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Will olhou ao seu redor. Estava em um corredor branco, parecia um hospital, ou uma prisão-hospital. Ouviu as batidas na porta que acabara de fechar. Ela não agüentaria muito tempo. Olhou ao redor, rápido. Precisava se esconder. Mas... aonde? Havia várias portas ali, como vários quartos. E cada porta tinha uma placa. Will olhou para aquela que acabara de fechar, e pode ler seu nome na pequena placa dourada. Olhou para a porta diante da sua. Sabia que não devia, mas queria. E iria.

Abriu a porta aonde lia-se “Emma” e entrou. Não acreditava no que via, porém. Espera de Emma um sonho mais... limpo, paranóico, repleto de TOCs e com Arian Monk como namorado perfeito ou algo do tipo. Mas ao contrário. Estava num bar sujo, lotado. Um cheiro no ar que ele não sabia o que era, mas não era bom. Várias pessoas usando roupas pretas, de couro. Um solo de guitarra invadiu seus ouvidos momentos antes de uma voz feminina já conhecida começar a cantar.


Let me hear you scream like you want it!

Quero ouvir você gritar como se quisesse!
Let me hear you yell like you mean it!
Quero ouvir você gritar com vontade!

If you gotta, go down! go loud! go strong! go proud! go on!
Se você precisa, abaixe-se! Faça barulho! Seja forte! Tenha orgulho! Vá em frente!

Go hard or go home!

Jogue duro ou vá pra casa!

Will não acreditava em seus olhos. Emma estava num palco, vestida com botas pretas, uma calça de couro preta e uma jaqueta de couro. Seus cabelos estavam bagunçados, e o mais impressionante: alguém na platéia atirou-lhe um morcego e ela arrancou sua cabeça com os dentes.Essa era a mesma Emma que tirava as cascas dos pães? Ela sabia que morcegos transmitiam raiva?De repente Emma deu um grito, jogou tudo para o alto e se atirou nos braços da platéia. Era a chance de Will. À medida que a ruiva ia se aproximando dele, Will questionava-se se era uma boa idéia. Bem, era a única idéia. Quando Emma passava bem em cima dele, Will segurou seu tornozelo e puxou-a para baixo, fazendo-a ir de encontro ao chão.

“Ai!” exclamou Emma “Porra, isso doeu.”

Esse foi o segundo choque. Emma xingando? Não era possível, ele estava com a Emma errada.

Não vai dizer nada? Eu tenho que voltar para meu show!” A ruiva estava impaciente.

“Emma!” Will começou “Emma é uma longa história mas a gente tem que sair daqui agora!” Will segurou-a pelo braço e sai correndo, puxando-a para fora dali.

“Ai, me larga seu careta! Os anos setenta ligaram, eles querem a roupa deles de volta! E o que há de errado com o seu cabelo?”. Emma não calava a boca. Isso era assustador, mas a Emma adormecida era mais irritante que a Sue!

Will puxou-a até uma porta que parecia ser o banheiro feminino. Antes de fechar a tal porta, porém, ouviu a porta do bar ser arrombada, e num olhar rápido, tanto ele quanto a ruiva viram a imagem bizarra de Freddy olhando para eles. Emma deu um grito de pânico, Will puxou-a para dentro do banheiro feminino e trancou a porta. Essa não suportaria nem por dois minutos. E eles estavam novamente na escola.

“Ai meu Deus, o que era aquilo?” Emma estava apavorada.

“Aquilo era um velho amigo.” Will suspirou, olhando ao redor em busca de um lugar para se esconder. “Vem, por aqui.” Puxou-a pelo braço na direção da sala do coral.

“Não, espera, pára! Pra onde estamos indo?” A ruiva puxou seu braço da mão de Will.

“Para a sala do coral, nos escondermos.” Will balançou a cabeça.

“Uau, boa idéia, Hermione! Que tal ficar petrificada enquanto eu e o Harry matamos o Voldemort?” Ironizou a ruiva.

Will encarou-a, surpreso.

“Você tem uma idéia melhor, Ozzy?” Will perdeu a paciência.

“Na verdade tenho.” Emma sorriu. “Vem comigo.”

Emma começou a correr em direção à sua sala. Logo que chegou mandou Will entrar.

“Sério? Essa é a idéia brilhante? Uma sala com vista pro corredor?” Will levantou a sobrancelha

“Cala a boca e entra!” Emma rolou os olhos. Correu para trás de sua mesa e pegou um livro em sua estante. A estante se abriu como uma porta revelando uma passagem oculta. Will encarava abismado.

“Ai está.” Emma sorriu “A minha Camara Secreta.”

Entraram e fecharam a porta. Estavam numa espécie de caverna.

“Tá legal, agora me diz quem é ele.” Emma o encarou “E por que estamos nos escondendo.”
Will respirou fundo.

“Estamos dormindo.” Cuspiu.

“Eu sei que estamos dormindo!” Emma rolou os olhos “Você acha mesmo que eu arrancaria a cabeça de um morcego acordada? Esses bichos transmitem raiva! O que eu quero saber é: o que você está fazendo no meu sonho?”

“Eu estava no meu sonho. Ai... Ele apareceu. Eu fugi dele e fui parar nessa enorme caldeira, e ai eu sai por uma porta e fui parar num corredor e agora estou aqui.” Will respirou. Não estava contando tudo, mas achava que Emma não precisava saber de tudo.

Estavam em silencio, digerindo tanta informação, quando a porta da “Bat-Caverna” se abriu e por ela entrou a figura sinistra de Freddy Krueger. Num grito, Emma puxou Will pela mão até um grande poço, e como que não houvesse outra saída, o empurrou, pulando em seguida. A sensação de queda normalmente os faria acordar, esse era o plano. Mas dessa vez, eles apenas caíram.

“Por que não acordamos?” Gritou Emma, encarando o professor de espanhol

“Eu esqueci de comentar” Will gritou em resposta “Quando Freddy está no sonho não é qualquer coisa que nos acorda. E se morrermos no sonho, nós morremos de verdade.”

Emma encarou Will em pânico com essa revelação.

“Eu espero que a pancada não seja feia!” Will forçou um sorriso

“Não tem pancada!” Emma respondeu em desespero “Eu fiz desse um poço sem fundo, no qual eu podia pular quando quisesse acordar.”

O coração de Will gelou.

Notas finais
Continua no próximo capitulo.