Glee-21-Faberry
3 Rumour has it
Notas iniciais
“Bless your soul, you've got you're head in the clouds, you made a fool out of you.”
As ondas em espirais se lançavam contra os rochedos sem pudor. Quebravam-se ao fundir com a solidez das rochas e sumiam rumo a eternidade. Uma queda brusca sobre colchões de pedra e rajadas de onda não era um meio provável de sobrevivência, se você for humano.
Quinn estava absorta, a testa enrugada com a força dos olhos esquadrinhando a corrente de água abaixo de si. Não conseguia ver nada.
_ O que diabos você está fazendo aqui?_ perguntou sua amiga irresponsável já devidamente vestida._ Como você sabia...
Ela não teve tempo de terminar a perguntar porque recebeu um murro no queixo e tombou de encontro ao chão.
_ QUE MERDA VOCÊ FEZ?
Os olhos verdes estavam em chamas. As mãos pálidas agarraram os ombros latinos e os ergueram do chão.
_ Ela me provocou!_ armou sua defesa._ Ela pediu por isso!
_ Você começou!
_ Vai defender ela agora?_ ela estava ficando vermelha com o esforço de sustentar o próprio corpo contra os braços de Quinn.
_ Não._ soltou-a no chão._ Se ela caiu lá embaixo a correnteza deve tê-la levado para a praia!_ apontou o dedo para a latina._ Pegue seu maldito carro e me encontre lá com um cobertor em vinte minutos!
_ E se eu não fizer isso?_ bateu o pé e cruzou os braços.
_ Espero que goste de voar, porque vou te jogar daqui mesmo!
Santana engoliu em seco e partiu para o carro.
___________x___________
Quinn desceu a ribanceira em alta velocidade. Seus pés batendo firmes de encontro ao chão gelado. Pisou em alguns gravetos e xingou a mãe de alguém quando um espinho cortou o seu dedão. Chegou a praia com o vento gelado quebrando seu rosto.
Um mar de sangue de um metro e meio estava caído de lado na beira da areia.
Esteja viva Berry, esteja viva senão eu vou te matar!
Correu tropeçando em algumas conchas e se debruçou perto do poço de sangue. Tocou-lhe o pescoço com os dedos pálidos e exalou um turbilhão de ar quando sentiu a leve pulsação que ali vivia.
_ Loira falsa!_ a ajuda chegou._ Ela está viva?
_ Para a sua sorte, sim!
Santana torceu o nariz para a figura de Rachel Berry banhada de sangue e entregou o cobertor a Quinn. O tecido abraçou o pequeno corpo e o ergueu do chão.
_ Onde você vai com esse toco?
Quinn não se deu ao trabalho de responder. Carregou o corpo inerte até o carro da latina e abriu a porta do banco de trás.
_ Nem pense em colocar esse projeto de anã menstruada no meio carro!
A cabeça da loira ia explodir, a qualquer momento. Ela arrumou o corpo pequeno cansado no banco de trás e fechou a porta.
_ Se você tem amor a vida eu sugiro que cale essa maldita boca e dirija!
A latina bufou e revirou os olhos. Entrou no carro, ligou a ignição e acelerou estrada afora.
___________x___________
_ Full House!_ gritou vovó Abby._ Passem-me o dinheiro perdedores!
Puck jogou as cartas de lado e revirou os olhos, seu pai imitou o gesto. Já era a quarta rodada seguida que a avó/sogra ganhava deles. Se continuassem assim era melhor que apreciassem o estilo de vida dos mendigos.
_ Não acredito!_ Noah jogou os último 50 dólares na mesa e se espreguiçou._ Você me limpou, perdi o dinheiro que trabalhei o mês todo para juntar.
Ele era dono de uma oficina de garagem, na qual morava no andar de cima.
_ Então junte mais meu neto e volte mês que vem para eu limpá-lo de novo!
O garoto tentou fazer cócegas na avó, mas recebeu uma bengalada na mão e preferiu ficar na dele.
Um mecânico sem mãos não deve servir para muita coisa.
_ A Rachel está demorando a chegar!_ observou Adam.
Os três ficaram em um silêncio prolongado, até que vovó Abby resolveu quebrá-lo.
_ Ela deve estar tirando leite de alguma cabra.
Porque diabos Rachel estaria...Pensando bem, é melhor deixar para lá.
___________x____________
A Pick up cabine dupla vermelha rugiu na estrada. Os últimos raios de sol estavam dizendo adeus por trás das montanhas.
_ Você pode me informar o que vamos fazer?
Quinn deu uma boa olhada para a morena avermelhada no banco de trás.
_ Estou pensando!_ dedilhou os dedos na porta lateral._ Não podemos levá-la ao hospital!
_ Ora e porque não?_ bufou a latina.
Se ignorância matasse!
_ O que nós vamos dizer, Santana? Que ela resolveu pular do penhasco como um esporte saudável? Ou que queria se matar? E o que nós estávamos fazendo lá?
_ Hum... é uma história muito grande para se bolar! Entendi! Mas, então?
Só tem um lugar onde posso levá-la!
_ Dirija para a sua casa!
Os olhos latinos quase pularam para fora das orbitas. Quinn devia ter batido a cabeça com muita força se estava pensando que ia abrigar sua inimiga mortal debaixo do seu teto.
_ A chapeuzinho vermelho não vai ficar lá em casa!
Os olhos verdes continuaram atentos a estrada ignorando as reclamações ao lado.
Tinha um quebra-molas médio no caminho.
_ Santana, diminui um pouco!
Fosse por raiva, birra ou teimosia a latina fez exatamente o contrário e acelerou em direção a parede ínfima de concreto. O carro deu um salto e o corpo de Rachel bateu de encontro ao teto e rolou para o chão.
_ LATINA DOS INFERNOS!_ Quinn deu-lhe um soco no ombro._ ASSIM VOCÊ VAI MATÁ-LA!
_ Olha só quem fala!_ retrucou debochada.
_ Exatamente!_ A loira saiu do banco e pulou para o banco de trás puxando a morena para o seu colo._ Eu vou matá-la na hora certa! Agora cale a boca e dirija!
Santana observou pelo retrovisor com descontentamento os cuidados que sua amiga estava tendo com sua inimiga. Aquilo a estava tirando do sério de uma maneira mortal.
A Pick Up foi estacionada. E os motores emudeceram.
_ Então, loira!_ virou o corpo 180º._ Qual a sua ideia?
_ Sai do carro.
_ O quê?_ arregalou os olhos em descrença._ Para quê?
_ Vou precisar dele!_ mudou-se para o banco da frente._ Anda logo!
_ Eu só saio daqui na marra!
Quinn estreitou os olhos.
É mesmo?
Dez minutos depois uma latina estava sendo “gentilmente” arrastada pelos cabelos em direção a sua residência. Xingando e estapeando a loira que a carregava como um legítimo homem das cavernas.
_ ME LARGA, LOIRA DE FARMÁCIA!
Assim que chegou a varanda Quinn soltou suas madeixas e a segurou pela gola da camisa.
_ Isso é muito pouco para o que você fez!_ encarou os olhos negros abaixo passando sua liderança._ Eu não vou te dedurar para o Conselho porque somos amigas, mas atente mais uma vez contra a vida da Berry e eu não respondo por mim!
_ Ok, agora quer parar de me enforcar, por favor?
Ela foi liberta e respirou fundo. Quinn foi até o carro e voltou logo em seguida carregando um bloco de cartazes.
_ Toma!_ jogou nos braços de Santana._ Cole isso na escola!
_ Isso é obrigação da Berry, não minha!_ rebateu.
_ Caso você não tenha notado, a Berry tem mais sangue no lado de fora do que dentro do corpo agora!_ apontou o dedo._ E a culpa é sua! Então vai desempenhar a função dela, sem a Sue saber!
Santana revirou os olhos vendo a sombra da amiga desaparecer. Quinn entrou no carro e deu a partida.
_ TOME CUIDADO COM O MEU CARRO, PROTETORA DOS DIREITOS DOS HOBBITS!
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O “Conselho” do clã Fabray estava reunido na floresta. Somente os membros mais velhos e experientes tinham permissão para freqüentar as reuniões e passar assim as informações necessárias para os mais novos.
_ Conselheira!_ rogou Russel._ Alguma visão nova?
A velha xamã da aldeia, também conhecida como “ Conselheira” era uma velhota de 150 anos. Ela carregava a historia dos lobos, desempenhava magias capazes de revelar fatos futuros e falava diretamente com os antigos espíritos que ditaram a profecia.
_ Hum..._ jogou um punhado de grãos negros no ar e os viu cair e se espalhar sobre a terra._ Interessante!
_ O que a senhora vê?_ insistiu o chefe do clã.
_ Mudanças!
_ Essas mudanças irão favorecer o nosso clã?_ dava para ver o brilho nos olhos dele.
_ Sim!
A velha puxou o cachimbo do bolso e levou-o aos lábios.
Mas não da maneira que você acha que vai!
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Quinn tremia ao volante, olhava de dois em dois segundos pelo retrovisor para se certificar de que Rachel ainda estava respirando. Estava prestes a fazer a maior loucura de sua vida.
Estacionou atrás de sua casa e desligou os motores.
Sam e mamãe devem estar em casa!
Pulou para fora do carro e abriu a porta de trás tendo acesso a “não tão viva” morena. Puxou-a e carregou-a nos braços em direção a casa com um pouco de esforço.
Deus! Ou estou ficando mole ou a Berry deu uma engordada!
Entrou na sala escura e caminhou à passos surdos para seu quarto. Quando chegou ao topo da escada uma luz foi acessa. Seu coração quase parou. Ela se esgueirou no meio de duas pilastras levando a morena consigo e prendeu a respiração.
Judy apareceu carregando um livro e desceu as escadas.
Nossa senhora! Quase botei um filho!
Olhou para os lados para se certificar que a barra estava limpa e andou “ quase correndo” até seus aposentos. Entrou e trancou a porta.
Depositou o corpo agoniado na cama e retirou a manta para examiná-la.
Droga, a pulsação dela está muito fraca! E se ela...
Não, ela não podia pensar assim. Rachel Berry não iria morrer. Não agora. A loira correu para o seu armário e retirou um jogo de seringas que guardava para emergência. Estava prestes a realizar um procedimento que havia aprendido em treinamento.
Choque de adrenalina:
Caso seu semelhante esteja muito ferido, beirando a morte, retire seu próprio sangue e injete nele.
Ela puxou o sangue da veia de seu braço e injetou o liquido na veia que levava sangue ao coração da morena.
Funciona logo!
Rachel começou a se mexer incomodada e falar coisas desconexas , tudo ao mesmo tempo. A loira levou a mão a sua testa e queimou a palma. A pequena estava pegando fogo.
Febre alta! Vou te dar um banho gelado!
Não que ela tivesse muitas opções de temperatura naquele chuveiro, ou era água gelada ou congelada.
Quinn colocou a mão no ombro moreno e levou um susto quando a menina abriu os olhos confusos. Com um reflexo invejável Rachel lhe socou a face.
Ai! Sua filha da...calma Fabray, não de uma de Santana Louca Lopez agora!
Uma luta começou. A loira tentando ajudar a morena e a pequena tentando mantê-la longe.
_ Pare de me estapear, Berry!
As mãos pálidas deram um nó nos braços morenos. Ela respirou fundo e puxou a pequena em direção ao banheiro.
No caminho do banheiro:
Quinn levou 3 chutes na canela, 7 tapas nos ombros e 1 soco na boca do estômago. De uma pessoa extremamente ferida. Vergonhoso.
A porta do boxe foi rigidamente aberta e a loira jogou-a lá dentro. Entrou logo em seguida tomando mais uma sova de tapas. Segurou os braços dela firmemente e abriu a água fria.
Foi um erro. A morena gritou quando a água atingiu seus ferimentos.
Quinn tapou-lhe a boca e recebeu uma mordida em resposta.
Valeu pit bull! Morde quem ta tentando te salvar!
_ Me... solta!_ a pequena ordenou entre suspiros, estava exausta, a beira da inconsciência.
_ Se eu te soltar você vai cair.
A água estava encharcando as duas. O sangue escorria feito uma cachoeira.
_ Você vai... me matar!_ isso não foi uma pergunta.
_ Hoje não, Berry!
Os ombros de Rachel ficaram frouxos. Ela finalmente havia desmaiado.
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Depois de lutar bravamente para dar um simples banho a loira enrolou a morena na toalha e pegou-a no colo, sentiu sua coluna estalar e teve a triste certeza que sua inimiga iria lhe proporcionar uma escoliose precoce.
Juro que vou matar a Santana amanhã!
Depositou-a na cama e desenrolou a toalha para ter uma boa visão dos ferimentos.
Puta Merda!
Havia um punhado de hematomas espalhados pelos membros, um corte profundo abaixo do pescoço, um ombro deslocado e o um buraco enorme abaixo das costelas.
E você ainda arrumou forças para me bater!
Quinn podia estar de frente para sua inimiga, mas tinha que reconhecer que a pequena era mais forte do que aparentava, mas vendo-a ali, tão frágil no momento, um pensamento relâmpago lhe bateu a porta da mente. Porque aquele ser tão pequeno merecia morrer? Apesar do ódio que retinha por ela nunca haviam lhe dado um motivo realmente plausível para matá-la.
Mas a profecia quer assim e assim será!
Só não pode deixar de desejar um motivo mais concreto.
_ Preciso colocar esse ombro no lugar!_ posicionou-se ao lado da morena com uma mão de cada lado e respirou fundo._Por favor, não grite!
Missão impossível:
Coloque um osso, cartilagem e nervos no lugar sem gritar, ou tente lamber o cotovelo. Dá no mesmo.
Um estalo foi audível assim como o desespero da semi-inconsciente Rachel.
.
_ Foi o mesmo que falar berre a plenos pulmões!
A loira esperou ela se acalmar para poder sair do quarto em direção ao armário de remédios. Precisava encontrar a maleta de primeiros socorros.
_ Jesus, Maria e José!
Uma loira semi-nua, mais alta e corpulenta que Quinn andava com um copo de água pelo corredor em direção ao quarto de Sam.
_ Nenhum dos três!_ a menina estendeu a mão._ Sou a Holly!
Quinn só maneou a cabeça, não queria nem imaginar onde aquela mão tinha estado.
_ Vejo que já se conheceram!
Sam chegou a cena, só de shorts e com um sorriso demente nos lábios. A menina beijou-lhe a boca e voltou para o quarto dele.
_ Outra, Sam?_ ela ergueu as sombrancelhas em descrença._ E com a mamãe em casa?
_ Você sabe que a mãe nunca sai da biblioteca!_ deu de ombros._ E renovar é bom de vez em quando!
Tradução no diário de Sam Fabray:
De vez em quando= De 3 em 3 dias!
A menina revirou os olhos. Seu irmão não valia o prato que comia, o chão que pisava e as roupas que vestia.
_ Você é um cretino!
_ Casanova ao seu dispor!_ ele estreitou os olhos pela fresta da porta da irmã e levantou as sombrancelhas surpreso._ E parece que não sou o único na ativa!
Um rubor descomunal atingiu as maças do rosto da menina antes de ela bater a porta.
_ Então era daí que estavam vindo os gritos!_ riu ele._ Quem é ela?
Ela atingiu um tom de vermelho inusitado.
Eu não acredito que ele está insinuando... Ai, meu Deus!
_ Não é da sua conta!
_ Que isso, maninha!_ jogou os braços para o alto._ Depois que vocês acabarem manda ela lá para o meu quarto! Vou ver se eu aprovo seu gosto!
_ IDIOTA!_ ela lançou um chinelo na barriga dele.
_ Recalcada!_ riu e voltou para o quarto.
Os nervos da loira estavam sambando em alívio. Ela não queria nem imaginar o que poderia ter acontecido se Sam descobrisse que a menina que estava em sua cama era Rachel Berry.
________x________
Noah estava concertando o carro junto com seu pai quando o celular chamou sua atenção.
Uma mensagem de Rachel.
“ Vou dormir na casa de uma amiga hoje! Não se preocupem comigo!”
O garoto estreitou os olhos. Até aonde sabia sua irmã não tinha amigos, nem gostava de dar satisfação sobre sua vida para ninguém, porque estava lhe mandando uma mensagem? E porque ele ficaria preocupado?
_ Aí tem!_ sibilou baixo.
_ Algum problema, filho?
Ele maneou a cabeça de um lado para o outro. Estava muito tarde para fazer suposições precipitadas. Pela manhã ele tiraria essa história a limpo.
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Quinn guardou o celular de Rachel na mochila da menina. Mandou uma mensagem depois de limpar e suturar os ferimentos da pequena para despistar qualquer pista que pudesse levar a policia a procurar a morena.
Mas o bichinho da curiosidade lhe deu uma pica.
O que ela tanto carrega nessa mochila pesada?
Abriu o fecho principal e se deparou com uma pirâmide de livros. Retiro-os da bolsa e empilhou ao seu lado para ler os títulos. Encontrou autores como: Jane Austen, Emily Bronte, Nicholas Sparks, Markus Zusak,Virginia Woolf, entre outros romancistas.
Mas o que mais chamou a atenção da loira foi um livrinho pequeno, de capa roxa, com o título: Contos de Fada.
Fala sério!
Folheou algumas páginas sem realmente prestar muita atenção. Havia vários contos que ouvimos quando crianças no livro. Parou numa página qualquer e leu um trecho.
“ O lobo mau de pelos negros como a noite e olhos vermelhos como o sangue investiu contra a pobre menina de chapéu vermelho...”
Chapeuzinho vermelho? Quanta maturidade!
Revirou os olhos e guardou todos os livros na mochila. Forrou uma colcha e fez uma cama improvisada ao lado da morena. Antes de dormir foi ao banheiro escovar os dentes e tomar seus remédios para enxaqueca.
Quando abriu o armário levou as mãos a testa e constatou que não havia dor de cabeça alguma.
Estranho!
Deu de ombros, não se importava de passar pelo menos uma noite tranquila, livre da dor.
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Muitas sombras invadiram a noite de Rachel. Ela se sentia exausta, nauseada, zonza. Não sabia onde estava e a dor que corria por suas veias a estava devorando.
Apesar disso tudo, não havia uma lágrima sequer em seu rosto.
_ Mãe..._ ela sibilou baixinho, não houve resposta.
Tentou levantar um braço, mas seu ombro gritou em protesto.
_ Mãe...
_ Para!_ aquela não era a voz da sua mãe, mas ela não reconheceu._ Tenta dormir!
Engoliu em seco com muita dificuldade.
_ Onde eu estou?_ exigiu uma resposta.
_ Está segura!
Foi a ultima coisa que ela ouviu antes de cair na inconsciência.
___________x___________
Uma tempestade de arrastar casas foi palco da aula da Senhora Morland. A mulher que já não era de um temperamento caloroso ficava ainda mais áspera com raios colidindo contra a terra.
_ Espero que você tenha colado os cartazes, Satã!_ rosnou Quinn para Santana.
As meninas estavam no fundo da sala. Aos cochichos.
_ Grampeei aquela porcaria a manhã inteira e furei 9 dedos!
_ Bem feito! Deveria ter furado dez!
Uma carranca foi desenhada no rosto latino.
_ E o meu carro?
_ Está no estacionamento! Já o limpei!
_ E o Frodo! O que você fez com ela?
_ Ela está bem!_ sibilou baixinho._ Está dormindo no meu quarto!
_ VOCÊ LEVOU ELA PARA A SUA CAMA?_ o susto foi tão grande que saiu tudo muito rápido e pior alto.
Uma observação óbvia:
Convenhamos, no mundo de hoje, se você ouve essa frase solta, qual é o seu primeiro pensamento? Exatamente igual ao da professora Morland!
Molly Morland parou a aula e caminhou com seus suas rugas inexpressivas na direção delas. Quinn ficou mais pálida do que já era, beirando a transparência.
_ Esta aula não é lugar para vocês lavarem sua roupa suja!_ ela falava das duas, mas se dirigia exclusivamente a Quinn._ Não acordei de manhã cedo para ouvir suas perversões Fabray!
_ Não é isso que a senhora está pensando, eu posso...
_ Silêncio!_ bradou._ Pegue sua bunda branca e essa juba que você chama de cabelo e vá para a Detenção!
A loira se levantou e encarou Santana com um ódio renovado. Aquela latina só lhe causava confusão. E o pior é que se tratando de Molly Morland a única que levava a pior era Quinn.
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_ Eu já pedi desculpas!_ bufou uma latina entediada ao volante._ Aquela mulher é louca, você não pode me culpar por ter...
_ Cala a boca!_ Quinn rosnou ao lado.
Passou a mão nas têmporas, sua dor de cabeça havia retornado com tudo, se amaldiçoou por não ter tomado os remédios noite passada.
_ Sua cabeça está doendo de novo?
Porque será, né?
_ Ela sempre dói, ainda mais quando estou nervosa!
_ Não tem porque ficar! O hobbit está bem!_ sorriu de lado._ Tudo deu certo no final!
Quinn estreitou os olhos.
Não graças a você!
__________x__________
Quinn foi deixada em casa e rumou de imediato para o seu quarto. Quando chegou ao vão da porta deu de cara com Sam.
_ Eu não acredito!_ falou num tom muito sério._ Você não fez isso!
Fui descoberta! Vou perder a minha herança e ter que morar debaixo da ponte!
_ Sam!_ os lábios rosados tremeram._ Eu posso explicar!
_ Pode mesmo?
Contra todas as expectativas da menina seu irmão começou a gargalhar descontrolado.
_ Do que você está rindo?
O menino abriu a porta e Quinn se deparou com uma cena totalmente inusitada. Seu quarto havia sido virado do avesso. Folhas, lençóis, livros, roupas... tudo fora de seu lugar habitual.
E nenhum corpo moreno de um metro e meio a vista.
_ Mas o que aconteceu aqui?_ entrou esquadrinhando o lugar.
_ Vocês devem ter sido bem selvagens para quase demolirem o seu quarto!
Isso só pode ser brincadeira!
Ela ignorou o comentário obsceno e vasculhou seu armário. Não encontrou a mochila de Rachel e um par de suas roupas havia desaparecido.
Ela levou!
_________x_________
O Mustang 1970 verde-musgo rugiu pela estrada encharcada pela chuva. A fronteira que separa as terras dos clãs já havia sido ultrapassada a tempos. Quinn precisava ter certeza de que seu objeto de destruição estava vivo.
Com essa chuva e a estatura desfavorável dela vai ser difícil ver alguma coisa!
Virou uma curva e viu ao longe um vulto de short jeans e camisa azul.
Achei a nanica!
Acelerou em direção a ela e diminuiu ao se aproximar.
_ BERRY!
Rachel olhou para ela confusa.
_ O que você quer?
_ Entra no carro!
A morena revirou os olhos e seguiu seu caminho ignorando as ordens de Quinn. A dor de cabeça que a tomou quase rachou seu cérebro ao meio.
Você quer assim? Ótimo!
Quinn puxou o freio de mão quase arrancando-o e abriu a porta com exagerada violência, andou atrás de Rachel e tomou seu braço.
_ Me larga!_ ela tentou rebater.
_ Você está muito ferida para ir andando sozinha!
_ Como se você se importasse!
_ Tem razão, eu não me importo!_ fez uma chave de braços e prendeu a baixinha._ Você vem comigo!
_ Quero ver você me obrigar!
Porque essa gente tem mania de me desafiar?
_ Tudo bem!
Quinn pegou Rachel pelas pernas e jogou-a sobre os ombros. Carregou uma pequena irada golpeando suas costas até abrir a porta do carona e jogá-la la dentro.
_ Para!_ a loira enrolou suas mãos nas dela e prendeu-a contra o banco encarando os olhos chocolate.
Uma sensação estranha lhe invadiu. Uma espécie de alívio imediato. Onde estava sua maldita dor de cabeça?
Mas o que foi isso?
_ Tira as mãos de mim!_ ordenou a pequena.
_ Eu tiro._ falou olhando no fundo daquele mar amarronzado._ Eu não me importo com você e nem você comigo, isso é óbvio! Mas você precisa de uma carona e eu tenho um carro! E eu preciso de você viva! Prometa que não vai fugir?
Os olhos chocolate arderam em negação.
_ Eu não tenho que prometer nada a você!
Oh, pessoazinha difícil!
_ Ok!_ soltou as mãos dela, mas não saiu do lugar._ Me deixe te dar só essa carona e nunca mais irei dirigir a palavra a você. Não vou mais entrar no seu caminho!
Rachel pensou por alguns segundos, essa até que era uma boa troca, afora que ela estava morrendo de dor, mesmo que nunca fosse admitir. Principalmente para sua inimiga.
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A chuva não diminuía por nada, Quinn passou pela terra lamacenta com um pouco de dificuldade por não conhecer a região. Olhava de esguelha para Rachel jogada no banco do carona com as pernas em cima do painel.
_ Dá para você tirar as pernas de cima do Mu?_ foi um pedido que mais pareceu uma ordem.
Rachel olhou para ela com a testa enrugada.
_ Tirar as pernas do que?
_ Do Mu !_ repetiu a loira._ É o nome do meu carro!
Rachel Berry não tinha senso de humor, mas dessa vez teve que prender com todas as forças as gargalhadas que faziam cócegas em seus músculos faciais.
_ O nome do seu Mustang é Mu?_ revirou os olhos._ Quanta maturidade, Fabray!
Quinn estreitou os olhos para a provocação.
_ Falou a menina que lê histórias infantis!
Os olhos chocolates viraram dois globos de descrença.
_ Você mexeu nas minhas coisas?
_ Bom... eu dei uma olhada...
Uma sova de tapas marcou os ombros da loira.
_ Pare, Berry!_ ordenou Quinn._ Eu estou dirigindo! Quer matar nós duas?
_ Não, só você mesmo!
A loira bufou.
_ Porque você lê histórias de criança?_ era uma pergunta boba, mas a curiosidade foi maior do que ela.
_ Não te interessa!
Educação mandou lembranças!
_ Eu sei porque, você não cresceu nem física, nem mentalmente!
_ Você não sabe de nada!
Rachel voltou sua atenção para o vidro, de repente sua expressão mudou de furiosa para emotiva. Aquilo era estranho.
Aqueles gestos enchiam a mente de Quinn de perguntas.
_ Estamos chegando!_ avisou a motorista.
_ Até que essa lata-velha de carro anda bem!_ observou a pequena.
Você chamou a minha criança de quê?
Quinn freou bruscamente. Rachel quase foi lançada contra o para-brisa. Estavam a uns dez metros da casa da morena.
_ Pode descer e aproveitar a chuva!_ ditou a loira.
Ninguém insulta o meu carro!
_ Ótimo!_ jogou as mãos para o alto.
A morena abriu a porta do veículo e bateu com força exagerada para fechá-la.
_ BERRY!_ Quinn queimou por dentro._ EU VOU TE MATAR!
_ Conte-me uma novidade!
A pequena caminhou pela chuva até a porta de casa e bateu as suas costas, sumindo de vista. Quinn agradeceu aos céus por sua paciência ser maior do que a vontade de pisar fundo no acelerador e atropelá-la.
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Rachel adentrou trotando em seu quarto, jogou a mochila sobre a cama e foi para o banheiro arrancar a roupa e se lavar.
Frente a frente ao espelho ela observou os ferimentos extensos pintados em sua pele morena. Um estava devidamente suturado e os outros já estavam começando a cicatrizar, enquanto as manchas roxas se tornavam mais claras a cada instante.
Foi ela!
Ela se referia a quem havia lhe salvado. Pensou também na atitude certa a tomar e decidiu que agradecer a loira pelo seu ato de heroísmo estava fora de cogitação. O motivo para isso era óbvio.
O motivo de Rachel:
Ela a salvou por pura conveniência!
Quinn precisava que a morena vivesse até os dezoito anos que seria o fim do ciclo ditado pela profecia. Rachel era só uma peça do tabuleiro que precisava ficar de pé até o momento oportuno de sua queda.
Um porco esperando pacientemente para a hora do abate.
Isso é ridículo!
Abriu o chuveiro e suspirou aliviada quando a água correu por suas costas e machucados. Agora ela se sentia totalmente limpa.
Saiu do banheiro enrolada na toalha e deu de cara com um moreno de moicano.
_ Invasão de privacidade deveria ser crime!_ sibilou a baixinha.
Ou será que era? Enfim...
_ Ora, nanica!_ falou ele se jogando em sua cama._ Você esqueceu que eu cuidei de você quando você era bebê! Cansei de limpar esse bumbum!
Eu poderia morrer sem ter que imaginar isso!
_ Sim, quando eu era pequena!
_ Você continua pequena!
Ela jogou a toalha na cara dele e se escondeu atrás da porta do armário procurando uma muda de roupa. Colocou um short jeans e uma regata vermelha.
_ Agora, papo sério!_ ele caminhou até ela com o celular estendido._ Onde você passou a noite?
A morena pegou o celular a levantou levemente as sombrancelhas, a mensagem nunca poderia realmente ter sido mandada por ela. Isso só provava o quanto sua inimiga era leiga quando o assunto era ela.
Deu de ombros e devolveu o celular.
_ Você não vai me dizer, né?_ ele cruzou os braços.
_ Se já sabe, não tem porque ficar insistindo, né?_ ela usou o mesmo tom dele._ Agora saia do meu quarto!
_ Você sabe que vou descobrir, não sabe?
O corpo moreno caiu na cama e suas mãos abriram as páginas gastas de Razão e Sensibilidade, Jane Austen. Era sempre assim que ela fugia.
Criando uma fortaleza de livros.
_ Até mais, meio-metro!
Noah saiu do quarto. Ela suspirou cansada. Precisava aliviar sua frustração, guardou seu precioso livro na mochila e retirou lá de dentro um exemplar de capa roxa com o título: Contos de Fada.
Realmente, não consigo mais viver sem fazer isso!
E rumou para o único lugar onde tudo fazia sentido.
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Uma semana havia passado desde o incidente no penhasco. Quinn manteve a promessa de não dirigir a palavra a Rachel, só a observava de longe para ter certeza de que seus ferimentos estavam curados. Ela estava melhor do que poderia esperar. Tudo parecia bem.
Parecia.
_ Esses Berrys são uma vergonha para a nossa raça!_ ditou Russel a mesa do café.
Estava contando uma história sobre uma caçada a qual o clã Berry havia destruído grande parte do clã Fabray “covardemente”. Quinn comia seus cereais vendo TV, dividida entre as noticias do dia e as fábulas de seu pai.
“ Voltamos com as notícias do dia. O hospital de Oncologia de Lima sofreu um ataque essa amanhã...
Agora ela se aprumou mais no sofá e deu exclusiva atenção a notícia. O jornalista prosseguiu.
_ “Um dos pacientes, Jonny Trant de apenas 5 anos foi morto enquanto dormia em sua maca. Imaginam que o ataque tenha sido causado por um animal e pelo o que tudo indica, é provável que tenha sido um lobo.”
O quê?
Quinn engasgou com os sereias e aumentou o volume da TV.
_ “Uma das crianças contou aos nossos jornais o que viu noite passada.”
O repórter se aproximou de um menino de cabeça raspada, olhos mel, beirando os 6 anos.
_ “Nós estávamos dormindo depois da janta e da hora da história que a nossa tia conta!_ seus lábios tremiam._ Então, uma coisa, um bicho grande de pelos negros como a noite e olhos vermelho como o sangue invadiu, entrou na sala, mordeu o pescoço do Jonny e arrastou ele para fora.”
Pelos negros como a noite? Olhos vermelhos como o sangue? Eu já ouvi isso em algum lugar!
Imagens de lençóis encharcados de sangue tomaram conta da tela. Foi uma reportagem emocionalmente desgastante. A câmera voltou para o repórter e por um segundo Quinn pensou ter visto um short jeans exageradamente curto, cabelos negros e blusa vermelha muito familiar ao funda da tela.
Não pode ser...
Fechou os olhos e balançou a cabeça. A menina havia desaparecido.
_ “ A contadora de histórias do hospital não quis dar entrevista e o corpo de Jonny Trant não foi encontrado!”
_ PAI!
Quinn correu para Russel e contou a história toda, tirando a parte da miragem onde sua imaginação ficou mais fértil que o normal com relação a sua inimiga. O homem deu um soco na mesa e rasgou seu jornal.
_ Você sabe o que isso significa, filha?
Ela assentiu.
O significado do ataque sanguinário:
Sangue de criança e o líquido mais puro e poderoso que existe, beber dele torna o lobo ainda mais forte. E não menos cruel.
A loira estava enojada com aquela atitude e uma única pergunta encheu seus pensamentos.
Seu único pensamento:
Quem seria capaz de fazer uma monstruosidade dessas?
__________x___________
Imagine sua cabeça rachando ao meio e sua face queimando como lava, vinte e quatro horas por dia. Não era um fardo fácil de carregar. A loira dirigia seu precioso carro em direção ao estacionamento, ainda absorta aos acontecimentos recentes.
Deus. Quem mataria uma criança por mais poder?
O lobo descrito era negro e de olhos avermelhados. Quinn não conhecia nenhum assim.
Os lobos tem as cores definidas pelos clãns, a única coisa que mudava era a tonalidade. Quinn era branca, assim como Sam cinza, seu pai cinza-esbranquiçado e assim vai.
Olhos avermelhados e pelos negros! Porque isso me soa familiar?
Saiu do carro e entrou na linha de visão de sua inimiga que vinha andando em direção a porta de entrada do colégio, com os olhos no chão e os fones no ouvido. A menina não esboçava expressão alguma, mas havia algo de diferente nela e Quinn percebeu.
O que será que houve com...
Um choque atingiu sua coluna quando ela avistou uma mancha vermelha na manga da camisa, embaixo do casaco de Rachel, a baixinha puxou disfarçadamente o casaco para baixo tapando o sangue. Mas ele estava lá.
Então um clarão abriu a mente da loira e ela teve sua resposta.
O livro.
O conto. Chapeuzinho Vermelho.
Exatamente igual a citação do garoto de manhã cedo. Mas tinha um fator que não se encaixava, ela já vira a morena transformada e o pelo dela era vermelho assim como os olhos eram chocolate.
A contadora de histórias do hospital! É ela! Como pude ser tão cega?
Então, Rachel havia lido a história no intuito de se encobrir. Usou a inocência das crianças para realizar sua covardia. Convenhamos, as crianças são seres mais fáceis de persuadir, conte-lhes uma história, diga que é real e isso basta.
Cruelmente brilhante.
Tudo se encaixava. A menina morena/ lobo vermelho criou um disfarce para encobrir seus podres, ficando forte na encolha para vencer a batalha que se aproximava.
O lobo mau em pele de chapeuzinho vermelho.
Ela não queria um motivo concreto para matá-la? Pronto, conseguiu um.
E eu salvei a sua vida!
Quinn sentia vontade de vomitar, sua cabeça gritava. Era melhor tê-la deixado na praia definhando. Melhor ter livrado o mundo daquele mal quando teve a chance. Uma certeza incontestável surgiu em sua mente.
A certeza incontestável de Quinn Fabray:
Rachel Berry merecia morrer!
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