Gotten

1 Prólogo


Notas iniciais
Oi, cupcakes! Eu não pretendia postar essa fanfic logo de cara, mas por pura pressão de vocês no twitter, resolvi postar. Muitos de vocês foram gracinhas comigo quando perguntei dela e muitos super mente poluída (entendedores entenderão) e então, espero que gostem. Antes de mais nada, deem uma chance a fanfic, mesmo que seja meio monótona ou chatinha no começo, juro que depois melhora. E, ao contrário de Drive By (se você ainda não leu, dá uma passadinha lá, juro pra você que é bem legal 'u'), não tem saliença já no prólogo, mas eu prometo que vai ter alguma coisa depois... LAJSLÇASKAÇL Boa leitura! 'u'

O odor de cigarros tomou conta dos meus sentidos assim que saí do carro; há pouco tempo, mamãe insistiu para que viéssemos até essa cidadezinha de interior, e, não que eu tenha algo contra o interior, não tenho, mas eu preferiria estar no meu antigo quarto, lendo alguns livros grossos inacabados e tomando o meu café quente. Mas estou aqui, sem saber exatamente o nome do lugar que vou viver.

Papai coloca seu braço por cima de meu ombro e nós começamos a entrar numa oficina; minha visão fica embaçada rapidamente por conta da fumaça em excesso. Eu não consigo conter a coceira na garganta e tusso com vontade, espirrando e coçando os olhos em seguida, é uma coisa minha, não consigo viver perto de cigarros ou fumantes.

Sou passada aos braços de mamãe, que também tosse e aperta os olhos na tentativa de enxergar alguma coisa, mas não estou certa de que ela esteja conseguindo. Ouço o ronco de um motor ao meu lado e dou um pulo, puxando mamãe comigo; olho para ela – ou para onde imagino que ela esteja – e dou um sorriso fraco na esperança de que ela consiga me ver.

– Olá? – papai chama ao longe; não consigo vê-lo no mundaréu de fumaça – Tem alguém aí?

– Já estou indo – ouço a voz de um homem – Já estou indo, céus… não posso sequer almoçar em paz!

Não consigo identificar silhueta nenhuma, mas consigo acompanhar as roupas escuras de papai; pouco tempo antes nós estávamos num tribunal e meus pais eram parte da promotoria. Sempre gostei de assistir aos julgamentos, mas não me vejo num dos cargos ocupados pelos meus pais, parece muito estressante e, pelo menos eles têm para quem voltar ao fim do dia. Não imagino que eu terei algo assim e, se por acaso, tiver, não será da mesma forma que eles têm…

Tento identificar a silhueta da outra voz, mas não consigo. Lentamente, a fumaça começa a se dissipar e então consigo vê-los. Não estão muito longe, mas o menino ao lado de papai parece amedrontador e não quero me aproximar dele; ao mesmo tempo, porém, desejo me esconder debaixo dos braços de papai, mas me contento com os de minha mãe.

Escondo o rosto em seus cabelos quando o cheiro de cigarros começa a ficar mais forte; sinto as mãos de papai em minhas costas e, finalmente, sinto-me totalmente protegida para olhá-lo. Ergo os olhos para o menino e vejo um sorriso de canto, onde há um cigarro aceso e pela metade; faço careta quando o forte odor irrita minhas vias nasais e começo a tossir mais uma vez. Ele, porém, não parece abalado com aquilo, parece até… contente.

– O que posso fazer por vocês? – ele pergunta olhando diretamente para mim; faço cara de nojo e ele dá uma risada – Gostei de você, menina.

– Não me chamo menina – digo, forçando a minha voz a sair; mamãe alisa meus cabelos.

– Nosso carro começou a emitir uns barulhos estranhos quando chegamos aqui – papai explica, dando um olhar mortal ao menino; quase quero pular em seus braços e enchê-lo de beijos – Precisamos que esteja bom para podermos dar um passeio pela cidade.

– São novos na cidade? – ele pergunta; reviro os olhos – Não faça isso com os olhos, menina, faz você ficar ainda mais sexy.

Meu queixo cai, literalmente. Eu o encaro e vejo um brilho sapeca em seus olhos; quero pular em seu pescoço e esganá-lo, mas então seria indiciada por homicídio ou tentativa de homicídio e eu não quero isso. Definitivamente, não. Contento-me em balançar a cabeça e revirar os olhos mais uma vez.

– Por quanto faz isso? – pergunta mamãe, escondendo-me em seus braços; eu ficaria escondida por mais tempo, mas preciso respirar.

– Mãe, não posso respirar assim – arfo; ela ri.

– Não conseguimos respirar aqui dentro idem – ela dá de ombros e começa a me puxar para fora da garagem com cheiro de cigarros.

Quando piso do lado de fora do galpão, meus pulmões se enchem de ar puro e eu quase rio por isso, mas contento-me com um simples sorriso. Mamãe encosta num poste sujo, mas não me atrevo a fazer o mesmo com nenhum dos objetos presentes naquela rua, então cruzo os braços sobre o peito e encaro o menino. Ele cospe o cigarro no chão e o apaga com os pés, esfregando as cinzas na sola do sapato.

Ele e papai conversam por mais algum tempo até que os dois vêm até nós; mamãe deixa que meu pai passe um braço em sua cintura e a puxe contra seu corpo. Sempre achei que sentiria vergonha disso se eles fizessem na frente de um estranho, mas acho até meio bonitinho. Olho para um cartão de papel espesso que o menino me oferece; tomo-o nas mãos e leio o convite para uma festa.

– O que é isso? – questiono; ergo os olhos para ele e vejo seu sorriso sapeca.

– Um convite para a festa de hoje à noite. – ele diz; reviro os olhos.

– Eu sei ler – retruco – Eu vi que é um convite, mas por que está me dando isso?

– Achei que, se fizesse amizades por aqui, Flor, não seria tão grossa – ele ri e volta a entrar no galpão.

Encaro o convite mais uma vez, perdendo-me nas letras bastão em negrito e então volto a olhar para ele, que, mesmo de longe, pisca para mim e acende mais um cigarro. Olho para meu pai e vejo que ele começa a caminhar com minha mãe em seus braços, então, só o que me resta é correr para alcançá-los.

Não demoramos muito para chegar em casa e, quando entramos, dou de cara com pilhas e pilhas de caixas de papelão amontoadas num canto. Subo as escadas da mansão que papai herdou de um tio que nunca conheceu bem e corro até meu novo quarto; começo a explorar meu novo esconderijo. Há um banheiro dentro do quarto e eu agradeço por isso – começou a ficar constrangedor encontrar com meu pai no corredor usando apenas uma toalha na cintura. Não que eu já não estivesse acostumada com aquilo, mas ainda assim, é constrangedor.

Procuro as caixas onde mamãe escreveu com hidrocor preta em letras de forma “livros K”. As caixas estão escondidas atrás das caixas de roupas, e eu tenho que fazer força para conseguir movê-las; papai havia me dito que não poderíamos trazer todos os meus livros, mas eu me neguei a me mudar para cá se não os trouxesse. Por fim, papai cedeu e deixou que eu trouxesse todos.

Há uma estante bem grande fixa na parede ao lado de onde colocarei minha cama e eu começo a arrumar meus livros nela. Não arrumo por ordem de autor ou por cor, acho melhor por gênero e tamanho, e assim os faço. Meus braços reclamam de dor quando já estou na metade da sétima caixa e eu já acho que fiz um bom trabalho; lentamente, vou empurrando as caixas restantes para perto da estante. Depois, começo a empurrar as caixas de roupas para perto do armário, esperando o dia que minha cama chegue para que eu possa me jogar sobre o colchão e dar um longo suspiro. Esse dia não é hoje.

Mamãe me convence a ir àquela festa que o menino do galpão me convidou, mesmo que eu não esteja disposta a ir. Papai começa a citar os motivos pelos quais devo ir e fico muito chateada com os dois, porque nunca consigo dizer não às inúmeras razões que eles encontram para que eu faça algo. Detesto-os e amo-os por isso.

Corro até o meu banheiro (nunca vou me cansar de dizer isso) e ligo o chuveiro; o vidro do boxe é escuro, impedindo que alguém me veja do lado de dentro, o que é ótimo, já que minha mãe trará as toalhas depois. Dispo-me das roupas suadas da viagem e ligo o chuveiro; lavo os cabelos e então começo a deslizar o sabonete pelo corpo. Ouço a voz de mamãe antes que ela possa jogar as toalhas por cima do boxe, uma vez que eu abro a porta de vidro e puxo-as para dentro, enrolando-me com rapidez.

– Não parece tão chateada por ter que ir à festa – ela brinca comigo; faço careta.

– Não estou chateada – explico – Só não vejo um motivo bom para ir. Aliás, não vejo um motivo bom para termos vindo para cá… exceto o banheiro no quarto, porque eu sempre quis um.

– Certo – mamãe ri – Estarei lá embaixo ajudando seu pai a arrumar a sala… pelo menos um dos cômodos tem que estar arrumados, não acha?

– Super apoio – eu rio – Ei, mãe, antes de ir…

– Sim?

– O que eu uso para ir nessa festa? – pergunto sem graça – Porque, você sabe, não fui a muitas festas quando morávamos em Nova York e… bem, nunca sei o que vestir.

– Use roupas normais – ela dá de ombros – Uma calça jeans, ou um short! Uma regata qualquer e tênis, não sei. Use o que fizer você se sentir confortável… só não pode sair por aí sem nada! Isso é inadmissível porque…

– Já sei, mãe – deixo uma risada escapar – Já sei…

Quando ela sai, finalmente, puxo um bolo de roupas de dentro de uma das caixas e as espalho sobre o espaço livre da estante, analisando-as. Acabo optando por uma regata branca e uma calça, exatamente como minha mãe tinha dito. Calço os mesmos tênis e desço as escadas, procurando meus pais – coisa da qual me arrependo profundamente, porque o que vejo não é nada agradável.

Meus pais trocam beijos calorosos sobre a pia de mármore da cozinha; as pernas de mamãe estão envolvendo os quadris de papai e penso seriamente em me afastar, mas mamãe me vê antes que eu possa fazê-lo. A vergonha em seus rostos é quase palpável, mas resolvo apagar a cena de minha cabeça para não torná-la ainda mais vergonhosa.

– Estas estão boas? – pergunto, dando um rodopio.

– Hã… – começa papai, como se quisesse me explicar a cena de antes.

– Não aconteceu nada aqui e, se aconteceu, eu não vi – encolho os ombros e mamãe pula da pia.

– Fica linda em tudo o que usa, querida – ela beija minha testa – Só o que peço é que não chegue tarde em casa…

–… ou que use drogas, ou… – tenta papai; balanço a cabeça e rio.

– Conheço esse discurso, pai – eu beijo sua bochecha – Não precisa repeti-lo o tempo todo.

– Certo – ele suspira – Tudo bem e, Katie, pode me ligar quando quiser vir embora que daremos um jeito de te buscar.

– Eu vou – sorrio – Eu sempre ligo.

‘…’

Saio pedindo informações a qualquer um que me pareça uma boa pessoa. As ruas são confusas e cheias de bifurcações; me perco antes mesmo de começar a andar pela cidade. Papai se ofereceu para me levar de carro, mas então lembrou-se de que o carro está no galpão do menino que fuma. “Menino que fuma” não é lá um belo apelido, mas não sabemos o nome dele e sequer chegamos a perguntar.

Começo a sentir o odor de cigarros e bebida há metros de distância, depois consigo ouvir a música alta e sirenes de polícia. Agradeço por não estar do lado de dentro no momento e fico escondida pelas sombras de algumas árvores.

– O que será que aconteceu? – dou um pulo ao ouvir a voz ao pé do ouvido.

Viro de frente para ele e vejo um cigarro apagado pendendo de seus lábios. Balanço a cabeça e faço careta ao voltar a minha atenção para a casa cercada de viaturas.

– Apreensão de drogas – ele diz.

– Você me convidou para uma festa onde haveria drogas? – questiono de cara feia; fecho as mãos em punhos e ameaço bater nele.

– Calma, Flor! – ele ri alto – E, à propósito, você está na festa errada. A festa para qual eu a convidei é na rua seguinte.

– Então por que está aqui? – pergunto enquanto cruzo os braços, na tentativa de parecer confortável com aquela situação.

– Porque alguns dos meus amigos estão fugindo pela janela dos fundos nesse exato momento – ele olha o relógio e dá um sorriso – Preciso ajudá-los a se safar dessa.

– Você não presta – eu vocifero.

– Eu sei – ele ri e acende o cigarro – Você não parece uma menina que goste de festas.

– Não é muito a minha praia – olho por cima do ombro e ele solta fumaça no meu rosto; luto contra o impulso de tossir, mas não consigo.

– Percebo – ele ri e volta a tragar o cigarro – Suas roupas também conseguem mostrar quem você é.

Olho para minhas roupas e descruzo os braços com uma pulga atrás da orelha. Não entendo o que ele quer dizer com isso e imagino que também não seja algo que eu queira saber. Ele ri e solta a fumaça sobre mim mais uma vez; bato o pé no chão e olho feio para ele.

– Dá pra você parar com isso? – questiono um pouco alto demais – Que inferno! Pareço estar na companhia de um dragão!

– Um dragão muito bonito e perfumado – ele reverencia rindo – Flor, quanto mais você pedir para eu parar, mais eu vou fazer.

– Não me parece um moço muito educado, então – reclamo e volto a cruzar os braços.

Ouço o farfalhar de folhas e tecido atrás de nós e viro o corpo, dando de cara com um menino de olhos castanhos e outro de olhos azuis-piscina. Eles acenam para mim e pegam, cada um, um cigarro, acendendo-os e dando uma longa tragada. Reviro os olhos mais uma vez, ouvindo as rodas dos carros da polícia roçando na terra; olho para os rostos chapados dos meninos presos e meu queixo cai, literalmente. Imaginei que fossem pelo menos dois, mas há quatro meninos enfiados na primeira viatura enquanto há mais três na segunda.

– Vocês aqui costumam ser presos com frequência? – pergunto; eles balançam a cabeça e riem.

– Alguns de nós, sim, mas nem todos – o menino de olhos castanhos cutuca o menino do galpão com o cotovelo – Esse aqui é o mais careta de nós todos. Ele fuma um pouco…

Um pouco?

–… e às vezes bebe alguma coisa, mas não é sempre – ele volta a tragar – Talvez você queira sair com alguém mais radical.

Ele balança as sobrancelhas ao terminar a frase e contenho uma risada.

– Não estou procurando alguém agora, obrigada – faço careta quando o odor de cigarros fica muito forte – Escutem, não preciso estar aqui, não é minha obrigação, vocês já mostraram o que fazem para se divertir, já se insinuaram para mim e já me conheceram. Já posso voltar para casa…!

– Não! – o menino do galpão segura meu braço antes que eu possa ir embora; minhas bochechas queimam e agradeço por estar escuro – Eu quero que conheça uma pessoa.

– Tenho medo dos seus amigos – dou de ombros, arrancando risadas dos meninos.

– São meninas – ele revira os olhos, mas não parece ter muita experiência nisso, o que, no fim, acaba sendo hilário – Não que não sejam legais e tudo mais, mas são caretas como você.

– Não sou careta! – reclamo – Só não concordo com vocês no quesito de diversão.

Eles riem e começam a andar para longe, então preciso correr para acompanhá-los. Suas pernas são muito maiores do que as minhas, e me surpreendo por não estar cansada ou com sede quando chegamos à uma enorme casa que exala o cheiro de bebidas e cigarros idem. Respiro fundo e começo a olhar os convidados, procurando alguém que seja mais normal; há meninas seminuas roçando seus corpos em meninos bêbados e chapados. O horror começa a percorrer meu corpo quando, finalmente, encontro uma menina com as pernas dentro da água da piscina, com um livro nas mãos.

– L, venha aqui. – grita o menino do galpão.

– Estou lendo, babaca. – ela grita de volta e eu começo a rir – Trouxe uma menina nova? Puxa, cara, estou farta das suas namoradas. Elas são um saco!

– Nós não somos… – tento reclamar, mas ele me impede.

–… namorados. Não temos nenhum relacionamento, somos só amigos – ele completa.

Se é que posso chamar de amigo um homem que cospe fumaça no meu rosto e me arrasta para festas nas quais não quero estar. Dou de ombros quando ela fecha o livro e olha para mim; um sorriso aparece em seu rosto quando ela escuta as últimas palavras dele e balança a cabeça, retirando as pernas da água e se aproximando de mim. Ela é baixinha, sua cabeça bate em meu peito.

– Bem-vinda ao grupo das amigas do Rick – ela amplia o sorriso – Bem, por enquanto somos só nós duas.

– Duas amigas? – olho para ele com os olhos estreitos – Não me surpreende nem um pouco.

– Ele é o maior galinha que eu conheço – ela o cutuca com o ombro e eu não contenho uma risada – Pena que meu namorado e ele não se dão bem.

– Não tenho nada contra ele – ele dá de ombros – O problema que ele tem comigo, aí já é outra história.

– Ele tentou ficar com a prima dele – a menina me explica – Mas isso são águas passadas… meu nome é Lanie, mas pode me chamar de L.

– Katherine, mas pode me chamar de Kate. – eu sorrio para ela e vejo que ele também sorri – Eu não disse que você pode me chamar de Kate.

– Ah, qual é! – ele reclama, jogando os braços para o alto.

Não consigo sequer formular uma resposta, porque sou jogada para cima da menina, Lanie, com tamanha brutalidade e rapidez que não consigo fincar meus pés no chão. Nós duas caímos na grama do jardim e eu expulso os cabelos do rosto para, então, ver uma menina ruiva seminua beijando o menino do galpão.

– Elas sempre fazem isso – Lanie bufa – E é por isso que ele é tão convencido. Todo dia arruma uma menina nova e fica com ela só por uma noite, é como se ele tivesse uma coisa de interessante que eu não consigo ver.

– Também não vejo nada de interessante nele – dou de ombros e olho para Lanie – Por que elas deixam que ele faça com elas o que deseja? Quero dizer, nem todas as meninas podem ter simplesmente ficado com ele sem mais nem menos, afinal, ele pelo menos liga para elas depois?

– Não – Lanie suspira – Ele avisa logo que acabam de… ficar, que não vai ligar depois e que nunca mais vai sequer olhar para elas.

– E elas não se incomodam? – ergo os olhos e vejo as mãos dele passando por dentro da pouca roupa que a menina usa, por isso desvio o olhar rapidamente.

– Nenhuma reclamou até hoje – Lanie balança a cabeça ao vê-los se afastar da casa aos tropeços; faço o mesmo e sinto um arrepio percorrer minha espinha.

– Elas sequer se dão ao respeito – reclamo – Depois de mais alguns anos, das duas uma, ou não vai haver mais meninas disponíveis ou ele vai se mudar para outro lugar onde tenha moças que estejam aptas para estar com ele.

– Ou então ele encontra uma moça decente e aquieta a mente – Lanie ri depois – Não acho que essa última seja possível, de qualquer forma! Acredito que ele vá fazer uma das suas opções!

Eu rio e me levanto, expulsando a grama da minha calça. Lanie pede minha ajuda e eu ofereço meu braço; ela me segura e levanta desajeitadamente. Rapidamente, ela me puxa para dentro da casa, onde sou apresentada ao namorado dela, Javi e ao amigo deles, Kevin alguma coisa. Tento parecer confortável ali, mas a verdade é que não pertenço àquele lugar.

Um copo é estendido sobre meu ombro e viro o pescoço para encarar quem quer que seja. O menino do galpão sorri para mim quando pego o copo vermelho descartável e olho seu conteúdo.

– É só água – ele diz – E não está batizada, eu juro.

– Devo confiar? – olho para Lanie e ela encolhe os ombros.

– Beba por sua conta e risco! – ela ri – Não tenho nada a ver com isso! E, Rick, achei que você estivesse se esfregando com aquela ruiva!

– Nós já ficamos antes – ele dá de ombros e coloca um cigarro na boca; ele pende de seus lábios e eu contenho o impulso de arrancá-lo – Nunca gostei dela, pra falar a verdade. Só ficamos porque eu estava curioso quanto a performance sexual de uma ruiva.

– Que nojo – eu digo antes de colocar água na boca.

– Não é tão nojento assim, Flor – ele me puxa para perto e eu derramo água na minha blusa – Opa!

– Me diz que isso não foi de propósito – eu digo com lentidão, e depois emendo: – Porque, eu juro, se isso foi algum truque, saiba que não hesito em bater em ninguém.

– Calma, Flor! – ele ri e me entrega seu casaco que não faço ideia de onde foi tirado – Aqui, vista meu casaco.

– Obrigada, eu acho – digo, vestindo o tecido com odor de fumo. – Todas as suas roupas cheiram a fumo?

– Uma boa parte delas, sim – ele dá de ombros – As únicas que acho que não fedem a cigarro são as cuecas.

Minhas bochechas queimam e eu tento esconder o rosto nos cabelos, mas sou pega no flagra com o rosto incrivelmente quente e, provavelmente, vermelho. O namorado de Lanie, Javi, me puxa para seu peito e me dá um beijo no topo da cabeça, me explicando que Richard (o menino do galpão) é um babaca assim mesmo e eu não contenho a risada que explode em meus lábios.

– Estou começando a ficar com ciúmes – reclama Lanie, e então Javi abraça a nós duas.

– Não consigo respirar – balbucio com dificuldade quando ele me aperta com mais força.

Javi finalmente me solta e eu tomo um longo suspiro, tentando recuperar o fôlego, mas Lanie parece que acabou de sair de um filme adolescente; olha para mim como se eu estivesse maluca.

– É que eu já me acostumei aos abraços de urso – ela ri; balanço a cabeça e expiro.

– Peço que não me acostume – peço a ele.

– Não prometo nada! – ele ergue os braços e toma Lanie nos braços.

Posso ver a bagunça de línguas e saliva, por isso viro o corpo e balanço a cabeça com um sorriso bobo no rosto. Richard conversa com os meninos que fugiram da outra festa e então, os dois me percebem. Tento desviar o olhar ao pegar meu corpo, mas eles pedem que eu me aproxime, então o faço com cautela.

– Estes são meus amigos – ele aponta para cada um.

– Eu sei, estava com vocês quando fugiram daquela outra festa – meneio a cabeça.

– Sou Thomas – diz o de olhos azuis.

– Sou Joshua – diz o outro, o de olhos castanhos.

– Katherine – estendo a mão, mas eles não parecem se importar com isso.

Largam os copos no chão, derramando o resto de suas bebidas e então, os três me tomam num abraço de urso. Então, uma noite que começou comigo sendo forçada a perseguir três meninos desconhecidos se tornou uma noite onde sou esmagada por braços enormes que me engolem viva.

Não reclamo porque, em partes, até gosto.

Notas finais
Então, cupcakes! Esse foi o prólogo (ah, é mesmo?) e eu espero que tenham gostado porque nunca escrevi algo assim. Sim, alguns de vocês devem ficar ~sensibilizados~ com a menção a drogas e bebida, mas vai ser por uma boa causa, eu juro que depois fica melhor. Ou não, porque eu só escrevi isso por enquanto u.u. LAIJSOILAK vou pedir a mesma coisa que peço em Drive By: divulguem a fanfic como puderem! Comentem, favoritem, acompanhem, recomendem, mostrem pros amiguinhos pra história não flopar! Eu sei que escrevi muito pra um prólogo, mas queria deixar a história mais ~interessante~ logo de cara! Posso contar com vocês nessa história também? Até os comentários!