Gotten

21 20. Livre


Notas iniciais
oieeee demorei um tiquinho disgurpa tava resolvendo coisa da faculdade mas to feliz q todo mundo foi um amor nos comentáriossss ai como eu amo vocês meu deus ♥ brigadinha por não terem desistido de mim ashakjshaj

Anteriormente, em ‘Gotten’:

“Rick nos levou para almoçar e Lanie conseguiu contar porquê ficou lá em casa ontem à noite, apesar da falta de necessidade. Aparentemente, de agora em diante ela queria ser o mais honesta quanto fosse possível, e eu a admirava muito por isso; Rick não pareceu abalado pela revelação – talvez ele até já soubesse, mas nunca quis fazer com que fosse um fator determinante na relação deles.

Quando terminamos, ela disse que queria encontrar Javi para que ele também soubesse; Rick imediatamente ofereceu-se para leva-la até ele depois que me deixassem em casa. Lanie concordou.

Despedi-me dos dois (e Rick precisava urgentemente voltar ao trabalho, visto que tinha atrasado absurdamente os serviços que cabulou ontem à tarde) e, antes de entrar em casa, deparei-me com uma correspondência colocada de forma desleixada dentro da caixa de correio. Puxei o envelope e a primeira coisa que me chamou a atenção foi o símbolo da agência dos meus pais no canto da embalagem.

Franzi o cenho e entrei em casa já procurando algum objeto afiado para abri-la. As palavras que me encaravam de volta quando finalmente consegui quase dilaceraram o meu peito.” ch. 18

҈ dois dias depois ҈

Meus pais pareciam firmes em sua decisão.

Eu tentei ao máximo ignorar as palavras escritas na carta, mas assim que meus pais entraram em casa exigi uma explicação – como ousavam tomar uma decisão tão importante assim sem ao menos me consultar também? Afinal de contas, estamos falando da minha vida também... Tentei ao máximo convencê-los a repensar a situação, mas não adiantou muita coisa. O maior problema dos meus pais é que, uma vez que colocam a cabeça em alguma coisa, não existe possibilidade alguma de fazê-los mudar de ideia.

— Kate? – ouvi papai me chamando do escritório.

Deixei o livro sobre a cama e corri até ele. No momento em que me viu, tirou os óculos e estendeu o braço, chamando-me para mais perto; aproximando-me dele, vi diversos e-mails de universidades na caixa de entrada do computador. Arqueei as sobrancelhas e olhei para ele, que só me encarava com… o quê? Esperança?

— O que está fazendo? – questionei.

— Bem… — ele começou.

E prosseguiu falando como esse ano estava sendo o meu “ano de folga” e que precisávamos procurar logo uma boa universidade, com um bom campus e dormitórios (o que impediria que eu precisasse largar o curso quando eles precisassem se mudar, por exemplo).

De repente, eu já não sabia como falar. Só conseguia encarar o computador com a garganta seca e os olhos queimando. Como eles podiam fazer todas essas coisas sem sequer me incluir? O sentimento no meu peito era uma mistura de angústia, raiva e decepção.

— Katie?

Pisquei, movendo meu foco para o rosto dele, que agora já mostrava preocupação.

— Já temos algumas boas escolhas – ele disse – E você não precisa se preocupar com preços. Já temos tudo resolvido.

— Por que… — comecei, engolindo o nó na garganta. – Por que vocês sequer me consultaram sobre isso?

Ele parecia decepcionado.

— Katie…

— Não! – afastei-me quando ele estendeu o braço para mim. – Não, não, não! Isso não é justo! Eu devia ter participado dessa decisão, não acha? Eu devia ter uma escolha! Por que é que vocês resolveram esconder tudo isso de mim?

— Porque…! – papai levanta a voz e instintivamente encolho os ombros, dando mais alguns passos para trás. – Porque você não pode viver o resto da sua vida como as pessoas que conheceu aqui! Porque pode parecer muito diferente e libertador, mas é justamente esse o problema! Quando você parar pra perceber…

Mamãe apareceu na porta do escritório depois que os gritos começaram e parecia tão chocada quanto eu diante da situação.

— Jim…

— Não! – ele gritou para ela; meio segundo depois seu olhar já estava fixado em mim de novo. – Você não pode estragar a sua vida desse jeito. Acha que essas pessoas foram uma boa influência?! Festas e bebidas o tempo inteiro; inferno! Você até chegou em casa de ressaca! Saía à noite e voltava dois dias depois, como é que quer que eu me sinta?!

Não pensei que algo pudesse doer tanto assim, mas agora lágrimas já escorriam livremente pelo meu rosto e ele continuava gritando algo sobre “não deixar que eu estrague a minha vida” quando, na verdade, eu nem tinha certeza se já tinha vivido de verdade. Mamãe tentava acalmá-lo do batente e tudo o que eu conseguia pensar era o quanto precisava sair dali o mais rápido possível – não importava para onde. Eu só precisava sair. De repente, estar em casa não era nada reconfortante.

Então, enquanto papai começava a gritar sobre um assunto completamente diferente e mamãe tentava fazê-lo ouvi-la, eu saí correndo pela porta e escada abaixo, sem sequer me importar com o que estava levando comigo. Eu só queria um pouco de espaço para pensar.

҈

Não é necessário dizer que na minha fuga (nem sei se posso categorizar desta forma) de casa, não estava pensando exatamente em um destino específico. Eu só estava… andando. E também não preciso dizer que não ter um local em mente acabou me levando para ruas desconhecidas e eu estava completamente perdida. Já começava a ficar mais frio e eu me arrependi imensamente por não ter parado no quarto para pegar:

a)um casaco

b)meu celular

c)uma droga de um casaco!

Meu queixo tremia e eu tentava me situar pelas placas enferrujadas em cada esquina, mas eu só parecia cada vez mais perdida, não importando o quanto eu tentasse me encontrar. Pensamentos de uma nova mudança e uma nova adaptação e de ter que deixar tudo para trás – de novo! – enchiam a minha cabeça e eu só queria desabar no chão e chorar. Meu peito doía e parecia haver uma mão invisível apertando a minha garganta porque eu já não conseguia respirar.

Meus pés doíam e meus olhos já ardiam depois de ter chorado esse tempo todo. Minhas mãos também já estavam ficando doloridas por ter cravado as unhas nas palmas enquanto corria só para… não sei, sentir alguma coisa? Talvez fosse idiotice. Talvez fosse infundado e infantil, mas eu só… eu não sei mais. Queria ter sido incluída nos planos deles, pelo menos uma vez. Afinal, eu não tenho mais cinco anos.

Quando desisti de andar, recostei-me em um canteiro de árvore em uma esquina qualquer – eu sequer conseguia ler a placa naquela escuridão! – e recolhi os joelhos até que encostassem no peito. Escondi o rosto nas mãos e chorei mais um pouco.

— Kate?

Achei que fosse alguma coisa da minha cabeça, então sequer olhei para cima.

— O que infernos você está fazendo aqui?

— Kate?

— Por tudo que é mais sagrado, o que foi que aconteceu?

— Kate?!

Depois disso tudo, consegui acreditar que não era só a minha imaginação numa tentativa de me fazer sentir menos sozinha e olhei para cima. Deparei-me com os olhos azuis de Kevin, que parecia genuinamente preocupado, e de uma menina que jamais tinha visto – talvez fosse a namorada de quem ele raramente falava.

— Inferno, Kate… — ele suspirou, ajoelhando para olhar-me nos olhos.

Ele tocou no meu braço e xingou antes de tirar o próprio casaco e coloca-lo nos meus ombros. Estremeci quando o calor fornecido pela peça finalmente me envolveu e fechei os olhos novamente, o que só fez com que ele começasse a chamar meu nome mais uma vez – e, desta vez, mais alto do que antes.

— Não precisa gritar – eu disse, com a voz rouca do frio.

— Porra, como assim eu não preciso gritar?! – ele bateu na coxa – Fiquei aqui uns cinco minutos desesperado chamando teu nome e você não respondia! Queria que eu fizesse o quê, inferno?

— Kevin… — a menina chamou baixinho.

Ele lançou um olhar preocupado para mim antes de encará-la.

— Eu sei – ele suspirou. – Eu só preciso leva-la para um lugar seguro. Inferno, Kate… o que é que ‘cê ‘tá fazendo aqui fora sem nem uma porra de um casaco? Alguém sabe que ‘cê ‘tá aqui?

Sacudi a cabeça.

— Porra… — ele xingou num sussurro, coçando a cabeça. – ‘Tá. Ok. Jenny e eu vamos te levar ‘pra casa do Rick, pode ser? Sabe se ele ‘tá em casa?

Sacudi a cabeça mais uma vez.

— Cacete – ele fechou os olhos e Jenny se aproximou de nós dois, ajoelhando para também ficar da minha altura. – ‘Tá, a gente dá um jeito. Vem cá, levanta. Vamos te levar até o Rick e você conversa com ele sobre essa sua atitude de doida.

— Kevin! – ela repreendeu, me ajudando a ficar de pé. – Não fala isso; é provavelmente a última coisa que ela quer ouvir! Você não ‘tá ajudando.

Jenny colocou um braço sobre os meus ombros e fazia carinho no meu cabelo enquanto caminhávamos. Kevin parecia genuinamente arrependido de suas palavras anteriores, mas eu sabia que ele estava certo; o que eu fiz foi imprudente. Mas também foi libertador, de certa forma. Eu me sentia livre.

Com muito frio e extremamente exausta, mas livre ainda assim…

҈

Andamos um bom pedaço e, quando estávamos quase lá, eu já estava ainda mais exausta, mas já tinha descoberto muita coisa sobre Jenny. Ela gostava muito de rosa, era um ano mais nova, estava querendo entrar em uma universidade para cursar medicina veterinária, já que amigos próximos da família são donos de um abrigo para animais resgatados, gosta muito de sorvete de baunilha e é alérgica a amendoim.

No meio do – quase – monólogo, ela ficava fazendo perguntas para mim também, mas antes que eu sequer pensasse em uma resposta, ela já continuava falando mais coisas. Kevin sussurrou para mim em dado momento que ela só estava muito feliz por finalmente conhecer alguém do grupo de amigos dele. Isso, por alguma razão, fez meu coração ficar apertado por duas razões distintas.

a)ela nunca tinha sido apresentada a ninguém do grupo – o que é até compreensível, se formos analisar as pessoas que o compõe.

b)eu fazia parte desse grupo – e ele me considerava uma amiga!

Quando paramos de caminhar, Jenny tinha um rubor adorável nas bochechas e sorriu para mim como uma criança depois de ser elogiada. Depois ela abriu os braços e me tomou num abraço apertado; o cheiro de xampu de morango encheu os meus sentidos quando a minha cabeça foi completamente enfiada nos fios louros.

— Foi um prazer, Kate! – ela disse assim que nos separamos. – Espero que esteja tudo bem! Vamos nos encontrar mais vezes!

Eu sorri para ela e virei-me para Kevin, tirando o casaco dos ombros e devolvendo a peça. Quando ele o vestiu novamente, nossos olhos se encontraram e ele sorriu minimamente, abrindo os braços para mim também. E quando eu não me mexi, ainda extasiada pelo fato de que ele não estava me repudiando completamente, ele xingou baixo mais uma vez e tomou-me em seus braços, segurando a minha cabeça contra seu peito.

Arregalei os olhos e encarei o vazio da noite à minha frente, ainda incrédula demais para retribuir o abraço. Ele suspirou antes de me soltar e, quando o fez, sorriu de leve. Esticou o braço para Jenny, que rapidamente entrelaçou seus dedos nos dele, e lá estavam os dois sorrindo para mim.

— Não faça isso de novo – ele pediu.

Assenti.

— A gente vai ficar aqui até saber que o Rick ‘tá em casa. – ele disse. – Toca o interfone. Se ele não atender a gente te leva em casa.

Assenti de novo, dando-lhes as costas e subindo as escadas até a porta do prédio antigo. Apertei o botão – e pareceu passar muito tempo até ele atender. Sua voz estava rouca, então imagino que estivesse dormindo.

— Quem é?

— Oi, Rick – falei baixinho, sentindo a garganta arder por conta do frio – Pode me deixar entrar?

— Kate?! O que você ‘tá fazendo aqui? – ele parecia mais surpreso do que qualquer outra coisa, e depois de gaguejar por alguns segundos: — Vou abrir. Pode subir.

Ele desligou e logo em seguida a porta estalou. Olhei mais uma vez para Kevin e Jenny, que sorriam para mim da rua; ele acenou e virou as costas para ir embora. Antes disso, porém, ainda consegui ouvi-lo:

— Não faz isso de novo, porra.

Eu sequer achava que teria outra oportunidade.

҈

Rick me envolveu. Primeiro em um abraço e depois em um cobertor felpudo que fazia o meu nariz coçar um pouco, mas o calor era mais do que bem vindo. Depois ele me trouxe uma xícara de chá quente e eu nunca pensei que fosse gostar tanto do amargo de chá preto. Ele ficou fazendo carinho nos meus cabelos e nas minhas costas até que eu conseguisse falar alguma coisa.

— Como foi que você veio parar aqui sozinha? – ele questionou baixinho – E ainda por cima sem uma merda de um casaco, como assim? Sabia que você pode ter hipotermia, sua doida?

Deixei um sorriso estampar meu rosto antes de dar outro gole na bebida. Ele falava como se estivesse bravo, mas tudo o que eu via em seu rosto era preocupação.

— Rick? – falei, finalmente.

— Sim?

Levantei os olhos para olhá-lo e meu coração se despedaçou em mil. Respirei fundo e fechei os olhos com força antes de dizer:

— Eu vou embora.

Notas finais
TAN TAN TAN desculpa (?) askhhdj por favor nao me matem eu juro que sou legal às vezes
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.