Golden Years
24 Uma chance
Notas iniciais
Entre minha lista de atividades de passar o tempo está o tópico Temari. Não exatamente ela e sim a ver caminhando na minha frente enquanto passa os olhos pelas vitrines procurando algo. Isso seria entediante se fosse outra pessoa.
— Anda, Shikamaru! – Ele agarra a minha mão e me puxa para dentro de uma loja.
— Tema, afinal você está procurando o que? – Já faz um bom tempo que estamos passando de loja em loja. Ela me olha descrente, como se já tivesse me informado sobre isso.
— Oras, não é da sua conta! – Hein? Meneio a cabeça positivamente, sendo assim melhor eu ficar quietinho, Temari parece bem irritada. Vejo uma loja de discos de vinil do outro lado da rua e uma figura de cabelo bagunçado ao lado de sua mãe.
— Quem é? – Temari para ao meu lado e questiona a mulher ao lado de Sasuke. Digo que é sua mãe e ela ri. Bom, não é todo dia que vemos cenas como essa.
— Vem, Shikamaru! – E antes que eu fale mais alguma coisa ela me puxa novamente. Isso é um pouco problemático, mas não o suficiente, para que, eu saia correndo. Pois parece que fazer compras como uma garota qualquer está sendo uma tarefa para Sabaku.
Sasuke POVs
Castigo. Tem várias formas, métodos de castigar alguém e o preferido da minha mãe é fazê-la a acompanhar nas compras. E desta vez eu acho que vou ter que agradece-la, pois me livrou de um furacão chamado Karin.
Com aquela obsessão e ataque de ciúmes de sempre, mas que estão cada vez maiores e isso está me esgotando. Não vejo mais graça em ficar com ela, pois não gosto dela. E digamos que tenha algo mais interessante no momento.
— Querido, venha! – Minha mãe me chama e percebo que pela sua feição que não é a primeira vez. Entramos numa joalheria com belas peças um tanto caras.
— Sasuke, vamos conversar. – Minha mãe diz muito próxima fazendo eu deixar um belo par de brincos esmeraldinas de lado.
—Querido, as vezes nós adultos temos que tomar medidas drásticas em relação a um fato. – Ela começa um pouco receosa. Por mais firme que minha mãe seja parece bem abalada agora. Certo que ela mesmo nunca tomou as rédeas, pois meu pai sempre tomou a frente, mas ela sempre o apoiou então dá na mesma. Espero que ela continue com seu monologo, por que eu não tenho nada a manifestar.
— Então eu quero que saiba que tudo o que fizemos foi para o seu bem. – Ela distribuí um sorriso que apenas ela tem, lindo, acolhedor, um sorriso de mãe, o sorriso que sou apaixonado. Pois a mulher número um na vida de um cara sempre será a sua mãe, certo? Não preciso saber que quando ela vem com isso está se referindo a gravidez de Ino e como me obrigou, digo eles me obrigaram a ficar longe dela.
Não sei se foi a melhor coisa, mas no fim ela acabou abortando mesmo. Eu mesmo não acreditei no início, em minha concepção Ino nunca teria feito algo do gênero, mas ouvir da boca da minha mãe foi um ultimato, minha mãe nunca mentiria ainda mais sendo algo muito sério.
— Está bem, mãe. – Ela me abraça e depois se vai quando um vendedor chega para atende-la. Isso é estranho, lembrar de tudo o que aconteceu e comparar com nossa relação no presente. Pertencemos ao meu grupo, posso dizer ao mesmo círculo de amizades e mal trocamos palavras, na verdade não trocamos nem em temas de agora como em temas do passado.
Balanço a cabeça como se isso fosse afastar os pensamentos e a olhar para uma caixinha eles, os pensamentos somem. Dentro está uma bailarina toda dourada em um típico movimento de Ballet. Pego o colar na mão, ele não tem nada parecido com ela.
Diferente do colar e o pingente Sakura não é nada delicada, é estabanada e faz estágio com o diabo no quesito infernizar, mas isso ficaria muito bem nela. Acho que ela iria gostar.
— Mais algum objeto, senhora? – Escuto a solenidade na voz do vendedor culto demais para meu gosto. Mas faz sentido combina com a loja.
— Sim, aquele colar. – Minha mãe aponta para minha mão e logo o colar é retirado da minha mão pelo vendedor delicadamente.
— Vai presentear quem, filho? – Não iria presentear ninguém e não vou. – Espero que não seja a Karin. Esta bailarina simboliza uma das mais belas artes corporais e são destinados, logicamente a bailarinos. Veja.
Minha mãe retira por debaixo da blusa um colar semelhante ao que estava na vitrine e sorri. As vezes esqueço que ela é uma bailarina. E acho que outra está entrando em minha vida, aliás já entrou.
— Dê para sua amiga, aquela que vocês tiveram que ensaiar para uma coreografia do teatro no colégio. – Ei dona Mikoto, quer que eu dê isso para Sakura? Bom, ela não sabe que está amiga é a rosada e muito menos que estou envolvido em um campeonato, enfim ideia de Tsunade não falar a verdade.
— Está dispensado, agora vou torturar seu irmão. – Ela deposita um beijo em minha face e me estende a caixinha preta logo saindo sobre os saltos altos elegantemente. Eu deveria estar feliz por minha liberdade, mas não tenho exatamente nada para fazer. Entro no meu carro e largo o objeto no porta-luvas, até parece que irei dar isso a ela.
Seria uma ótima forma de me desculpar por tê-la chamado de louca, mas é verdade! E eu sei que ela não iria aceitar pelo simples fato de que eu a ofereci. Bom, apenas tirando a prova de fogo para saber.
Escuto batidas na janela no meu carro e logo reconheço a cabelereira ruiva com o rosto vermelho. Ela entra no carro depois de destravar a porta e ela parece bem contente.
— O que houve com seu rosto, Karin? – Pergunto pela marca bem visível enquanto ela mexe no óculos com uma lente trincada.
— Hun, aquela vadia estragou meu óculos! – Diz um pouco exaltada e minha paciência se vai, pois ela não me explica nada.
— Eu estava fazendo minha atividade favorita e uma garota acabou por enfezar comigo e me estapeou. – Ela diz afobada e continua a sorrir.
— E está sorrindo por que? – Ela fica séria imediatamente mudando da água para o vinho. Ela fita um espelho que retirou da bolsa me ignorando. E eu finjo que ela não está ali e começo a dirigir para minha casa.
— Ah! Ino vai me pagar por isso. – Escuto seu murmúrio perfeitamente enquanto ela tenta esconder o vermelhão com maquiagem. Não precisa ser um gênio e como não sou idiota, sei que Karin está mentindo.
— Eu já falei para você deixar a Ino em paz, Karin! – Digo e paro o carro, ela me encara com os olhos levemente arregalados desacreditada no que ouviu.
— Sasuke, quando vai parar de defende-la? Você é um tolo ou o que? – Será que é tão difícil ela entender que não é esta a questão?
— Pare de ser tola, Karin! Eu apenas estou pedindo que a esqueça. – Suspiro resignado, na verdade eu deveria dar um basta de vez nesta ruiva.
— Ora, Sasuke! É uma escolha fácil. – Volto minha total atenção para ela. Lá vem Karin com suas lógicas infundadas.
— Ou sou eu ou ela. Escolhe! Pare de defende-la ou não serei mais sua. – Ela cruza os braços esperando uma resposta. Isso é mais frequente do que eu possa contar, esta atitude de me obrigar a escolher. Paro o carro de vez e lhe dou o meu maior sorriso forçando a fazendo abrir a boca.
— Então desce! – Digo sorridente. Enfim vou me livrar dela de vez, mesmo que ela volte correndo depois irei ter um belo argumento para enxota-la para longe. Ela ri secamente depois de desfazer o semblante surpreso.
— Ora, ora, afinal você é mesmo um idiota, mas eu não sou a idiota que você pensa. – Escuto calmamente enquanto ela solta o cabelo para tentar esconder a marca numa tentativa falha.
— Não é por Ino, não é? E sim pela rosadinha. – Um estalo na minha cabeça avisa que eu deveria ter pensado que ela usaria deste argumento. Tsc, por favor!
— Oh Sasuke! Eu tenho olhos. Eu vejo como olha para ela, como está apaixonadinho por ela. – Ela pega sua bolsa jogada no banco de trás logo quando entrou. E eu não irei retrucar, mesmo sabendo que quem cala consente, não sei o tolo que inventou isso, mas não é verdade, pelo menos não agora.
— Agora vê se não engravida está também! – Karin me obriga a olha-la e seu sorriso vitorioso aparece, bate a porta e sai requebrando o quadril ao andar. Encosto a cabeça no volante, ela sabe como está palavra me impacta. Filha de um bom pai, não vejo lógica em sempre culpar a mãe.
— Vai para inferno, garota. — Deixo um murmúrio escapar sem meu consentimento, afinal Ino me ajudou outra vez, claro sem saber. E eu deveria agradece-la por isso, mas não tenho coragem suficiente para lhe dirigir uma palavra. Talvez eu seja mesmo o inconsequente que Sakura insiste em dizer com aquela duas esmeraldinas no rosto, as que tanto quero ver.
TenTen POVs
Banhar se a luz do sol é uma das minhas atividades favoritas e iria continuar sendo senão fosse a minha fome gigantesca. E só de pensar que vai demorar, para que eu possa comer em minha casa, já dá vontade de desistir.
Eu deveria estar ajudando minha amiga, a única amiga que tinha antes das meninas a plantar margaridas nos vasos de argila, mas acabei dormindo na cadeira posta em uma das estufas de flores do colégio sob a luz solar. É eu estava mesmo precisando de um bronze! Branco feito papel, já basta Neji. Está bem, exagero meu pensar assim!
E só de lembrar daquela criatura fico fora de ar. E quanto mais o tempo passa, mais aumenta uma vontade tosca de vê-lo. Eu acho que sou uma garota de sorte, pois aquilo que ele me disse, naquele momento no mínimo inesperado, o qual eu adorei ainda ressoa na minha cabeça. “Para ter você, me explico para qualquer um.”
Seria uma declaração, uma declaração no estilo Neji de ser? Acho que sim, pois foi isto o que eu disse quando falei que já gostava de um cara aí, mas eu não esperava ser beijada por este cara tão repentinamente. Como todas as vezes e acho que posso me acostumar com isso.
Caminho pelas ruas deserta de Konoha desatenta, pois é impossível se concentrar em qualquer coisa pensando nele, entretanto o deixo de lado a ver Gaara encostado na lataria de seu carro. Ele está tenso, isso é visível devido sua expressão corporal rígida. Procuro por mais alguém e não vejo ninguém e a indecisão de me aproximar ou não me atormenta.
E a cada passo que dou em sua direção consigo ver sua expressão chorosa, mas não faz parte do seu perfil chorar. Na verdade, Gaara parece fortemente abatido por algo.
— Gaara, está tudo bem? – Após me aproximar questiono, já que ele nem mesmo notou minha aproximação. E meio perdido ele me olha profundamente e meu peito queima em mal pressentimento. O que será que houve?
Minha curiosidade apenas permanece no pensamento, pois coragem para questiona-lo não existe. Eu deveria chamar alguém, Temari, Ino ou Neji, mas apenas consigo vê-lo expressar tristeza através dos olhos verdes.
— TenTen, eu a magoei. – Sua voz está ferida e não precisa saber que ele está falando da Ino e sua tristeza me abate. Os dois estavam em um mundo de amor e me pergunto o que causou está magoa.
— Eu já sabia, afinal todos comentam, não é? Mas ouvir dos seus próprios lábios, foi um golpe. – Gaara diz baixo, como se estivesse dizendo aquelas palavras para si. Encosto ao seu lado na lataria e fico a observar, como ele as crianças brincando no parquinho de uma praça qualquer. Eu sei exatamente do que ele está falando, na verdade, sei mais do que deveria.
— E você não vai deixar que isso atrapalhe vocês, não é? – Sei que não sou ninguém para falar isso a Gaara. O mais apropriado seria Neji ou a Sakura, mas é uma obrigação dizer, porque tanto ele quanto Ino não merecem serem assombrados por fatos do passado.
— Você sabe do que eu estou falando, TenTen? – O vento arranca as folhas das copas das árvores e me tira do meu pequeno devaneio, de uma lembrança recente, a qual minha madrasta me contou a situação de Ino após um julgamento impensado da minha parte.
— Claro, como sei que você também sabe que são boatos, não é? – Ele nega com a cabeça e morde o lábio inferior. Gaara parece que vai se desabar em lágrimas e me sinto de mãos atadas, isso não me cabe, ele devia ouvir as verdades da boca dela.
— Eu sei que ela perdeu... – Gaara balbucia e aponta para um carrinho de bebê num quanto da praça, como se pronunciasse o fato fosse pecado. O único pecado são os julgamentos de outros, realmente o inferno são os outros.
— Então você sabe que ela perdeu e não abortou como todos dizem? — Ele meneia positivo e isso me alegra por um instante, mesmo não sabendo de todo o ocorrido. Deveras o que ocorreu foi um aborto espontâneo, mas não sei por que foi gerado. Apenas lembro do alvoroço na minha recente casa, quando o telefone tocou e através dele o pai de Ino suplicou pela ajuda da minha madrasta. E vi meu pai arregalar os olhos quando ela disse que Ino tinha perdido o bebe.
Na época eu nem sabia que eles falavam dela, nem sabia quem era Ino, só fui compreender mais tarde, quando nos corredores da escola ouvi um murmúrio falando que uma garota tinha abortado e quando mais tarde a mesa no almoço fui julgar, apontar o dedo para a menina e sua ação, que descobri a verdade e fui repreendida ferreamente por Rosanna. E então deixei isso para lá, assunto que nunca me coube.
— Então por que você diz a ter magoado? – Nesta altura da conversa eu já me permitia questionar, novamente coisas que não me cabe. Os sentimentos dos outros não cabem a ninguém a não ser eles próprios.
— Eu ouvi ela me dizer cheia de coragem, em uma única frase tudo o que havia acontecido. – Gaara começou relutante e de forma pausada, como se o que estivesse fazendo fosse uma traição. A forma de como ele falava, com receio, cuidado parecia que ele era o centro de toda a questão.
— E fiquei a olha-la, sem conseguir pensar, sem conseguir falar qualquer coisa para conforta-la naquele momento. Eu deveria ter abraçado a e deixa-la molhar a minha camisa com o choro contínuo. Mas não, TenTen eu só consegui ficar olhando e reavaliando tudo aquilo que já tinha ouvido de estranhos invés de acreditar cegamente em suas palavras e em ser consumido pela raiva.
Fico surpresa por ouvir tanto em um curto espaço de tempo e fico em silêncio esperando que ele continue a desabafar com a pessoa menos apropriada para tal função.
—Não por raiva dela e sim raiva de todas estás pessoas que julgam as outras sem conhecer as suas verdades absolutas. Por que como ela, eu sei o que é ter o dedo apontado para sua face, escutar os murmúrios de pessoas que nunca tinha visto apontando um erro, nos fazendo recordar a cada olhar como se eles mesmos nunca tivessem errado.
Gaara termina com suas palavras um pouco exaltadas e fico mais que perdida a ver seus olhos marejados. Ele leva a mão na fronte e depois esfrega os olhos impedindo que qualquer lágrima se forme.
— E eu a deixei a ir para qualquer lugar desta cidade pensando que eu foste mais um para criticar, mais um que foste a abandona-la por não conseguir dizer nada, absolutamente nada! A magoando outra vez como se seu sofrimento já não fosse o bastante. – Gaara para de gesticular e tenta normalizar sua respiração com um longo suspiro. Algumas pessoas nos olham pensando se tratar de uma discussão acalorada por sua exaltação, mas logo desfocam para qualquer coisa. E diferente de Gaara eu não consigo segurar umas lágrimas.
— Por que TenTen, eu pensei que ela soubesse que eu não faria este tipo de coisa, que palavras são uma fonte de mal-entendidos. – Gaara coloca as mãos na cabeça e eu levo as minhas ao peito, ele ama a Ino.
— Então Gaara, mostre a ela que não é como os outros, mostre que a quer independente do ocorrido. Vá para onde ela está agora e segure a sua mão, pois é exatamente isso o que ela precisa, é isso o que ela quer. Pois quando ela está com você, ela é a verdadeira Ino. Diga que ela é a sua garota! E que nunca irá abandona-la. Por mais que seja difícil demostrar, se expor, ela merece, não? Depois de tudo.
Surpreendo por dizer tal palavras em tamanha euforia, como se meu rompante mudasse a sorte no jogo, revertesse o placar, por que nenhum dos dois podem sair perdendo. E a ver o rosto de Gaara desfazer aquela expressão de dor uma esperança boba me toma.
— Gaara, ela estava suportando até agora. Ino já não demonstrava tanto sua dor e pelo o que eu entendi, ela está apenas se importando com o seu julgamento. Não prove a ela que você é um hipócrita qualquer.
Reforço meu embalo na tentativa de tirar Gaara de seu transe, certamente ponderando os pros e os contra. Vamos Gaara, não me decepcione, pois eu quero ver um final feliz para variar. Ele suspira novamente bem mais calmo e me fita resignado, a razão parece ter voltado para seu corpo.
— E onde ela estaria agora? – Meu peito queima e não consigo conter o sorriso. Ele vai mesmo atrás dela! Agora foi a razão que me fugiu. Em sua casa não, nem da Sakura já que ela está trabalhando. Penso e nada me vem na cabeça e por um milagre me recordo de uma das nossas conversas de garota. E uma corrente elétrica perpassa em meu corpo apenas de imaginar a cena. Tem que dar certo! Vejo Gaara me fitar através da janela do carro, mais ansioso do que eu. Como deveria estar.
— Ela me disse uma vez que gostava de ir ao almirante para pensar, talvez ela esteja lá. – Mal termino minha frase e ela é encoberta pelo som do motor. E ele se vai rumo ao Almirante de Konoha e meu coração só falta desmanchar. Dou meus pulinhos de uma eterna apaixonada, de uma eterna romântica sem me importar com olhos de estranhos a me fitar.
O vento faz com que meu cabelo vá contra meu rosto e novamente me faz lembrar de onde estou. O vento forte, os raios solares se despedindo para uma noite amena ou talvez chuvosa e a constatar estes detalhes a única coisa que consigo pensar é no cenário perfeito para pôr fim em um grande mal-entendido.
Por que até possa ser que palavras sejam fontes de mal-entendidos, mas também possa servir para finda-los.
Gaara POVs
Eu nunca fui bom em pensar, sempre fui melhor em agir. E acho que tenho que melhorar na primeira parte, mas devo também melhorar na segunda, pois apenas fiquei a contemplar Ino abrir a porta do carro com os olhos banhados em lágrimas a me deixar.
E isso me doeu mais do que eu pensei que doeria, pois eu soube que aquelas lágrimas não eram por conta dos fatos inalteráveis ou muito menos por conta da provocação da Karin, como as outras lágrimas foram. Eu sabia que aquele choro era por minha causa, somente minha causa, quando apenas fiquei a observa-la perdido em qualquer canto do passado invés de dizer que nada daquilo importava. Que a única coisa que importa é ela, isso é a única coisa.
E pensei que iria chorar, surtar ou morrer quando ouvi o bater da porta do carro e a vi correndo para longe, como se eu fosse mais uma das pessoas que a jugaram. E aquele bater da porta me despedaçou de modo que não consegui reagir, não consegui gritar seu nome, esmurrar o volante ou qualquer coisa que entrasse em minha frente.
E um sentimento de perda me tomou, parecia que aquela felicidade deste último mês tivesse evaporado, como se ela não tivesse passado de mais uma alucinação sob efeito de drogas. E aquele vazio voltou, o mesmo vazio que deixei no ar enquanto ela esperava palavras minhas, qualquer palavra, qualquer posição. Voltou e me deu um soco no estômago que arde. E horas depois percebi que ainda continuava no mesmo lugar, mas agora me sentia um completo idiota por deixa-la pensar que eu não a quero, deixa-la escapar por meus dedos.
E eu pensei: devo ir atrás dela. Contudo pensei novamente: ela deveria estar me odiando agora. Mas então TenTen apareceu e eu não liguei, sabe? Não liguei por ela ver meus sentimentos tão expostos, não liguei pelo nosso vínculo não ser forte o suficiente a ponto de me fazer enxergar o quão idiota eu estava sendo.
Pois eu não tinha motivos e mesmo que os tivesse eu não quero deixa-la. E TenTen me fez enxergar a verdade, da qual eu já sabia. A qual eu ouvi sair dos únicos lábios que eu gosto de beijar. E a ficha caiu de que se não fizesse nada eu iria perdê-la, perdê-la por não conseguir dizer que eu estava ali para ela, como daquela vez no bar.
Eu deveria ter previsto que ela não entenderia meu silêncio, a minha raiva, a repulsa que deixei escapar pelos olhos. De que tudo isso não era para ela, nada era para ela, era e é dos outros. E eu terei que fazê-la enxergar de que ela é a única coisa importante.
De que eu quero servir de alicerce para qualquer coisa que ela tenha que suportar a seguir e fazê-la entender que eu estou perdidamente louco por ela a tal ponto de socar a cara de qualquer que a faça a chorar... que a faça sofrer mais do que já sofreu, como eu fiz a poucas horas.
Constato meu fracasso em não acha-la em qualquer canto desta cidade e uma aflição me toma a ver o sol se pondo no horizonte, como se decretasse o fim da minha chance ao seu recolher. Chance, a única que me deu uma oportunidade sem me julgar, a única coisa que não se preocupou fora ela, foi Ino. E tudo o que quero agora é mais uma chance para consertar todo este mal-entendido.
E passando por uma pequena ponte lembro do que TenTen me disse a olhar para grandes esculturas rochosas e sigo para lá. Não por que eu ache que Ino esteja lá e sim para pensar o que irei fazer de agora em diante. Não vou conseguir suportar sua indiferença, não irei conseguir ver os orbes azuis me fitar com desprezo.
Desço do carro a tempo de conseguir ver o pôr do sol e nem mesmo isso faz meu peito parar de reclamar, em queimar em desconforto. O vento parece zombar da minha cara, da situação e isso me faz retornar para o carro como se ele fosse uma fortaleza e dali fico a observar o final do dia e Konoha logo abaixo tentando a todo custo parar de pensar em você, Ino.
Entretanto meus pensamentos desviam para uma lembrança deste mesmo lugar, onde ela tão linda me deixou beija-la pela primeira vez ver seus receios, sem sentir seu toque, suas carícias como se fossemos dois enamorados.
— É sou um fracassado mesmo. – Encosto a cabeça no volante e um amargo toma minha boca, eu nem mesmo dei conta de ser um homem para você, Ino. Um que você realmente merecesse. Esbarro no rádio o fazendo tocar uma música alegre e novamente volto meus pensamentos a ela. De como ela fica ótima em cima daquele palco, daquele sorriso que apenas ela tem após vencer ou até mesmo aquela piscadela que ela insiste em distribuir para qualquer um fazendo charme e me deixando com ciúmes. E só de pensar que nem tive tempo o suficiente para demostrar, pois passei tempo demais fingindo ser um cubo de gelo do que uma pessoa.
Jogo a cabeça para trás a encostando no banco e quando abro meus olhos sinto algo no meu peito falhar, um nó subir na minha garganta e um choque de alta voltagem passar por meu corpo, quando Ino nota minha presença aqui.
Seus olhos se arregalam a me ver e mal senta no banco de concreto e segue para direção onde veio. Ela já não usa a mesma roupa de antes e agora o cabelo está solto. Ela poderia me avaliar senão fosse a luz solar que impede que me veja, mas isso não importa. O que importa é a minha chance de tê-la novamente e agora de verdade.
Vejo ela parar quando me aproximo o mais rápido possível e agora noto que não chora mais e eu poderia me perder naqueles olhos opacos de uma tristeza tão grande que me machuca.
— Ino, precisamos conversar. – E de tudo o que eu queria te dizer, de demonstrar essa é a única coisa que sai da minha boca. Ela meneia negativamente com a cabeça e este gesto parece mais um tapa em meu rosto.
— Gaara, não precisa falar nada, afinal nunca realmente tivemos algo, apenas...
— Não, eu não se você considera aquilo que tivemos como nada, mas teve. – A corto antes que termine suas justificativas, seus argumentos para fugir outra vez. E vejo a surpresa a toma-la através dos gestos.
— Eu não me importo, não me importo com nada com o que dizem, com o que aconteceu... eu não soube o que dizer, eu nunca sei, Ino! Quando o assunto é você eu nunca sei.
Levo minha mão ao seu rosto, pois não suporto me privar de toca-la de uma distância tão curta, mas vejo a sua me afastar delicadamente, tirando-me da ideia que estás simples palavras resolveriam tudo. A puxo para dentro do carro e ela não manifesta resistência. Se ela soubesse o tanto que sou ruim em me expressar teria compreendido, mas por você não importo em tentar me explicar em mais de quinze dialetos.
— É sério, Gaara? Que não se importa da minha perda e de todos dizer que sou uma bela meretriz? Que na primeira vez a engravidar tirou um bebê? Não se importa? Por que eu me importo, me importo com você, na verdade, me importo tanto com sua rejeição que enlouqueci a vê-la estampada em seus olhos mais cedo.
Um incomodo preenche a ouvir sua declaração exaltada, afinal ela parece comigo neste quesito: não tem muito autocontrole. E eu poderia sorrir ao constatar isso, mas estou preocupado com sua péssima interpretação.
— Você não consegue mesmo ver, não é? Eu nunca iria fazer isso com a garota que estou apaixonado! Você sabe, sabe o tanto que gosto de você, sabe o tanto quanto eu que tudo o que falam são boatos. E droga! Isso é passado.
Acabo por me exaltar na última parte, o passado deveria permanecer em seu devido lugar, ele inibe o presente. E acabo a assustando e aquele silêncio abominável retorna. Por que é tão difícil de falar, de expressar o tanto que gosto de você.
Ainda parece nossa primeira noite juntos
Parece o primeiro beijo
— Me desculpe por fazê-la acreditar que eu seria como os outros, mas eu pensei que você soubesse que é única. – Seu semblante está tomado por dor e vai relaxando ao assimilar o que escutou. Afago seu cabelo e sua rejeição ao ato não aparece. O sol já sumiu no horizonte, agora apenas permanece o silêncio que seria completo se não fosse o locutor da rádio. Levanto a mão para desliga-lo, mas a sua me barra. Ela se aproxima e escora a cabeça em meu ombro. Se soubesse como isso me alivia nunca mais sairia dali.
Está ficando melhor baby
Ninguém pode melhorar isso
Ainda estou aguentando
Você ainda é a número um
— Viu? Até o cara do outro lado do rádio sabe que você é a número um. – A digo após o início de uma música e aquele brilho em seus olhos retornam junto daquele sorriso que apenas ela tem e que gosto de pensar que é apenas meu. A puxo para meu colo após empurrar o banco para trás e fico a observar as pequenas luzes começarem a se aceder debaixo de nós. Como se eu estivesse no céu enquanto Ino avalia cada palavra minha.
A primeira vez que nossos olhos se encontraram
Assim que eu me sinto
Me sinto cada vez mais forte
Eu quero ama-la para sempre
Você ainda acende o fogo
Sentir seu perfume novamente perto é reconfortante, agora o silêncio entre nós não incomoda e os seus dedos a brincarem em meio peito faz outro desejo surgir. E com o máximo de delicadeza que tenho a puxo para um beijo, o beijo mais calmo que já dividi com ela. A sentir assim de forma desesperada, seu corpo eufórico por sentir minhas mãos o percorrerem me estarrece e eu a quero devora-la neste momento.
— Eu sou mesmo única? – Sua respiração descompassada por conta do ato demorado me deixa extasiado com este simples fato. Ela passa sua mão em meus cabelos com delicadeza e para de beijar meu ombro sob a camisa por conta da demora da resposta.
— A única que eu sempre quis. – E a agarro novamente em um beijo mais voluptuoso, mais desesperado. Eu queria dizer que nunca mais a faria chorar, que gostaria de ser o único para ela também.
— E eu não vou deixa-la sair correndo para longe. – Digo de forma entre cortada, pois não posso esperar o termino de declarações para continuar provando do seu sabor, do sabor dos seus lábios.
Então se você estiver se sentindo sozinha
Não, você é a única que eu sempre quis
Só quero continuar a ser
Então se eu te amo um pouco mais do que eu deveria
Escuto seu riso fraco, mas verdadeiro quando ela escuta a mesma frase da qual eu usei na música. Mas é verdade, uma verdade absoluta, ela sempre foi a única que eu quis deste jeito, a única que me importo em não partir o coração. A única que tenho medo de ferir, de errar.
Levanto sua blusa com cautela e ao constatar que não recebo impedimentos levo minha mão até seu seio esquerdo e ao mínimo toque que realizo naquela área escuto seu murmúrio de prazer. Hoje, você irá ser completamente minha.
Por favor perdoe-me, não sei o que faço
Por favor perdoe-me, eu não posso parar de te amar
Não me negue está dor que estou sentindo
Por favor perdoe-me, se eu preciso tanto de você assim
— Gaara, eu quero... – A puxo novamente para um beijo antes que ela termine sua frase, prefiro sentir sua língua a enroscar com a minha, em sentir seus movimentos suaves e logo depois quase bruscos junto daquela pressão eloquente, efervescente de seu corpo prensando o meu.
Por favor acredite em mim
Cada palavra que digo é verdade
Por favor perdoe-me, não posso parar de amar você
Passo a mão pelos ombros desnudos e pálidos os observando agora parecem frágeis demais para minhas mãos, para o peso que teve que suportar sozinha e logo retiro sua blusa e fico em completo deleite em vislumbrar a peça íntima num tom azul profundo, o mesmo azul de seus olhos perdidos em desejo.
Ainda parece nossos melhores momentos juntos
Parece o primeiro toque
Estamos cada vez mais próximos baby
Mas não próximos o bastante
Ainda estou suportando
Você ainda é a número um
Eu me lembro do cheiro de sua pele
Tudo parece ter ido rápido demais, como se nada tivesse passado de um pesadelo de poucas horas. E depois da tempestade chegasse aquela calmaria retornasse, uma calmaria que não me pertence, que não preenche meu peito e que não transpassa em meu sangue que ferve, na minha pele que implora pelo calor da pele alva exposta, da tormenta naquele mar azul onde estou embebido, que fita me arrancando pedaços a cada caricia feita pelas mãos ágeis.
Lembro-me de tudo, lembro-me de todos os seus movimentos
Lembro-me de ti, lembro-me da noite
Você sabe que ainda lembro
As quais sem demora invade minhas calças apenas para constatar algo que ela já sabia, que estou completamente rendido aos seus pés, que estou completamente louco por ela e para tê-la.
Então se você estiver sentindo se sozinha
Não, você é a única que eu sempre quis
Só quero continuar a ser
Então se eu te amo um pouco mais do que eu deveria
Por favor me perdoe, não sei o que faço
Por favor perdoe me, não posso parar de amar você
Não me negue está dor que estou sentindo
Por favor me perdoe, se preciso de você tanto assim
Por favor, acredite em mim
Cada palavra que digo é verdade
Abro o feixe de sua peça azul, mas um misto de receio e vergonha a faz com que ela me impeça de remover a peça. E não a contesto, nunca irei fazer nada que ela não queria, isso é suicídio, ama-la sem sua permissão seria uma violação. E retorno a capturar os lábios róseos levemente inchados por conta de umas investidas um tanto rudes.
Por favor perdoe me, não consigo parar de pensar em você
A única coisa que tenho certeza
E nossa forma de fazer a amora
A uma coisa que dependo para continuarmos fortes
E não consigo conter o arfar quando delicadamente sinto o peso de seu quadril pesar sobre meu membro latejante. Eu irei enlouquecer, irei perder o juízo na sua próxima carícia. E como se fosse praga rogada vejo meio atônito pelo momento ela se livrar da peça superior deixando seus seios em exposição total, exceto pelos longos fios louros que insistem em cobri-los, mesmo que parcialmente.
Com cada palavra, como cada respiração estou rezando
E por isto que estou dizendo
Por favor perdoe me, não sei o que faço
Por favor perdoe-me, eu não posso parar de te amar
Não me negue está dor que estou sentindo
— Tem certeza que quer fazer isso? – Questiono próximo a seu ouvido antes de arrancar minha camisa, a qual eu não sei por que ainda permanece em meu corpo. Ela me olha e fico sem entender o sorriso dançando em seus lábios e seus olhos reluzirem a luz da lua que apontava no céu.
— No momento é a única certeza que tenho. – E agora sou eu que mantenho um sorriso tonto nos lábios, essa de longe está sendo a experiência sexual mais intensa que tive. Com as outras tudo parece objetivo demais, rápido demais, sem importância. Agora com Ino uma vontade de observar cada quanto exposto de seu corpo se faz necessária, eu quero grava-la em minha memória.
Por favor perdoe-me se eu preciso de você tanto assim
Por favor acredite em mim, cada palavra que digo é verdadeira
Por favor perdoe me, se não posso parar de amar você
Nunca me deixe eu não sei o que faria
Se eu não posso parar de te amar
Sim, eu não posso parar de amar você.
Minha mão chega a vacilar em meio a suas pernas, debaixo da saia de tecido leve e uma incerteza me toma, esse momento não deveria ser em um quarto bem arrumado? E isso me faz recuar, pois eu queria que este momento fosse perfeito e Ino parece perceber o meu refrear, o meu duro e doloroso refrear, pois eu queria continuar exatamente fazendo o que eu estava.
— O que foi? – Acabo deixando escapar o meu maior sorriso para ela, um sorriso que diz: eu não acredito que vou me negar a ti. E ela abre um que diz não entender o motivo da pausa.
— Eu só queria que nossa primeira vez não fosse aqui. – Gesticulo a ponto de ela entender que refiro ao meu carro e ela nega com a cabeça rindo da situação. Eu deveria ficar bravo, mas não consigo ela tem efeito anestésico.
— Sabaku no Gaara pensando em detalhes românticos? – Escuto sua gargalhada baixa zombando por me importa com isso, entretanto deixo isto de lado quando retorno a reparar em sua perfeição. Ela está tão leve agora, feliz e me deixando feliz.
E sem pensar invisto em seu seio esquerdo de supetão a fazendo substituir a risada por um baixo gemido reprimido entre os lábios e do modo mais gentil possível volto a acariciar entre as pernas sobre o fino tecido e logo o afastado de lado.
— Isso não é justo. – Escuto sua lamúria ao meu ouvido quando dois de meus dedos violam a barreira do tecido indo a diante e no primeiro movimento mais intenso suas pernas se contraem. Não é justo o que você está fazendo comigo.
Retorno a acariciar com a boca seu seio e procurar sua região mais sensível para proporcionar o máximo de prazer que eu conseguir. Por que eu só me importo com ela. E ao atingir meu objetivo suas mãos apertam e puxam meus cabelos com certa brutalidade, o amolecer de seu corpo ao pender a cabeça sobre meu ombro de respiração descompassada junto do aumento úmido de sua cavidade me faz ter a certeza que ela atingiu seu ápice.
Roubo um beijo supérfluo seu e vejo abrir um sorriso que nunca tinha visto antes, um sorriso malicioso. As maças de seu rosto estão avermelhadas e o suor de nossos corpos faz com que fios de seu cabelo grude em seu rosto de boneca.
E eu poderia perder a noite inteira os retirando delicadamente como faço no momento senão existisse algo latejante numa dor prazerosa entre minhas pernas, quase implorando para ocupar o lugar onde meus dedos estiveram a pouco tempo.
E como se ela passasse a compreender meu silêncio de ora para outra, sem mesmo eu pedir ou desviar meus olhos do seus sinto suas mãos me expondo, extraindo meu membro de dentro das calças e no menor apertar de suas mãos, no menor movimento na vertical bastou para que eu comprimisse os olhos em prazer e por um orgulho tonto meu não deixei nenhum barulho escapar entre dentes. Ela não poderia me enlouquecer com estes mínimos movimentos, poderia?
E sem espaço para resposta a vejo se encaixar após jogar a peça íntima restante no banco do passageiro. E um tanto que fora do ar, perco a noção ao sentir minha parte ser tragada por sua intimidade de forma lenta e tortuosa me limitando apenas jogar a cabeça para trás e suspirar como um garoto em sua primeira vez. Mas a um detalhe: não é minha primeira vez.
Recobro-me do êxtase apenas para vislumbrar o rosto contorcido a começar a se embalar e de forma trêmula a ajudo neste ato aumentando os ritmos dos movimentos. E de todas vezes que imaginei tal cena, nenhuma vez chegou aos pés da real.
Senti sua testa colar na minha, quando jogou o corpo para frente na tentativa de ganhar mais profundidade, como se não fosse o suficiente e logo mais senti um formigamento tomar me por inteiro e não resisti capturar aqueles lábios de forma repentina e larga-los depois para acariciar o vale entre seus seios medianos. Como também foi inevitável apertar suas coxas cobertas parcialmente pelo da saia subida para sua cintura ao atingir meu auge enquanto Ino cravava suas unhas em meu ombro com o corpo mole devido a atingir seu extremo. E eu apenas passei meus braços por suas costas nuas, afagando seu cabelo grande e inalando o cheiro que nós formávamos.
Um cheiro resultante de uma mistura entre eu e ela.
Vi ela se vestir minutos depois com o rosto sereno e tentar se recompor na melhor maneira. Queria que ela continuasse onde ela estava, do modo que estava. E talvez ela não tenha percebido que estou a observa-la meio perdido ainda nas curvas de seu corpo. Para qualquer um se perder, mas apenas se perdem naquele corpo quem ela quisesse e por uma jogada de sorte ou defina de outro modo, eu acabei nela.
Também me arrumei no meio de seu silêncio que deveria me preocupar, mas eu via aquele sorriso tonto, aquele mesmo sorriso que Naruto ostenta quando põe os olhos na Hyuuga, dançando em seus lábios.
E sem pensar a puxei novamente para o lugar onde ela não deveria ter saído, abri a porta do carro deixando uma brisa forte entrar trazendo novos ares. Sua cabeça pendeu na curva de meu pescoço e ali ficou sendo amparada por meus braços, com as pernas delineadas levemente levantadas no banco do lado. E eu deveria ter dito alguma coisa, mas apenas fiquei perdido naquela visão da cidade por um momento e ao retornar fitar seu rosto a encontrei num estado meio inerte, quase a ingressar em um sono.
Claro, quem não está com sono, não é? Mas me segurei no quesito sonolência, apenas para ficar observando ela pegar no sono no calor dos meus braços. D' onde eu não deixarei sair nunca mais.
Sakura POVs
—Quatro, cinco, seis, sete, oito e vira...
Já perdi as contas de quantas vezes ouvi isto. Faço mais três giros e encaro o espelho novamente. A moça que faz par comigo na dança de salão está numa concentração sem fim, na qual eu também deveria estar. Já perdi as contas de quantas vezes pisei em seu pé e das vezes que ela me olhou torto por isso. Mas não me leve a mal é que eu prefiro os ritmos mais quentes.
— Ótimo meninas, enceramos por hoje. – As palminhas da professora Margarete faz com que as duplas se separem e minha parceira corre para longe. Ui! Acho que tem mais gente aumentando a intolerância a minha pessoa.
— Sakura! Aguarde um momento, precisamos conversar. – Sinto um gelo na espinha por isso. As pessoas geralmente não querem conversar comigo e quando querem é para arrancar meu ficado e comer. Olho para a mulher através do espelho, uma das mulheres mais lindas que já vi. Seu cabelo crespo está emoldurado em um belo rabo de cavalo, deixando em sua extensão os fios livres e majestosos formarem uma coroa em sua cabeça. A pele negra fica linda com a cor dos olhos amendoados, naquele sorriso largo que chega a tocar a alma de qualquer um.
Fico esperando aquela amazona no canto da sala enquanto ela indica a posição certa da coluna a uma aluna nova e a perceber aqueles olhos sérios me fitar quase tenho uma síncope. Felizmente não atraso a mensalidade a um bom tempo e isso pode ser descartado como tema da conversa.
— Querida, percebi que perdeu peso. Está se alimentando direitinho, sim? – Uma alivio me toma quando aquele sorriso lindo brota em seus lábios. Os brincos grandes e dourados junto do lenço de cores vivas me faz querer usar todos seus acessórios. Se ela soubesse que ando comendo além da conta não falaria deste modo. Neji empurra comida a goela abaixo estando eu ou não com fome.
— Claro, como sempre. Acho que é impressão, Margarete. – Ela enlaça seu braço no meu e descemos pelas escadas juntas.
— Sabe que nos preocupamos com você, não é? Nossa rainha da dança. – Rimos juntas por ela usar um termo que eu disse na minha primeira aula de dança. Me recordo como se fosse hoje a pergunta feita pela professora, por qual estávamos querendo apreender a arte da dança. E eu respondi que era meu sonho ser uma rainha da dança.
— Mas não é isso o que quero conversar com você. – O sorriso dela some e fico a fitar aqueles lábios grossos um pouco encabulada.
— Sakura, você tem que voltar a se comunicar com seus pais. – Suspiro pelo assunto escolhido e reviro os olhos para Margarete que me olha feio. Sim, ela sabe da minha relação um tanto conflituosa com meus genitores.
— Vou pensar com carinho no seu caso. – Digo fingindo maturidade e aquele riso que apenas ela sabe dar aquece meu coração. Eu amo está mulher.
— Promete? Garota se eu fosse sua mãe iria de dar umas palmadas por ser tão rebelde. – Ela brinca ao vestir seu casaco devido suas roupas de dançarina. E sei apenas rir, pois se você fosse minha mãe eu não teria fugido de casa.
— Mas agora me conta, o que aquele garoto lindo de morrer estava fazendo com você? – É, já estava demorando mesmo alguém perguntar o que ele era. E faço a mesma pergunta o que o Sasuke é?
— Oras, apenas um amigo, nada mais que um...amigo. – Olha admitir que tenho uma relação desta com o Uchiha é difícil. Margarete me joga um olhar dizendo que avisou. Tsc, avisou do que? Que estou apaixonada pelo garoto mau? Isso eu já sei, oras. E como sei!
Despeço-me e sigo a pé para minha casa, minha amada casa, mesmo estando tarde. E como aqui nem todo mundo é Hyuuga e eu não sou então não tenho motorista. E pensando em Hyuuga hoje o dia foi cheio de surpresa, estou exagerando. Mais constatar algo que já estava meio que nas feições foi bacana. Hinata é uma garota de sorte ou azar. Depende-se de que ângulo está olhando e quem está olhando, não é?
— Sakura. – Dou um grito por ouvir meu nome sendo que estou na rua sozinha. Aí meu Deus! Viro para trás e encontro a pessoa que eu menos esperava ver.
— Aí Sasuke, vai assustar a vó! – Digo meio que no embalo, bem que ultimamente não estou importando com o que ele pensa, afinal ele já me chamou de louca uma vez e em alto e bom som.
— Está bem, vamos para a casa da sua. – Como? Acabo rindo pela proposta sem cabimento. Ele coloca as mãos no bolso da calça e eu lhe dou as costas.
— Não vai dar não, ela morreu. – Eu estou sorrindo, pois provavelmente Sasuke deve estar desconcertado pela informação.
— Sendo assim, vamos para casa da minha vó. – Não consigo segurar o riso. O que será que houve para ele estar neste bom humor todo? Na verdade, o que Sasuke está fazendo aqui?
— Está perdido Uchiha? Pelo que eu sabia sua casa fica bem longe daqui. – Me viro e encontro com um pequeno sorriso nos lábios. Ele levanta a sobrancelha e não se importa com o que digo.
— Pois é, eu estava passando por aqui e lembrei de uma pessoa. – Retorno a andar o deixando para trás. Ah, qual é Sasuke? Qual é me fazendo sorrir e te querer mesmo sabendo do otário que você é. E mais perto da sua trupe da escola finge que eu não existo. Pensando bem até que ele agiu decentemente. Afinal eu não queria que ele chutasse todo mundo, incluindo sua namorada linda e corresse para meus braços... como está fazendo agora?
— Ah, é! Espero que a encontre. – Aperto o passo na calçada e ele me segue silencioso e logo caminha a meu lado. É estou mesmo fora de forma! Ele pega meu braço e entrelaça no seu me levando a gargalhar.
— E já encontrei. – Escuto ele dizer calmo. Aí Sasuke, está pensando que vou brincar de namorico com você?
— O que você acha que está fazendo? – Questiono suas atitudes enquanto reparo nas vitrines sem atenção, mas até ver uma joalheria e me faz lembrar de colar lindo de bailarina que vi numa outra loja a tempos. Eu queria tanto este objeto, mas é caríssimo.
— Estou te acompanhando até em casa, não posso? – Sasuke me faz rodar nos calcanhares e começar a caminhar na direção que estávamos e fico sem entender até ver seu carro. Me diz, este povo não sabe caminhar?
— Ah e não tem nada melhor para fazer. – Pela primeira vez nossos olhos se encontram e uma onda de energia eletriza meu coração.
— No momento não detestável. Agora pare de estragar um momento de trégua. – Trégua? Detestável? E uma frase dita por ele me retorna a mente. Irei ser sua detestável! Para rir, não?
— Tsc, detestável é a sua vó. – O digo entre risos e ele abre a porta do carro. Isso é muito errado, não é? Pois eu sei muito bem que está cortesia toda tem segundo interesse e eu poderia julgá-los como suspeitos, entretanto a minha razão anda meio com as pernas tortas e não estou cedendo lhe atenção.
— Pegando minhas manias, Sakura? E ela também é detestável. – Gente trocaram este ser aqui por outro, mas a embalagem continua a mesma. Lindo e prepotente como sempre. E anda exercendo uma grande influência sobre mim. E ele me faz lembrar deste detalhe, não basta estar gostando do sem noção tenho que pegar as manias dele também. Como estalar a língua quando algo não lhe desce.
Entro no carro sem dizer nada ele ri sem motivos aparentes. Vamos Sasuke, estou esperando a parte que você me sacaneia. Aparento estar com tédio enquanto ele procura algo no porta-luvas. Isso é estranho, não estranho ele estar revirando o porta-luvas e sim o fato de uma sensação de bem-estar me tomar quando estou do lado dele. Aí isso é tão errado! Muito errado.
—Toma, é para você. – Sasuke joga uma sacolinha em meu colo e gira a chave do carro fazendo o motor roncar e o carro andar.
— O que é isso aqui? Comida? Se for vou começar a pensar em gostar de você. – Digo de forma relaxada e Sasuke ri novamente. Ele deve estar drogado. Retorno para o objeto retangular que tirei da sacolinha e ao abrir uma euforia louca me toma. E lá estava, na minha mão o colar com uma bailarina.
Pausa, como o Sasuke sabia disto? Pior ele comprou isto na intenção de me presentear? Não está mais com raiva por conta da minha pequena brincadeira?
— Sasuke, o que é isso? – Agora estou preocupada, bastante preocupada. Se isso for uma brincadeira ele está jogando baixo, muito baixo, pois está brincando com meus sentimentos e fingir que também os tem e de forma reciproca é jogar sujo.
— É para você. Antes que você comece a tirar suas conclusões precipitadas eu achei que seria um modo válido de me desculpar por ser rude com você. Eu achei que iria gostar já que gosta tanto de dança.
Sei, Sasuke agora você me surpreendeu e muito. Penso em negar, mas nunca fui boa em negar coisas que quero, como o colar e como Sasuke, afinal para que este negócio de regras de etiqueta e tudo mais, não?
— Sendo assim, está valendo, obrigada! – Digo ainda olhando para o colar, abro a caixinha para guarda-lo, mas Sasuke me impede colocando sua mão sobre a sua.
— Deixa me colocar o colar em você. – Ele para o carro e o fito com desconfiança apenas para provocar, mas deixo o colar em sua mão. Não puxo meu cabelo para frente como em ceninhas românticas de filmes, pois eles são curtos demais para isso então apenas viro de costas. Sinto seus dedos quentes esbarrar em minha pele e logo o pingente pende em meu colo. Deve ter ficado lindo.
— Deixe me ver. – Escuto sua voz e viro no automático sendo surpreendida por um beijo aparentemente calmo. Ele leva a mão entre meus fios um tanto embaraçados e eu apenas consigo aproveitar o momento. Finalmente chegou a parte que ele me sacaneou. Ele morde meu lábio inferior e se afasta para respirar depois de tirar todo o meu fôlego.
— Ah pensei que não iria me provocar hoje, Uchiha. – Abro meu maior sorriso para ele enquanto ele revira os olhos.
— Não te provoquei detestável. E que eu percebi o enorme esforço para não me agarrar e resolvi te ajudar. – Isso é novidade, Sasuke fazendo brincadeiras? E eu estou adorando está sua nova face.
— Ui, vamos chamar a polícia, pois tem um senhor infringindo a lei de excesso de convencimento aqui. – Digo mais séria possível e logo caio na risada por ver seus olhos desviarem do meu e franzir o cenho.
— Precisava de tudo isso para dizer que sou convencido? – Afirmo positivamente enquanto vejo minha casa ao longe. E ao perceber está tal trégua que ele disse confirmo a teoria das suas inconsequências.
— Você não entende mesmo de tréguas, não é? – Ele estaciona e eu pego minha mochila posta no banco de trás. E antes que eu consiga abrir a porta do carro ele retorna a dirigir. O fito descrente que ele está fazendo isso.
— E você não entende nada de consequências, não é? – Digo seriamente afetada por sua decisão de me privar da minha cama. Ele suspira enquanto dirige para qualquer lugar da cidade.
— Estou aprendendo um pouco e resolvi te ensinar um pouco sobre o significado de trégua. – Sua fala sai serena e percebo que ele não está brincando. Talvez não seja tão ruim, afinal a noite está linda.
— Não querendo ser chata não, mas eu não costumo passar meu tempo com caras compromissados. – Observo cada expressão sua, para que, eu possa cair na risada a ver sua irritação, mas ele apenas abre um sorriso provocativo.
— Tsc, então não tem problema. Estou tão sozinho quanto você. – Ué, resolveu tomar comprimidos de sanidade e largar aquela parasita? O observo para tentar captar qualquer sinal de mentira e não vejo nenhum e como se está informação importasse uma alegria explode por dentro.
— Convencido e quem te disse que estou sozinha? – Ele vira o rosto e levanta a sobrancelha numa expressão que diz: é claro que você é sozinha. Como disse um convencido, não que eu tenha alguém, mas enfim ele não precisa saber disto. Ele segue para área leste da cidade, uma parte totalmente residencial e fico sem entender o porquê estamos indo para lá.
— Onde estamos indo, senhor convencimento? – Ele torce o rosto pelo seu novo apelido e eu acho que gosto mais deste do que senhor invasor.
— Vou te mostrar um lugar. –Jogo a cabeça para trás, não foi está minha pergunta. Volto a atenção para meu colar, será que ele sabe o que isso simboliza? O carro para numa rua sem iluminação alguma e quase sem construções.
— Chegamos. – Ele desce do carro me deixando sozinha e o sigo sem pensar. Olho para os lados e quase não o vejo senão fosse pelos faróis ainda acessos. Ele faz sinal para que eu me aproxime e sigo até ele um pouco cautelosa, ele está incrivelmente lindo.
E num movimento brusco ele me suspende no chão e me coloca sobre o capô do carro ficando entre minhas pernas. Oh Sasuke Uchiha quer me matar ou o que? Depois sobe também se deitando sobre o carro da forma mais confortável possível, sendo que suas costas estão encostadas no para-brisa.
E eu o copio ficando ao seu lado desconfortavelmente, pois está atividade de ficar deitada sobre o carro com um cara não é frequente na minha vida.
— Então, você me trouxe até aqui para ficar deitada sobre o carro? – Digo depois de um curto espaço de tempo, não consigo ver suas expressões por conta do breu mais logo escuto o estalar de sua língua me causando risos.
— Garota, olha para o céu. – Paro de tentar ver suas reações para deslumbrar o céu estrelado demais. Mas na verdade é por conta da inexistência de iluminação que o deixa assim visivelmente lotado de estrelas. E me perco tentando contar em completo silêncio os milhares de vagalumes amassados no teto.
— Dizem que é a época de ouro no universo e que daqui a não sei quanto bilhares de anos não haverá estrelas no céu. – Sasuke me informa algo desconhecido e que não parece compor seu perfil em se interessar por coisas deste gênero.
— Preocupante, não sabia que se interessava por isso. – Digo ainda fitando o céu, pois quase é inevitável não olhar.
— Não me interesso, ouvi uma vez em um documentário. – Ah! Bem melhor assim. Um silêncio reconfortante se instala e eu fico perdida nele vagando entre lembranças, em coisas que eu fiz e tenho que fazer, pensando no Sasuke que está no meu lado em uma completa brisa.
— Costumo vir aqui para pensar quando faço alguma burrice. – Ele quebra o silêncio de forma repentina, mas de forma calma me lembrando onde estou e com quem.
— Então você vem bastante aqui, não é? Cinco vezes ao dia ou mais? – O provoco e escuto seu riso efêmero.
— Não, eu venho quando o desastre é muito grande. – Ele aceita a minha brincadeira sem revidar e eu tenho vontade de abraça-lo.
—E qual foi o desastre da vez? – Questiono no embalo e me arrependo pelo seu silêncio consecutivo e volto a olhar o céu.
— O mesmo de sempre. – Ele diz mais para si do que para eu, Sasuke o que está havendo com você hein?
— Calma, você vai acabar ficando adulto e então vai poder ferrar ainda mais com as coisas. – Digo o tirando de seu devaneio.
— Não seria ao contrário? Poder melhorar, consertar as coisas? – Percebo sua aproximação repentina, agora sinto seu ombro encostado no meu. Talvez, mas todos meus exemplos, minhas referências de pessoas adultas não são as melhores.
— Bom, não posso opinar mais sobre isso mesmo já tendo dito meu posicionamento. – Digo baixo pois seu nariz roça no meu timidamente e eu fico sem condições de argumentar em qualquer coisa.
— Isso é trégua, Sakura – Eu queria tanta luz neste momento, pois parece tudo irreal, sinto sua mão tocar meu rosto e minhas pernas fraquejam. Olho novamente para as estrelas e rapidamente ele puxa meu queixo.
— E até quando ela vai durar? – Pergunto antes de sentir seus lábios e como se fosse resposta me perco nele, em suas caricias, em seu calor. Sua mão me puxa para cima de si, como na vez do nosso primeiro beijo. E acabo me atirando no escuro por que entregar meu coração na mão dele é o mesmo que pisar em falso e eu quero saber se eu vou cair ou me equilibrar. Quero me arriscar.
Cesso o beijo, pois uma necessidade idiota de ouvir seu posicionamento me toma. E no fim acabo por abrir um sorriso tonto ao me flagrar em cima do cara que afirmei odiar.
— Até quando você aguentar. – Fico sem entender sua resposta, mas até lembrar de seu comportamento rude e hostil, egocentrista e inconsequente. E acho que não iria aguentar mesmo estando apaixonada por Sasuke.
Eu não queria uma chance com ele, pois eu sabia que colocaria tudo a perder, como eu sei que irei fazer.
— Então é apenas hoje. – Volto a beija-lo, eu não quero pensar, não quero desperdiçar a minha chance, não quero ser sua namorada ou sua garota número um, só quero mais uma trégua. Só mais uma trégua para tê-lo assim. Pois pelo que me parece a inconsequente da história sou eu, inconsequente por querer alguém que não poderei ter mais do que uma noite, mais de que em uma trégua.
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