Gotten

18 17. Jantar


Notas iniciais
*sai de trás da mureta* e aí galerinha do bem, quanto tempo né? EU SEI QUE FAZ MUITO TEMPO TEM TIPO TRÊS ANOS DESCULPA AAAAAAA mano eu quase morri quando achei a minha senha pra essa conta jesus cristo eu tinha esquecido completamente que ser humano horrível que eu sou desculpa desculpa desculpa sdhkjshskl mAS como eu não tinha escrito nada tinha muito tempo (e, honestamente, eu não lembrava de nada opa), tive que reler a história toda aaaaaaaaa e consegui escrever uma continuação!!!! tenho más (ou boas, dependendo do quanto vocês me odeiam agora hehehe) notícias: com esse novo planejamento, acho que a história tem pouquinhos capítulos a seguir :( mas eh isto galeura, boa leitura ♥ (se ainda tiver alguém acompanhando isso ne dhkjshs) (desculpa de novo)

Anteriormente, em Gotten:

“- Eu estava bem, mamãe – aliviei – Rick ficou comigo o tempo todo, e ele não é como você e papai pensam que ele é… eu sei que é difícil enxergar além do que ele aparenta ser por fora, mas, quando você o conhece como eu o conheço…

— Quando eu puder conhecê-lo como você conhece, então ele é uma pessoa melhor? – posso estar de ressaca, mas eu ainda consegui detectar o tom de sarcasmo na voz de mamãe.

— Rick não é perfeito, e daí? – joguei meu corpo cansado e dolorido no espaço que o corpo de mamãe não ocupava na cama, escondendo a cabeça no travesseiro.

Àquele ponto, já estava irritada.” ch. 14

“- Para compensar tê-la deixado sozinha, o que você acha de um almoço?

Fingi pensar. – Interessante…

— Eu pago – ele piscou.

— Mais interessante ainda – brinquei.” ch. 16

Eu nunca pensei que fosse ser desse jeito.

Passei boa parte da minha vida perguntando se era bom o suficiente, se isso seria o certo para mim ou se eu seria só mais uma daquelas pessoas cujo coração é destinado a nunca sentir a potência de um sentimento tal qual o amor. E então, quando eu menos esperava, essa garota surgiu e bagunçou a minha vida como se fosse um furacão – e eu não posso dizer que não gosto.

— No que está pensando? – ela lambe o sorvete.

Depois do almoço, sugeri que fôssemos dar um passeio. Queria compensar por tê-la deixado sozinha depois de tudo o que aconteceu ontem à noite – uma das melhores noites da minha vida. Mal consegui dormir durante a madrugada.

— Nada demais – dou de ombros. – Só que eu tenho a namorada mais adorável do mundo.

Ela sorri e as bochechas enrubescem. Eu não sei onde acertei – de verdade. Não sei qual foi o caminho que escolhi que fez com que ela aparecesse na minha vida, e acho que preciso agradecer aos céus que isso aconteceu. Katherine Beckett é, sem nenhuma sombra de dúvida, a melhor coisa de toda a minha vida – e eu nunca vou deixa-la ir embora.

Analiso, pouco a pouco, as suas feições, e ela parece tão feliz. Os cabelos esvoaçando por conta da leve brisa da tarde, os olhos cintilando ao olhar para sabe-se lá o quê – eu não me importava –, os lábios levemente grudentos e brilhantes por causa do sorvete derretido que aos poucos começava a escorrer. Ela virou para mim e um sorriso sem graça surgiu em seu rosto.

— O que foi? – ela parecia genuinamente preocupada – Tenho algo no rosto?

Quis rir. – Não. Não tem nada.

Ela arqueou as sobrancelhas em dúvida.

— Eu só queria olhar ‘pra você. – respondi com toda a sinceridade. Agora eram as minhas bochechas que queimavam.

Kate deu uma risadinha e entregou o sorvete para mim, limpando as mãos melecadas na calça jeans. Depois, pôs-se de pé e começou a caminhar lentamente pela calçada vazia. Demorei instantes para me situar e, quando vi, ela já estava longe.

Corri para alcança-la, tentando arranjar uma forma de não sujar meus dedos com o sorvete derretido. Por fim, acabei desistindo e jogando tudo no lixo mais próximo. Ela riu quando me viu tentando limpar as mãos grudentas na calça jeans – já suja de graxa por conta do serviço. Mas, sem parecer se importar, ela estendeu a mão para mim e, mais rápido do que achei que reagiria, eu a envolvi na minha.

⪡…⪢

Já anoitecia quando eu a deixei em casa.

Kate desceu da moto e, relutantemente, entregou-me o capacete. Ela parecia incomodada com alguma coisa, e por mais que eu quisesse que ela me contasse o que era, também achei que não seria justo forçar a barra. Felizmente, antes que eu precisasse perguntar qualquer coisa, ela suspirou e disse:

— Você acha que pode ficar mais um pouco para o jantar?

Eu juro que meu coração parou no exato instante.

— O… o quê?

— Ficar para o jantar. – ela repetiu – Meus pais ficaram me questionando sobre isso. Nunca pensei que eu fosse ser o típico clichê que precisa dizer aos pais que “você não o conhece como eu conheço” e…

Tentei segurar o riso e talvez tenha falhado um pouco, porque de repente estávamos os dois rindo na frente da casa dela.

— Falei demais, né?

— Talvez um pouquinho, mas tudo bem. – respondi. – Eu entendo.

— Meus pais querem te conhecer direito. Só isso.

Assenti. Não é como se eu tivesse alguma outra coisa para fazer, afinal de contas. Minha rotina não consistia mais de: trabalho, festas, bebida, sexo, e de novo e de novo por vários dias a fio. Agora eu tinha algo que queria proteger e que era só minha. Agora, finalmente, a minha vida tinha algum sentido.

Kate sorriu e esticou o braço para mim novamente. Desci da moto e entrelacei os nossos dedos enquanto caminhávamos até a porta da frente. Prendi a respiração instintivamente quando ela girou a chave na fechadura – talvez eu não estivesse tão pronto assim para encarar os pais dela.

Comecei a sentir as mãos suando e mordi o interior da bochecha. A casa parecia silenciosa e quis voltar. Definitivamente não estava pronto para isso – era óbvio o quão diferente eu era dessa família e, ainda mais, o quanto eu não era digno de ter a filha deles como namorada. Ela é demais ‘pra mim – afinal de contas, eu sou só um mecânico que mal consegue viver com o que ganha e ela é… ela.

— Rick? – ela sussurra, apertando a minha mão, quase como se quisesse me assegurar de que estava tudo bem.

— Hã?

— Relaxa – ela diz – Eles não vão arrancar a sua cabeça.

— Eu espero – sussurro, esperando que ela não ouça.

— Não vão.

Engulo em seco quando ouço, finalmente, o som de pratos sendo postos à mesa e quando o aroma de uma refeição caseira enche as minhas narinas. Eu nunca tive isso, e agora é algo que me assusta. A normalidade de uma família, o aconchego de chegar em casa e ter uma família te esperando com um prato quente de comida e conversas sobre o dia que cada um teve. Começo a tremer involuntariamente e sinto os dedos de Kate apertando a minha mão como uma âncora que me traz de volta à realidade.

—… e o juiz resolveu adiar a audiência. – ouço a voz do pai dela.

— Já tivemos casos mais difíceis do que isso – a mãe responde. – De qualquer forma, acho que a melhor coisa a ser feita é revisar toda aquela pasta do caso e talvez até mesmo… onde foi que eu coloquei os copos?

Entramos na sala de jantar e os pais dela automaticamente se viraram para nós. Posso dizer com toda a certeza do mundo que nunca estive tão envergonhado em toda a minha vida. Os dois ainda estavam com as roupas de trabalho, enquanto Kate estava perfeitamente arrumada com os jeans e a camiseta. Eu, por outro lado, estava com as roupas ainda levemente sujas de graxa e com os cabelos bagunçados. Um nó começou a se formar na garganta e eu não tinha certeza se conseguiria continuar ali.

— Ah – o pai dela finalmente quebrou o silêncio – Finalmente estamos conhecendo o rapaz que roubou a minha menininha.

Eu.

Quero.

Morrer.

Kate riu baixinho e apertou a minha mão de leve. A mãe dela sorriu e voltou a procurar os copos enquanto eu, sem graça, olhei para os pés e analisei os tênis sujos de graxa e poeira. Por que eu não tinha trocado pelos sapatos que guardava no trabalho?!

— Vai se juntar a nós no jantar?

— Uhh, sim. – consegui responder. E, rapidamente, tentei parecer mais educado: – Se não for nenhum incômodo… senhor.

Ele me encarou por alguns segundos. Meu coração literalmente parou de bater.

Depois ele começou a rir como se eu tivesse contado a piada mais engraçada do mundo.

— Ora, deixe disso – ele ainda gargalhava enquanto caminhava até nós com o avental de cozinha ainda por cima das roupas pomposas – Pode me chamar de Jim.

Ah. Ok então… eu acho?

Kate soltou da minha mão e foi ajudar a mãe a procurar os copos que – surpreendentemente – ela ainda não tinha encontrado. Jim estendeu a mão para mim e eu a aceitei. Olhei para ele relutantemente, sentindo as bochechas queimando e o coração pulsando dentro do peito. Eu queria ter feito uma impressão melhor, mas acho que ele não se importa tanto assim com isso quanto acreditei que se importasse.

— Escuta… — ele começou. Eu empalideci. – Quais são as suas pretensões com a minha garotinha?

Imediatamente, comecei a gaguejar e não fazia ideia do que responder. Ele, por sua vez, riu novamente como se eu fosse o melhor humorista desta geração, o que me deixou com uma enorme interrogação acima da cabeça.

— Pai – Kate advertiu. – Pare de tentar constrange-lo.

Jim deu de ombros e voltou para a bancada murmurando algo como “elas nunca deixam que ele se divirta”. Apressei-me para ajudar as duas a terminar de arrumar a mesa para tentar melhorar a minha primeira impressão.

(Eu achei os copos!)

⪡…⪢

Ninguém conversou durante o jantar.

Quando terminamos, Kate juntou a louça e carregou tudo até a cozinha. Pus-me de pé para ir ajuda-la, mas os pais dela, ainda sentados, chamaram o meu nome e parei onde estava, completamente petrificado. “É agora”, pensei. “Eles vão me mandar ficar bem longe dela porque não gostaram de mim”.

— Sente-se. – a mãe dela pediu.

Fi-lo imediatamente.

O frio na barriga agora era quase insuportável. A mãe dele brincava com a aliança, sem manter contato visual comigo.

— Nós queríamos conhece-lo por diversas razões.

Engoli em seco.

— Você tem… um histórico – Jim murmurou.

— Um histórico bastante impressionante. – a mãe dela completou.

Eu.

Quero.

Morrer. (de novo)

— Eu…

Jim levantou um dedo e eu parei de falar imediatamente. A mãe dela ficava me encarando agora como se eu fosse um animal enjaulado ou algum tipo de objeto de pesquisa. Remexi-me na cadeira, tentando ao máximo evitar o contato visual.

— Nós não nos importamos com isso.

O quê?

— O quê?

Eles compartilharam um olhar e sorriram.

— Desde que soubemos da mudança, sabíamos que Katie não ficaria feliz com isso – o pai dela começou. – Ela nunca foi uma menina tão aberta a esse tipo de coisa. Mudança é uma coisa que a assusta muito.

A mãe dela assentiu.

— Ficamos com medo de que ela se isolasse ou… bem, ou acabasse se envolvendo com pessoas ruins.

— O que você pareceu ser no início – ela completou.

Engoli em seco. Eu não podia culpa-los por pensar assim – afinal de contas, eu não sou lá a melhor das pessoas, e tenho completa noção disso.

— Mas ela passou a ser mais comunicativa – continuou – Passou a chegar todos os dias e conversar conosco sobre como tinha sido o seu dia e quais tipos de passeios ou amigos tinha feito e nós…

— Nós tínhamos sentido falta desse lado dela.

Franzi o cenho.

— Você faz jus ao clichê de…

—… ele não é tão ruim assim – completei. – Kate conversou comigo sobre isso.

Eles pareciam espantados. Era a primeira vez que eu falava alguma coisa diretamente para algum deles. Respirei fundo e tentei articular os meus pensamentos – eu queria que eles me vissem com outros olhos. Queria que passassem a me ver como uma boa pessoa, como alguém em quem poderiam confiar – não mais como o problemático que vivia em festas e tendo casos de uma só noite. Aquela pessoa, eu percebo agora, não era eu. Aquela pessoa era um reflexo de muitas coisas com as quais eu não sabia como lidar – e quando ela surgiu, eu soube como começar a mudar. Nós somos o próprio clichê, e eu não me importo nem um pouco.

Ficamos todos em silêncio por um tempo. Só conseguia ouvir o som da água e da louça vindo da cozinha.

— Eu quero que saibam… — tentei começar, mas as palavras teimavam em não sair. Tentei começar de novo. – Eu quero que saibam que o meu histórico ruim não define, nem um pouco, a pessoa que sou agora. Eu errei em muitas coisas, mas eu juro por tudo em que acredito que agora, de uma vez por todas, vou passar a não cometer esses erros novamente. Quando vocês se mudaram para cá e eu conheci a filha de vocês, algo dentro de mim estalou e eu soube que… bem, eu soube que não era aquilo que eu devia estar fazendo. Ela mudou quem eu era e me transformou em quem eu sou hoje. Ela é…

Pausei e atrevi olhar para eles. Os dois pareciam estar sorrindo e a mãe dela parecia até estar com lágrimas nos olhos.

— Ela é tudo pra mim. – concluí. – E vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para fazê-la feliz.

Isso pareceu bastar.

Notas finais
eai galerinha do bem assim, eu não sei mais como falar com vocês porque tem TAntO tempo :( desculpa mesmo eu espero que ainda tenha alguém lendo porque eu sinto falta de conversar com vocês aaaaa tb não sei quando o próximo sai...... esperançosamente não daqui a três anos hehehe (brincadeira galera, prometo tentar postar o próximo em breve, não me odeiem) ainda amo vocês, cupcakes (OLHA EU DE VOLTA EEEEEEEE)