Gossip Fairy
8 Tanto Quanto Normal?
Notas iniciais

“Spotted! L. entrando na limusine do Dragneel. Cuidado pra não se queimar hein L.”
Apartamento dos Mcgarden – 10:00 PM
A azulada enfiou a mão no pote de pipoca que estava no meio de sua cama e levou o conteúdo a boca, mas não antes de olhar de soslaio para um moreno ao seu lado que ria com o filme que estavam vendo. Era uma comédia, mas ela não se lembrava do nome, não em um momento como esse. Quando foi que ela e Gajeel ficaram próximos assim? Na verdade não ficaram, os dois sempre implicavam um com o outro, mas nesse exato momento parecia até que todas as brigas, provocações e todo o resto, haviam desaparecido.
Ela ainda estava olhando pra ele. Tentando o máximo que podia guardar aquela cena de um Gajeel rindo em sua mente. Aquilo tudo era tão diferente, mas ao mesmo tempo bom. Essa possível amizade que poderia estar nascendo entre duas pessoas tão diferentes. Ela parou de encara-lo e tentou prestar atenção no filme que continuava passando na televisão.
Meia hora se passou e a única coisa que passava na tela plana agora eram os créditos finais. Gajeel respirou fundo e olhou para a pequena ao seu lado, que brincava com uma mecha azulada de seu cabelo, enrolando-a em seus dedos longos e finos.
– Você praticamente não viu o filme, ficou só me encarando. –ele sorriu sem jeito, mostrando aqueles dentes brancos perfeitos que Levy tanto gostava de ver, mas não era só isso que ela gostava.
– O... O que quer dizer com isso? –ela sentiu o sangue migrando para suas bochechas. –É claro que isso é impressão sua... Eu só... –ela ponderou.
– Você só...? –ele se inclinou um pouco para frente tentando olhar nos olhos dela que mantinha a cabeça baixa.
– Eu só não estou acostumada a ouvir você rir. –ela levantou o rosto olhando diretamente naquelas íris vermelho rubro. –Na verdade, eu acho que nunca tinha ouvido você rir. –ela sorriu, satisfeita.
Ele endireitou o corpo e brincou fazendo uma cara de indignação. O que fez a pequena azulada rir e corar.
– Não sabia que eu era tão rabugento assim... Ao contrário de você, que eu sempre vejo rindo com a Bunny e as outras garotas. –ele deu um sorriso de lado.
– Talvez seja eu que vejo graça em tudo. –ela passou a mão pelos cabelos desconcertada com todos aqueles sorrisos.
Gajeel soltou mais um suspiro e olhou no relógio de parede em formato de estrela pendurado na parede em cima da televisão. Constatou que já estava tarde e se levantou, espreguiçando-se. Levy também se levantou, ajeitou o vestido que estava meio amaçado passando a mão pela saia dele. Ela caminhou até o moreno e parou de frente para ele.
– Obrigada por ter vindo aqui... Ajudou bastante. –disse ela.
– Eu que agradeço por ter me aturado esse tempo todo. –ele deu mais um de seus sorrisos que Levy tanto gostava de ver. –Bom, então eu já vou indo.
– Eu te acompanho até o elevador. –ela se adiantou.
Os dois desceram as escadas do apartamento e foram direto para o elevador, que era a porta de entrada e saída dos apartamentos daquele prédio. Gajeel abriu a porta e entrou no elevador, virando-se para a pequena que segurava a porta. Ele fez um aceno com a cabeça e ela deixou com que a porta se fechasse, virando-se para voltar para o seu quarto, mas foi impedida. Uma mão forte segurou o seu pulso e a puxou de volta. Os dois estavam próximo demais.
– Devíamos fazer isso mais vezes. –ele sorriu sincero.
– Isso? O que? –ela perguntou aturdida com a aproximação.
– Isso de ver filme, comer besteira, conversar... –ele desviou o olhar da pequena desconcertado. –Foi bom, eu gostei.
Levy não esperava por isso, sentiu seu estômago dar piruetas. Borboletas pensou ela.
– Ah sim! É claro que podemos fazer isso mais vezes! –ela sorriu totalmente envergonhada. –Foi bem divertido.
– Certo. –ele sorriu. –Até amanhã então... Baixinha.
– Até... Brutamontes. –ela riu.
E finalmente a porta do elevador se fechou, com um Gajeel indo embora com um turbilhão de pensamentos indo e vindo em sua cabeça. E uma Levy com as pernas bambas, ainda parada na frente do elevador. Ela lentamente caminhou até o sofá da sua sala e sentou-se, tentando raciocinar. Sorriu inconscientemente ao pensar nas palavras do moreno.
Desistiu de ficar ali na sala e subiu para o seu quarto, trancou a porta e se jogou na cama, então se lembrou de algo. Ela se arrastou até o lado da cama em que Gajeel ficou quase deitado, e abraçou o travesseiro que serviu de apoio para as suas costas, absorvendo a fragrância forte que ele havia deixado para trás. E assim adormeceu, com um sorriso tímido tomando os seu lábios.
Casa dos Scarlet – 10:45 PM
Erza se enrolou em uma toalha branca que estava pendurada próxima a banheira de mármore e saiu do banheiro, deixando que a fumaça criada pelo banho muito quente invadisse o seu quarto. Era um cômodo muito elegante, paredes inteiramente brancas, uma porta dupla branca em uma das paredes do quarto dava para um imenso closet, havia uma penteadeira repleta de perfumes e cosméticos em frente a sua cama de casal com uma cabeceira toda desenhada em borboletas e ramos de flores. Ela parou na frente da cama ainda enrolada na toalha, e deixando o carpete bege molhado por conta da água que ainda escorria de seus cabelos e pernas.
Ele levantou seus olhos do livro que antes estava lendo, e admirou aquela figura ruiva a sua frente. Ela o encarava com uma cara de poucos amigos.
– O que foi Scarlet? –um sorriso zombeteiro brotou em seus lábios. –Pensando em mim durante o banho? Devia ter me chamado então... Teria sido mais interessante. –ele fechou o livro que tinha em mãos e o colocou na escrivaninha ao lado da cama.
– Estava pensando que não vai ser tão fácil tirar a Minerva do poder que ela conseguiu nesse primeiro semestre que eu fiquei fora. –ela caminhou até a cama e sentou-se ao lado do azulado. –Eu terei que ir destruindo ela aos poucos, o vídeo na Gossip só servirá pra dar um susto nela, nada mais.
– Um susto é o suficiente para ela ver com quem está lidando Erza... –retrucou ele.
– Eu sei, mas... Não acha que está fácil demais? As coisas na minha vida não costumam ser fáceis, eu sempre tenho que fazer escolhas. –ela bufou. –Não gosto disso.
– É difícil manter tudo do jeito que você quer Erza, as coisas nem sempre funcionam assim... –ele a olhou de um jeito que a fez sentir seu corpo aquecer. –Eu também gostaria que pudéssemos fazer tudo do jeito que nós queremos.
– Jellal eu...
Foi interrompida pelo toque de seu celular. Ela se estendeu até a cômoda do lado da cama e pegou o aparelho, e assim que viu o nome no visor soltou um grunhido de desaprovação.
– Sabe muito bem que se não atender ele vai insistir... –ele olhou para o celular nas mãos da ruiva. –É melhor você falar com ele.
– Não quero! –ela estendeu o celular para Jellal. –Arruma uma desculpa. –ordenou com uma voz seca.
Ele franziu o cenho, mas assentiu. Não havia outro jeito mesmo. Pegou o celular das mãos dela e deslizou o dedo pela tela, atendendo a chamada.
– Boa noite irmãozinho! –ele deu um sorriso falso.
– Jellal? Onde está a Erza? Gostaria de falar com ela...
– Ah, me desculpe Siegfried, mas a Erza estava muito cansada por causa de assuntos relacionados ao grêmio estudantil, e então preferiu se deitar mais cedo.
– Oh, sim eu entendo. Mas o que você está fazendo com o celular dela... E provavelmente na casa dela?
– Esqueceu irmãozinho, que eu sou vice-presidente do grêmio, tenho que ajudar a sua namorada com assuntos relacionados a ele, então ela foi dormir e eu fiquei aqui para terminar uns preparativos para o baile que teremos.
– Puxa, me desculpe Jellal, eu... Eu não devia ficar desconfiado de você meu irmão, é que a Erza não anda atendendo minhas ligações entende?
– Ora Sieg, não esquente a cabeça com isso, sabe que quando a Erza se ocupa com essas coisas de bailes e festividades ninguém consegue falar com ela direito. –ele sorriu olhando para a ruiva ao seu lado. –Mas eu o perdoo por desconfiar de seu único irmão.
– Sinto muito mesmo Jellal... Bom, eu preciso desligar, tenho uma reunião para ir agora! Até mais irmão.
– Até... Irmão.
E desligaram.
Erza o fitou com um sorriso nos lábios levemente rosados.
– Você vai para o inferno por ser tão cretino Jellal... –ela riu virando o rosto.
– Eu vou para o inferno? –ele deu uma gargalhada e aproximou-se da ruiva. –Se eu for pra lá Scarlet, você vai junto comigo. –rosnou.
Dito isso ele puxou bruscamente a toalha que cobria o corpo da ruiva, fazendo-a soltar o gritinho. E antes que ela protesta-se ele enterrou seus lábios nos dela, e obviamente que nem o ar-condicionado ligado no máximo seria capaz de amenizar o calor que ambos já sentiam.
Apartamento dos Dragneel – 11:58 PM
Ele a beijava, sedento. Era tanto desejo guardado que o rosado não sabia como estava se aguentando. A língua dele procurava a dela, se entrelaçando em um ritmo nada lento. Sua mão esquerda segurava os fios loiros, enquanto a outra passeava pelo corpo curvilíneo da loira. Separaram-se arfando e querendo mais.
Lucy encarou aqueles olhos cor de ônix, pareciam que estavam entrando em chamas, o corpo dela clamava por ele, e desde que ela leu aquela mensagem dele em seu celular mais cedo ela sabia, tinha certeza que não ia ser só pra jogar conversa fora. Ela o puxou para si novamente, sentindo o gosto doce que a boca dele tinha, enterrou seus dedos nos fios róseos, emaranhando-os. Natsu queria muito mais do que só beijos, por isso tratou de puxá-la mais para si, e se surpreendeu quando a loira o enlaçou pela cintura, fazendo com que seus corpos se encaixassem perfeitamente. Eles eram perfeitos um para o outro, era isso que Lucy tinha certeza, mas ela não sabia se Natsu achava o mesmo, porém não queria pensar nisso agora.
Ela estava sentada em cima da mesa de sinuca, e Natsu enlaçado pelas suas pernas. Então ele parou o beijo para dar atenção a outras partes do corpo da loira, distribuindo beijos e leves mordidas em seu pescoço, ombro, colo. Lucy respirava pesadamente e gemia baixo quando ele dava mordidas de leve em seu pescoço. Aquilo tudo parecia tão irreal para ela.
Natsu estava deslizando uma de suas mãos para dentro da blusa larga da loira, quando foram interrompidos pelo barulho da porta se abrindo. Os dois se sobressaltaram e encararam um ao outro. Ouviram alguém pigarrear e viraram-se, deparando-se com um Gajeel que segurava uma sacola de um restaurante chinês.
– Gajeel... –Natsu disse um pouco nervoso. –Achei que ia voltar só mais tarde.
– Engano seu chicletinho. –ele colocou sobre a mesa a sacola. –Eu já tinha saído da casa da baixinha faz um tempo, mas resolvi dar um volta, e te conhecendo bem... Achei que estaria com fome. –ele abriu um sorriso malicioso direcionado aos dois a sua frente.
– É, me conhece bem, estou morto de fome. –o rosado quase grunhiu.
– Bom, vou deixar os dois a sós, boa noite Natsu... –ele demorou-se olhando para Lucy com um olhar preocupado. –E boa noite pra você também Bunny.
Gajeel virou-se e caminhou rumo ao seu quarto, que seria o antigo quarto de Natsu quando o pai dele, Igneel, ainda morava ali.
Lucy estava incomodada com a situação, parecia que tinham jogado um balde de água fria nela. E fez pensar que não queria fazer nada que passasse de beijos com o Natsu nessa noite, pelo menos hoje não. O rosado estava tirando o pacote de comida chinesa da sacola e começando a se servir.
– Está com fome? –ele perguntou.
– Ah não, obrigada... –ela mexia em sua roupa nervosa. –Er... Natsu, sobre o que quase aconteceu...
– Hm? –ele virou-se pra ela com a boca um pouco cheia. –O que tem?
– Que tal se deixar pra outro dia? –ela disse rapidamente e o encarou.
Ele não esboçou reação, apenas continuou comendo, deixando uma Lucy impaciente esperando por uma resposta em pé no meio de sua sala. Terminou de comer e deu um longo suspiro.
– Por mim tudo bem! –ele sorriu sincero. –Pra falar a verdade, eu estou com bastante sono, vamos dormir então? –ele olhou para ela com um olhar pidão que Lucy nunca havia visto antes.
– Er... Tem certeza? –sorriu torto.
– É claro que eu tenho... –ele chegou mais perto dela e sussurrou em seu ouvido. –Luce.
Ela prendeu a respiração para não cair no chão, ou suspirar. Deixou-se então ser guiada por ele até o seu quarto. E que quarto, pensou ela. Era imenso, com uma cama king size com lençóis em vermelho e preto cobrindo-a, móveis de mogno escuro e uma imensa janela que dava para uma linda vista da cidade. Além disso, também havia um closet que estava aberto, não era tão grande, mas para um homem era até que normal, e o banheiro era de suspirar com tamanha elegância.
Natsu estendeu a ela uma camisa dele, que a cobriu somente até metade das coxas. Lucy já havia se deitado, enquanto isso Natsu estava no banheiro se trocando e fazendo sua higiene antes de deitar. Quando saiu do banheiro a loira prendeu a respiração novamente. Ele estava somente com uma calça de um tecido fino. Céus, pensou Lucy. O rosado sorriu e se deitou ao lado dela, dando a entender que ela vira-se de costas para ele. Ela o fez, então ele se encaixou a ela, passando os braços musculosos pela fina cintura da loira, e deixou-se aspirar a fragrância vinda dos fios loiros espalhados pelo travesseiro. Então Natsu pegou-se pensando em como aquele perfume era muito bom. E adormeceram ambos, cada qual com seus pensamentos.
“Boa noite Upper East Sidder’s, parece que todos estão tendo uma ótima noite! E eu espero que o dia seja igualmente bom!”
Vocês sabem que me amam.
Xoxo Gossip Fairy.
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