Glee-21-Faberry

4 Turning Tables part 1


Notas iniciais
Adiantei o dever de casa essa semana! Hoje em especial eu vou postar mais cedo, porque quarta foi aniversário da Lea( feliz 26 aninhos) e porque eu bati o meu recordes de comentários, aos quais eu já agradeço muito a vocês *-* Essa música é uma das minhas preferidas da Adele. Sem mais delongas. Boa leitura.

“Close enough to start a war, all that I have is on the floor, God only knows what we're fighting for, all that I say, you always say more.”

O campo de futebol parecia uma piscina de lama e gritos. Sue estava com os ânimos renovados, o que significava basicamente que a mulher berrava com ainda mais substância em seu fiel mega-fone.

_ TODOS EM FORMAÇÃO!

Fileiras de líderes de torcida formaram um paredão de estátuas. Ninguém ousava respirar fora do lugar, pois provavelmente ganhariam uma infecção auditiva se o fizessem.

A mulher abaixou o mega-fone e estreitou os olhos. Um mau sinal.

_ Alguns de vocês devem se achar espertos o bastante para me subestimar e tentar me passar a perna!_ andou com as mãos descansando nas costas._ Berry, Fabray e Lopez um passo a frente!

As meninas obedeceram. Quinn manteve uma boa distância de Rachel porque sua ânsia de vômito crescia todas as vezes que chegava perto dela.

_ A quem pertence este fio de cabelo?

Sue apontou uma linha negra brilhosa na direção das meninas. Não houve resposta.

_ Acho que fui bem clara quando lhe ordenei que mandasse a Berry colar os cartazes na escola, Fabray!

A loira engoliu em seco. Seu cérebro protestou tentando formular uma saída.

_ Mas foi ela quem colou os cartazes, treinadora!_ manteve a voz firme o máximo possível.

Um dedo foi apontado na direção de Rachel, que andou até ficar ao lado de Quinn sob as ordens da treinadora.

_ Façam um “embasamento de dois”.

O quê? Isso só pode ser brincadeira!

Quinn torceu o nariz, visivelmente incomodada. O “embasamento de dois” era uma técnica simples que exigia duas pessoas formando um alicerce que ajudava a sustentar a pirâmide principal caso ocorresse algum desequilíbrio.

O único problema era ter que estabelecer contato físico com uma assassina covarde como Rachel Berry.

Um castigo indigno.

_ Quem vai ser a base?_ perguntou Santana Lopez, se divertindo com o desenrolar da cena.

A treinadora pensou por dois segundos e tomou sua decisão.

_ Você decide, Lopez!

Menos mal, óbvio que ela vai colocar a Berry na base!

_ Eu escolho a Quinn!

O QUÊ? Latina sem vergonha! Traíra dos infernos!

Santana riu para a carranca de incredulidade e raiva da loira. Apontou seus nove dedos enfaixados por ter se machucado ao grampear todos os cartazes que Quinn havia ordenado e sorriu satisfeita.

Doce vingança.

Há muito contragosto a menina abaixou e firmou as pontas dos pés no chão para fortalecer os joelhos que serviriam de base. Rachel ficou de frente para ela, apoiou os as mãos em seus ombros, os pés em seus joelhos e deu um impulso.

Elas ficaram naquela posição se encarando sem trocar uma palavra. Os minutos viraram horas.

_ Muito bem!_ proclamou a ditadora._ Vou refazer a pergunta, de quem é esse fio de cabelo que eu encontrei grudado no cartaz?

Rachel não respondeu. Quinn não podia responder, porque bem... ela estava realmente muito ocupada no momento.

Mas dessa vez a resposta foi proferida. Ao estilo Latino.

_ É meu, treinadora!

Quinn era a incredulidade em pessoa. Santana maneou os ombros, porque sabia que o jogo estava perdido tanto para a loira quanto para Rachel, mas ela ainda poderia se salvar.

Porque tudo não passava de um teste.

Uma defesa a “traíra”:

Sue já sabia a quem pertencia o cabelo. Pretendia expulsar as 3 do time pela ousadia de tentar lhe enganar. Mas precisava de uma capitã ardilosa que fosse valente para contrariá-la e ao mesmo tempo pudesse confiar e teve uma ideia genial para a seleção.

Santana foi a única que percebeu.

Quem falasse a verdade, mesmo tendo a desobedecido, ganharia sua total confiança e o direito de ser capitã.

_ Parabéns, Lopez!_ deu-lhe palmadas nos ombros._ Você é a nova capitã!

A Latina deu aquele sorriso intenso e diabolicamente satisfeito em resposta.

_ Fabray e Berry!_ estendeu o mega-fone em direção ao ouvido delas._ FORA DO MEU CAMPO!

Rachel pulou para o lado, revirou os olhos e saiu em direção ao vestiário. Quinn ficou paralisada no gramado, sua cabeça parecia um vulcão que acabara de acordar de um sono de mil anos.

Isso só pode ser um pesadelo, é só acordar e tudo vai voltar ao normal!

Como ela estava enganada.

__________x___________

Depois de ensurdecer metade do pelotão, Sue chamou Santana na lateral do campo assim que o treino terminou.

_ Agora está na hora do seu castigo, Lopez!

O quê?

_ Mas treinadora, eu entreguei elas!

_ Sim!_ deu um sorriso amarelo._ Mas mesmo assim, você foi cúmplice na desobediência delas.

A latina ficou roxa de raiva. Um pressentimento ruim agitou seus nervos. Com razão.

_ Dê cem voltas em torno do campo, batendo palmas e cantando o nosso hino de guerra! Sem derramar uma gota de suor!

Eu me recuso a fazer isso! A resposta é não!

_ Ou você prefere perder o título e se juntar aos perdedores?

Santana juntos as palmas e bateu uma carreira no gramado, cantando envergonhada.

_ “ Sue é a melhor, Will é um cagão. Sue vai detonar o gay clube do bundão!”

O hino mais humilhante e tosco de toda a face da terra. Ela só desejava que alguma alma tivesse piedade da sua e lhe cavasse uma sepultura onde pudesse se jogar.

_________x__________

Molly Morland estava com o humor revirado, como de costume, enquanto citava Shakespeare para a turma de bocejos e olheiras roxas.

Merda!

Quinn mantinha as mãos na testa formando um suporte pouco eficaz. Sua cabeça queria matá-la, a dor estava pior do que nunca. Uma pontada de hora sacudia sua mente e o sangue fervia em suas veias.

Eu te odeio, Berry!

Observava pelo canto dos olhos em chama, uma morena relaxada, com as pernas nuas jogadas em cima da mesa, lendo um livro que nada tinha haver com a aula. Sem expressão, sem coração. Um monstro.

“O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que tem medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.”

A senhora Morland continuava a tagarelar, mas Quinn não conseguia lhe dar atenção. Ouviu por alto alguma coisa sobre o tempo, o que fez com que sua raiva ganhasse mais alguns metros de altura.

O tempo.

Se fosse uma pessoa, certamente não estaria mais vivo. Quinn queria matá-lo ou arrumar uma maneira de apressá-lo. Maldito seja o tempo em que tinha que esperar para cumprir com sua missão de livrar o mundo daquela escoria.

_ Senhorita, Fabray!_ sua atenção foi chamada assim como a de todos os alunos, até os que estavam dormindo._ Estou vendo que contemplar as pernas da senhorita Berry parece um passatempo melhor do que a minha aula!

Quinn passou de seu estado de palidez normal para o rubro descomunal.

Puta que pariu! Essa mulher só pode estar zoando com a minha cara!

Rachel levantou os olhos do livro e a olhou com as sombrancelhas no ar. Toda a turma a encarava agora.

_ Eu não estava..._ tentou em vão armar uma defesa.

_ Silêncio!_ bradou a voz cortante da professora._ Não quero saber o que se passa na sua mente pervertida! Mas se minha aula está tão ruim a Detenção talvez lhe dê algum ânimo.

Quinn juntou seu material e saiu trotando por entre as fileiras para fora do recinto.

_ Senhorita, Berry!_ a mulher apontou para a porta da sala._ Acompanhe-a, por favor!

Os olhos chocolate não compreenderam a sentença. Porque ela também tinha que ser castigada?

_ Eu não fiz nada!

_ Rachel!_ caminhou até a carteira da menina e retirou os óculos lhe oferecendo um olhar acolhedor._ Eu tenho um apresso muito grande por você, mas essas “calcinhas jeans” que você chama de short foram a causa da confusão!_ apontou para a roupa da dela._ E eu preciso ser justa na hora de me explicar para o conselho de professores.

A pequena deu de ombros. Jogou a mochila nas costas e seguiu entediada para sua “punição.”

________x_________

A sala da “ Detenção” ficava sob a vigilância do zelador da escola. Hoje, em particular, só estava preenchida por ele e mais duas meninas. O homem olhou para o relógio entediado e decidiu que estava na hora de tomar o quinquagésimo café do dia.

_ Vou sair por alguns minutos._ avisou as duas._ E quero tudo no lugar quando eu voltar!

Saiu de cena. Deixando fogo e fogo frente a frente. Sozinhas.

Uma pergunta capciosa:

Vocês acham mesmo que ele vai ser atendido?

Quinn não parava de massagear as têmporas. Mal conseguia discernir os sons ao redor tamanha era a sua dor. Rachel permanecia absorta em seu livro, não lhe dando atenção alguma.

_ Isso é tudo culpa sua!_ rosnou a loira.

A pequena levantou os olhos milimetricamente para se certificar de que tinha ouvido direito. Já estava cansada de confusão, mas não ia ficar quieta sendo injustiçada por sua rival.

_ Perdão, mas não era eu que estava secando as minhas pernas!_ rebateu a altura.

_ Eu não estava secando nada!

As mãos pálidas travaram e colidiram de encontro a mesa, lascando a madeira.

_ Eu vi._ debochou a pequena._ Claro que você não estava olhando para mim, a professora e todos os outros alunos devem ser dementes e não você.

Uma faca atravessou a cabeça de Quinn. Seu autocontrole diminuía de tamanho a medida que sua raiva crescia. Rachel estava brincando com fogo numa hora muito inoportuna.

_ Não me provoque, Berry!_ alertou, apertando os olhos irados.

_ O que eu provoco em você, Fabray?

Resolveu testar a paciência da inimiga um pouco mais. Uma espécie de batalha emocional.

_ Raiva, nojo, ira, ódio...pode escolher._ um rosnado entre dentes caiu dos lábios rosados.

A judia deu uma risada cética.

_ Não._ provocou um pouco mais._ Eu acho que é outra coisa.

Rachel sorriu satisfeita ao ver o semblante de fúria no rosto a sua frente. Ponto para ela.

Uma colisão inevitável:

Rachel venceu a batalha emocional. Mas a física estava só começando. Quem venceria?

Num impulso a razão se perdeu. Não havia nada além dela e não haveria nada em instantes. Quinn levantou de sua carteira e içou-a, jogando-a na direção da morena. Com a rapidez do susto Rachel se levantou e evitou a colisão, por muito pouco.

Olhou para sua inimiga e leu o ódio nos olhos avelã.

_ EU VOU ACABAR COM VOCÊ!

Quinn puxou outra cadeira e jogou com toda a força na direção da pequena. Rachel correu e se protegeu atrás da mesa do zelador que era maior. Recebeu o impacto por trás da madeira, foi ínfimo, mas lhe rendeu um hematoma.

O que deu nela?

A judia não era nenhuma tola, sabia que a loira a odiava por causa da profecia. Mas aquela reviravolta sem nenhuma razão aparente a estava assustando. Ou será que tinha uma razão?

_ PARA DE CORRER, BERRY!_ gritou a plenos pulmões._ SUA COVARDE!

Isso era demais. Covarde? Foi o que bastou. O gatilho foi puxado e a luta ganhou novos rumos.

Rachel saiu de trás da mesa e voou na loira. Deu-lhe um soco no estômago e recebeu um no queixo simultaneamente. As duas recobraram o fôlego e voltaram as suas posições. Quinn investiu contra as penas de Rachel, fazendo-a perder o equilíbrio e cair de encontro ao mármore frio.

A baixinha retrucou com uma rasteira. Levantou vendo a outra desmontar no chão.

_ O que você está tentando provar?_ Rachel exigiu uma resposta.

A resposta veio num levantar de ombros. Seus pés flutuaram quando Quinn a suspendeu e jogou sem pudor de encontro a parede. Suas costas gritaram agoniadas.

Os braços pálidos a seguraram lá. E o encontro de olhares enraivecidos foi inevitável.

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A sua vítima estava ali, em suas mãos. Um movimento poderia terminar com aquele jogo. Mas havia alguma coisa errada.

Seu coração se acalentou. Sua pulsação diminuiu e a dor se foi.

Mas que merda é essa?

Quinn estava diante de uma assassina que nasceu para matar. Uma covarde sem escrúpulos. Nunca gostou de ficar com raiva, mas quando finalmente pedia por ela só recebia uma recusa sem razão? Onde estava sua maldita dor de cabeça?

Não! Não! O que está acontecendo?

_ Tira as mãos de mim!_ ordenou a morena, tentando se soltar.

_ Ouça bem!_ falou tentando parecer enraivecida, sem sucesso._ Esqueça a promessa que fiz de não entrar no seu caminho...

_ Como se você estivesse cumprindo com ela!_ retrucou.

Deus. Sua cabeça deveria ter rachado de raiva agora. Ela queria isso. Um impulso para esganá-la e tudo estaria acabado.

Não houve dor alguma.

_ Eu te faço uma nova promessa._ olhou no fundo da imensidão chocolate._ Quando chegar a hora, eu vou te matar! Não porque eu tenho, mas porque eu quero!

A porta da sala foi rudemente aberta e bateu de encontro a parede separando-as. O zelador tinha os olhos esbugalhados de incredulidade.

_ Mas o que aconteceu aqui?

Rachel olhava para o chão se recompondo. Quinn olhava o zelador, pensando em uma saída.

_ Um camundongo._ disse por fim._ Ele correu pela sala e a gente subiu em cima das mesas para se proteger.

Uma desculpa muito fajuta.

_ E vocês são obesas para quebrarem as mesas ao meio?

É melhor ameaçá-lo. As pessoas não costumam questionar quando tem medo.

_ Na verdade, tentamos matar ele com as mesas._ tentou ser mais evasiva._ Gostaria de uma demonstração?

O zelador engoliu em seco e negou veemente. Seja lá o que tivesse acontecido estava muito além de sua compreensão, e quem iria acreditar quando ele dissesse que duas meninas aparentemente delicadas haviam destruído sua sala?

Não havia muito a fazer a respeito.

_ Podem ir para as suas casas._ entoou trêmulo e completou._ Agora!

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_ Par de reis!_ baixou as cartaz Vovó Abby.

Já era a sexta rodada seguida que ela ganhava de Rachel. Desde criança sua avó lhe ensinara a velha e bela arte do blefe. A morena era boa em poker, mas hoje em especial estava uma lastima e tinha uma boa razão para isso.

Sua avó não pode deixar de perceber.

_ Rachel!_ começou a embaralhar as cartas encarando a neta._O que está acontecendo com você?

Um suspiro veio seguido de um dar de ombros.

_ Eu estou um pouco abalada._ respondeu dando atenção especial a pintura na parede do quarto._ Hoje aconteceu...

Parou no meio da frase. Será que era sábio de sua parte contar a sua avó, uma veterana de guerra, que sua inimiga investiu uma violência irracional contra sua integridade hoje?

Provavelmente não.

_ Você sabe que pode me contar tudo, não sabe?

Nem tudo!

_ Já sei._ Vovó Abby bateu as palmas das mãos e esfregou-as em sinal de ânimo._ Vamos fazer uma aposta!

Elas sempre acabavam apostando alguma coisa durante as partidas. A proposta de sua avó era simples; caso Rachel vencesse, ela faria o mousse de maracujá que a neta venerava, mas se ela vencesse a neta lhe diria o verdadeiro motivo de seu estado catatônico.

A morena só ouviu a parte do “mousse de maracujá”, o resto se eclipsou e ela cometeu o erro de aceitar a aposta.

Bingo. A velha senhora sabia como persuadi-la.

_ Par de ases._ bradou Rachel jogando as cartas na mesa._ Ganhei!

_ Não mesmo, baixinha.

Falou a idosa de dois metros!

Sua avó mostrou a mão que possuía uma trinca de três. O jogo estava perdido e a verdade viria a tona.

Rachel bufou. O azar realmente era um ser irritante.

_ Conte-me tudo!

Um quarto de hora se passou com a morena narrando o ocorrido matinal para sua avó que ouvia tudo pacientemente.

_ O que a senhora acha?_ foi tudo que conseguiu perguntar.

_ Realmente muito estranho, Rachel!

Os olhos chocolates esquadrinharam sua avó e voltaram para tarde adensada.

_ A senhora tinha que ver o ódio nos olhos dela._ sibilou baixinho._ Eu juro que cheguei a sentir pena.

_ Ela deve sofrer de muitas dores de cabeça!

O quê? Rachel devia ter dormido no meio da conversa, quando elas tinham mudado de assunto?

_ O que a senhora disse?

Uma constatação real:

Assim como os sãos tens lapsos de loucura, os loucos tem lapsos de sanidade.

_ O quê?_ perguntou sua avó sorridente.

_ Sobre ela ter dores de cabeça?

_ Ela quem?

Ok. A memória dela já havia retido informações demais, estava entrando em curto. Era melhor parar de sobrecarregá-la.

_ Vou ao hospital, vovó!

_ Que bom!_ sorriu calorosa._Se você puder traga um abacaxi para mim?

Rachel assentiu, bem insegura, porque onde diabos arrumaria um abacaxi a uma hora dessas e indo ao hospital?

Um aviso sério:

Se você tiver a resposta para essa pergunta diga e depois procure um neurologista. Porque alguma coisa está errada com você.

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Quinn estava com uma mochila aberta encima da cama. Vasculhava seu armário, jogando um emaranhando de objetos e roupas para todos os lados, à procura de utensílios que a ajudassem a resolver um assunto pendente.

_ Que pandemônio é esse no seu quarto?

A pergunta saiu da boca de uma latina recém-chegada, que mantinha as sombrancelhas erguidas de curiosidade.

_ Não te interessa, capitã!_ debochou a loira sem nem olhar na direção de Santana.

_ Você ainda está zangada pelo que a Sue fez?

As coisas continuaram a ser jogadas dentro da mochila, com um pouco mais de força, se ela continuasse assim logo faria um rombo na malha.

_ Vai fingir que não estou aqui agora?_ insistiu a latina.

_ Vou!_ bateu a porta do armário.

_ Até quando?

_ Até o inferno congelar._ bradou de maus modos, jogou a mochila sobre os ombros e pegou as chaves do carro._ Saia da minha frente!

Quinn passou trotando por sua “amiga” e bateu a porta as suas costas.

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O gosto da chuva sobre a pele quente era maravilhoso. Rachel respirava o ar pesado e molhado com o humor renovado. Sempre cursava aquele caminho de terra, água e asfalto para o seu destino habitual.

O hospital de Lima. Clínica de Oncologia.

A noite já mostrava seus contornos negros e o vento despia as árvores folheando seu caminho. Chutou algumas pedras diminutas e cantou despreocupada algum sucesso dos Beatles acompanhando o ritmo da chuva.

Chegou a uma colina feita de terra, cimento e vidro. O hospital da cidade reluzia imponente a sua frente. Rachel sorriu para o prédio.

Meu refúgio!

Um pensamento compartilhado:

É bom fugir às vezes. Ter um lugar só nosso, uma solidez que não permita a entrada de problemas banais da vida. Não vejo nada de mal nisso, e isso não nos faz fracos, nos faz humanos.

Rachel Berry amava aquele lugar. E tinha uma boa razão para isso.

Estava desprevenida quando uma luz forte entrou no seu caminho e embaçou sua retina. Ela tapou o clarão com as mãos e estreitou os olhos entre o vão dos dedos.

Isso só pode ser brincadeira!

Um Mustang verde-musgo muito familiar formava uma barreira atípica em seu caminho. Ela viu a raiva loira que guiava o volante e seu único instinto de sobrevivência a obrigou a correr.

_________x_________

Quinn Fabray viu a silhueta de Rachel Berry fugir por entre as árvores e teve ainda mais certeza de que sua teoria estava certa.

Quem foge tem culpa no cartório!

A loira abriu a porta com todo o cuidado e fechou delicadamente voltando sua atenção para a floresta negra a sua frente.

Já volto, Mu!

Beijou a lataria para selar a promessa e foi atrás de sua vítima. Seguiu as pegadas já gastas que a morena deixava a toda velocidade por entre as barreiras de galhos.

Onde você está?

Não demorou nem dois minutos ela encontrou sua inimiga. Parada a beira de um rio que terminava em uma cachoeira média.

Um precipício formado por paredes de água.

_ Pode parando onde você está._ ordenou entre dentes.

_ Eu já estou parada, sua imbecil!_ retrucou a morena perto da margem.

Abusada!

_ Você vai voltar comigo para a cidade e não vai sair mais da minha vista.

_ E porque eu faria isso?

Deu um passo mais para perto dela. Ameaçadora.

_ Porque eu não vou permitir que você machuque mais ninguém.

A expressão de Rachel parecia uma mistura de confusão e desafio. Foi difícil decifrar, mas Quinn não teve tempo para pensar nisso, seu cérebro nublou quando ela viu o pé direito da morena se aproximar sorrateiro, cada vez mais perto da margem.

_ Nem pense em fazer isso!_ alertou, quando percebeu as reais intenções de Rachel._ Fique onde está!

A pequena estreitou os olhos, claramente desafiando-a. Virou o corpo com rapidez e se jogou no lençol de água, caindo em seguida na ribanceira gélida.

Jesus! Foi o mesmo que dizer: “Fecha os olhos e se joga.” Será que a Berry entende TUDO ao contrário?

Esquadrinhou a cachoeira abaixo e não conseguiu ver nada. Com muita dificuldade e depois de muito tempo, ela viu a figura morena sair do rio em direção a borda de terra.

Eu não acredito que vou ter que fazer isso!

Fechou os olhos e respirou fundo. Se sua inimiga conseguia sobreviver a isso ela também tinha que conseguir.

Berry sua idiota, ridícula, maluca dos infernos... Eu vou no três. Um, dois... Ok, de novo. Um, dois... ai, Jesus, é muito alto!

Essa abordagem de contar até três não estava sendo eficaz. Quem será que inventou isso?

Ok. Esqueça a contagem! Lá vou eu!

Ela pulou e amaldiçoou todas as gerações da família Berry quando a água gelada queimou sua pele. Caiu de encontro a imensidão num só fôlego e rezou para que o terror líquido se dissolvesse logo.

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Santana andava de um lado para o outro em sua impaciência habitual. Tinha uma pulga gorda e irritante atrás da orelha.

_ Sant!_ Brittany estava deitada na cama com as mãos massageando as têmporas._ Você está me deixando tonta!

_ Desculpe, Britt!_ sentou numa poltrona e começou a movimentar a perna para cima e para baixo._ Tem alguma coisa estranha acontecendo.

Parecia uma pessoa que sofria de TOC.

_ Com a Quinn?

_ Exato. Eu vi ela pegando uma corda, algemas e lanternas, colocou tudo numa bolsa, depois pegou aquela sucata de quatro rodas vulgo carro e sumiu estrada afora.

Algumas rugas pintaram a testa branca de Brittany. Agir estranho não era típico de Quinn. Ela sempre foi a mais controlada de todas elas.

Talvez sua namorada estivesse se preocupando demais.

_ Sant._ levantou e caminhou até ela, travando seus joelhos agitados._ Nós estamos falando da Quinn. Ela mais do que qualquer pessoa que conhecemos sabe se cuidar. Tenho certeza de que não é nada demais.

_ Você deve estar certa._ beijou a palma da mão pálida de Britt._ Você sempre está!

Santana Lopez tinha um lado humano, mas esse lado era reservado somente para a sua loira.

_ Você precisa relaxar._ falou sugestiva pegando na mão morena e a conduzindo até a cama.

Reforço o pensamento de que minha namorada SEMPRE ESTÁ CERTA!

Quando se tratava da latina ela até podia ser o ser mais prendado do mundo, mas Quinn é uma outra história.

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Rachel tossiu as ultimas gotículas que interditaram seu esôfago na terra úmida e tentou ficar de pé com muito esforço. Sentou em uma pedra e fechou os olhos fortemente, absorvendo uma generosa lufada de ar.

Que diabos deu na Fabray?

Já estava cansada de ser perseguida e condenada por ela. Quinn Fabray não sabia de nada.

_ BERRY!

Ai, Jesus!

Quinn saiu do rio transbordando raiva e água. Caminhou irada na direção da morena.

_ Fique longe de mim!_ alertou ficando de pé e serrando os punhos.

_ Você vem comigo!_ deu um passo a frente._ Por bem ou por mal!_ completou.

Rachel bateu o pé no chão e fincou os olhos chocolate nos avelã. Uma luta que nunca tinha fim, o ódio era o jurado principal e tocou a sineta dando início ao primeiro round.

Então que seja por mal!

A loira avançou em Rachel e jogou-a de encontro a terra molhada, enganchou as pequenas mãos encima de sua cabeça e travou sua cintura com as pernas.

A raiva a traiu mais uma vez e fugiu.

Uma constatação da 12ª primogênita Fabray:


A dor desaparecia quando estava perto de sua inimiga.

Era verdade. Sempre que tocava Rachel toda a raiva corria dela. Muito curioso, um tanto quanto irônico, porém faltava uma pergunta ideal para nos ajudar a montar esse quebra-cabeça.

A pergunta ideal seria:


Porque a dor sumia quando estava perto dela?

Quinn baixou a guarda por um segundo e Rachel aproveitou a deixa alavancando-a com os pés e jogando-a longe. Levantou puxando o ar frio e atacando a loira. Deu um murro no ombro esquerdo pálido e a fez perder o equilíbrio batendo de encontro a pedra.

Essa deve ter doído!

A morena viu ela fechar os olhos e cessou o ataque. Caminhou cuidadosamente até ela e abaixou para examiná-la. Foi um erro.

Quinn abriu os olhos e jogou-a novamente sobre a terra rígida, dessa vez suas mãos foram contidas por um objeto metálico extremamente forte.

Algemas? Isso é algum tipo de brincadeira! Só pode!

Antes que pudesse protestar seus pés sofreram o mesmo tratamento de suas mãos. Agora todas as suas pontas estavam presas.

Um rato numa ratoeira.

_ Me solta, agora!_ rebateu a pequena tentando quebrar as amarras. Em vão._ Você ficou louca!

_ Louca?_ riu com escárnio._ Estou protegendo as pessoas da sua maldade!

A loira levantou e jogou o corpo moreno nos ombros. Os protestos eram incessantes. Naquela situação, Rachel se sentia o ser mais idiota do mundo.

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Mu rugiu reluzente na estrada soturna. O céu permanecia chorando e as nuvens se perdiam em meio ao véu negro de trovões. Um dilúvio externo palco que privilegiava uma batalha interna.

_ EU VOU CHAMAR A POLÌCIA, SUA RETARDADA MENTAL!

Rachel não parava de gritar, insultar e tentar chutar Quinn no banco do motorista. Estava enrolada com uma corda e presa por duas algumas nas extremidades. Caída numa posição desfavorável para uma boa postura no banco de trás.

_ Eu acho uma boa ideia, Berry!_ debochou._ Assim poderei contar a eles um dos seus feitos recentes.

_ Do que você está falando?

Sínica!

_ Depois a demente sou eu! Ou você tem perda de memória recente?

_ ORA SUA...

Uma ordenha de impropérios encheram os ouvidos cansados da loira. Ela jogou o carro de lado e viu a morena bater a cabeça contra a lataria, pensou que assim ela desistiria de falar, mas surtiu efeito contrário.

Com uma raiva descomunal a pequena começou uma palestra sobre alguma coisa relacionada a psicopatia juvenil e blá blá blá blá.

Anotando mentalmente: Da próxima vez NÃO esquecer de trazer a fita isolante!

Seria uma longa viagem.

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_ Onde foram parar as algemas?_ reclamou Sam Fabray procurando seus brinquedinhos lânguidos.

_ Sam!_ gritou a quarta garota diferente da semana.

_ Já vou, Sarah!

_ Meu nome é Lara!

Puta Merda! Que vacilo! Tenho que comprar uma agenda!

Sacou o celular do bolso do short e ligou para sua irmã. Dois segundos depois ela atendeu.

_ O que foi, Sam?

_ Onde estão meus utensílios de trabalho?

_ Agora você é uma prostituta?

_ Não!_ rebateu._ Mas sou uma pessoa sexualmente ativa e preciso de minhas ferramentas. Onde estão as algemas?

Um grito foi ouvido no fundo da ligação, seguido de palavras que logo ficaram abafadas.

_ Espera um pouco aí!_ a compreensão sacana o atingiu._ Você está com ela? Por isso pegou as algemas?

_ O QUÊ? NÃO É ISSO QUE VOCÊ...

_ Nossa, irmãzinha!_ ele começou a rir satisfeito._ Estou orgulhoso de você! Pode usá-las à vontade._ proclamou._ Depois me conte os detalhes!

_ SEU IDIOTA!

_ Sua pervertida!

O telefone ficou mudo.

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Quinn havia jogado o carro no acostamento para atender a ligação. Tapou a boca de Rachel com as mãos para evitar que ela gritasse e ganhou uma mordida que a fez sangrar.

_ Você precisava mesmo ter me mordido?

_ Isso é pouco para o que você merece!

Merda!

Com a chuva reinando nos céus, ela olhou ao redor e encontrou ao longe algumas luzes acessas. Um bar universitário.

Ótimo! Vou ver se eles tem alguma toalha para conter o sangramento!

Virou o volante e acelerou em direção a claridade. Estacionou o mustang perto de uma fileira de motos e abriu a porta para a cachoeira primaveril.

_ Não saia daqui!_ falou cética para a irada passageira._ Eu volto logo!

Muitos palavrões foram proferidos, mas ela bateu a lataria cessando todos.

O bar estava lotado de adolescentes. Rumou diretamente para o balcão e sentou num banquinho de madeira rotatório.

_ O senhor teria uma toalha para me emprestar? Eu me cortei fechando a porta do carro._ perguntou ao bar tender.

O homem a olhou cético, mas lhe entregou uma toalhinha branca.

_ Os dentes do seu carro devem ser muito fortes._ falou analisando o ferimento na mão da garota.

Quinn corou violentamente. Ele deu de ombros e voltou aos seus afazeres.

_ Gostaria de beber algo?

_ Um suco de abacaxi.

_ Isso aqui é um bar!

_ Uma caipifruta de abacaxi sem álcool, por favor.

Não dava no mesmo que pedir um suco de abacaxi?

O homem revirou os olhos e foi preparar o pedido. Usando a cabeça, ela conseguiu o que queria.

Depois de muitas goladas e de estancar o sangue, puxou o dinheiro do bolso e entregou ao homem agradecendo pela ajuda e pela bebida. Já estava na metade do caminho quando a pequena TV pendurada na parede chamou sua atenção.

Uma notícia trágica.

_ “ Voltamos ao vivo do hospital de Lima. Acabo de ser relatado que a fera de pelos negros atacou novamente.E fez uma nova vítima. As autoridades não deram explicações sobre os ataques.”

Um calafrio sacudiu sua espinha. Outro ataque? Do mesmo lobo? Mas como, se Rachel estava amarrada no banco de trás de seu precioso carro? A menos que...

Meu Deus!

Seja lá qual fosse a explicação para aquilo, Rachel Berry não era culpada. Quinn cometeu uma injustiça sem razão. Amaldiçoou a si mesma pelos seus atos.

Ela vai me matar! E com razão!

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Correu até seu carro e encontrou-a lá. Jogada no assoalho, tentando soltar as amarras.

_ Berry!

A morena olhou confusa para Quinn quando ela começou a desatar os nós das cordas.

_ Deixa eu me explicar, eu...

Uma mão foi liberta e um murro torceu a bochecha da loira para o lado.

Talvez eu tenha merecido essa!

Um gancho de direita.

E essa também!

Um soco na boca do estômago.

Ok! Você já está exagerando!

Os braços pálidos prenderam a pequena contra o banco de trás, sem o uso da força bruta, ela só queria se explicar.

_ Pare de me estapear e deixe eu falar!

_ Não me interessa o que você tem a dizer!_ rebateu metendo o joelho nas costelas de Quinn._ Me solta!

Essa vai doer até amanhã!

_ Eu pensei que você fosse o lobo negro que matou o menino no hospital._ cuspiu tudo de uma vez só.

Rachel era a confusão em pessoa. Era melhor se acalmar e tentar entender o máximo possível daquela situação estranha.

_ Do que você está falando?

Quinn contou a ela toda a sua teoria sobre o livro, a história e mancha de sangue da blusa. Botou tudo em pratos limpos.

_ SUA RIDÍCULA!_ berrou, lhe dando um tapa._ Então você me sequestrou baseada numa teoria forçada dessas?

_ Não é forçada! Tinha sangue na sua camisa!

_ Porque eu ajudei a limpar o local do assassinato e não tive tempo de passar em casa e trocar de roupa._ ela falava cada vez mais furiosa.

_ Você é a contadora de histórias do hospital?

_ Sim, isso vem ao caso?_ perguntou empurrando-a para o lado. Finalmente livre._ Espera um pouco! Como você chegou a conclusão de que eu não sou o lobo?

_ Eu entrei no bar e estava passando uma notícia de que acabou de acontecer outro ataque!

Os olhos chocolate duplicaram de tamanho. Sua mandíbula despencou. Dava para ver o ligeiro batimento cardíaco por sob a blusa molhada dela.

Um pânico descomunal.

Rachel abriu a porta do carro e correu noite adentro, por entre os rugidos dos trovões e o lampejo dos raios.

Precisava agir o mais rápido possível.

Notas finais
Quem puder deixar um comentário é sempre bem vindo. Na parte dois veremos a posição da Quinn com relação a injustiça que ela causou a Rachel. Com relação ao nome do capítulo, Turning Tables é uma expressão que significa Reviravoltas no sentido figurado, o que caiu como uma luva, já que a situação delas está realmente mudando por conta dos acontecimentos, agora traduzindo ao pé da letra seria virando as mesas por isso a cena da luta onde elas quebraram as mesas. Enfim, achei legal contar a vocês de onde surgiu a ideia. Nos vemos daqui a duas semanas, um beijo a todos.