme, meu filho, mas ele é agressivo e eu quero que você proteja-o.
—E você não? — Perguntou Yuri. Já que Noah agora estava quieta apenas prestando a atenção.
—Não, ele só quer o Gui.
—Okay..- Falou Noah- O que você quer? Que eu fique com ele.. que uma equipe de guarda costas fique na sua casa..
—Fique com ele, pelo menos eu fico mais tranquila — Olhou fraca para ambos.
—Claro — Respondeu Yuri pelo dois — Não se preocupe.
—Obrigada -Sorriu ainda com tristeza no olhar — Aqui -Tirou um cheque da bolsa — Acho que dá pra começar..
—Wow.. Dá sim- comentou o moreno aceitando o cheque- Não se preocupe, amanhã mesmo vamos estar lá na sua casa.
—Mas só porque eu sou sua amiga -Disse Cris fazendo uma imitação bem falha do amigo- Não se preocupe, ele ta em turnê, só volta semana que vem.
—Haha.. Vem -Abraçou os ombros da amiga- Eu te levo na entrada.
Yuri saiu da sala abraçado a Cris, enquanto isso Noah voltava a sentar na mesa e acompanhava os dois pela parede de vidro. Só quando eles sumiram de vista ela pode relaxar.
—Ah.. só faltava está..
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