Glee-21-Faberry
12 He won't go. Part 1
Notas iniciais
“So I won't go, he can't do it on his own, if this ain't love, then what is? We're willing to take the risk”
As labaredas foram extinguidas pelo poder incandescente da chuva forte. A construção atacada virara um grande monte de cinzas. Pessoas olhavam desamparadas para aquele infortúnio e só uma pergunta os açoitava a mente.
Um pensamente compartilhado:
Como o fogo começou?
Quinn mantinha-se a uma boa distância dos escombros. Colocou o livro numa bolsa dentro do carro e apanhou o celular em cima do porta-luvas. Tinha uma mensagem não lida. Abriu o visor e ficou curiosa com as palavras.
Rachel: Estou escondida na floresta. Tem uma coisa que você precisa ver.
Guardou o aparelho no bolso e fechou a porta com cuidado. Certificou-se de que ninguém estava prestando atenção nela e rumou para o meio das árvores. Caminhou pela terra lamacenta sentindo o ferimento abaixo das costelas voltar a reclamar e diminuiu o ritmo quando alcançou uma clareira protegida por galhos altos.
_ No que você estava pensando?
A pequena correu em sua direção parando a poucos centímetros. Sombrancelhas loiras alcançaram o céu, estava prestes a perguntar o mesmo.
_ Perdão.
_ Porque você entrou na casa?
Outro sermão? Claro, um não era suficiente. Ela bufou e deu de ombros. Sorriu ao ver a expressão de descontentamento de Rachel. Bagunçou os cabelos negros de implicância. Nunca havia reparado quão adorável ela ficava emburrada. Deus, ela parecia uma idiota apaixonada.
_ Eu vou te contar._ ditou alegre._ Mas não hoje.
Rachel olhou para o lado, aborrecida. Não queria encará-la. Quinn riu e jogou os braços ao redor dela. Surpreendeu-se ao vê-la apertar a barra de sua camisa e suspirar ar quente contra o seu ombro.
_ Não faça isso de novo.
Ela assentiu. Então essa era a origem do aborrecimento? Preocupação. Seu coração cantou alguma melodia alegre ao constatar que a menina a sua frente se importava com ela. Muito mais do que pensava.
_ Tudo bem._ soltou-a e lhe deu um beijo no rosto._ Minha vez de te dar uma bronca. Porque você não foi embora?
A morena estendeu um pedaço rasgado de jeans negro. Quinn sentiu o odor inconfundível de gasolina e ligou os pontos. Apertou a malha nos dedos e fechou os olhos em uma prece raivosa.
_ Jesse.
Rachel assentiu.
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Russel olhava atônito para o que um dia fora sua casa. Seu sangue fervia em repugnância. Como aquilo havia começado? Andou pelo meio do paraíso de cinzas e encontrou uma coisa curiosa. Aproximou-se de um objeto plástico, vermelho e retangular.
Gasolina.
Puxou o galão que ainda possuía resquícios do líquido e a verdade lhe abateu de uma forma assustadora. O incêndio havia sido intencional. Alguém ateou fogo em sua casa. Uma pessoa queria ver sua família morta.
Quem faria...
Se antes o que o guiava era ódio, agora não havia palavras para descrever o terror que o invadiu. Tinha uma boa idéia de quem poderia ter feito aquilo.
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Quinn socou a madeira da árvore e sentiu o sangue empapar os dedos. Como aquele pilantra covarde teve a coragem de por em risco a vida da sua família? O gosto de serragem lhe rasgou a garganta. Ela nunca havia desejado matar uma pessoa como agora.
_ Não fazia idéia de que ele fosse capaz de tudo isso._ Rachel comentou.
Lágrimas de ódio borraram as bordas avelã e ameaçaram a transbordar. A pequena viu e levou as duas mãos ao redor do rosto atormentado. Os olhares se encontraram tentando acalentar a dor.
_ Fique calma._ pediu._ O importante é que todos estão bem!
_ Eu sei._ choramingou._ Ele não vai parar, Rachel.
Ela entendeu que havia uma mensagem sub-escrita nas linhas, que dizia: O único jeito de detê-lo é matá-lo. O pior é que era verdade. Rachel ia dizer alguma coisa quando uma moita se mexeu. Ambos os corações deram um salto. Pensaram ser o lobo negro, até que uma criança de olhos arregalados saiu de trás das folhas.
_ Zach...
Era o primo de dez anos de Quinn. O menino olhou para Rachel como se ela fosse a personificação da morte e saiu correndo apavorado.
_ Essa não!_ Quinn puxou-a pelos ombros._ Você precisa sair daqui agora.
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Russel ergueu o galão no topo da cabeça, mostrando-o a todos como se carregasse um troféu de perdedor. Seus familiares se entreolharam abismados. O chefe do clã tinha uma carranca no lugar da face e preparou o discurso acusador.
_ Algum covarde sem escrúpulos ousou por a vida das pessoas que amo em risco._ ditou com a voz grossa e força implacável._ Todos aqui sabem que temos grande razão em suspeitar de que tenha sido um membro do clã inimigo, já que o dia de cumprir a profecia está cada vez mais próximo.
Todos assentiram enraivecidos.
_ A pergunta é: Qual deles fez isso?
O silêncio que se instalou só foi quebrado por gritos descontentes de criança. O menino correu para o colo do tio e escondeu o rosto em sua camisa.
_ Zach, o que aconteceu?
_ Eu a vi na floresta._ respondeu aos soluços._ A primogênita da 12ª geração._ tremeu lembrando seu rosto._ Ela pegou a prima Quinn!
Os olhos de Russel pegaram fogo. Então havia sido a Berry escolhida que ateou fogo em sua casa e pior estava com sua filha. Ele entregou o menino ao pai e fez sinal para que meia dúzia de pessoas o seguisse, rumaram para as árvores até que seus dois pés foram trocados por quatro.
Os lobos fincaram as patas na terra atrás de sua presa.
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Quinn viu-os correndo pelo vale. Passaram por ela e seguiram mata adentro. Soltou o ar dos pulmões quando percebeu ter feito a escolha certa. Eles optaram por ir direto para o sul, muito provavelmente para a casa da morena.
Droga, não da para me transformar!
O ferimento impossibilitava a metamorfose. Por isso, voltou cautelosa até seu carro. Abriu a porta do mustang e deu a partida, rezando para que Rachel já tivesse chegado à praia.
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Rachel andava de um lado para o outro, olhando ao redor como se estivesse sendo observada. Sabia que tinha uma alcatéia no seu rastro, mas elas decidiram que a melhor solução era se reencontrarem no lugar menos óbvio para alguém procurá-las.
O que eu faço agora?
Uma mão lhe tomou o braço e outra matou o grito que sua garganta queria produzir. Olhou para o dono e acalmou os nervos quando percebeu a presença de quem estava esperando.
_ Você quase me mata do coração.
_ Desculpe!_ Quinn falou._ Estou com as mãos atadas.
Ela estava terrivelmente apavorada. Sua família estava prestes a entrar em confronto com a de Rachel. Sem nenhuma razão coerente.
_ Você estava certa com relação ao Jesse._ Rachel falou olhando para ela._ Temos que pará-lo.
Quinn levantou as sombrancelhas. Ela estava falando sério?
_ Eu vou detê-lo.
_ Não._ retrucou a morena._ Nós vamos!
_ O quê?_ balançou a cabeça para os lados, negando._ Você não é treinada.
_ Então me ensine.
O coração de Quinn deu um salto. A determinação da pequena não deixava dúvidas de que estava prestes a fazer tudo que fosse necessário para impedir as perversidades do lobo negro. Ela sorriu e aumentou a proximidade.
_ Por que você quer isso? Achei que odiasse brigar.
_ Eu não gosto._ deu de ombros._ Mas não vou te deixar sozinha.
Quinn passou a ponta dos dedos no queixo dela, brincou com suas covinhas e jogou a outra mão no emaranhado de cabelos negros.
_ Quer dizer que você gosta de mim?
_ Não seja tão metida, Fabray.
Rachel deu-lhe um tapinha nos ombros. As duas acabaram rindo da cena. Ela deixou Quinn tomar o seu lábio inferior e queimá-lo com a língua. O calor começou a irradiar de seus membros que colaram o corpo moreno ao dela. As mãos correram por suas costas, arrepiando seu espírito até descansarem na cintura modelada.
_ Vou aceitar isso como um sim.
Mais uma vez elas foram unidas pela vontade de estarem perto. O máximo possível. Era incrível como o contato que tinham eclipsava todo o resto e principalmente os problemas indesejáveis. Quinn apertou e afagou a cintura morena com ansiedade chegando a levantá-la do chão. Jogou-a em seu colo ouvindo a risada melodiosa entre o beijo.
_ Vai me deixar ajudá-la?
Quinn assentiu.
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Elas não podiam saber que aquele momento de ternura estava prestes a chegar ao fim. Quinn não havia sido cuidadosa o suficiente na hora de tirar o carro, porque uma pessoa a viu saindo. Esse ser a seguiu pela floresta e se escondeu atrás de uma árvore na praia.
Quinn.
Observou a conversa de longe, não dava para ouvir nada por conta do barulho que o vento traçava em seus ouvidos. O menino reconheceu aquela menina que já tinha visto várias vezes de costas, estava no mesmo ângulo e não conseguia ver seu rosto.
Isso é hora para namorar?
Ele viu Quinn beijá-la e seu coração quase parou quando ela se virou. Aqueles traços lhe eram familiares desde o dia em que nascera. Não era possível. Ela havia acabado de beijar...
Rachel Berry!
As paredes do seu peito estavam se quebrando. Um ódio incomum ferveu suas veias. O controle esvaiu-se por completo. Num minuto ele era um menino, no outro um lobo cinza carregado de ira. Sam saiu do esconderijo e rosnou para aquela cena ininteligível.
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Quinn jogou Rachel para o lado e fez uma barreira de proteção com o corpo. Seus olhos cresceram ao ver o flagra que o irmão lhes infligira. O segredo estava perdido.
_ Sam!
“Você enlouqueceu?”
Ele fincou as garras no chão, fechando a proximidade. Quinn engoliu em seco, seu coração gritou uma suplica inaudível. Não iria fugir ou permitir que ele chegasse perto da menina às suas costas, mas não podia levantar a mão contra ele.
Não havia saída.
_ Por favor!_ ela esticou o braço pedindo que ele parasse._ Não faça isso.
“Saia da frente”_ rosnou entre dentes.
Sua face trincou em mil pedaços. Ela untou as mãos no corpo de Rachel e fez uma proteção inquebrável. Balançou a cabeça para os lados, fechou os olhos e esperou pela dor... que nunca veio. Outro uivo apareceu para completar o espetáculo. Um lobo vermelho fosco se prostrou entre eles.
_ Noah!_ Rachel agarrou-se no braço direito dela e apertou.
“Para trás, Fabray!”_ o lobo fosco ordenou ao cinza.
“Vá sonhando!”
Sam abaixou e pulou no tronco do lobo vermelho. Noah uivou e deu-lhe um coice com as patas de trás. Começaram uma luta emoldurada por sangue e garras. Quinn aproveitou a deixa e puxou Rachel pelo pulso de volta para o carro.
_ Não._ Rachel protestou quando chegou ao veículo._ Nós temos que voltar.
_ Fique aqui!_ colocou-a sentada e bateu a porta._ Vou ajudar o seu irmão.
_ Você não pode se transformar!
_ Eu sei.
A morena começou um verdadeiro monólogo sobre irresponsabilidade, mas Quinn já havia partido.
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Uma garra arrancou uma parte da pele de Noah. Ele voltou a posição de ataque e retribuiu arranhando o olho esquerdo de Sam. O lobo cinza levantou com ainda mais raiva e investiu a mandíbula contra o pescoço do lobo vermelho fosco que perdeu o equilíbrio e desabou no chão.
_ Sam!_ um galho acertou-lhe a cabeça._ Para.
O lobo cinza largou a pele do vermelho e olhou confuso para sua irmã. A loira carregava um galho pesado nas mãos e fez uma muralha entre eles. Abaixou até seu oponente e sussurrou algo inaudível para qualquer outro que estivesse perto. No mesmo instante o lobo vermelho levantou e sumiu por entre as árvores.
O silêncio prevaleceu entre os que ficaram. Era difícil dizer alguma coisa no momento. Quinn jogou a “arma” na areia e deixou os ombros caírem em rendição. Como iria se explicar?
_ Desculpe.
O lobo foi para trás de uma árvore e voltou apenas com uma bermuda lhe cobrindo o corpo. Aqueles olhos protetores deram lugar a algo similar a mágoa. Quinn não suportou encará-lo, fechou os próprios e jogou os braços ao redor do tronco como se pudesse protegê-la das acusações.
_ O que você tem na cabeça?
_ Eu...
_ Rachel Berry?_ ele agarrou os cabelos aflito._ Era ela? O tempo todo?
_ Sim._ ela travou o choro que a palavra despertou.
_ Por quê?
A pergunta que valia um milhão. Porque ela se apaixonou pela única pessoa na face da terra que tinha a obrigação de destruir? Não sabia a resposta. Olhou para os lados, aturdida, sentindo os alicerces de seu castelo de areia desabar.
_ Eu gosto dela._ foi tudo que conseguiu dizer._ De verdade.
_ Você vai matá-la daqui a alguns meses!_ jogou acusação sem um pingo de misericórdia.
_ Não vou mais._ saiu num sussurro.
Os olhos verdes de Sam triplicaram. Sua respiração perdeu o ritmo normal e entrou em colapso. Ele levou as mãos ao rosto e respirou fundo. Olhou-a mais uma vez e em suas pupilas estavam estampadas a dor do sofrimento inevitável que aquela escolha iria causar.
_ Então vai destruir a todos nós.
Um agrupamento de pessoas alcançou-os. Ao que parece, o grupo de lobos desistiu da idéia de desencadear um confronto precipitado. Era melhor tentar solucionar a situação de maneira racional. Russel correu na direção da filha e a abraçou. Sentiu Quinn tremer e interrogou os dois através do olhar.
_ O que aconteceu?_ afagou o braço dela._ Ela machucou você?
As engrenagens de seu cérebro já estavam bolando a mentira quando seu irmão resolveu interceder.
_ Encontrei-a desacordada na praia._ respondeu._ Não se lembra de nada, mas parece que a Berry não lhe infringiu nenhum ferimento.
_ Claro que não._ Russel debochou._ Ainda não chegou a hora.
Como sempre, tudo girava em torno da profecia. Como ela poderia defender Rachel numa situação dessas? O que iria dizer? Que tinha passado o dia todo com ela? Que a culpa era do filho do homem que ele havia matado? Não. Não podia vir em socorro de Rachel, porque isso traria a verdade à tona.
_ Leve sua irmã para a casa dos Lopez, filho!_ virou na direção dos demais._ Todos para o conselho. Vou convocar uma reunião pacifica com o clã inimigo.
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Noah acatou o pedido de Quinn e correu para o mustang. Acelerou sob os protestos de Rachel e rumou pela estrada, levando-a para longe daquela zona de terror eminente. Vovó Abby o havia alertado do perigo que a neta poderia estar correndo e o mandou procurá-la. Ela continuava em seu banco, com os braços cruzados, encarando o irmão de lado.
_ Não vai me perguntar nada?
Ele levantou uma sombrancelha.
_ Como, por exemplo?
_ Você nos viu juntas._ rebateu aturdida._ Devia estar surtando agora.
O garoto deu de ombros.
_ Eu já tive esse momento quando as vi no estacionamento da escola._ encarou os olhos chocolate pelo retrovisor._ Foi só ligar os pontos que cheguei à conclusão óbvia.
A mandíbula dela estava ligeiramente pendurada. Ele falara com uma naturalidade assustadora, não que ela estivesse reclamando, mas estranhou o fato de não estar ligando para a situação caótica que o alcançara.
_ Posso perguntar por que você não fez nada?
_ Porque eu sei exatamente como se sente.
Ela pegou o ênfase da palavra e digeriu seu significado. Como ele podia saber o que se passava com ela? A menos que estivesse apaixonado... por alguém do clã inimigo. A revelação fez as pupilas marrons dilatarem até alcançarem os céus. Agora tudo fazia sentido.
_ Kitty Fabray?
Ele assentiu levemente. Por isso a menina estava sendo mais gentil com Rachel ou menos asquerosa, como preferir. O fato é que seu irmão estava apaixonado pela prima de sua namorada. Quando ela pensou que não podia ficar mais estranho.
_ Lembra quando ela derrubou seus livros e fui atrás?_ ela confirmou._ Eu pretendia lhe dar uma bronca, mas quando a encontrei, tinha uns dez jogadores de futebol se engraçando mesmo com ela pedindo que parassem. Não pude deixar aquilo prosseguir. Fui até eles e derrubei uns cinco até a treinadora Sylvester aparecer e me mandar para a detenção._ ele sorriu ignorando as expressões de total incredulidade da irmã._ Quando sai, ela estava na porta e me entregou um papel com o número do celular. A partir daí começamos a sair.
_ Inacreditável!_ proclamou, voltando a se acomodar no acento.
_ Ela é incrível._ citou, simples._ O jeito marrentinho é adorável depois que a conhece melhor.
Rachel duvidava muito. Deu de ombros e descansou os olhos contra a frieza do vidro. Foi um dia longo e especialmente confuso em todos os sentidos. O cansaço abalador a derrubou e ela foi carregada para o mundo dos sonhos.
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A Conselheira do clã Fabray ficou de pé, Russel montou guarda ao seu lado encarando Adam e Vovó Abygail com uma repugnância exorbitante. Estavam numa boa distância, necessária, mas era possível dialogar em tom normal.
_ O que você quer conosco, Senhor Fabray?_ Vovó Abby deu inicio a reunião.
_ Saber por que a sua “salvadora” pôs fogo na minha casa.
Os olhos dos Berry ampliaram de tamanho devido ao absurdo proferido.
_ Rachel não é capaz de fazer isso._ Adam retrucou.
_ Parece que você não conhece a própria filha!
Ambos fecharam os punhos e se encararam com ódio. Adam sentiu a testa latejar e sua veia crescer em protesto. Tinha perfeita consciência de que sua filha era inocente nessa história. Não importa o que dissessem.
_ Controlem-se!_ ordenou a Conselheira do clã Fabray.
Eles abaixaram a guarda e evitaram cruzar os olhares.
_ Poderia nos mostrar uma prova para solidificar sua acusação?
A avó de Rachel sabia como encaminhar uma negociação. Talvez fosse o segredo de ser tão boa em pocker.
_ Não, mas...
_ Acredito que mesmo sendo inimigos devemos estabelecer um limite de respeito._ acrescentou a velha senhora._ Não deve apontar culpados sem coerência, mesmo que sua cabeça lhe afirme que está certo. Condenar um inocente o torna um condenado._ ela maneou a cabeça para Adam._ Esta reunião termina aqui.
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O céu coloriu-se de estrelas. Depois de incansáveis dias na escuridão a noite voltou a sorrir para o horizonte. Pingos de luz cintilavam sob seus olhos chocolate e eram lentamente dissolvidos no leito de suas íris. Rachel observava o vasto céu quando sentiu o carro arriar devido ao acréscimo de peso.
_ Oi._ falou ficando sentada de frente para Quinn.
Ela não respondeu. Fechou os contornos avelã e respirou fundo. Aquele sorriso encantador e jovial havia se perdido em algum lugar, porque não conseguia lhe alcançar os lábios. Uma mistura de concreto e gelo.
_ Quinn...
Agora ela fez um dique com os braços e arrastou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os em desconforto. Rachel observou seu tormento e envolveu a mão na dela com muita suavidade.
_ O que aconteceu depois que nos separamos?
_O Sam me levou..._ ela engoliu um soluço antes de prosseguir._ Para a casa da Santana e ficamos lá por horas. Eles ofereceram abrigo até que nossa casa nova esteja pronta e ele não contou nada para o meu pai.
_ Isso é bom, certo?_ afagou sua mão.
_ Sim._ sua expressão trincou. Pedaços de caco de vidro voaram para todo o lado._ Mas o rosto dele quando nos viu._ lágrimas começaram a cair._ Ele ficou tão decepcionado comigo.
Ela nunca havia cometido um delírio de rebeldia contra os membros de sua família. Sempre fora a filha exemplo e orgulhava-se desse mérito, mas agora... Rachel viu o choro amplificar. A dor que estava lhe causando sem querer. Sentiu o próprio coração desabar. Temia que um dia chegassem a esse ponto e não seria justo fazer Quinn escolher entre ela e sua família.
_ Eu sinto muito!
Tomou uma decisão silenciosa. Somente sua alma saberia por um curto período de tempo. Tirou os braços pálidos do caminho e afundou o rosto em seus cabelos dourados. Fechou os olhos sentindo o choro abaixo aumentar.
Um pensamento não-proferido:
Quando tudo aquilo acabasse, ela a deixaria ir embora.
Era melhor assim. Para as duas. Quando conseguissem eliminar o lobo negro e libertar as pessoas desse perigo eminente não haveria mais nada as ligando. Então ela a deixaria livre, para que não precisasse tomar uma decisão impossível.
_ Eu gosto tanto de você!_ Quinn choramingou contra seu ombro.
Ela estremeceu. Apertou os ombros pálidos com um pouco mais de força e prendeu o choro que quis derrubá-la. Não sabia o que era chorar a anos e não era agora que iria sucumbir. Saiu do aperto e olhou com ternura nos olhos avelã. Deu um meio sorriso acolhedor e perguntou brincalhona.
_ Você não teria nenhuma piada horrível para contar?
E como num passe de mágica o rosto sofrido foi iluminado com um sorriso fraco. Limpou as lágrimas e assentiu.
_ Com certeza.
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_ Nossa! Você consegue arrumar uma piada pior que a outra!_ Rachel falou implicante.
Quinn fez um biquinho e deu de ombros. Tinha sido uma das mais engraçadas que se lembrava de contar. Rachel devia ser imune as suas piadas, não havia outra explicação coerente.
_ Você está pronta para treinar?
_ Agora?_ ergueu as sombrancelhas.
_ Não._ negou, sorrindo de lado._ Ainda não consigo me transformar por causa do ferimento. Pensei em começarmos semana que vem, logo após a aula da Senhora Morland. Podemos ir até o quinto pico. As pessoas evitam aquele lugar por motivos mais do que plausíveis._ estremeceu ao pensar._ Teremos toda a liberdade para treinar.
A morena assentiu. Deitou no vão do braço pálido e fechou os olhos, aspirando o perfume dos cabelos dela. Quinn sorriu e começou um carinho calmo em sua cabeça.
_ Acho que vou dormir um pouco.
_ É bom._ sorriu e beijou seus cabelos._ Você vai precisar.
Ouvindo o barulho do vento e inalando o aroma de rosas ela caiu em sono profundo.
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Uma semana tumultuada foi rapidamente consumida e digerida pelo tempo. Os dias passaram cavalgando mancos pela pacata cidade. Muita coisa mudou. Porém alguns fatos continuavam intactos e intocáveis. A aula de Molly Morland era um bom exemplo, mas era estranho perceber que a aula que um dia fora sua ruína agora parecia um lugar pacífico.
Um paraíso sem profecias.
_ Prestem atenção, por favor!_ A mulher encarou-os._ A apresentação do poema será no mês que vem._ todos engoliram em uníssono._ Vou avaliar sua criatividade, dicção e segurança na hora de declamar.
Será que desmaiar me fará perder pontos?
Quinn abaixou o olhar. Não havia escrito nada até então. Tinha tantos problemas e agora mais um apareceu para que suas últimas energias fossem sugadas. Bufou em silêncio. Não tinha muita confiança sobre sua capacidade de passar nessa matéria.
_ Sim._ A professora respondeu a uma pergunta de um dos alunos._ Eu gosto de Shakespeare e seria realmente emocionante para mim ouvir um poema inspirado na sua maneira de escrever._ deu uma piscadinha._ É só uma dica.
Maravilhosa, porque sou tão prodígio quanto ele!
De repente parecia que ela tinha perdido alguns centímetros. Ou talvez fosse só a sua dignidade sendo consumida pelo medo.
_ Não é necessário que o poema seja todo escrito em rimas._ ditou o último conselho._ Ás vezes está maneira de escrever os limita a explorar todo o potencial criativo. Eu lhes dou a liberdade de escolher a maneira como querem apresentá-lo.
O sinal acordou os alunos que dormiam.
_ Nos vemos mês que vem.
Pés ansiosos rumaram para fora do recinto. Molly esperou Quinn passar por ela e pediu silenciosamente que ficasse mais um pouco. Seus olhares se encontraram e a loira leu uma mudança nos olhos de arame farpado à sua frente. Pareciam mais brilhantes.
_ Você me parece aflita._ falou a velha senhora._ Posso ajudá-la em alguma coisa?
_ Estou bem, obrigada. Só um pouco atarefada.
A professora esticou uma ponta do lábio ressecado e puxou um pedaço de papel rasgado da gaveta. Ergueu para Quinn e pediu que lê-se em voz alta a escritura.
O conteúdo do pedaço de papel:
“Aqueles que arrumam tempo para ter medo de tentar, morrem devido ao tempo perdido gasto pelo medo. E no fim, são apenas poeira inútil que inalou o vento, mas não foi capaz de senti-lo.”
_ É bonito!_ a menina elogiou._Shakespeare escreveu?
_ Não._ lhe deu um sorriso genuíno._ Fui eu.
Quinn assentiu agradecida. Havia entendido a mensagem. Ela devia pelo menos tentar, porque não conseguir é uma coisa e desistir é outra. Uma lhe torna humano a outra um covarde. Assim que encontrasse sua inspiração daria tudo de si nesse poema.
Se caísse, pelo menos cairia lutando.
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O mustang deu uma última tragada na terra árida e adormeceu sob a sombra criada por uma árvore solitária. Um campo aberto se estendia a sua frente. O sol iluminava o caminho e banhava o recinto de calor. Quinn apoiou a mochila de lado na árvore e virou para aprendiz.
_ Aqui está bom.
Rachel jogou seus pertences ao lado dos dela e olhou ao redor.
_ Porque ninguém vem aqui?
Quinn engoliu em seco. Os orbes avelã tremeram. Ela caminhou alguns passos para a diagonal do pico e pediu que a morena fosse ao seu encontro.
_ As pessoas tem medo._ começou a explicação._ Estamos em um dos picos mais perigosos. Veja._foi apontando todos os demais, era como uma escada que crescia para além do horizonte._ Os três últimos são os mais terríveis, mas principalmente... o sétimo.
Apontou para um monte assustadoramente elevado que se estendia a sua frente, tentando engolir todo o vale. Parecia um gigante adormecido, mas em guarda, pronto para enlaçar e triturar qualquer um que ousasse incomodá-lo.
_ Quantos metros ele possui?
_ Acho que uns 20._ as mãos pálidas entraram em combustão._ Lembra que falei que minha mãe cantava para mim quando tinha pesadelos?_ a pequena assentiu._ Eu sempre sonhava que caia dali. Parecia uma queda infinita e eu gritava sem nunca ser escutada até que quebrava as costas na água feita de concreto e acordava exasperada.
Os olhos avelã sofreram um abalo em apreciação. Balançou a cabeça para os lados, livrando-se do torpor e batendo palmas para chamar a atenção de Rachel.
_ Vamos começar?_ apontou para o lado direito._ Se transforme ali atrás que eu vou para a outra extremidade.
Ela concordou e minutos depois um lobo vermelho saiu de trás das árvores para encontrar o brilho do sol. Aguardou alguns segundos até que outro lobo incrivelmente branco cintilou do outro lado. Caminhou elegantemente ao seu encontro, com um sorriso meio torto nos lábios.
“Muito bem, Rachel!”_sibilou._ “Vamos começar com o básico. Vou lhe ensinar umas das lições mais importantes que aprendi. Siga-me.”
Caminharam em silêncio até encontrarem um pequeno vale cercado por árvores, com um grande círculo de terra no centro. O lobo vermelho sentou e aguardou instruções.
“Há muitos momentos em que não podemos contar com nossos olhos para lutar._ repassou a sua lição._ Por isso, aprendemos a desenvolver os outros sentidos. A audição é crucial quando saímos à noite. É isso que faremos hoje.”
Rachel assentiu. Quinn farejou a área, olhando ao redor e voltou ao seu encontro.
“Fique no centro do círculo. Vou rodeá-la por entre as árvores e “atacá-la”, quero que tente esquivar.”
“Certo!”
O lobo vermelho foi para o centro do palco e sentou. O branco deu uma piscadela e se embrenhou no meio das árvores. Tudo era silêncio. Rachel olhou ao redor tentando rastrear a posição da loira. Não conseguia distinguir nada diferente. O vento não ajudava, distraindo-a com o farfalhar de todos os galhos ao mesmo tempo.
No segundo seguinte um susto lhe acometeu uma leve taquicardia. Quinn surgiu ao lado de sua pata de trás direita e empurrou-a de lado. Olhou-a de cima e sorriu vitoriosa.
“Peguei você!”
Rachel deu um muxoxo aborrecido com o focinho.
“De novo!”_ entoou a pequena.
Mais três tentativas. Todas fracassadas. Não importa por onde Quinn resolvesse aparecer ela sempre a pegava desprevenia. O lobo branco parou o que estava fazendo e rumou até ficar ao seu lado. Sentou e começou sua análise.
“Você está usando os olhos, Rachel!”_ alertou._ “ Assim não vai funcionar!”
“Estou tentando.”
“Feche-os, por favor!”
Os orbes chocolate desapareceram por trás das órbitas. Ela sentia o vento com muito mais avidez e sua direção mais fácil de ser detectada.
Privar-se de um sentido para amplificar o outro.
“Respire profundamente e acalme os nervos.”_ Quinn pediu. “Agora diga, o que você consegue ouvir?”
Rachel usou toda a sua concentração para capturar os sinais ao redor. Tomou duas goladas de ar e sentiu um timbre diferente lhe alcançar.
“Ouço o som de algum pássaro cantando á uns três metros.”_ outro ruído._ “As ondas do mar à uns dez metros e o seu coração ao meu lado.”
Quinn corou com a última sentença e agradeceu por Rachel não poder vê-la. Aquilo soou tão bem para os seus ouvidos que ela quase esqueceu que estavam treinando. Voltou à realidade e começou a caminhar de volta para seu esconderijo.
“Continue assim e vamos tentar de novo.”
“Tudo bem.”
O lobo vermelho relaxou o corpo e aprumou as orelhas. No começo só o vento pode ser registrado por seus sentidos recém- preparados para o ataque. Um minuto passou e ela ainda não conseguia diferenciar os barulhos até que...
Tum. Tum. Tum. Risk. Risk. Scrach.
Um coração extremamente barulhento entrou em sua zona de audição. Patas arranhavam ligeiramente o chão à passos curtos e quase mudos. Um galho mexeu mais do que devia às suas costas e seus joelhos dobraram automaticamente. Quinn passou voando sobre sua cabeça e caiu sem jeito no chão.
“Você está bem?”_ Rachel foi ao seu encontro.
“Sim._ deu de ombros e sorriu. Quinn tentando sorrir como lobo resultava numa coisa um tanto quanto cômica e complicada de descrever._ Conseguiu, Rach!”
Elas voltaram para o carro e desfizeram a transformação. Depois de devidamente vestidas caminharam até o centro do pico. O sol já se despedia formando espirais rosas, laranja e amarelo. Um algodão doce feito de arco-íris.
_ Você foi muito bem._ congratulou-a._ Demorei duas semanas para conseguir me esquivar.
_ Eu não sou lenta igual a você.
_ Hei..._ Quinn enlaçou-a com os braços e ouviu a risada melodiosa estremecendo seus sentidos._ Não pode responder a professora dessa maneira.
_ Por acaso é alguma mentira?_ Rachel continuou a brincadeira.
_ Aluna má._ sibilou tentando parecer séria._ Como irei castigá-la?
Rachel viu ela se inclinar tentando-lhe alcançar os lábios. Não ia ser tão fácil. Fez cócegas em sua barriga e desviou, correndo para longe.
_ Venha me pegar, Fabray!
Quinn ergueu as sombrancelhas. Sentia que Rachel estava cada vez mais livre e solta perto dela, aquela personalidade lhe era desconhecida, mas ela gostou de ser apresentada a essa parte alegre da morena. Partiu atrás daquela pequena insolente. Correram aos risos pelo vale. Rachel deixou que ela pensasse que ia pegá-la e aumentou o ritmo ao virarem uma curva. Correu para perto da beirada tentando escapar quando ouviu seu nome em forma de grito e um barulho ensurdecedor em baixo de seus pés.
O chão ruiu.
Não!
Ela caiu, mas estacou pendurada na beirada quando uma mão encontrou a sua e formou um nó. Quinn estava um pouco acima de sua cabeça. Conseguiu segurá-la a tempo e estava começando a ficar vermelha com o esforço de sustentá-la.
_ Uma ajudinha!_ pediu à morena.
Rachel usou suas últimas forças e apoiou-se na mão de Quinn para escalar a montanha. Um último puxão foi dado e elas caíram desajeitas no chão. A loira por baixo, amortecendo a queda eminente dela.
_ Esqueci de avisar que as beiradas são extremamente erosivas por conta das chuvas._ levantaram correndo para longe dali._ Lembra que eu falei isso no hospital com o meu pai? Essa parte era verdade. É uma das razões pelas quais o pessoal se mantém longe daqui. Temos que tomar muito cuidado.
_ Tudo bem._ assentiu aliviada._ Nunca mais chegar perto das beiradas.
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O mês de Setembro foi exclusivamente dedicado aos treinamentos. Quinn continuava a ensinar as lições que aprendia para Rachel. Chegava na casa dos Lopez para dormir miseras horas e voltava para a sua agenda constantemente lotada de afazeres.
_ Largue essa sandália, sua louca!
Estava deitada no quarto que dividia com Santana quando ouviu gritos e correria no corredor. Caminhou até a porta só para ter a visão de Sam de bermuda fugindo de uma latina extremamente descontente.
_ O que vocês estão fazendo?
Sam correu para trás de uma mesa e dividiu as extremidades. Santana num hemisfério e ele no outro.
_ O PROMÍSCUO DO SEU IRMÃO TROUXE DUAS MULHERES PELADAS PARA DENTRO DA MINHA CASA._ gritou atirando o chinelo na cabeça dele.
_ Não seja fominha, Lopez._ ele levantou as mãos em rendição._ Eu posso dividi-las com você.
O outro pé voou na testa dele.
_ IDIOTA!_ prosseguiu, rodeando a mesa._ A Britt viu uma dessas piriguetes e pensa que a trai.
_ Ou talvez ela esteja insatisfeita com as suas performances._ retrucou o garoto, fazendo-a perder toda a paciência que já não possuía.
_ EU VOU TE MATAR!
Ela atravessou a mesa correndo por cima e voou no pescoço dele. Sam caiu com Santana esmurrando sua cabeça e costas. Ela gritava impropérios em espanhol, que não faziam a menor diferença já que ninguém conseguia entender, mas batia com muita perícia. Quinn correu até eles e puxou-a pelas costas, afastando as feras.
_ Acalme-se, Sant!
_ Só depois que eu decapitá-lo.
Quinn jogou-a para um canto e fez uma barreira no meio dos dois. Esticou as mãos para impedir uma aproximação indesejada.
_ Ele sabe que está na sua casa e não tem liberdade para fazer isso, Santana._ ela encarou o irmão._ Peça desculpas e explique a situação para a Britt. Você não tem o direito de complicar o relacionamento delas.
_ E você parece ser perita nessa história de relacionamentos complicados!_ Sam rebateu.
Havia um quê de acusação naquela frase. Quinn sabia que ele não havia perdoado ou aceitado sua relação conturbada com Rachel, mas como poderia culpá-lo? Talvez em seu lugar fizesse o mesmo. Eles ficaram parados se encarando, Santana coçou a garganta com as sombrancelhas no céu.
_ O que isso que dizer, Fabray?
Sam balançou a cabeça e deu de ombros. Passou pela irmã e rumou para o seu “quarto” sem dizer mais nada. Quinn bufou cansada, pegou as chaves do mustang em cima da TV e saiu, deixando para trás as interrogações latinas.
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Uma mancha azul-marinho alagou o céu, subindo e descendo, criando linhas dispersas pela tela azul clara que com o passar dos minutos tornava-se cada vez mais obscura. A primeira estrela deu o ar de sua graça no vale. A ursa maior.
Uma revelação precipitada:
Este pequeno ser celeste protagonizaria uma cena dessa história.
Como pode um pedaço tão pequeno e muitas vezes insignificante do mundo fazer toda a diferença numa situação caótica? As estrelas. Nunca deixe de olhá-las. Talvez assim, você encontre o caminho de volta.
_ “Hoje eu vou te ensinar a se defender.”_ citou o lobo branco.
_ “Ok.”_ o vermelho assentiu.
Caminharam até o centro do pico e ficaram frente a frente. Quinn queria testar o estilo de luta dela e ir corrigindo os erros durante o percurso. Porém não ia investir força contra Rachel, tudo seria calculado com extremo cuidado para não machucá-la.
_ “Tente me atacar!”
_ “Mas eu pensei que você ia me ensinar a me defender!”_ retrucou.
Quinn riu.
_“E essa é a sua primeira lição do dia.”_ falou com um quê de confiança majestoso._ “ Não existe melhor jeito para se defender do que um bom ataque.”
Ela captou a mensagem. Arriou a cabeça e pulou no tronco do lobo branco, tentando abraçá-lo. Quinn desviou com facilidade já prevendo seus movimentos. Elas ficaram nesse impasse até que o lobo branco pediu que parassem.
“Ok!”_ começou a análise. “Você tem um bom impulso e força para derrubar um oponente mais pesado que você, mas..._ prostrou-se ao seu lado, imitando seus movimentos e simulando como deveriam ter acontecido._ “Quando for atacar não abaixe a cabeça como fez, isso limita a sua visão e estando num confronto direto você precisa visualizar cada movimento do adversário.”
“Entendi!”
“Quando atacar tente acertas os pontos mais sensíveis do seu oponente: Olhos, pescoço, patas e costelas. São lugares que nos deixam mais desnorteados quando a dor é intensa.”
Voltaram as suas posições. Quinn desviou dos primeiros cinco golpes de Rachel e levou uma rasteira nas patas da frente que a fizeram perder o equilíbrio e rolar de lado. O lobo vermelho estufou o peito orgulhoso, foi até seu lado e passou o focinho na orelha pálida, fazendo cócegas.
“EU ME RENDO!”_o lobo branco gargalhou. “Você está melhorando muito!”
“Sou uma boa aluna.”_ deu de ombros.
“Ou tem uma ótima professora!”
“Talvez..._ Quinn levantou e deu uma patada de leve no ombro dela. Elas estavam aderindo a essa onda de brincadeiras e não é como se pudessem reclamar. Estavam cada vez mais à vontade juntas. “Só tenho uma última dica hoje. As patas de trás servem para bater também. Não use apenas para correr, você pode precisar um dia.”
O sol hibernou no cobertor aveludado das montanhas e elas pegaram o carro a caminho do hospital.
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Uma música alegre assobiava as primeiras notas no veículo. Foram três semanas de treinamento árduo, embaixo de sol, chuva e estrelas. Rachel adquirira um certo conhecimento extra que com certeza viria ajudar num futuro não muito distante. Quinn estava orgulhosa.
_ Gosto disso!_ Quinn deixou escapar enquanto acompanhava a música.
Rachel levantou as sombrancelhas.
_ Do quê?
Ela olhou o mar chocolate pelo retrovisor e sorriu com a visão.
_ Da música, dirigir à noite, olhar as estrelas..._ corou levemente._ Com você.
Foi a vez da morena ficar vermelha e alargar os olhos. Não estava esperando por essa declaração de afeto repentina. Engoliu um pedaço incomodo de saliva quando percebeu que muito rapidamente todas essas coisas não existiriam mais entre elas. Seus olhos diminuíram alguns centímetros.
_ Eu falei alguma coisa ruim?
_ Não._ apressou-se a dizer._ Foi... eu... gostei de saber.
_ Bom._ suspirou um alívio incerto._ Eu acho que depois de todo o meu ensinamento impecável, mereço um prêmio._ mudou de assunto para descontrair o momento._ Que tal um beijo?
A mandíbula de Rachel se abriu alguns milímetros. Que pessoa mais narcisista e cara de pau era sua namorada. Revirou os olhos para a pergunta e cruzou os braços prendendo o sorriso. Inclinou-se no banco e encostou os lábios na maçã do rosto dela. Deu um beijo estalado e voltou a sua posição inicial.
_ Hum..._ Quinn deu um muxoxo._ Era mais para o lado.
_ Você não especificou o lugar._ rebateu, levantando as mãos.
_ Que namorada mais difícil!_ fingiu estar emburrada._ Acho que vou ter que roubar um.
_ Boa sorte!
Quinn riu. Estava amando essa “nova fase” da relação delas, onde podiam fazer brincadeiras e provocações bobas que sempre culminavam em risos e beijos prolongados.
_ Você já escreveu o seu poema?
_ Não._ bufou ao lembrar desse “pequeno” detalhe._ Esqueci completamente.
_ A apresentação é semana que vem.
_ Eu sei, mas estou tão ocupada ultimamente._ puxou uma lufada generosa de ar._ Vou fazer o seguinte, sábado eu tiro uma folga do nosso treino e uso esse tempo para escrever o poema. Vou dar o meu melhor, prometo.
Rachel a olhou pelo canto dos olhos. Sorriu ao reparar o quão esforçada ela era em tudo. Merecia um reconhecimento mais do que necessário.
_ Você vai se sair bem.
Ela posou a mão com extrema delicadeza nos cabelos da dourados, acariciando com cuidado para lhe passar algum conforto. Quinn sorriu sentindo o corpo relaxar e o medo virar poeira. Suspirou aliviada.
_ Obrigada, Rach!
Foi um instante extremamente carinhoso por parte das duas. Mesmo na ausência de palavras e melodia atrapalhada do rádio conseguiram sentir a força que emanava de uma para a outra. Naquele momento não havia profecias criando muros. Só duas meninas brincando de ser feliz. Rachel podia não ser um prodígio para expressar seus sentimentos, mas tudo que Quinn sentia por ela era mais do que recíproco.
_ Eu ainda quero o meu beijo.
A pequena riu. Continuaram no silêncio até que tudo parou. O carro deu um solavanco e sofreu uma freada brusca na estrada sinuosa. Rachel colocou as mãos no painel para ganhar alguma estabilidade e evitar a colisão. Olhou assustada para Quinn que mantinha os olhos fixos em alguma coisa na estrada.
Mas o quê...
Então ela entendeu. Seu coração deu uma cambalhota. Um ser de pelos negros como a noite e olhos vermelhos como sangue estava parado no meio da imensidão negra. Encarando-as com um ódio incabível.
Jesse!
Poemas. Beijos. Estrelas. Tudo isso parecia muito longe agora. O treinamento seria testado, sem mais delongas, porque ele não tinha o intuito de deixá-las fugir novamente e não poderia dizer o contrário das meninas.
Era o princípio do fim para um deles.
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