Gotten
2 1. Festa
Notas iniciais
Começo a me espremer entre outros jovens bêbados e cheios de pílulas desconhecidas nas mãos; estico o pescoço para tentar vê-las, mas sou puxada pela blusa por um desconhecido, que roça seu corpo no meu e se aproxima para um beijo.
Tento me esquivar, mas antes que eu possa fazer isso, sou tomada nos braços de outro homem e começo a entrar em pânico. Claro, isso foi antes de ouvir o som de um punho batendo contra o rosto do menino que me agarrou primeiro. Estico o pescoço e viro o corpo para trás para ver Richard, o menino do galpão, com um cigarro pendendo da boca.
– Não se aproxime dela, babaca – ele grita com o outro menino.
– Relaxa, cara! – suspira o outro – Nós dois sequer começamos a ficar!
– E nem vão! – grita ele de volta, passando um braço por cima de meus ombros e começando a me guiar para fora da casa.
Olho para ele, que mantém o rosto como uma máscara de ferro. Desisto de arrancar alguma coisa de seu rosto e começo a me esquivar de seu corpo, encarando-o nos olhos.
– O que deu em você? – quase grito, mas não tenho medo de ser julgada por ter perdido os modos, afinal, estou no meio de um monte de jovens que fazem bem pior do que eu.
– Você deveria estar me agradecendo! – ele grita de volta – Eu salvei você de um possível estupro, caso não tenha percebido!
– Percebi, obrigada – reviro os olhos – Mas talvez eu quisesse aquilo, e você também não tem direito algum de se meter no que faço com a minha vida!
– Flor, eu vi o nojo estampado em seu rosto quando ele soltou aquele bafo de bebida no seu rosto – ele parece estar se vangloriando, mas sua expressão é séria – De alguma forma, eu soube que você não estava gostando daqueles amassos.
– Não justifica o que você fez – cruzo os braços sobre o peito, não querendo admitir que ele está certo.
– Se quiser voltar para os braços dele para que enfie a língua na sua garganta e comece a lamber outras partes – ele ergue uma sobrancelha como se aquilo fosse mesmo uma opção válida – Não vou impedi-la!
– Que nojo – faço careta – Obrigada, mas eu passo desta vez.
Olho ao redor e vejo um grupo de meninas olhando e lançando sorrisos oferecidos a ele, que mal parece notar a presença delas ali. É isso o que acho mais estranho: ele fica com inúmeras garotas todos os dias, mas não tentou nenhuma cantada comigo e não deixou que eu – por mais que deteste admitir – ficasse com outro menino nessa festa, mesmo contra a minha vontade.
Isso é estranho.
– Isso é estranho – eu rio, chamando sua atenção.
– O que é estranho? – ele pergunta, acendendo o cigarro.
– O que você fez – dou de ombros – Lanie me explicou que você dorme com inúmeras garotas todas as noites e sequer se importa com elas, tratando-as como objetos que você possa usar um dia e descartar no outro. Mas quando aquele menino me puxou para, como você mesmo disse, enfiar a língua na minha garganta, você simplesmente pirou com o garoto! Isso é estranho!
– Ele praticamente já tinha te estuprado com os olhos antes de tomar a coragem para puxá-la! – ele traga uma vez e cospe a fumaça no meu rosto.
– Como você pode saber disso? – tusso e estreito os olhos para que não fiquem irritados e avermelhados.
– Ele conversou comigo sobre isso – é tudo o que diz.
– Você sabia! – exclamo – Continuo confusa! Se você já sabia o que ele estava planejando, por que ficou tão irritado quando ele finalmente conseguiu realizar o plano?
– Porque eu não sabia que ele ia chegar tão longe! – ele grita – Porque não é legal ver esses meninos cheios de álcool e drogas no sangue tocando em você, Flor! É algo que eu não consigo suportar!
Meu queixo cai, literalmente. Não sei o que responder, então dou as costas a ele e fecho os olhos, procurando algo que possa me ajudar a resolver aquela situação. Nunca, em toda a minha vida, algum menino disse que era insuportável ver outro cara tocando em mim.
– Você me conhece a menos de um dia – sussurro, esperando que ele não ouça.
Por um curto momento, permito-me imaginar que ele não ouviu mesmo, que deu as costas para mim e foi atrás de outra menina para passar a noite, mas então sinto sua respiração em meu pescoço e seus lábios roçando em minha orelha.
– E, pode ter certeza, Flor – ele sussurra; meus pêlos eriçam – Essa metade de dia foi melhor que anos vivendo com qualquer outra pessoa.
Quero virar e dar um tapa nele, pedir que se afaste e vá viver com os dragões, mas consigo me conter ao morder a bochecha por dentro. O gosto metálico começa a descer pela garganta e eu solto um longo suspiro ao sentir mais alguém me puxando pelo pulso.
Acho que vou ter que me acostumar com isso.
Tenho que correr para não bater com o rosto na grama molhada de alguma coisa que prefiro não saber o que é; sou carregada até o andar de cima da casa, sendo jogada dentro de um quarto escuro e trancada lá dentro com mais alguém.
Olho ao redor, procurando algum rosto conhecido. Depois do que houve lá embaixo, não faço ideia do que possa acontecer comigo quando sozinha.
– Ele gosta de você – é Lanie quem diz, envolta nas sombras – Não percebi isso antes, céus, momento de burrice! Ele gosta mesmo de você!
– L, onde você está? – pergunto, começando a tatear o escuro.
– Do seu lado – ela ri – Você sequer ouviu o que eu disse?! Ele gosta de você!
– Isso é loucura – respiro fundo, ainda procurando por ela – E acho que essa suposição deve ter alguma coisa a ver com o álcool ou drogas ingeridas por você, porque é impossível que ele esteja apaixonado por mim depois de saber só o meu nome e me trazer para uma festa onde não conheço ninguém e… achei você!
– Percebi – ela ri depois que esfrego minhas mãos em seu rosto – Não uso drogas e ainda não bebi hoje, por isso, não é possível que não tenha percebido algo tão óbvio! Ele disse que ‘é insuportável ver outro homem tocando em você’ e eu pirei porque não tinha percebido isso antes!
– Eu continuo achando que é loucura, L – solto uma risada tímida – Afinal, ele tem todas aquelas meninas oferecidas e gostosas, por que iria olhar para mim? Elas são como… como cupcakes de chocolate e eu sou… sei lá, um rabanete!
– Que nojo! – posso vê-la torcendo o nariz.
– Aí é que está! – rio – Por que você escolheria um rabanete dentre vários cupcakes de chocolate com cobertura?
– Porque o rabanete é diferente no meio de um monte cupcakes de chocolate fúteis que só querem saber de maquiagem! – ela retruca – Não há nenhuma menina na cidade que seja igual a você, e talvez ele se sinta desafiado por você!
– Exatamente! – eu tento contornar – Talvez ele só queira ver se consegue me transformar numa dessas meninas fúteis, como você mesma disse! Não significa que ele esteja apaixonado por mim, até porque isso é impossível.
Ouço um clique aleatório e, de repente, as luzes se acendem, forçando-me a estreitar os olhos até que me acostume com a claridade que fere meus olhos.
– Eu vou bater em você, menina! – ela exclama, mas há um enorme sorriso em seu rosto – Eu conheço o menino e sei que ele não se importaria em tirar uma menina qualquer dos braços daquele outro menino! Rolou porrada, Kate!
– E daí? – dou de ombros, não querendo admitir que talvez ela esteja certa – Talvez ele tenha uma rixa com o menino!
– Eu o conheço! – Lanie quase grita e é quando ouvimos duas batidas na porta. – Estamos ocupadas com uma DA, pode ir procurar outro quarto.
– Sou eu, L – ouço a voz do namorado dela, aquele com o nome que não sei pronunciar – Quero conversar com vocês sobre uma coisa muito estranha que acabei de ver.
Contrariada, Lanie abre a porta e é tomada nos braços pelo namorado, que a beija ferozmente. Há uma bagunça de saliva e língua, então viro de costas para dá-los a privacidade necessária; respiro fundo e espero os sons desagradáveis terminarem.
– O que você queria dizer? – arfa ela e, com isso, resolvo voltar a olhá-los.
– Aquele babaca, o Richard, ele estava com um grupo de, não sei, umas seis meninas! – ele exclama e ri, balançando a cabeça – E elas começaram a esfregar os peitos no peito dele, e, céus, elas…
– Javier! – reclama Lanie, batendo no peito dele – Se você começar a falar daquelas bonecas Barbie siliconadas, eu jogo você por essa janela e deixo que vá se divertir com elas!
– Tudo bem – ele ergue os braços em redenção e não posso deixar de rir – O que queria dizer era que: ele negou quando elas sugeriram uma transa conjunta. Sabe o que isso significa? Ele…
–… finalmente encontrou uma menina que tomou seu coração! – Lanie ri e aponta para mim, atraindo a atenção de Javier – Eu apresento a dona do coração dele!
– O quê? – perguntamos juntos e posso ver um enorme sorriso começando a aparecer no rosto dela.
– Eu sempre disse que ele ia arranjar uma menina que o pusesse na linha, só não esperava que fosse tão rápido – ela coloca a mão na barriga que, a esse ponto, já deve doer – Eu sempre quis me dar bem com as meninas que ele ficava, mas ele nunca deixou. Bem, agora ele não pode nos separar!
– Você me assusta – eu digo quando ela me aperta; rapidamente, seus dentes mordem minha bochecha – Você me assusta muito.
△
Nós descemos, nos esquivando de pessoas rindo como idiotas e chorando como bebês desmamados. Quando chegamos ao quintal, vemos uma menina loira se esfregando nele, que limpa as unhas com um palito de dentes; Lanie me cutuca com o cotovelo e eu balanço a cabeça em afirmação.
Ainda não acredito no que os dois especularam no nosso caminho até aqui; quando Richard ergue os olhos para mim, um sorriso aparece em seu rosto e ele empurra a menina para o lado, vindo em nossa direção.
– Caidinho por você – sussurra Lanie em meu ouvido; bato em seu ombro.
– Cale a boca!
– Javier, meu grande amigo! – ele ergue o braço para Javier, que sequer se move.
– Não sou seu amigo, sequer gosto de você – ele dá de ombros e eu começo a rir, me apoiando em Lanie para não cair sentada no chão.
– Não tem graça, Flor – ele reclama, mas também ri – Ok, tem um pouco de graça! Alguém está com sede? Posso buscar bebidas!
– Não confio em você – Javier dá de ombros – Mas deixo você trazer uma batida para mim.
– O mesmo – Lanie me ajuda a ficar de pé.
– E você, Flor? – ele ergue meu rosto com um dedo – O que você quer?
– Eu não bebo – dou de ombros.
– Sabe que também temos refrigerantes e água na geladeira, né? – ele ri; dou de ombros mais uma vez.
– Não sou uma party girl, tenho todo o direito de não saber dessas coisas – sorrio e faço os três sorrirem comigo – Pode pegar um copo d’água para mim?
– Pego o que quiser! – ele beija minha testa e eu demoro algum tempo para registrar aquilo – Três batidas e uma água, anotado!
Antes que eu possa sequer perguntar o que foi aquele beijo na testa, ele sai correndo e se enfia na multidão que se encontra na porta. Balanço a cabeça e começo a erguer as pernas da calça jeans, ouvindo assobios desnecessários vindos de longe; sento na beira da piscina e molho as pernas, fechando os olhos ao sentir uma presença atrás de mim.
– Ele gosta mesmo de você – ouço a voz de Javier; abro os olhos e viro a cabeça para olhá-lo – Ele nunca perguntou a ninguém o que queríamos beber e sequer se pronuncia para pegar mais de uma bebida.
– Isso pode acontecer com qualquer um – dou de ombros – Talvez ele só queira fazer uma boa impressão.
– Ele não se importa com o que pensam dele, nunca se importou – ele solta uma risada falsa – Mas essa é a primeira vez que ele se oferece para nos servir e se importou com o que alguém vai pensar dele. Com o que você vai pensar dele.
– Não acredito que Lanie convenceu você a pensar que ele me ama – cubro o rosto com as mãos e solto um suspiro – Olhe, eu aprecio o que vocês estão tentando fazer: me encaixar no grupo de amigos que construíram, mas não precisam se preocupar, eu estou bem!
– Não estou preocupado e não quero inserir você no grupo de amigos – ele retruca – Não conheço você direito e não sei se posso confiar em você, mas eu sei que o quer que tenha feito com ele… Ele está, sim, apaixonado por você.
– Quem está apaixonado por quem? – pergunta Richard, ajoelhando-se ao meu lado, colocando um copo de água em minhas mãos e um copo colorido nas mãos de Javier – É por conta da casa, amigo!
– Eu não sou seu amigo! – ele grita, levantando-se irado – Sequer gosto de você!
Sorrio e coloco o copo ao meu lado quando ele sai, prendendo os cabelos num coque malfeito pela ausência de prendedores de cabelo e escovas. Bebo a água e sinto o líquido cortando minha garganta por dentro; faço careta e olho para o copo, vendo o meu reflexo invertido.
– Quem está apaixonado por quem? – ele volta a perguntar, sentando ao meu lado, mas sem colocar as pernas na piscina.
– Lanie e Javier inventaram uma coisa sobre você estar apaixonado por alguém – suspiro e tento parecer convincente quando sorrio para ele – Mas já soube das suas histórias e sei que não se apaixona tão facilmente.
– Eles acham que estou apaixonado por você – ele diz, colocando o líquido espesso para dentro da boca – Não é isso?
– Não, eles… – ele me encara e eu desisto de tentar inventar desculpas, sou péssima nisso – É, foi isso mesmo o que eles disseram.
Ele ri e estica o pescoço quando duas jovens passam pelo outro lado da piscina, suas saias mal cobrindo o início das coxas. Balanço a cabeça e viro o resto do líquido na garganta, colocando o corpo ao meu lado para jogá-lo no lixo depois.
Olho para trás e vejo casais começando a agir em público mesmo, sequer se importando em ir para um local mais privado, como um banheiro, por exemplo. Solto uma risada sem conseguir contê-la e volto a olhar para a água da piscina, que agora começa a ficar agitada, já que comecei a balançar as pernas lá dentro.
– Do que está rindo? – ele pergunta, jogando o corpo sujo do outro lado da cerca.
– Daquele casal – meneio a cabeça para os dois, que agora só usam roupas íntimas – Não se incomodando em serem vistos agindo.
– Você fica bonitinha quando fica com vergonha – ele aperta a minha bochecha e é quando percebo que elas queimam furiosamente.
– Só acho que isso é algo que deva ser feito entre quatro paredes, só entre duas pessoas – explico – Não há necessidade de testemunhas do ato.
– Eles pararam – ele diz, apontando para os dois, que voltam a se vestir.
– Pelo menos eles têm senso – brinco com o corpo ao meu lado – Onde tem um lixo?
– Preocupada com o meio ambiente, Flor? – ele sorri, pegando o corpo da minha mão – Já volto.
Sou deixada sozinha quando ele se levanta e começo a encarar qualquer coisa que se mova de forma brusca. De repente, alguém começa a massagear meus ombros e eu ergo a cabeça, encarando a pessoa. Lembro-me do menino, mas bem vagamente; acho que ele é um dos meninos que Richard ajudou a fugir da apreensão de drogas da outra festa.
– Você tem uns belos nós nas costas – ele sorri para mim e eu sorrio de volta.
– Não costumo ser massageada com muita frequência – dou de ombros e vejo o brilho palpitando em seu olhar.
– Você gostaria de ser? – é uma sugestão maravilhosa, mas prefiro não responder.
Balanço a cabeça e começo a rir quando ele se joga na piscina, espirrando água em mim; cubro o rosto inutilmente, protegendo-me de gotas d’água que já me atingiram. Começo a rir como criança, batendo em seus ombros molhados, e começando a tirar minhas pernas de dentro d’água antes que ele tenha a brilhante ideia de me puxar para um mergulho conjunto.
– Sou Joshua – ele se apresenta, colocando os braços na borda – Caso não se lembre de quem sou.
– Eu me lembro de você – pisco – Você fugiu daquela outra festa depois daquela apreensão.
– Sim – ele ri – Mas não uso, só para que não sinta asco de mim! Sou um menino exemplar, eu juro!
– Ei, quem aqui está julgando? – ergo os braços e arranco um enorme sorriso dele – Pode me chamar de Kate.
Ele mergulha e acena para mim de debaixo d’água. Eu começo a rir e sinto a presença ao meu lado; ergo a cabeça e vejo Richard com uma expressão sombria no rosto, mas prefiro não me importar com isso. Aceno de volta para Josh, que volta à superfície assim que eu faço o gesto, com um sorriso no rosto.
– Pensei que nunca fosse acenar de volta! – ele ri, cuspindo água – Ah, oi!
– Oi – responde Richard, pulando na água em seguida, de roupa e tudo.
Novamente, fico encharcada e, quando ele volta à superfície, grito com ele. Josh começa a rir e os dois começam uma batalha de água, forçando um ao outro para baixo. Bato na cabeça de cada um, ensopando minhas mãos e chamo a atenção deles.
– Parem com isso! – eu rio – Parecem duas crianças!
– Talvez sejamos duas crianças! – brinca Josh, subindo para a borda, deixando as pernas dentro d’água.
– Talvez – complementa Richard, sentando-se ao meu lado depois – Josh, se incomoda de vir conversar comigo? Em particular…
– Eu… – começo – Eu vou deixá-los conversar.
– Não, Flor, não precisa sair daqui! – ele segura meu tornozelo.
– Preciso ir ao banheiro – desconverso – E, caso deseje que haja outros meninos olhando para mim enquanto…
– Pode ir! – ele solta minha perna – Mas não demore!
– Sou uma mulher! – grito de volta – Nós demoramos em qualquer lugar!
△
Fecho a porta do banheiro e olho no espelho; meus cabelos escapam do coque malfeito e resolvo soltá-los. Deixo-os caídos nos ombros sem ao menos me importar em ajeitá-los com os dedos; solto um longo suspiro ao ver as bolsas escuras debaixo dos olhos e me apoio na pia de mármore, pensando no que fazer para ir embora.
Ouço um gemido baixo vindo do chuveiro atrás de mim e encaro a cortina de peixes vermelhos, que se move rapidamente. Sem emitir ruído algum, decido deixar o casal se divertir lá dentro sem interrupções, mas, quando fecho a porta, sou prensada na madeira por braços masculinos bem mais fortes do que eu, então sequer me importo em lutar.
Porém, antes que ele possa fazer alguma coisa, ouço a voz de Richard vinda de trás de nós, mas não consigo mover a cabeça para olhá-lo.
– Afaste-se dela – e eu nunca fiquei tão feliz em tê-lo perto de mim…
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