Gotten

8 7. "Festa do Pijama" - Parte 2


Notas iniciais
Oi, cupcakes! Eu não atrasei muito essa atualização, atrasei? Posso dizer que estou abismada com a quantidade de comentários que recebi na história desde o capítulo passado e eu me apropriei de muitas ideias de vocês (um obrigada a Victoria Trindade, Marina, Becca - só em partes, sua safada - e, principalmente, Raised By Wolfes) pra escrever esse capítulo, e talvez tenha saído tão rápido por causa de todas as suas sugestões. Bem, eu queria agradecer às 1.400 visualizações e aos quase 100 comentários! Obrigada, de novo! Pra começar, podem pegar os lencinhos caso se emocionem com facilidade, e peguem o desfibrilador ou o tanque de oxigênio porque talvez precisem (e depois não digam que eu não avisei, tá?). Boa leitura!

A água caía fervendo sobre as minhas costas, lançando jatos de vapor por todo o minúsculo banheiro, mas eu não me importava com a temperatura ou com o cômodo extremamente pequeno estando abafado. A única coisa com a qual eu me importava era o barulho da dobradiça enferrujada da porta; a qualquer momento, Rick entraria por aquela portinhola de madeira escura e então eu paralisaria debaixo do chuveiro, estando com ou sem espuma espalhada pelo corpo. De qualquer forma, estar perto dele agora me enchia de medo; eu me lembro da voz embargada dele pedindo à menina que se afastasse porque ele não conseguiria avançar, e meio que me sinto invadindo seu espaço pessoal ao saber disso. Quer dizer, já teria sido bem ruim se ninguém além dos dois tivesse presenciado aquela cena, mas ter-me ali – mesmo que ele não saiba disso – é mil e uma vezes pior.

Então ouvi o som da dobradiça rangendo conforme ele abria a porta e, exatamente como pensei e disse, paralisei como se toda a eletricidade do mundo tivesse acabado de passar pelas minhas veias, correndo até o meu cérebro, paralisando todas as minhas funções motoras. Talvez nem mesmo estivesse respirando, mas eu não saberia como dizer. Tudo o que eu queria era que isso fosse apenas mais um sonho maluco criado pelo meu subconsciente psicótico e perturbado, mas eu sabia que não era, e isso me apavorava mais do que tudo.

– Flor? – ele me chamou com lentidão – Pus uma camisa minha e uma cueca limpa caso não queira, hum, você sabe, né? Usar as roupas sujas e tudo o mais…

Incrivelmente, para alguém que parecia viver de sexo, ele se sentia incomodado em falar sobre roupas íntimas.

– Obrigada – fiquei surpresa por ainda saber como formular palavras depois do choque metafórico que me corpo levou – É sério, muito obrigada.

– Por nada, Flor – ele respondeu; pouquíssimo tempo depois, ouvi a porta batendo e pude voltar a respirar normalmente.

Ainda assim, demorei algum tempo para continuar com o banho. De alguma forma, eu precisava de uma confirmação de que ele não estava dentro do banheiro comigo, e a obtive quando ouvi o alto xingamento proferido por ele quando, provavelmente, bateu com o corpo em alguma quina de um dos inúmeros móveis escuros ou alguma peça de motor. Ri baixinho e voltei a enxaguar os cabelos e o corpo, passando as mãos pela pele rapidamente para que a tortura de ter que tomar banho em uma casa que não era a minha – e, certamente, não seria a primeira que eu escolheria – acabasse logo de uma vez.

E quando terminei, puxei a toalha limpa e enrolei-a no corpo, sentindo o tecido felpudo absorvendo as poucas gotinhas de água que escorriam pela minha barriga. As roupas que ele trouxera estavam limpas e cheiravam como tal, então peguei a mim mesma olhando para a cueca boxer branca sobre a enorme blusa – que, para mim, era mais como um vestido – preta dobrada devidamente sobre a pia. E então haviam as minhas roupas – sujas, manchadas e parecendo roupas de moradores de rua em comparação às que ele havia colocado ali para mim.

– Flor? – ele me chamou, batendo na porta; pulei, quase soltando a toalha – Está tudo bem?

– Está – gaguejei, pegando as roupas que ele me emprestara, vestindo-as com rapidez e pouco me importando com o que estava fazendo – Já estou saindo, eu acho.

– Tudo bem – ele riu baixinho – Qualquer coisa que precisar…, bem, pode me chamar.

– Tudo bem – murmurei, vestindo a blusa dele; por sorte, ela chegava ao meio das minhas coxas, escondendo a cueca dele.

Olhei para mim mesma no espelho e percebi as enormes olheiras roxas e a expressão cansada que eu não me lembrava de ter antes da festa. Respirei fundo e joguei os cabelos molhados para trás, pensando num bom motivo para realmente passar a noite na cama dele; xinguei a mim mesma mentalmente por concordar com isso. Mas, de verdade, eu não poderia chegar em casa a essa hora sem ter que dar horríveis explicações aos meus pais – explicações que nem eu mesma havia recebido.

Então, respirei fundo mais uma vez e abri a porta.

Richard estava recostado à madeira da cama, segurando uma garrafa de líquido amarelo pútrido – uísque? – e um cigarro aceso. Joguei a toalha molhada sobre os ombros e olhei para ele, que abriu um sorriso bobo ao me ver vestindo suas roupas.

– Eu estou pateticamente apaixonado por você – ele soluçou, e pude perceber que, enquanto eu resolvia se vestia as minhas roupas sujas ou as dele, ele bebera. E bebera muito.

– O quê? – engasguei, encarando-o nos olhos.

– Não acho que devia ter falado isso, mas – ele encolheu os ombros –… merdas acontecem, e eu acho que acabei de pisar na bola, não foi? Puxa, desculpa. Podemos esquecer que eu disse aquilo? É, é melhor.

– Eu… – o enorme bolo de palavras presas em minha garganta parecia não servir para nada a não ser me sufocar… metaforicamente – Tudo bem. Já esqueci.

– Obrigado – ele riu, colocando-se de pé e cambaleando até que conseguisse recuperar o equilíbrio – Por que você tem tanto medo, Flor? Eu não vou machucar você.

– Eu não estou com medo – soprei – Só estou um pouquinho cansada.

– Mentirosa.

– Tudo bem, talvez eu esteja com um pouco de medo, afinal, você é… – procurei a palavra certa –…, bem, você! Tenho todo o direito de estar com um pouquinho de medo.

– Posso ter uma má fama, mas isso não quer dizer que eu vá me aproveitar de você, Flor – ele franziu a testa, fazendo sua melhor pose de bad boy – Por que não acredita em mim quando digo que não vou machucá-la?

– Porque eu não sei mais no que acreditar – gritei – Todo mundo diz que você é perigoso, mas a todo momento que preciso de você, é como se você estivesse lá para me proteger. Eu não sei o que sentir quanto a isso, como agir perto de você, e…

Hã? – ele torceu o nariz e riu como uma criança – Desculpe, Flor. Não ouvi nada depois do ‘todo mundo diz’, pode repetir?

– Não – empurrei-o de leve e ele cambaleou para trás, olhando-me com as feições entristecidas como se eu tivesse mesmo feito alguma coisa para feri-lo – Não me olhe desse jeito. A culpa não é minha se você resolveu se encher de bebida, Rick.

– Tenho histórias engraçadas com pessoas que nunca mais quero ver – ele franziu a testa e olhou para mim – São muitos detalhes e com muitas moças…

– Eu não quero saber – tentei, mas ele não me deu ouvidos.

–… todas elas em lugares diferentes e eu não sei se me orgulho disso. – ele prosseguiu – São muitos detalhes; na cama, no sofá, no chão, na pia da cozinha, no banheiro, na pia do banheiro e… bem, tenho muitos mais, mas não consigo me lembrar, por mais que saiba que a sua curiosidade possa estar te matando para saber e…

– Eu não quero saber mais nada! – não pude conter a risada e olhei para ele, que bocejou e deixou a garrafa de lado – Não vou deixar você dormir no sofá nesse estado deplorável, Rick.

– Ei! – ele ergueu o dedo para mim, quase o esfregando em meu rosto – A casa é minha e fui eu quem a trouxe para cá. De jeito nenhum que você vai dormir no sofá, ouviu bem? Eu posso parecer um idiota de vez em quando, principalmente quando bebo, o que é o caso agora, mas não vou deixar que você durma no sofá desconfortável.

– Então eu não posso dormir no sofá desconfortável, mas você pode? – cruzei os braços sobre o peito, sentindo o perfume de lavanda de sua camisa empestear meus canais nasais.

– Bom ponto – ele bocejou, coçando os olhos avermelhados – Mas eu não vou deixar você dormir no sofá.

– Eu também não vou deixar que você durma no sofá – bati o pé e fiz pirraça; um sorriso bobo pincelou seu rosto.

– Você está me convidando para dormir com você, Flor? – ele perguntou, e senti meu rosto queimar, indo da cor pálida usual para o mais forte escarlate em questão de segundos – Fico lisonjeado com esse convite, mas não posso aceitar. Eu prometi que ia me comportar com você e não vou descumprir a minha promessa.

– Por que descumpriria? – iço as sobrancelhas, provocando-o – Quer dizer que, ao mero espaço que divide comigo, não sabe se pode se controlar, machão?

– Eu nunca disse isso – ele soluçou, mas eu vi suas bochechas corarem furiosamente – Mas talvez seja verdade, não sei.

– Eu confio em você – pisco para ele, contornando-o e segurando sua mão, entrelaçando nossos dedos, puxando-o para mais perto – Sei que, se eu não quiser, você não vai fazer nada. Não vai me machucar, Rick. Eu confio em você, por mais que tenha sido advertida a não fazê-lo.

– Hã? – posso perceber que essa palavra possa ter vindo a se tornar uma de suas favoritas agora.

Pulei em cima da cama, cobrindo as minhas pernas. Tinha vergonha de estar com as pernas tão nuas assim, mas ele parecia mais transtornado com isso do que eu, pois relutou em subir na cama – por mais espaçosa que ela fosse – e, quando o fez, virou-se de costas para mim e respirou fundo, cobrindo-se até o pescoço. Fechei os olhos com lentidão, sentindo o coração subir até a garganta enquanto pulsava com violência, empurrando o sangue pelas minhas veias com rapidez e vontade.

Respirei fundo, tentando acalmar a mim mesma, mas então senti sua mão procurando a minha, tateando o colchão até entrelaçar os nossos dedos, apertando-os em suas mãos com força como se, a qualquer momento, eu pudesse mudar de ideia e simplesmente saísse da cama e procurasse o sofá para deixá-lo dormir na cama.

Apertei seus dedos de volta e suspirei, sentindo o cansaço começar a me envolver e, quando menos quis, senti meu coração diminuindo a velocidade dos batimentos, e então eu dormi, mas isso também não foi por muito tempo.

Não sei quanto tempo tinha se passado desde que eu adormeci, mas sabia que não tinha sido muito porque ainda podia ver a escuridão vinda do lado de fora. Ainda estava de madrugada, eu tinha a total ciência disso, mas o que mais me assustava era o fato de estar sentindo um braço pesando sobre a minha cintura, ainda com os dedos entrelaçados nos meus. E eu tinha a certeza de que ele não estava dormindo.

– Por que eu não consigo falar com você sobre isso enquanto estamos os dois acordados, Flor? – ele choramingou – Por que não consigo simplesmente me abrir com você e contar tudo o que está preso no meu peito?

Prendi a respiração.

Não podia, pois, assim, ele saberia que eu estava acordada e ouvindo tudo o que ele dizia, e então voltei a respirar como imaginei que uma pessoa adormecida respiraria – pesada e lentamente. Tossi e cocei o rosto com a mão que estava grudada na dele, fazendo-o rir baixinho ao pé do meu ouvido, o que me arrepiou completamente.

– Eu estou pateticamente apaixonado por você – ele roçou o rosto, já com a barba por fazer, no meu pescoço e respirou fundo, aspirando o meu cheiro – Menti pra você, não menti? Também não devia ter mencionado todos os lugares onde eu já transei com outras meninas, as quais não importaram nada para mim.

Ele bufou, e então respirou fundo mais uma vez, beijando o meu pescoço – ainda imaginando que eu dormia, supus, e desejei que fosse verdade.

– Posso garantir que, se fosse com você, Flor – ele pausou, e então suspirou –… ah, se fosse com você, eu iria querer que fosse em todos esses lugares, e até mais alguns. Pouco me importa se outras pessoas nos ouçam ou se qualquer coisa aconteça… eu quero você e não sei por que não consigo dizer isso quando está olhando para mim.

Queria rir, e queria tanto! Mas, ao mesmo tempo, queria ver como seu discurso terminaria, queria ver como ele daria fim a tudo aquilo, a toda aquela declaração. Ao mesmo tempo em que queria que terminasse logo, queria que falasse ao pé do meu ouvido durante a noite toda, sem interrupções ou qualquer outra coisa…

– Eu amo você, Flor – ele riu baixinho, arrepiando-me novamente – E eu poderia dizer isso tantas outras vezes agora!…, mas justamente quando eu quero dizer, quando quero que você ouça e saiba disso…, bem, eu não consigo. E por quê? Você me assusta pra caralho, Flor. Não consigo me controlar quando vejo outro cara tocando em você, e só de pensar em ver qualquer babaca tocando em você, te beijando… eu tenho medo de ser só um coadjuvante na sua história, Flor. Eu quero ser o ator principal com você, entendeu?

– Tudo o que eu sempre quis foi uma menina que gostasse de mim como eu sou, que me fizesse mudar sem que ao menos precisasse pedir que eu o fizesse – ele prosseguiu – e você conseguiu fazer isso, Flor. Eu só queria alguém que tivesse medo de me perder, entendeu?

Por mais que ele estivesse dizendo tudo aquilo, eu sei que não sou o tipo de garota pela qual os garotos se apaixonam, e nunca me importei muito com isso. Mas, ao chegar nessa cidade, tudo o que eu conhecia e sabia tinha mudado drasticamente… começando pelo fato de que os meninos começaram a disputar pela minha atenção.

E eu não sabia o que fazer.

– Você é tudo o que eu preciso pra manter a minha mente longe do abismo, Flor – ele beijou a minha cabeça e apertou-me contra seu peito; para prosseguir a farsa de que ainda dormia, grunhi alto e me ajeitei em seus braços – Você é a única razão pela qual eu ainda não desisti de tudo…

Meu coração passou a bater com rapidez quando senti que ele aproximava seu rosto do meu, mas, contrariando o que pensei, ele beijou a minha bochecha, demorando-se a afastar os lábios da minha pele. Depois, voltou a se ajeitar atrás de mim, deitando de conchinha comigo, respirando no meu pescoço; ajeitei-me em seus braços mais uma vez, pensando em todas aquelas palavras que ele despejou sobre mim, imaginando que eu dormia.

Não sabia o que pensar do beijo que ele havia dado em minha bochecha e, de certa forma, até desejei – secretamente – que ele tivesse sido um pouquinho mais corajoso e unido os nossos lábios.

Notas finais
Então? Finalmente a pequena Kate descobriu como se sente em relação ao Rick? Mesmo depois de toda aquela declaração (obrigada, RbW por ter me dado a excelente ideia!) enquanto ela supostamente dormia, será que ela vai agir como se não tivesse escutado coisa nenhuma? O que o Rick vai fazer caso ela o confronte sobre o que ele disse? São muitas suposições, e eu quero que vocês suponham coisas para os próximos capítulos. E a Lanie? Como vocês acham que ela vai reagir ao saber que os dois dormiram juntos (só dormir mesmo, né ๏̯͡๏)? Se ela já é nervosinha assim na série, imagina aqui, hein? HAHAHA Divulguem a fanfic! Comentem, recomendem, favoritem e acompanhem, mandem pros coleguinhas, fóruns e grupos de fanfic (caso existam, SOS), oukei? oukei AEOAUEOA Converso com vocês nos comentários, cupcakes! Espero suas sugestões também, o que vocês esperam pros próximos capítulos e qualquer outra coisa que queiram dizer pra mim! Podem dizer só um 'oi', mas já vai ajudar! HAHAHA Beijão, e até lá o/