Gotten

17 16. Irrealismo


Notas iniciais
Olá, cupcakes! =) Alguns de vocês já devem saber, mas talvez outros ainda não tenham visto, então: sim, a história vai passar por um período(zinho) de hiatus, mas só pra eu conseguir colocar as ideias em ordem e terminar de pôr tudo numa cronologia certinha. Eu não vou desistir da fic, antes que venham perguntando, tudo bem? Fiquem tranquilos, eu prometo que não vai demorar! Plus, acho que devo a vocês um pedido de desculpas, huh? Demorei bastante com uma atualização, e peço perdão por isso, mas as ideias simplesmente não vinham! Agora devo ter mais algum tempinho pra escrever e vou tentar (frisando: TENTAR) não demorar mais com as atualizações, ok? Boa leitura!

Anteriormente, em ‘Gotten’:

– Eu só quero ficar com você – ele fez beiço – Por favooooor!

Fingi pensar. Lembrava-me vagamente de ter entreouvido uma conversa entre meus pais, algo sobre uma saída furtiva enquanto eu estava dormindo, sobre uma noite de lembranças ou o que quer que tenha sido dito. Eu sabia que eles estariam fora, provavelmente até amanhã, mas não queria arriscar… mas com Rick lá embaixo, preparando-se para escalar a parede da minha casa…; eu não sabia o que fazer.

– Você não estava lá quando eu acordei.

Ele praticamente pulou, largando ferramentas sujas de graxa e cheias de fuligem; quando virou para mim, vi o rosto sujo e os olhos arregalados. Quase cheguei a sentir pena dele, mas o momento passou, e eu cruzei os braços sobre o peito enquanto olhava para ele.

– Pode criar teorias e mais teorias – prossegui enquanto seu rosto empalidecia debaixo de toda a sujeira e graxa –, mas nada vai mudar o fato: você não estava lá pela manhã.

– Tem razão – ele abaixou, catando as ferramentas – Porque seus pais chegaram durante a madrugada e eu tive que pular a janela para que não me vissem no seu quarto.

Tentei manter a expressão neutra, mas ele conseguiu perceber a minha hesitação, por mais que eu tenha tentado esconder. Estiquei o pescoço, encarando-o nos olhos e tentando fazer a melhor expressão de “você-não-me-convenceu”. Mas a minha atuação não pareceu convencê-lo; porque ele só riu e limpou as mãos num paninho encardido.

– Eu não teria deixado você sozinha se os seus pais não tivessem chegado, Kate – ele murmurou, tocando o meu rosto com a mão relativamente suja; e eu não me importei em ficar com o rosto sujo de graxa ou o que quer que aquilo fosse – Porque eu sonhei com você por muito tempo; talvez por mais tempo do que você possa imaginar.

– Pare com isso – eu ri – Vai me sujar.

Automaticamente, ele tirou a mão do meu rosto, colocando o meu cabelo para trás das orelhas; e um sorriso iluminou seu rosto. Pus as mãos nas bochechas, procurando qualquer evidência de que a minha pele estivesse suja de graxa, mas não senti nada.

– Não sujei seu rosto – ele roçou os lábios na minha testa; olhei para cima, encontrando seus olhos – Para compensar tê-la deixado sozinha, o que você acha de um almoço?

Fingi pensar – Interessante

– Eu pago – ele piscou.

– Mais interessante ainda – brinquei.

Ele envolveu o meu corpo num abraço apertado e eu enlacei sua cintura com os meus braços, deitando a cabeça em seu peito. Respirei fundo, aspirando o odor de graxa e combustível, irritando o meu nariz; automaticamente, afastei-me de Rick, cobrindo o rosto ao espirrar. Depois, ele riu alto, voltando a envolver minha cintura com os braços, plantando um beijo na minha testa.

Olhei para ele, percebendo a mancha de graxa em seu pescoço, e deixei uma risadinha escapar enquanto tentava, inutilmente, limpá-la – porque, na realidade, tudo o que consegui fazer foi aumentar o tamanho daquele monstro negro que sujava sua pele.

– Obrigado – ele caçoou – Agora vou passar mais tempo no banho.

Arrisquei um olhar de soslaio para o meu polegar, que mais parecia ter sido mergulhado num balde de negritude. Estendi a mão para ele com o dedo ereto, fazendo a minha melhor imitação de menina inocente; uma risada rouca escapou dos seus lábios, e eu só sabia que, ali, com ele, era onde eu realmente desejava estar – e talvez sempre tivesse sido. Eu só não sabia disso…

Voltei a me aproximar dele, deitando a cabeça no tecido sujo de sua camiseta enquanto ele acariciava os meus cabelos com lentidão. Fechei os olhos por um instante, sentindo o coração dele batendo contra o meu ouvido; e eu podia ouvir aquilo pelo resto da minha vida – não ia me importar nem um pouquinho…

– Eu amo você – ele sussurrou de repente; um sorriso pincelou meu rosto e eu suspirei, envolvendo sua cintura larga com os meus braços.

– Eu também amo você – apoiei o queixo em seu peito, olhando nos olhos dele; as pupilas pareciam dilatadas e as íris pareciam mais escuras do que eu jamais havia visto.

Ele inclinou o corpo e roçou seus lábios nos meus; toquei seus cabelos com uma das mãos enquanto sentia suas mãos segurando a minha cintura, puxando-me para mais perto, apertando-me contra seu corpo, fazendo com que eu não pudesse sair dali – e eu não sairia, mesmo que pudesse…

«…»

– Eu não vou subir nessa coisa – anunciei, olhando para o monstro vermelho que roncava e gania à minha frente.

Rick riu alto, estendendo-me um capacete; aquilo devia pesar bem mais do que a minha própria cabeça, e tive que segurá-lo com as duas mãos para que não caísse. O modo que suas pernas caíam ao lado da motocicleta parecia quase natural, mas eu nunca tinha andado numa – e provavelmente não seria uma boa ideia que eu experimentasse.

– Vem cá, Flor – ele pediu baixinho.

Estremeci ao ouvi-lo dizer aquilo. Fazia muito tempo desde que ele me chamara de "Flor" pela última vez, e meu coração pareceu acelerar consideravelmente depois que ele estendeu a mão. O sangue pulsava com força em meus ouvidos quando a segurei, e então ele me puxou para perto. Tirou a chave da ignição e sorriu para mim, fazendo carinho no meu rosto com dois dedos; fechei os olhos por um momento, e então respirei fundo, tomando coragem.

– Tudo bem – disse, de repente; ele inclinou a cabeça, confuso – Eu subo nesse troço. Mas você tem que me prometer que não vamos cair.

– Eu prometo – ele sussurrou, pegando o capacete das minhas mãos e ajeitando-o na minha cabeça.

Deixei a cabeça pender para o lado, ainda tentando me acostumar ao peso extra daquele monstro sobre mim. Rick deixou uma risadinha escapar quando engoli em seco, avaliando a moto. Segurei em seus ombros, sentindo os dedos tremendo enquanto subia no veículo; quase automaticamente, envolvi sua cintura larga com os braços, e apertei o rosto contra suas costas, embora ainda estivéssemos parados.

– Segure firme, Flor – ele disse, alto o suficiente para ser ouvido além do ronco alto do motor.

– Como se eu já não estivesse fazendo isso – minha voz falhou – Vamos logo com isso antes que eu resolva desistir e pule dessa coisa.

Ele riu alto, fazendo o motor roncar mais uma vez, e eu senti meus músculos enrijecendo no momento em que a moto começou a andar. E a primeira coisa que eu notei foi o sol, brilhando tão forte que me cegou por um momento; as pessoas conversavam alegremente ao nosso redor, rindo e afastando-se de nós conforme Rick guiava a motocicleta para fora da oficina.

Eu fechei os olhos no momento em que ele acelerou; talvez por medo, ou talvez porque eu gostava da sensação que o vento proporcionava quando jogava os meus cabelos para trás. Respirei fundo, e quase não ouvi a voz de Rick quando disse:

– Ainda é tão ruim quanto pensou?

– Não sei – respondi, um pouco mais alto do que deveria – Eu devia me sentir segura aqui em cima?

Como ele não respondeu, voltei a fechar os olhos, recostando-me ao corpo dele até que não sentisse mais nada além do vento batendo no meu rosto e o cheiro dele penetrando nos meus poros – talvez a moto não tivesse sido uma ideia tão ruim, afinal de contas…

«…»

Rick pôs um braço ao redor da minha cintura assim que pulamos da moto. Eu já não via as meninas lutando pela atenção dele, e não sabia se aquilo me fazia sentir melhor ou pior. Quero dizer…, eu devia me sentir feliz por tê-lo só para mim, mas ainda assim, é como se eu tivesse tirado alguma coisa dele.

– Algo errado? – ele perguntou ao pé do ouvido.

– Não – engoli em seco – Nada errado! De jeito nenhum…

E no momento em que pisamos dentro do restaurante, eu juro, pelo menos vinte cabeças se viraram em nossa direção. Dei um olhar de soslaio a Rick, mas ele não pareceu perceber; talvez estivesse acostumado demais com toda aquela atenção, mas eu não estava. Senti as bochechas corando furiosamente ao ouvir algumas meninas dando risadinhas exageradas atrás de mim e, por um segundo, desejei ser invisível. Mas, então, Rick ergueu a minha cabeça com um dedo, apoiando o meu queixo e piscou para mim antes de inclinar a cabeça e roçar seus lábios nos meus.

Tudo o que eu vinha sentindo simplesmente desapareceu no momento em que ele cobriu os meus lábios com os seus. Todo o medo, a insegurança e vergonha desapareceram por completo; porque eu era dele e ele era meu. Não havia mistério – e jamais haveria.

– Posso arranjar uma mesa? – afastei-me de Rick com rapidez e, certamente, vermelha como um pimentão.

– A melhor disponível – ele piscou para a garçonete e, em outros tempos, eu teria sentido uma pontada de ciúme, mas, incrivelmente, não foi isso o que aconteceu.

Meu coração acelerava dentro do peito, mas não era excitação, nervoso ou ciúme. Talvez seja sobre isso que falam os livros e filmes; sobre como o simples ato de estar ao lado de quem se ama fazia todo o seu corpo entrar em combustão espontânea. Eu nunca tinha sentido algo do tipo e era…

– Kate? – Rick tocou as minhas bochechas com as palmas, e suas palavras pareciam abafadas – Tá tudo bem?

tão bom!

Acordei do transe com um leve sobressalto; pouco a pouco, vozes animadas voltavam a preencher o restaurante, e nós ainda estávamos parados no meio do caminho. Rick estava visivelmente preocupado, ainda com as mãos no meu rosto e os olhos fixos nos meus, com a pele pálida e as íris azuis cada vez mais escuras. Esbocei um sorriso sem graça, mas ele não pareceu convencido. Lentamente, me guiou até a nossa mesa e praticamente ordenou à garçonete que me trouxesse um copo d’água, apesar dos meus protestos.

A expressão de terror em seu rosto foi o suficiente para me provocar uma risadinha sem graça.

– Kate? – ele tocou a minha bochecha com a palma, suspirando de leve; suas pupilas dilataram e ele piscou rapidamente – Você quer que eu te leve de volta?

– Não – o meu tom foi mais ríspido do que planejei – Eu estou bem; só estava pensando… bem, em nós, eu acho.

Agora foi a vez da expressão convencida tomar conta; ele se jogou para trás na cadeira e cruzou os braços sobre o peito, na sua melhor representação da pose “conte-me mais sobre isso”. Eu ri, balançando a cabeça e alcançando um guardanapo para jogar nele, mas ele desviou rápido demais, e o papel acabou caindo no chão. Nós estávamos rindo alto – talvez alto demais; mas sequer me importei em olhar para trás para checar se havia alguém ligeiramente incomodado com a nossa presença.

Rick despertava o pior (e o melhor) de mim; e eu gostava disso.

– Com licença.

Olhei para cima, deparando-me com uma garçonete. Mordi os lábios e senti as mãos de Rick repousando nas minhas pernas; pisquei, e o sorriso da mulher se desfez em seu rosto.

– Já sabem o que vão pedir?

Desta vez, olhei para Rick.

Sequer tínhamos o cardápio.

– O de sempre – ele deu de ombros, e a mulher se afastou com um sorriso.

Quando ela já estava a meio caminho do que imaginei ser a cozinha do local, arqueei uma sobrancelha para ele, que sorriu para mim como se aquela fosse uma coisa óbvia demais. Mas o fato é que não era, e eu não sabia de nada; ali, eu ainda era uma estranha. E, no momento em que percebeu que eu não fazia a mínima ideia do que “o de sempre” fosse, sua expressão se tornou demasiada engraçada, e uma risada explosiva tomou conta de mim.

– Desculpe – ele parecia quase melancólico – Eu acho que esqueci que você não está aqui há tanto tempo quanto imaginei. Se quiser olhar o cardápio e escolher alguma coisa… err…

– Não, tudo bem – sorrio – Eu acho que vou ter que confiar em você desta vez.

Ele riu.

– Eu amo você – ele disse, de repente.

Pisquei, deixando um sorriso surgir em meu rosto. Lentamente, escorreguei as mãos por cima da mesa, alcançando as dele e entrelaçando os nossos dedos. Os olhos dele avaliavam o meu rosto, e eu podia ver o esboço de um sorriso começando a surgir.

– O que foi? – questionei.

– Eu nunca pensei que fosse dizer essas palavras – ele dá de ombros – Sempre pareceu irreal demais pra mim, às vezes até falso, mas – seus olhos fixaram-se nos meus – Mas aqui estou eu.

– Aqui está você – repito.

– Eu amo você – ele ri, apertando a minha mão – Euamovocêeuamovocêeuamovocê! Acho que posso repetir milhares de vezes e jamais vou me cansar.

– Não precisa repetir milhares de vezes – mordo o lábio inferior – Eu sei disso melhor do que ninguém.

– Ah, certo – ele pisca, e um sorriso brota em seu rosto – Quando você fingiu que estava dormindo só pra eu te abraçar, não foi? Você nunca resistiu ao meu charme!

– O quê?! – quase grito, deixando a risada escapar – Ah, sim, claro. Porque, até onde eu me lembro, foi você quem correu atrás de mim. Foi você que deu chiliques porque estranhos olhavam para mim em festas. Ou já se esqueceu disso?

– Não – ele ri – Minha memória não é assim tão ruim, Flor.

Lentamente, ele inclina o corpo para trás e olha dentro dos meus olhos, ainda acariciando a minha palma com os dedos calejados. Meu estômago se revirou e senti borboletas voando livremente enquanto os olhos dele pareciam captar cada mínimo movimento que o meu corpo fazia. Além disso, eu ainda podia sentir olhares fulminantes provenientes de quase todas as pessoas que se encontravam lá dentro.

Respirei fundo e fechei os olhos por um momento, concentrando-me nos movimentos de seus dedos na minha palma, como seu toque parecia acalmar e ao mesmo tempo incendiar cada nervo do meu corpo. Então, quando abri os olhos, ele tinha um sorriso convencido estampado no rosto.

– Não me olhe desse jeito – repreendi.

– Como? – ele provocou.

– Como se você soubesse exatamente o que estou pensando.

– Ah – ele brinca – Mas eu sei.

Iço as sobrancelhas e retiro minha mão de seu alcance, a todo momento olhando dentro de seus olhos. O brilho brincalhão permanece, e não posso evitar o sorriso bobo em meu rosto.

– Você está pensando em como eu sou o melhor namorado do mundo – ele diz; automaticamente, estremeço – E em como sou uma gracinha.

– Ah, é? – eu rio, apesar de sentir as bochechas queimando – Esqueceu de mencionar como você é vaidoso.

– É um brinde – ele brinca.

– É – entro na brincadeira – Claro que é…

Notas finais
Não acrescentou muito à história, mas mostrou como os dois são caidinhos um pelo outro! Plus, a cena do "who fell for each other first" da série simplesmente tinha que entrar na fic de algum jeito, né?? Super entendo se me deixarem de castigo, mas deem opiniões sobre esse capítulo e também sugestões para os próximos! Por favorzinho?? *imita o gatinho do shrek* não? ok. Até os comentários! o/