Gotten

11 10. História de Amor


Notas iniciais
Oi, cupcakes! Vou tentar ser breve aqui, até porque roubei um pouquinho do tempo que usaria pra estudar gramática e literatura pra postar esse capítulo! Particularmente, eu posso dizer que me apaixonei perdidamente por ele, principalmente porque ele mostra mais de Jim & Johanna, que alguém tinha me pedido por MP e eu resolvi fazer (desculpa por não lembrar quem foi, mas minha vida anda muito corrida pra detalhes =P) Deve estar menor que os outros, mas isso é por causa do tempo apertado, espero que reconsiderem isso, e prometo que os próximos serão maiores! De qualquer forma, o final do capítulo compensa, eu juro ;) ... e sem mais enrolação... ... Boa leitura!

Bati a porta da frente, atraindo a atenção dos meus pais, que conversavam alegremente sobre códigos penais e civis, rindo de piadas que nunca fizeram e nunca farão sentido para mim, por mais que eles tentem me explicar. Desviei do abraço de papai, subindo as escadas com rapidez, pulando um degrau a cada passo que dava, para que pudesse, finalmente, retomar a minha leitura – de onde, claramente, nunca devia ter saído.

Mamãe chamou por mim várias vezes, mas eu sequer olhei para trás. Não sabia se não queria chorar na frente dela pelos sentimentos confusos e dúvidas mortais ou se só queria ficar sozinha por algum tempo sem ter que me explicar para todo mundo. Eu só queria um tempo para mim, onde ninguém ficasse se metendo com os meus problemas…

E talvez tenha sido por isso que, quando entrei no quarto, bati a porta com força e me joguei sobre a cama, puxando o exemplar ferido de Deslembrança para perto do peito, desejando com todas as minhas forças ser a protagonista do livro. Eu gostaria de ser London por apenas alguns dias, para usufruir de sua maldição de só poder “lembrar” do que ainda está por vir, esquecendo todas as coisas do passado assim que recosta sua cabeça no travesseiro à noite.

Mas por mais que eu quisesse me concentrar na leitura dolorosa, mamãe parecia determinada em não deixar que isso acontecesse. Rapidamente, ela se esgueirou pelo quarto, jogando-se ao meu lado na cama e afagando os meus cabelos como se eu ainda tivesse cinco anos; olhei para ela com as sobrancelhas arqueadas por cima do livro e tudo o que ela fez foi sorrir para mim.

Soltei um grunhido alto – Mãe?

– O que foi?

– Por que você está aqui? – perguntei; só depois percebi o quão grossa posso ter soado – Eu não preciso de uma babá agora.

– Oh, eu sei que não – ela jogou a cabeça sobre o meu travesseiro – Mas isso não significa que não precise de mim de vez em quando, meu amor. Por mais que tudo o que queira seja se enfurnar em seu quarto na companhia de um livro, eu sinto quando precisa de mim, quando precisa de um simples abraço ou um beijo desajeitado na testa. Porque eu sou a sua mãe, e você nunca vai deixar de precisar de mim.

– Mamãe… – eu não me lembro de quando chamei minha mãe de ‘mamãe’ pela última vez e, pela testa franzida, soube que fazia muito, mas muito tempo.

– Eu simplesmente sei – ela fechou o meu livro, colocando-o devidamente alinhado na minha mesinha de cabeceira e, então, abrindo os braços, deixou que eu me acomodasse em seu colo como se ainda fosse uma criança pequena – Então; já sabe que não adianta esconder nada de mim. Agora, o que foi que houve para deixar você tão chateada assim?

Bufei, olhando para ela com a testa franzida; mamãe sabia ler pessoas mais do que qualquer outro indivíduo que eu já tenha conhecido, e talvez seja isso o que a torne uma das melhores advogadas do país. Mas, agora, tudo o que eu quero é que ela seja a minha mãe, deixando de lado todas as análises necessárias para o trabalho que ela tanto adora.

Minha garganta parecia comprimida, quente e dolorida por conta das lágrimas que eu sabia que escorreriam dali a pouquíssimo tempo. Respirei fundo, ainda encarando os olhos castanho-esverdeados de mamãe, sabendo que tinha sido dela que eu puxara a cor exótica e difícil de ser caracterizada; lá dentro, olhando para ela, analisando-a como ela me analisava, pude ver o quão quebrada ela estava por uma série de motivos que, obviamente, não deixaria que nenhum daqueles que a amam vissem.

Mas eu também podia lê-la, e sabia que o que quer que estivesse magoando a minha mãe…; bem, certamente não seria nada, nada bom.

– Então?

– Então? – repeti, ajeitando-me em seu abraço carinhoso – Tantas coisas… é difícil explicar sem que tenha que recapitular a história toda, começando com a nossa mudança para cá, e todas aquelas festas onde não consigo me encaixar e…

– E então tem Rick.

– E então tem Rick – repeti – É como se ele fosse uma constante, ao invés de uma variável; nunca foi assim, e eu não entendo por que tem de ser agora, mamãe. Quando ele está comigo, pareço indestrutível, mas ao mesmo tempo é como se ele fosse a pior pessoa que já pisou na face da Terra! É galinha, mesquinho e quem sabe até um pouco egoísta com todo mundo, mas…

–… nunca é assim com você – mamãe completou; engoli em seco e voltei a esticar o pescoço para olhá-la – Posso contar uma história pra você, querida?

– Pode – mordi o lábio inferior, mudando de posição desajeitadamente em seus braços; de todas as conversas que já tive com mamãe em toda a minha vida, as que eu mais amo são as que ela resolve me contar histórias.

– Quando eu ia começar a faculdade, os meus pais quiseram se mudar também, e nós viajamos de Nova York até o Texas – ela começou; pisquei, fascinada com a semelhança – De início, fiz como você; fiz birra, não quis ir, mas quando cheguei lá, fui apresentada, pelos meus próprios pais, aos filhos dos seus novos colegas de trabalho.

– Eles eram legais?

– Alguns, bem poucos, mas eu descobri que não eram os mais parecidos comigo que faziam o meu tipo, que me faziam sentir bem – ela piscou para mim e meneou com a cabeça para a minha porta, de onde papai nos olhava com um enorme sorriso no rosto – Conheci seu pai num trem, quase à meia noite, enquanto voltava de uma entrevista da faculdade;…

– Eu estava sujo de terra, com uma garrafa de bebida e completamente desnorteado; acredito que estivesse voltando de uma festa… – papai completou, aproximando-se de nós – Quando nós nos vimos, foi como se houvesse aquela repulsa imediata;…

– Mas, ao mesmo tempo, era como se precisássemos estar juntos a todo segundo, a todo momento, e – ela pausou, olhando para papai com aquele olhar apaixonado de sempre – então descobrimos que tínhamos muito mais em comum do que imaginávamos; eu queria me tornar advogada, e ele queria seguir uma carreira mais alta no quesito Direito.

– Nosso relacionamento começou daí – papai terminou, beijando a testa dela demoradamente – E eu descobri que não podia ter escolhido mulher melhor para a minha vida.

– Vocês dois conseguem transformar a história mais clichê na coisa mais bonita – suspirei – Ainda acho surpreendente como ainda se amam como se fossem um casal de adolescentes; a adolescente aqui devia ser eu, não acham?

Papai riu, contornando a minha cama e deitando-se junto com – de acordo com ele – “as mulheres da sua vida”; deixei que os dois passassem os braços ao redor de mim, fazendo o que costumávamos fazer quando eu era bem pequena; não vi o tempo passar enquanto os dois cantarolavam algumas músicas calminhas, brincando com os meus cabelos e, de vez em quando, fazendo piadas estúpidas que faziam com que a minha barriga doesse de tanto rir.

Em algum momento, porém, os celulares dos dois começaram a tocar incessantemente e o nosso momento família foi interrompido; eu amo a paixão que meus pais têm pelo trabalho, mas queria que, pelo menos um dia – um único dia, se não for pedir demais! –, eles não precisassem sair o tempo todo, que não precisassem me deixar sozinha em casa.

– Desculpe, meu amor – papai me deu um beijo estalado na testa, acariciando os meus cabelos – Nós podemos continuar isso depois, não podemos?

– Claro – sorri, baixando os olhos para os meus próprios pés; eu estava parada na porta, vendo-os partir como se aquela fosse, definitivamente, uma separação.

– Nós vamos voltar, Katie – mamãe assegurou, beijando as minhas bochechas e me dando um abraço apertado – O que faremos mais tarde? Maratona de Star Wars ou Senhor dos Anéis? Vou tentar encontrar aquele sorvete com calda de cerejas, tudo bem? Prometo compensar o nosso momento arruinado, amor.

– Tudo bem – suspirei – “O dever vos chama!”

– É… – mamãe sorriu tristemente, ajeitando o casaco no corpo; olhando para papai uma última vez antes de sair, mamãe soprou um beijo para mim e correu para os braços dele.

E eu fiquei lá, olhando-os partir no táxi enviado pela empresa como se aquela fosse a última vez que fôssemos nos ver; como se fosse uma despedida definitiva. Meu coração entalado na garganta podia facilmente me dizer que alguma coisa estava errada, e eu sabia que não conseguiria decifrar o que quer que fosse até que acontecesse, e me odiava por isso; aquela sensação horrível simplesmente não ia embora, e quando estava prestes a fechar a porta, ouvi a voz tão conhecida gritando por mim.

Rick estava parado no meio da rua, segurando o casaco com força contra si como se pudesse voar a qualquer momento; olhei para ele com a testa franzida, controlando-me contra o impulso de fechar a porta e não ouvir o que quer que ele tivesse a dizer.

– Eu sinto muito – ele pediu, ainda falando alto para que eu pudesse escutá-lo – Eu fui um babaca, e eu tenho a ciência disso, mas… por favor, nós podemos conversar, Kate? Por favor, me dê uma chance de me explicar!

– Por que eu deveria? – gritei de volta – Tudo o que você faz é destruir!

– Eu sei! – ele murmura, ao se aproximar de mim – Eu sei, eu sei; e sei também que tudo poderia ter sido diferente se eu só… se eu tivesse simplesmente sido mais corajoso, se conseguisse expressar tudo o que eu sinto, mas eu não consigo. É mais difícil do que parece e… e eu só quero que alguém sinta a minha falta, alguém que tenha medo de me perder.

– Sabe qual é o seu problema? – perguntei, apoiando-me na madeira branca da porta; ele esticou o pescoço, e vi o pomo de adão subindo e descendo com dificuldade – É que você só pensa em sexo, e acaba esquecendo que existem outras coisas além disso!

– Eu sei – ele baixa a cabeça, desviando o olhar de mim – É que… Flor, eu sei que eu sou uma aberração e que, mais cedo ou mais tarde, todo mundo vai acabar me deixando. Eu tenho medo de ser esquecido, e eu não estou bem com isso, eu me sinto como lixo sempre que acordo pela manhã, e tudo o que me fazia continuar era… sim, era o sexo, era saber que alguém se importaria comigo, mesmo que fosse só pelo meu mero toque, mas então você apareceu e… e então tudo mudou.

– Eu não acho que você seja uma pessoa tão horrível assim – arfei; ele riu e deu de ombros.

– Obviamente você ainda não me conhece tão bem assim – ele debochou – Antes de você aparecer, Flor, tudo o que me importava eram as festas, o sexo e as meninas sem conteúdo; então, de repente, você surgiu na minha vida e fez tudo começar a tomar eixo. Eu odeio ser uma decepção pra você, mas é tudo o que eu consigo ser.

– O quê?

– Eu gosto demais de você, Flor – ele suspirou – Eu queria poder abrir o meu corpo e colocar você aqui dentro, porque eu não quero que mais ninguém possa sentir a mesma coisa.

– O quê? – engasguei; ele estava falando sério?!

– O meu ponto é – ele revirou os olhos – Eu estou aqui para consertar o que eu fiz; eu estraguei tudo hoje, quando bati no Josh depois de vê-lo com você, eu sempre estrago tudo, começando pela minha vida, mas… mas é esse o ponto: eu não quero estragar tudo, eu não quero ser visto por você como aquele cara que só sabe fazer besteiras e não se importar com os outros; e isso porque eu não sou assim, Flor. Eu posso mostrar a você que posso ser mais do que isso!

– Rick, eu…

– Quando eu estou com você, eu me sinto uma pessoa melhor – ele fungou; só então percebi as lágrimas que começavam a manchar seu rosto, a formar uma trilha brilhosa nas bochechas bronzeadas – Eu me sinto feliz, me sinto menos… solitário. Menos sozinho do que sempre estive.

– Eu…

– Depois de tudo o que eu passei, não devia acreditar mais na felicidade; eu sei que não, mas você me fez acreditar nela de novo, você me deu um motivo para viver, Flor; foi você quem me fez sorrir todos os dias, só você. – ele, finalmente, ergueu os olhos para olhar para mim – Por favor, eu peço que não me faça viver sem você porque, e agora eu digo pra valer, que estou pateticamente apaixonado por você.

Abri a boca para respondê-lo, mas de repente, o ar faltou-me aos pulmões e a minha cabeça parecia uma imensidão negra, onde nada existia, onde nada se atreveria a entrar, nem mesmo as mais singelas palavras, então eu só fiquei olhando para ele, olhando em seus olhos e, então…

… oh, merda.

Ele calou-me antes que eu pudesse sequer começar a produzir a sentença.

E eu não pude pensar em mais nada porque, de repente, ele estava me beijando.

Notas finais
PRIMEIRAMENTE: o beijoooooo *-* Como muitas pessoas ficaram me pedindo um beijo, uma declaração, momentos família e momentos entre Jim e Johanna, resolvi juntar tudo num capítulo só! O beijo demorou, eu sei, mas finalmente chegou, não é? =) ~já esperando comentários perguntando por que parei nessa parte~ JDSLÇSKL Divulguem! Comentem, favoritem, recomendem, acompanhem e mandem pros grupos/fóruns de fanfic! ~insira aqui o discurso com terror psicólogico~ Então, é isso! =) digam o que gostaram, como posso melhorar e sugiram coisas (reações da Kate ao beijo, talvez?) pro próximo capítulo! =) Vejo vocês nos comentários o/