Gotten

19 18. "Girls Night"


Notas iniciais
olha só eu aqui de novo look who's back back again eu disse que não ia sumir aaaaaa (finalmente cumpri uma promessa né cupcakes hehehe) talvez vocês queiram me linchar depois desse capítulo talvez não (e eu realmente espero que não, prometo tentar nao demorar muito com o próximo pra vocês não me odiarem mais ainda jksjhksj) boa leitura! ♥

A minha filosofia sempre foi tal que, se você não consegue gostar de ler um livro de novo e de novo e de novo, então não valeu a pena tê-lo lido pra começo de conversa.

Depois que Rick foi embora, tive que ouvir os meus pais falando sobre como estavam errados em relação a ele – ha! – e que, muito a contragosto, agora eles tinham que aceitar que eu realmente tinha crescido. E já que tínhamos entrado nesse assunto, finalmente começamos a discutir sobre o que eu faria com a minha vida a partir daquele momento – e a minha escolha não os surpreendeu nem um pouco. Afinal, “filho de peixe, peixinho é”.

Retirei-me e, depois de um merecido banho, puxei um dos meus livros favoritos da estante, jogando-me na cama com ele e começando a relê-lo pela, talvez, centésima vez. Consegui chegar até a nonagésima página antes que meu celular, na mesinha de cabeceira, começasse a vibrar como se tivesse um próprio desastre natural ocorrendo dentro dele.

— Kate?

Não posso dizer que não estava surpresa.

— Oi, Lanes. – respondi – Tá tudo bem?

Ela demorou alguns segundos para responder. Pus o livro de lado e sentei-me na cama, de repente atenta a mínima mudança de som. Ela respirou fundo.

— Eu posso ir até aí?

— Claro. Aconteceu alguma coisa?

— Só… uns probleminhas em casa. Posso passar a noite?

Sequer chequei com os meus pais antes de concordar.

⪡…⪢

Kate?!

Saltei da cama e corri escada abaixo, deparando-me com meu pai – claramente muito confuso –, vestido com o roupão e as pantufas felpudas, encarando Lanie parada no batente da varanda. Ela parecia arrasada, com o rosto inchado e o nariz vermelho, mas abriu o maior sorriso do mundo quando olhou para mim.

— Oi, Kate.

Meu pai olhou para trás e arqueou as sobrancelhas. Sorri para ele, esperando que não ficasse – muito— bravo.

— Pode entrar – disse. – Pode deixar, papai. Nós vamos ter uma ‘noite de meninas’ hoje; acho que esqueci de avisar.

— É – ele coçou a cabeça antes de deixa-la entrar – Desculpe pela recepção, uh… peculiar? Estamos meio enrolados com trabalho e isso, honestamente, nos deixa exaustos.

— Ah – Lanie ri – Tudo bem; sei como é.

Papai assente antes de se retirar e eu quase quero correr e abraça-lo por não ter feito nenhuma pergunta. Quando volto a olhar para Lanie, no entanto, ela parece à beira de um ataque, já com lágrimas enchendo seus olhos. Desço os últimos degraus e, antes de falar qualquer coisa, envolvo seu corpo trêmulo com os braços e ela agarra a minha cintura, deixando que suas lágrimas encharquem a manga da blusa.

Ficamos paradas na beira da escada por alguns minutos enquanto ela deixa as lágrimas escorrerem. Afago seus cabelos e digo que está tudo bem, que não tem nada com o que ela precise se preocupar agora.

— Desculpa – ela sussurra entre soluços.

— Tudo bem; eu ‘tô aqui pra isso mesmo.

— A gente pode tipo… ir pro seu quarto? – ela funga, já soltando a minha cintura. – Acho que não ia ser muito legal se os seus pais saírem do quarto e eu só ‘tô aqui chorando, né?

— Ah – deixo escapar, e depois começo a rir. – Certo, sim. Vamos subir.

Lanie me segue e, no momento em que chegamos no meu quarto, ela suspira. Caminho até a minha cama e ponho o livro sobre a mesa de cabeceira – terei que adiá-lo por mais um pouco. Ela se senta na beira do colchão e parece procurar as palavras certas.

— Meus pais brigaram – ela diz de repente.

Olho para ela e vejo que já não parece tão frágil. Agora, tudo o que consigo tirar de sua expressão é raiva. Talvez até desdém. Então ela olha para mim e sorri, mesmo que isso seja a última coisa que ela gostaria de estar fazendo; e eu meio que entendo. Ela não quer fazer parecer como se fosse fraca.

— Eles ficam bem alterados quando isso acontece – ela explica. – E hoje foi particularmente ruim. Eles só começaram a jogar as coisas ‘pra todo lado e a gritar uns xingamentos bem pesados e aí eu ouvi vidro quebrando e não quis mais ficar lá.

Não sei o que responder. É tudo tão diferente do meu cotidiano; enquanto eu reclamo de ter que dar de cara com os meus pais trocando beijos apaixonados na cozinha, Lanie precisa lidar com… tudo isso.

— Não me olha desse jeito – ela suplica. Eu não sabia que estava olhando de um jeito diferente.

— Que jeito?

— Como se tivesse pena de mim.

Ah.

— Eu só quero esquecer disso por hoje – ela diz – Podemos só… não sei. Conversar sobre… sei lá, coisas que garotas geralmente conversam em momentos assim?

Eu rio. – Eu não entendo muito bem o que elas fazem porque nunca tive uma experiência assim. A não ser que você conte os filmes?

Lanie gargalha e balança a cabeça, limpando as lágrimas do rosto.

— De acordo com os filmes, sempre tem conversas sobre outras garotas? – digo, deixando que a risada dela me contagie – E também tem muita conversa sobre o garoto mais popular do colégio. Mas eu não tenho muita certeza se isso se encaixaria conosco…

Nós rimos mais um pouco e ela começa a se sentir confortável o suficiente para subir na minha cama e se deitar ao meu lado. Olho para baixo e vejo que está de olhos fechados, e os rastros de suas lágrimas ainda mancham seu rosto; entre eles, no entanto, encontro um sorriso satisfeito.

— Eu amo você – ela diz, ainda sem abrir os olhos.

Sinto uma fisgada no coração e não posso evitar o meu próprio sorriso. – Eu também amo você.

— Não. – ela diz, finalmente abrindo os olhos. – É sério. Você é tipo, a melhor amiga que eu já tive em toda a minha vida. Ninguém nunca soube dessa coisa com os meus pais. Acho que nem mesmo o Javi tem noção do que acontece lá em casa.

Por um momento, fico sem palavras. Não consigo pensar em nada que consiga se elevar à altura do que ela acabou de dizer, mas ainda assim… ainda assim, quero fazer com que ela entenda que eu também sinto isso. Sinto que ter me mudado para cá foi, talvez, uma das melhores coisas da minha vida – afinal, consegui compreender de verdade o que é o amor, seja romântico ou platônico. Finalmente, embora tenhamos diferenças absurdas, consegui encontrar amigos que me aceitam como realmente sou, que não querem nada senão a minha amizade. E isso é uma coisa que eu não trocaria por nada no mundo.

Então, tomo fôlego e digo isso a ela.

⪡…⪢

Estamos deitadas e encarando o teto depois de uma crise de risos quando eu solto:

— Eu e Rick fizemos sexo.

No momento, achei que não fosse ser grande coisa, mas como eu estava errada… Lanie explodiu e quase subiu em cima de mim, me chacoalhando e pedindo detalhes e mais detalhes e eu só conseguia ouvir seus gritos e sentir seu cabelo fazendo cócegas no meu rosto. Quando ela parou, ficou olhando para mim como se fosse um leão e eu, a presa.

— Como foi? – ela soltou depois de respirar fundo.

— Bom? – havia dúvida no meu tom.

Lanie revirou os olhos como se essa não fosse a resposta certa e, por um segundo, fiquei muito confusa. Ela teria ficado feliz se eu dissesse que tinha sido ruim?

— Detalhes, Kate – seu tom ficou sério de repente e eu quase senti um arrepio pelo corpo; quando ela ficava brava, todos se escondiam. – Eu quero detalhes.

Abri a boca para falar, mas ela me interrompeu antes mesmo que eu tomasse fôlego.

— Ele é bom de cama?

Senti minhas bochechas corando automaticamente. Ela riu, se jogando para o lado de novo; mais uma vez, caímos numa crise de riso que durou uns cinco minutos. Quando finalmente paramos, ela deitou de lado e apoiou-se no cotovelo, olhando diretamente para mim.

— É sério. Como foi? – ela pôs o cabelo atrás da orelha e sorriu. – Preciso dar um esporro nele?

— Não – eu ri. – Ele foi bem gentil; e eu só senti um pouquinho de desconforto. No geral, foi ótimo.

Ela sorri, e parece genuinamente feliz. Nos encaramos por alguns segundos e ela quebra o silêncio quando uma risadinha escapa dos seus lábios.

— O que foi?

— Nada demais – responde. – Então ele realmente é bom de cama?

— Lanie!

⪡…⪢

Quando descemos para tomar café, encontramo-nos com Rick sentado na mesa de jantar, conversando sobre esportes com o meu pai, já com o terno e com uma xícara de café na mão. Minha mãe ainda não deve ter terminado de se arrumar. Coço os olhos e caminho até a geladeira com Lanie – e nenhum dos dois parece nos perceber.

— Que é que ele ‘tá fazendo aqui uma hora dessas? – Lanie resmunga baixinho.

— Sei lá – bocejo, abrindo a geladeira. – O que você toma de manhã?

Querida, você já me viu funcionando sem café?

— Essa é a minha garota – digo enquanto fecho a geladeira.

Nós ficamos conversando – sobre tudo e nada ao mesmo tempo – até três da manhã, e posso garantir que nunca ri tanto em toda a minha vida. Eu não fazia ideia do impacto que uma melhor amiga teria na minha vida, e nunca fiquei tão feliz de tê-la encontrado.

— Ah, Katie – meu pai finalmente nos nota. – Jesus, vocês estão horríveis.

Ouch.

— Valeu, pai.

Lanie ri e pega a caneca da minha mão. Ela faz seu caminho até a mesa e senta-se duas cadeiras depois de papai, que volta a falar baboseiras com Rick, que assente e murmura uma palavra aqui e ali, mas vejo que seus olhos transitam entre meu pai e eu, o que, para o meu cérebro desprovido de sono, foi mais cômico do que deveria.

— Oi, amor – minha mãe beija a parte de trás da minha cabeça e seu perfume preenche meus sentidos quando ela passa correndo por mim, com a pasta de documentos batendo em todas as quinas possíveis. – Jim, já estamos atrasados.

Meu pai dá de ombros e olha o relógio em seu pulso preguiçosamente. Quando percebe que, de fato, precisam se apressar, ele pula da cadeira e seus olhos se arregalam; ele larga a caneca sobre a mesa de qualquer jeito – e eu quase acho que ela vá derramar. Ele entra em pânico procurando a própria pasta, reclamando que vai perder o caso e que ninguém nunca mais vai contratá-los; Rick, então, alcança algo debaixo da mesa e ergue a pasta no ar. Acho que nunca vi meu pai parecer tão aliviado.

Antes de sair correndo, meu pai se dirige a mim:

— Você não poderia ter escolhido um namorado melhor.

Depois que eles saem, Rick cruza os braços sobre o peito e olha para mim com uma expressão claramente convencida no rosto. Lanie revira os olhos e concentra-se apenas no café e na caneca de cerâmica em suas mãos – e eu não a culpo. Gostaria de poder fazer o mesmo, mas ele não tira os olhos de mim.

— Ele só disse isso porque está atrasado – murmuro antes de bebericar o café.

— Toma essa – Lanie suspira antes de fazer o mesmo.

Rick parece genuinamente machucado. – Por que vocês me odeiam?

— No momento, nós odiamos todo mundo— Lanie o corrige – Fale conosco depois que tomarmos nosso café, e então talvez sejamos mais legais com você.

É o bastante para que ele se cale.

⪡…⪢

Rick nos levou para almoçar e Lanie conseguiu contar porquê ficou lá em casa ontem à noite, apesar da falta de necessidade. Aparentemente, de agora em diante ela queria ser o mais honesta quanto fosse possível, e eu a admirava muito por isso; Rick não pareceu abalado pela revelação – talvez ele até já soubesse, mas nunca quis fazer com que fosse um fator determinante na relação deles.

Quando terminamos, ela disse que queria encontrar Javi para que ele também soubesse; Rick imediatamente ofereceu-se para leva-la até ele depois que me deixassem em casa. Lanie concordou.

Despedi-me dos dois (e Rick precisava urgentemente voltar ao trabalho, visto que tinha atrasado absurdamente os serviços que cabulou ontem à tarde) e, antes de entrar em casa, deparei-me com uma correspondência colocada de forma desleixada dentro da caixa de correio. Puxei o envelope e a primeira coisa que me chamou a atenção foi o símbolo da agência dos meus pais no canto da embalagem.

Franzi o cenho e entrei em casa já procurando algum objeto afiado para abri-la. As palavras que me encaravam de volta quando finalmente consegui quase dilaceraram o meu peito.

Notas finais
a minha única segurança é que vocês não sabem onde eu moro então não vou receber nenhuma ameaça de morte dskjjsh amo vocês cupcakesss ♥ por favor, voltem a divulgar e blablabla (alias já vou começando o próximo capítulo pra ninguém ficar esperando muito tempo depois desse cliffhanger hhehe)