Glee-21-Faberry

17 I’ll be waiting


Notas iniciais
Fico muito agradecida com os comentários do capítulo passado. Vocês são incríveis. Estamos a três capítulos do fim. Aproveitem esse. Boa leitura.

“I'll be waiting for you when you're ready to love me again, I put my hands up, I'll do everything different, I'll be better to you.”

O vento era um alento distante, intocável. Um pequeno calor descia dos céus, protegendo a terra e suas variações, mas não era forte o suficiente para acalentar um coração trôpego e dolorido.

Mãe.

Rachel Berry tinha o diário seguro entre o vão dos dedos. Seu corpo tremia sob uma respiração grave enquanto tomava a difícil decisão de seguir em frente ou ficar onde estava. Ter parte de uma pessoa que amava em mãos era um golpe traiçoeiro do destino.

Uma página tendeu para o lado. Ela mergulhou no passado, sentindo o coração espancar as paredes já corroídas do próprio peito. Tentou absorvê-las, mas eram tão pesadas e impetuosas que seus olhos marejados impediram-na de continuar.

Não vou conseguir sozinha.

Estava por conta própria. Não conseguia pensar em Quinn sem ter a vista embaçada por um vermelho berrante. E sabia que explicações eram dispensáveis, porque na sua concepção nada poderia justificar a mentira que a alienou da mãe.

Guardou o diário solitário no canto do armário. Selou a porta e caiu na cama.

Quatro dias para o seu aniversário de dezoito anos.

E não sabia o que fazer.

Fechou os olhos numa prece. Existem momentos em que pensamos que nada pode piorar porque já está tudo completamente fora do lugar, até que tomamos o susto de perceber que a vida prega peças sem marcar um horário.

O celular anunciou uma ligação terrivelmente inconveniente.

_ Oi, Donna.

Rachel ouviu tudo sem acreditar. Era doloroso demais, incompreensivo e injusto. Seus olhos travaram e a respiração sumiu. O mundo não havia acabado totalmente. Até aquele momento.

Um aviso corriqueiro:

Estavam chamando-a para se despedir.

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Quinn abaixou com rapidez renovada. O lobo maciço que voou em seu pescoço caiu de lado ao que ela aproveitou para dar o bote. Suas patas terminaram o trabalho, impossibilitando-o de continuar. Outro animal cor de neve investiu contra suas costas, mas ela teve a brilhante ideia de prensá-lo contra uma árvore.

“Excelente.”

O último dia de treinamento foi lacrado com chave de ouro. Quinn liquidou todos os lobos que tentaram abatê-la. Sua raiva e tristeza foram tão devastadoras que precisou esburgá-las colocando tudo de si no exercício habitual e o resultado foi melhor do que o almejado.

Todos voltaram à forma humana e vestiram-se adequadamente.

Agruparam-se ao seu redor. O chefe do clã parou à sua frente. Estendeu os braços e puxou-a para um prêmio emocional.

O conforto paternal.

“Estou tão orgulhoso de você.”

Foi tudo que bastou para que seu coração quebrasse. Ela quis gritar. Esmurrar o vento, contrariando tudo aquilo que acreditavam. Dizer que Rachel Berry não merecia morrer e que era uma pessoa extraordinária.

Implorar ao pai que acabasse com aquela insanidade.

Só que todos esses pensamentos mudos eram apenas sonhos. Muito distantes. Abraçá-la forte debaixo da chuva mansa, beijá-la ternamente e dormir sob o conforto dos seus olhos era um conjunto insuficiente de desejos mortos.

A verdade sempre seria uma maldição.

Uma marca de nascença:

Quinn e Rachel não podiam ficar juntas.

Porque no fundo a loira sabia que todos os seus esforços eram inúteis. Principalmente agora que estavam separadas. Cada volta do ponteiro era um soco ilícito da realidade. No fim teria que destruir a pessoa para qual negligentemente entregou o coração.

Onde estava a justiça?

Depois de sair daquela arena de pessoas cegas tomou um celular gritante em mãos.

Um remetente insistente:

O hospital de Lima.

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Paredes brancas manchadas de sangue invisível. Um local fúnebre de corpos flamejantes. O hospital estava em silêncio. Tinha o ritual de quietar seus moradores quando eram avisados de que um integrante estava prestes a partir.

Dessa vez era um ser bondoso.

Seu sorriso marcante parecia ressoar pela plataforma de mármore. Carisma natural e a característica mais doce que retinha.

Uma bela marca:

Olhos mel.

Rachel correu com os olhos apertados e um conjunto de soluços presos na garganta. Virou um corredor deserto e encontrou Donna, esperando-a com uma prancheta pendida ao lado do corpo cansado e um abraço acolhedor.

_ Eu sinto tanto, Rachel.

Havia um choro preso nas duas mulheres. Ajudaram aquela pobre criança a passar por todos os obstáculos possíveis, mas não podiam mais. Era chegado o fim. Continuaram naquele abraço de palavras mudas até perceberem a presença de mais alguém.

Uma menina de pele pálida e olhos tristes.

Não sabia se era conveniente estar ali naquele momento. Conhecia o garoto e desenvolveu um afeto anormalmente grande por ele, mas não esteve presente em tempos difíceis como aquelas mulheres.

Sentiu-se uma intrusa sobre o olhar indagador de Rachel.

_ Que bom que veio._ Donna chamou-a e repetiu o gesto anterior._ Ele gosta muito de vocês.

Então as meninas lobo fizeram o seu primeiro contato real. Os olhos avelã leram uma mágoa carregada de lamento por trás dos chocolate. Ela se aproximou com cuidado, evitando tocá-la. Parou, ao que lhe pareceram muitos centímetros e entregou a verdade.

_ Eu gostaria de entrar para vê-lo.

Pediu permissão à Rachel. Achou mais justo e coerente do que simplesmente estar num lugar sem ter o direito. A pequena desviou os olhos, fugindo em seus costumes e balançou a cabeça afirmativamente.

Quinn sorriu por dentro.

___________x____________

Uma luz singela iluminava o pequeno aposento, altamente equipado e simultaneamente quebrado. Um coração jovial pedia tempo através do monitor.

Os integrantes da cena:

Duas meninas distantes e um menino próximo.

Peter tinha a pele amarelo fúnebre manchada por contornos escuros saltitantes, ossos expostos por debaixo da pele, mas seus olhos permaneciam, de forma ininteligível, sorrindo. Tentou lhes dar um simples cumprimento, mas a voz e os membros falharam miseravelmente. Rachel fechou o espaço vazio e tomou-lhe a mão.

_ Estamos aqui, Peter.

Uma lágrima carregada de felicidade inundou o canto dos olhos dele. Um sorriso genuíno lhe roubou os lábios.

Uma nota solidária:

Às vezes só precisamos saber que tem alguém por perto, não sei explicar o porquê, mas parece tornar tudo mais suportável.

Rachel tremeu internamente. Estava se segurando para não cair. Quinn mantinha os olhos atados quando uma mão minúscula a encontrou. O garotinho apertou com seus últimos resquícios de força e trouxe para o centro do próprio peito unindo-a com a mão morena do lado oposto e passando a observá-las por um longo tempo.

Elas não recusaram o contato, como poderiam? Se o simples fato de estarem de mãos dadas conseguia trazer um pouco de paz e um sopro de felicidade para ele.

Houve um rápido encontro de olhares por cima da maca.

_ Seja forte, não tenha medo.

Quinn pediu a Peter coragem para enfrentar o que o destino havia lhe reservado, ele assentiu fracamente e puxou, para a surpresa de ambas, um papel debaixo do travesseiro. Ter olhos bondosos não era seu único dom, acontece que secretamente também era um excelente desenhista.

Maneou a cabeça para que Rachel o pegasse.

Ela desdobrou as abas e deu de cara com uma gravura cheia de detalhes chamuscados. Uma sala abarrotada de crianças, livros, risos e duas meninas. Contra sua orgulhosa vontade, uma lágrima escapou, caindo contra a fragilidade do desenho.

_ Obrigada._ debruçou-se e beijou a testa dele.

Como último ato de heroísmo, ele jogou fora suas últimas forças puxando a mão de Quinn e estendendo tortamente a caneta preta para lhe deixar um presente, mas precisamente um pedido.

Quinn leu os traços cansados e acenou positivamente.

_ Eu prometo.

Já era noite quando deixaram o hospital. Permaneceram caladas durante todo o trajeto que culminava na saída. Sabiam que era a última vez que o veriam, mas simplesmente não conseguiam processar essa mensagem de maneira aceitável.

Tão difícil. Tão injusto.

Quinn releu a gravura falha em sua palma, as letras já começavam a se extinguir assim como a vida do garotinho de olhos mel. Jurou realizar seu último desejo, mesmo estando ciente de que as chances eram mínimas.

Precisava de um milagre.

De Peter para Quinn:

“Cuide bem dela.”

___________x____________

O ar cavernoso da noite as enlaçou. Não trocaram uma palavra, mas não foram embora. Permaneceram ali, hora encarando o céu, hora respirando fundo. Quinn sentiu os punhos tremerem ao usar a visão periférica.

A menina ao lado precisava de um mínimo consolo.

Contra toda sua racionalidade andou até ela e jogou os braços em torno do seu ombro. No primeiro momento houve apenas um estacionar de corações simultâneo e no segundo mãos morenas tomaram as suas para afastá-las.

_ Não.

Quinn recuou apenas alguns centímetros, mas seu calor permaneceu presente.

_ Quanto tempo?

Não conversara com Donna sobre os detalhes do estado terminal do menino. Precisava saber para estar preparada.

_ Uma semana.

Sete dias para Peter.

Quatro para elas. Não era uma expectativa de vida invejável.

_ Desculpe pelo diário.

A pequena tomou dois passos para trás. Olhou-a com a expressão subitamente alterada. A loira sabia que sua reação foi dada as circunstâncias do momento inapropriado para trazer tal assunto à tona, mas elas não podiam desfrutar de tempo.

Quinn não queria que tudo terminasse com uma ponta solta.

_ Se você acha que...

_ Eu não estou pedindo para que volte comigo._ pontuou para esclarecer seu desejo real._ Tive a melhor das intenções, mas agi errado e estou pagando por isso, só que não posso suportar a ideia de você me odiando.

Uma experiência para compartilhar:

As pessoas que te amam, eventualmente irão desapontá-lo, mas o perdão foi feito para ser usado e não esquecido, portanto se valer a pena, você irá exercê-lo.

As feições de Rachel suavizaram, sem baixar totalmente a guarda. Estava com tanta raiva de tudo que acabou por jogar toda a culpa em Quinn, sendo que ela era responsável por apenas uma das pontas do iceberg.

_ Só quero que tenha cuidado, evite andar sozinha e não hesite em pedir ajuda numa hora difícil._ despojou toda sinceridade._ Não estamos mais juntas, mas ainda estou aqui por você.

Pontuou com olhos. Deu um leve aceno de cabeça em despedida e seguiu seu caminho. Rachel ficou para trás, segurou a boca com as mãos trêmulas e olhos presos. No fundo, ainda sentia tantas coisas irritantemente boas por ela que as ruins pareciam uma brisa sem importância.

Quinn queira o bem dela, assim como a mesma fazia em silêncio.

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Santana estava debruçada sobre a cama de Sam. Seu coração era apenas um sopro de pulmões exaustos. Passou os últimos dias remoendo a ideia mirabolante de que sua melhor amiga estava prestes a por tudo a perder.

Precisavam de uma conversa direta. Sem mais delongas.

Convenientemente, a porta rangeu.

_ O que você quer?

Quinn brincou de estátua ao lado da saída. Não queria uma guerra habitual com Santana justo naquele dia horrível. Suportar algo pior estava fora de cogitação. A latina tomou sua posição de pedra, rumou para o console da janela e espiou as nuvens rosadas.

_ Faltam quatro dias.

Os ossos da loira tremeram em uníssono. Músculos tencionaram-se em meio ao emaranhado de nervos esgotados. Estava ciente de que seu tempo era curto demais para o próprio gosto e não lhe agradava a ideia de alguém lhe refrescando a memória.

_ Eu sei contar, muito obrigada.

_ Você irá cumprir seu papel?

Aquela conversa não estava caminhando para um lugar seguro, muito pelo contrário.

_ Saia.

Sabia estar na casa da amiga, mas foi intimada a ficar o dia inteiro naquele espaço, por tudo isso, não pensava ser injusto ficar sozinha quando achava propício.

Santana não arredou pé.

_ Não compreendo._ elevou a voz._ Muitas vidas dependem de você. Todas as pessoas que te amam lutaram ao seu lado e pretende agradecê-los dessa maneira? Porque, Quinn? Porque está fazendo isso?

Houve um momento de silêncio apagado pelo som. Quinn não conseguiu frear o impulso de calá-la e prensou-a contra a parede mais próxima. Lágrimas rolaram soltas empapando a pele pálida.

_ Porque eu a amo, Santana.

Os olhos latinos viraram dois globos de puro terror líquido.

_ Como você pode me pedir para liquidar alguém que amo? Seria como matar meu irmão, pai, mãe ou você._ Os soluços intensificaram-se ao redor._ Não posso fazer isso.

Anos de convivência deram a latina o dom de saber separar a verdade da mentira quando o assunto era sua melhor amiga. Por mais assustador e insano que parecesse tudo que foi dito cintilou sinceridade.

E ela não podia mais negar.

Quinn Fabray amava Rachel Berry.

O aperto foi desfeito quando a calma dominou o coração cansado. Sentou na cama e recuou os olhos. Só queria a solidão como companhia no momento. Alguém para acompanhá-la sem julgá-la. A latina continuava apoiada contra a solidez de cimento, os olhos igualmente em choque.

_ Sou sua melhor amiga._ Santana sussurrou.

Precisou reafirmar a sentença que parecia muito distante. Naquele momento o orgulho foi totalmente descartado e substituído pela necessidade incontrolável de saber que uma das pessoas que mais amava no mundo retinha o mesmo sentimento.

Independente do que acontecesse.

_ Prove._ Quinn jogou a sentença. Exausta.

Não havia mais tempo para esconder-se em cima do muro. Quinn não estava contra os Berry, em outras palavras, não estava ao lado dos Fabray. Tomou uma decisão imutável. Santana precisava escolher um lado ou acabaria perdendo tudo.

Duas escolhas, um desfecho:

Quinn ou a profecia?

Passos apressados atravessaram o quarto num sopro. Santana fugiu aos prantos. Quem ficou temeu perdê-la. Sua melhor amiga era como ter um chão debaixo dos pés para sustentá-la em tempo integral.

Naquele momento sentiu medo de cair.

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Uma batalha de sentimentos antagônicos estendia-se noite à dentro. A ira mesclada a saudade criava um peso quase insustentável. Todos os problemas vieram na forma de uma bola de neve gigantesca, esmagado seu espírito viril.

O ser humano é capaz de carregar alguns fardos, mas quando o acréscimo de danos é generoso demais, como reagir?

Muitas perdas.

A lista infindável:

Shelby, Peter, Quinn...

Foram para longe de sua vida de maneiras diferentes, mas igualmente cruéis.

_ O que há de errado comigo, vovó?

Vovó Abby que até então dividia sua valorosa atenção entre os roncos e a neta voltou à realidade do momento.

_ Nada, querida.

_ Porque continuo sozinha?

A velha senhora formou um sorriso gentil antes de responder.

_ Pode não perceber, mas as pessoas que nos amam nunca vão embora. Elas estão por trás de cada sorriso que criamos.

Rachel gostaria de ser menos cética para acreditar em tais palavras, mas não era tão simples.

_ Sente falta da Fabray?

Não respondeu. Preferiu apenas encarar o teto estrelado do quarto, mas amaldiçoou-se de imediato. Quinn lhe dera aquele céu.

_ Ela fez uma besteira muito grande.

_ E imagino que não tenha pedido desculpas pelo erro que cometeu.

Uma observação necessária:

Quando estamos com raiva temos o péssimo costume de só enxergar o nosso lado.

A morena finalmente fez uma analise da situação. Sua ex-namorada não teve uma chance de explicar o que a levara a tal artimanha, mas havia se desculpado verdadeiramente. Talvez tivesse se precipitado ao não deixá-la falar. Sinal de que Quinn não era a única da história.

_ Ela pediu.

Chegou à conclusão em voz alta. Olhou para o lado, esperançosa, mas sua parenta já havia caído no mais profundo nível de sono e soltou o primeiro ronco. Não era mais necessária. O objetivo de aliviar a ira da neta e fazê-la repensar seus atos já fora alcançado com sucesso.

Ela se desculpou.

Rachel sorriu em silêncio e voltou a encarar as estrelas.

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Quarenta e oito horas. Tudo que restava. O tempo era curto demais em sua completa falta de piedade. Caçoava dos enfermos e arrancava corações exaustos. Ninguém possuía-o com satisfação, principalmente as famílias mais poderosas de Lima.

_ Precisamos conversar.

Quinn sentou ao lado do irmão na mesa vazia.

_ Fale.

_ Estou preocupada com ela. Tenho medo que algum integrante do nosso clã tenha a ideia estúpida de feri-la._ deixou transbordar uma tristeza transparente._ Não consigo nem imaginar essa situação sem tremer de raiva.

Uma mão firme apaziguou seus ombros.

_ Cuidaremos dela.

Selaram a promessa com um aperto.

Só sinto dizer que foi um ato inútil, pois quando Rachel estivesse em apuros nenhum dos dois estaria lá para salvá-la.

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A chuva despencou impiedosa. Estapeou a cabeça das árvores de maneira brusca e displicente. Contrariou o próprio vento, moldando-se a sua vontade e rumando para oalmejado destino.

Por mais incoerente que parecesse havia alguém sob aquele dilúvio.

Caminhava em silêncio, com as pernas cruas, cabelos colados à testa e um livro pesado na bolsa. Rachel Berry deixou a natureza tomá-la e eclipsar seus problemas, sem se dar conta de que cada passo era um caminho sem volta para uma armadilha.

Peter ficaria sobre os efeitos da morfina até seu último suspiro para poupá-lo da dor. Sabia que já tinha dito o “adeus” temido, mas as outras crianças precisavam de um consolo.

Nada melhor que uma boa história.

_ Olha só quem encontramos aqui.

Seus pés trepidaram em uníssono. Apesar da chuva a garganta ficou espontaneamente seca. Quatro meninos a encaravam com olhos negros.

_ O que vocês querem?

Ela tentou manter uma postura destemida e indiferente, mas no fundo, sabia ser uma manobra inútil. O garoto de cabelos dourados respondeu.

_ Entretenimento.

A bolsa no ombro de Rachel caiu na lama.

Um baque surdo irrompeu do chão. O tiro foi dado.

Alguns minutos correram. Um lobo vermelho marchava vorazmente saindo do alcance dos braços das árvores e tentando desesperadamente escapar da fúria de outros semelhantes de neve.

___________x____________

O morro chorava escorregadio, sua cabeça árida fora substituída por fios prolongados de lama, transformando o trajeto terroso num local potencialmente perigoso. Patas colidiram contra o complexo lamacento.

“Peguem-na.”

Os lobos cor de gelo mantinham a velocidade implacável. Um deles subiu no alto da colina ao lado e saltou com as garras afiadas nos ombros de Rachel. Ela conseguiu desviar por pouco e a descarga de adrenalina resultante ajudou a aumentar sua velocidade, lhe proporcionando uma pequena vantagem.

Pulou um buraco particularmente amplo.

Um dos lobos escorregou e ficou para trás.

Os outros prosseguiram. O placar era de três contra um.

Rachel distorceu o corpo para o lado direito. Viu, ao longe, um penhasco que se estendia imponente. Uns sete metros separavam a ponta de um chão para o outro lado da floresta. Uma ponte invisível e traiçoeira de ar as ligava.

Não tinha escolha.

Teria que dar o salto.

Estufou o peito ao oxigenar o cérebro nublado. Colocou-se para correr o mais rápido que podia. Tentou acalentar o coração pulsante, enquanto rumava para a única saída.

Um pequeno detalhe:

Ela não podia errar.

Cair naquele buraco confeccionado pelo tempo resultaria numa provável contusão no que batesse primeiro na água do rio furioso abaixo, podendo culminar até mesmo em morte, caso desse o azar de encontrar uma pedra.

Tomou um último gole de ar.

As patas saíram graciosas do chão. Sentiu o corpo rasgando o vento durante o percurso. Pendeu para a cima e viu as patas da frente tocando algo sólido, infelizmente as de trás não tiveram a mesma sorte, escorregaram e caíram, deixado-a pendurada pelos ombros.

Impulsionou os joelhos contra a terra, mas a chuva impossibilitava uma estabilidade.

“Parece que alguém vai ter os membros quebrados.”_ riu o líder do bando.

Os outros pararam no penhasco que estavam e ficaram expectantes.

Rachel fechou os olhos num sopro e concentrou suas últimas forças no impulso final. Teria que ser rápida e corajosa. Uma última cartada que não podia falhar.

Acalme-se.

Segundos infinitos passaram diante de seus olhos. Um fleche de memórias importantes a acalcaram. Lembrou-se de tudo que possuía de bom, todas as pessoas que a amavam e contavam com sua presença.

Os músculos ganharam vida. Soltou um rosnado entre dentes quando saltou para cima. Um segundo depois alcançou a estabilidade almejada e bateu as patas contra a terra, chegando ao topo, sã e salva.

“Não acredito.”_ esbravejou seu oponente. “Se ela conseguiu também podemos.”

“Mas...”

O menor dos lobos tentou protestar contra aquela insanidade, mas foi prontamente posto em seu lugar pelo mais velho que argumentou que possuíam uma raça mais poderosa que a dos Berry, portanto poderiam fazer melhor.

Uma vantagem foi arrumada e ela não ficaria para ver o desfecho. O lobo vermelho adentrou a floresta, enquanto os caçadores brancos davam o salto.

O resultado da ousadia:

Dois lobos conseguiram realizar a façanha.

“Não.”

O menor caiu. Colidiu contra a água de concreto e soltou um uivo agoniado. Com certeza tinha quebrado algum osso. Esse fato enfureceu ainda mais o coração dos que ficaram. Rachel causara isso. Se não existisse não estariam ali para começo de conversa.

Antes o que os guiava era uma rebeldia divertida.

Agora era o mais sólido ódio.

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Quinn sentou no balanço de madeira da varanda dos Lopez. A chuva continuava a castigar o solo por completo. Sentiu os pulmões serem espancados com ar gélido, um incomodo mínimo e agradeceu mentalmente por alguma distração.

Não queria mais pensar no futuro.

Quando viu o reflexo do que estava por vir, só conseguia distinguir um infortúnio: Morte. Rachel e Peter estavam com as horas contadas. Diretamente ou indiretamente sentiu-se responsável.

O menino de olhos mel teria uma chance de sobreviver caso ela tivesse encontrado a cura, mas não fora apita o bastante e com certeza não iriam deixá-la perambular pelos cantos do hospital nesses tempos de calamidade.

Rachel.

Parecia deverás pior, porque seria a causa principal da ruína dela. As mãos que mantinha firmemente fechadas sobre o colo seriam responsáveis pelo ato mais hediondo que seria obrigada a cometer. E ainda mais doloroso era ter prometido ao menino que iria protegê-la.

Fechou os olhos ao sentir uma lágrima quebrar e uma mão afagar-lhe os ombros.

_ Eu te entendo.

Havia um conforto inexplicável naquelas palavras. A menina de olhos cor de céu sentou ao seu lado e entregou um copo de chá fumegante.

_ Obrigada, Britt.

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Uma clareira úmida estendeu os braços para o ser rubro. Rachel desatou a respirar fundo almejando diminuir os jabes de adrenalina nas veias. Os ouvidos receberam uma pressão estrondosa por conta da corrida recente.

Calma.

Despistara seus oponentes à muito custo.

Fechou os olhos pensando estar segura.

Um ênfase necessário:

Ela pensou estar salva.

Contrariando todas as suas expectativas positivas saíram de trás das árvores dois lobos brancos com sorrisos famintos. Eles a cercaram pelos lados, bloqueando sua fuga eminente. Não tinha mais saída. Seria obrigada a lutar.

“Vai pagar pelo que fez, Berry.”

Rachel tencionou os músculos, pronta para um impacto que sabia estar prestes a chegar. Olhou ao redor e instigou os ouvidos. Uma pata tombou ao seu lado quando desviou do ataque frontal. Devolveu o golpe, acertando o lobo de maior porte no olho esquerdo.

Simultaneamente o lobo menor lhe deu uma cabeçada brutal. Jogando-a alguns metros para a direita. Só parou quando colidiu contra uma árvore robusta. Sentiu as costelas gritarem em protesto.

“Gostaria de poder acabar com você aqui e agora, mas essa honra é exclusiva da nossa prima. Por outro lado quebrar alguns ossos não intervirá nos planos do destino.”

O líder ergueu a pata no topo da cabeça.

Mirou-a reluzindo satisfação e rasgou o ar num golpe.

O resultado do ataque:

Ele errou. Não porque ela saiu da frente, mas porque alguém entrou.

Esse ser espirituoso mantinha a cabeça erguida com alguns fios de sangue empapando-lhe a face. Os olhos negros gritaram em uníssono, mas ela não moveu um centímetro de pele. Jogou-se na frente à tempo e vislumbro pelo canto dos orbes o líquido rubro manchando toda cobertura marrom.

“Santana!”

O lobo branco recuou horrorizado.

Rachel olhava da terra para a neve tão alienada quanto seus oponentes.

“O que pensa que está fazendo, pirralho?”

“Nós só queríamos nos divertir um pouco.”

Havia uma autoridade inusitada nos olhos latinos. Firmou uma pata no chão e encarou a matilha oposta.

“Idiotas.”_ retrucou. “Senão quiserem que essa estupidez chegue aos ouvidos de Russel, sugiro que vão embora agora.

Assim foi feito. Debandaram. As pernas do lobo marrom fraquejaram no segundo seguinte e seu rosto desmanchou no chão.

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Santana sentiu um corte encobrir a espinha. A pele queimava distribuindo calafrios em toda periferia. Abriu os olhos com extrema dificuldade focalizando um lençol protegendo o que restava de si e o movimento veloz do carro.

A luz singela dos postes revelou a identidade da motorista.

_ Como se sente?

Ela bufou e revirou os olhos. Acomodou-se melhor no banco do carona para olhar a estrada azul petróleo.

_ Não faça perguntas idiotas, Berry.

Não houve reação a resposta. Rachel apenas olhou-a pelo retrovisor constatando, felizmente, que o sangramento já havia diminuído quase por completo. Voltou a dar atenção ao caminho de lama rubricado de asfalto que rugia à sua frente.

A chuva não simpatizava com a trégua.

Uma dor incomoda sobre as costelas quase a impossibilitou de carregar Santana de volta ao carro. Seguiu as pegadas deixadas pela mesma e culminou perto da estrada, sua mochila adormecia no afasto frio e teve certeza de que fora daquela maneira que a latina a localizara.

Só que essa não era a questão principal.

_ Porque você me salvou?

Óbvio que ela não resistiu perguntar. Uma atitude minimamente boa vinda de uma pessoa que fazia questão de anunciar seu ódio por ela tinha que ser minuciosamente analisada. Fora incrível, mas nada coerente.

Santana manteve os olhos na estrada. Internamente, estava debatendo essa questão consigo mesma. No momento que fora atrás dela sabia que não havia mais volta. Agora, precisava sentar e rezar para ter acatado o caminho certo.

Uma resposta não proferida:

Ela fez uma escolha.

No fim, a amizade prevaleceu.

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A pick up vermelha descansou os faróis na garagem aquecida. Dois pares de olhos interrogativos marcaram presença.

_ Rachel?

Quinn ficou imóvel enquanto Brittany corria para o carro na intenção de ajudar a latina. Santana desceu sobre um pé manco ensopada de sangue frio. Soltou alguns impropérios em espanhol no caminho até o quarto e foi relutantemente depositada na cama.

Brittany foi a primeira a quebrar o vazio.

_ O que aconteceu?

Rachel deu um passo à frente e entregou a história em detalhes. Santana mantinha-se deitada e cortava-a em algumas partes alegando que ela estava exagerando com relação a sua preocupação com a mesma.

Depois das palavras. Silêncio.

Era sempre assim.

Quinn ficou dividida em duas. Metade de si queria correr atrás dos desgraçados que ousaram machucar Rachel e a sua outra parte, a mais pacífica, gostaria de abraçar a amiga que lhe prestara um favor inestimável.

_ Obrigada, Lopez._ Rachel maneou a cabeça de onde estava.

Santana deu de ombros. A morena caminhou para fora do quarto, Quinn alegou que voltaria logo e correu atrás dela.

Estou sangrando litros e a Loira só quer saber da nanica. Muito justo!

Brittany puxou a mão morena e deu um beijo demorado, arrancando um sorriso da carranca quase imutável da namorada. Os olhos azul bebê brilharam com uma intensidade exorbitante ao encontrar os negros.

_ Estou orgulhosa de você.

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A chuva carimbou suas últimas lágrimas na terra chorosa. Cabelos negros colavam-se a pele quente. Rachel havia acabado de deixar a casa dos Lopez quando uma voz a parou. Não precisou virar para saber a quem pertencia.

Já havia decorado-a por inteiro.

_ Vou tomar providências para impedir que isso aconteça de novo.

Um resquício mínimo de sorriso invadiu os lábios despojados de Rachel. Girou nos calcanhares e foi até ela, somente o necessário, mantendo uma distância saudável.

_ Não faz diferença._ deu de ombros._ Falta pouco mais de um dia.

Quinn fechou os olhos e engoliu um soluço intrometido.

Tremeu por dentro. Sentiu o coração chorar desesperado.

O tempo formava uma distância cada vez maior entre elas.

_ Eles pretendem me esconder.

Rachel soltou a revelação. Não soube explicar o porquê, mas sentia que ela tinha que saber.

_ Onde?

Deu de ombros. Realmente, não fazia ideia.

_ Minha avó, é conselheira do meu clã e está cuidando de tudo nesse exato momento._ deu um passo à frente._ Não sei se é a melhor solução.

Houve um momento de fraqueza vindo do lado oposto. Quinn desabou sobre seu destino injusto. Levou as mãos ao rosto quando as lágrimas rolaram soltas borrando a pele de giz. Rachel observou-a ao longe. Sentiu o orgulho decair alguns degraus quando resolveu se aproximar totalmente.

Encostou a mão sobre os cabelos dourados.

_ Eu daria tudo para que fosse diferente._ Quinn deixou escapar.

_ Eu sei.

Não queria admitir, mas também gostaria de mudar o rumo da história. Vários pontos precisavam de uma revisão, mas simplesmente não sabia como fazê-lo.

De repente a chuva voltou a cair com mais intensidade. Dois corações bateram fora do ritmo e se aproximaram inconscientemente. Quinn acariciou as costas das mãos no rosto dela e puxou-a com a outra. Olhos antagônicos fizeram contato.

Ela teria cedido, mas a imagem de um diário roubado nublou sua mente.

_ Não._ sussurrou.

Quinn parou o movimento e assentiu. Afastou alguns cabelos dos olhos de Rachel e depositou um beijo em sua testa, foi demorado e carregado de pesar. Lágrimas mesclaram-se com a chuva quando ela se afastou.

Disseram um adeus silencioso.

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_ Você deveria me trazer uma compressa de gelo, chocolate quente e um cobertor já que fiz o favor de salvar sua namorada, Fabray.

Quinn mantinha um sorriso travesso nos lábios quando resolveu falar com a amiga, a sós. Caminhou até o lado da cama e inclinou o corpo até englobar o de Santana, escondeu o rosto nos cabelos negros e comprimiu-a forte.

_ Obrigada, Sant.

Aquela pequena palavra tinha um leque de significados. Sua amiga estava agradecendo por salvar Rachel, mas principalmente por ter ficado ao lado dela. Onde era o seu lugar.

Por você, Q! Sempre!

Santana manteve os braços ao redor dela. Afundou-se no carinho da amizade que sempre reteriam uma pela outra.

Existem aqueles momentos em que o mundo parece perfeito. Uma brincadeira com os amigos. Um abraço maternal. Uma congratulação paternal. É tudo tão simples, porque as pessoas insistem em complicar?

Somos infelizes em nosso próprio descaso.

_ Você precisa descansar.

_ Faça o mesmo._ Santana sibilou._ Está cheia de olheiras.

Quinn riu e soltou-a. Caminhou até o banheiro trancando a porta. Debruçou-se sobre a pia contando com o apoio dos braços. Teve que encarar o próprio reflexo no espelho e o que viu foi medo mesclado a repulsa.

Queria acabar com tudo aquilo, mas não tinha coragem.

_ Se eu não matá-la, provavelmente os espíritos irão. O que eu faço?

Fechou os punhos cravando as unhas na pele frágil. Num ato reflexo descontou a raiva no espelho que foi desintegrado e deixou pedaços espalhados por toda a pia. As caixas de remédio caíram estremecendo o assoalho.

Simultaneamente um pensamento a atingiu.

As dores de cabeça... “Minha avó, é conselheira do meu clã”... A avó dela citou as dores antes... Ela sabe, mas não se lembra...

_ Conselheira._ sussurrou.

Seus olhos cresceram em excitação. Estapeou a própria testa ao se dar conta do óbvio. Uma de suas perguntas poderia ter resposta se seu raciocínio estivesse correto. Correu para fora do banheiro e abordou o interruptor.

_ SANTANA!

_ Jesus, Maria e José._ A latina acordou exasperada._ O que aconteceu?

_ Preciso de um favor.

Outro? Santana desejou um abajur bem pesado para desmontar na cabeça dela.

____________x______________

Um dia. O que antes era um aglomerado inesgotável de horas tornou-se um resquício mínimo de tempo. O sol nasceu tímido e escondeu-se por trás das nuvens gordas. Pássaros voavam de seus ninhos em busca de alimento para os filhotes.

Tudo parecia normal. No exterior.

Por dentro havia uma voz gritando em descontrole. Todos nascem com data de validade, mas saber o dia exato da extinção deve ser um fardo insustentável. Rachel Berry se recusou a pensar no pior. Se fosse seu último dia teria que aproveitá-lo devidamente.

Caminhou na parte da manhã pela estrada lamacenta. Cantou desatenta durante todo trajeto de sol e cinzas. Uma parte de si queria ver as crianças no hospital, mas não antes de se despedir da natureza.

Talvez seus familiares conseguissem escondê-la, mas e depois?

O que os espíritos fariam?

Um barulho ensurdecedor de motor estremeceu a estrada silenciosa. Rachel parou e girou nos calcanhares para encontrar uma pick up vermelha inconvenientemente familiar.

_ Aceita uma carona, Berry?

Cruzou as sombrancelhas. Não estava acostumada com a generosidade latina.

_ Estou caminhando, obrigada.

_ Depois do que aconteceu ontem você vai ficar vagando sozinha?_ Santana rebateu com a única desculpa que encontrou._ Entre logo.

Rachel estreitou os olhos negros. A liberdade era seu maior tesouro, se recusava a perdê-lo pela razão que fosse. Não nasceu para ser enclausurada. Gostava de andar sem rumo. Experimentar o gosto da terra mesclada à chuva.

Só que sua “inimiga” tinha um ponto.

Muito plausível para ignorar.

Acatou, à muito contragosto. Observou as árvores passando por todo o caminho. A estrada dobrou-se em duas, Santana deveria ter escolhido a esquerda, mas negligenciou para a direita.

_ Minha casa é para o outro lado.

_ Eu sei.

A paciência inabalável de Rachel quase explodiu. Virou o corpo para encará-la. Apontou para as costas do carro, indicando que queria voltar. Santana maneou a cabeça para os lados em resposta. Subiu mais alguns morros enquanto digeria os resmungos.

_ Honestamente, Berry._ proferiu._ Dá para calar essa boca imensa e esperar?

A insatisfação verbal cresceu e ficou ainda mais veloz.

Santana revirou os olhos.

Jogou o carro para a direita contra um aglomerado de sombras de árvore e calou os motores. Rachel cruzou os braços alienada. O que estava acontecendo? A resposta chegou sorrindo branco e cabelos dourados úmidos.

Quinn estava parada perto de um tronco firme. Fez sinal para que Rachel descesse. Assim foi feito, mas não espirituosamente. A pequena socou a porta do carro que resultou numa horda de impropérios em espanhol.

_ Você mandou sua amiga me sequestrar?

_ Talvez._ havia uma sorriso incontido nos lábios rosados._ Eu sabia que não adiantaria te ligar ou mandar mensagem. Estava pensando no que você disse ontem e cheguei a uma conclusão que pode nos ajudar a resolver algumas coisas.

Os braços morenos penderam livres ao lado do corpo.

Respostas? Ela almejava algumas.

_ Lembra que sua avó foi a primeira a falar sobre minhas dores de cabeça? E que elas foram embora depois do nosso primeiro beijo?_ Rachel assentiu._ Ontem você disse que ela é a conselheira do clã Berry. Sei que ela não se lembra, mas talvez..._ fez uma pausa relutante._ A conselheira do meu clã possa explicar.

Quinn não era a mais inteligente, mas conseguiu chegar sozinha a um raciocínio plausível. Se Abbygail Berry obteve algum conhecimento a respeito das dores por causa de sua patente era só conhecer outra pessoa que também estivesse nesse nível.

_ Faz sentido._ Rachel pontuou.

_ Ela vive na floresta. Seguimos essa montanha e vamos culminar perto da caverna onde fica instalada. Sei que está sozinha por que todo o meu clã está reunido perto de Lima tomando conta dos últimos preparativos para amanhã._ ela mordeu o lábio em desconforto._ Quer fazer isso?

Alguns segundos de silêncio. Uma decisão foi tomada. Elas caminharam lado a lado tomando cuidado com os obstáculos de terra flácida. Quinn manteve os olhos atentos na estrada enquanto subiam rumo ao horizonte. Alcançaram uma parte mal iluminada e pararam.

A mão pálida instintivamente enlaçou a de Rachel.

Olhos chocolate checaram o nó.

No primeiro momento pensou em quebrar o contato, mas chegou a conclusão de que não precisavam estar “juntas” para andar de mãos dadas. E que podia sentir raiva dela em tempo integral, mas preferia fazê-lo segurando sua mão.

Notas finais
Uma última nota para responder algumas perguntas: Quinn não tem, nem nunca teve câncer nessa fic.Beijos e até o próximo.