Gotten
16 15. Filmes e pizza
Notas iniciais
Anteriormente, em ‘Gotten’:
Lembrava-me vagamente de ter entreouvido uma conversa entre meus pais, algo sobre uma saída furtiva enquanto eu estava dormindo, sobre uma noite de lembranças ou o que quer que tenha sido dito. Eu sabia que eles estariam fora, provavelmente até amanhã, mas não queria arriscar… mas com Rick lá embaixo, preparando-se para escalar a parede da minha casa…; eu não sabia o que fazer.
Então, bufei. No fundo, eu sabia que, mesmo que tivesse certeza de que aquilo era uma ideia horrivelmente errada, terrível, eu o deixaria entrar. Eu o deixaria entrar, e nós ficaríamos deitados na minha cama até o sol nascer – e eu não duvidava de que isso fosse mesmo acontecer.
– Kate! – ele gritou.
Tornei a enfiar a cabeça pela janela e vi-o a meio caminho da janela; meu coração subiu à garganta e eu cobri a boca com as mãos, arregalando os olhos.
– Desça já daí!
– Não – ele riu – Porque eu sei que você não vai abrir a porta pra mim e…
– Ora, cale a boca! – briguei – É claro que eu vou abrir a porta! Agora, desça já daí!
~?~
Pelo menos ela não come pizza de abacaxi com azeitonas e pimenta jalapeño; e eu podia sentir o cheiro forte do pepperoni mesmo antes de o entregador tirar a caixa de dentro do suporte. Entreguei ao entregador algumas notas amassadas, e só então consegui a pizza; mas quase soltei a caixa ao notar que devia ter saído do forno há pouquíssimo tempo.
– Cuidado, cara – ele zombou – Essas coisas costumam ser quentes.
Bati a porta com a mão livre, tentando arranjar um espaço na parte de baixo da caixa que não queimasse a minha pele – falhando miseravelmente, devo constatar. E, por mais que eu quisesse simplesmente tacá-la em algum lugar, continuei caminhando com aquela coisa nos braços até chegar à cozinha extremamente limpa e arrumada.
Deixei a pizza sobre o balcão da pia, abrindo a tampa da caixa e deixando o perfume do pepperoni inundar o cômodo e, possivelmente, o resto da casa. Fuçando as gavetas, encontrei uma faca suficientemente boa para cortar a massa sem estragar completamente o recheio; Kate não tinha descido ainda, e eu esperava poder terminar de cortar as fatias e colocar alguma coisa para bebermos antes que ela resolvesse descer.
Tínhamos optado por noite de filmes e pizza.
– Rick?
Larguei a faca sobre o queijo gorduroso, virando a cabeça para olhá-la; Kate coçava os olhos e tinha as bochechas inchadas por causa do cochilo que tirou durante o dia. Lentamente, ela se aproximou de mim, com um sorriso começando a manchar seu rosto; tomei-a nos braços e apoiei a cabeça sobre a dela, suspirando enquanto ela envolvia a minha cintura com os braços.
Fechei os olhos por um momento, sentindo o coração bombeando o sangue com rapidez, como se aquele fosse o momento. Mas eu não podia ter certeza, e obriguei a mim mesmo a parar de pensar naquilo; não naquele momento, absolutamente não.
– Rick – ela me chamou de novo – A pizza vai esfriar.
– Hmmm – grunhi – Não podemos pular a pizza?
Ela riu. – Não, porque eu estou morrendo de fome.
Dando-me por vencido, levantei os braços e bufei, soltando-a; logo vi que, em menos de cinco minutos, ela já tinha conseguido o que eu tentava por quase dez. Fiz beiço e ela riu ao me entregar um prato. Balancei a cabeça e apoiei o corpo na bancada de pedra fria, deixando a pizza sobre o mármore, olhando para Kate enquanto ela terminava de colocar a fatia generosa sobre seu prato.
Baixei os olhos para os meus pés, sentindo as bochechas corarem com os pensamentos maldosos que eu vinha tendo desde que entrei; estamos sozinhos aqui, e não há nada que possa nos impedir. E eu tenho medo disso, porque não sei me controlar perto dela.
– Tá tudo bem?
Enrijeci os músculos ao ouvir sua voz, tão próxima; virei a cabeça, estreitando os olhos para ela. Kate parecia relaxada, com aquele copo imenso e o prato nas mãos; engoli em seco, assentindo, sentindo o meu corpo inteiro levando uma dose de adrenalina.
– A pizza já deve estar fria – ela debochou, apontando para o meu prato com a cabeça – Vamos lá; daqui a pouco eu perco a vontade de assistir ao filme.
Prendi a respiração ao vê-la subindo as escadas com rapidez, dando pulinhos a cada degrau; fechei os olhos por um instante, e então ouvi sua voz flutuando pela sala: – Você vem?!
Abri os olhos e suspirei, olhando para ela e assentindo lentamente porque, Deus, aquela ia ser uma longa noite…
~?~
Os créditos já subiam pela tela, e por alguma razão, eu sabia que ela mal tinha assistido ao filme; inclinei a cabeça, só para ver os olhos fechados e o rosto sereno, completamente adormecido. Acariciei seus cabelos e, lentamente, ela abriu os olhos, suspirando e grunhindo ao despertar os músculos.
– Já acabou?
Já?! – Já – eu ri – Você dormiu durante o filme, não dormiu?
Ela não respondeu, mas vi o semblante culpado em seu rosto; fechei os olhos e ri alto, encostando a cabeça no travesseiro claro. Quando tornei a olhá-la, ela estava sentada na beirada da cama, com os braços sobre as pernas e com a expressão culpada, mordendo os lábios como se tivesse feito uma coisa muito, mas muito errada… e eu quis perguntar o que tinha acontecido, eu queria saber o que tanto a afligia, mas antes que eu pudesse sequer pensar em alguma coisa, os lábios dela tomaram os meus, e eu só conseguia pensar em como eu amava seus beijos.
Pus uma das mãos em seus cabelos, puxando-a para mais perto, enquanto a outra buscava sua cintura; eu sabia que, caso aquilo não parasse, nós acabaríamos fazendo algo a mais, e eu não sabia se conseguiria me controlar depois de tê-la beijado daquele jeito.
Assim sendo, quando senti que o sangue do meu corpo começava a se concentrar em uma área em especial, quebrei o beijo, arfando para conseguir retomar o fôlego. Eu ainda me lembrava do que ela tinha me dito naquele dia, há tanto tempo, nos balanços, sobre o ex-namorado. E a minha cabeça latejava com o desejo que eu sentia, mas não arriscaria ser que nem ele; eu podia ser um babaca que não ligava no dia seguinte, mas eu não faria isso com ela. Eu jamais agiria assim com ela.
– Rick? – ela arfou, com as mãos tremendo enquanto tocava o meu rosto – Aconteceu alguma coisa? Oh… eu fiz alguma coisa?
– Não, não! – assegurei – Eu só…
Como eu podia dizer uma coisa daquelas?
– Eu não consigo me controlar com você – expliquei, sentindo as bochechas corarem; o que foi, no mínimo, engraçado, porque eu não costumo enrubescer ao falar com uma menina – Eu não consigo, e eu tenho medo de acabar fazendo alguma coisa que você não queira e…
Kate riu.
– O que tem de tão engraçado? – perguntei, confuso.
– O que acontece se eu não quiser que você se controle? – ela mordeu o lábio, e eu aceitei aquilo como uma provocação; lentamente, ela se aproximou um pouco mais, tocando as minhas bochechas com os dedos frios.
Ao mero toque de seus dedos, fechei os olhos; céus, aquela menina sabia como me fazer perder o controle com um simples toque. Arfei ao sentir suas pernas prendendo as minhas, e não pude evitar o gemido baixo que saiu pela minha boca; automaticamente, senti os músculos dela ficarem duros sobre mim, o que só podia significar uma coisa: ela estava com medo do que viria a seguir.
– Kate – arfei – Nós não vamos fazer nada…
Os olhos dela se encontraram com os meus, e juro que vi uma pontada de decepção dentro deles.
–… nada que você não queira – completei.
– E se eu quiser?
Juro que demorei algum tempo até processar aquelas palavras; e, quando o fiz, meu coração voou à garganta, parecendo impedir a passagem do ar. Eu não conseguia pensar, não conseguia respirar, e as borboletas em meu estômago pareciam ainda mais agitadas – se é que isso era possível. Prendi a respiração quando ela roçou seus lábios nos meus, e senti que meu corpo podia entrar em combustão a qualquer momento, que meu coração podia parar de exaustão, e eu não ia me importar nem um pouquinho.
Mas, quando voltei a mim, a necessidade de tê-la, de fazê-la minha, veio mais forte do que nunca, e eu a prensei contra o meu corpo, apoiando suas costas no meu antebraço enquanto a outra mão se encarregava de puxar seu rosto para perto do meu, pressionando seus lábios contra os meus com força.
– Rick – ela grunhiu, arfando; suas mãos pressionavam o meu peito.
Olhei em seus olhos, percebendo que, sim, ela estava com medo, mas que, ao mesmo tempo, ela parecia desejar aquilo mais do que nunca.
– Você tá com medo – constatei; ela engoliu em seco – E eu acho que sei do que você tá com medo; não é de mim, e não é do sexo.
Automaticamente, ela encolheu os ombros.
– Você tá com medo de não ser boa na cama – completei.
Ela se moveu, quase saindo de cima de mim, mas não deixei. Apertei-a com um pouco mais de força, grudando seu corpo ao meu; talvez fosse arriscado, e talvez não fosse aquilo o que devêssemos fazer naquele dia, mas eu precisava tê-la – e sabia o que podia acontecer caso os pais dela chegassem em casa. Mas eu não me importava, porque ela tinha provocado, e agora ela ia ver como eu ficava perto dela.
– Kate – toquei seu rosto, e ela olhou para baixo, olhando para mim; os lábios já se projetavam para frente como se ela estivesse prestes a chorar – Você tá com medo de não ser boa, é isso?
– Eu…
Sim, ela estava com medo de não ser boa.
– Você não precisa ficar com medo – eu ri; ela arqueou as sobrancelhas – Não precisa ficar com medo porque eu tô aqui.
– Talvez seja esse o motivo – ela brincou – É você, e eu sei que você já… bem…
– Já – concordei – Mas nenhuma delas teve significado real, e eu acho que você sabe disso. Por isso você tá confiando em mim pra…
Kate assentiu antes que eu completasse a linha do raciocínio, e senti o nervoso começar a percorrer os meus nervos; meus dedos tremiam, e eu estava com medo de machucá-la, de virar uma memória ruim que ela visitaria a cada vez que dormisse com alguém – cenas que eu preferia não ter na cabeça naquele momento.
– Eu sabia que você já tinha pensado em me ver nu – provoquei, beijando seu pescoço; ela tremeu em meus braços, e ouvi o gemido baixinho – Kate, você tem certeza de que quer fazer isso?
Rapidamente, ela inclinou o corpo para trás, mordendo os lábios e olhando para mim com os olhos brilhantes. – Eu não achei que você fizesse perguntas antes de ficar com as outras meninas…
– Você não é outra menina – puxei-a para perto – E eu quero ter certeza de que…
–… eu quero – ela interrompeu; abri um sorriso – Eu quero você, e talvez devesse ter dito isso antes, mas estou dizendo agora. Posso estar com medo, e posso me sentir muito, mas muito estranha, mas eu quero fazer isso.
Não esperei mais tempo; deitei-a na cama, ficando por cima, e então, eu a beijei. Os braços dela envolveram o meu pescoço, e ela brincava com o meu cabelo enquanto nos beijamos; eu já tinha beijado Kate antes, mas por incrível que pareça, aquele pareceu o primeiro beijo que tínhamos trocado, porque ela era… um mistério. Kate é um mistério, e um mistério que eu quero desvendar.
As mãos dela rapidamente se infiltraram por baixo da minha blusa, tocando a minha pele; senti os dedos gelados brincando com o meu peito, levantando o tecido ao máximo que pôde.
Afastei-me o suficiente para tirar a camisa, e ela se apoiou nos cotovelos; os olhos pareciam queimar, e ela arfava como se o oxigênio se recusasse a permanecer em seu corpo. Toquei a barra da blusa do pijama, e ela assentiu receosamente, como se ainda não tivesse pensado naquilo; lentamente, puxei a blusa para cima e, uma vez que ela tinha saído do corpo dela, não sabia para onde olhar, ou o que fazer.
Não sabia se voltava a beijá-la, ou se terminava de retirar as roupas – as minhas ou as dela? Prendi a respiração quando ela se remexeu sob mim, voltando a deitar a cabeça sobre os cobertores.
– Uau – acabei soltando; as bochechas dela ficaram vermelhas – Eu só…
Kate me calou com um beijo, segurando nos meus cabelos e puxando-me para cima dela mais uma vez; se ela fosse me calar daquela forma todas as vezes, então eu nunca mais pararia de falar.
Enquanto nos beijávamos, comecei a retirar as calças; talvez eu devesse ter feito isso bem antes, quando nós ainda não tínhamos começado a nos beijar daquele jeito, porque agora o volume dentro da cueca tinha se tornado demasiado evidente, e não tinha sido parte do meu plano que estivesse tão fora de controle assim…
Prendi a respiração quando senti as mãos pequenas tateando pela minha pele, tocando cada poro de mim, e tudo o que eu queria era que ela não só parasse, mas que me deixasse fazer isso por ela antes. Porque a questão era que aquilo não era sobre mim, não era para mim, mas sobre ela, para ela, e eu queria que ela aproveitasse cada segundo.
Impedi-a de continuar o que estava fazendo, prendendo seus pulsos sobre sua cabeça; ela arfou, e seu peito subiu e desceu num ritmo que, admito, me deixou maluco. A vontade que eu sentia de prová-la, de senti-la, chegava a ser absurda, e eu já não sabia quanto tempo mais conseguiria aguentar sem tê-la.
– Rick – ela prolongou o meu nome num gemido baixo quando baixei a cabeça, beijando sua barriga.
Soltei seus pulsos e ela se apoiou nos cotovelos para ver o que eu faria; ao constatar o que já estava se tornando verdade, ela arregalou os olhos e engoliu em seco, provavelmente começando a se sentir nervosa e a ponto de desistir. Mas eu não deixei que dissesse coisa nenhuma, pois já estava arrancando as calças do pijama felpudo que ela usava.
Prendi a respiração ao notar o que me esperava debaixo do pijama inocente – lingerie. E se antes eu já estava apaixonado por aquela garota, agora eu estava completamente caidinho por ela, precisando dela a todo minuto. E eu voltei a me inclinar sobre ela, beijando cada centímetro de pele que eu pudesse alcançar, acariciando os que eu não podia.
Não me lembrava de já ter ficado daquele jeito, a ponto de explodir, mesmo antes de começar; revirei os olhos, fechando-os, numa tentativa de acalmar o meu coração, que insistia em subir pela garganta. Eu não conseguia respirar direito, e era só uma questão de tempo até que…
– Rick? – ela arfou; àquele ponto, minhas mãos já estavam procurando o fecho do sutiã, e eu senti as bochechas queimando enquanto olhava para ela.
Suas mãos tocaram os meus braços, afastando minhas mãos do tecido; grunhi, quase insatisfeito com aquilo, mas então ela levou meus dedos até o metal na parte da frente da peça. Ela alcançou os meus lábios, e sorriu durante o beijo; afastei nossos rostos e bufei, balançando a cabeça.
– O fecho é aqui – ela pressionou os meus dedos sobre o metal, e então ouvimos o clique.
Olhei para ela, vendo seus dentes mordendo a pele sensível dos lábios, e tapei-os com os meus, faminto por ela; queria prová-la de todas as maneiras possíveis, e era nisso o que eu pensava enquanto ela se apoiava nos cotovelos para que eu pudesse arrancar a peça de seu corpo. Uma vez que não havia tecido algum entre nós – na teoria, é claro; porque ainda havia uma peça em especial que eu ficaria mais do que feliz em tirar… –, arrisquei a olhar.
Perdi o compasso da respiração quando vi o corpo dela pela primeira vez; e não me lembrava de já ter ficado daquele jeito com ninguém mais. Ela era especial, e eu queria mostrá-la o quanto…
Quando pus as mãos sobre seus seios, ela mordeu os lábios e fechou os olhos, gemendo baixinho. Depois, inclinei o corpo, beijando o vale entre eles, e ela olhou para mim com os olhos arregalados; finalmente, toquei um dos seios com a boca, e Kate praticamente arrancou os meus cabelos – mas não posso dizer que não gostei daquilo. Meu nome saiu num suspiro, e ela fechou os olhos no momento em que toquei o outro seio com a mão.
Eu já tinha dormido com inúmeras garotas, era verdade; mas nunca tinha me sentido desse jeito. Só queria ouvi-la gemendo o meu nome e conhecer a sensação de estar dentro dela; literalmente.
– Se você quiser parar… – arfei, olhando dentro dos olhos dela.
O rosto estava pálido, e o corpo dela tremia debaixo de mim – e, até onde eu sabia, aquilo não era um bom sinal. Eu não queria parar, não quando já tínhamos chegado tão longe, mas caso ela fizesse algum movimento contra as minhas investidas… então eu saberia que não era a noite.
– Você tá tremendo – constatei.
– É que eu tô com frio – ela deu de ombros, fechando os olhos – Além do mais, estar sem o meu pijama acaba me fazendo ficar um pouco exposta.
Tudo o que consegui pronunciar foi um – Ah…
Meu corpo clamava pelo dela, e talvez aquilo fosse o certo, por mais que ela estivesse com medo – de acabar se machucando, de ser uma noite terrível… –, por mais que eu estivesse apavorado ao mero pensamento de machucá-la. Eu não queria ser uma memória horrível; queria ser mais do que isso. Queria ser o cara que ela compararia aos outros, aquele que deu a ela uma das melhores noites da sua vida e…
– Rick? – ela suspirou de repente.
Olhei para baixo, olhando dentro de seus olhos; as pupilas estavam dilatadas, e um enorme sorriso crescia em seu rosto. Depois, ela franziu a testa e riu baixinho, balançando a cabeça enquanto mordia os lábios, ainda olhando para mim.
– O que é tão engraçado?!
– Eu posso não ser muito… uh, experiente, mas tenho certeza de que não é assim que termina – ela afirmou, inclinando a cabeça e adotando um olhar sarcástico.
Eu ri alto – Não, não é assim que termina.
– Por que você parou, então? – ela arfou; suspirei, inclinando o corpo para beijá-la mais uma vez.
Não cheguei a responder sua pergunta porque, quando dei por mim, ela se apoiava nos cotovelos e eu não via nada além de seu pescoço. Ainda assim, podia ouvir meu nome sendo suspirado, saindo entre gemidos e arfadas enquanto ela recuperava o fôlego. Meus dedos estavam cravados na pele sensível das coxas enquanto eu, finalmente, podia sentir seu gosto; pensei que nunca diria isso, mas eu estava cada vez mais apaixonado por aquela menina.
Também não demorou muito até que eu fosse capaz de ver as pernas tremendo, até que pudesse ouvir os gemidos ficando cada vez mais altos e constantes e, quando percebi, ela puxava os meus cabelos com tanta força que quase imaginei ter ficado careca. Mas então, quando parei de estimulá-la, ela arfava e pequenas gotas de suor ameaçavam descer pela testa – e eu não queria parar, porque precisava dela naquele momento.
– Eu já disse que sou louco por você?
– Ah – ela arfou – De tantas maneiras…
Eu ri, e então toquei seu rosto; em algum momento ao longo daquele caminho, as últimas peças de roupa tinham sido expulsas do meu corpo, e então não existiam mais barreiras entre os nossos corpos, não existia mais nada se não o desejo – por ela.
Me lembrava vagamente de ter colocado um preservativo em um dos bolsos, mas agora a pergunta era óbvia: onde, de todos os cantos daquele quarto, estava a maldita calça?! Justamente quando pensei em simplesmente pular da cama e procurar a porcaria da calça, Kate riu – e riu alto.
– Não se atreva a rir de mim – acabei contradizendo a mim mesmo quando uma gargalhada explodiu dos meus lábios – Minha calça sumiu!
– Eu acho que não – ela apertou os olhos, apoiando-se nos cotovelos mais uma vez e olhando fixamente para um ponto atrás de mim; lentamente, virei a cabeça e deparei-me com a peça surrada.
Praguejei baixinho enquanto sentava no colchão, tateando os bolsos até encontrar a embalagem plástica; mas meus dedos tremiam tanto que eu não sabia quando conseguiria arrebentar aquele maldito pacotinho. E era uma coisa tão fácil que surpreendi a mim mesmo ao não conseguir arrebentá-lo. Kate suspirou e arrisquei um olhar para ela; suas bochechas estavam coradas e ela não sabia para onde olhar – mas sabia exatamente para onde não olhar.
O espaço entre as minhas pernas – ou talvez fosse o fato de ser eu – era o espaço proibido, e seus olhos se mantinham bem longe. A luz fraca da rua mal podia iluminar o quarto, mas era o suficiente para que eu pudesse vê-la claramente; meus olhos vagaram pelo corpo desnudo, e então, quando parei em seu rosto, vi o quão envergonhada ela estava naquele momento – e eu a amei um pouquinho mais.
E quando finalmente consegui arrebentar o pacote de plástico e desenrolar o preservativo, a mão trêmula de Kate toma a minha. Ergui os olhos para ela e vi o meio sorriso estampado em seu rosto, bem como o rubor mais escuro em suas bochechas; ela tinha alguma coisa em mente, eu sabia.
– Posso?
Demorei algum tempo para entender o que ela queria dizer e, quando o fiz, perdi o compasso da respiração. Com lentidão, entreguei a ela o preservativo, e ela quase o soltou sobre os lençóis – não devia estar acostumada àquele tipo de coisa, e eu ri baixinho quando ela mordeu os lábios e arregalou os olhos ao olhar para entre minhas pernas.
– Eu posso fazer, se…
– Não – ela gaguejou.
Prendi a respiração quando senti suas mãos alisando o meu pênis; fechei os olhos, até decidir que era bem melhor olhar para ela enquanto ela fazia aquilo – porque eu tinha esperado muito tempo até isso acontecer. Reprimi um gemido quando ela terminou, e não me contive quando suas mãos finalmente me soltaram; praticamente pulei sobre ela, atacando seus lábios com fúria, volúpia.
Os braços dela envolveram o meu pescoço, e eu queria estar dentro dela mais do que nunca.
Confesso que talvez eu estivesse mais nervoso do que ela; eu não queria ser uma memória ruim, e aquela noite era sobre ela – e mais nada, mais ninguém. Tudo o que eu queria era mostrar a ela o quanto eu era apaixonado por ela, o quanto queria que ela percebesse que, enquanto ela quisesse, eu estaria lá, ao lado dela, fazendo o que quer que fosse.
– Kate – chamei; os olhos dela focaram nos meus, e vi o tom verde mais escuro do que nunca – Você sabe que isso pode doer, né?!
– Eu li em algum lugar que – ela pausou, roçando seus lábios nos meus – a primeira vez não dói tanto assim quando é com alguém que realmente importa; quando esse alguém faz de tudo para que seja perfeito. Eu acho que vou ter que confiar em você…
– Engraçadinha – sorri, inclinando o corpo para beijá-la.
Senti todos os nervos do meu corpo entrando em combustão no momento em que forcei a entrada dentro dela; suas unhas cravaram na carne das minhas costas, mas aquilo parecia bom demais para ser verdade. Tenho certeza que ela não foi a única a gemer naquele momento, e talvez aquilo pudesse ser uma boa memória, afinal. Olhei para ela antes de começar a movimentar o quadril; os olhos estavam cerrados e os dentes estavam cravados no lábio sensível.
– Tudo bem? – balbuciei, sem ser capaz de pronunciar qualquer outra coisa.
– Tudo – ela grunhiu, abrindo os olhos e lambendo os lábios – Eu só… uau.
Eu não sabia exatamente como entender aquilo, então tentei entender como um elogio ou alguma coisa do tipo. Esperei até que suas unhas não estivessem tão fundas nas minhas costas para que eu pudesse, finalmente, começar a me mover. Mas a sensação de estar dentro dela – de ser o primeiro – era boa demais, e eu não sabia se queria sair.
– Tá tudo bem – ela tocou o meu rosto e beijou o canto da minha boca – Eu tô legal.
– Mesmo?
Ela fez careta e depois riu, então comecei.
Primeiro, ela pareceu surpresa por ter sido invadida daquela forma, mas depois de um tempo, notei que ela não parecia mais estar sentindo tanta dor, então relaxei. Aquilo era maravilhoso, e eu estava quase desesperado por ser o primeiro – que geralmente não era exatamente uma boa lembrança. Mas estava sendo bom, até melhor do que ‘bom’, e eu estava apaixonado por aquela situação – apaixonado por ela, talvez um pouquinho mais.
Toquei sua cintura, e ela abriu os olhos, olhando para mim enquanto tentava não fazer tanto barulho; sorri para ela enquanto inclinava as costas, beijando a pele sensível do pescoço, logo abaixo da orelha. Os braços dela envolveram as minhas costas e suas pernas apertaram os meus quadris um pouco mais, quase prendendo-me dentro dela.
Então ela praticamente gritou.
As unhas pareceram rasgar a pele das minhas costas e eu grunhi; foi ali que eu soube que, sim, aquela ia ser uma boa memória – eu ia ser uma boa memória. Apoiei-me no colchão, nos cotovelos, e toquei o rosto dela, afastando as mechas suadas do rosto ruborizado; e ela parecia ainda mais linda daquele jeito. Talvez eu fosse só mais um bobo apaixonado, mas aquela era uma lembrança que eu teria para sempre.
Pouquíssimo tempo depois, foi a minha vez de praticamente gritar. Meu corpo pareceu ter entrado em combustão enquanto eu pressionava os meus lábios contra a pele salgada do pescoço dela, sentindo suas unhas arranhando a pele sensível do meu pescoço. Eu não me lembrava de já ter me sentido daquela forma; tão… como eu podia colocar aquela sensação em palavras? Parecia impossível – mas eu me sentia mais satisfeito do que jamais havia sentido.
E quando olhei para Kate, havia um enorme sorriso em seu rosto; ela mordeu os lábios e olhou nos meus olhos. As pupilas estavam dilatadas, tomando o verde escuro, e uma gotinha de suor descia pelo espaço que, pouquíssimo tempo antes, meus lábios ocupavam.
– Como foi? – ofeguei, mal sabendo como era capaz de falar; minha garganta parecia estar em chamas, e alguns litros d’água não fariam mal a ninguém.
– Eu compararia com alguém, mas… – ela riu, segurando o meu rosto em suas mãos frias – Foi ótimo, eu acho.
– Obrigado, então – provoquei; ela riu e assentiu – Eu já volto.
***
Quando voltei para o quarto, depois de ter me desfeito do preservativo, encontrei-a adormecida sobre o travesseiro, coberta pela manta lilás amassada. Quase cogitei simplesmente me sentar no chão, encolher-me numa bola humana e olhar para ela até que adormecesse. E eu faria exatamente isso caso ela não tivesse aberto os olhos, olhado para mim e sorrido; mas eu continuaria no mesmo lugar se suas mãos não tivessem exposto o lençol branco debaixo de seu corpo.
Àquele ponto, minha cueca já estava confortavelmente abrigada no meu corpo, e quando me aproximei de Kate, notei que ela também havia dado um jeito em sua nudez – e quase desejei que ela não tivesse feito isso.
Deitei-me ao lado dela e puxei-a para o meu peito, acariciando seus cabelos e aspirando o tão apaixonante perfume de cerejas que seu corpo exalava. Se eu pudesse escolher um cheiro para sentir pelo resto da vida, não teria dúvida alguma: o perfume de Kate seria sempre a minha primeira opção.
– Por favor, pare – murmurei baixinho, beijando o topo de sua cabeça.
– Oi? – ela indagou, sonolenta.
– Pare de se preocupar com tudo – pedi baixinho; ela apoiou o queixo em meu peito e piscou, aturdida – O quê?!
– Como você pode afirmar que eu estava preocupada com alguma coisa se eu nem disse nada? – ela suspirou, inclinando a cabeça levemente ao olhar para mim; os cílios escuros roçaram na pele pálida e eu dei de ombros, sorrindo para ela.
– Você não precisa falar para que eu saiba o que você tá pensando, Flor – sussurrei.
– Cale a boca – ela bocejou, voltando a se ajeitar ao meu lado.
Ela dormiu automaticamente, mas eu ainda demorei algum tempo para conseguir adormecer; aquela situação ainda parecia irreal demais para ser verdade, e eu não sei por quanto tempo desejei que aquilo fosse verdade. Agora que era, eu precisava usufruir de tudo o que aquele momento pudesse me oferecer.
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