Gotten

20 19. Confiança / Verdades


Notas iniciais
oieeee, olha eu aqui de novo!!! :) não é exatamente o que vocês tinham esperado (e não é mesmo, por favor não me odeiem), mas eu juro que é tão importante quanto e eu gostei TANTO de escrever jkdhskj ai que saudade que eu tenho da minha série aklsj alguém traz castle de volta por favor ALÔ ABC TRAZ A MINHA SÉRIE DE VOLTA

Meu coração batia enlouquecidamente dentro do peito quando bati na porta. Meu corpo inteiro tremia – eu não sabia se de nervoso ou pânico ou só… bem, por que não? Minha garganta de repente estava seca e eu já não conseguia pensar direito. Todos os pensamentos que se passavam pela minha cabeça eram irracionais e, ainda assim, eu não conseguia fazer com que eles fossem embora.

Pareceu uma eternidade e, ao mesmo tempo, um período extremamente curto, até que ele abrisse a porta do laboratório e olhasse para mim. Quando nossos olhos se encontraram, toda a coragem que eu tinha reunido de repente foi embora.

Virei-me para ir embora, sendo impedida pela mão que se fechou ao redor do meu braço.

— O que houve, chica?

Tive que engolir o enorme nó na minha garganta antes de voltar a encará-lo. Já com os olhos cheios de lágrimas, eu não conseguia mais encontrar as palavras para explicar tudo o que vinha acontecendo e como eu tinha conseguido sobreviver a tudo isso sem contar a ninguém. Ter contado para Kate ontem foi o meu primeiro ato de bravura e me fez compreende o quanto precisamos de apoio nesses momentos.

Respirei fundo e tentei mais uma vez, mas as palavras se recusavam a sair. Javi me puxou contra si e me deu um abraço apertado, beijando o topo da minha cabeça e fazendo círculos nas minhas costas numa tentativa de que aquilo me acalmasse.

— Tudo bem – ele sussurrou, me apertando um pouco mais forte. – Tá tudo bem. Só… só me conta o que tá acontecendo, por favor. Eu quero te ajudar.

As pessoas começavam a sair das salas num fluxo maior e ele me soltou por tempo suficiente para que conseguisse abrir a porta da própria sala. Convidou-me a entrar e, uma vez que estávamos os dois sozinhos, ele voltou a me envolver com os braços, repetindo sempre que tudo estava bem ou que, se não estava, então ele faria com que estivesse.

— Eu amo você, chica. – ele suspira, esfregando o meu cabelo. – Pode me dizer qualquer coisa; isso não vai mudar.

Olhei para cima e deparei-me com seus olhos cintilando para mim. Deixei meu próprio sorriso surgir quando ele passou a portar o próprio e então, reunindo o pouco de coragem que ainda tinha, contei tudo o que vinha acontecendo nos últimos dois anos e só desejei que ele não mudasse de ideia.

⪡…⪢

Puta merda— ele repete pela quinta vez.

Javi começou a andar com semblante nervoso pela sala enquanto eu deixava as palavras saírem da minha boca como um rio escoando. Ele mexia no cabelo e então no rosto, e depois cruzava os braços só para voltar a mexer no cabelo. Por um segundo, cogitei parar. Mas assim que as palavras paravam de fluir, ele olhava para mim como se soubesse que ainda não tinha acabado.

Continuei falando por alguns minutos e, quando dei por mim, as lágrimas já desciam sem controle pelas minhas bochechas. Quando terminei, a única coisa que conseguia fazer era olhar para baixo – de alguma forma, não queria que ele olhasse para mim. Parecia vergonhoso demais. Ficamos em silêncio por alguns minutos, quem sabe até uma hora. Eu perdi completamente a noção do tempo e não conseguia aceitar que tinha exposto tudo isso; eu tinha conseguido manter segredo por tanto tempo. Por que agora?

— Lanie – ele chamou e, instintivamente, senti o corpo estremecendo. Ele nunca me chamava pelo meu nome. – Por que você não quis me contar isso antes?

— Porque eu achei que você ia me achar fraca – sussurrei. Foi baixo o suficiente para que ele não compreendesse as minhas palavras.

— O quê?

Repeti no mesmo tom.

— Lanie – ele aumentou o tom de voz.

— Porque – eu disse mais alto – Porque eu tinha medo que você achasse que eu era fraca; que pensasse menos de mim. Eu achei que isso seria uma inconveniência porque, afinal de contas, ninguém quer um brinquedo quebrado, Javi. Eu não queria que você de repente descobrisse que eu não sou exatamente o que você achava que eu era e resolvesse procurar uma pessoa melhor. Eu só queria poder te–

Meu raciocínio – e a minha fala – foi cortado quando ele segurou a minha cabeça nas mãos e juntou os nossos lábios com força. Antes mesmo que eu compreendesse o que tinha acontecido, ele já tinha se afastado e agora olhava dentro dos meus olhos sem ao menos piscar.

— Olha ‘pra mim – ele murmurou; pude ouvir sua voz quebrando e senti uma fisgada no peito – Olha ‘pra mim e diz o que você faria se estivesse no meu lugar. Se eu chegasse ‘pra ti agora e dissesse tudo isso falando que é melhor procurar uma pessoa melhor. Porra! Olha ‘pra mim e diz que é ‘pra eu fazer isso, chica.

Mais lágrimas ameaçavam escorrer e eu pressionei os lábios um contra o outro para não deixar que um soluço escapasse. A resposta ao que ele disse é que eu não poderia. Eu não poderia simplesmente deixa-lo se nossos papéis fossem invertidos – eu o amo demais para isso. Não conseguiria simplesmente abandoná-lo sabendo que precisa de mim. Ele continua me encarando mesmo enquanto lágrimas começam a escorrer pelas suas bochechas.

— Você suportou tudo isso sozinha – ele murmura – Você suportou tudo isso e não tem ninguém no mundo inteiro que possa te chamar de fraca. Chica, você é a mulher da minha vida. Se algum dia eu for metade da pessoa que você é, já vai ser suficiente. Olha só pra você, porra.

Deixo uma risada escapar e ele sorri também, mesmo atrás das lágrimas.

— Eu amo você – ele diz – E vou dizer isso até que entenda que isso não me faz te amar menos. Isso só me faz perceber o quanto a minha namorada é forte e o quanto eu quero te tirar dessa. Você é o amor da minha vida e eu nunca tive nenhuma dúvida quanto a isso.

— Não diz isso.

— É verdade – ele dá de ombros, finalmente soltando o meu rosto. Limpa as lágrimas com as costas das mãos e ajeita a postura. – Eu quero me casar com você e construir uma vida junto contigo. E se ‘tá sendo difícil ‘pra você dentro de casa agora, então a gente antecipa um pouco esses planos. Já vamos começar a procurar um cantinho ‘pra começar a nossa vida, chica.

— Javi…

— Não tem essa – ele me corta. – Se eu posso te ajudar a sair dessa, eu vou ajudar. E não é como se eu já não tivesse pensado sobre isso…

Isso chama a minha atenção. Ergo a cabeça e franzo o cenho quando nossos olhares se encontram; de repente, ele parece envergonhado, com as bochechas assumindo um tom mais avermelhado e um sorriso sem graça estampando o rosto. Ele coça a cabeça – um gesto que, depois de tanto tempo juntos, já sei que significa nervosismo.

— Eu não vou mentir aqui, chica. – ele balbucia. – Eu já tinha pensado em te convidar ‘pra morar junto comigo, mas isso quando eu já tivesse conseguido um emprego mais estável. Até porque manter esse aqui ao mesmo tempo que ‘tô tentando sobreviver à faculdade ‘tá começando a ficar meio difícil… mas eu dou um jeito.

— Javi… — tento novamente.

— É sério! Eu quero que isso funcione e eu quero mesmo que a gente passe a dividir uma casa e que… Lanie, é sério. Eu amo você.

Meu peito aperta e, dessa vez, por uma coisa boa. Ele continua repetindo as mesmas coisas, sobre como quer que dividamos uma casa e uma vida e que vai tentar encontrar outro emprego que, esperançosamente, o remunere de uma forma mais justa e também tentar encontrar um apartamento cujo aluguel não seja tão alto, pelo menos no início. Ele diz que quanto mais cedo eu sair da casa dos meus pais, melhor – porque ele quer que eu tenha o melhor do melhor, e não é isso o que acontece em casa.

Ele começa a andar pelo laboratório balbuciando palavras que eu começo a não entender. Apoio-me em uma das bancadas e deixo uma risadinha escapar, o que lhe chama a atenção.

— O que foi? – ele pergunta, claramente confuso.

— Você.

— O que tem eu?

Balanço a cabeça, ainda rindo. – ‘Tá todo preocupado desse jeito.

— Claro – ele diz, obviamente ofendido. – Você vem aqui e me conta isso tudo; é óbvio que eu vou querer te proteger o máximo que puder, chica.

Javi começa a se aproximar de mim novamente e diz, lenta e claramente:

— Vai ficar tudo bem, eu prometo.

Nesse momento, confio mais nele do que jamais confiei em ninguém. Assinto e deixo que ele me puxe para um abraço apertado; seu queixo repousa sobre a minha cabeça e eu consigo ouvir seu coração batendo rapidamente em seu peito.

— Vai ficar tudo bem – sussurro. – Eu vou ficar bem.

— Claro – ele beija a minha cabeça. – Nós vamos ficar bem, eu juro. E quando tudo isso passar, vamos ser mais felizes do que você imagina, chica. Vamos ter uma vida maravilhosa juntos, você vai ver só.

Afasto-me o suficiente para que possa olhá-lo e, quando o faço, vejo seus olhos cintilando e um sorriso genuíno estampando seu rosto. Não posso evitar o meu próprio sorriso e volto a sentir as borboletas voando livremente no estômago – nunca fiz uma escolha tão certa quanto Javi. Estico o pescoço e ele parece entender, pois abaixa a cabeça e captura meus lábios nos dele por alguns segundos.

Eu sei, agora, que vai ficar tudo bem. E mesmo que não seja imediato, sei que vou ter pessoas comigo que farão o possível – e talvez até mesmo o impossível – para que eu me sinta segura. Porque, às vezes, quando estamos tropeçando no escuro, batemos em uma coisa boa – e eu acabei de encontrar as minhas.

Notas finais
eu amo tanto o meu casal :( não era exatamente o que vocês esperavam né?? só achei que era necessário né galeura até pq lanie não é exatamente uma personagem secundária (não mais) e acho que o ultimo capítulo provou isso hehehe obrigada por terem lido, amo vocês sdkn ♥ veremos quando sai o próximo........ *risada maléfica* (eh brincadeira galera por favor nao me odeiem eu amo voces beijo)