Glee-21-Faberry

5 Turning Tables. Part 2


Notas iniciais
Boa noite gente! Obrigada a todos que comentaram. Terminei o capítulo agora pouco,ainda bem que deu para botar tudo que queria nele. Glee voltou, mas sem a Quinn, poxa. Ainda bem que temos nossas fics para suprir a necessidade que temos de vê-las juntas. Esse capítulo ficou extremamente grande, espero que não fique cansativo de ler. Desculpem pelos erros e boa leitura.

“It's time to say goodbye to turning tables, Turning tables.”

Uma maré de confusão inundou seus pensamentos. A chuva ainda castigava o solo quando seu corpo congelou entre a decisão a ser tomada. Dois caminhos precipitaram-se diante de seus olhos fundos.

Dois caminhos:

O “certo” e o “fácil”.

Quantas vezes na vida escolhemos o errado por ele ser mais fácil?

Ela havia cometido um erro e seu senso de justiça apitou impaciente bagunçando seus nervos, mas ajudá-la seria o mesmo que tomar veneno e esperar sair ileso. Impossível.

_ Que merda eu fui fazer?

Quinn lançou os pulsos contra o volante de seu amado veículo, quase destroçando a borracha que cobria seu guia e logo em seguida pedindo desculpas e beijando freneticamente a lataria.

Uma maníaca por metal.

_ O que eu faço agora?_ perguntou para si mesma.

Rachel Berry, sua inimiga, não era culpada, pelo menos não dos assassinatos as crianças indefesas. Ela a julgou mal e se sentia uma estúpida por isso.

Ela deve ter ido para lá!

Era bem óbvio que pela pressa e expressão assustada da morena ela tivesse seguido direto para o local do ataque, mas por quê?

Organizando as perguntas mentalmente:

Porque a Berry é a contadora de história do hospital? Porque ela se importa com os ataques?O que ela tem haver com aquela gente?

Um emaranhado de perguntas. Nenhuma resposta plausível.

Merda!

Puxou uma lufada generosa e congelada de ar antes de ligar os motores e rumar para o caminho de sua escolha.

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Rachel embrenhou-se cada vez mais por entre a lama escorregadia e as teias de folhas que cobriam a estrada enegrecida. Os trovões iluminavam periodicamente o caminho estreito e longo que a sua frente.

Deus! Espero que nada de ruim tenha acontecido com ele!

Seu coração travava uma batalha de adrenalina com sua mente. Estava tão absorta nessa substância que podia sentir os leves gritos de seus nervos em toda a periferia do corpo.

Sua garganta era um deserto. Seu cérebro uma tempestade.

Esteja bem, por favor!

Avistou algumas luzes vermelhas e amarelas por entre a cascata regional. Aumentou o passo e saiu livre e ensopada para o encontro de sirenes, vidro, lama e concreto.

O hospital de Lima. A polícia. Os pacientes.

_ Tia Rachel!_ gritou um garotinho de olhos mel.

_ Peter!

A menina correu e abraço-o, erguendo-o do chão e apertando os olhos ao beijar suas têmporas. Estava realmente feliz em vê-lo e indescritivelmente aliviada.

_ Está tudo bem agora!_ sussurrou em seu pequeno ouvido._ Ninguém vai machucar você!

O garoto derramou algumas lágrimas cristalinas e escondeu o rosto no vão do pescoço dela. Os soluços não demoraram a chegar.

Uma breve observação:

Uma criança chorando, apavorada, é de quebrar o coração, não consigo imaginar nada mais triste e doloroso no momento.

Rachel fez um casulo de proteção com os braços e o manteve lá por tempo indefinido. Precisava acalmá-lo para conseguir voltar a respirar normalmente.

_ Olá, Rachel!_ uma das enfermeiras do hospital chegou a cena._ É bom vê-la.

_ Oi, Donna._ retribuiu o comprimento._ Peter, preciso falar com os policias._ avisou ao pavor minúsculo em seus membros._ Fique aqui com a tia Donna, eu volto logo.

Deixou o menino com a enfermeira e partiu em direção as sirenes. Por meia hora ela conversou com os homens fardados que deram muito pouca informação para o seu gosto.

Eles não vão conseguir conter essa coisa!

Não é possível deter o que não se compreende.

Estava voltando para a entrada do hospital quando sentiu uma mão em seu ombro e depois o abrir e fechar de uma porta.

___________x___________

A pequena se viu parada no meio de um escritório vazio, ocupado apenas por ela mesma e sua irritante inimiga.

_ VOCÊ SÒ PODE ESTAR BRINCANDO COMIGO!_ gritou a baixinha depois de morder e quase arrancar um pedaço da mão de Quinn.

_ Ai, Berry!_ sibilou, sacudindo o membro ferido._ Eu vim ajudar.

Ela estreitou os olhos. Sim, aquilo tinha que ser uma brincadeira, pouco cômica por sinal.

_ Você veio me ajudar?_ apontou para si mesma e depois levantou as sombrancelhas céticas.

A loira a sua frente suspirou e bagunçou os cabeços em desconforto. Encarou-a pela centésima vez na noite, os olhos avelã sempre travavam uma batalha com os chocolate, mas agora pareciam uma leve brisa de verão.

_ Eu... bem, você não é o lobo e estava vindo para o hospital quando a sequestrei, e pelo que vi, você conhece as pessoas daqui e parece se importar, então talvez... pudesse ter impedido o ataque se eu não...!_ parou voltando a olhar para o chão._ Eu não deveria ter feito o que eu fiz.

A culpa. Um sentimento com gosto de ferrugem. A pequena viu, estagnada, o tamanho da de Quinn. Sentiu pena dela novamente, mas não demonstrou.

_ Então você veio me ajudar porque se sente culpada!_ não foi uma pergunta.

_ Em parte, sim._ sussurrou aturdida._ Mas eu cometi um erro e quero consertá-lo.

Rachel constatou que ela tinha um senso de justiça muito bom e também uma consciência, por mais incrível que parecesse.

_ Você não teve culpa de nada._ falou a pequena, não foi uma frase de consolo, foi apenas uma observação seca, mas era verdade._ Não preciso de sua ajuda, pode ir embora!

_ Porque você é a contadora de histórias do hospital?

Os olhos da morena tremeram em confusão. O quê? Qual parte do “você pode ir embora” a Fabray não havia entendido? Teve a sensação de que teria que desenhar para que ela compreendesse, uma pena estar longe dos lápis de cor.

_ Isto não é da sua conta!

_ E aquele garoto?_ continuou ignorando as podadas de Rachel._ Eu lembro de tê-lo visto na televisão, foi ele quem falou sobre o lobo.

_ Agora você anda me espionando?

_ Não._ armou sua defesa._ Eu estava estacionando o Mu quando vi você abraçá-lo, presumi que já o conhecia e se importava com ele, só não entendo o porquê.

_ Continua não sendo da sua conta!_ jogou os braços para o ar, cansada daquele jogo._ Chega! Eu já disse que não preciso de sua ajuda, amanhã vou montar guarda no hospital e deter aquela coisa, porque tenho quase certeza de que ele voltará.

Os olhos de Quinn duplicaram de tamanho e sua mandíbula tremeu.

_ Você está louca?_ perguntou aproximando-se._ Caso sua memória esteja falhando você caiu de um penhasco a pouco tempo, ainda não pode se transformar.

_ Eu já estou melhor!

_ Mesmo assim, seu corpo está debilitado, forçar uma transformação pode piorar as coisas para você e aquele lobo anda bebendo o sangue de crianças. Está fortalecido, mais do que a mim que estou em perfeito estado.

Ela tinha um ponto.

_ Darei outro jeito!_ retrucou, desviando-se dela.

_ Qual outro jeito?

_ Adivinha?

Não me interessa, saquei!

_ Pare de ser tão obtusa, Berry._ deu um passo em sua direção._ Estou tentando ajudar.

Rachel recuou, estava realmente incomodada com aquela súbita aproximação. Negou veemente todas as ofertas de sua rival.

_ Tenho até amanhã a noite para pensar._ caminhou até a porta de saída._ Quer me ajudar? Não fique no meu caminho dessa vez.

A porta bateu as suas costas. Quinn bufou. Já imaginava que não seria fácil convencê-la.

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Os pequenos pés batucaram o mármore frio até a ala de oncologia. O quarto era amplo, suportava 8 macas, com paredes brancas, ventilação abundante e luzes intensas. Todas as crianças permaneciam deitadas em sono profundo, zelado por seus quentes lençóis.

Apenas uma mexia-se incomodada de um lado para o outro.

O motivo da insônia juvenil:

Ele foi o único a ver o lobo. Pela segunda vez em dois dias.

_ Peter?

Peter Collins. Seis anos de idade. Sofria de Leucemia desde os dois anos. Era considerado o “milagre” do hospital por já ter excedido sua expectativa de vida a muito tempo.

Um pequeno anjo de olhos mel.

_ Tia Rachel!_ jogou os pequenos bracinhos ao redor do pescoço moreno. A menina o segurou e deitou-se na maca, apoiando-o no troco._ Eu vi! Ele veio aqui de novo..._ falava tudo muito rápido e apavorado._ E se na próxima for Jane, Nina ou eu mesmo?

Os soluços baixinhos encheram os ouvidos aprumados dela, seu coração iniciou uma corrida. Era duro vê-lo naquele estado, acariciou o topo de sua cabeça raspada e deu-lhe um beijo na testa.

_ Não vai ter uma próxima vez, eu prometo!

Uma promessa é um contrato inquebrável. Ela iria voltar amanhã à noite e esperar o quanto precisasse, porque sabia que os policias e as enfermeiras não conseguiriam detê-lo. Ela mesma faria isso.

Mesmo que lhe custasse a vida.

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O dia seguinte amanheceu nublado. As nuvens densas taparam a luminosidade solar, projetando sombras difusas sobre a cidade de Lima.

Rachel estava em seu quarto, tomando banho, não pregou os olhos noite passada, ficou no hospital até a aurora e voltou para casa para se trocar.

O que eu vou fazer?

Tinha poucas horas para bolar um plano eficaz visando impedir o monstro de pêlos negros. Seja lá quem fosse, tinha que pará-lo.

_ Que ferimentos são esses?_ falou uma voz aturdida as suas costas.

A menina levou um baita susto e tapou suas zonas particulares da visão de seu irmão intrometido.

_ Noah!_ pegou a toalha se cobrindo._ Juro que vou colocar um alarme de intrusos no meu quarto!

Ela já estava praticamente curada, só alguns cortes e machas roxo-claras faziam-se presente em seu corpo esbelto. Uma pena que desse para ver a olho nu caso ela estivesse nua. Como agora, por exemplo.

_ Você não respondeu a minha pergunta!

_ Eu caí._ bolou a mentira._ Estava andando de bicicleta e perdi o controle.

_ Você não tem bicicleta!_ rebateu cético.

_ Não era minha._ abriu a porta do boxe._ O que você quer?

O garoto de moicano encostou de lado no azulejo da parede. Resolveu deixar aquele assunto das marcas para depois.

_ O Conselho está aqui!

Rachel bufou e passou trotando por ele até seu armário para colocar uma roupa e encarar os insuportáveis membros do clã Berry.

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Quinn abriu a porta do armário de remédios com as mãos trêmulas e vasculhou por entre as brechas dos olhos os comprimidos para enxaqueca que deveria tomar. Estava tendo uma crise terrível.

Achei!

Engoliu o remédio e bebeu a água da pia direto da bica. Jogou-se nos lençóis e fechou os olhos massageando as têmporas, buscando aliviar a pressão intracraniana que se expandia.

Passa logo!

Tentou organizar os pensamentos conturbados para o dia de hoje. Não seria fácil. Tinham muitos pontos preocupantes. Todos voltados para sua irritante antagonista.

_ Para alguém que está na ativa, você anda muito estressada!_ falou seu irmão encostado na porta do quarto.

Ótimo! Agora mais essa!

_ Não enche, Sam!

O garoto caminhou com o tronco exposto e se jogou na cama.

_ Qual é, maninha!_ abriu aquele sorriso safado._ Como foi a noite de ontem?

_ Terrível!

_ Porquê?_ juntou as sombrancelhas._ Ela é ruim de cama?

Ai... Meu... Deus!

_ Não... quero dizer, eu não estava fazendo nada disso!

_ Sei._ entortou o sorriso torto._ E como você explica as algemas e os gritos do outro lado?

Você realmente não iria querer saber!

_ Não te interessa!_ rebateu, ganhando um leve rubor.

_ Eu sabia._ bateu as palmas das mãos e se levantou correndo para a saída._ Ainda irei descobrir quem ela é para ver se você tem bom gosto!

_ Imbecil!

_ Safadinha!

O garoto saiu correndo quando o abajur foi lançado contra ele e colidiu na parede.

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O Conselho do clã Berry estava reunido na cozinha da casa da primogênita. Adam Berry, vovó Abby, Puck e Rachel estavam frente a frente com os membros mais velhos da organização.

Um senhor de lábios mortos e olheiras profundas levantou-se para proclamar.

_ A senhorita precisa treinar, estamos a poucos meses de cumprir a profecia.

Rachel bufou e encarou-o. Mensalmente alguns membros lhe faziam uma visita nada calorosa, com a intenção de persuadi-la a seguir o que a profecia ditava.

_ Eu não vou perder o meu tempo treinando para matar outra pessoa._ levantou-se também._ Podem escolher outro idiota que o faça!

_ Não pode ser outra pessoa._ rebateu outro membro, um gorducho baixo._ Tem que ser você, senão a profecia não se realiza.

_ Então, sinto muito!_ declarou ela a todos._ Não coloquem suas esperanças nisso, eu mantenho o que digo sempre, não vou fazer isso e o assunto está encerrado.

Trotou de volta ao seu quarto e ouviu alguns passos a seguindo, mas preferiu ignorar.

_ RACHEL!_ seu pai gritou a porta do quarto._ VOCÊ PRECISA ME OUVIR!

_ Eu não tenho que ouvir nada._ Bateu a porta do armário e jogou a mochila nas costas._ Estou indo para a escola!

_ Como você pode ser egoísta a esse ponto?_ perguntou Adam, um quê de sofreguidão na voz._ Sabe quantas pessoas dependem da sua decisão? Sabe quantos poderia salvar?

_ Você..._ ela fechou os punhos e seus olhos marejaram de raiva._ Não tem o direito de me chamar de egoísta!

_ Mas é isso que você está sendo!

Ela abriu a janela com força exagerada, quase arrebentando o trinco.

_ Sinal de que tenho a quem puxar.

Saltou do segundo andar de sua casa, planando intacta no chão de terra sólido e partiu sem olhar para trás.

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Molly Morland cuspia fogo pelas ventas na primeira aula do dia. A mulher estava com o humor mais conturbado e revirado do que era de costume, se é que isso era teoricamente possível.

_ COMO PODEM ATACAR CRIANÇAS INDEFESAS?_ gritou, jogando um bloco de folha marfim no chão e trotando irada pela sala.

Nossa, a mulher pirou de vez!

_ ATACAR CRIANÇAS É O ATO MAIS COVARDE E SUJO DO MUNDO!

Ok, ela tem um ponto!

A professora de rugas inexpressivas andava de um lado para o outro, vomitando uma série de palavras que logo perderam o sentido para Quinn. A menina estava usando óculos escuros para proteger os olhos da luz e amenizar a dor de cabeça, porém não estava surtindo efeito.

A dor atiçou seus nervos e queimou seus olhos.

Droga! Para logo!

_ FABRAY!

Ela tomou um susto e quase caiu da cadeira, deu de cara com uma Molly irada ao seu lado. Berrando, encarando e humilhando.

_ Tire esses malditos óculos escuros!_ ordenou._ Vai esconder a única parte que realmente vale apena apreciar em você?

Quinn tirou os óculos e constatou que sua professora era ainda mais perturbada do que aparentava. Odiava ela por completo, mas tinha essa estranha admiração por seus olhos.

Olhos verdes pontilhados de ouro.

_ Melhor assim._ completou dando um sorriso amarelo._ Abram o livro na página 147.

Um circo de horrores. Nos primeiros dez minutos ela não conseguiu se concentrar em nada do que a Senhora Morland dizia, estava observando disfarçadamente, com dificuldade por causa da dor, sua inimiga sentada numa posição tensa na cadeira à frente.

O que será que ela está tramando?

Rachel falou em tentar deter o lobo negro, mas será que ainda estava cogitando aquela ideia sem estar em seu perfeito estado físico? Quinn pensou que provavelmente sim.

Afinal de contas, ela era Rachel Berry, um poço inesgotável de teimosia.

_ FABRAY!_ sua atenção foi chamada. Que surpresa!_ Venha aqui na frente ler em voz alta!

Que fique bem claro que estou pagando todos os meus pecados com essa mulher! Até os que eu ainda não cometi!

_ Sim, senhora Morland!_ rosnou entre dentes.

“Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma..._ hesitou e absorveu um pouco de ar._ Em vez de esperar que alguém lhe traga flores.”

_ Ok, pare!_ Molly ergueu uma mão._ Essa poluição sonora que você chama de leitura já ensurdeceu metade dos alunos aqui presentes.

As orelhas de Quinn queimaram e seu rosto ficou vermelho sangue.

_ Posso me sentar?_ pediu com um uivo contido de raiva.

_ Não só pode, como deve!_ apontou a cadeira para a loira e levantou-se._ Aprumem os ouvidos, seres inferiores..._ disse a todos os alunos._ Vou explicar a todos como quero o trabalho que valerá metade da nota anual de Literatura.

Uma orquestra de salivas fez um baque no estômago de todos. A professora abriu aquele sorriso aterrorizante.

_ Vocês terão que recitar um poema aqui na frente da turma. De maneira coesa, fluente e emocionante..._ deu um sorriso debochado na direção de Quinn._ O poema poderá ser de um autor que já mencionamos em sala de aula, porém, sugiro a todos que precisam de nota para passar..._ olhou novamente para a loira._ Que escrevam o seu próprio!

Quinn baixou os olhos alarmados e agarrou seus cabelos em angústia. Estava perdida, não iria passar. Mais uma dor de cabeça para sua coleção.

O mundo era um palco de injustiças e ela era a atriz principal.

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Quinn saiu da sala de Literatura com uma certeza terrível e uma dúvida preocupante. Sua cabeça parecia uma caixinha de fósforos, onde todos estavam acessos, com uma chama que nunca se extinguia.

Seus temores antônimos:

A certeza de que iria perder de ano em literatura e a dúvida do que fazer em relação a Rachel Berry.

É a Morland, O Sam, A Berry... quem mais está faltando?

Virou um corredor e viu sua inimiga parada na frente do armário aberto, arrumando alguns livros.

É melhor falar com...

Mas não teve tempo de completar o raciocínio porque avistou uma jaqueta negra, rimels borrados e cinzas de cigarro muito familiares, aproximando-se sorrateiro dela.

Jesse St. James.

Ah, ele! Não falta mais nenhum encosto agora!

Caminhou em silêncio e escondeu-se atrás de uma fileira de armários, aprumando os ouvidos e prendendo a respiração.

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_ Olá, minha Deusa de vermelho!_ falou o garoto, fazendo uma reverência.

Idiotamente exagerado.

_ O que você quer, Jesse?

Ele tragou um fio de nicotina e expulsou a fumaça por entre os dentes, dando um sorriso charmoso.

_ Um jantar!_ colocou os braços ao redor dela, aprisionando-a._ Somente eu e você!

Sonhar é fundamental!

Rachel estreitou os olhos, bateu a porta do armário e afastou as mãos cinzentas de perto dos seus braços e qualquer outro membro que ele pudesse se achar no direito de tocar.

_ Primeiro: Eu odeio cigarros, gente que fuma e fumaça._ apontou o dedo indicador para o peito dele._ Segundo: Eu aceitarei um jantar com você quando a terra for quadrada e Terceiro: Tenho mais o que fazer da vida a perder meu tempo com um maconheiro de quinta.

Um fora fenomenal.

Rachel jurou que ouviu uma risada abafada vinda de trás dos armários, mas já que Jesse ignorou, ela também preferiu fazê-lo. Não estava muito ansiosa para ter os mesmos status de sua avó Abby.

_ Hum..._ o garoto abriu um sorriso predador._ Gosto de garotas difíceis!_ Passou calmamente ao seu lado e encostou a boca em seu ouvido._ São bem mais interessantes depois que obtemos!

_ Tenho cara de troféu?_ retrucou, empurrando-o para o lado.

_ Nos vemos em breve, Rachel Berry!

Voltou a fazer uma reverência, acendeu um cigarro e saiu porta afora.

Sim, vá achando! E esperando sentado para não gastar as penas!

A morena soltou o ar enclausurado nos pulmões, colocou os fones de ouvido e caminhou descontraída para a próxima aula.

Ela só não contava com um puxão e o abrir e fechar de uma porta, muito familiar para o seu desgosto.

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O armário de vassouras era uma “salinha”, com uma janela lateral retangular média, havia um amontoado de objetos espalhados pelo lugar além dos utensílios de limpeza.

Dava para esconder uma gangue lá dentro.

_ ME LARGA!

Rachel afastou as mãos gélidas de Quinn de seus fortes ombros e olhou-a interrogativa. A loira a observava com um certo sorriso atípico.

_ Como você faz isso?_ perguntou à pequena.

_ Faço o quê?

Anula a minha dor!

Quinn abriu a boca uma série de vezes, mas preferiu não entrar naquele assunto, já era muito estranho ter uma sensação de alívio perto dela ao invés de raiva. Compartilhar isso estava fora de cogitação.

Por enquanto.

_ Ainda está com a ideia idiota de ir ao hospital hoje?

Rachel estreitou os olhos e bufou.

_ Não é da sua conta!

_ Pensou no que vai fazer quando estiver frente a frente com o lobo negro?

Quinn Fabray devia sofrer de um grave problema de audição.

_ Escuta aqui, Fabray...

_ Não!_ cortou-a._ Escute você, Berry!_ os olhos avelã ganharam vida e uma intensidade sobrenatural._ Somos inimigas, eu te odeio e você me odeia. Não estou tentando mudar isso, mas não posso assistir um lobo covarde atacando crianças, ver você morrendo tentando ajudar e não fazer nada.

Claro que tudo tinha haver com a profecia. Os braços morenos fizeram uma corrente na frente do corpo, analisando a sentença. Quinn não podia deixá-la morrer antes do dia previsto e ainda carregava a “culpa” por tê-la sequestrado, já que ela estava indo para o hospital e talvez pudesse ter feito algo a respeito.

_ E quanto ao ódio da sua família?_ argumentou a morena._ Já imaginou o que vão pensar se descobrirem que vai me ajudar?

_ Se descobrirem, eles não vão.

Havia uma certeza incontestável na voz melodiosa dela.

_ Isso é loucura!_ Rachel sibilou.

_ Isso é uma trégua!_ contrariou-a._ Vamos lá hoje a noite, nos livramos dele e voltamos a nossas vidas normais. Sem trocar nenhuma palavra._ esticou a mão pálida na direção dela._ Temos um acordo?

A morena hesitou por alguns segundos e esticou a própria mão de encontro a palidez suave.

Uma sensação de alívio indescritível caminhou pelos membros de Quinn até a sua cabeça. Mandando suas dores para o quinto dos infernos.

Como a Berry faz isso?

Rapidamente o contato se quebrou. Elas analisaram os corredores para se certificar de que não seriam vistas juntas.

_ Você está certa sobre quase tudo, Fabray!_ constatou._ Mas está errada sobre uma coisa.

A morena falou encarando o chão antes de levantar os olhos e mirá-los na profundidade esverdeada a sua frente.

_ Eu não odeio você!

Foi só mais uma observação seca, típico dela. Colocou os fones de ouvido e deixou uma Quinn estática para trás.

Como assim ela não a odiava? Os Fabrays odiavam os Berrys assim como o contrário também era verídico, Certo? Essa era a regra.

A conclusão final de Quinn:

Rachel Berry não seguia as regras, ela corria na direção oposta a elas.

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Santana: Você já voltou a falar comigo?

Quinn havia acabado de receber uma mensagem da latina. Estava vasculhando seu armário, procurando algo que pudesse precisar hoje a noite, como: Curativos, roupas e lanternas.

Quinn: Não.

Fechou o zíper da malha jeans azul e ouviu seu celular chamar novamente.

Santana: Então porque está me respondendo?

A loira apertou os olhos e bufou.

Quinn: Não estou falando, estou teclando.

Santana: E onde está a diferença?

Quinn: Fala de uma vez o que você quer!

Arrumou a mochila nos ombros, trancou a porta do quarto e abriu a janela para saltar. Planou os pés de encontro ao chão e trotou até seu carro.

_ Oi, Paixão!

Beijou a lataria e abriu a tela do celular para ver a resposta.

Santana: O Conselho mandou avisar que teremos uma reunião hoje a noite, na floresta, não se atrase!

Merda!

Aprumou-se mais no banco do mustangue. Pensou por alguns segundos no que fazer e chegou a conclusão de que não adiantava uma reunião se a primogênita morresse antes da hora. Seria perda de tempo.

Bufou o ar gélido do crepúsculo e teclou em resposta.

Quinn: Estarei ocupada hoje à noite!

Santana: Fazendo o que?

Teve que sorrir com a ironia da resposta que iria dar agora, já que ela mesma vinha ouvindo o dia todo.

Quinn: Não é da sua conta!

Os motores cuspiram fumaça e apressaram os pneus em direção ao hospital de Lima.

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O caminho de pedras brilhantes estava cada vez mais escuro à medida que o sol se punha. Os pássaros voltavam para suas casas, os grilos já preparavam a seresta e a chuva se alto convidava para uma visita.

Rachel caminhou absorta na estrada negra. Tinha muitas coisas em mente. Não estava confortável em ter que dividir espaço com sua “inimiga”, mas não podia negar que a loira tinha razão, se ela fosse sozinha provavelmente acabaria morrendo e deixando as pessoas que queria tão bem sem proteção.

Se para mantê-los salvos eu preciso me unir a Fabray, que assim seja!

Chegou a uma colina que lhe permitia uma visão deslumbrante da construção imponente. Seu destino final.

Uma luz forte iluminou suas costas. Ela virou-se e esperou.

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Quinn estacionou seu precioso carro no acostamento. Viu a silhueta morena caminhar com as mãos no bolso até ele, abrir a porta e sentar.

_ Você está atrasada!_ observou Rachel olhando no relógio de pulso.

Boa noite para você também, Berry!

_ Estava ajeitando algumas coisas em casa._ apontou para a mochila no banco de trás._ Por precaução.

A pequena aprumou-se no banco e olhou para a noite adensada. A lua refletia os contornos das árvores, iluminando o rio abaixo, dando-lhe uma sensação de paz. Muito rara e almejada.

_ Não vejo nenhum policial!_ observou a loira._ Não deveriam estar patrulhando a área?

_ Há uma viatura rondando a estrada._ bufou, descontraída._ Mas provavelmente não sabem o que estão fazendo, nem contra o que estão lutando.

_ Os enfermeiros e os médicos?

Uma estranha raiva passou rente aos olhos chocolate, mas logo se dissipou.

_ A maioria pediu licença por conta dos ataques._ levou a mão aos olhos e apertou com força._ Estão apavorados!

Elas estavam a uma boa distância do lugar. De frente para todas as possíveis entradas, não havia sinal de nada fora do normal.

Vai ser uma longa noite!

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_ Onde está a Quinn?_ perguntou o líder do clã Fabray.

_ Está resolvendo alguma coisa importante!_ Santana Lopez engoliu em seco.

Os olhos de Russel queimaram. Algo mais importante, o que poderia ser mais importante do que uma reunião com o Conselho?

_ Sam!_ chamou seu filho mais velho._ Descubra onde está sua irmã!

O garoto assentiu, firmou-se em quatro patas e correu noite a dentro.

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Rachel abriu sua mochila e fisgou um livro de capa branca, com o título: O diário de uma paixão, Nicholas Sparks. Abriu-o e navegou por entre as palavras de amor acolhedoras.

Um refúgio de papel.

Quinn batucava os dedos no volante de Mu, totalmente entediada. Era aquele tipo de pessoa hiperativa que não gosta do silêncio como companhia.

_ Então, Berry!_ deixou escapar, estava quase mordendo a língua só para ter o que fazer._ Sabe alguma piada?

Rachel levantou os olhos do livro só para se certificar de que sua audição não estava ruim. Constatou horrorizada que sua “inimiga” havia lhe pedido uma piada, o que por si só já era uma piada.

Muito sem graça.

_ Não._ deu de ombros e voltou para sua leitura.

_ Bom, eu tenho!_ sorriu de lado, entusiasmada._ Qual o nome do peixinho que pulou do 12º andar?

Não. Ela não podia ter ouvido aquilo. Rachel não se lembrava te terem lhe perguntado uma coisa tão idiota nos últimos dez anos.

_ Porque diabos um peixe iria se jogar do 12º andar? E como ele conseguiria fazer isso?_ argumentou a pequena.

_ É uma piada, não precisa ser verídica, só responda a pergunta!

Deu de ombros. Vencida.

_ Não sei!_ finalizou.

_ Atum!_ Quinn começou a gargalhar, ficando incrivelmente rosada. Se bem que qualquer risada mudava sua tonalidade._ Entendeu? Porque ele pulou e gritou: Aaaaaaaaaaaaa e depois colidiu no chão e TUM.

Sim, ela entendeu. Não era preciso ter desenhado.

_ Foi a pior piada que eu já ouvi._ relatou, tentando voltar a sua leitura.

_ Não foi não!_ rebateu._ Você é que não entendeu.

_ Entendi sim, Fabray!_ revirou os olhos._ Se está entediada devia ter trazido um livro ou o seu dever de literatura. Você precisa escrever um poema.

_ Não adianta._ bufou descansando os braços no volante._ Nem se eu trouxer Shakespeare de volta a vida e pedir que ele escreva um para mim vou passar. A mulher me odeia.

Os olhos chocolate a observaram pelo canto das órbitas. Estava começando a sentir pena dela outra vez.

_ Ela deve ter uma razão para isso._ observou Rachel.

_ E qual seria?_ mirou os olhos avelã nela, esperançosa.

A morena só maneou os ombros e voltou a se esconder atrás do livro.

_ E você, já escreveu o seu?

É, não daria para ler sendo interrogada daquela maneira.

_ Não vou escrever. Vou apenas ler.

_ Você tem sorte!_ falou, olhando a paisagem serena._ Pelo menos vai passar em literatura.

A audição da pequena devia estar prejudicada, porque ou estava ouvindo coisas ou a loira havia lhe dito algo bom. Um elogio, talvez?

Um uivo as despertou de seus devaneios. Uma sombra difusa embrenhou-se para dentro do hospital.

É ele!

Elas saíram do carro. Quinn pisou numa guimba de cigarro e chutou-o longe, antes de partir para a entrada do hospital seguida de perto por Rachel. Era chegada a hora.

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O lobo cinza, rastreou o cheiro de sua irmã caçula até uma estrada perto da floresta. Estreitou os olhos prateados e vislumbrou quem procurava na companhia de uma outra menina.

“A Quinn faltou o treino para dar uns amassos?”

Sorriu sacana. Quer dizer que sua irmã perfeita agora faltava seus compromissos para ficar na companhia de sua nova paixonite?

“E é gostosa. Quem será ela?”

Não dava para ver direito naquela escuridão pesada. Sam ficou na posição normal e virou as costas, correndo de volta para a floresta. Apesar de saber que a irmã deveria estar treinando a essa hora, achou que um descanso lhe cairia bem. Ele sabia o tamanho da pressão insustentável que Quinn era obrigada a carregar.

“Aproveite, maninha! Vou acobertar você dessa vez!”

Ele era um bom irmão, mas graças aos céus não reconheceu a outra menina.

Teria sido uma tragédia.

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O hospital estava uma penumbra. As meninas entraram silenciosamente pela porta dos fundos. Alcançaram o saguão principal, estava deserto. Caminharam até a ala de Oncologia e esperaram no corredor. Em frente a porta de vidro.

Nada aconteceu.

_ Ele deve estar por aqui..._ sibilou Rachel._ O que está esperando?

_ Não sei, Berry!_ sussurrou de volta._ Eu tenho um plano!

Um barulho de algum objeto quebrando foi ouvido no interior do quarto, as duas miraram os olhos no local. Prenderam a respiração simultaneamente.

Um animal vinha caminhando sorrateiro pelo cômodo, escolhendo pacientemente sua próxima vítima. Suas patas carregavam uma fileira de navalhas, seu sorriso maníaco caia pela mandíbula bem desenvolvida. Pelos negros lhe cobriam o corpo extremamente bruto e seus olhos vermelho sangravam de desejo.

Um monstro.

Ele é real!

O menino o havia descrito perfeitamente bem. Era hora de por o plano em ação.

Rachel observou a fera arranhar as unhas no chão na direção da maca de Peter. De repente seu coração iniciou uma corrida e sua mandíbula tremeu.

_ Fabray..._ chamou, não houve resposta.

Ela se virou milimetricamente e deu de cara com o vazio.

Onde ela foi?

Não dava para acreditar. Depois de convencê-la a vir junto, ela simplesmente a abandona naquela situação caótica.

_ COVARDE!

A pequena gritou num impulso de raiva. Arrependeu-se logo depois. Quando virou para o quarto a fera a encarava pelo vidro transparente.

Seu corpo respondeu automaticamente e pôs-se a correr.

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_ Onde a Quinn está?_ Russel exigiu saber.

_ Está deitada na cama dela, com febre, vomitando, acho que foi algo que comeu!_ Sam fez uma cara de nojo artística._ Está horrível!

_ Ela não deveria ter faltado a reunião.

Sam revirou os olhos sem que o pai percebesse. Se sua irmã estivesse mesmo doente, porque ela não poderia ficar em casa para descansar? Isso era muito injusto.

_ Vou lá em cima vê-la._ falou o pai.

Puta merda!

_ Acho que não é uma boa ideia..._ tentou formular uma mentira plausível em um quarto de segundo._ Ela está pelada e naqueles dias. Se é que o senhor me entende?

_ Ela está com febre e pelada?_ enrugou a testa cético.

Melhor tentar outra abordagem!

_ Se o senhor quiser ver com os seus próprios olhos é só subir.

Sam rezou mentalmente umas mil vezes para que seu pai caísse na armadilha. Até promessa ele fez tamanho seu desespero.

Eu prometo ficar 24 horas sem sexo!

_ Tudo bem, diga a ela que treinará em dobro amanhã!

Ufa, funcionou!

Soltou o ar dos pulmões e abriu sua agenda com 700 números só de meninas que conhecia e “ficava”. Colocou as mãos no queixo e escolheu um número.

Ele também merecia se divertir. Só precisava esperar um dia.

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A respiração ofegante de Rachel era audível por entre os corredores do hospital deserto, assim como os passos da fera em seus calcanhares. Seu coração esmurrando seu peito num grito desesperado de socorro.

Preciso me transformar!

Virou um corredor escuro e encontrou um armário de vassouras, mas do que depressa se embrenhou por ele e prendeu a respiração. Fechou os olhos buscando alcançar sua força interior.

Anda logo!

Ela podia sentir o fétido bafo do lobo que a perseguia do lado de fora. Esperando paciente por ela. Ou se preparando para demolir a porta.

Seja qual opção fosse, ela precisava se transformar o mais rápido possível.

Não consigo, droga!

Tinha certeza de que ia morrer a qualquer instante, até que ouviu um barulho de algo colidindo contra a parede do lado de fora, seguido por vários uivos e mordidas violentas.

Rachel abriu uma fresta e observou uma luta sanguinária se estendendo a sua frente.

Os lutadores da noite:

O lobo negro e o lobo branco. Um perfeito contraste de ódio.

Quinn havia voltado. Investiu a mandíbula contra a pata traseira do lobo Negro e recebeu uma patada no ombro em resposta. O sangue jorrou. Ambos se atracaram e rolaram porta afora, sumindo noite adentro.

A morena correu para a saída.

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Uma chuva fina mergulhava em direção ao solo. Uma luta brutal ocorria embaixo dela.

O lobo branco mordeu o pescoço do negro e jogou-o de encontro a uma árvore, depois de recobrar o fôlego o negro avançou e travou a mandíbula abaixo das costelas dela. Um uivo agoniado saiu de sua garganta.

“Merda!”

Quinn livrou-se da mordida a muito custo, mas antes que tivesse tempo de recobrar as forças, foi jogada contra um precipício inclinado e caiu, rolando e parando com a ajuda da inércia, encima de uma rocha estreita.

Logo abaixo havia uma queda de dez metros, terminando num rio enfeitado por pedras.

“Essa não!”

Entendeu o que seu rival pretendia fazer. Jogá-la dali. Arrebentá-la contra a solidez.

O lobo negro pulou para a outra extremidade, abriu um sorriso sinistro, parecia se divertir com a perspectiva de matá-la. Curvou-se nas patas dianteiras, pronto para dar o bote.

_ FABRAY!

Rachel estava pouco acima deles. Seu grito chamou a atenção do lobo negro e Quinn aproveitou a deixa. Investiu o corpo contra o dele e viu-o perder o equilíbrio e desmoronar penhasco abaixo, batendo contra a terra firme e caindo no rio.

O lobo negro nadou exausto até a outra margem. Uivou de raiva, encarando-as uma última vez antes de sumir por entre as densas árvores.

A morena desceu o rochedo com um cobertor nas mãos e embrulhou Quinn para que ela pudesse voltar ao normal. Havia sangue para todo o lado.

Apoiou-a no corpo de volta para o carro.

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_ Deixe eu explicar meu plano brilhante!_ falou Quinn com um cobertor cobrindo-a, uma compressa quente na cabeça e um termômetro caído de lado em sua boca.

Rachel permanecia dirigindo com uma expressão para lá de descontente.

_ Brilhante?_ debochou._ Não vejo nada de brilhante em me abandonar, se arrepender e voltar.

_ Eu não te abandonei, Berry!_ defendeu-se meio grogue._ Você foi a isca!

A morena deu-lhe um tapa na perna.

_ Ai, você não acha que já estou machucada o suficiente?_ falou apontando para si mesma._ Então, prosseguindo, eu tinha que dar um jeito de atrair o bicho para fora do alcance das crianças. De preferência para fora do hospital. E precisava de um tempo para me transformar, aí é que você entra...

A pequena estreitou os olhos. Sua mão coçando de vontade de socá-la.

_ Você o distraiu para que eu tivesse tempo de me transformar, eu voltei e dei um jeito nele._ sorriu de um jeito meio bobo._ Deu tudo certo!

_ Você poderia ter me contado isso antes, não?

Quinn continuou murmurando que “ela era brilhante”, “demais” e“ extremamente esperta”. Ignorando as palavras da morena. Rachel rolou os olhos para o narcisismo.

_ Fabray...

_ Olha..._ apontou para o alto._ Um passarinho!

Não havia pássaro algum. Deus. Como poderia? Elas estavam dentro de um carro.

Ótimo, agora ela está delirando!

_ Bate as asinhas, agora canta!_ falou para o nada. Sorrindo bobamente._ Que bonitinho!

Depois de alguns segundos de delírio ela caiu na inconsciência. Rachel a observou desmaiada no banco do carona. Era a segunda vez que ela lhe salvava a vida e até podia ser por conveniência como ela bem sabia, mas retribuir não custava nada.

Afundou o pé no pedal rumo a sua casa na noite tempestiva.

O destino sorriu para aquela cena. Seu plano inescrupuloso estava caminhando como o planejado. As cartas foram lançadas e a sorte sorriu a seu favor. As coisas estavam mudando.

Notas finais
As provas estão começando então eu talvez demore um pouco mais para postar, mas fiquem calmos, não vou abandonar a história, só peço que tenham paciência.As coisas estão mudando, deu para perceber né?!Deu um pouquinho de medo escrever o capítulo, tentei amenizar com o humor, espero que tenha equilibrado. Tomara que tenham se divertido, nos vemos no próximo. Um beijo a todos.