Notas iniciais
Boa noite. Obrigada pelos comentários. Agradecimento especial a KAMYLA OLIVEIRA, JUH GRIFF e MELANIE pelas recomendações. Doei 150% de mim nesse capítulo e farei nos próximos também porque são os mais importantes. Essa música é a mais incrível que eu já ouvi da Adele. Quando a ideia da fic surgiu eu estava escutando One and Only e ela foi a base de toda a história.Por isso, adicionei várias partes da música ao logo de todo capítulo, já que essa história foi moldada sobre ela. Boa leitura.

“So come on and give me a chance, to prove I am the one who can, walk that mile, until the end starts.”

Como acabar com o mundo em apenas um milésimo infinito de segundo? Talvez uma arma resolva o problema, um acidente ou quem sabe as falcatruas irônicas do azar? Não. Não é preciso tanto esforço. O segredo está tão visível quanto às preces de uma alma exausta.

Uma tortura lenta:

Tire-a de mim.

Uma resposta simples, dolorosa e terrivelmente verdadeira.

Sua mais nova e impetuosa realidade.

Como pode uma pessoa que ela deveria transformar em nada se tornar seu tudo? Ela é. Talvez devesse dizer o que realmente significa, mas faltaria papel, portanto tentara utilizar a forma mais categórica e resumi-la em cinco notas.

O início:

“You’ve been on my mind, I grow fonder every day, lose myself in time, just thinking of your face.”

____________x_______________

O breu desceu em mármore sobre os olhos desacostumados. Quanto mais adentravam as garras da floresta maior se tornava o nó confeccionado de mãos. Árvores gargarejavam sombrias. O vento rasgava um som estridente com cordas de aço.

_ Fique atrás de mim._ Quinn alertou._ Se ela agir com hostilidade, darei um jeito de tirar você daqui.

Rachel apenas ouviu e assentiu em silêncio.

Desembocaram na entrada robusta de uma caverna idosa. O frio açoitou os nervos ao avistarem a única claridade próxima, vinda de uma fogueira. Uma recepção calorosa no sentido literal. Havia também, uma mulher, sentada de costas, adocicando os lábios com um cachimbo seco. As meninas usaram as árvores como proteção até encontrar algum resquício de bravura para seguir em frente.

Uma fumaça cinza azulada dançou em direção ao céu.

_ Vão ficar aí o dia todo?_ Ouviram a voz de vidro.

Um reforço à sua memória:

A Conselheira sabia de muitas coisas.

Não era preciso mais esperar a coragem.

Teriam que usar o medo como guia.

Quinn engoliu um bloco incomodo de temor e sufocou a mão de Rachel antes de saírem do conforto das árvores para o martírio de chamas.

_ Boa noite, Conselheira.

Teve que puxar assunto para descontrair o próprio estômago.

Uma observação coletiva:

O que fazer para apaziguar o medo do escuro? Fale.

As palavras serão sua luz.

Algum dia na vida, quando o pavor do desconhecido invadiu seu lar, com certeza, você usou dessa artimanha buscando refugio. Veja só, não somos tão diferente uns dos outros.

Rugas expunham a pele de papelão. Uma pena vermelha agarrava-se no cabelo de longos prolongamentos marrons claros. O último traje era um vestido floral acompanhado por colares variados que dormiam no sacolejar do pescoço.

_ Senhoritas Fabray e Berry._ a mulher manteve os olhos atados enquanto cumprimentava-as com uma breve aceno._ Estava esperando por vocês.

Ambas trocaram olhares interrogativos. Rodopiaram a fogueira, ficando do lado oposto.

_ Sabia que viríamos?

_ O futuro é um velho amigo e me confidência alguns segredos._ finalmente o pano que cobria seus olhos caiu para dar lugar a cintilantes orbes prateados. Lembravam a lua._ Prefiro conversar com as pessoas quando estão na mesma altura que eu._ apontou o chão ao que elas imediatamente entenderam._ Bem melhor.

Rachel trouxe os joelhos para apoiar o queixo. Quinn tendeu para frente, buscando as palavras certas.

_ Tenho uma pergunta._ começou, cautelosa._ Antigamente, costumava sentir dores de cabeça nauseantes, mas..._ parou, estudando suas opções._ Elas sumiram.

A Conselheira deu um último trago antes de abandonar o cachimbo, aprumou-se mais próxima da fogueira.

_ Onde está a pergunta, senhorita Fabray?

Houve um segundo de hesitação.

_ Porque elas pararam?

Foi desenhado um estreitar de olhos prateados de descontentamento, Quinn podia jurar que ela estava entediada.

_ Não faça perguntas das quais já sabe a resposta._ seus olhos recaíram sobre Rachel._ Ela curou você.

Quinn ergueu as sobrancelhas.

_ Como?

Num piscar de olhos, um sorriso cortou os cantos da boca da mulher que finalmente mostrou sinais de animação.

_ Esta, senhoritas, é a pergunta certa.

A idosa esticou um braço e pediu para que se aproximassem, ficando de frente uma para a outra, ao redor da fogueira.

_ Vou lhes mostrar.

___________x____________

Descendo algumas montanhas, passando pelo rio violento, podíamos encontrar três pessoas em estado de calamidade. Discutiam uma questão que até a pouco não retinha solução, mas como tudo é mutável, encontraram uma resposta adequada.

Abbygail Berry aderiu uma postura militar.

_ Temos o local perfeito para escondê-la.

Adam e Noah permaneceram em seus lugares ao redor da mesa.

_ Precisamos mantê-la longe, pelo menos até o fim do dia._ o homem relembrou os termos._ Mas o confronto será inevitável. O clã oposto necessita de uma distração enquanto a mantivermos fora de alcance.

Foi a vez do filho mais velho se pronunciar.

_ Reunimos nossos familiares e amigos._ relatou._ Ao todo, somos duzentos.

_ Espero que seja suficiente para contê-los.

Os Berry agarram-se a um último resquício de esperança, mas não duraria muito. Uma quarta pessoa se juntou à cena. Seu corpo era raquítico e queimado de sol. Um dos primos mais novos da família. Adentrou a porta com a respiração pesada e um pedido de desculpas pela intromissão.

_ O que tem para nós, querido?

Ele bufou um lamento antes da resposta.

_ Desci a ribanceira do lado norte._ as palavras tremiam._ Eles já estão na cidade. E pelo que vi e consegui contar têm pelo menos quatrocentos lobos brancos e estão chegando mais a cada minuto.

Houve uma troca de olhares pavorosos.

O exército oposto era duas vezes maior e mais treinado que o deles e continuava crescendo em proporções absurdas. Só podia existir um desfecho lógico.

Estavam perdidos.

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Labaredas verdes incandescentes saltaram pelas órbitas do fogo. Sua líder espalmou as mãos, deixando cair traços de pó prateados na boca da fogueira faminta.

_ O que vocês, curiosamente, têm em comum é uma história antiga._ fechou os olhos numa prece._ Quando a alma de um lobo nasce, transcende os céus e desce numa velocidade rasante em direção a terra. A força com que cai é tão insuportável que ela não suporta e se parte ao meio.

As meninas observaram num silêncio atônito.

_ Cada metade encontra um corpo._ apontou para ambas._ Mas ela permanece fraca, já que foi dividida em duas. Dêem as mãos, por favor.

A pele pálida foi de encontro à antagônica por cima da fogueira, como havia sido requisitado. Ficaram unidas pelo choque de carne e calor. A mulher esticou um pedaço de madeira por cima do nó e confeccionou um desenho amorfo. Imediatamente, um fio de luz verde correu do antebraço de Quinn até a ponta dos dedos para encontrar uma luz lilás que rodopiou o braço de Rachel.

Elas formaram uma união inquebrável e dançaram em torno delas.

Um detalhe bonito:

As almas têm cores.

_ Não há mais dúvidas._ a mulher sorriu serena._ Vocês carregam a mesma alma.

O encontro de olhares chocados e ansiosos foi inevitável. Quinn sentiu um arrepio debandar por todo o corpo. Rachel não estava em melhores condições. O coração devia estar na garganta ou em qualquer lugar que não pertencesse a ele.

Uma verdade aterradora:

Dois corações. Uma alma.

Quinn enrugou as sobrancelhas. Aquilo parecia tão surreal e emocionante, mas ainda assim, não entendia qual a ligação daquela história com seus sintomas.

_ E as minhas dores de cabeça?

_ São o resultado da divisão da alma._ respondeu, calmamente._ Enquanto as metades não se cruzam, os corpos ficam incompletos, podendo desenvolver problemas que só serão solucionados quando a outra parte for encontrada.

Ambas começaram a embasar uma linha de raciocínio lógica. Os primeiros toques deviam ter sido o primeiro contato das almas e eclipsavam as dores temporariamente, mas elas não puderam se reconhecer, porque a raiva estava impedindo.

O ódio era um agravante.

Em curtas palavras: Quanto mais a odiava, pior se tornavam as dores de cabeça.

_ Como sabemos que encontramos?

_ Não existe um padrão, senhorita Fabray._ deu de ombros._ É diferente para cada um. Pode ser numa troca de olhares, um aperto de mãos, um breve abraço...

_ Um beijo?_ Quinn interrompeu expectante.

A mulher assentiu satisfeita que a menina tivesse chegado ao próprio raciocínio.

Os acontecimentos começaram a tomar forma e fazer sentido. Lembrou de quando disse que a odiava e sua cabeça quase rachou em pedaços. Até que ocorreu o inesperado beijo e as dores nunca mais voltaram.

Naquele momento suas almas se encontraram de verdade.

_ Espera._ Rachel resolveu participar._ Não faz sentido. Se eu só tenho metade de uma alma, também deveria ter dores de cabeça._ concluiu._ Mas nunca tive.

E o sorriso da velha senhora virou uma lua cheia.

_ Os sintomas são diferentes._ explicou._ Você também possui uma fraqueza que não percebeu sumir quando encontrou sua outra parte e é tão dolorosa quanto uma dor física. O seu martírio chama-se: Solidão.

Um choque desceu rasgando os nervos de Rachel. Os orbes chocolate quase explodiram quando se deu conta do óbvio. Sempre se sentiu sozinha e aquele vazio corroia seu peito, torturando-a cada dia mais um pouco, mas quando Quinn apareceu todo aquele sentimento intrometido se desfez.

Ela só não havia se dado conta.

Meu Deus! Isso é inacreditável!

_ Vocês precisam saber de apenas mais um detalhe._ os olhos prateados transbordaram uma piedade inusitada._ Quando o lobo encontra o que procura em um, jamais conseguira se afeiçoar a outro.

Uma lembrança necessária:

Está explicado o problema de Sam Fabray.

Um infortúnio irônico, o destino deixar que duas pessoas marcadas para se destruir também fossem a razão da mais pura felicidade mútua. Até mesmo uma mulher que não resplandecia muitos sentimentos deixou transpassar o quanto sentia pelos eventos marcados para as próximas horas.

Condenadas a uma vida sem amor. O pior inferno que posso imaginar.

_ A senhora disse que pode ver o futuro._ Rachel jogou-se para frente em total exasperação._ Pode nos dizer se vamos sobreviver amanhã?

A Conselheira fechou os olhos, relutante. Juntou os membros sobre o peito numa espécie de concentração pessoal. Bufou a decisão de vidro.

_ Não costumo fazer isso, mas dessa vez, vou abrir uma exceção._ untou as mãos novamente sobre a fogueira e concentrou-se nas chamas.

Meio minuto passou.

A expressão da mulher caiu alguns degraus.

Sentiu no fundo do coração o que a revelação poderia gerar, mas havia prometido e não voltaria atrás da palavra.

_Sinto muito._ replicou em verdadeira clemência._ Uma das duas irá morrer.

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O mustang verde-musgo 1970 cuspiu jatos de fumaça pelo caminho terroso e confeccionou desenhos abstratos com pincéis de borracha gastos. A cor da esperança nunca fora tão requisitada quanto naquele momento.

Por fora parecia impecável.

Por dentro, silêncio.

Uma nota de prata:

“You'll never know if you never try, to forgive your past and simply be mine.”

As meninas estavam tão estupefatas com todas as descobertas que encontrar palavras naquele pandemônio de pensamentos tornou-se um ato impossível.

Os motores adormeceram no destino estimado.

_ É assim que termina.

Foi Rachel quem confidenciou a sentença para o arregalar de olhos incrédulos da motorista.

_ Não diz isso.

_ No fundo, sempre soubemos que não tinha jeito._virou o corpo de lado._ Nós tentamos, mas não podemos mudar o futuro.

Quinn manteve os olhos no caminho à frente. Enfrentaram tantas tempestades para morrer na praia? Tudo por nada?

Não podia ser verdade.

_ Foge comigo._ lançou a última esperança._ Podemos ir para bem longe daqui, onde não aja guerra e possamos viver.

Pode até parecer, mas a loira não sofria de perda de memória. Sabia que não estavam mais juntas, só que esse fato não anulava o que sentia por ela e muito menos a vontade quase insustentável para que voltassem a ficar bem.

_ E quanto às pessoas que amamos? Vamos deixá-las para trás?

Não queria admitir, mas a preocupação da morena era tão verídica quanto sua ausência de saída. Estavam presas numa jaula impiedosa que contava os segundos para esmagá-las e sorrir sobre os restos.

_ Os espíritos ficariam furiosos, poderiam aniquilar a todos que conhecemos por não termos dado o sangue que pediram e depois, com certeza, nos encontrariam._ Rachel tremeu com o pensamento._ Fugir não irá nos salvar, só causará mais mortes.

A porta da motorista foi aberta e rudemente fechada. Quinn fez um suporte de mãos e encaixou os olhos atordoados. Rachel tinha razão. Só havia um desfecho para elas. Sentiu uma presença próxima e apertou as pálpebras desejando silenciosamente que tudo aquilo acabasse.

_ Quinn.

_ Estou tão cansada._ as primeiras lágrimas finalmente desceram._ Exausta.

Não podia existir resistência aquela visão. Uma pessoa que gostava tanto sofrendo com aquela magnitude por causa dela seria suficiente para eclipsar qualquer roubo de segredos do passado. O diário já não importava mais.

Não agora.

_ Sabe o que tem de fazer._ apoiou as pequenas mãos nas dela.

_ Não acredito._ afastou-se._ Você não pode estar me pedindo para te... matar?_ Rachel assentiu calmamente._ NÃO...EU LUTEI POR NÒS. AINDA ESTOU._ perdeu as estribeiras. Coisas dolorosas tendem a explodir._ Você não tem o direito de me pedir isso.

_ Não há outro meio.

Quinn tremeu em raiva. Será que era tão difícil entender que cometer aquele homicídio seria seu próprio declínio? Destruir uma parte de si mesma.

_ É tudo tão fácil para você._ despejou._ Sempre demonstrei o quanto gosto do que temos, mas você..._ fechou os olhos trêmulos._ Eu achava que era o seu jeito, mas talvez, você simplesmente não goste tanto assim de mim.

Uma lição para refletir:

Você não pode ver o que um coração esconde. Tente não cometer o erro de julgá-lo.

Toda cautela que Rachel possuia se desfez com o sopro do vento. O peito inflou tomando um gole da mesma ira oposta. Orbes marrons apontaram para todos os lados.

_ ACHA QUE NÃO É DIFÍCIL PARA MIM?_ empurrou os ombros dela._ Que eu não queria que fosse diferente? Sua egoísta mimada!_ Rachel prensou-a contra a lataria e a segurou pelo antebraço._ Eu queria você, Fabray._ as palavras começaram a ser atropeladas e ela perdeu todas as forças._ Eu ainda quero.

Então o diário foi deixado na escuridão. Elas se aproximaram simultaneamente e selaram os lábios num alívio de saudade. Quinn deixou as mãos caírem até a cintura fina, enquanto a mesma enrolava o pescoço pálido com urgência.

Corações inflamaram.

Elas mantiveram as testas coladas, bocas próximas e olhos fechados.

_ Gostaria de ter tempo para me desculpar, brigar de novo e fazer as pazes quantas vezes fosse preciso._ Quinn sussurrou no meio do ar quente._ Mas nós só temos um dia.

_ Eu sei._ Rachel passou os polegares nas bochechas rosadas._ Tenho que resolver alguns assuntos pendentes, mas hoje, se for meu último dia, quero passá-lo com você.

Quinn puxou-a para um abraço, aquele forte e completo que diz: “Te vejo mais tarde.” Foi um momento eterno para elas. Separaram-se com a promessa de um reencontro rápido. Antes de entrar no carro e dar a partida, Rachel deixou-a com um sorriso e novas palavras.

Uma contrariedade.

O otimismo proferido:

“Nós ainda temos um dia.”

Uma palavra pode mudar o significado de tudo.

Podiam ter pouco tempo, mas talvez fosse suficiente para fazer valer à pena.

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A casa dos Berry virou uma reunião de nervos alvoroçados e ideias sórdidas. Cada membro mais velho do clã tentava desesperadamente encontrar um meio de virar a moeda da sorte.

Não estavam tendo sucesso algum.

Uma porta foi fechada e trouxe com ela o vento e a menina de olhos marrons.

Não era preciso temer mais nada, os fatos estavam prestes a mudar.

_ Eu vou lutar.

Após a declaração unilateral houve um murmurinho de silêncio. Olhos atônitos, céticos e insatisfeitos recaíram sobre ela. Adam foi primeiro a se levantar e caminhar até a filha.

_ Diga que não ouvi o que acabo de pensar ter ouvido.

_ Sinto muito._ voltou-se para os membros restantes._ Avisem a todos que mudei minha decisão.

Noah mantinha uma postura rígida, explosiva. Marchou até ela e pegou-a pelos ombros.

_ Você ficou louca? Está querendo morrer, Rachel?

Exatamente, irmão.

Ficou parada analisando os rostos atordoados. Vovó Abby foi a única a ficar no canto, com os olhos no chão e a bengala debaixo das mãos queimadas. Os membros mais antigos estavam divididos entre a vontade de enfrentar o clã inimigo e a certeza quase imutável de que se o fizessem acabariam perdendo vergonhosamente.

Rachel teve que dançar a música de improviso.

Subiu na cadeira e encarou-os de cima.

_ Estou ciente de que somos poucos e recusei o treinamento com vocês durante todos esses anos._ começou sua justificativa._ Mas não quer dizer que eu não tenha treinado._ lembrou-se rapidamente do pouco que aprendeu com Quinn._ Tive ajuda e estou pronta para isso.

Havia uma confiança tão verdadeira e inabalável por trás daquela meia mentira que até ela acreditou na história.

Gritos de viva estenderam-se noite à dentro.

Alguns olhares a congratularam, outros fugiram para longe.

Não importava.

Fez o que devia e não teria tempo para arrependimentos. Subiu até o quarto almejando dar uma última olhada no seu céu. Puxou o celular e enviou uma mensagem. A remetente estava grampeada em cada estrela sobre sua cabeça e para sempre em seu coração.

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Quinn secou os cabelos tendo o insucesso de ficar com eles bagunçados sobre a testa. Tentar arrumá-los era uma perda de tempo que não tinha. Arrumou a bolsa e abriu a página inicial do celular.

Uma mensagem sorriu.

Rachel: Vamos ao hospital primeiro?

Esticou os lábios. Sentia falta das crianças. De ouvir as histórias, que um dia, foram seu maior conforto. Um tempo não muito distante, onde passava horas quebrando ossos em prol de uma causa terrível.

Peter.

De repente, olhos mel brotaram na memória fazendo com que recordasse que o membro mais importante dos pequenos não estaria presente na sala e em breve nem ao menos nesse mundo. Uma lágrima brilhou no canto do olho esquerdo.

Parou de frente ao espelho com uma multidão de pensamentos.

A cura não fora encontrada, muito provavelmente não seria.

O menino precisava de tempo, que só poderia lhe ser entregue pelas mãos de uma cirurgia impossivelmente cara...

Espera um pouco.

Um frio lhe rasgou a espinha quando avistou uma luz distante. Apesar de sempre ter estado perto, nunca cogitara aquela ideia. Olhou pela janela diretamente para o metal verde adormecido em seu cantinho, embaixo da sombra de uma árvore.

Mu.

Arrebatou o celular e discou um número quase nunca requerido.

Tocou duas vezes até uma voz atender.

_ Preciso conversar com você pessoalmente.

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Rachel mudou seu melhor short jeans. Soltou os cabelos volumosos e retocou a camisa xadrez vermelha. Para completar, calçou as botas com desenhos abstratos e foi conferir o resultado no espelho. Não havia nada de diferente em seu visual, mas por dentro, parecia outra pessoa.

Talvez fosse o fato de estar ciente que seus minutos estavam contados.

Ou ter deixado para trás um assunto que sua personalidade nunca perdoaria, mas a verdade é Quinn a confundia, bagunçando seu julgamento de certo ou errado, porque quando estavam juntas não precisava se preocupar com esses pensamentos.

Ou qualquer outro.

_ Aonde vai tão bonita, querida?

Rachel riu calorosa.

_ Visitar algumas pessoas, vovó.

A velha senhora sorriu amplamente. Sentou-se sobre a cama e observou-a.

_ Você está diferente.

_ Isso é ruim?_ ergueu uma sobrancelha.

Vovó Abby esticou as mãos em negação. Sentiu aquele orgulho que só as pessoas que amam podem usufruir. Rachel parecia mais brilhante e alegre. Uma pessoa com consciência de que a vida é muito curta para se preocupar com chacinas banais.

_ Nem um pouco._ sibilou simples._ Vai se atrasar.

A morena estava, na verdade, adiantada. Quinn disse que ligaria quando chegasse para que a mesma fosse ao seu encontro. Movida pela curiosidade, caminhou até janela. Para seu acréscimo de perguntas constatou que sua avó estava certa.

Quinn estava a uns dez metros conversando com Noah.

_ O que eles estão aprontando?

_ Você não vai encontrar sua resposta aqui.

Rachel assentiu antes de caminhar para fora do aposento.

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Quinn mantinha os cabelos eriçados em obstinação. Noah estava do outro lado da lona. A luta de palavras prosseguiu imutável. A menina tinha uma proposta e não aceitaria qualquer outra barganha menos digna.

_ Tudo bem, Fabray._ jogou os braços no ar._ Você venceu.

Ele esticou um envelope pardo e entregou nas mãos trôpegas.

Sorriram para selar o acordo, mas havia uma última exigência em forma de pedido.

_ Posso ficar com ele até amanhã?

O garoto deu de ombros e assentiu. Sabia que com o próximo desenrolar de fatos todos deveriam ficar perto dos que amavam. Faltava pouco para o fim. Uma voz interrompeu o silêncio entre eles. Quinn sorriu firme ao avistar Rachel com as sobrancelhas no ar e os braços cruzados.

_ Imagino que eu não vou saber o que vocês tanto conversam.

Eles se entreolharam e voltaram à atenção para ela.

_ Não._ responderam em uníssono.

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Uma sala hospitalar abarrotada de gritos e confusão. Crianças divertindo-se com armas de travesseiro e escudos de lençol. Até o monitor de batimentos cardíaco entrou na brincadeira, mas Donna excluiu essa peça da performance prevendo a catástrofe que seria se quebrasse.

Duas meninas adentraram a arena.

As crianças foram à loucura. Largaram tudo que possuíam em mãos, inclusive uma bandeja de metal que foi amortecida pelo pé de Donna.

_ Eles estão impossíveis hoje.

A enfermeira reclamou massageando o membro latejante enquanto um exército de pequenos soldados jogava as visitantes no chão.

_ Nós percebemos, Donna._ Quinn sorriu bagunçando os cabelos de Bryan._ Sentimos a falta de vocês também.

Jane marcou o rosto de Rachel com uma trilha de beijos inesgotáveis. A morena sorriu ao receber uma abraço de urso de todos os presentes( inclusive Quinn), com a exceção de Donna que ainda acariciava o que restara do pé.

O tempo passou e a tonalidade da morena mudou para arroxeada.

Estava sufocando debaixo daquele mar de pequenos.

_ Uma ajudinha, Fabray.

_ Não sei, você fica tão bonitinha vermelha e cheia de crianças ao redor.

_ Quinn!

Ela riu e revirou os olhos. Puxou três crianças e apoiou nos ombros fazendo cócegas nas mesmas. Virou o rosto para as outras e sibilou.

_ Se vocês continuarem esmagando a Rachel, vai ficar difícil contar histórias hoje.

Todos saíram do aperto numa carreira para o alívio da soterrada.

_ Obrigada.

_ Tudo bem._ aproximou-se e deixou um beijo no canto da boca sorridente._ Agora você está devendo um conto a eles.

Rachel empertigou os braços e ergueu as sobrancelhas.

Essa era uma tarefa muito fácil.

Rubricada no seu sangue à anos.

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Durante toda a história da maça envenenada, cabelos negros, pele de neve e um príncipe à cavalo, as crianças permaneceram no circulo com olhos grandes e brilhantes. Quinn mudou seu lugar habitual e acomodou-se ao lado de Donna.

Conversaram em silêncio durante a maior parte da fabula.

Um pequeno detalhe:

Rachel percebeu.

Sentiu um espaço vazio ao lado. A loira sempre segurava a outra aba do livro para ela, mas não dessa vez. No momento, ela levantou acompanhando a enfermeira até o lado de fora da sala e jogou um piscar de olho rápido para Rachel antes de sair.

Muito estranho.

_ E eles viveram felizes para sempre.

Terminou guardando o livro na escrivaninha. Pediu à enfermeira para dar continuidade a sua tarefa, porque internamente sabia que não poderia mais fazê-lo.

_ Tia Rachel._ Jane puxou a manga da camisa dela._ Onde está o Peter?

Foi um choque ouvir aquilo. Os olhos de marrons caíram, inevitavelmente. Nem a respiração conseguiu encontrar forças para colaborar. Como explicá-los que o amigo iria morrer?

_ Existe um lugar..._ começou, controlando a voz o máximo que pode._ Feito de brinquedos gigantes, nuvens de algodão doce e cascatas de chocolate._ sorriu ao imaginar._ Onde remédios são dispensáveis e agulhas proibidas.

Todos se entreolharam animados.

_ Ele está á caminho de lá._ concluiu._ Eu sei que está.

Rachel tentou moldar um último resquício de humor. O paraíso. Céu. Nunca fora muito de orações, mas acreditava no bem e precisava se segurar a única certeza de que o menino pelo qual, se fosse possível, daria a própria vida sem arrependimentos, merecia um lugar como aquele.

____________x____________

O timbre de macas tilintando no chão de mármore se misturou ao cheiro de álcool e sangue que emanava do corredor. Algumas alas do hospital acresciam um estado de correria desproporcional. Quinn ignorou o barulho e se concentrou no embrulho em mãos.

Entregou-o a Donna com um sorriso simples.

_ Faça o que for necessário.

A mulher de baixa patente rasgou o pacote. Sentiu o coração puxar uma alavanca de freio invisível. Lágrimas de alegria encharcaram os olhos da moça.

_ Eu não acredito, Quinn._ tapou a boca para suprimir a empolgação._ Isso é maravilhoso.

Então ela jogou os braços ao redor da loira e a agradeceu num abraço demorado. Rachel apareceu no corredor e enrugou as sobrancelhas, divertida. Não estava com ciúmes algum, porque em algum lugar ininteligível dentro de si aprendeu a confiar em Quinn.

Pois chegou a uma conclusão categórica diante de tudo que viveu.

O novo pensamento de Rachel Berry:

Dar o braço a torcer às vezes é a melhor maneira de aprender.

Ser cabeça dura não levará você a lugar algum, não tenha dúvidas. Possua argumentos, mas também ouvidos para escutar o que outros têm a lhe oferecer. Doe e receba. Não há nada de mal nisso, pois ignorante não é aquele que sabe menos, é o que acha que sabe tudo.

_ Será que ganhei uma concorrente?

Foi ao encontro das duas tentando parecer séria.

Quinn rolou os olhos e arrebatou-a num braço e beijou-a ali mesmo. Foi intenso e consecutivamente lento. Houve uma troca de sorrisos carinhosos na quebra de contato.

_ Gostou da resposta?

_ Talvez._ falou travessa._ Acho que vou elaborar mais perguntas para uma nova analise.

Quinn riu animadamente. Rachel fez uma piada?

_ Sei que estou agindo um pouco estranho, mas juro que é por uma boa causa.

Dessa vez a própria Rachel a puxou para um selinho e bagunçou sua juba apenas para implicar. O tempo que tinham era tão irritantemente curto que brigar e acumular rancor estava fora de cogitação. Precisavam uma da outra.

Agora mais do que nunca.

_ Eu gostaria de ir a mais um lugar agora.

Quinn assentiu tentando arrumar os cabelos.

_ Onde?

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_ Essa é uma boa hora para você dizer que é tudo uma piada tão sem graça como as minhas._ Quinn tremeu ao olhar para baixo._ Diga que é brincadeira, por favor.

Um penhasco de pelo menos cinco metros caia em cascatas de água abaixo delas. A cachoeira traiçoeira e terrivelmente inclinada sorria do chão. Rachel espirou fundo e retirou a blusa, ficando com a parte de cima coberta apenas pela roupa intima.

_ Não seja medrosa, Fabray._ sorriu ao vê-la engolir em seco._ Já fiz isso várias vezes.

_ Por quê?

_ Se você pular comigo, eu conto.

Quinn enrugou o nariz para a queda d’ água. Não era fã de alturas, na verdade era do movimento contrário. Estava desenvolvendo náuseas só de ficar em pé calculando a decida, mas a curiosidade de entender a namorada acabaria vencendo o medo.

Como sempre.

_ Eu não acredito que eu vou fazer isso._ despiu a blusa de cima entre resmungo._ É loucura, Rachel.

Três vezes você:

“Will I ever know how it feels to hold you close, and have you tell me whichever road I choose, you'll go.”

Aprumaram-se lado a lado na borda. Rachel enrolou a mão dela e sorriu antes de inclinar o corpo.

_ Não._ contrariou-a._ Isso é viver, Quinn.

Entre água, vento, gritos e adrenalina caíram no rio após cinco segundos de blecaute. Quinn submergiu inquieta. Não conseguia lembrar como fora a queda, como num sonho, que recordamos muito mais claramente do começo e fim, deixando o meio de lado.

Quando voltou a superfície encontrou a pequena afastando os cabelos do rosto sorridente.

_ Eu namoro uma maluca._ concluiu.

_ Quando estou com medo de fazer alguma coisa grande..._ Rachel começou a desabafar._ Sempre venho aqui e pulo o mais alto que posso, porque se consigo fazer isso, significa que posso fazer qualquer coisa.

Então ela entendeu. Nunca pensou que ouviria a pequena admitir estar apavorada com algo, mas o fato de que estava prestes a morrer podia tê-la deixado mais sensível. Quinn assentiu em silêncio observando Rachel fechar os olhos e descolar os lábios.

_ Como você gostaria que fosse sua vida daqui a cinco anos?_ a morena perguntou.

Nunca havia parado para pensar nisso. Tinha a cabeça cheia demais para se preocupar com o que ela queria, mas seria bom saber o que estava guardado dentro si. Deu asas a imaginação e o futuro almejado decolou diante do mar esverdeado.

_ Estou escrevendo meu primeiro livro, nem sei se sou boa, mas gosto. Acabei de sair da faculdade condecorada e estou morando numa casa rústica aqui perto._ sorriu antes de prosseguir._ Peter não precisa mais de aparelhos para respirar, nós o adotamos..._ olhos foram abertos simultaneamente._ E você se tornou uma médica incrível que tem a péssima mania de espalhar todos os seus livros no chão do nosso quarto e nós sempre brigamos por isso. O tempo todo.

Algumas lágrimas marcaram presença nas bordas avelã. Aquele plano era inútil. Elas não ficariam juntas e as probabilidades de Peter estar vivo daqui a cinco anos eram tão boas quanto a da própria Rachel. Tudo não passava de um sonho sem fundamento.

Rachel cortou a água e abraçou-a pelos ombros.

_ Parece perfeito.

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Dois lugares foram os últimos a ser visitados. O primeiro era triste e desprendido de qualquer som. Havia apenas uma estátua de pedra com um nome sujo de limo. Rachel abaixou e depositou uma rosa branca no túmulo, sorriu e sibilou algumas palavras antes de partir: “Vejo você em breve, mamãe.”

O segundo lugar era totalmente antagonista ao primeiro. O silêncio foi preenchido por música alta, copos voadores e gritos animados. O bar universitário estava em sua combustão costumeira.

Uma menina de cabelos vermelhos desgrenhados desafiou Quinn numa rodada de tequila. Não tendo muito a perder aceitou e perdeu vergonhosamente quando engasgou com o primeiro copo, desistindo logo em seguida.

_ Acho que estou bêbada.

_ Você só tomou um quarto do copo.

Quinn jogou as mãos para o alto e riu bobamente.

_ Foi suficiente.

Rachel estava sentada num banquinho perto da bancada de cerveja, apesar de não estar consumindo nada. Quinn sentou ao lado e puxou-a para apoiar o queixo no ombro pequeno.

_ Já sei como resolver o problema, Rach.

Houve um giro abrupto. Elas quase caíram com o desequilíbrio.

_ Como assim?

_ Para que a gente não brigue futuramente por conta das torres de livros forrando o chão do quarto._ alargou o sorriso._ Vou construir uma biblioteca para você.

Quer dizer elas ainda estavam brincando de faz de conta? Honestamente, Rachel não se importava. Só estava incomodada com uma verdade dita anteriormente. Ela nunca dissera o que sente para Quinn e o tempo estava acabando.

Foi quando olhou para a luz do palco.

_ Quero que você entenda uma coisa._ talvez fosse a razão de ler tão bem._ Espere aqui.

Deu um beijo casto no rosto de Quinn e subiu ao palco sem pudor. O dono do bar pediu silencio, gritando no microfone como uma versão masculina da treinadora Silvester. O silêncio se refez.

_ Preciso que você saiba..._ começou encarando o chão._ O que eu não consigo dizer.

O piano soltou a primeira nota que rodopiou graciosa no ar e foi sendo seguida por outras de mesmo tamanho. Eram calmas e sem peso. Uma canção de dormir em forma de orquestra.

Man, it's been a long day

Stuck thinking 'bout it driving on the freeway

Wondering if I really tried everything I could

Not knowing if I should try a little harder

Quinn finalmente compreendeu o que muitas pessoas levam tempo para descobrir. Lembrou-se de uma aula de Molly Morland, um ditado muito correto: “Não é porque uma pessoa não te ama da maneira que você espera, que ela não te ame com tudo que pode.” Tão puramente verídico e ali estava a prova viva disso.

Oh, but I'm scared to death

That there may not be another one like this

And I confess that I'm only holding on by a thin thin thread

As palavras lhe lembraram da ligação forte que descobriram ter hoje. Unidas pela alma. Fato responsável pelo sumiço eterno de suas dores de cabeça e da solidão pequena.

Elas curaram uma a outra.

I'm kicking the curb, cause you never heard

The words that you needed so bad

And I'm kicking the dirt, cause I never gave you

The place that you needed to have

I'm so sad, sad

Como podia ter se precipitado em julgá-la? A menina sofrera tanto para uma vida tão nova. Quando duas pessoas estão envolvidas, um lado não sofre rachaduras sozinho. O efeito é colateral.

A música teve um fim carregado de palmas leves. Quem cantou tremeu paralisada com os olhos apertados.

_ Vem._ Quinn esticou a mão para puxá-la._ Você é linda, Rachel.

Agora não havia mais dúvidas ou alienação. Falou de coração. Sem medo.

Elas selaram os lábios habilmente. A pequena puxou-a pela gola da camisa e prensou-a com o corpo do lado de fora do bar. O céu estava num perfeito equilíbrio de estrelas.

Quinn colou as testas, sussurrando.

_ Aonde vamos agora?

_____________x______________

Quinn descansou as costas contra a parede de estrelas e começou a desintegrar os botões da camisa oposta. Puxou as penas esbeltas de Rachel para o colo e elas retomaram o beijo.

Antes que termine:

“I dare you to let me be your, your one and only, promise I'm worthy, to hold in your arms.”

Um misto de saudade, paixão, desespero as consumiu. O oxigênio foi negligenciado, precisam uma da outra e só.

O quarto foi ficando cada vez mais sufocante à medida que se livravam das roupas de peso. Jogaram-se contra os lençóis, rodeadas por suspiros e gemidos adocicados. Pele morena ficando cada vez mais vívida para o apreço das mãos pálidas.

_ Você não merecia sofrer mais..._ Quinn deixou escapar enquanto a observava, estupefata._ Não é justo.

Rachel puxou a mão macia para o rosto e marcou um encontro de olhares.

_ Eu estou aqui._ sussurrou._ Fique comigo agora e esqueça todo resto.

Selaram o acordo com um beijo.

_______________x_________________

O primeiro raio de sol abateu a janela e subiu pintando o rosto sereno. Olhos avelã ficaram atentos durante toda noite, não mudaram de direção nem por um segundo, estava tentando gravar cada detalhe de contornos opostos, porque sabia que o tempo lutaria para apagá-los.

Bufou descontente ao levantar para longe.

Do calor. Dela.

Repôs as peças de roupa com extrema lentidão. Observava pelo canto dos olhos a pessoa mais maravilhosa que conhecia em total estado de paz. Como acordá-la para se despedir? Não seria justo. Rumou para a janela estreita e parou no vão.

Última nota:

“I know it ain’t easy giving up your heart.”

Tudo termina. Você certamente já deve estar familiarizado com essa afirmação inútil. Nascemos sabendo que cada suspiro e um passo mais perto do fechar de olhos, inevitável. Como resultado, exalamos uma pergunta curta: Por quê?

E somos bombardeados de teorias desesperadas.

Todos têm uma.

Essa é a minha:

É a sua última chance de dizer algo importante.

Talvez seja a única serventia que a morte possui. Não hesite.

Quinn ajoelhou ao lado da cama. Segurou as lágrimas na garganta antes de prosseguir em sua tarefa.

_ Você provavelmente não está me ouvindo, mas preciso dizer. Você não é ruim e mata por poder como me ensinaram. Estão todos errados, eu também estive por muito tempo._ os soluços mudos vieram._ Você é a garota que cuida de crianças com câncer, divide o lanche com mendigos, protege e dá a vida pelos outros... A parte que estava faltando em mim... a melhor delas...Eu te amo. Tanto. Amo você, Rachel.

Não houve resposta a declaração. Rachel permaneceu estável e Quinn deu um beijo na pele exposta antes de sair. O mundo ficou silencioso. Havia apenas um som indistinto quando o lençol foi dobrado ao avesso e pressionado com força. Uma chuva de gotas caiu pelos lados da cama.

Depois de anos reprimindo a dor, Rachel Berry se permitiu chorar, pois Quinn estava enganada em seu primeiro pensamento.

Ela ouviu tudo.

Notas finais
As notas adicionais( partes da música) foram pensamentos da Quinn sobre a Rachel. A ligação delas foi a primeira ideia para a fic, espero que tenha ficado bem explicado.Música: Sad- maroon 5. O próximo capítulo é o da batalha. Vejo vocês lá.