Going Back In Time Party
10 Café e Ressaca
Blaine levantou-se cedo naquele dia e, como de costume, a primeira coisa que fez foi ajeitar os cabelos com gel em seu clássico e comum penteado. Feito isso, vestiu-se de maneira elegante – como parte de um musical da Broadway, o cuidado com a aparência devia ser constante – e preparou-se para o café da manhã, que não seria tomado em casa naquele dia. Tomou o notebook que andara usando para se comunicar com a produção do musical, o que incluía seu namorado, Dave, e guardou-o em sua bolsa. Deixou o apartamento com ela e saiu para a rua. O lugar em que planejava ir não ficava muito longe, se tudo ainda fosse como era antes em Lima.
O dia estava ensolarado e belo, o que obrigou o jovem a sacar seus óculos escuros e usá-los, como sempre fazia em Nova Iorque. Enquanto caminhava, Blaine percebeu que até o ar de Lima era diferente do da cidade que ele deixara há alguns dias, como se tivesse outra essência. Não só aquela era uma atmosfera diferente, como também uma que trazia nostalgia. Por mais que quisesse estar de volta à Nova Iorque, estar naquele lugar era confortável para Blaine. Se pudesse, ele tinha certeza de que voltaria a passar o resto de sua vida por aqueles lados, por mais que isso fosse ruim para a sua carreira. O que importa é a felicidade no final das contas, ele pensou ao dobrar a esquina.
Balançou a cabeça em negativa, sabendo que tais pensamentos não passavam de uma ilusão causada pela recente volta à cidade natal.
E foi então que se deparou com Rachel Berry à sua frente.
- Isso não pode ser real... – falou antes que pudesse reprimir essa vontade.
- É muito bom te ver também, Blaine! – Rachel declarou com vivacidade. Estava vestida como uma celebridade em um vestido chamativo demais para uma pessoa comum. Como uma atriz da Broadway, Blaine se corrigiu.
- Isso é uma incrível coincidência ou...?
- Claro que é uma coincidência! O que há de anormal em uma pessoa querer caminhar num dia tão bonito quanto esse? – Rachel piscou tanto ao dizer a frase que Blaine teve certeza de que ela estava mentindo, mas nem por isso quis dizer algo a respeito. Deixou que ela continuasse. – Ah, eu me lembro daqueles tempos, de quando deixávamos o McKinley High à tarde e fazíamos esse caminho em direção ao The Lima Bean para um café da tarde descontraído...
- Você não costumava fazer esse caminho com a gente, Rachel. Não com muita frequência. – De certa forma, Blaine estava se divertindo com aquilo.
- Onde está indo, se não se importa em me dizer?
- Estou justamente indo ao The Lima Bean. – Rachel continuou a piscar daquela forma assustadora, um sorriso lindo mas embaraçoso em seus lábios. – Quer me acompanhar?
- Pois eu estava justamente indo para o mesmo lugar! Tem como não acreditar que coincidências existem?
- Claro que não. Bem, então vamos.
- Claro!
Blaine estava pronto para seguir seu caminho na companhia de Rachel quando ela de repente agarrou um de seus braços, ficando assim durante o percurso todo.
~//~
Na noite anterior, enquanto a festa acontecia na casa de Finn, Kurt e Rachel permaneceram no quarto da moça, conversando sobre o que deveriam fazer agora que estavam de volta a Lima. Era impossível ignorar os relacionamentos de antes, por mais que tivessem acontecido há tanto tempo, então, por mais que quisessem estar presentes na festa na casa dos Hummel, acabaram ficando por ali, no silêncio, deitados na mesma cama, fitando o teto enquanto as ideias surgiam. O problema de Kurt em relação a Blaine era exatamente o mesmo que Rachel tinha em relação a Finn, então não tinham como deixar de se ajudar num momento como aquele.
- Se não falarmos com eles antes, é bem provável que só voltemos a nos ver no dia em que a Going Back In Time Party acontecer – Kurt comentou depois de um longo intervalo de silêncio. – Sei que é meio óbvio de observar, mas achei que devesse comentar.
- Mas essa festa está tão longe. – Rachel fez uma careta ao fazer mentalmente as contas para quantos dias faltavam. – Será que conseguiríamos aguentar até ela?
- Tenho certeza que não. Mais hora, menos hora, estaremos na porta de cada um dos nossos homens, ajoelhados e implorando para que nos concedam um pouco de atenção. E então não vamos saber o que dizer quando seus olhares pousarem sobre os nossos. – Kurt fez uma pausa, imaginando a cena. – Será um momento imensamente embaraçoso.
- Não gosto nem de imaginar, mas sei bem que faríamos algo do tipo.
Houve mais um tempo de silêncio – na verdade, a conversa entre os dois, desde quando se encontraram, andara acontecendo daquela forma, com discursos e pausas ponteando o rumo dos assuntos a todo instante.
- Sei que iremos procurá-los em algum momento, mas talvez isso não seja uma coisa tão inteligente da nossa parte – Rachel disse, por fim.
- Por que você acha isso?
- Estragaremos um momento que devia ser importante com atitudes infantis e totalmente atrapalhadas. Se ainda fôssemos adolescentes, isso não seria um problema, mas não é o caso. Deveríamos encarar a situação como os adultos que somos. Você não acha?
- Acho, mas duvido que a gente consiga. Querendo ou não, somos tão infantis quanto tememos ser.
- Alma de artista.
- Pois é.
Havia um grilo na árvore mais próxima da janela do quarto de Rachel, e foi ele quem se responsabilizou pelo único som que se ouviu durante todos os dez minutos de pausa que houve na conversa, enquanto Rachel e Kurt pensavam em soluções para os seus problemas.
- Não vamos conseguir encará-los novamente – Kurt disse.
- Não, não vamos.
- Mas temos que fazer isso de alguma forma, nem que seja por outros meios.
- Não consegui falar com o Finn nem por telefone e duvido muito que conseguiria de outro jeito. Pra você ter uma ideia, sei que não conseguiria nem escrever uma carta se o destinatário fosse ele.
Kurt não disse nada durante alguns segundos, mas, quando disse, sua voz soou com empolgação:
- Não precisamos vê-los realmente!
- E o nosso problema continua sem solução.
- Não! Quando o Finn ligou, você não conseguiu falar com ele, mas eu consegui! Talvez a solução seja que eu e você falemos com o par do outro, e não com os nossos respectivos pares.
- Claro! Isso faz todo sentido! Entendemos tão bem o nosso problema que seríamos capazes de expressar com precisão tudo o que o outro sente caso tivéssemos que conversar com o homem alheio! Kurt, você é um gênio!
- Foi você quem me deu a ideia – ele disse e ergueu um punho fechado com apenas o dedo mindinho erguido.
- Ótima ideia! Faremos isso ainda amanhã! – Rachel concordou e agarrou o dedinho do amigo com o próprio dedinho.
Os dois se encararam sorridentes, mas então o sorriso de Rachel desapareceu.
- O que foi? – Kurt logo perguntou.
- Ainda temos um problema. Você sabe como encontrar Finn, pois moram na mesma casa, mas como eu encontraria o Blaine?
- Essa é fácil. Ele está em Lima e, enquanto namorávamos, ele sempre tinha o costume de ir ao The Lima Bean pela manhã em seus dias de folga. Se você passar pela esquina em que ele fica no horário exato que eu te passar, tenho certeza de que vai encontrar o Blaine.
- Parece arriscado.
- Não é. Nosso plano vai dar certo Rachel.
Os dois apertaram seus dedinhos um no outro e então abaixaram o punho sobre a cama, mais uma vez satisfeitos.
~//~
Brittany interrompeu sua caminhada assim que encontrou Santana em seu caminho. Com um braço em torno do corpo da garota, ela ajudou-a a caminhar até sua casa – Brittany não se lembrava de onde ficava a residência de Santana. Tinha pouca noção dos perigos pelos quais passaria se sua mãe ou seu pai estivessem em casa naquele momento, mas mesmo assim se sentiu aliviada quando percebeu que nenhum dos dois estava. Passou pela porta da frente, adentrando a sala, e bateu-a com um chute, esperando que ninguém mais tivesse visto ou ouvido aquilo.
- Lucia, eu estou bem, não precisa cuidar de mim, a menos que... – Santana começou a dizer, mas então esqueceu o que ia falar.
- Vamos tomar um banho? – Brittany disse como se estivesse se dirigindo ao Lord Tubbington.
Santana não concordou ou discordou, então Brittany a levou para o banheiro e deixou que se molhasse em seu chuveiro de água gelada.
- Nunca mais bebo – Santana declarou novamente. – Se for para sentir isso de novo, largo a bebida nesse momento...
Brittany apenas assistiu-a enquanto levava as mãos aos cabelos molhados, retirando-os com dificuldade da frente do rosto.
- Por que você está aqui? – Santana perguntou de repente.
- Bem, essa é a casa dos meus pais, eu morava aqui, Santana. Não se lembra?
- Isso nunca aconteceu – ela afirmou com uma careta de esgar. – Você nunca morou aqui. Essa casa pertence à outra pessoa, não a você.
Brittany franziu o cenho, quase acreditando no que estava ouvindo, mas, como estava confusa demais para entender tudo, não deixou de perguntar:
- E quem é que morava aqui, então?
Santana girou os olhos na direção de Brittany e, movendo seus lábios carnudos e sexies, pronunciou as palavras:
- Brittany S. Pierce morava aqui, o meu primeiro e mais verdadeiro amor da minha vida.
Brittany arregalou os olhos, primeiro espantada por ter ouvido aquilo e depois mais uma vez confusa, não sabendo o que a amiga queria dizer.
- Oh, eu não devia estar falando disso pra você, Lucia! – Santana esbravejou enquanto tentava se retirar de debaixo do chuveiro.
Foi então que Brittany entendeu por que ela a estava chamando de Lucia, e tal constatação foi mais dolorosa do que ela jamais pensou que seria.
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