Grand Chase - Os Defensores de Ernas

11 Capítulo 11 - Paprion - o Guadião da água


Notas iniciais
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Paprion — O Guardião da água

Então o dia finalmente amanheceu, mas algo parecia errado, as três haviam adormecido. Parece que a mudança de turnos não ocorreu como planejado, mas não era de se estranhar, com o cansaço que as garotas se encontravam poderia dormi por vários dias e noites seguidos. Lá estavam elas, esparramadas pelo chão, ao redor de brasas da fogueira apagada que foi deixada na noite anterior. O sol radiante iluminava toda a lagoa e pássaros cantarolavam em um canto bem suave e bonito.

Elesis se sentiu incomodada com a luz do sol e logo acordou, bocejando e esfregando os olhos. Percebeu que sua lança não estava ao seu lado onde havia deixado. Mais do que imediato em ato de desespero Elesis acordou Arme, com muita violência, até parecia que estava brigando com algum monstro. Pegava a garota pelo pescoço e sacudia gritando pelo nome:

— Arme! Arme! Arme, acorda! – gritava Elesis ainda sacudindo a garota para cima e para baixo.

— Elesis sua idiota! Eu vou acabar com você! – disse Arme ainda dormindo nos braços de Elesis.

— Minha vontade é de jogar você dentro do lago, Arme! – disse Elesis cerrando os punhos.

— Você me paga, pimentão vermelho! Toma isso! – gritou Arme debatendo sozinha. Ainda dormia como uma “pedra” e chupava o dedão direito.

Lire acorda e senta no local a onde estava dormindo e começa a observar toda a cena.

— Pimentão vermelho é o... Você chupa dedo? – indagou Elesis bastante intrigada. – Acorda! – Elesis solta um grito e deixa a garota cair, fazendo-a bater de costas no chão.

— “Han”? O que? Eu venci? – Arme senta rapidamente.

— Eu vou te arrebentar mais tarde... Por que você não está de vigia? Era sua vez! – gritou Elesis com seu tom grosso e arrogante, já avançando para cima de Arme.

— É que eu... Acho que eu peguei no sono. – Arme sorriu e com sua mão direita esfregando levemente a parte de trás da cabeça, demonstrando todo seu carisma.

— Eu vou fazer você dormi para sempre, sua maldita! – a ruiva avança furiosamente em direção a Arme.

— Elesis! O que você... O que esta fazen... Não! Não! – Arme desesperadamente sai correndo de Elesis que corria atrás da maga com instinto assassino.

— Eu vou acabar com você, volte aqui agora mesmo!

A cena não era estranha para Lire que observava tudo calmamente, já estava acostumando com as discussões e brigas de Arme e Elesis.

— Aonde esta minha lança, Arme! – perguntou Elesis berrando o nome da garota, mas Arme nem olhava para trás com medo de ser espancada.

— Elesis... Elesis! – gritou Lire e imediatamente pararam de correr e viraram sua atenção para Lire.

— Eu acho que sei a onde sua arma está! – disse Lire com sua fala meiga e feição ainda sonolenta, sentada na areia com as pernas cruzadas.

— E onde está? Fala logo!

Lire ergue seu braço esquerdo esticado lateralmente e aponta para uma criatura que se encontrava um pouco distante com a lança de Elesis em mãos. Uma criatura verde e com cerca de um metro, com uma pele gosmenta e nariz avantajado, usava roupas velhas e um gorro marrom em sua cabeça.

— Mas aquilo é... um goblin. – afirmou Arme bastante surpresa, seus olhos até brilhavam de tanta emoção, era a primeira vez que ela via um goblin.

— Devolva isso seu lagarto mutante! – gritava Elesis após sair correndo atrás do monstrinho que se assustou e também correu, gritando e desesperado.

— Elesis, ele não é um lagarto! – disse Arme corrigindo Elesis. Arme gostou um pouco da “brincadeira” e também saiu atrás de Elesis, ela queria ver um pouco mais de perto como era aquela criatura.

Lire ainda sentada e vendo toda aquela cena, somente suspirava e logo desviava seu olhar para o lago, algo parecia estranho com ele.

— E o que isso importa? – perguntou Elesis furiosa. Ela aproximava cada vez mais do goblin que corria de um lado para o outro com as pernas mais a frente do que o corpo e segurando a lança acima da cabeça, gritava sem parar. Elesis da um salto com o corpo todo que parecia estar voando e cai em cima do monstrinho, assim recuperando sua arma.

Lire suspira mais uma vez e levanta-se, seguindo até suas amigas.

— Você o pegou! – gritava Arme bem saltitante. – olha... A pele dele é rígida... e gosmenta também! – Arme agachada cutucava o goblin.

— Você é estranha, Arme! – Elesis olhava decepcionada.

—Não me bata! Eu imploro! – desesperadamente o goblin tentando defender seu rosto de qualquer golpe surpresa.

— Eu vou atravessar essa lança nisso ai que você chama de fuça! – disse Elesis já com sua lança em mãos e com a ponta da mesma cutucando o nariz daquele ser. – Espera Elesis! – interrompeu Lire com tom autoritário chegando logo atrás da ruiva e colocando-se a frente. Com um olhar bem tenebroso pergunta: Por que veio até aqui para roubar esta lança?

— Eu estava... Eu estava... – o goblin parecia desesperado, mal conseguia se expressar. – Estamos em guerra e precisamos de armas!

— Guerra? – perguntava Elesis.

— Por favor, deixem-me ir. – ele levanta com muita dificuldade e começa a correr, não antes de tropeçar e quase cair, mas consegue manter-se de pé.

— Ei, espere! – gritou Arme erguendo seu braço esquerdo em direção ao monstro.

— Em guerra? – Elesis mantinha-se bastante pensativa sobre aquele assunto.

— Quero que vejam algo! – dizia Lire em tom meigo, indo à frente, em direção ao lago.

— Mas... o que é isso! – indagou Arme com tom surpreso.

— Mas como? – Elesis com a mesma expressão de Arme.

O Navio que havia afundado e sido coberto pela água, estava com a ponta para o lado de fora, como se o nível da água houvesse abaixado consideravelmente.

— A água está sendo drenada... por alguma coisa, ou alguém! – conclui Lire, já virando de costas para o lago e indo até o local a onde descansaram.

— A onde você vai? – perguntou Arme olhando para Lire.

— Eu vou descobrir o que esta fazendo isso com o lago e impedir essa tal guerra. Tenho a impressão que seja por esse motivo! – Lire olha para o lago e sua feição se “fecha”, logo ela retoma sua atenção para frente, pega seu arco e começa a caminhar na direção que o goblin foi. Elesis com o olhar para o chão pensava sobre o que Lire havia dito e logo segue a garota junto a Arme.

Arme e Elesis começou a reparar que quanto mais séria as coisas ficavam, mais séria e mais forte Lire se tornava. Não é de se impressionar, ela tinha bastante experiência em guerras como ela mesmo havia dito, por vários anos os elfos mantiveram uma guerra insana com os anões.

Chegaram a um lugar que nunca imaginaram que pudesse existir, um pântano, mas não um pântano sujo e com monstros gosmentos. Era um pântano com flores jamais vistas, elas emitiam luz própria e de varias cores. O chão também era iluminado com sua própria luz. Neste lugar pareciam que eram criaturas minúsculas e insignificantes, as flores eram quase cinco vezes maiores que elas.

— Mas que lugar lindo! – disse Arme correndo na frente.

— Tenha cuidado Arme! – orientou Lire.

— Se as flores são deste tamanho, imagina os seres em que aqui vivem. Devem ser gigantes! – disse Elesis que já se encontrava na frente, olhando de um lado para o outro, mas de repente uma fada vem voando com os olhos fechados, gritando e chorando ao mesmo tempo.

Ela não podia ter escolhido uma pessoa melhor para esbarrar, batendo diretamente no peito de Elesis e caindo no chão. Esfregava a cabeça tentando aliviar a dor e logo a sacudia de um lado para o outro rapidamente por estar um pouco tonta.

— Então esses são os seres gigantes desse lugar?! – debochou Arme.

— Mas que “diabo” foi isso? – indagou Elesis com tom agressivo, olhando para a fadinha. – Olha por onde anda sua estúpida. Olha para onde anda está ouvindo! – Elesis pegava sua lança e tentava acertar a pequena fada, mas Lire mais do que depressa captura a fadinha que ainda estava chorando, antes que a lança pudesse acerta-la.

— Elesis... – Arme cutucando Elesis que olha rapidamente para a maga, com um olhar assustador. – Ela não estava andando! Ela estav...

— Tá, Tá. Eu sei. Ela estava voando. – irritou Elesis. – Escuta aqui sua mosca falante...

— Calma Elesis! – exclamava Lire. – Fadinha, como que você se chama? – com sua voz tímida e meiga, tentava acalmar aquela criatura que chorava sem parar. Tinha cerca de dez centímetros e encontrava-se nas mãos da elfa. A fada ficou encantada e olhava para Lire sem parar, com seus olhos brilhantes de tanta emoção.

— Eu me chamo Agane. E quem são vocês? – indagou a fada.

— Agane? Isso é de comer? – interrogou Arme com suas piadinhas.

— É o nome dela, Arme! – respondeu Elesis.

— Nós somos uma organização que protege o mundo de Ernas. Somos a Grand Chase. Eu sou Lire Eryuell.

— eu sou Arme Glenstid.

— Eu me chamo Elesis Sieghart.

— Por que você estava chorando? – Lire perguntou.

— As fadas e as pixies estão em guerra com os goblins, mas algumas pixies estão se juntando a eles, estão com medo de perder esta guerra. Isto é obvio por que nós não gostamos de lutas. Eu tentei entrar em um acordo com eles, em nome das fadas, mas eles não me escutaram e me atacaram, foi assim que voei rapidamente para cá e encontrei vocês.

— E por que estão em guerra? – perguntou Arme.

— A água está acabando, alguns rios já foram secados, estamos lutando por território com água. No começo as fadas, pixies e goblins viviam juntos, e uns ajudavam os outros, mesmo com tanta falta de água. Mas os goblins foram astutos e egoístas e tentaram roubar toda a terra com água só para eles. Tentaram expulsar-nos, mas resistimos, e desde então, temos resistido aos ataques dos goblins. Perdemos muitos de nossa espécie e algumas pixies começaram a temer isso e estão se juntando aos goblins. Grand Chase... Ajude-nos! – suplicou Agane.

— “Ela fala mais do que a Arme”! – pensou Elesis

— Mas o que está fazendo os rios secarem dessa forma? – perguntou Lire se lembrando do lago Crepúsculo.

— Paprion! Ele é quem controla a água por aqui, mas ultimamente ele tem agido estranho, não tem aceitado visitas ou algo parecido! – respondeu a fada com semblante triste.

— Paprion?! – perguntou Arme.

— Sim, ele é o Dragão Guardião das Águas.

— Um dragão de verdade? Sério? “Serinho” mesmo? De Carne e osso? – indagou Arme com os olhos brilhando e muito empolgada.

— Nos iremos ajudar. – disse Lire.

— Obrigada, vocês precisam ir até ele e tentar convencê-lo a trazer a água de volta.

— Iremos fazer isso, mas você pode voltar para junto de suas amigas, certo? – disse Lire.

— Certo! Vocês podem seguir por este caminho ali. – dizia a fada apontando para o caminho.

— Entendido! – disse as três.

— Obrigada, Grand Chase! – a fada sai de cena.

— Eu ouvi falar tanto dele pelo mestre da academia... mal posso esperar para vê-lo! – disse Arme ainda empolgada.

— Tem alguém vindo, se escondam. – disse Elesis já se escondendo atrás de alguma flor gigante e logo todas vão atrás. Uma pequena bola de névoa que emitia luz própria aproximava-se em alta velocidade.

— “Uau”! Um espírito da névoa. – disse Arme surpresa.

— O que é isso? – intrigou Elesis em cochicho.

— Eles são espíritos guardiões de algum local. Vagam por ai fazendo uma espécie de ronda, como vigias, são inofensivos então não se preocupem.

O espírito passa em alta velocidade por elas sem notá-las. Continuaram sua viajem, mas um pouco perto dali outros seres também estavam à procura de algo:

— James, ele passou mesmo por aqui? – perguntou uma garota. Eram os mesmo seres que encontraram na praia em Vermécia

— Tenho plena certeza que sim, Madame! – respondeu o homem alto que mais parecia seu guarda-costas.

— Parece que já procuramos por todo o planeta, mas nada daquele idiota!

— Madame! Poderia perguntar aqueles viajantes ali!

— Vá lá seu mordomo de merda! – disse a garota.

James vai até as três garotas que assusta com o homem de cabelos e bigode branco, usava também roupas sociais e um lenço branco em seu braço direito, que ficava sempre dobrado como uma pessoa que quebra o braço.

— Com licença, caros viajantes desculpem-me por assustá-las, mas poderiam por gentileza contar com um minuto de vossa atenção? – indagou o mordomo.

— “Porque ele esta sendo tão formal”? – pensaram.

— Sim, claro! – disse Elesis desconfiada.

— Não teriam vocês, ao acaso, encontrado um jovem de cabelos roxos, um par de chifres, elegante e super educado nesta região? – disse James, demonstrando formalidade.

— Saia da frente, James! – disse aquela garota de antes, empurrando e se colocando a frente. – Vocês aí! Sabem onde podemos encontrar um idiota “fracote” de cabelos roxos e vaga por ai fingindo ser muito poderoso?

— Nos não... Nos não vimos... – Lire tentava dizer algo, mas não conseguia.

— Nos não vimos! – disse Elesis com o mesmo tom em que veio a pergunta. Aquela garota vira de costas e se retira sem dar a menor satisfação.

— Muito obrigado, senhoritas! – agradeceu James se curvando em gesto de cumprimento.

— Droga! A onde você está se escondendo, garoto? Vamos embora James! – disse a garota um pouco distante de Elesis e suas amigas.

— Sim, Madame! – os dois desaparecem em um portal.

— Mas que grosseira! – disse Elesis.

— Olha quem fala! – resmungou Arme, bem baixo.

— O que você disse?

— Bonitinha, mas estranha! Será que é uma elfa, Lire?! – perguntou Arme.

— Receio que não, Arme! – respondeu a elfa, imaginando o garoto que ela havia encontrado na floresta. De certa forma ele parecia com esta garota de agora e essa fenda dimensional era parecida com aquela luz roxa de onde aquele garoto havia saído.

— Vejam. Fumaça! – exclamou Elesis apontando para um local no horizonte do pântano aonde havia uma luz amarelada e fumaça, algo certamente estava em chamas.

Não pensaram duas vezes antes de saírem correndo em direção àquele local e não demoraram muito para chegar, mas talvez tenha sido tarde. O território estava em guerra e as pequenas casas em chamas. Fadas, pixies e goblins corriam de um lado para o outro. Os goblins estavam com armas de batalha, espadas, escudos, lanças, machados e até mesmo claves. Muitas vidas haviam sido perdidas naquela batalha, mas parece que as fadas e algumas pixies não reagiam. Um goblin cercou a fada Agane contra a parede e esta não tinha reação alguma. Ele pegou sua clave e a ergueu para atacá-la, ele a iria esmagá-la com um único golpe, mas foi impedido por Lire que parou a clave com a própria mão. Ela mantinha a mesma posição de antes, olhando para o chão e segurando a clave. Ela levanta sua cabeça bem devagar e olha friamente para o goblin, um olhar que dava medo em qualquer um. Seus olhos estavam amarelados novamente.

— Não se encoste a ela seu maldito! – disse Lire empurrando a clave para trás, fazendo o monstro recuar alguns passos, que logo foi surpreendido com um soco direto de Lire, este foi arremessado para longe.

Elesis e Arme usaram toda a sua força para expulsar os invasores do ambiente das fadas, a batalha não foi difícil, foi rápida por sinal, mas o que mais irritava era a gritaria que as pixies faziam, iam lá dentro dos ouvidos das três garotas, impedindo de atacar ou usar qualquer magia. Os goblins foram mais fáceis, apesar deles terem força física bem avantajada, mas isso não foi problema. Logo haviam terminado de expulsar os goblins e as pixies traidoras.

— Você está bem, Agane?! – perguntou Lire, bastante preocupada.

— Sim, eu estou. Muito obrigada!

— Agane! Agane! – gritou uma voz desesperada. – Agane você está bem? – uma fada que havia chegado.

— Estou sim, mamãe! Grand Chase, esta é minha mãe, Argay. E esta é a Grand Chase, eles são defensores de Ernas.

— Muito prazer, Grand Chase – disse Argay. – Ei... Você é uma elfa?

— Sou sim. – respondeu Lire espantada.

— Elfos tem a habilidade de falar com seres místicos, talvez você possa nos ajudar.

— Já estávamos a caminho quando vimos à fumaça, voltamos mais que de presa. – disse Elesis.

— Eu agradeço muito Grand Chase! – dizia Agane.

Finalmente podia ir até o tal Paprion e agora com a esperança de que Lire pudesse ajudar. O caminho era longo e pareciam que nunca iriam chegar, mas quando menos esperavam encontraram um lugar onde parecia que as fores eram maiores, e estas cercavam certa área. Logo no meio havia uma espécie de entrada, era enorme e um grande lago passava por esta entrada. Havia também espíritos da névoa protegendo toda aquela entrada.

— E agora, Elesis! O que vamos fazer? – disse Arme que se encontrava atrás de flor gigante junto a Elesis e Lire.

— “Han”? Mas como assim “Elesis”? – indagou à ruiva.

— Você é a líder, não?

— Sim, então... Vamos entrar lá e acabar com todos esses espíritos. – disse Elesis socando a palma de sua mão.

— Calma, Precisamos de um plano! – disse Lire, mas foi tarde, Elesis já corria para a entrada.

Como Arme disse, eles eram mesmo inofensivos, não atacaram, mas também não os deixaram entrar. Elas tentaram de todas as formas, mas não conseguiram. De repente, por algum motivo os espíritos acabaram por deixar as garotas entrarem.

— Mas o que aconteceu? Por que eles estão abrindo caminho? – indagou Elesis bastante confusa.

— Eles obedecem a ordens de algum ser superior, talvez esse seja o próprio Paprion. – disse Arme.

— Vamos entrar! – Elesis já se colocando a frente.

Lire e Arme seguiram Elesis até a entrada e foram surpreendidas com tanta beleza.

— Então vocês vieram, Grand Chase! – disse uma voz e foram surpreendidas ao ver um grande Dragão em forma de serpente marinha. Sua pele de cima em um tom azulado quase negro e a de baixo com tom branco. Seus olhos verdes e com Iris amarelada, sua pupila preta e com somente uma fenda, como um olho de gato. Em seu corpo existiam alguns símbolos antigos com cor verde. Suas “barbatanas” em forma de espinho azul, ele era realmente grande.

— Então... Aquele é Paprion, o Dragão Guardião das Águas? – questionou Arme bastante surpresa e com um brilho nos olhos.

— Paprion! Devo lhe dizer que os rios estão secando, estão havendo guerras por causa da água. – disse Lire com seu tom meigo.

— A água é vida! Quando mais água eu tiver, mais força mágica eu terei. Eu serei invencível. – disse Paprion com uma gargalhada maligna.

— Esse não é o verdadeiro Paprion! – concluiu Lire.

— O mestre da academia violeta que dizia que Paprion tem duas personalidades, uma delas é maligna... Quando Paprion tentasse recuperar toda sua magia, através da água que ele mesmo espalhou pelo mundo, ele ficaria invencível e poderia acabar com qualquer guerra.

— Então por que ele esta roubando a água? E por que não acaba com a guerra? – disse Elesis bastante irritada.

— Acho que você não contou o resto na história, contou Garota?

— Não! – disse Arme cabisbaixa. – Nessa historia há um “porém”... Se Paprion tentar recuperar sua Água e está estiver contaminada, que seria a mesma coisa se nos absorvesse energia maligna, Paprion libertaria sua outra personalidade, assim como qualquer um, de Guardião da água, ele se tornaria o Demônio da Água... O Leviatã! – Conclui Arme olhando para o Dragão serpente.

— Isso mesmo, eu sou o Leviatã e vocês serão destruídos agora mesmo! – disse o dragão preparando um ataque, ele coloca toda sua cabeça para trás e ataca com um jato de água enorme... Com algum milagre as garotas conseguiram escapar. Elesis tenta atacar as costas do dragão demoníaco, mas a pele dele era muito rígida. Leviatã ataca Elesis com sua cauda e esta cai por terra.

— Ataquem a cabeça! – gritou Arme conjurando uma magia de relâmpago, mas o dragão defende com sua cauda.

Elesis levanta com muita dificuldade e com alguns ferimentos leves, Lire atira algumas flechas precisas em Leviatã, mas todas elas foram defendidas por sua cauda.

— Mas que droga... O corpo dele é tão duro assim? – Elesis dizia.

— Não é a toa que ele é o guardião! – disse Arme.

— Temos que trabalhar juntas! – disse Lire.

— Eu odeio quando você diz isso, mas tenho que concordar! – disse Elesis.

— Vamos lá! – Arme conjurando sua magia de relâmpago.

O Relâmpago foi defendido pela cauda do dragão sem nenhuma dificuldade, que contra ataca com sua cauda em um golpe lateral, acertando todas as três em uma única vez, arremessando-as longe. Em seguida usa sua rajada de água, Elesis e Arme foram atingidas, mas Lire consegue se esquivar. Ela corre em direção ao Leviatã com seu arco apontado para a cabeça do guardião e atira, mas é defendido pela cauda dele novamente, mas quando o dragão retira a cauda de frente de seus olhos, a garota não estava mais no local, ele a procura em toda parte e finalmente olha para cima. Lire estava acima da criatura, de cabeça para baixo pronta para o disparo. Ela iria efetuar seu Fýsima Velón, mas foi impedida por um jato de água que fez com que a garota voasse metros de altura.

— Lire! – gritou Elesis e Arme ao mesmo tempo, mas Lire cai desabando-se no chão.

Arme e Elesis correm até Lire, ela estava bastante ensanguentada, mas ainda viva, tinha sido uma queda e tanto. Elesis fica super furiosa e parte para o ataque, mesmo recebendo vários golpes poderosos de Leviatã. Arme usava sua magia para tentar curar Lire e por alguma razão os ferimentos dela estavam cicatrizando mais rápido do que o normal, talvez seja pelo fato dela não ser humana. Logo Lire já estava de pé e pronta para mais batalha. Realmente estavam bastante cansadas, mas nunca desistiam. Lire começa a correr e a atirar flechas em direção ao guardião e este fazia os mesmos movimentos repetitivos de defender com a cauda. Quando ele tira a cauda da frente dos olhos, lá estava Elesis pronta para atacá-lo com sua lança, mas rapidamente o demônio ataca primeiro, com uma rabada lateral, fazendo Elesis ser arremessada longe. De alguma forma as garotas estavam acostumando com as estratégias de Leviatã.

— Chega de brincadeira garotas, dessa vez eu irei acabar com vocês de uma vez por todas! – disse o guardião levantando sua cauda e atacando as garotas com um golpe de cima, não foi difícil desviar, mas o verdadeiro objetivo dele era atacar o próprio chão, fazendo a terra tremer um pouco fazendo garotas perderem o equilíbrio, logo ele faz uma rápida corrida e tenta mordê-las, mas Elesis consegue impedir, colocando sua lança dentro da boca do dragão, impedindo-o de fechá-la. Arme tenta usar uma magia, mas Leviatã foi mais rápido e usou sua cauda, dessa vez não acertou, mas o dragão conseguiu escapar e logo usa seu jato de água, dessa vez ele estava um pouco mais perto. Arme rapidamente faz um escudo mágico, mas esta magia requeria muita pratica e esforço, talvez essa fosse sua melhor magia, mas ela somente conseguiu reduzir os danos, mas foi o suficiente para Elesis e Lire recuperarem toda sua confiança e partir para o ataque.

— Esta pronta, Lire? – indagou Elesis com um tom bastante confiante e com um leve sorriso malicioso no rosto.

— Estou sim... Apólytos Théa! – dizia Lire ainda mais confiante após seus olhos amarelarem novamente.

As três saem correndo, Elesis na frente e arme seguindo logo atrás de Lire. A criatura tenta atacar com um golpe por cima, mas elas desviam facilmente, cada uma para um lado. Arme usa em Leviatã sua magia relâmpago, que não surge muito efeito, mas o necessário. Agora, Elesis na direita, Lire na esquerda e Arme na frente.

— Agora ele não poderá atacar e nem se defender dos golpes. – disse Elesis.

Elesis sem pensar parte para o ataque. A criatura tenta usar sua cauda, mas recebe varias flechadas e relâmpagos em seu rosto, era a primeira vez que eles haviam conseguido acertar. A atenção foi voltada para Lire e Arme.

— Fire Spear! – Elesis joga com toda força sua lança. Leviatã tenta esquivar sua cabeça, mas a chama da lança conseguiu acertá-lo, deixando-o sem poder ver por alguns segundos, esta era a chance de Lire e Arme.

— Kataigída Véli!

— Globus Ignis – Arme conjura uma bola de fogo e arremessa a Leviatã.

— Suas fedelhas... fúria das águas! – de repente as águas começaram a subir e logo uma onda de quase quinze metros havia se formado, as ondas passam por Leviatã e impede o golpe de Arme.

— Se essa coisa acertar-nos não iremos sobreviver! – disse Arme espantada com o tamanho da onda.

— Teremos que usar nossos melhores golpes e colocar tudo que temos neles! – disse Elesis.

— Certo! – disse Lire.

As três garotas soltaram seus poderes ao mesmo tempo, colocaram toda suas forças em um único ataque... Colocaram suas almas e esperança.

— Explosive Tornado.

— Meteoron Imber.

— Diátrisi Vélos.

Suas forças de vontade foram maiores do que qualquer força, os ataques delas destruíram o do guardião e agora seus espíritos estavam em chamas.

Elesis sacava sua lança e corria em direção ao guardião, sendo seguida por Lire que estava como sua “sombra”. Lire pula por cima da ruiva com seu arco apontado para o dragão e o engana por ele não tê-la visto, mas não foi problema para ele, ele usa sua cauda com um golpe lateral, mas esquece de Elesis que já se encontrava subindo em seu corpo. Arme novamente usa seu relâmpago para distraí-lo e foi surpreendido quando percebeu que Elesis já estava logo a sua frente.

— Game over... Monstrengo! Valkyrie's Darts. – Elesis usa um golpe muito parecido com a lança de fogo, só que dessa vez a lança era muito maior e as chamas mais densas. Ela joga sua lança e causa um dano muito grande ao monstro e no mesmo instante em que Elesis usou seu golpe, Arme usou uma magia muito poderosa também...

— RAIOS E RELAMPAGOS! – Arme conjura uma esfera elétrica que atrai relâmpagos do céu. Esta foi lançada contra o inimigo.

Leviatã fica atordoado, mas não era o fim. No último ataque em que o guardião havia dado em Lire, ela havia conseguido segura na cauda do mesmo. Ela só esperou pegar impulso para ser jogada para cima e virar um belo mortal no alto, já com seu arco apontado para Leviatã que havia ficado surpreso com Lire.

— Atomikis Sout! – Lire atira três flechas que começam a dançar em pleno ar em direção ao dragão, estas começam a entrelaçarem e logo é formada uma espécie de átomo com um núcleo negro. Este colide diretamente com o monstro e causa uma explosão enorme. Uma luz enorme é formada e mais nada pôde ver.

Quando a forte luz passou, lá estavam as garotas ajoelhadas e fatigadas enfrente a um corpo de dragão... O dragão agradece por terem o salvado e logo cai por terra novamente. As garotas não conseguiram nem responder e também caem desmaiadas, mas foram acolhidas pelas fadas e as pixies. Foram tratadas muito bem e tiveram suas feridas curadas. Não tiveram tempo de despedir de Agane, mas deixaram recado e logo partiram em sua longa jornada, a qual estava atrasada.

— Obrigado... Grand Chase! – disse Agane logo que o recado foi dado, em um tom baixo e esperançoso que aquele agradecimento houvesse tocado no fundo de seus corações e que algum dia pudesse dizer isso frente a frente com sua heroína.

No mesmo instante em que as garotas haviam sido retiradas de onde o guardião estava...

— Eu sei que está ai há muito tempo! – disse Leviatã com tom baixo, quase não conseguindo falar.

— Há quando tempo, Paprion! – disse um garoto que se aproximava de Paprion e tocava sua pele rígida e ensanguentada.

— Então é você, garoto?! – indagou Paprion surpreso. – O Garoto de Prata!

— Então se você morrer... Tudo voltará como era antes? – disse o garoto com a voz tremula.

— Isso mesmo... Mas estou feliz que tenha sido assim. – disse Paprion desviando seu olhar, e mantiveram silêncio por alguns instantes. – Garoto... Quero lhe pedir descul...

— Não gaste o resto de sua energia com isso, mas... que cumpra seu último desejo, Paprion! – disse o garoto.

— Ah sim, muito obrigado e Adeus... Meu amigo de prata. – dizia Paprion com a voz mais baixa do que a de antes, ele fecha os olhos e o garoto percebe que ele já não estava mais vivo. O garoto vira-se de costas e Paprion começa a desintegrar, virando vários espíritos da névoa. Logo os rios transbordaram.

— Adeus, meu amigo.

Enquanto isso um espírito da nevoa se dirigia rapidamente para uma espécie de vulcão, na área mais isolada da Terra de Prata. Na parte mais escura ele para e diz:

— ... (na verdade ele não fala nada, o espírito se comunica por telepatia)

— O que?! Então a Grand Chase derrotou e matou meu amigou Paprion? Eu mesmo irei vingá-lo – dois olhos avermelhados aparecem no meio da escuridão e o vulcão entra em erupção.



Notas finais
ate a proxima