Glee-21-Faberry

7 Don't you remember. Part 2


Notas iniciais
Boa noite pessoal. Desculpem pela demora, foi um mês bem conturbado, quase não tive tempo para escrever. Muito obrigada pelos comentários do capítulo passado, fiquei feliz em saber que tem gente que ainda lê HANDS ALL OVER. Então, esse capítulo teve muitas cenas que eu estava querendo escrever HÁ MUITO TEMPO, foram umas das primeiras cenas que imaginei antes de criar a história, gostei do resultado, espero que vocês também gostem. Boa leitura.

“The more I do, the less I know.”

As últimas lágrimas estiaram encontrando seu lar no solo fofo. A chuva adormeceu e cedeu lugar as centelhas inebriantes de raios dourados do sol. Uma pintura cinza e amarela.

_ ACORDE, FABRAY!

Quinn saltou no banco com os olhos arregalados e o coração desenfreado.

_ Jesus, Maria e José!_ exclamou exasperada.

_ Nenhum deles!_ falou a expressão sólida da morena._ Você como vigia é uma ótima leitora!

_ Muito engraçado, Berry!_ sua voz transbordava sarcasmo.

Rachel contornou o mustangue repousado em seu lugar habitual e abriu a porta se acomodando na poltrona macia.

_ Melhor do que as suas piadas!

Quinn bufou e cruzou os braços. Os rastros esverdeados de seus olhos foram ofuscados pela luminosidade solar, traçando contornos abstratos no rio, como se dançassem.

Ela sorriu para o sol.

Uma constatação de uma observadora:

O dia, ao acordar, colore-se de várias maneiras, tão vivas e únicas que transmitem a sensação de que tudo é possível. Uma pena que muitos não reparem mais no céu, talvez por isso a esperança tenha sido esquecida.

_ Os garotos acordaram?

_Sim!_ respondeu Rachel._ Acho que podemos ir para a escola. Donna tomará conta deles até voltamos.

A mochila da morena foi aberta e ela retirou de lá um copo plástico de cappuccino fumegante. O cheiro de cafeína infestou o carro.

_ Onde você arrumou cappuccino?

_ Na lanchonete do hospital.

A loira estreitou os olhos.

_ Não lhe passou pela cabeça que eu poderia querer um?

_ Você quer?_ apontou para a entrada._ É só seguir em frente, dobrar a direita, dar vinte passos no primeiro corredor, chegar a maquina de café, depositar o dinheiro e escolher um.

A mandíbula de Quinn foi de encontro ao chão. Ela não queria um mapa ou desenho, ela só necessitava de um café. Muito obrigada.

Quanto abuso!

_ Quer saber, eu vou!_ cravou a mão na porta fazendo menção de abri-la.

_ Fabray!_ Rachel levou as mãos novamente a mochila e fisgou, para a surpresa da loira, mais um copo de cappuccino que havia trazido para ela._ Toma.

Quinn relaxou, deu um leve sorriso ao esticar a mão de encontro à quentura líquida. Estavam convivendo a tanto tempo que as brincadeiras se tornaram um passatempo, mas Rachel nunca havia feito uma. Até agora.

_ Obrigada, Berry!

Os olhos chocolates a encararam de lado por um milésimo de segundo e rapidamente voltaram à leitura.

_________x_________

O chão da sala de literatura estava num princípio de terremoto avassalador. Molly Morland trotava de um lado para o outro, recitando ou mais precisamente berrando “Sonhos de uma noite de verão” nos ouvidos injuriados dos alunos.

Um detalhe importante:

Ela sempre ficava mais áspera em meados de maio.

Falar no tom normal de voz virou um crime agora?

_ Fabray!_ as rugas inexpressivas lhe deram as “boas vindas” corrosivas._ Como anda a criação do seu poema?

A saliva de Quinn colidiu em seu estômago com um baque surdo. Por que sempre ela?

_ Eu estou trabalhando nisso, professora.

_ Imagino!_ começou a afronta._ Com a rapidez e a vivacidade de um cagado! Alerto a senhorita e a todos que eu não aprovarei alunos incompetentes e preguiçosos._ Sentou-se em sua mesa e encarou a turma._ Querem passar? Façam por merecer.

Vou passar sim, passar um rolo compressor na sua cabeça, velha insuportável!

Os olhos verdes pontilhados de ouro reviraram nas órbitas. Ela acordava todo dia se perguntando o que fez para merecer um “tratamento especial” vindo de uma pessoa que não fazia diferença alguma em sua vida?

A resposta era simples.

A resolução de suas dúvidas:

Ela só precisava procurar um espelho.

_________x_________

A sineta cantou alegremente anunciando o intervalo. Quinn sentiu uma leve pontada de dor em sua cabeça, mas foi tão ínfima que ela nem se deu ao trabalho de lhe dar atenção. Reparou que nos últimos meses a aproximação de sua inimiga diminui consideravelmente suas crises, quase anulando-as.

Será que a Berry sabe por que isso acontece?

Estava sendo castigada pela curiosidade. Precisava entender isso.

Uma dúvida alarmante:

Contar ou não contar a ela?

Virou um corredor e como que por capricho do destino deu de cara com Rachel. Sozinha em seu armário, arrumando as pilhas de incontáveis livros que tinha.

_ Berry!_ sibilou, indo ao seu encontro.

A morena olhou para os lados só para se certificar de que estavam realmente falando com ela.

_ Achei que não pudéssemos conversar em público!

_ Não tem público aqui._ retrucou a loira.

_ O que você quer?

Quinn jogou ar em seus pulmões e abriu a boca para falar, mas foi interrompida ou sendo mais precisa “jogada contra um armário” por mãos orientais.

_ Fique longe dela, Fabray!_ ordenou Tina Chang.

Ela e Mercedes Jones haviam chegado ao corredor e se deparado com uma cena incomum e provavelmente caótica. Tiveram que agir.

Um acréscimo necessário:

Clãs de menor peso escolhiam o lado que os favorecesse mais.

Os Lopez e os Pierce apoiavam os Fabray. Assim como os Chang e os Jones apoiavam os Berry.

_ ME LARGA, CHANG!_ Quinn empurrou Tina para longe, fazendo-a perder o controle e colidir de encontro ao chão.

Mercedes reagiu entrando no caminho, impedindo-a de prosseguir.

_ O que vocês querem?_ rosnou a loira.

_ O que você quer com a Rachel? Coisa boa e que não pode ser!

Agora tenho que dar explicações do que faço para a ascendente a Whitney e a Mulan! Eu mereço.

_ Não é da sua conta, Jones!

Quinn foi novamente jogada de encontro ao armário, mas dessa vez uma latina enfurecida enxotou Mercedes para o lado, livrando sua amiga.

_ Orca, o que pensa que está fazendo?_ berrou Santana.

Brittany ficou ao lado dela. Agora o caos estava completo.

_ Protegendo as pessoas com as quais me importo!

_ Dá para vocês pararem com essa idiotice?_ Rachel resolveu finalmente intervir._ A Fabray só veio aqui me passar o recado de que a Senhora Morland pediu para que eu recitasse um poema na sala mais tarde.

_ Isso é verdade, loira falsa?_ Santana exigiu saber.

_ Claro!_ Quinn resolveu seguir a linha de raciocínio de Rachel._ Porque outro motivo você acha que eu falaria com ela?

Uma sensação estranha invadiu o peito dela, sabia que não estava falando sério, que era parte do jogo, mas não soube explicar porque aquilo foi desconfortável.

_ Ok! Vamos embora!

A latina puxou Quinn e Britanny pelos pulsos e juntas abandonaram o corredor.

___________x___________

Dois tempos de Literatura era como o inferno na terra para Quinn Fabray. Estava louca para ir embora daquele mar de tubarões onde todos os dentes estavam sempre apontados para ela.

_ FABRAY!

Estava demorando!

Revirou os olhos e já estava a caminho da forca quando uma mão morena foi jogada no ar.

_ Senhora Morland, será que posso recitar o poema no lugar dela?

Quinn estacou. Seu coração cavalgou em descontrole. Rachel estava salvando ela da humilhação? Sua inimiga mortal? Mais um ato inesperado. Um acréscimo em sua confusão mental.

Quanto mais a conhecia, menos a entendia.

_ Tudo bem, Rachel!_ Molly considerou._ Pode ler aqui na frente!

Ela caminhou graciosamente pelo corredor de alunos, abriu o livro para o silêncio sombrio da sala e despiu as palavras por entre os lábios. Dez minutos depois, o sorriso atípico da professora ganhou vida, engrossando suas rugas.

_ Excelente! Viram energúmenos? Isso é uma boa leitura! Agora para que todos pratiquem, porque vejo que a maioria não está levando isso a serio, vocês ficarão escrevendo por mais uma hora depois da aula.

Um coral de protestos carimbou a sentença. Ela sorriu maquiavélica.

_ Mudei de ideia, serão duas horas agora!_ encarou-os pelo canto da boca tirânica._ Mas alguém insatisfeito?

Daria para ouvir um grilo na sala, caso tivesse algum. A mulher sabia implantar o terror.

_ Ótimo!_ sentou-se em sua mesa muito satisfeita consigo mesma.

Quinn bufou em seu canto.

_________x_________

O céu já mudava sua tonalidade clara para a enegrecida. A noite soprava seus primeiros sinais de vida. A prisão de literatura continuava de pé, sentenciando seus condenados aprendizes.

O celular de Rachel vibrou em seu bolso.

Quinn: Obrigada por ter me livrado dessa!

Ela digitou a resposta e enviou.

Rachel: Não foi nada!

Depois de alguns segundos, outra mensagem a chamou.

Quinn: Está ficando muito tarde! Já passou da hora de irmos para o hospital, precisamos sair daqui agora! Alguma ideia?

A morena vasculhou o cérebro em busca de alguma luz. Não encontrou nada.

Rachel: Você é que é a dona das idéias brilhantes! Pense em alguma coisa!

Um minuto depois a resposta chegou.

Quinn: Tem razão, sou mesmo!

Os olhos chocolate reviraram nas órbitas.

Quanto narcisismo!

Um quarto de hora passou. A lua engrandeceu o céu iluminando o extenso veio negro. O celular voltou a ganhar vida, trazendo a ideia brilhante de Quinn.

Quinn: Jogue as pernas em cima da cadeira!

Rachel olhou-a pelo canto dos olhos com a testa bruscamente enrugada, mostrando claramente que não havia compreendido.

O quê?

Outra mensagem.

Quinn: Confie em mim!

A pequena bufou antes de fazer exatamente o que fora mandada. Dois minutos passaram e a Senhora Morland abaixou os óculos meia lua, encarando Quinn com uma expressão desacreditada.

_ Você deve estar querendo perder de ano!_ rosnou para a loira._ Eu mandei pensar no poema, não ficar “babando” em cima das pernas da senhorita Berry de novo. Para a detenção agora!

Quinn passou por Rachel com um sorriso de meia boca e abriu a porta piscando disfarçadamente para ela.

Agora a morena havia entendido.

_ Rachel...

_ Já estou indo, Senhora Morland!

Levantou e a seguiu rumo a sua liberdade.

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O zelador encarou as meninas sentadas a sua frente e engoliu um conteúdo sólido de medo. Tentou disfarçar o nervosismo o melhor que pode, mas o suor em sua testa não estava colaborando.

_ Vou tomar um café!_ caminhou até a porta e retirou um chaveiro do bolso._ Se eu ouvir qualquer barulho fora do normal chamarei a polícia, entenderam?

Ok, nada de brincar de jogar mesas no ar!

As duas assentiram. Ele saiu.

_ Temos em uns 4 minutos até ele voltar!_ Quinn marcou no relógio.

Correram para a porta. Rachel girou a maçaneta. Em vão.

_ Ele trancou._ constatou._ E agora?

Os olhos verdes esquadrinharam o recinto à procura de uma saída. Encontraram janelas abertas, porém na altura que estavam não seria inteligente usar da audácia como fuga. E arrombar a porta estava fora de cogitação porque provavelmente chamaria a atenção de toda a escola.

_ Estamos ficando sem tempo!_ proclamou a baixinha.

_ Porque eu tenho que fazer tudo sozinha?

Rachel estreitou os olhos.

_ Você quer mesmo discutir isso agora?

Quinn bufou e olhou para o vão acima da porta. Havia um buraco que serviria de suporte para um ar condicionado, que nunca foi instalado. Ainda bem. Grande o bastante para que elas passassem por ele.

_ Me ajude a subir, Berry!

_ Porque você tem que ir primeiro?

Ai, Meu Deus!

_ “Você quer mesmo discutir isso agora?”_ Quinn fez uma imitação sarcástica do tom de voz de Rachel._ Vamos logo!

Há muito contra gosto a pequena fez um suporte de mãos para impulsionar os pés pálidos. A loira passou com o mínimo de esforço e aterrissou no chão do outro lado.

_ Vem!_ apoiou-se no vão do buraco e esticou a mão para que Rachel a pega-se e a usa-se como suporte para escalar._ Depressa!

A baixinha agarrou a mão dela e usou os pés contra a solidez para içar-se por entre o vão de parede a sua frente. Caiu do outro lado no exato momento em que o zelador virou o corredor.

_ EI, VOCÊS! FIQUEM ONDE ESTÃO!

Claro querido, espera deitado!

_ Vamos, Berry!

Quinn puxou Rachel e juntas começaram uma corrida desenfreada pelos corredores desertos do colégio. Dobraram uma esquina de armários com o zelador em seus calcanhares.

_ SE DIMINUIREM MEU SALÁRIO, VOU MATAR VOCÊS!

Viraram mais um corredor e despistaram seu caçador por um milésimo de segundo, que foi suficiente para que se embrenhassem por seu habitual armário de vassouras e vencessem a perseguição.

_ Conseguimos!_ Quinn riu em vitória.

Rachel ficou parada sem expressar nada. Encarando algo abaixo. Os olhos verdes seguiram os chocolates até o local de interesse e depararam com algo realmente perturbador.

A constatação assustadora:

Elas ainda estavam de mãos dadas.

Mais do que depressa o nó foi desfeito. Ambas se encararam em choque. Quinn coçou a garganta para aliviar o desconforto e puxou uma conversa para desintegrar a tensão do momento.

_ Esqueci de perguntar, o que você disse para suas amigas quando elas foram ti “resgatar”?

Ela se referia a Mercedes e Tina.

_ Disse que não precisava de ajuda, que sabia me cuidar muito bem sozinha!_ deu de ombros._ E elas não são minhas amigas.

_ Elas pareciam preocupadas com você.

_ Estão preocupadas com o papel que vou desempenhar com relação à profecia, não comigo._ bufou indiferente._ Tudo bem, já estou acostumada.

Meia hora passou e a calmaria prevaleceu. Elas saíram cautelosamente do esconderijo e correram para o carro, rumo à noite que sorria.

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A porta de vidro da sala de oncologia estabelecia o limite de Quinn. A linha que ela não podia cruzar. Parou e esperou Rachel entrar, como sempre fazia.

_ Espero você no Mu!

A morena assentiu e adentrou o recinto. Quinn fez menção de se virar e ir embora, mas seus olhos a pararam. Um detalhe importante que ficara despercebido pela pressa corriqueira nublou sua mente.

A primeira peça do quebra-cabeça:

Havia um nome na porta de vidro. Ela o desconhecia, mas já estava bem familiarizada com o sobrenome.

_ Donna!_ Quinn avistou a enfermeira e foi ao seu encontro._ Quem é a pessoa com o nome gravado na sala de oncologia?

_ Uma médica! A sala ganhou o nome dela!_ Donna ganhou uma expressão cabisbaixa._ A Rachel não lhe contou sobre ela?

Quinn negou veemente.

_ Então, não me vejo no direito de fazê-lo!_ pontuou.

_ Você pode me dizer apenas, o que aconteceu com ela?

_ Desculpe, Quinn!_ deu um sorriso simpático._ Acho melhor você perguntar a Rachel!

Como se ela fosse me dizer!

A loira deu um sorriso fraco e arrastou os pés para a saída do hospital. Com o nome rubricado em seu íntimo.

O nome da sala de oncologia:

Shelby Berry.

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O vento expirou as últimas gotas de chuva presas nas folhas das árvores. A noite brilhou intensa. Quinn sorriu cansada, deitada no capo de Mu.

A curiosidade estava brincando com sua mente. Rindo na sua cara. Ela queria entender o que estava acontecendo. A única certeza que tinha era que a razão para Rachel estar no hospital tinha uma ligação direta com essa mulher.

Seja ela quem for!

Então a ideia entrou exasperada em sua cabeça. Ela tinha um segredo. O que ela não pode contar por ter sido rudemente impedida mais cedo. Um trunfo. Se ela contasse esse segredo a Rachel, talvez a menina confiasse nela o suficiente para se abrir e ainda a ajudasse a entender a situação.

Matar dois coelhos com uma cajadada só.

_ Está sonhando acordada, Fabray?_ Rachel se uniu a ela, deitando na outra extremidade.

_ Não, Berry!_ respirou fundo, era chegada a hora._ Preciso ti contar uma coisa!

_ Se for alguma piada, por favor, guarde-a para você!

_ Engraçadinha!_ revirou os olhos._ É uma coisa séria.

_ Estou ouvindo.

Quinn contou-lhe tudo. Nos mínimos detalhes. Desde a primeira vez que sua dor de cabeça passara ao tocar em Rachel até a última, e o sua completa alienação com relação à origem desse alívio.

_ Isso só acontece quando você me toca?

_ Sim!_ encarou-a com seriedade._ Não acontece nada quando encosto em outras pessoas, mas com você é...diferente.

Rachel abaixou os olhos e brincou com os dedos. Uma lembrança a atingiu e ela inquietou-se ao constatar que já havia ouvido falar sobre isso.

_ Acho que sei quem pode nos ajudar._ sibilou.

_ Quem?

A lembrança oportuna de Rachel:

“Ela deve sofrer de muitas dores de cabeça!”

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O dia raiou. Ao contrário do que estavam acostumadas a fazer, as meninas rumaram direto para a casa de Rachel. Subiram até o andar de cima e adentraram o quarto mais alto da residência.

Um ronco absurdamente alto lhes deu as boas vindas.

_ Tome cuidado!_ alertou-a a morena.

Com o quê? Até parece que uma idosa indefesa vai me atacar.

_ Vovó!

Rachel a cutucou e abaixou na mesma hora que a bengala voou ao seu encontro, Quinn não foi tão rápida e recebeu uma estocada na boca do estômago.

Nossa senhora da misericórdia!

_ Eu falei para tomar cuidado, Fabray!

_ Não achei que estivesse falando sério._ retrucou massageando a barriga.

_ Olá, Rachel!_ vovó Abby sorriu alegremente._ Oi, amiga da Rachel com juba de leão!

Quê?Eu não tenho juba de leão, talvez seja melhor me ver no espelho, ou arrumar um pente...foco Fabray, você não veio aqui para isso.

_ Oi!_ cumprimento-a Quinn.

_ Vovó, temos que lhe perguntar uma coisa..._ a pequena sentou-se na cama de frente para a cadeira de balanço._ A senhora me disse uma vez que ela sofria de dores de cabeça...

_ Sim, terríveis dores!

_ A senhora saberia me dizer, o porquê disso?

Rachel tomou cuidado ao perguntar a sentença, primeiro era melhor abrir caminho para depois explicar e perguntar porque a dor parava quando Quinn entrava em contato com ela. Uma peça de cada vez.

_ Não me lembro!_ disse por fim, já confundindo o despertador com uma pêra e obrigando Rachel a arrancá-lo de sua mão.

_ Obrigada, vovó!_ suspirou cansada._ Estamos indo!

_ Boa aula, querida e para você também amiga da minha neta!

Quinn acenou brevemente e saiu.

_ É uma pena que ela não saiba..._ argumentou a loira enquanto elas desciam as escadas._ Sinto que nunca saberemos!

_ Vovó tem a mente um pouco conturbada.

Um pouco?

_ Ela acha que sou sua amiga!_ constatou, enrugando a testa._ Estranho ouvir isso, não?

Rachel deu de ombros. Encarou-a brevemente pelo canto dos olhos enquanto saiam para a claridade do dia.

E não respondeu.

__________x__________

O vento assobiou inquieto, açoitando as árvores e desenhando linhas disformes no rio. A lua envergonhada buscou refúgio por trás das nuvens, e o breu envolveu a vasta paisagem.

_ Droga!_ Quinn amassou um chumaço de papel e jogou na pilha montanhosa que se espessava no banco de trás._ Já é o décimo poema que escrevo e nada.

Os olhos chocolates reviraram nas órbitas.

_ Tenha paciência!_ aconselhou._ Você ainda não encontrou a inspiração adequada.

_ E nunca vou encontrar!

O silêncio entrou em cena. Quinn brincava distraída, tamborilando os dedos no volante enquanto Rachel lia o centésimo livro da semana.

_ Posso te perguntar uma coisa?

_ Se eu disser que não você irá perguntar do mesmo jeito, certo?_ retrucou a pequena, virando uma página.

_ Quem é Shelby Berry?

Os olhos chocolate aumentaram três vezes de tamanho. Sua mandíbula pendeu ligeiramente pendurada. Uma sombra trêmula inundou seus olhos e o livro caiu com um baque surdo no carpete do carro.

Elas ficaram paradas entreolhando-se por uma eternidade. Até que um uivo gélido as despertou.

_Você ouviu isso?_ perguntou Rachel.

_ Ouvi._ abriu a porta do carro e saiu para a noite._ Fique aqui!

_ Não mesmo, eu também vou!_ rebateu ficando na sua frente.

_ Alguém precisa ficar vigiando a entrada do hospital!_ Quinn retirou o casaco e entregou-o a Rachel._ Se eu não voltar em dez minutos, entre e alerte os enfermeiros que o lobo está perto.

Rachel assentiu e vislumbrou a loira a sua frente dando lugar a um lobo extremamente branco. O animal sorriu de lado para ela e rumou para a floresta.

Você não manda em mim, Fabray!

Retirou seu próprio casaco e jogou-o no banco de trás, junto ao de Quinn.

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As corujas anunciavam a tormenta de perigos que era a floresta à noite. Quinn bateu as patas contra o chão rugoso e andou aguçando as orelhas pela mata selvagem. Seu coração seguia o curso do rio, violento e irrefreável.

“Calma, isso não é hora para pânico.”

A loira não era uma pessoa medrosa, tão pouco covarde, mas odiava o silêncio que sempre precedia o susto.

“Esse cheiro... tem alguém aqui.”

Teve a incomoda sensação de ser observada, ou pior rodeada. Alguma coisa estava ali, encurralando-a. Uma armadilha. Podia sentir. Só esperou que fosse mais rápida do que seu rival.

Uma observação alarmante:

Ela escolheu uma péssima hora para estar certa.

Uma dor lancinante queimou seu ombro. Ela foi jogada morro abaixo. Rolou uma série de vezes até atingir a terra plana. Levantou-se e identificou a noite em forma de um animal sedento de sangue, encarando-a.

“Desgraçado!”

Colocou-se numa posição de ataque e esperou que o lobo viesse ao seu encontro. Assim foi feito. O lobo negro tentou cravar os dentes no pescoço do branco, mas Quinn foi mais ágil e desviou, acertando-o com as garras no olho esquerdo.

“O que você quer?”_ perguntou aderindo a uma posição defensiva.

“Você!”_ respondeu uma voz grossa.

O lobo negro sorriu uma maldade sólida. Seus olhos vermelhos brilharam de malícia. O desejo escorreu por seus dentes e seu coração corrompido.

“O quê?”

Ele fez menção de atacá-la novamente, mas foi empurrado com uma cabeçada por um lobo vermelho que havia acabado de chegar à cena. Rachel jogou-o de lado e se interpôs entre ele e Quinn.

“Berry!”_ sibilou o lobo branco.

O lobo vermelho bateu a pata no chão, ameaçando atacar o negro. O lobo negro rosnou e recuou. Deu uma última olhada carregada de ódio no branco e sumiu mata à dentro.

“Você está bem?”

Rachel aproximou-se de Quinn e emprestou a cabeça para que o lobo branco apoiasse o corpo nela. Juntas caminharam de volta a segurança de Mu.

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Depois de voltarem à forma humana, a pequena enrolou a loira num cobertor e ajudou-a a deitar no banco do carro. Abriu uma pasta de remédio e espalhou no ombro fragilizado.

_ Ele quer a mim!_ Quinn soltou a bomba.

_ O quê?_ não compreendeu a sentença._ Do que você está falando?

_ O lobo negro, é a mim que ele quer matar!

Rugas de desentendimento preencheram a testa morena.

_ Por quê?

_ Não faço ideia, Berry!_ deu de ombros._ Meu clã tem muitos inimigos. Como você bem sabe.

Rachel massageou lenta e cuidadosamente os contornos do ombro de Quinn, afim de aliviar a queimação e acalmar a dor naquela região.

_ Então, o lobo negro matou crianças para se fortalecer e matar você!_ organizou os pensamentos na cabeça._ Quem ele poderia ser?

_ Não sei!_ sentou-se no banco ao lado dela._ Mas preciso descobrir o mais rápido possível!

A morena jogou a cabeça contra o vidro e fechou os olhos para absorver e digerir a informação.

_ Nós vamos descobrir!_ proclamou a pequena.

Quinn olhou-a com as sombrancelhas no céu. O pronome não passou despercebido. Nós. Era assim que a morena parecia considerá-las agora, aquilo a deixou pensativa. Ela não podia negar que algumas coisas estavam mudando entre elas, desde a maneira de se respeitar até a de se tratar.

Podia parecer estranho e até negligente, mas ela se sentiu bem com isso.

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O dia seguinte rastejou rapidamente por seus ossos. Quinn foi para casa, arrumar sua mochila e trocar os curativos. Saiu do quarto para tomar um copo d’ água e colidiu com uma menina morena, alta, de olhos verdes e apenas vestes de baixo. Ambas caíram com o impacto.

_ Desculpe!_ esticou a mão para Quinn pegá-la._ Só fui buscar um copo de água!

Vestida desse jeito? Faça-me um favor!

Mais duas meninas apareceram no corredor. Vestidas igualmente a primeira. Sam as seguiu trajando uma bermuda e seu sorriso cafajeste de sempre.

_ Vejo que já se conheceram meninas!_ bateu palmas e indicou o quarto._ Podem dar licença para mim e minha irmã?

As três assentiram e sumiram pelo corredor.

_ Você já ouviu falar na palavra “promiscuidade”?_ zombou a loira.

_ Claro! Você já ouviu falar na palavra “brega”?

_ Você é um imbecil!

Ele deu uma risada.

_ Querida irmã, eu estou no melhor tipo de relacionamento que existe. Você não consegue ver isso porque está apaixonada por uma só!_ fez uma careta._ Deus me livre disso!

_ Eu não estou apaixonada por ninguém._ retrucou, virando os olhos.

_ E a morena misteriosa? Como ela está?

_ Bem...Quero dizer, ela não... digo

_ Está se enrolando, maninha!_ jogou o sorriso para o lado, indicando a vitória._ Isso prova que minha teoria está certa! Pensa que não reparei que tem saído na calada da noite e só voltado de manhã?

_ Agora você anda me espionando?

_ Não! Mas não sou surdo, ouço o barulho do seu mustangue à noite e acordo com ele na parte da manhã._ explicou._ Quando vou conhecê-la?

_ Sam!_ bateu um pé no chão e caminhou para o quarto._ Volte a falar comigo quando você deixar de ser um idiota, ou seja, nunca.

E bateu a porta do quarto na cara dele.

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O mustangue rugiu seu canto na estrada sinuosa. Clareou a pista com seus potentes faróis e riscou o chão, deixando marcas permanentes. A noite estava enluarada e rabiscada por estrelas.

Uma maravilha natural.

_ Que livro você vai ler hoje para as crianças?

Rachel fechou o zíper da mochila e deitou no banco, descansando as costas.

_ Acho que Peter Pan!_ deu de ombros._ É o preferido do Peter!

Por que será, né?

_ Ele parece ser muito importante para você!

_ Todos eles são!_ pontuou._ Mas eu me identifico com ele, eu o compreendo.

Quinn a olhou de lado e voltou a dar atenção a estrada.

_ Suponho que você não irá me contar o que te liga a ele, certo?

_ Isso mostra o quanto você me conhece!_ ela chegou a esticar os lábios num mínimo vestígio de sorriso.

_ Esse é o problema._ rebateu._ Eu não sei nada sobre você!

Os olhos chocolate esquadrinharam a motorista. Ela estava mesmo querendo conhecê-la? Coisa estranha de esperar de uma inimiga.

_ Se os papéis fossem invertidos, você abriria o seu mundo para mim? Sua inimiga?_ Rachel pontuou a sentença racionalmente.

Quinn pensou por alguns segundos e formulou a resposta.

_ Se eu achasse que vale a pena, sim.

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As meninas caminharam por entre os infindáveis corredores fortemente iluminados do hospital. Chegaram até a conhecida ala de oncologia e pararam para se “despedir” como sempre faziam.

_ Até mais tarde, Berry!_ Quinn sibilou fazendo menção de se virar.

_ Espera...

A loira parou e girou nos calcanhares. A intensidade entre os olhares nunca foi tão forte, só que dessa vez, não foi engatilhada por nenhum sentimento ruim, muito pelo contrário.

_ Não é prudente você ficar sozinha, já que agora sabemos que o lobo negro quer você!_ explicou a pequena._ É melhor ficar aqui com a gente.

O limite linear foi cortado. Quinn olhava sem crer muito que aquilo estivesse acontecendo. A porta de vidro foi aberta e a loira não pode deixar de reparar no nome escrito nela.

_ Não vai me perguntar quem é ela?_ sentenciou Rachel.

Quinn negou veemente.

_ Eu já perguntei, Berry!_ deu de ombros._ Sei que se me achar no direito de saber, você irá dizer. Até lá eu posso morder minha língua para acalentar a curiosidade!_ Sorriu de lado.

_ Tia, Rachel!_ uma menininha de cabeça raspada e olhos violeta correu para o abraço da morena. Corou ao observar que ela não estava sozinha.

_ Oi, Nina._ deu um beijo na testa dela._ Vamos?

Ela segurou a pequena mãozinha na sua e indicou com a cabeça para Quinn a seguisse.

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A sala de oncologia não era a tormenta que Quinn imaginou. Muito pelo contrário. Estava cheia de vida. Crianças alegres brincando de guerra de travesseiro com a enfermeira. Vários brinquedos esparramados pelo chão e muita algazarra.

_ Tia, Rachel!_ Peter gritou e foi ao encontro dela.

Todas as crianças agarraram as pernas da morena e a apertaram com força. Seus sorrisos se ampliando ao vê-la.

_ Quem é ela?_ perguntou um garoto de olhos negros.

A morena virou para Quinn e fez as devidas apresentações.

_ Essa é a tia Quinn!_ apontou-a. A loira levantou as sombrancelhas, surpresa por Rachel saber seu primeiro nome, já que ela nunca a ouvira dizê-lo._ Ela veio ler para vocês hoje!

Para o mundo aí, o quê?

As crianças correram para fazer uma roda. Quinn puxou Rachel para um canto qualquer da sala.

_ Que história é essa de que vou ler para as crianças?_ sussurrou exasperada.

_ Achei que quisesse conhecer um pouco sobre mim.

_ Conhecer, não ser você!_ rebateu._ Não vou conseguir ler para esse monte de gente.

_ São só oito crianças.

_ OITO?_ agarrou os cabelos, trêmula._ Eu só tinha contado seis!

Os olhos chocolate reviraram nas órbitas.

_ Escuta, você precisa melhorar a leitura para apresentar o poema para a Senhora Morland, acho que essa é uma boa maneira de você praticar! E fala sério, você já enfrentou lobos sanguinários, o que são crianças inocentes perto disso?

_ Os lobos parecem cachorrinhos fofos agora, acredite!_ olhou para os pequenos._ Não sei se posso fazer isso, Berry!

_ Mas eu sei que pode._ pegou o livro e entregou-o a Quinn._ Vamos lá, pelo menos tente.

Um suspiro derrotado escapou pelos lábios rosados. O medo empurrou seu coração, rasgando seu peito. E suas mãos começaram a tremeluzir.

“Wendy sentiu os pés abandonarem o chão e seu sorriso convidou uma valsa de fadas para dançar, ela e Peter eram os anfitriões da floresta, e algo mágico nasceu naquele momento...”

_ Você lê muito mal!_ reparou o garoto de olhos negros, chamado Bryan.

_ Você deveria ouvir as piadas dela!_ zombou Rachel.

Obrigada pela ajuda, Berry!

_ Ela sabe contar piadas?_ Nina bateu palmas._ Conta uma para a gente?

Quinn sentiu um frio repentino e desconfortável no estômago. Sorriu para disfarçar o constrangimento.

_ Talvez numa outra hora!_ falou tentando escapar.

_ Então, quem vai terminar a história?_ Jane reclamou.

Rachel saiu do seu lugar na roda e confeccionou um ao lado de Quinn.

_ Eu vou ajudá-la a terminar!_ segurou uma aba do livro, enquanto a mão pálida cuidava da outra.

A loira reparou o quão fluente e livre era a leitura dela. Lia como se cantasse uma música decorada, com emoção e sentimento. Sem titubear. Então essa era a verdadeira Rachel Berry? A menina das palavras bonitas.

O livro foi fechado e todos bocejaram em uníssono.

_ Acho que está na hora de vocês dormirem!_ guardou o livro na mochila ao lado.

_ A tia Quinn pode voltar amanhã com você?_ perguntou Jane.

_ Se ela quiser!_ olhou para a maré avelã ao lado.

Quinn assentiu. Rachel bateu palmas e apontou para as camas.

_ Hora de dormir crianças!

_ Eu acho que não, Tia Rachel!_ rebateu Bryan com um sorriso travesso._ Que tal brincarmos primeiro?

De repente todos os sorrisos tornaram-se sapecas. As crianças caminharam na direção da morena, cercando-a por todos os lados.

_ Nem pensem em fazer isso!_ tentou parecer séria. Inutilmente.

Rachel foi atacada por uma multidão de cócegas. Caiu no chão tentando proteger o corpo, em vão. Disparou a rir quando não aguentou a tortura e sua risada melódica ressonou pelo cômodo.

Quinn observava aquela cena, em seu canto, com a mandíbula caída e os olhos cheios. Nunca virá Rachel dar um sorriso verdadeiro. Estava apavorada com aquela súbita demonstração de animação, alegria, energia. O sorriso moreno despertou algo no seu íntimo, uma ardência, proporcionando uma sensação estranha de...

Ela não sabia explicar.

_ Ok, pestinhas! Todos para a cama!_ Rachel ainda ria quando colocou cada um para dormir._ Até amanhã.

O espantou congelou os olhos avelã que não queriam desviar dela. Não conseguia raciocinar ou falar. O que estava acontecendo? A morena se aproximou dela com aquele intenso sorriso de iluminar os céus e parou ao reparar que tinha algo errado.

_ Fabray?_ estalou os dedos na sua frente._ Tudo bem?

_ Você é linda!

Aquele momento estranho em que o tempo congela e você acha que a audição está danificada se fez presente.

_ O quê?_ Os olhos chocolates viraram dois globos de pavor.

Quinn caiu em si. Não havia se dado conta de suas palavras até o presente momento. Um choque absurdo transpassou sua coluna. Sua respiração entrou em descompasso.

_ Acho melhor eu ir embora.

E saiu correndo porta afora.

_________x_________

O motor de Mu acordou a estrada e voou por entre o vale. Quinn estava a toda a velocidade, inconformada com o que havia tido.

_ O que está acontecendo comigo?

Jogou o carro no acostamento e desligou os motores silenciando a noite para colocar os pensamentos em ordem.

_ “Você é linda?”_ deu um soco no volante._ De onde saiu isso?

Respondendo a pergunta dela:

De um lugar bem fundo, atrás do peito, que já não era mais seguro.

Apertou o tecido da camisa contra a pele e sentiu a asfixia invadi-la. Saiu para a noite fria e respirou o ar que tanto almejava.

Eu estou enlouquecendo!

Como as coisas mudam. Um dia você odeia uma pessoa com todas as suas forças, no outro já não tem tanta certeza disso. Sabia que sua mente estava uma bagunça, mas nunca pensou que seu coração entraria no jogo.

Notas finais
Eu quis fazer esse capítulo fofo para elas, gosto dessa relação de cuidado tanto quanto das afrontas. E algumas coisas estão começando a vir a tona. Agora vocês já sabem porque o lobo negro estava bebendo sangue de crianças, qual é o real objetivo dele( em breve saberão o porque disso).Obrigada por todo o carinho e paciência de sempre, beijos e até o próximo.