Glee-21-Faberry

16 Take it all. Part 3


Notas iniciais
Não importa onde está, continuo aqui por você. Agradeço a todos que comentaram no capítulo passado. Agradecimento especial a LETICIA pela recomendação. Eu vi pessoas fazendo gestos inacreditáveis para mostrar o quanto gostam dessa história. Não conheço nenhum de vocês, mas isso não muda o fato de que amo escrever para os desconhecidos que me acompanham aqui.

So is it over? Is this really it? You're giving up so easily, I thought you loved me more than this,”

As nuvens tingiram o céu noturno de cinza. Não havia estrelas naquela noite. Podia ser uma superstição boba e desprovida de fundamento, mas os observadores celestes consideravam um mau sinal. No caso de Quinn, talvez estivessem certos.

O diário dormiu no assoalho frio e brilhante.

Quinn optou por um local não menos incomodo para descansar. Suas costas protestaram noite adentro, mas ela não se moveu um centímetro longe da escrivaninha. Peter estava sofrendo em algum lugar nesse exato momento e ela não considerava justo esbanjar lazer quando uma criança era privada da possibilidade de viver.

O terrível era saber que existia uma cura.

E o pior era não estar ciente de sua localização.

“O que criei de mais importante está guardado no que tenho de mais importante, mas não pude criar.”

A frase ficou cravada em sua memória. Parecia uma repetição infindável, mas ela não chegou à conclusão alguma. Estava mais perdida do que nunca. O amanhecer não tardou a preencher o quarto, pintando as paredes brancas de amarelo. Quinn resmungou e virou o rosto de lado quando a claridade incidiu sobre suas pálpebras tentando despertá-la.

_ Acorda, filha._ Judy sacudiu-a._ Vai perder o treino.

_ Só mais quatro horas, mãe.

A mulher rolou os olhos.

Caminhou até o banheiro e abriu o armário fisgando um copo e em seguida embebedando-o com água da pia. Levou até ela e despejou a metade. Quinn levantou no susto e encarou-a emburrada.

_ Precisava ter feito isso?

_Infelizmente, sim._ voltou ao toalete. Colocou o vidro no lugar e bateu de frente a uma anormalidade._ Suas caixas de remédio para enxaqueca estão cheias. Você não está tomando?

A menina sacudiu a cabeça para tirar o excesso de água dos cabelos.

_ Eu não tenho mais dores.

Os olhos de Judy cresceram.

_ Como assim?

Quinn deu de ombros. Arrebatou uma toalha para tomar banho e ficar legitimamente apresentável. Carregou suas roupas, utensílios de higiene e um pensamento tortuoso.

O pensamento matinal:

“Eu realmente gostaria de saber.”

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Uma gota trincou contra a pia do banheiro. O vento uivava contra a janela trocando de nota quando julgava necessário. Rachel bufou um lamento. Fazia dias que não pregava os olhos ou quando finalmente o cansaço arrebatava sua consciência, adormecia por miseras horas.

Sentiu os cabelos serem gentilmente afagados.

_ Perdeu o sono?_ Quinn jogou um braço ao redor dela.

_ Não consigo parar de pensar nele.

A loira afundou o rosto contra o pescoço moreno e a puxou mais para perto, aumentando o conforto da namorada. Assoprou um fio da franjinha para longe da testa pequena e depositou um beijo demorado no lugar.

Os olhares fizeram um breve contato.

Ambas possuíam a mesma sensação de vazio e desespero.

Peter respirava com mais dificuldade a cada volta no ponteiro. Sua situação continuava deplorável e tudo que podia ser feito já fora realizado. A única solução era a cirurgia que valia uma fortuna.

Um beco sem saída.

Quinn pensou um pouco e só conseguiu encontrar um meio para confortá-la. Algo que aprendera com sua mãe durante as sessões de pesadelos.

_ “Look at the stars. Look how they shine for you. And everything you do. Yeah, they were all yellow…”

Rachel permitiu que sua boca formasse um sorriso triste e acalmou os olhos enquanto absorvia cada nota doce que Quinn proferia. Os minutos passaram rasteiros, seu corpo alcançou o relaxamento almejado e caiu sobre o braço de giz.

Uma mão pálida puxou a colcha e cobri-as até os ombros. Quinn afagou os membros agora calmos e sibilou um: “Boa noite!” antes de se entregar ao sono.

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A mesa de jantar foi dividida entre palavras e talheres. Uma conversa paralela rolava enquanto os demais apenas ouviam mastigando seu respectivo prato.

_ Vamos ficar fora durante a semana._ Russel falou para o pai de Santana._ Temos que resolver os últimos detalhes para a batalha que se aproxima.

Quinn engasgou quando os olhos dele recaíram sobre ela. Faltavam duas semanas para o seu aniversário. Quatorze dias na mais pura e inquebrável tensão. Precisava encontrar um jeito para contornar a profecia.

O mais rápido possível.

_ Os Berry não têm a menor chance, Russel._ Apoiou-o._ Sua filha é sem dúvidas a mais preparada para esse confronto.

O copo de vidro sobre a mão pálida sofreu um leve abalo quando uma pressão desnecessária foi exercida em sua borda. Quinn tremia, Santana olhou-a pelo canto dos olhos e prendeu a respiração. Sam coçou a garganta para chamar sua atenção, inutilmente.

_ Não tenho dúvidas quanto a nossa vitória._ O chefe do clã Fabray sorriu branco._ Minha filha irá destruir a primogênita Berry.

Uma sentença lamentável. O copo de vidro foi fechado e cortado em vários cristais. Quinn gritou quando sua mão recebeu o mesmo tratamento e o sangue empapou-lhe a palma. Toda atenção recaiu sobre sua figura em vermelho.

Os mais velhos lançaram olhares interrogativos.

Os mais novos engoliram um pavor seco.

Quinn ergueu os olhos. Abriu a boca uma série de vezes, mas foi a voz de Santana que ecoou pelo espaço claustrofóbico da sala.

_ Eu sabia que esse copo não aguentaria muito tempo._ atuou tentando contornar a situação._ Estava trincado. Vou pegar a caixa de primeiros socorros.

Levantou imediatamente da cadeira e rumou para o andar de cima. Quinn pediu licença e a seguiu. Não conseguiu acreditar que sua amiga, mais uma vez, livrou-a de uma dor de cabeça desnecessária. Correu para o quarto e encontro a latina acompanhada por curativos e remédios.

Sentou na cama enquanto ela limpava a ferida.

Quinn ficou muda. Santana tomou todo cuidado necessário para evitar que o corte resultasse numa infecção indesejada. Terminou o trabalho e voltou a guardar o resto na caixa com um sinal vermelho de mais.

Uma nota para refletir:

Uma pessoa te corta em pedaços numa noite. Noutra, lhe ajuda a colá-los.

Como o ser humano é mutável. Um dia de sol, outro de chuva. Uma moeda de dois lados que é atirada com toda força para cima, rodopia graciosamente no ar até atingir o solo desgastado, indicando sua sorte ou azar.

Ninguém é só bom ou mau.

Somos os dois. Um pedaço de cada.

Um equilíbrio incerto de escolhas.

_ Obrigada, Santana.

_ Cala a boca, Fabray._ ditou, formando uma barreira sólida de braços._ Essa é a última vez que defendo você. Pode ter certeza.

Quinn trancou os olhos e assentiu. Santana agarrou o braço da caixa e trotou para fora do quarto. Sam apareceu um segundo depois.

_ Têm horas que ela faz jus ao apelido de “vadia”._ sibilou para Quinn.

Uma voz irada subiu as escadas.

_ EU OUVI ESSA, BOCA DE CAÇAPA.

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Rachel estava ligada em uma música extremamente barulhenta. Seus fones tremiam nos ouvidos, mas era melhor assim. Seu meio alternativo para evitar pensamentos indesejáveis. Estava limpando o armário para comemorar devidamente seu último dia de aula.

Alguns livros escorregaram de suas mãos e esmurraram o chão.

Um pé esbarrou propositalmente em um deles e arremessou-o longe.

Ela fechou os punhos e travou a mandíbula. O sangue bateu feroz contra as veias. Santana permanecia à sua frente, com os braços cruzados e uma sombrancelha arqueada.

Parecia estar desafiando a pequena a ir pegá-lo.

_ Quanta infantilidade.

_ Preciso estar a sua altura, Berry._ retrucou._ Ainda que seja difícil ser tão baixa.

Um passo a frente foi dado, mas um braço foi puxado impedindo sua progressão.

Quinn chegou à cena. Rumou silenciosa até o livro do outro lado do corredor, pegou-o e colocou na mochila de Rachel. Deu meia volta e encarou a latina.

_ Vocês se merecem!_ Santana rugiu entre dentes e foi embora.

Os olhos avelã sumiram por trás das órbitas. Choramingou baixinho. Sentiu uma mão enlaçar a sua e virou-se para a dona. Rachel beijou sua bochecha com carinho.

_ Estou realmente preocupada agora.

_ Por quê?

_ Santana implicar com você não é novidade, mas tenho certeza que outros membros do meu clã farão o mesmo já que a profecia está tão próxima._ tremeu com o pensamento._ Tenho medo de como vão agir.

A rixa entre os clãs já gerara uma série desnecessária de brigas e derramamento de sangue ao longo dos anos. Quinn estava ciente de que seus parentes não ousariam matar sua namorada porque sabiam que para a profecia ser consolidada era preciso que Rachel morresse pelas mãos da mesma.

Mas se resolvessem machucá-la. Por diversão.

Não haveria interferência no destino.

_ Nada de ruim vai me acontecer.

Uma última preleção futura:

Rachel escolheu uma péssima hora para estar errada.

Quinn nem se deu ao trabalho de conferir se tinha alguém por perto. Mergulhou nos lábios de Rachel e acariciou sua nuca, puxando-a até colidirem.

Ninguém as viu.

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Com o fim da escola as meninas tinham um tempo livre muito convidativo. Rachel poderia passar mais tempo com Quinn e com as crianças até que Peter voltasse para a sala. Quinn tinha outros planos, tão trabalhosos e terríveis que ela desconsiderou estar de férias.

Sua meta principal era encontrar a cura.

_ Posso te perguntar uma coisa?

Rachel assentiu no banco do carona. Virou uma folha do livro enquanto a pergunta era formulada. O cérebro da loira estava numa batalha de dúvidas violenta. Não estava tendo um bom progresso. Chegou à conclusão de que Rachel talvez pudesse lhe dar uma luz mesmo sem saber ao que ela estava se referindo.

_ O que sua mãe tinha de mais importante na vida?

Óbvio que a reação da morena foi de surpresa e alienação. Não fazia ideia de onde tinha surgido uma questão dessas, mas resolveu pensar um pouco e responder.

_ O hospital.

Quinn teria espalmado a própria testa senão estivesse com as mãos ocupadas guiando o volante. Seu coração bateu desenfreado. A resposta era tão óbvia e simples. Shelby escondera o diário no hospital, criara a cura lá, faria todo o sentido tê-la confinado no local de sua origem.

_ Por que a pergunta?

Os dedos pálidos apertaram o guia com mais força. Quinn abriu a boca para falar e tremeu um pouco.

_ Curiosidade._ jogou a resposta mais inútil que encontrou.

Rachel espremeu os olhos, cética. Deu de ombros depois de um tempo e voltou a se afogar em sua história. A motorista tinha um sorriso por trás dos lábios, gravado em sua alma. Estava com os ânimos renovados.

Se fosse preciso virar o hospital de cabeça para baixo para encontrar a cura, ela faria.

Estava disposta a tudo para salvar Peter.

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Um agrupamento de papel caiu do outro lado da estante. Quinn xingou mentalmente. Estava na antiga sala de Shelby, revistando cada canto, atrás da única salvação do garotinho de olhos mel. Começou por lá porque as chances da cura estar ali eram logicamente maiores.

O problema era que não havia uma página no diário dizendo como a cura aparentava ser.

Um líquido viscoso. Uma vacina.

Podia ser qualquer coisa.

Encontrou uma série de pequenos tubos de ensaio contendo líquidos brilhantes de cores diferentes. Levou-os até uma mesa e abriu um, derramando uma gota sobre a madeira, quase imediatamente o material foi corroído pela substância ácida

Com certeza não é esse.

Testou mais alguns que tiveram reações negativas. Um deles quase grudou a mão de Quinn no móvel. Suspirou derrotada. Aquela fileira de frascos foi riscada da lista. Abriu o compartimento onde os tinha encontrado e observou várias estantes contendo milhares de tubos.

Isso não está dando certo. Estou deixando escapar alguma coisa.

Só lhe restavam doze dias. Não podia se dar ao luxo de gastar mais tempo procurando naquele labirinto de possibilidades. Fechou os olhos respirando fundo. Pensou nas palavras do diário. Shelby estava trabalhando com recombinações de células de lobos e humanos.

Células precisam de sangue para sobreviver.

Ligou os pontos e chegou à conclusão mais sensata.

Um frasco contendo sangue.

Fez uma busca de trinta minutos pelo compartimento, mas não encontrou nada que reluzisse vermelho. Seu celular a despertou.

Rachel: Vai começar a hora da história. Onde você está?

Quinn bufou. Não iria conseguir muito mais hoje. Seria muito arriscado e a morena acabaria percebendo que algo estava fora do lugar.

Quinn: Refeitório. Já estou indo.

Enviou a meia verdade.

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Um círculo de olhares curiosos e sonhadores foi moldado pelo rosto brilhante de cada uma das crianças que “moravam” naquele lugar. Duas meninas estavam no centro. Uma segurava a abado do livro sorrindo enquanto a outra estava lendo agarrada a outra ponta.

“Rapunzel jogou as tranças torre a baixo e esperou ansiosa pelo seu amado que subia com vigor para libertá-la da prisão e devolver-lhe o direito de viver.”_ Rachel finalizou.

Todos sorriram em uníssono.

Foi um momento terno. A simplicidade de um sorriso pode salvar uma vida. Não tenha dúvidas. Vários sorrisos podem mudar o mundo ou pelo menos transformá-lo num lugar mais aceitável. Quando você anda na rua, quantas pessoas vê sorrindo? Aposto que dá para contar nos dedos e ainda sobram alguns.

Uma conclusão nova:

O mundo precisa sorrir mais.

_ Tia Quinn._ Jane aconchegou-se no colo de Rachel._ Você pode contar a piada que nos prometeu?

Ela foi pega de surpresa, arregalou os olhos e abriu a boca para responder, mas a fechou logo em seguida, então Rachel resolveu intervir.

_ Ela vai contar e depois vocês irão dormir.

Houve um murmurinho mínimo diante das condições, mas eles não tinham muita escolha. Quinn coçou a nuca. Engoliu uma bola de nervosismo e comprimiu a garganta. Sua mente nublou, nenhuma piada a alcançou.

Estava cercada por olhos expectantes.

Não havia saída.

_ Pitoco viu um anuncio no jornal...

Rachel bufou em silêncio. Fez uma nota mental para lembrar mais tarde de descobrir quem era esse “ser” e surrá-lo eternamente por todas as péssimas histórias que fora obrigada a digerir.

_ Dizendo que tinha uma mulher que queira um homem que não batesse nela, não fugisse e fosse bom de cama.

Os olhos de Rachel congelaram.

O que tinha acabado de ouvir?

_ Ele foi até a casa dessa senhora. Viu uma dezena de outros homens se afastarem tristonhos, mas não se acovardou. Tocou a campainha e uma mulher atendeu. Pitoco estava estirado no tapete e disse: “Eu sou o homem perfeito para você.” A mulher ergueu as sobrancelhas e retrucou: “Mesmo? “Ele reafirmou:” Sim. Veja, não tenho braços, portanto não posso te bater. Não tenho pernas o que me impede de fugir.” Ela olhou-o e concordou. Porém ainda faltava um requisito: “E você é bom de cama?” perguntou ao que ele respondeu: “Claro! Como acha que eu toquei a campainha?”

Quinn terminou e encontrou um silêncio indagador.

Rachel parecia à beira de um ataque.

_ “Bom de cama” é porque ele gostava de dormir muito?_ perguntou Jane em sua inocência juvenil.

_ Não._ contrariou._ Quer dizer que ele tinha...

_ FABRAY!_uma mão formou um escudo na boca dela._ Vamos lá fora um instante?

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Um objeto particularmente pesado voou de encontro à cabeça de Quinn, ela desviou por pouco quando o viu bater na parede e cair no chão aos pedaços. Engoliu com dificuldade correndo para trás de uma maca.

_ Desculpe!_ brandiu pela milésima vez._ Foi a única piada que me veio a cabeça.

_ Você precisava ter contado uma indecente? Eles são crianças, Quinn.

A maleta com seringas passou raspando em seu rosto. Rachel era o descontrole em carne, osso e chamas.

_ Ponha esse monitor cardíaco no chão._ pediu num gesto desesperado._ Isso, muito bem... não, Rachel.

Tarde de mais. O objeto despencou ao seu lado. Errou-a por pouco, mas abrandou a fúria morena. Não trocaram uma palavra depois desse impasse. Dirigiram para a casa dos Berry quando a hora de visita terminou.

Rachel virou o rosto sem olhar para o lado.

Abriu a porta e bateu com força.

_ Vai ficar zangada por quanto tempo?_ Quinn gritou de dentro do carro.

A pequena parou e estreitou os olhos. A motorista engoliu em seco ao ver que ela estava ao lado de uma pedra inconvenientemente grande. Não queria ver seu carro sofrer as consequências do seu deslize.

Grudou os dedos sobre a ré e afundou o pé no acelerador.

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Três dias caminharam na linha oca do tempo. O primeiro foi de calor, o segundo de vento e o terceiro de lágrimas. Rachel ignorou todas as ligações e mensagens de Quinn. Trancou-se no quarto e afundou-se nas páginas inebriantes de seu paraíso particular.

Uma batida a trouxe de volta a realidade.

_ Podemos conversar?

Adam Berry estava parado à porta. Seu rosto esbanjava uma expressão suave. Um meio sorriso carinhoso apareceu por trás de suas pálpebras.

Rachel deu de ombros e o seguiu até a cozinha.

Sentaram-se de frente um para o outro.

_ O clã irá fazer uma reunião com todos os membros hoje._ jogou a notícia._ Sei que você não vai comparecer, mas acho importante que fique a par de tudo que estão planejando fazer.

Ela assentiu lentamente.

_ Vamos discutir um lugar para escondê-la.

As sombrancelhas dela subiram.

_ Como assim?

_ Eu nunca quis que você entrasse nessa guerra inútil e estou muito orgulhoso que tenha negado fazer parte dessa trama._ agora ele sorriu por inteiro._ Mas os Fabray têm sede de sangue, treinaram aquela menina de maneira impecável. Não vou correr o risco de deixá-la desprotegida.

Esse é um momento para parar e refletir. As pessoas agem de maneiras diferentes para alcançar seus objetivos. Geralmente existe mais de um caminho para seguirmos, mas como julgar o que é certo diante de uma boa intenção?

Um resumo paternal:

Russel Fabray treinou Quinn.

Adam Berry não treinou Rachel.

Mas no final o objetivo era o mesmo. Não queriam ver as filhas feridas e muito menos mortas. Russel era mais frio e imparcial, mas essa é a sua maneira de agir. De proteger as pessoas que amava. Adam vestiu a pele de mentiroso apenas para que Rachel não aceitasse treinar e igualmente sobrevivesse.

Posso não concordar com certos métodos, mas chamá-los de vilões?

Quando apenas queriam o bem das próprias filhas?

Alguns diriam sim. Outros não. Mas a verdade é que julgar e tão fácil quanto respirar. Fazer o certo, arriscando-se, sofrendo consequências inexplicáveis em silêncio, isso sim, é tão difícil quanto prender o fôlego.

_ O que acontece se a profecia não se realizar?

Rachel nunca havia parado para refletir sobre isso.

_ Eu não sei._ coçou os olhos._ Espero que os espíritos entendam e nos poupem.

Internamente, ela desejou o mesmo.

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A chuva do fim de tarde caminhou serena por todo o vale. Uma orquestra estava se apresentando sobre o leito do rio. O som das gotas cantando contra a água de concreto era calmo e ritmado. Música natural.

Quinn enviou a quinquagésima mensagem do dia enquanto brincava com a comida.

_ Como vão as coisas com a Berry?

Sam perguntou aleatoriamente. Estavam jantando com Santana. Os pais de ambos haviam saído para resolver um problema. A latina tencionou os ombros e trincou os dentes ao ouvir o nome da inimiga, mas preferiu focar toda sua concentração no que estava tentando comer.

_ Nós estamos brigadas. Eu acho.

_ Por quê?

Quinn contou do incidente e arrancou uma gargalhada do irmão. Santana também teria tido o gostinho de rir, caso as circunstâncias fossem outras.

_ Depois eu é que sou pervertido.

Ela carimbou um tapa no braço dele.

_ Eu estava nervosa._ explicou-se._ Não consegui pensar em mais nada. A burrada está feita agora.

Santana permanecia quieta em seu canto, mas seus ouvidos estavam bem vivos.

O celular chamou a atenção de todos. Quinn levou a mão ao parelho e visualizou o menu principal.

Uma mensagem não lida. De Rachel.

Deu um sorriso vivo e abriu o conteúdo. Seu coração estacionou e o riso se desfez na mesma velocidade que chegou. Um pedido de socorro. Ela torceu as mãos e levantou num pulo. Sam a acompanhou. Leu a mensagem e igualou-a em estado de choque.

_ Sabia que isso ia acontecer._ Quinn falou às pressas._ Eu tenho que ir.

Sam prendeu seu punho e lhe deu sorriso calmo.

_ Nós vamos ajudá-la.

Santana não se moveu um centímetro.

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Enquanto Quinn jantava na casa dos Lopez, Rachel aproveitou a estiagem para esticar as pernas. Levou o celular e abriu as últimas cinquenta mensagens para matar a saudade que nunca admitiria estar sentindo da namorada.

Mensagem nº 3:

Estou olhando as estrelas. Sinto a sua falta.

Sorriu apreciativa. Quinn estava de castigo pelo seu mau comportamento e a pequena tinha o orgulho muito aguçado para tirá-la antes da hora. Mesmo sendo esse um de seus mais obscuros desejos no momento.

Chutou algumas pedras no caminho.

Sentiu a chuva apertar, mas não se importou.

Rumou cada vez mais alto pela estrada asfaltada. Sentia o sangue correndo vivo nas veias e o coração batendo feliz no peito a cada mensagem lida.

Número 22:

Estou dormindo com meu irmão que têm o péssimo hábito de roncar. Alto. Preferia mil vezes estar dormindo com você agora. Boa noite, Rach.

Ela não podia negar para si mesma que estava feliz. De certa maneira nunca sentiu o que agora se instalava em seu peito. Essa energia que faz com tudo pareça possível, que te preenche da maneira completa e inexplicável.

Quinn era sua moradia segura.

Última mensagem:

Me perdoa?

Foi o que bastou. Considerou que três dias tinham sido mais do que suficiente para que a loira aprendesse sua lição. Estava prestes a responder quando seus pés pararam sozinhos.

O terror a invadiu. Seus dedos congelaram.

Havia um amontoado de motos na frente do bar universitário. Um grupo de rapazes estava cochichando e observando-a de perto. Quatro adolescentes. Três de cabelos mel e um dourado. Ela os reconheceu como parentes de Quinn e as palavras da mesma preencheram sua mente: ”Outros membros do meu clã farão o mesmo já que a profecia está tão próxima. Tenho medo de como vão agir.”

Tentou disfarçar o nervosismo, mas já era tarde. Os garotos começaram a se aproximar. Rachel deu meia volta e caminhou com rapidez, mandou uma última mensagem para Quinn, rezando para que recebesse logo.

A resposta de Rachel:

Preciso de ajuda! Têm pessoas do seu clã no meu encalço.

Enviou e absorveu uma generosa lufada de ar antes de começar a correr.

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Quinn dirigia furiosamente atrás do volante. Fez uma curva brusca e jogou os pneus contra a terra molhada, acelerando cada vez mais. Sam estava no banco do carona mantendo os olhos firmes na estrada.

Não dava para ver nada além da chuva.

_ Ela respondeu?

_Não._ o garoto conferiu o celular._ Acho que fugir e digitar ao mesmo tempo não é um trabalho que possa ser chamado de fácil.

Ela bufou impaciente. Sua testa latejou.

Como iria encontrá-la naquele caos?

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Rachel correu com o coração esmurrando a garganta. A respiração saia falha e as pernas estavam tensas e doloridas, mas não parou. Sentia a terra tremendo às suas costas. Os garotos provavelmente andavam sobre quatro patas agora.

Considerou parar e se transformar, mas não era tola.

Era só ter uma mínima noção de matemática.

Uma resolução inútil:

Quatro contra um.

A desvantagem cantou em seus ouvidos. O vento açoitou seu peito quando um arbusto negro cortou-lhe a testa. A dor foi excruciante porque o espinho havia cravado fundo na carne fragilizada. Deu um grito mudo.

Saiu para uma clareira. Encontrou uma trincheira imensa que se estendia por todo o vale.

Não pensou nem uma vez antes de pular.

Cruzou as mãos e calou a respiração. Ouviu o arrastar de patas cada vez mais vivo. Os lobos haviam parado de correr e começavam a esquadrinhar o local, muito próximo onde Rachel estava escondida.

“O cheiro de terra molhada não está me deixando rastreá-la.”

Um dos lobos reclamou franzindo o focinho.

O maior deles caminhou até a beira da vala. Olhou ao redor, pensou ter visto algo se mexer e estreitos os olhos. Um esquilo saiu apressado de lá e ele deu de ombros.

“É provável que ela tenha ido naquela direção.”

Eles partiram e ela soltou o ar que estava prendendo.

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Quinn estacionou o carro no acostamento. Vislumbrou uma sombra vermelha familiar. Rachel cambaleou em direção ao mustang. A loira saiu do carro correndo ao seu encontro. Não pediu permissão para abraçá-la.

_ Você está bem?

_ Sim._ ela afundou o rosto contra o corpo de Quinn._ Eu consegui escapar. Eles...

Um soluço involuntário vazou do peito de Rachel. Quinn a apertou com mais força. Ela sentia a pequena tremer. Sabia que tinha sido uma situação realmente assustadora para deixar uma pessoa tão firme naquele estado catatônico.

_ Ninguém vai te machucar._ beijou-a com ternura._ Eu não vou deixar.

Rachel assentiu sem forças.

Um lobo cinza apareceu na cena. Piscou para elas antes de correr para a floresta. Sam havia dito que procuraria os responsáveis para dar-lhes um susto, sem mencionar a parte de que estava “protegendo” a inimiga.

_ Sua testa está sangrando.

Quinn passou os dedos de leve na pele perfurada.

_ Vou tirar você daqui.

Ela evitou uma surra memorável. Porém, não menti com relação à preleção de minutos atrás. Só não revelei quando vai acontecer, mas isso não muda o fato de que ela estará em apuros futuramente.

E não haverá Quinn para salvá-la.

Escapou uma vez das mãos do destino, mas a sorte é como um raio.

Não cai duas vezes no mesmo lugar.

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O vento devia estar com as cordas vocais fraturadas. Rachel não conseguia ouvi-lo. Estava debruçada sobre o banco do carona, com a testa latejando profundamente e lama em metade do corpo. Um cansaço impassível a comprimiu e ela relaxou.

Então o som se refez. Gritos exasperados.

_ NÃO ME IMPORTO COM O QUE VOCÊ PENSA.

Quinn bateu a porta às suas costas e rumou firme, seus olhos estavam pesados enquanto carregava a maleta de primeiros-socorros. Abriu a porta para ter acesso à Rachel. Colocou-a delicadamente de lado e levou um pano molhando a linha funda em sua pele.

Cada movimento delicado era minuciosamente memorizado pela pequena. Podia ver a respiração preocupada queimando o peito oposto, seus braços tensos rubricando ódio e os olhos marejados de lamento.

Tudo parecia mover-se contra elas. Não era justo.

_ Quinn._ puxou o rosto dela para perto quando viu a imensidão avelã sumir._ Eu estou bem.

As mãos pálidas caíram em tremor. Um soluço foi morto em sua garganta seca.

_ Se eles tivessem feito alguma coisa com você, eu juro que..._ não conseguiu terminar. Era terrível demais pensar em Rachel machucada e igualmente doloroso ter que confrontar seus familiares.

Rachel ajoelhou na sua frente e puxou a mão dela acariciando a palma e levando até os lábios. Deu um sorriso puro, de alegria, pelo momento doce de estarem finalmente juntas. Porque não importava a quantidade inescrupulosa de obstáculos. No final, elas sempre conseguiam se encontrar.

_ Eu queria muito um beijo agora.

Quinn ouviu o pedido e não pensou. Houve um choque de lábios quando ela caiu contra Rachel. Jogou os braços ao redor de seus ombros buscando aprofundar o contato. Sentiu a ansiedade oposta igualmente sedenta. Como se todas as barreiras da morena tivessem caído. Ela estava agindo com o coração, sem esconder nenhum sentimento.

_ Acho que vou comprar um sino para anunciar minha chegada.

Sam bradou com um sorriso lateral e uma bermuda jeans. Quinn revirou os olhos.

_ Você os encontrou?

_ Não._ lamentou._ Perdi o rastro deles naquela tempestade. Não queria estragar esse momento, mas temo que você possa ser atacada novamente.

Rachel encarou o chão um pouco surpresa por toda aquela preocupação inusitada do irmão de Quinn, mas terrivelmente focada no terremoto de emoções ao lado.

_ Nossos pais ficarão fora essa semana._ Sam falou para Rachel._ Acho melhor você ficar aqui conosco.

Houve um arregalar de olhos simultâneo, mas por razões totalmente antagônicas. Rachel ficou chocada com o fato dele ter oferecido uma insensatez daquelas e Quinn estava atônita de não ter sido a dona da ideia.

_ Ele têm razão._ apoiou._Esse é o lugar menos óbvio para você se esconder.

_ Porque você não fica lá em casa comigo?

_ Não seria prudente._ rebateu._ Alguém poderia me ver por perto, já que estão te observando com mais atenção, isso culminaria em perguntas que poderia revelar a verdade._ suspirou cansada._ Eu posso te proteger aqui, sem ninguém desconfiar. Só por alguns dias, até encontrarmos uma alternativa melhor.

Levou um segundo para Rachel pesar suas opções.

Ficar sozinha estava fora de cogitação. Quinn ir com ela era igualmente negligente.

Só lhe sobrou uma alternativa.

_ Tudo bem.

Quinn a envolveu e depositou um beijo no canto dos seus lábios, Sam fez uma careta quando lembrou um detalhe impassível.

_ Nós só temos um “probleminha.”

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O problema crucial e impossível de ignorar é que eles não estavam em sua própria residência para abrigar uma pessoa do clã oposto. Estavam morando de favor e tinham uma forte sensação de que a dona da casa não seria tão solidaria.

Duas meninas trocaram olhares indagadores na pequena sala.

Uma questão foi lançada no ar.

Continha poucas palavras. Um pequeno apelo.

A pergunta de Quinn:

Ela pode ficar aqui?

Sua resposta veio numa espécie de riso debochado, carregado de incredulidade. A anfitriã enrijeceu os braços e a expressão no segundo seguinte. Seus olhos tornaram-se noite. Tinha uma serra em formato de dentes quando deu a sua pequena e sincera resposta.

A reposta de Santana:

Nem por cima das minhas cinzas.

Quinn imaginava que esse seria o resultado. Por isso escondeu os argumentos na ponta da língua para contornar a situação.

_ Precisamos mantê-la viva até o dia marcado, Santana.

_ Tenho cara de idiota?_ rebateu._ Eu disse que não faria parte do seu showzinho egoísta. Você escolheu a Berry, pois bem, arque com as consequências.

Recorrer à profecia seria inútil. Santana estava impassível.

Quinn fechou os olhos e jogou a verdade. Porque era tudo que lhe restava.

_ Eles foram atrás dela hoje.

A loira tremeu em silêncio. A amiga parou no meio do cômodo e sua expressão de incomodo se transformou em cacos desajeitados de terror. Sabia o que Quinn queria dizer por que essa história de rixas antes da batalha real era tão antiga quanto a origem de sua raça.

Santana desviou os olhos e fitou a parede.

_ Se precisar dormir do lado de fora da casa dela embaixo de sol ou chuva, eu vou. Não me importo._ Quinn tentou passar toda a sinceridade que tinha no momento._ Vou protegê-la contra tudo.

A latina girou nos calcanhares e caminhou na direção dela. Tinhas as mãos embasadas na cintura, o nariz arrepiado e os olhos em chama. Empurrou-a no canto e colocou um dedo no peito pálido.

_ Não quero ouvir a voz, passos ou a respiração dela._ ditou as regras._ Ela terá que ficar o tempo todo no quarto com você e se alguém a vir vou negar que tive alguma relação com seu capricho. Entendeu?

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O vento soprou uma baforada gélida embaçando a janela. Rachel tinha um braço febril ao seu redor e uma respiração calma fazendo carinho em sua cabeleira. Seus pés viraram dois blocos de gelo e ela tomou as devidas precauções para não encostá-lo em Quinn que dormia a sono solto.

Mas uma parte de seu corpo parecia um deserto.

A garganta estava tão seca que não a permitia fechar os olhos.

Levantou com cuidado. Rumou para a escuridão do corredor e embrenhou-se pelas sombras tomando o cuidado de ocultar seus ruídos. Sabia que estava proibida de sair de sua mais nova e aconchegante prisão, mas ela necessitava de um bendito copo de água.

Andou muda pela sala, onde Sam dormia( por escolha própria) com os braços pendurados na borda no sofá. Deu mais alguns passos e avistou uma luz ínfima vinda da cozinha. Estacou no segundo que passou quando uma pessoa entrou em sua linha de visão carregando um copo com líquido transparente.

_ Você não devia estar aqui fora.

Rachel continuou em silêncio.

_ Posso ajudá-la?

Ela não esperava um ato bondoso vindo da pessoa à sua frente, mas relaxou quase imediatamente.

_ Estou com sede.

O copo foi esticado em sua direção e um sorriso gentil a cumprimentou. Ela hesitou antes de pegá-lo e matar a sede intensa que a estava consumindo.

_ Meu nome é Brittany.

_ Eu conheço você dos treinos.

_ É mesmo._ sorriu na constatação._ Mas não tivemos a oportunidade de trocar uma palavra até agora. Santana está um pouco nervosa com toda essa situação.

_ Imagino._ segurou os braços._ Não pensei que ela fosse aceitar a minha estadia.

_ Ela surpreende a si mesma.

Elas trocaram um sorriso mínimo. Rachel gostou da sensação calorosa que emanava da menina, ela parecia um posso de bondade. Qualidade muito rara hoje em dia.

_ Acho melhor voltar para minha cela.

Rachel agradeceu-a com um gesto rápido e girou o corpo, mas foi parada quando uma voz a atingiu no primeiro degrau da escada.

_ Quinn realmente gosta de você.

Um sorriso ficou escondido por trás de seus lábios. Ela sussurrou em resposta.

_ Ela falou isso?

Como se soubesse mais coisas do que realmente deixava transparecer, a loira humilde deu um sorriso gentil e descartou as palavras.

_ Certas coisas não precisam ser ditas.

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Rachel virou uma página de “Persuasão” com extrema dificuldade. Estava estirada na cama de solteiro tentando ler enquanto sua namorada distribuía beijos longos e úmidos em seu abdômen, impossibilitando sua ação.

_ Tente se comportar, Fabray.

Ela riu melodiosa e empurrou o livro para o lado chegando ao pescoço moreno convidativo. A pele ardia em resposta, Rachel deixou um gemido rouco escapar para a alegria tendenciosa de Quinn que enrolou as mãos nos cabelos negros a puxando para um beijo decente.

O livro caiu ao lado da cama e a pequena empurrou os ombros brancos.

_ Nós acabamos de fazer isso, Quinn.

_ Talvez eu queira um pouco mais._ suas mãos correram pela pele macia e extremamente quente, arrancou alguns suspiros e sorriu satisfeita._ E você também.

Rachel revirou os olhos e jogou-a de lado.

Apenas um lençol separava o contato perfeito. Olhou-a de cima e sorriu terna. Adorava as trocas de carícia, mas o que a estava incomodando era o fato de Quinn estar fazendo isso por mais medo de perdê-la do que desejo intenso.

Um lembrete incômodo:

Elas só tinham mais oito dias.

Pouco mais de uma semana para o fim do mundo. Acertem os relógios.

Contagem regressiva.

_ Eu estou aqui._ Rachel sibilou ao que os olhos de Quinn transbordaram._ Eu não sei me expressar muito bem, mas estou feliz com você.

Quinn não sabia quanto tempo tinha esperado para ouvir algo carinhoso dela, mas finalmente as palavras lhe foram entregues de maneira simples e pura. Ela conseguiu lascar a pedra no coração dela e sentia-se banhada de luz com o desfecho.

_ Onde minhas roupas foram parar?

A pequena levantou e saiu na busca meticulosa de seus pertences. Quinn riu da cena de Rachel tendo que puxar uma cadeira para alcançar o short pendurado no vão da cortina. A morena vestiu-o e jogou um travesseiro em sua namorada para que parasse de caçoar de sua estatura.

Recolocou a cadeira no lugar e esbarrou o pé em alguma coisa leve.

Abaixou curiosa e recolheu o utensílio caído.

_ O que é isso?

O sorriso de Quinn morreu no instante em que reconheceu o que ela tinha em mãos. Como pode ser descuidada com seu objeto mais precioso? Rachel foi mudando de expressão durante sua descoberta. Não podia ser verdade.

_ Shelby Berry._ leu no canto da capa._ Era da minha mãe?

Quinn abaixou os olhos, envergonhada. Colocou uma peça de roupa sobre o olhar questionador de Rachel. Foi na sua direção, mas parou quando a viu se afastar.

_ Desculpe.

Foi tudo que conseguiu dizer, mas era tão pouco para tamanha façanha que Rachel teve vontade de gritar. O diário começou a tremer furioso.

_ Você mentiu para mim.

_ Não tive escolha.

Rachel correu para o outro canto do quarto. Fechou os olhos e ouviu seu coração explodir. Nunca se sentiu tão traída e perdida. Tremia da cabeça aos pés. Mantinha uma respiração descompassada e o peito arfante.

Apertou o diário com raiva.

_ Eu confiei em você.

_ Rachel.

Quinn sentiu seus alicerces virem abaixo. O pior era ver a decepção cravada nos olhos chocolate. Como se tivesse esfaqueado seu coração ou roubado sua alma. Talvez fosse melhor ter feito qualquer um dos dois.

_ Acabou.

O mundo girou em câmera lenta. Quinn não sentia mais o chão debaixo dos pés. O nó que sua garganta confeccionou a impediu de respirar. Foi apenas uma palavra e seu significado destruiu tudo, ela havia entendido o recado, mas se negava a acreditar.

_ Não faz isso._ a voz saiu num corte._ Deixa eu me explicar.

_ VOCÊ NÃO TINHA O DIREITO.

O tom assustou Quinn e a emudeceu. A Rachel livre de barreiras que estava na cama com ela à alguns segundos não existia mais. Foi lapso rasteiro. A culpa era dela. Naquele momento não havia intenção boa no mundo que justificasse seu erro.

A porta foi rudemente aberta e fechada.

Apenas uma pessoa permaneceu na penumbra do quarto. Quinn sentiu-se um lixo. Jogou o corpo contra os lençóis e abafou o choro alto. Rachel nunca ia perdoá-la por tê-la privado de algo com relação a sua mãe.

Ela não voltaria.

Notas finais
Os próximos capítulos não serão divididos em partes. Serão únicos. Está na hora de juntar as pontas soltas. Obrigada por todo carinho de sempre, essa semana eu precisei como nunca. Nos vemos no próximo.