Gotten

15 14. "Desça já daí!"


Notas iniciais
Oi, cupcakes! Consegui meu notebook de volta ♥ ou sejaaaaaaa: consegui os esboços dos próximos capítulos! Eu sei que demorei, e eu sei que quase todo mundo tá querendo me matar, mas eu juro que vou tentar atualizar o mais rápido possível antes das minhas aulas começarem (porque ensino médio não é fácil pra ninguém) ♥ Esse capítulo é um dos que eu mais gostei, porque o final é a melhor coisa do mundo lçskdlasç e eu acho que vocês vão gostar também! Staty, obrigada pelo incentivo no comentário de Breathe (o que você corrigiu depois lsaçlk), e acho que esse capítulo é meio dedicado a você, então... JASLÇSK Boa leitura! ♥

Anteriormente, em ‘Gotten’:

Minhas pálpebras pesavam, e tudo o que eu queria era dormir, sentir seus dedos fazendo carinho nos meus cabelos, nas minhas costas, seus lábios roçando na minha pele, nos meus lábios… eu queria adormecer em seus braços, dormir e saber que poderia vê-lo quando acordasse. Não sabia exatamente quando passei a amá-lo, e muito menos quando resolvi admitir isso para mim mesma, mas desde o momento em que o conheci, soube que havia muito mais entre nós do que qualquer um jamais poderia colocar em palavras.

Talvez eu estivesse errada em pensar que Rick era aquele tipo de garoto que eu abominava, e talvez eu estivesse errada em julgá-lo pelo que ele aparentou no início – a única coisa que eu sei, agora, é que ele é a única pessoa que parece me completar. Somos completos opostos, como a lua e o sol, e talvez seja isso o que nos faz extraordinários juntos.

Juntos… ainda é difícil crer que estamos realmente juntos, como um casal de verdade. E, embora não tenhamos admitido para ninguém além de nós mesmos que estamos juntos… é bom saber que ele é meu, que sou dele, que somos um do outro, sem mais ninguém entre nós. É simplesmente… maravilhoso e…

Ouvi o som da maçaneta sendo girada e, antes mesmo que pudesse abrir os olhos, afastar o sono e me situar, ouvi o grito estridente machucando os meus ouvidos e cabeça em ressaca:

– Seus mentirosos!

~?~

Todos nós temos aqueles momentos em nossas vidas quando tudo o que queremos é sermos transformados em pó, desaparecer junto com o vento ou simplesmente termos o superpoder de ficarmos invisíveis quando bem nos convêm. E esse era exatamente o meu momento, quando eu não podia ficar mais envergonhada da minha situação atual, mas tudo o que eu podia fazer era, ridiculamente, tentar esconder o rosto nos cabelos bagunçados ou tentar puxar os lençóis para cima na vã tentativa de que Lanie não me visse.

Mas, óbvio, era meio tarde para isso.

Como se não pudesse piorar, ela tinha nos flagrado no meio caminho de um beijo, e isso devia ter, obviamente, dito a ela o que tínhamos escondido. É claro que, uma hora ou outra teríamos que contar para o mundo que estávamos juntos, mas até lá… bem, até lá nós íamos ter um plano em mente, uma história fofa de como foi que começamos o relacionamento complicado no qual nos encontramos, mas ainda não tínhamos sequer começado a pensar nessa história, e era óbvio tanto para mim quanto para Rick que não contaríamos a história do nariz quebrado de Josh para ninguém.

Seus mentirosos! – ela repetiu, como se nós não tivéssemos ouvido da primeira vez; e repetiu mais uma, e mais uma, e mais uma, e mais uma vez, até que Rick pulou da cama e segurou-a pelos ombros.

– Lanes!

– Vocês mentiram descaradamente, não me venha pedir para que fique calma! – ela gritou; minha cabeça latejou com força e eu gemi, cobrindo a cabeça com o lençol escuro – E você nem pense que vai se livrar das minhas perguntas, Srta. Beckett!

– Lanes! – Rick chamou de novo – Ela está de ressaca…

– Mas eu pensei que ela nã…

– E ela não bebe – ele murmurou com o tom de voz mais baixo – É só que ela ficou muito estressada ontem, e acabou experimentando e bebendo além da conta, então… por favor, eu prometo que responderemos todas às suas perguntas, mas peço que espere até que ela esteja melhor.

Tentei sorrir, mas a minha tentativa frustrada só fez com que minhas bochechas ardessem e minhas têmporas doessem como o inferno. Lanie me olhou com os olhos em chamas, mas lá no fundo, soube que ela estava com pena de mim – não de mim, propriamente dizendo, mas do meu estado atual. E eu sabia que devia estar deplorável, com os olhos vermelhos e com a cara amassada por causa do sono em excesso.

– Eu poderia bater em vocês dois agorinha mesmo porque vocês merecem – ela estreitou os olhos, apontando para mim como se pudesse atirar na minha cabeça agora mesmo – Mas eu sei como é passar por isso e não vou deixar você sozinha.

– Eu não estou sozinha – minha mente lenta demorou a processar o que ela quis dizer; Rick reprimiu a risada e Lanie semicerrou os olhos – Oh, eu acho que entendi o que quis dizer. Tudo bem, eu acho.

Lançando-me um sorriso maldoso, ela subiu na cama e puxou os cobertores para cima de seu corpo pequeno, abraçando-me e acariciando os meus cabelos ensebados. Respirei fundo, sentindo a garganta ardendo como o inferno; meu estômago parecia estar querendo rejeitar tudo o que eu tinha consumido no café da manhã, e tudo o que eu queria era continuar dormindo, perder-me debaixo das cobertas e simplesmente dormir.

Mas, ao que parece, Lanie não conseguiria descansar antes de saber tudo sobre o novo momento da vida de Rick, sobre o nosso chamado “relacionamento”, embora nós dois ainda nem tivéssemos conversado sobre isso.

E, eu juro que, em duas horas, vou estar com os ouvidos sangrando depois de tantas perguntas.

~?~

Justamente quando pensei que não podia piorar, depois de aguentar a sessão de perguntas de Lanie, ainda tive que ser submetida à sessão de palavras estupidamente aborrecidas dos meus pais que, por um milésimo de segundo, me viram entrando em casa com os cabelos bagunçados, as olheiras extremamente escuras e o cheiro de álcool nas roupas. Quis pedir que brigassem comigo depois – por não ter avisado, por ter enchido a cara, por ter chegado em casa tão… ‘tarde’ não me parece a palavra certa, já que é quase meio dia – porque tudo o que eu quero agora é me jogar na minha cama e dormir por um mês inteiro.

– Katherine Houghton Beckett! – mamãe gritou assim que fechei a porta.

Cobri os ouvidos com as mãos, largando a chave no carpete de madeira. Papai esticou o pescoço para olhar-me naquele estado e seus olhos pareceram extremamente pequenos para as órbitas, suas bochechas extremamente coradas na imensidão da pele pálida e, logo, ele se juntou à minha mãe para brigar comigo pela hora que eu estava chegando.

Abanei as mãos, descobrindo os ouvidos por apenas uma fração de segundo; pouco tempo depois, eles entenderam o que a minha reação realmente significava, e foi quando meu pai ficou ainda mais enfurecido. Tomando as rédeas das palavras incrivelmente ofensivas e do tom de voz mais alto, ele se pôs à frente de mamãe, que olhou para mim com os olhos cheios de pena, talvez até concessão.

Eu estava de ressaca, e aquela foi a primeira e única vez que cheguei em casa daquele jeito, naquele estado, àquela hora.

Revirei os olhos, sentindo a até então desconhecida dor atrás da cabeça, o latejar insistente nas têmporas e o gosto horrível de bile impregnado na minha língua, lábios e garganta. Eu só queria dormir, mas, aparentemente, antes de conseguir cair na minha cama como um peso morto, ainda tinha que ouvir as reclamações de papai sobre como eu tinha sido irresponsável.

– Jim – mamãe o interrompeu no meio do sermão – Nós já fomos jovens, já fizemos coisas bem piores do que chegar em casa ao meio dia; e não, eu não estou dizendo que isso é uma atitude certa, que isso possa chegar a se repetir, mas ela não parece nem um pouco bem agora, e talvez tudo o que ela queira seja um banho quente…

Oh, isso parece uma ótima ideia!

–… e cair na cama para dormir – ela completou – Podemos conversar com ela sobre isso depois, quando ela estiver se sentindo disposta para conversar sem que esteja com a cabeça na cama ou no travesseiro.

Papai demorou a concordar com a proposta de mamãe, mas acabou cedendo ao ver o quanto eu precisava da minha cama. Mamãe se aproximou de mim, guiou-me escada acima e sentou em minha cama enquanto eu tirava os sapatos, jogando-os em qualquer lugar do quarto. Quando olhei para ela, um sorriso preocupado estava estampado em seu rosto, e eu sabia o que ela ia perguntar, mesmo que as palavras estivessem presas em sua garganta.

– Não – respondi à pergunta silenciosa que seus olhos faziam.

– Eu não perguntei nada.

– Eu sei – respondi – Você estava não perguntando muito alto; nós não fizemos nada, mãe. O Rick cuidou de mim noite passada, e eu acho que não tenho como retribuir o fato de ele ter limpado o meu vômito e dormido no chão do banheiro só pra se certificar de que eu estava legal.

Os olhos de mamãe pareciam extremamente cansados, foscos, sem o brilho que costumam ter, e eu sei que parte da culpa é minha, afinal, fui eu quem chegou em casa ao meio dia, com os olhos vermelhos e o cheiro de álcool impregnado nas roupas. E eu sei que qualquer coisa poderia ter acontecido comigo caso Rick não tivesse estado lá comigo o tempo todo.

– Eu fiquei com medo – ela confessa, fungando – Fiquei com medo de que algo ruim pudesse ter acontecido com você, Katie.

– Eu estava bem, mamãe – aliviei – Rick ficou comigo o tempo todo, e ele não é como você e papai pensam que ele é… eu sei que é difícil enxergar além do que ele aparenta ser por fora, mas, quando você o conhece como eu o conheço…

– Quando eu puder conhecê-lo como você conhece, então ele é uma pessoa melhor? – posso estar de ressaca, mas eu ainda consegui detectar o tom de sarcasmo na voz de mamãe.

– Rick não é perfeito, e daí? – joguei meu corpo cansado e dolorido no espaço que o corpo de mamãe não ocupava na cama, escondendo a cabeça no travesseiro.

Àquele ponto, já estava irritada.

– Kate…

– Não, mãe! – gritei, sabendo que aquilo só me prejudicaria depois – Não, tudo bem?! Eu sei que ele não é perfeito, mas ele é tudo o que eu quero; é o único que consegue me fazer rir com um simples olhar, entende isso? E eu não achei que eu fosse conseguir isso, mas… e então ele apareceu, mãe.

– Tudo bem, eu não estou julgando nenhum de vocês – mamãe argumentou; depois, resolveu completar: – Apesar de ter sido uma ideia bastante estúpida terem saído sem avisar e…

– Mãe! – protestei, cobrindo os ouvidos.

– Tá legal, tá legal! – ela riu baixinho, aproximando-se para beijar a minha cabeça.

Ouvi os passos arrastados, seguidos pelo baque surdo da porta; mas, subitamente, eu não precisava mais dormir, não estava mais com sono – e tudo o que eu queria era um banho quente e, possivelmente, um pouco de bolo. Eu não sabia se era efeito da ressaca, mas eu sentia que, caso não comesse nada que fosse pelo menos parecido com um bolo, morreria naquele mesmo dia.

Meus olhos pareciam grandes demais para as órbitas, e eu me senti como um bebê; uma pessoinha que precisava de cuidado constante, que ainda estava descobrindo os seus sentidos, brincando com as mãozinhas e pezinhos, sempre rolando os olhos, curiosíssimos sobre qualquer coisa que se mova. E eu sou um bebê nesse momento – eu sou uma pessoa que precisa de cuidados para não acabar no chão, cobrindo os ouvidos porque mesmo o mínimo movimento soa como se fosse um estrondo absurdo.

As pálpebras pesam, e eu esqueço completamente o meu desejo de doce; a necessidade de sono conseguiu superar qualquer coisa – de novo. E eu estou confusa; o que eu quero, na realidade? Por que é que eu decidi beber daquele jeito? Não! – por que é que eu decidi beber, para início de conversa?!

Pensei que conseguiria ficar acordada, vencer o sono e, principalmente, a ressaca; mas talvez eu nunca devesse ter decidido beber – nem que fosse apenas um copo. E, quando dei por mim, já estava no quinto sono.

~?~

Quando eu era pequena, o maior sonho da minha vida era ser acordada de madrugada com pedrinhas, como nos filmes românticos dos anos 70. Mas, por mais que isso tenha continuado dentro de mim – o desejo de, um dia, ter alguém que fizesse algo do tipo por mim –, isso não significava que eu queria isso hoje.

Apesar de ter diminuído consideravelmente, a dor de cabeça ainda estava lá, e eu amaldiçoava quem quer que fosse lá embaixo, se achando engraçadinho demais para jogar pedrinhas na minha janela às… que horas eram mesmo?

Cheguei a cogitar a melhor saída de todas: ignorar. Como aquilo podia “não-funcionar”?

Mas não funcionou.

– Que inferno! – esbravejei; minha visão estava embaçada por causa do sono, e eu odiava quem quer que fosse – Que graça tem nisso?

Tentei espiar pela janela, mas ela – também – estava embaçada; cocei os olhos e bufei, destrancando a janela, ouvindo claramente os sons e ruídos da noite. Enfiei a cabeça do lado de fora, tentando enxergar alguma coisa na escuridão, e a primeira coisa que notei foi a silhueta escura debaixo de mim, com pedrinhas nas mãos e um enorme sorriso – convencido, devo dizer – estampado no rosto.

Ele acenou, largando as pedrinhas. Sacudi a cabeça de um lado para o outro, amaldiçoando-o por um instante; como ele podia estar ali àquela hora? E, mais uma vez, corrigi-me: eu não sabia que horas eram. Como podia saber se estava tarde? Limpei a garganta, pronta para convidá-lo para entrar, mas ele foi mais rápido:

– Acho que os seus pais não estão em casa – ele esticou o pescoço – Não estou vendo nenhuma luz acesa além da do seu quarto.

– Então você se esgueirou até aqui e esperou até que os meus pais saíssem para conseguir entrar escondido? – provoquei – Meu Deus, o que você está tentando fazer? Isso é alguma daquelas missões absurdas daqueles filmes românticos ruins?

– O quê? – ele riu alto; a risada dele fez as borboletas em meu estômago se agitarem, e cheguei a pensar em descer, mas não fiz isso – Vai me convidar para entrar ou não?

– Por que eu deveria?

Rick balançou a cabeça – Eu consigo escalar, você sabia?

– Eu estou de pijama, Rick – confessei – Estou de pijama e estou parecendo um bicho.

– Eu acho que você fica fofa de pijama – ele deu de ombros, começando a procurar alguma coisa na qual se apoiar para começar a escalar; arregalei os olhos – É sério?! Você não vai me deixar entrar?

– Rick…

– Eu só quero ficar com você – ele fez beiço – Por favooooor!

Fingi pensar. Lembrava-me vagamente de ter entreouvido uma conversa entre meus pais, algo sobre uma saída furtiva enquanto eu estava dormindo, sobre uma noite de lembranças ou o que quer que tenha sido dito. Eu sabia que eles estariam fora, provavelmente até amanhã, mas não queria arriscar… mas com Rick lá embaixo, preparando-se para escalar a parede da minha casa…; eu não sabia o que fazer.

Então, bufei. No fundo, eu sabia que, mesmo que tivesse certeza de que aquilo era uma ideia horrivelmente errada, terrível, eu o deixaria entrar. Eu o deixaria entrar, e nós ficaríamos deitados na minha cama até o sol nascer – e eu não duvidava de que isso fosse mesmo acontecer.

– Kate! – ele gritou.

Tornei a enfiar a cabeça pela janela e vi-o a meio caminho da janela; meu coração subiu à garganta e eu cobri a boca com as mãos, arregalando os olhos.

– Desça já daí!

– Não – ele riu – Porque eu sei que você não vai abrir a porta pra mim e…

– Ora, cale a boca! – briguei – É claro que eu vou abrir a porta! Agora, desça já daí!

Notas finais
E esse final, hein? ♥ O que vocês sugerem pro próximo capítulo? Noite de filmes, pizza...? ~e como eu sei que vocês são safados, já até sei o que a maioria vai sugerir dsoçld~ sugestões ♥♥ Divulguem a história! Comentem, favoritem, recomendem, acompanhem e mandem pra grupos/enquetes/fóruns de fanfics dos quais vocês façam parte :) mandem pros coleguinhas também! Ajudem a história a voltar pros eixos hahahah Vejo vocês nos comentários! o