Glee-21-Faberry

11 Set fire to the rain. Part 4


Notas iniciais
Oi, gente! Primeiramente gostaria de agradecer a todos os comentários do capítulo passado. Um agradecimento especial as senhoritas LUA SOLLO e KATE JONES pelas recomendações. Gostei muito. Preparem-se para uma reviravolta na história. Boa leitura.

“I set fire to the rain...”

O céu sorria uma pintura cinza manchada de lilás e roxo. As nuvens continuavam a esbanjar seu lamento sobre a terra, sem o menor remoço de estar deteriorando sua beleza planetária.

Uma torre de livros veio ao chão. Dois olhares se encontraram.

_ Está muito cedo para começar uma rixa, Fabray.

Kitty levantou os olhos e deu de ombros. Cruzou os braços e encarou a menina à frente.

_ Desculpe, Berry.

Foi sua deixa. A menina loira mal humorada rumou para longe de Rachel que permaneceu para trás com as duas sombrancelhas no ar. Fechou o armário e bateu de frente com outro par de olhos verdes.

_ O que ela queria?_ Quinn questionou sobre sua prima.

_ Nada._ olhou ao redor para ter certeza de que estavam sozinhas._ Ela esbarrou em mim e se desculpou.

O ceticismo abateu a face pálida a sua frente. Não era possível.

_ Isso é estranho.

_ Muito._ Rachel completou fechando o armário.

Quinn deu de ombros. Foi até a morena e depositou um beijo demorado na lateral do seu rosto. Rachel corou e travou o sorriso que seu lábio queria esticar.

_ Até mais tarde.

Ela ficou parada alguns segundo olhando-a ir embora. Sentiu seu coração vacilar e constatou que todos aqueles gestos de afeto estavam lhe fazendo um bem inestimável.

___________x___________

Rachel estava ajeitando sua mochila. Trocando os livros de lugar. Arrumando roupas limpas e furtando dinheiro de suas economias, caso ela precisasse de um forte café matinal. Ficar de vigia a noite inteira era um trabalho árduo.

_ Você parece mais feliz.

Noah estava encostado de lado na soleira da porta. Observando sua irmã arrumando sua bagunça de papel.

_ Pareço?

Ela escondeu um meio sorriso e continuou seu trabalho.

_ Gostei da nova decoração._ O garoto enfiou as mãos nos bolsos e analisou o novo quarto de sua irmã. Parecia um céu feito de concreto.

_ Obrigada.

Ele continuou encarando-a com um misto de preocupação e curiosidade. Alguma coisa estava terrivelmente errada em sua expressão, ela não pode deixar de notar.

_ O que aconteceu, Noah?

_ Sabe que sempre ficarei ao seu lado, não sabe?

Rachel começou a ficar realmente consternada. De onde estava vindo isso? Uma declaração fraternal só podia ter sido despertada por um motivo sólido preocupante. Mais precisamente uma calamidade.

_ Do que você está falando?

_ Eu só quero que você saiba que tudo o que desejo é a sua felicidade.

Com um giro rápido ele partiu. Ela sentia-se num estado de torpor indescritível. O dia estava seguindo um curso ininteligível. Como se as pessoas tivessem mudado num piscar de olhos. Kitty. Noah. Tudo estava fora do lugar.

O que está acontecendo com essa gente?

Ela rumou para a tarde que se despedia. Uma chuva fina cantava suas notas molhadas. Respirou fundo e caminhou pela terra fofa sentindo a liberdade acariciar sua pele e esburgar seus problemas.

O livro dos contos de fada.

Bateu na testa ao perceber que havia deixado o mais importante para trás. Deu meia volta e refez seu caminho.

Um aviso tardio:

Ela devia ter seguido em frente.

___________x______________

Vozes agitadas na cozinha. Uma briga incomum. Adam Berry, vovó Abby e Noah dialogavam aos gritos. Rachel se deteve à porta. Não era de sua natureza usar a curiosidade como desculpa para espionar, mas algo a impediu de rumar para o quarto.

_ VOCÊ DEVIA DIZER A VERDADE Á ELA!_ o garoto de moicano socou a mesa._ ISSO NÃO É JUSTO.

_ Não estamos discutindo o que é justo ou não._ Adam estufou o peito passando sua autoridade._ Sei o que é melhor para a minha filha.

Noah deu um riso debochado.

_ Claro._ bateu palmas._ Esconder o que realmente aconteceu é uma forma muito boa de protegê-la.

_ Controle-se, meu neto.

O pai levou as mãos às têmporas. Não iria ouvir sermão de um adolescente. Tudo o que fez foi pelo bem de Rachel e nunca se arrependeria disso, porque a amava com todas as suas forças.

_ Não há outro jeito.

_ Eu conheço a minha irmã._ um tremor lhe passou dos pés a cabeça._ Ela não vai seguir a profecia.

_ Como você pode ter certeza?

Noah deixou um lamento cair. Estava farto de ver intrigas entre os membros de sua família quando não existia um motivo plausível para isso. Tudo não passava de uma verdade partida por uma mentira.

_ Eu só sei.

_ Isso não é o bastante._ Adam rebateu._ Eu a quero longe dessa loucura.

Rachel prendeu a respiração e juntou as sombrancelhas. Aquela conversa não fazia sentido algum para os seus ouvidos. Sempre pensou que seu pai quisesse que ela enfrentasse o clã inimigo. Ora, não foi esse o motivo da morte de sua mãe?

Uma pequena revelação:

Nem tudo é o que parece.

_ Eu lhe asseguro que ela ficará._ afirmou, irredutível._ Ela tem o direito de saber que você não foi responsável pela morte da mamãe.

O chão fez um baque alto. Objetos pesados caíram no mesmo intervalo de tempo. Uma respiração entrou em descompasso. Todos os olhos recaíram sobre a menina na soleira da porta.

O silêncio esmagador protagonizou a cena.

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O fogo crepitava sorridente na lareira. Soltava pontos faiscantes em intervalos cada vez menores de tempo. Um livro estava aberto perto do calor. Palavras se juntavam as labaredas dando sentido ao mundo.

_ Você está lendo bem, filha.

Quinn sentiu as bochechas arderem. Suas orelhas ficaram vermelhas ao mesmo tempo em que fechava o livro e conferia a hora no relógio de pulso.

_ Obrigada. Eu venho praticando.

_ Com a morena misteriosa?

É difícil dizer em quantos tons de vermelho o rosto pálido se desfez. Seus orbes verdes triplicaram de tamanho e sua garganta parecia um deserto eterno. Como ela sabia?

_ Seu irmão não tem o dom de guardar segredos._ falou Judy sorrindo.

Aquele imbecil!

_ Principalmente quando minha irmãzinha encalhada à duas décadas arruma alguém.

Sam entrou no cômodo aquecido, com seu sorriso presunçoso e os braços nus cruzados sobre o peito. Quinn encarou-o furiosa.

_ Idiota.

_ Já estava na hora de você arrumar alguém, querida._ Judy sibilou simples.

_ Mãe!_ fez um beicinho de desaprovação._ Não concorde com ele.

_ Por que não?_ seu sorriso sacana cresceu._ Passou da hora de você tirar o atraso.

Um livro pesado voou de encontro à cabeça dele.

_ Eu tenho que ir.

Quinn levou seu rubor para fora daquele interrogatório. Se Sam saber sobre sua “morena” era perigoso, sua mãe estar ciente de que ela estava com outra pessoa era um fato letal. Se eles soubessem a verdadeira identidade dela...

Só o pensamento lhe causava calafrios.

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O tempo congelou em algum momento daquela loucura que se tornou sua nova realidade. Seus nervos entraram em descompasso, desequilibrando seu corpo e estilhaçando sua alma.

_ Rachel.

Noah tinha um olhar de pura pena. Encarou o chão ao constatar a burrada que havia cometido. Sua irmã parecia à beira de um colapso e a culpa era toda sua. Ele queria que ela estivesse à par de tudo que realmente aconteceu...

Mas não dessa forma brusca.

_ O que você disse?_ Sua voz era apenas um fio.

Vovó Abby apertou as mãos contra a bengala e indicou a saída para que Noah a seguisse. Estava na hora de pai e filha se resolverem. Sozinhos. De uma vez por todas.

_ Não era para você descobrir.

A mandíbula dela estava tão apertada que era possível ouvir o leve trincar dos dentes. Seus olhos chocolate arderam e ameaçaram a dissolver, mas ela pressionou as lágrimas dentro de si.

_ Você não causou a morte dela?

_ Não._ a expressão dele continuava imparcial._ Como eu poderia matar a pessoa que mais amava no mundo?

_ Então porque você mentiu para mim?_ era inevitável levantar a voz. Seus punhos formaram dois blocos ao lado do corpo.

_ Porque esse era o único jeito de te manter longe dessa guerra insana.

Se tudo não passava de um momento de confusão, agora parecia um borrão negro. Rachel sentiu as pernas fraquejarem, um leve frio cantarolou em sua espinha e sua boca se abriu numa quantidade incontável de vezes, mas nenhum som foi proferido.

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_ Porque você está rindo, Fabray?

Quinn bufou ao perceber a incomoda voz de sua melhor amiga nas suas costas. Questionando tudo o que fazia.

_ Eu preciso de um motivo para sorrir?_ rebateu.

_ Não._ cruzou os braços e caminhou na direção dela._ Mas aposto que tem um.

Os olhos verdes reviraram nas órbitas. Não bastava seu irmão importuná-la, ou sua mãe interrogá-la, agora também tinha que dar explicações para Santana. Isso a estava sufocando.

_ Sou uma pessoa feliz.

_ Conta outra._ seus olhos viraram duas fendas._ Quando vou conhecer essa tal garota?

A loira pegou no braço moreno e guiou-a até a porta. Jogou-a “delicadamente” no corredor e respondeu antes de bater a madeira.

_ No dia que Sam entrar para o convento.

E trancou a fechadura. A latina ferveu de ódio.

Isso é o que nós vamos ver!

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Um longo silêncio fez uma visita pós-declaração. Rachel arfava de raiva em seu canto e permanecia igualmente incrédula.

_ Não compreendo você.

_ Eu conheço a filha que tenho._ Adam sentou na mesa e fez um dique com as mãos._ Sabia que o único meio de te manter segura era inventando essa mentira.

Ela começou a andar de um lado para o outro. Seu coração esmurrava as paredes do seu peito, louco para sair.

_ Por quê?_ foi tudo que ela conseguiu perguntar.

_ Porque eu sei que se você tem ódio de uma coisa, sua reação é correr no lado oposto a ela._ ele finalizou com calma._ Portanto se você me odiasse faria todo o inverso do que lhe mando.

Psicologia reversa.

Um herói mascarado de vilão. Esse era Adam Berry. Um homem capaz de sacrificar o amor de sua filha por si mesmo para mantê-la segura. Isso prova que algumas pessoas não merecem o julgamento que tem por outras, pois o que realmente importa está guardado dentro delas.

_ Isso é loucura!

_ Tem funcionado muito bem._ ele a contrariou._ Até hoje.

Rachel tinha perdido a capacidade de falar ou expressar o horror que estava sufocando-a com a revelação. Estava sendo difícil digerir a verdade de que todos esses anos de sofrimento e ódio reprimido não tinham fundamento.

_ ENTÃO O QUE REALMENTE ACONTECEU?

O controle já havia se esvaído num pedaço desconhecido do tempo. Ela gritou exigindo saber.

_ Ela tomou os remédios por conta própria.

Flashback on

Depois de semanas de cama, incontáveis dores de cabeça, febre alta e espasmos violentos, era incrível constatar a determinação de Shelby Berry em continuar tomando as pílulas que a estava matando.

_ Pare com isso, Shelby.

_ Não posso._ ela sorriu um esgar sofrido._ Ela esta ficando cada vez mais forte.

Adam escondeu o rosto atormentado atrás das mãos. Ela acariciou seu cabelo, tentando passar algum conforto.

_ Ela não precisa dos remédios para viver._ ele insistiu.

A mulher deixou uma lágrima solitária manchar seu rosto distorcido. Pegou a mão de seu companheiro de uma vida e apertou com toda a força que lhe restava.

_ Você ainda não compreende, mas vai entender no futuro.

_ O quê?

_ Que ela tem um propósito maior.

Flashback off

Não era possível respirar naquele momento. Todo o oxigênio ao redor parecia ter se esvaído. O chão abriu uma cratera e estava prestes a engoli-la. As lágrimas que não via à tempos mancharam a borda dos seus orbes marrons, mas ela as jogou fora com as pontas dos dedos.

_ Eu não..._ Rachel abaixou a cabeça e suas mãos começaram a tremer._ Meu Deus do céu. Isso não está acontecendo.

_ Filha.

_ Não._ Ela esticou a mão, dando um passo para trás._ Todos vocês sabiam? E esconderam?

Ele confirmou tristemente.

Ela jogou as coisas de lado e rumou para fora do cômodo. Atravessou a sala onde seu irmão e sua avó estavam sentados. Passou os olhos neles e tudo o que podia ver era vermelho. Como puderam mentir para ela esse tempo todo?

_ Rachel...

_ Fiquem bem longe de mim.

Ela correu para a chuva forte. Sem um rumo coerente. Só precisava abandonar aquele lugar com pilastras solidificadas pela mentira.

__________x___________

O céu quebrou em mil pedaços. Cada parte de seu ser caiu em forma de cristal sobre a terra deformada. As árvores respiravam pesado e o vento ria manso cavalgando pela estrada.

Meu Deus!

Uma pequena menina vagava sem destino. Contemplando a umidade queimando em sua pele. Pôs a mão sobre o peito e apertou sentindo a asfixia alcançá-la. Parou na beira da estrada deserta e ajoelhou, fechando os olhos.

Mamãe...

Nada mais fazia sentido. Ela só queria gritar, mas não havia fôlego em seus pulmões para tal ato. Sentiu um calafrio lhe envolver os braços e desabou no chão encharcado.

Uma pequena observação:

Às vezes precisamos de um porto seguro.

Como que por capricho do destino, algo vibrou em seu bolso, chamando sua atenção. Seu celular. Ela pensou em ignorar, mas sua curiosidade a fez levar a mão aos jeans. Era Quinn. Primeiro cogitou desligar, mas não conseguiu.

_ Rachel?

Quinn falou do outro lado e continuou a chamá-la quando não ouviu a resposta.

_ Eu... estou...

_ O que aconteceu?_ dava para perceber o timbre preocupado na voz dela._ Onde você está?

_ Na estrada.

_ Eu vou te buscar.

_ Não._ ela engoliu a dor. Não queria que a vissem nesse estado catatônico, precisava de um tempo curto para recuperar o controle._ Será que eu posso ficar na sua... casa?

_ Claro que sim._ confirmou a voz aturdida._ Vou deixar a janela aberta.

_ Obrigada.

___________x___________

Quinn girou o trinco três vezes para se certificar que ninguém iria conseguir abrir a porta. Deslizou o vidro da janela e deixou bem aberta, apesar da chuva forte, não havia muito vento. Olhou ao redor buscando alguma camisa vermelha e não encontrou nada.

Anda, Berry.

Ela sabia que Rachel estava muito mal e que provavelmente estava tentando montar uma máscara para esconder seus temores no caminho até sua casa, porque ela não gostava de demonstrar fraqueza.

Não vou deixar você sozinha.

Um barulho tremeu o chão de madeira. Olhos chocolate profundos encontraram os dela. Rachel permaneceu parada próxima a janela, fez um dique com os braços em volta do corpo e começou a tremer.

_ Você está ensopada.

Uma toalha foi prontamente arrumada e cobriu o corpo pequeno. Rachel mantinha os olhos no chão, buscando forças para não desabar.

_ O que aconteceu?_ Quinn levantou seu queixo com delicadeza.

Os olhos chocolate sumiram por trás das pálpebras apertadas. Ela desviou o rosto e forçou a cabeça para baixo. Encolheu-se sentindo os tremores recomeçarem.

_ Calma._ Quinn foi ao seu encontro e jogou os braços ao seu redor. Esperou que houvesse algum tipo de resistência e se surpreendeu quando Rachel afundou o rosto no seu ombro._ Senta aqui.

Rachel foi guiada até a cama encostada na parede e afundou nela. Sua respiração estava em descompasso. Quinn ajoelhou na sua frente e prendeu suas mãos na dela, afagando com cuidado.

_ Estou preocupada com você._ sibilou afagando sua bochecha._ Por favor, não se feche. Deixa eu te ajudar.

Os olhares se encontraram e havia tanta verdade por trás deles. Todas as palavras não ditas de consolo estavam inflamando entre elas. Em meio a tropeços e soluços ela contou com detalhes a razão por estar tão exasperada.

_ Isso não faz sentido.

_ Eu sei._ A morena balançou a cabeça para os lados._ Não consigo entender.

_ Exatamente._ Quinn ficou com olhar distante de quem acabara de ter uma ideia._ Nós precisamos saber por que ela continuou a tomar os remédios. Pelo que sei, sua mãe era médica do hospital, certo?_ ela assentiu._ Deve ter alguma coisa lá que explique essa insensatez.

_ Existe uma sala que contém as pesquisas dela._ Ela começou a brincar com os dedos._ Mas eu nunca tive coragem de entrar lá. É doloroso demais.

_ Uma menina que encara uma multidão de bêbados, briga com uma loba delinqüente sem treinamento e lê para uma sala lotada de alunos, não é corajosa? Desculpe, mas eu discordo.

Rachel conseguiu dar um meio sorriso. Quinn passou as costas das mãos com delicadeza no rosto distorcido.

_ Eu vou estar lá com você.

_ Obrigada, Fabray.

A menina pálida deu um sorriso luminoso e encostou de leve os lábios na boca a sua frente. Foi só um beijo casto no começo. Rachel mexeu o lábio inferior abrindo passagem para a língua oposta e jogou as mãos atrás da nuca dela. Quinn sentiu o corpo latejar pedindo por mais e enlaçou o lábio superior moreno, buscando o encaixe perfeito.

___________x__________

_ Acho que precisamos de uma noite de folga da vigia.

Rachel alisou o rosto dela e suspirou cansada.

_ Tem razão._ sacou o celular do bolso e discou o primeiro número._ Noah?

Seu irmão atendeu, jogando em cima dela um arsenal de perguntas. Ela cortou-o e disse que só havia ligado para pedir um imenso favor e que não poderia dar muitos detalhes sobre o assunto.

_ Se você vir alguma coisa fora do comum me ligue, ok?

_ Sim._ o silêncio se estendeu._ Onde você está?

_ Preciso de um tempo.

_ Eu sei._ ele bufou._ Eu te amo, irmãzinha.

Ela ouviu, mas não conseguiu responder. Desligou o celular e respirou fundo.

_ Ele cuidará das crianças essa noite.

Quinn bagunçou sua franjinha e sorriu para ela. Percebeu que Rachel ainda estava carregada de água e que provavelmente ficaria doente se não trocasse de roupa logo. Foi até o armário e arrebatou um pijama cinza, entregando para ela em seguida.

_ O banheiro é ali.

Rachel sumiu porta à dentro. Quinn pegou um edredom e o jogou no chão, formando uma espécie de colchão improvisado. Arrumou a cama para Rachel e sentou no seu novo ninho.

_ Porque você está no chão?

Sua companhia apareceu na porta iluminada. Só a blusa lhe cobria o tronco um pouco mais acima das cochas, deixando boa parte de suas torneadas pernas a mostra. Quinn engoliu em seco.

_ Eu... forrei para mim.

_ Nem pensar._ Jogou a toalha em cima da cadeira e rumou para o edredom._ Eu durmo no chão.

A pequena sentou na outra ponta do edredom e dobrou os joelhos.

_ O quarto é meu, eu dito as regras.

_ Eu não vou dormir na cama.

_ Teimosa._ Quinn se jogou de lado e iniciou uma sessão de cócegas na barriga de Rachel. A morena abafou os risos com toda a força que retinha e prendeu os braços pálidos do lado do corpo dela._ Essa briga não faz sentido. Deveríamos lutar para ver quem vai dormir na cama, não no chão.

Rachel deu uma risada e se jogou entre o pé da cama e o edredom. Prendendo os dedos no tecido, impedindo que Quinn a deslocasse. Os olhos verdes reviraram nas órbitas e só por birra ela fixou o corpo na ponta restante.

_ Ótimo._ deu de ombros._ Dormimos as duas no chão.

O corpo pequeno não se moveu um centímetro. Quinn aconchegou o corpo mais para perto dela e usou o braço para vira-la na sua direção.

_ Você está bem?

_ Melhor._ Rachel deitou no vão do braço dela._ Foi um dia difícil.

_ Eu sei._ correu os dedos pelo braço moreno._ Mas pensa assim, no final desse dia idiota, você acabou dormindo na companhia de uma loira estonteante, então deve ter compensando o começo dele, certo?

Rachel riu e deu um tapa no braço que lhe afagava.

_ Você é muito metida, Fabray.

_ Foi só para fazer você sorrir.

Ela fechou os olhos e escondeu o rosto no pescoço pálido. Quinn sorriu e acariciou os cabelos negros. Uma lembrança boa a invadiu e ela mostrou a Rachel em forma de música.

_ Baby I've been here before I've seen this room and I've walked this floor You know, I used to live alone before I knew you…

_ Gosto dessa música._ sussurrou contra o a pele delicada.

_ Minha mãe cantava pra mim quando eu tinha sonhos ruins._ Rachel afastou um centímetro do rosto para encontrar aqueles olhos verdes brilhantes lhe transmitindo paz._ Ela dizia que música era o melhor jeito de espantar um pesadelo.

_ Deve ser incrível ouvir sua mãe cantar.

Por um momento Rachel pareceu cabisbaixa e Quinn notou sua melancolia. Sempre que tocavam na palavra mãe alguma coisa rachava no peito dela. Era compreensível.

Uma nota adicional:

Certos tipos de amor são insubstituíveis. O amor maternal é a voz dos anjos que acalenta as almas cansadas. Todos deveriam ouvi-la.

_ Sempre que quiser eu vou cantar para você.

Um rubor caloroso invadiu o rosto moreno que brilhou contra a fraca luz dos trovões. Seu coração respirou uma tranqüilidade doce. Quinn lhe fazia muito bem.

_ Você pode terminar a música?

Quinn riu e assentiu. Cobriu-a com um braço pela cintura e deixou-a fechar os olhos e ajeitar a cabeça sobre seu ombro. Olhou-a com carinho e admiração. Como aquela pequena menina era forte.

_ Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah...

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A luz do dia contornou o rosto cansado. Deu um bom dia melancólico porque a chuva continuava a cair e batucar o teto como uma bateria incansável. Rachel abriu os olhos e constatou que estava sozinha no cômodo, até ouvir outro barulho distinto de água. O chuveiro estava ligado.

_ Oi.

Quinn saiu do banheiro brigando com os cabeços molhados que cobriam seus olhos. A toalha perdia vergonhosamente. Rachel riu da cena.

_ Bom dia._ esfregou os olhos.

_ Desculpe te deixar sozinha._ sentou ao lado dela._ Eu tive que treinar.

_ Hum..._ a morena encarou o teto._ Você ainda faz isso?

Ela largou a briga de lado, primeiro porque era inútil, seus cabelo mandavam nela, não o contrário e segundo para dar um beijo na bochecha morena. Um pedido de desculpas não verbal.

_ Eu tenho que manter o disfarce.

_ Eu sei._ passou a mão sobre um corte recente no braço pálido._ Só não queria que tivesse que se machucar.

_ Já tive piores, acredite.

Deu de ombros. Estava acostumada a dor e agora ter que sofrer por algo que realmente valia à pena, fazia tudo de ruim parecer mais fácil. Quinn levantou, pegou uma caixa com gazes e começou a trabalhar na cicatrização de sua nova marca.

_ Para quem se machuca todo dia você é péssima em curativos.

_ Hei..._ Quinn fingiu estar ofendida._ Eu sou ótima, o problema é que é difícil fazer tudo com um braço só.

Rachel ficou de joelhos e deu um tapa na mão dela para que se afastasse e a deixasse fazer o “trabalho direito”. Ela tinha o dom de cuidar das pessoas.

_ Para quem não se machuca com freqüência você é muito boa nisso.

_ Eu cuido de crianças, Fabray._ deu um nó para finalizar a atadura._ Elas tem a mania de cair e quebrar ossos com tanta freqüência quanto você.

_ Está explicado._ Quinn deu um beijo casto nos lábios volumosos, fazendo Rachel corar de leve._ Pronta para ir ao hospital?

_ Não._ suspirou cansada._ Mas nós vamos.

Quinn puxou-a pela mão. Depois de vestirem roupas apropriadas, saíram pela janela tomando o cuidado de se certificar de que estavam sozinhas. Correram até o mustang e deram a partida.

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O vidro cintilou uma melodia melancólica. Uma sala antiga e perfeitamente preservada pelas injurias do tempo se estendia perante duas meninas. Um entulho de papéis enfeitava as estantes e vários objetos científicos estavam igualmente dispersos pelo cômodo.

_ Você está pronta?

Rachel engoliu um bloco de saliva e sentiu seu estômago virar de lado. Não era uma tarefa fácil.

_ Não sei.

Sua mão foi tomada e afagada com carinho. Quinn colocou o primeiro pé dentro da sala e puxou-a com cuidado, incitando para que prosseguisse. Um passo de cada vez e elas pararam no meio daquele lugar branco recheado de segredos.

_ Viu?_ os olhos fizeram o primeiro contato._ Você está indo bem. Vamos procurar pelas pesquisas dela.

O nó foi desfeito. Quinn abriu uma gaveta de arquivos e esparramou uma coleção de anotações sobre a mesa. Rachel permaneceu onde foi deixada. Olhou ao redor, focando cada pedaço daquele espaço particular. Tudo ali fora tocado e criado por sua mãe.

Cada canto era um pedaço dela.

_ Sua mãe era uma pesquisadora de mão cheia, Rachel.

Ela não deu atenção à outra menina que tentava ler os documentos antigos. A morena foi andando pelo recinto, tocando tudo que podia com as pontas dos dedos. Certificando-se de inalar cada parte do lugar que um dia fora o favorito de sua mãe.

_ Ela estava trabalhando em algum tipo de combinação genética._ ela estendeu um livro de anotações e se perdeu na leitura, seus olhos cresceram à medida em que seu modesto conhecimento de ciências lhe apresentava surpresas inusitadas._ Isso é muito interessante.

Rachel continuou a ignorá-la. Andou sem rumo e parou perto de um espelho pendurado na parede. Era bonito, bem modelado, com uma rosa de cristal formando suas bordas. Ela viu seu reflexo e seu coração estacionou em uma batida quando percebeu que aquela no espelho não era ela...

Sua mãe lhe sorriu.

A menina correu para a porta. Sabia que era tudo parte da sua imaginação, mas ela não queria mais ficar ali. Não podia. Era uma dor muito grande para carregar.

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O ar pesado lhe acariciou os pulmões com ternura. Ela puxou uma quantidade incoerente de oxigênio e emoldurou os braços em torno do corpo. Precisa acalmar os nervos.

_ Rachel!

Quinn estava arfando da corrida juntamente com a preocupação. Ficou bem próxima dela e segurou seus ombros.

_ Você está bem?

_ Eu não consigo._ ela balançou a cabeça para os lados._ Ainda não.

_ Calma._ Puxou-a para os braços e beijou o topo de sua cabeça no intuito de acalmá-la._ Não precisamos ter pressa. Tudo à seu tempo. Quando você estiver pronta nós tentaremos de novo, ok?

Ela assentiu com os olhos apertados. Engoliu o choro e descançou a cabeça nos ombros a sua disposição. Ficaram abraçadas por tempo indefinido, até que a morena quebrou o contato ao perceber que estavam “em público”.

_ Quinn...

_ Eu sei._ deu uma piscadela._ Ninguém pode saber que você namora uma menina esperta e linda como eu.

A pequena não se lembrava de ter corado tão fortemente em nenhum momento de sua vida. Primeiro por ela citar a palavra “namoro”, até então ela não sabia como defini-las. Bom saber. E ficou feliz ao constatar que Quinn estava levando o fato de não poderem estar tão próximas com humor.

_ Eca!_ A loira exclamou chutando um montinho de cigarros para longe._ Sinceramente, como é que pessoas que trabalham num hospital salvando vidas fumam para destruir a própria?

_ Eu nunca vi ninguém fumando aqui.

Quinn ergueu as sombrancelhas o mais alto que pode. Como assim ninguém ali fumava? Ou tinha alguém se divertindo as escondidas ou... Um choque lhe desceu pela espinha.

Aquele cheiro era familiar.

_ Essa guimbas começaram a aparecer à pouco tempo por aqui._ falou mais para si mesma do que para Rachel._ Desde que começamos a vigiar o hospital.

Ela ligou os pontos e chegou a uma conclusão assustadora. Como pode ser tão cega? O lobo negro rondava a área à pouco tempo, ele a queria e por três vezes recuou quando Rachel apareceu no meio para impedi-lo. Os cigarros.

Só uma pessoa podia ter todas essas características.

_ Fabray!_ dedos foram estalados na frente de seus olhos._ Você está bem?

_ Estou._ sacudiu a cabeça._ Vamos para o Mu.

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Foi uma noite de inquietação. Quando as estrelas começaram a fechar os olhos a ronda terminou. Quinn levou Rachel para casa com o breu negro ainda cobrindo o céu. Parou a alguns metros de distância e desligou as luzes.

_ Tem certeza de que quer ficar aqui?

_ Eu não quero, mas preciso._ Ela retirou o cinto e virou de lado._ Quando mais cedo eu enfrentar a realidade, mas forte ficarei para aceitá-la.

_ Tudo bem.

Rachel fez menção de abrir a porta, mas Quinn passou um braço por cima dela e fechou-a com força. Olhou ao redor e pode jurar que viu uma moita sacudindo. Seus instintos gritaram em protesto. Havia mais alguém ali.

_ O que foi?_ a morena questionou.

_ Deixe a sua janela aberta.

_ Por quê?

_ Confie em mim._ Quinn debruçou o corpo e capturou o lábio inferior dela. Tratou-o com ternura._ Por favor.

Rachel assentiu sem entender o pedido. Estava muito cansada para questionar qualquer coisa, só precisava de algumas horas de sono e poderia voltar a esse assunto. Quinn viu-a entrar em casa e ligou o carro, jogou-o no meio das árvores e desligou os motores.

Ela não ia a lugar algum.

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Rachel subiu as escadas silenciosas de sua casa. Rumou para o seu quarto ignorando o som de música vindo do quarto de sua avó e do barulho do carro do seu pai sendo ligado na garagem. Não queria ver nenhum deles.

Que dia estranho!

Entrou no quarto trancando a porta de imediato. Rumou para a janela e deixou-a aberta. O céu ainda gotejava fraco e permanecia em um azul turqueza-acizentado. Suspirou e girou para abraçar sua cama e se entregar ao sono.

_ Rachel Berry!

Ela congelou. O susto lhe infringiu uma taquicardia sem tamanho. Seus olhos ficaram estreitos quando ela reconheceu o intruso em seu quarto. Aquela jaqueta negra, lenço roxo amarrado no pescoço e rimels borrados a deixaram furiosa.

_ O que você pensa que está fazendo aqui, Jesse?

O menino saiu do canto onde estava. Havia algo de diferente em sua expressão. Um sorriso cadavérico. Parou no meio do cômodo e cruzou os braços para respondê-la.

_ Eu tenho uma proposta para você.

_ E precisava invadir o meu quarto?

_ É importante._ Seu sorriso maligno pareceu ampliar._ Para salvar a sua vida.

As sombrancelhas dela alcançaram o céu.

_ Do que você está falando?

_ Carregamos um propósito comum com relação a uma pessoa._ Ele começou a caminhar elegantemente pelo quarto._ Ambos queremos sua extinção e juntos podemos triunfar.

O medo a invadiu. Ela engoliu um frio cortante que lhe rasgou a garganta. Liquidar alguém? Que conversa era aquela?

_ Não estou te entendo.

_ Então serei mais direto._ Finalmente parou e encarou-a de frente._Quero que você me ajude a matar Quinn Fabray.

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A chuva fina caia em minutos curtos de segundo em seus olhos verdes. Ela queimava por dentro observando de longe aquela cena mirabolante. Jesse tão próximo de Rachel, fazendo-lhe uma proposta suja. Ela viu a morena perder a fala e ficar paralisada.

Responda, Rachel!

Estava pronta para intervir caso ele desse mais um único passo em sua direção, mas não pode deixar de temer pela resposta. Ela queria ouvir Rachel negar. Ela precisava.

Diga não, por favor!

Aguardou o momento certo.

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Rachel só conseguiu ouvir o som do próprio coração martelando em seu peito. Não dava para acreditar no que acabara de ouvir.

_ Porque você quer matá-la?

_ Justiça.

_ Não compreendo.

_ É simples._Os olhos dele pareceram se alargar e tomaram um tom assustador de vermelho._ O pai imundo dela matou o meu, em troca estarei matando a filha dele, para que possa sofrer tudo que sofri.

_ Isto me soa a vingança._ ela rebateu em alto e bom tom.

_ É isso que você pensa?_ ele abaixou a cabeça e fechou os olhos._ Eu perdi a pessoa que mais amava no mundo por erro de um delinquente que nem pagou pelos seus atos. Cresci sem um pai, você pode imaginar a dor que esse vazio causa?

Ele tocou no ponto fraco. Ela entendia muito bem aquele sentimento de que alguma coisa sempre estava faltando. Era esmagador e traiçoeiro.

Capaz de desestruturar uma pessoa sã.

_ Claro que você me compreende._ ele encostou de lado na parede._ Porque passa pelo mesmo.

_ Eu..._ ela balançou a cabeça para os lados._ É horrível ter perdido uma pessoa

querida, mas o pai dela está arrependido do que fez. Ele ainda sofre por isso.

_ NÃO É O BASTANTE!_ o garoto gritou e martelou a escrivaninha de madeira com os punhos._ Ele tem que sentir na pele o mesmo que sinto. Você está comigo? Aceita minha proposta?

Ela encolheu alguns centímetros. Jesse estava ameaçador, sua proposta soou como um ultimato. Aquele não era o menino que ela havia conhecido. Algo negro o havia destruído.

_ Não._ respondeu com segurança._ Nunca.

Ele marchou furioso até ela e prensou-a contra a parede. Olhou no fundo da imensidão marrom e divulgou sua ameaça.

_ Gosto de você._ deu um silvo._ Mas se ficar no meu caminho novamente não irei recuar, não vou permitir que atrapalhe meus planos de novo. Se for preciso passar por cima de você para alcançar meu objetivo, que assim seja.

De novo? Ela pegou a sentença e dissolveu a palavra. Só então a verdade lhe abateu com uma força de quebrar os ossos.

_ Você é o lobo negro.

Ele sorriu um esgar aterrorizante. Sua alma fora corrompida pelo ódio e seu coração parecia tão obscuro quanto à noite. Rachel sentiu o corpo sendo libertado no segundo que passou. A parede oposta fez um baque alto quando recebeu a carga pesada de outro corpo colidindo em sua solidez.

Quinn segurou Jesse pelo colarinho e o manteve pressionado contra o concreto.

Os dois tinham fogo nos olhos.

___________x___________

Os braços de Quinn tremiam de raiva. Seus dentes estavam trincados de ódio enquanto ela segurava aquele assassino lunático.

_ Você nunca mais vai chegar perto dela!_ rosnou entre dentes.

_ Não me diga?_ ele cravou as unhas nas mãos dela._ Você a quer viva para matá-la no dia certo, não é?

_ Cala a sua boca.

_ Rachel!_ ele debochou._ Você acha mesmo que essa proteção e cuidado não tem um interesse escondido? Quando chegar à hora quem você acha que ela vai escolher, você ou a família?

A pequena tremeu. Muitas coisas terríveis invadiram a sua mente. Uma imagem horripilante de Quinn a decapitando que só foi eclipsada por uma constatação bem mais assustadora e incrédula. As crianças.

_ Você matou aquelas crianças!_ ela exclamou enraivecida.

_ Foi um sacrifício necessário.

Quinn apertou seu pescoço, começando a sufocá-lo.

_ Covarde!_ a loira rosnou._ É isso que você é.

_ É o que nós vamos ver.

O garoto empurrou-a e segurou seu corpo. Prendeu-a pelas pernas e encurralo-a até chegar à janela. Forçou o corpo para frente e jogou os dois contra o vidro aberto. Os corpos caíram separados rolando na telha e colidindo no chão. Quinn gemeu quando a terra lhe arrebentou a coluna, com muito esforço se pôs de pé.

_ Vamos resolver isso de uma vez por todas.

De repente o garoto deu lugar à pelos negros e olhos vermelhos. O lobo negro estava pronto. Ele correu para o meio das árvores em busca de um lugar mais particular para sua luta.

_ Não faça isso._ Rachel segurou no pulso pálido.

_ Eu preciso._ ela desvencilhou da mão morena._ Desculpe.

O lobo branco se materializou. Quinn deu uma última olhada na menina. Fez uma despedida silenciosa caso algo desse errado. As chances eram grandes. Virou às costas e seguiu a trilha de seu oponente. Rumo ao seu destino.

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O vento rosnou um agudo estrondoso. A velocidade de suas passadas diminuiu à medida que atravessava aquele mar de lama. O coração quebrava as paredes de seu peito numa tentativa barulhenta de se salvar, mas ela não podia voltar atrás.

Era agora ou nunca.

“Cadê você?”

Seguiu uma trilha deixada propositalmente por seu oponente. O fim do caminho anunciou a vista de uma clareira, ela rumou hesitante e encontrou quem estava procurando. O lobo negro estava a alguns metros. Seu sorriso traiçoeiro esperava pacientemente.

“Achei que não viesse mais!”

“Como você teve coragem de ameaçar a Rachel?”_ela bateu a pata no chão com força.

“Pode parar com o teatro.”_ ele riu um deboche._ “ Ela não está aqui para ver.”

Os dentes pontiagudos do lobo branco cintilaram em ódio. Ele não podia julgá-la e muito menos negar que o sentimento de proteção para com Rachel fosse verdadeiro.

“Você não sabe de nada.”

“Chega de enrolo, vamos ao que interessa.”

Ele avançou numa rapidez absurda. Abriu a mandíbula e cravou as lâminas na pata dianteira dela. Com um giro o lobo branco conseguiu se soltar e deu um murro de unhas em um de seus olhos. A luta se tornou cada vez mais brutal. Jesse tinha força extra, acumulada devido ao sangue de criança que havia consumido nos últimos meses, cada golpe que Quinn lhe infringia era rapidamente reposto por três dele.

O bem estava em desvantagem.

Uma pata arrebatou o ombro de pelos brancos e com uma sessão de unhadas, o lobo negro jogou Quinn no chão e a manteve lá. O sangue se misturava a chuva. Seus uivos de agonia ecoaram pelo vale, cada vez mais intensos.

“Eu vou te retalhar bem lentamente.”

Ele abriu a mandíbula no intuito de acertá-la, mas sentiu o chão sumir e uma dor forte abaixo das costelas. Tombou na terra molhada e levantou encarando seu agressor.

O lobo vermelho.

“Rachel!”_ Quinn exclamou em preocupação. “Vá embora!”

“Saia da frente!”_ Jesse ordenou._ “Não vou pedir de novo!”

“Acho melhor, assim você não perde o seu tempo!”_ retrucou a pequena.

Assim foi feito. Ele mordeu a pata direita dela, jogando-a de encontro a uma árvore. Tomou uma distância e correu em sua direção lhe dando uma cabeçada no tronco, desmontando-a. Uma pessoa com pouco treinamento não era páreo para a fúria de olhos vermelhos.

Os ataques foram cessados por um segundo. Olhares enraivecidos cruzaram o mesmo caminho.

“Não era para ser assim!”_ ele lamentou o infortúnio.

“Você está errado.”_ retrucou, sem forças. “Eu estou exatamente onde deveria estar. Entre você e ela.”

A raiva que o tomou ouvindo aquela sentença o cegou por completo. Deu um impulso e abriu a boca com toda a força preparando-se para desintegrar seu alvo. Ele acertou uma pele e apertou sentindo a solidez do que havia destruído ruir em seu âmago. Um uivo intenso acordou toda a floresta.

Ele abriu os olhos e estacou.

O sangue não pertencia ao lobo vermelho.

Ele errou o alvo, acertando outro.

“Quinn!”

Ela entrou na frente bem a tempo. Não conseguiu pará-lo, mas pelo menos protegeu quem devia. Caiu no chão ao sentir suas costelas rachando. Havia uma abertura em sua carne tão profunda e dolorosa que não a permitiu pensar direito. Ela só conseguiu ouvir a dor.

“Não!”

Rachel correu até ela e encostou a cabeça na sua. Tentando passar qualquer consolo não verbal. Jesse mantinha os olhos arregalados. Ela pulou na frente. Poderia ter morrido para salvar sua inimiga. Por quê?A profecia valia todo esse esforço? A menos que... não, isso era um fato inconcebível.

Não era hora para devanear. Sua melhor chance estava bem diante de seus olhos. Só precisava tirar Rachel do caminho e dar o golpe final.

“Isso é por você pai!”

Um segundo passou. Um som alto ecoou pelas folhas das árvores. O lobo negro caiu sentindo sua carne queimar em angustia. Virou de lado e deu de cara com uma espingarda apontada em sua direção.

_Fique longe da minha neta!_ vovó Abby ordenou.

O lobo levantou e ouviu outro disparo. Uivou em protesto.

_ Pode vir que tem mais, cachorrinho de araque.

A velha senhora mantinha uma postura de caçadora exuberante. Pronta para atirar novamente, caso fosse preciso. Jesse viu que sua desvantagem era eminente e correu mancando mata adentro, mas uma vez falhara em seu plano hediondo.

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Rachel recebeu uma camisa branca e cobriu o corpo. Esperou que Quinn voltasse ao normal e tomou-a no colo, carregando-a para casa seguida de perto por sua salvadora. Vovó Abby espiou o ferimento esmagador na menina pálida e sentiu a mão tremer em preocupação.

Estava muito debilitada.

_ Ponha-a na cama, querida.

Com muito cuidado o corpo febril foi depositado sobre lençóis macios. Ela continuava se mechendo inquieta. A dor a consumia.

_ Vovó.

_ Acalme-se!_ ela pediu vendo o estado de exasperação de sua neta.

A pequena respirou fundo, jogando ar para acalentar os nervos.

_Tem alguns ossos fora do lugar._ disse a velha senhora._ Traga toalhas, gazes e fios de sutura para mim, Rachel.

O pedido foi prontamente atendido. Vovó Abby segurou as costelas de Quinn e virou-as num movimento rápido sentindo um estalo seguido de um grito interminável. A temperatura do corpo dela foi aos céus num minuto e sua respiração entrou em um descompasso perigoso.

Cada nó dado em sua carne era pontuado por um reflexo amedrontado.

_ Fique ao lado dela, filha.

Rachel abaixou ao lado da cama e segurou a mão pálida sem jeito. Sentiu Quinn apertá-la com força, pedindo silenciosamente que a dor parasse.

_ Eu estou aqui._ sussurrou._ Vou ficar até você melhorar.

A cura tortuosa finalmente terminou. Quinn resmungou a beira da inconsciência e se deixou levar pela escuridão quando o cansaço venceu a dor.

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A tempestade foi emoldurada por trovões aquela noite. O som estrondoso de destruição rasgava os céus tremeluzindo a terra de forma brutal. O poder da natureza era assustador.

_ Rachel.

Quinn abriu os olhos verdes e focalizou a escuridão fracamente iluminada por intervalos de raios. Olhou para o lado e viu um colchão improvisado onde uma menina morena estava cochilando. Usou a pouca força que tinha para acariciar os cabelos negros na extremidade mais baixa e acordou os olhos chocolate.

_ Desculpe.

_ Tudo bem._ bocejou, ficando sentada._ E a dor?

_ Está forte._ deu de ombros._ Mas eu vou sobreviver.

Elas ficaram num silêncio confortável. Rachel tomou a mão de Quinn na sua já devidamente enfaixada. Uma sombrancelha loira foi ao alto ao constatar o ferimento dela.

_ Ele fez isso?

_ Foi só um corte.

Ela sentiu algo amargo queimando a garganta. Tinha gosto de ódio.

_ Não precisava ter entrado na frente._ a morena encarou o chão ao prosseguir._ Você quase morreu.

Mesmo naquele estado lamentável Quinn arrumou tempo para dar um sorriso e bagunçar a franjinha de Rachel. Ela puxou a pequena para o seu lado e passou os lábios em cima dos dela, aproveitando a umidade quente que ela emanava.

_ Eu entraria de novo.

Os olhares dialogaram no silêncio que prosseguiu. Sorrisos bobos despertados por carinhos simples. Rachel escondeu o rosto no pescoço pálido, jogou ar quente contra a pele oposta sentindo um arrepio tomar Quinn. Sorriu deixando um beijo demorado na lateral do seu rosto.

_ Não vou te trair._ Quinn falou olhando nos olhos dela._ O que Jesse falou é mentira. Não sei ainda o que vou fazer, mas...

_ Para._ Rachel segurou sua mão, apertando de leve._ Nós combinamos de deixar a profecia em segundo plano.

_ Está bem.

Ela ficou cabisbaixa. Rachel percebeu.

_ Só para constar..._ levantou o rosto de Quinn com a ponta dos dedos._ Não acreditei em uma palavra do que ele disse. Nem por um segundo.

Quinn sorriu e beijo-a com vontade. Passou a mão pela sua nuca e puxou para perto, mas sentiu um a dor forte no machucado e precisou quebrar o beijo.

_ Ferida inconveniente._ reclamou, vencida.

_ Melhor eu voltar para o meu lugar.

_ Não._ Quinn a segurou._ Dorme comigo.

Ela revirou os olhos e assentiu. Deitou novamente ao lado dela e puxou a colcha para cobri-las. Quinn enterrou o rosto em seus cabelos e inalou o cheiro doce.

_ Boa noite, Rachel.

_ Boa noite, Quinn.

__________x__________

Uma luz vermelha banhada de cinzas entrou pela vidraça. Irradiou chamas de alegria pelas peles unidas. Um contraste claro e escuro perfeito. Quinn se mexeu incomodada pela cicatrização de seu mais novo corte. Sentiu os cabelos sendo gentilmente despenteados e abriu a intensidade avelã.

_ Oi._ Rachel deu sorriso vermelho._ Como você está?

_ Muito bem.

Quinn puxou a mão enfaixada de Rachel com cuidado e beijou a base. Ficaram em silêncio, encarando os olhos uma da outra. Dialogando através de sorrisos.

_ Precisamos fazer algo com relação ao Jesse.

_ O que você sugere?

A expressão de Quinn quebrou em pedaços. Só havia uma maneira de detê-lo. Ela tinha quase certeza de que a morena desaprovaria. Viu as sombrancelhas negras colarem na testa dela. Houve um momento de hesitação.

Rachel sentou na base da cama.

_ Matá-lo?_ saiu em um sussurro da pequena.

_ Não há outro meio.

_ Eu não posso.

_ Quem disse que você vai fazer?_ Quinn afagou as costas delicadas._ Eu sou treinada.

Rachel levantou em exasperação. Como assim ela o liquidaria? Depois da surra que tinha levado, muito provavelmente só o daria o prazer de terminar o serviço. Cruzou os braços em torno do corpo e enrijeceu o rosto.

_ Você não vai.

_ Mas...

_ Meninas._ Vovó Abby adentrou o recinto com os orbes arregalados em preocupação._ Há uma fumaça negra vindo das terras do norte.

Elas se entreolharam. Onde há fumaça há o que elas temiam pensar existir.

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O carro rasgou a estrada. Açoitou o vento ao fazer a curva brusca e avançou rumo ao lençol negro que se estendia no céu nublado. A chuva caia fraca e perdia a batalha para o fogo.

_ Cuidado com o meu carro, Rachel!

Quinn estava jogada no banco do carona. Tinha uma mão frouxa em cima do machucado devidamente enfaixado. A dor deu lugar à preocupação. Algum lugar estava em chamas. Temeu pelo pior.

_ Eu disse que podia dirigir.

_ Sei._ rebateu a pequena, afundando o acelerador._ Assim como pode sambar sem costelas.

Faltavam uns cem metros para chegar à casa dos Fabray. O manto negro ficava cada vez maior à medida que elas se aproximavam. Quando faltava uma curva para chegarem Quinn pediu que Rachel parasse e voltasse dali.

_ Tome cuidado._ Rachel advertiu.

_ Você também.

O carro prosseguiu com uma pessoa a menos. Rachel virou no intuito de se transformar e sair dali correndo, mas algo a fez parar. Ela se aproximou de uma árvore e viu um pedaço de jeans negro preso num galho. Puxou-o e sentiu um odor de gasolina bagunçando seus sentidos.

Não pode ser!

Seu plano de ir embora acabara de mudar.

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Durante toda a sua vida só conheceu aquela casa. Agora o lar que antes era seu porto seguro ardia em chamas. Pedaços de madeira caiam pelos lados, frouxos e sem suporte enquanto o fogo lambia o pouco que ainda restava da moradia de Quinn.

Não demoraria muito para ela cair.

_ Mamãe!

A loira correu para os braços de Judy que a recebeu com um alívio. Todos pareciam bem. Russel e Sam também estavam hígidos. Quinn abraçou cada um e virou para encarar o que um dia fora a sua fortaleza. Tudo que era dela estava perdido: As roupas, jóias, livros...

O livro! Essa não!

Existem momentos em que a razão pede uma carona para a inconsciência e você faz uma besteira sabendo das terríveis conseqüências. Aquele foi um deles. Seus pés correram sozinhos para aquele mar de fogo na tentativa exasperada de salvar seu objeto precioso.

_ Quinn!_ Sam gritou.

Era tarde, ela já tinha mergulhado.

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Seus pulmões fecharam, gritando sufocados quando entraram em contato com a fumaça sombria. O calor que o fogo irradiava corava sua pele, desidratando sua garganta. A escada era uma pintura incendiada convencional. Os degraus estavam se desintegrando à medida que subia.

Droga!

Encostou o braço numa viga quente, imediatamente sua pele mudou. Caminhou com dificuldade pelo inferno. Chegou ao seu quarto e chutou a porta para entrar.

Tudo era vermelho.

Onde ele está?

Tropeou pelo aposento e abaixou perto do que um dia fora sua cama. Um milagre. O livro estava intacto. Puxou-o e colocou de baixo do braço preparando-se para correr quando ouviu um barulho alto vindo do teto. Uma tora de concreto desabou, ela se jogou no chão para proteger a cabeça e recebeu o impacto na barriga.

Não!

A pior parte não foi dor que a dilacerou, mas o fato de constatar que estava presa.

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Todos estavam aos gritos do lado de fora da casa. Russel tentava acalmar a todos e segurava a mulher nos braços que insistia em ir em busca da filha.

_ Acalme-se._ pediu, apertando-a contra si._ Ela já enfrentou situações piores.

_ Está demorando demais, Russel!

Ele sabia que ela tinha razão. Estava segurando a tremedeira e as lágrimas. Quinn fora treinada desde sempre para todo o tipo de adversidade. Rezou para que tudo desse certo, para que sua garotinha saísse triunfante, mas não podia deixar de pensar no pior.

Vamos, filha!

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O mundo passou em câmera lenta diante dos orbes avelã. Ela tentou se soltar, mas a dor era insuportável todas às vezes que fazia força. Sabia que não havia saída. Era o fim da linha. Engraçado como as pessoas tem a mania de pensar no começo quando chega o ponto final.

Meu Deus!

Ela pensou em sua infância. Na primeira vez que viu seu irmão beijando uma menina e saiu correndo para contar para sua mãe. A primeira vez que ganhou uma luta e o pai a abraçou, dizendo que era a melhor filha que ele poderia ter tido. Ouviu sua mãe cantando depois de sonhar que estava caindo em algum lugar profundo.

Rachel...

Foi naquele momento que ela constatou que mesmo longe, a morena tinha feito parte de muitos momentos seus. A primeira vez em que se viram e torceram o nariz. O primeiro empurrão proposital que fora deixado de lado. As brigas. Os beijos.

Não é exagero dizer que ela sempre fora parte de sua vida.

Porque é verdade.

Desculpa!

Deixou uma lágrima solitária rolar pelo rosto. Sentiu o corpo ficar mais leve e um barulho alto de algo caindo se fez presente.

_ Quinn!

Ela olhou e não conseguiu ver nada. Agarrou o pedaço de papel que tinha em mãos e fechou os olhos, sentindo-se ser levada para longe do seu túmulo.

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_ Você ficou louca?

Sam carregava e berrava no ouvido da irmã. Entrara com tudo na casa deteriorada e tirou ela de lá, minutos antes de tudo desabar. Foi por muito pouco. O garoto sofreu alguns cortes e levou uma queimadura ardilosa no braço quando um pedaço de madeira caiu e ele colocou o corpo na frente para protegê-la, mas no geral estava bem.

_ O que você estava pensando?

Quinn foi deixada numa ambulância. Segurava uma máscara que enchia seu cérebro de vida enquanto tentava responder ao desespero de seu irmão.

_ Eu precisava pegar uma coisa.

O garoto arrancou o livro das mãos dela. Levantou as sombrancelhas em desaprovação e fechou-o num baque, jogando-o no banco.

_ Uma porcaria de um livro?_ rebateu furioso._ Isso vale a sua vida?

_ Desculpe.

Ele bagunçou os cabelos e bufou se afastando. Quinn sabia que ele estava certo. Nada no mundo valia o preço de sua vida. Muito menos um livro velho, mas ela tinha bolado um plano para ele. De certa forma isso tornara aquele objeto de papel uma preciosidade.

Um presente.

Primeira edição.

E já tinha um remetente.

O título do livro de ouro:

Orgulho e preconceito, Jane Austen.


Notas finais
Lembram do livro que pedi para guardarem na cabeça? Era esse. A Quinn pegou da biblioteca da mãe, leu e já tem um propósito para ele. Geralmente gosto de terminar um dia no fim do capítulo, mas o próximo continuara a partir dessa parte em que parei. Feliz natal adiantado para todos e boas férias. Nos vemos no próximo.