Greco Schmidt - Em Uma Viagem Sem Destino
3 Capítulo 3 - O Escolhido
Eu não consegui me mover, na verdade estava tão paralisado, que nada vinha em minha mente, não conseguia mentalizar o que viria a seguir. Acordei do transe, levantei, ouvindo passos no chão de vidro, vindo em minha direção. Segurei o folego, e baixei a cabeça. Era como se ela me obrigasse a olhar para ela mesmo. Levantei a cabeça, e vi a coisa mais estranha e bonita da minha vida. Ela era estranha, pois no topo da cabeça não havia cabelo algum, e sim, um par de chifres, como de um minotauro. Usava um vestido totalmente negro, da cor do castelo, que ia mostrando suas curvas, e no pé, abria como uma roda. As mangas vinham até a metade da mão, deixando só as enormes unhas pretas, que pareciam garras amostra. Seu rosto era perfeito, qualquer mulher gostaria de ter um daquele: olhos azuis, boca vermelha, pele sem nenhuma imperfeição.
— Bem vindo herói...Greco, quero dizer. Bem vindo ao Reino Perínfina, esse é o nosso único castelo, localizado bem no meio do coração de Perínfina. É com muito prazer que recebo você ao meu lar. Meu humilde lar. Bom, ainda não nos apresentamos, bom sou a Rainha Lunia, ou se preferir, somente Lunia.
Eu olhava para ela boquiaberto, a presença dela me fazia subir um calor, eu não sabia o por que, mas ela me deixava mais "solto" na presença dela. E só conseguir dizer:
— O prazer é meu, Rainha Lunia, a senhora...me desculpe, a senhorita está linda com essa roupa, e o prazer é todo meu. Meu nome é Greco, como a senhor...senhorita já sabia. Bem venho de lugar Nenhum, acabei de chegar do deserto. Me desculpe pela a minha chegada, mas Roger, o adorável guarda-caças, me disse que precisava falar com a vossa alteza...
Mesmo antes de eu acabar de falar, ela virou para trás, que se eu não estivesse tão impressionado com Lunia, acharia uma tremenda falta de respeito comigo, mas só o que fiz, foi olhar para a vazia cabeça careca, que guardava um par de chifres negros.
Quando ela virou para trás, era como se eu tivesse saído de um transe, eu não sentia mais prazer em olhar para ela, como quando ela estava de frente, e então foi quando eu descobri que ela poderia ser alguma bruxa, que captava as pessoas pelo olhar.
Quando ela ousou virar para frente como estava, eu virei minha cabeça para o chão de vidro, que mais de perto, parecia ainda mais transparente como vidro, porém guardava uma enorme vazio negro bem longo. Me aproximei mais do chão e podia ouvir alguns gritos, não sei se exatamente eram gritos, mas eu ouvia algo.
— Desculpe pelas minhas Borbons — Lunia disse — elas fazem muito barulho, mas não é nada demais. Como eu estava falando..
— O que são Borbons — Retruquei, antes mesmo de Lunia continuar a falar — Por que elas fazem esse barulho?
— Elas são minhas ajudantes nesse enorme castelo. Eu procuro ajudantes em toda a Perínfina, eu pago a elas, e também ajudo suas famílias. E esse barulho...ah, elas sofrem algo que eu já sofri muito, saudade. Elas não podem abandonar esse emprego, pois é muito difícil chegar ao outro lado do castelo.
Aquela história não me convencera. Até porque, eu nem realmente olhava para seu rosto doce, e encantador. Mas por hora, aceitaria, pois não conhecia Lunia Schorban tão bem.
Lunia me levou para conhecer o castelo todo, e em nenhuma das hipóteses olhei para seus olhos, até agora estava tudo bem, ela ainda não se manifestara sobre isso. Os quartos, como as salas, as cozinhas eram magníficos, eu adoraria morar naquele palácio, com minha família, mas onde ela está? Eu não poderia morar em um lugar desse sozinho.
— Onde ficam as suas ajudantes — Falei sem olhar para Lunia, mas percebi que ela olhava para outro lado também — elas estão em que lugar do castelo?
— Elas não podem ver ninguém a essa hora, esse é o preço que pagamos a elas, mas logo, logo, você verá elas.
Depois do passeio, já era tarde, já escurecera e eu nem vira, afinal o castelo era todo negro, não reparava para fora dele, e sim nas belezas que ele proporcionara.
— Acho que você deseja comer algo, tomar um banho e ter uma bela noite de sono — Disse-me Lunia — não é?
— Mas isso não é um Hotel Plaza, mesmo com essa beleza — Falei sem olhar para ela — não tenho como pagar isso Rainha Lunia.
— Ha ha ha, você é mesmo um tolo, Greco. Está aqui, por alguma razão, e eu sei qual razão. Minha única opção é te dar um quarto para passar a noite, e eu vou fazer exatamente isso.
E sem mesmo eu olhar, ou falar com ela, Lunia estendeu a mão, deixando ainda mais exposta suas unhas enormes negras, e disse:
— No final do corredor a direita, querido. Lá estará o quarto que você deseja, durma bem, bons sonhos.
E antes de eu me mover, ela virou para trás e seguiu pelo enorme corredor. Fiz quase a mesma coisa, mas andei para frente, e quando virei para o corredor direito, tive a leve impressão de ter ouvido atrás de mim, uma cobra venenosa, balançando o rabo.
Eu sonhara com algo que não me fez nenhum sentido. Eu estava em uma casa pequena, feita de madeira, e no canto, uma pequena lareira, com uma pequena menina de cabelos negros, bem negros, coberta com uma manta azul-claro, imunda. Ela tremia, e sua mãe na cozinha, uma senhora idosa, cheia de calos na mão, preparava algo no fogão, mas com lágrimas nos olhos.
— Mamãe — disse a menininha — por que a senhora esta chorando?
— Ah minha filha — Disse a idosa — Precisamos que O Escolhido chegue rápido, seu pai está muito mal, não aguenta mais... — uma lágrima caiu do seu olho direito, o de frente para menina — os Bruxos Elementares precisam ser detidos.. — E se ouve um enorme trovão, como se quisesse xingar alguém — desculpem, não quis ofender... Os Bruxos Maiores...
— Mamãe, eu não entendo, por que eles devem ser...detidos?
— Eles estão recrutando todos de nós, eles querem reinar em cima de nós. E se O Escolhido não chegar a tempo, vamos ser mortos.
Eu não entendi o porque de sua mãe falar pra aquela pequena menina, sobre os Bruxos Elementares, mas então concluí que a coisa estaria bem feia, e por isso ela não devia esconder nada.
Agora eu estava em um cenário diferente, eu estará em um quarto, e via um garoto aproximadamente da minha idade, poderia ser até mais novo, ou não... era eu mesmo. Eu estava vendo eu mesmo. Eu estava deitado, dormindo, roncando um pouco até. E então minha janela se iluminou, e iluminou mais, até ficar totalmente clara. Então ela foi se apagando e um homem, totalmente de branco apareceu no quarto, eu — o que estava dormindo — acordei.
— Quem é você — Disse ao homem — e como entrou no meu quarto? Mamãeee
— Ela não virá atrás de você, jovem Greco — Disse o homem — ela já está em Perínfina, e você, somente você salvará ela, como também seu pai..
— O que você fez com ela? Como ela não está aqui? E que diabos é Perínfina? Não conheço essa cidade..
— Eu não fiz nada com ela, e sim os Bruxos Elementares, ou como gostam de serem chamados... Os Bruxos Maiores. Eles pegaram seus pais, e vão matá-los. Você precisa impedir isso, mas antes, terá que libertar o povo dos Bruxos.. Eu vou ajudar, jovem Greco, vou preparar uma viagem para você, uma viagem calma, você nem vai se lembrar disso. Só no seu sonho, que por sinal, pode ser agora.
— A quem você quer enganar? Você deve ser mais um idiota bêbado que invadiu minha casa, mamãe — E então eu levantei e fui em direção a porta. Mas quando toquei na maçaneta, ela se dissolveu como pó, e então eu estava em uma sala branca, sem porta ou janela, somente eu e o homem.
— Não seja tolo, Greco, você pode confiar em mim. Seu destino está gravado em todo o mundo, você é a salvação, e só existe um herói a cada milhões de anos, você precisa libertar o povo, agora se prepare...
— Me diga pelo menos o que você é...
— Meu nome é Ouro, eu sou um dos que fracassei, eu fui um "O Escolhido"
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