Notas iniciais
Oi... Eu sei que mereço tapas, chutes, socos e ponta-pés de todos vocês, mas entendam, não ta fácil pra ninguém. Meu bloqueio piorou e não saia NADA! Então depois de todo esse tempo, uma Luz desceu à terra e me inspirou com sua glória. Não que a situação vá mudar muito no fim desse capítulo, mas não me assassinem quando chegarem no final! Amo vocês, ok? Não me matem! Aproveitem PS: RESPONDO OS COMENTÁRIOS QUANDO TERMINAR DE POSTAR!

Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Essas são as cinco famosas fases de Luto. Cada uma, tão distintas e ao mesmo tempo tão semelhantes.

Luto.

Natasha corre adoidada pelos corredores do Hospital. Dando passo após passo o mais rápido possível. Ela não para de correr até avistar Pepper e Tony abraçados. Os dois estavam sentados em cadeiras na sala de espera. Pepper chorava como se não houvesse amanhã e se apertava contra Tony, que se controlava para não chorar.

O rosto branco da loira, agora estava vermelho e Tony, uma pessoa que Natasha sempre pensou que nunca pudesse chorar, estava a beira de ficar igual a namorada.

Natasha para de correr antes de cruzar a porta que dividia a sala de espera do corredor. Algo havia acontecido e ela sabia o que. Era como uma sensação de que algo muito ruim havia acontecido misturada com a sensação de que algo muito bom havia se perdido.

Ela não conseguiria. Não seria capaz de encarar os amigos agora. Eles não entenderiam. Nem ela entedia o por que havia feito aquilo. Não entendia por que havia beijado outro.

Suas pernas tremem e o seu corpo parace pesar mil vezes mais. Se apoia na parede mais próxima, apoiando seu corpo para não cair.

Natasha respira o mais fundo que consegue e vira de costas. Suas lágrimas não poderiam ser impedidas então Natasha nem se preocupou em aparta-las.

Era sua culpa. Tudo. A ideia de ir à um bar. A decisão de beber como se não houvesse amanhã por causa de uma briguinha besta. A DECISÃO de flertar com o homem e a DECISÃO de beija-lo.

Natasha era Russa! Não era como se ela estivesse completamente bêbada. Ela estava consiente do que fez e por causa disso, Steve está morto.

Natasha corre. Ela sai do hospital o mais rápido que pode e se perde nas ruas escuras e frias.

Ela não conseguia mais enxergar o mundo da forma que costumava. As ruas pareciam mais sem vida, as pessoas sem graça e o céu mais cinzento. As estrelas que antes brilhavam ardentemente como uma lembrança de que tudo ficaria bem, se esconderam atrás de uma grande nuvem cinzenta.

Com medo, entra no primeiro motel que encontrou. Ela abre a carteira pegando as últimas notas que lhe restavam e estendendo para o recepcionista.

Ele a entrega uma chave e ela anda devagar até encontar seu quarto.

Antes mesmo de deitar na cama e se desmanchar em lágrimas e lamentações, Natasha sente toda angústia e a bebida embrulharem seu estômago.

Ela voa até o banheiro e abre a tampa do vaso sanitário. Se ajoelha, colocando pra fora todo o conteúdo de seu estômago. As lágrimas são imediatas, acompanhando a reação de seu corpo.

— Não, Steve! — ela grita se afastando do vaso e abraçando os joelhos. Os soluços se intensificam mais e mais. Natasha não quer acreditar. Ela não pode acreditar. Negação. A ruiva se negava a acreditar que o amor de sua vida havia morrido.

Sua mente continuava a acreditar que ela o veria novamente. O sorriso Branco e os cabelos dourados. Aquele jeito que ele tinha de olha-la. Era tudo ilusão, mas naquele momento pareceu ser tudo o que ela processava.

E assim se passaram horas. Natasha agarrada a suas pernas encostada na parede de um banheiro velho. Esperando por algo que ela não sabia o que era, e se negando a acreditar que ele realmente havia ido.

(...No dia seguinte...)

Natasha estava no aeroporto. Não tinha malas, ou qualquer tipo de bagagem. Tudo o que ela tinha era ela e seu cartão de crédito.

Depois de passar dois dias trancada no hotel, a ruiva decidiu que era covarde demais para encarar a família e os amigos.

Largou o celular descarregado no quarto do motel, levando consigo o essencial.

Ela tinha seu plano, um que pouco se orgulhava, mas muito necessitava.

Quando seu voo de volta para os Estados Unidos foi anunciado, se levantou da cadeira e se foi. Dormiu a viajem inteira até Nova Iorque. Tudo aquilo que deveria ter dormido desde o dia que recebeu uma ligação de Pepper lhe dizendo o que havia acontecido.

Natasha não foi avisada do acidente de Steve de imediato. Tony o levou para o hospital as pressas. Steve estava desacordado quando chegou no hospital.

Por duas horas ele ficou em cirurgia e por duas horas ela estava no bar conversando com o barman.

Pepper a ligou. Ela não disse nada sobre o estado de Steve, apenas que ele estava em cirurgia e que receberiam notícias em breve.

Natasha então saiu do bar e foi direto para o hospital, mas, pelo jeito foi tarde demais.

Já em Nova Iorque, Natasha ela pega um táxi até o apartamento deles. Dela e do Steve. Foi difícil segurar as lágrimas, mas assim que ela tomou de volta o controle de seu corpo e mente, foi questão de minutos até que uma pequena mala, com as roupas que ela não havia colocado na mala de viajem para Rússia, estivesse feita.

Ela toma um banho rápido e tira as roupas que usou durante três dias. Sai do prédio com a mala nas costas à procura de um restaurante.

Ela não comia direito à dias e seu corpo já começava a ficar mais magro. Além das constantes dores de cabeça que a falta de vitaminas provocavam.

Depois de encher o prato de comida e comer seu conteúdo, ela paga com seu cartão.

Durante a refeição, tudo o que ela queria fazer era sumir. Mudar de vida, personalidade e até aparência. Ela sentia vergonha, repulsa de ser quem é.

O próximo destino era o Banco. Enquanto caminhava, passou na frente de uma farmácia. Exposto na vitrine tintas para cabelo chamaram sua atenção. Natasha pensa em não entrar, mas ela queria mudar, então o faria da maneira correta.

Ela compra tinta para cabelos e outras coisas, como absorvente, escovas de dente e maquiagem.

Depois de retirar a maior quantidade de dinheiro que conseguiu da sua conta no Banco, Natasha sabia que era hora.

A vida a humilhou desde o momento que ela nasceu. Matou seu pai, a forçou a ser objeto sexual e a deixou na solidão por anos.

Quando Steve se tornou algo grande em sua vida, ela realmente imaginou que o período de trevas da sua vida havia acabado.

— Vai ser assim? — ela grita. Onde ela estava? No topo do maior prédio que ela encontrou.

Não pretendia se jogar, mas estar ali a fez sentir melhor. A ideia de que era só mais uma sendo fudida pela vida momento após momento a acalmou.

— Vai ficar brincando com meus sentimentos? — continua — Vai me dar pequenos momentos de felicidade só pra destruí-los em seguida?

A voz dela estava trêmula e rouca. Mais do que o normal, ela diria. Fazia muito tempo que ela não falava.

— Então esse é o plano que você tem pra mim, Vida? Buda? Ahimsa? Zeus? Alá? Deus ou qualquer outro ser poderoso que poderia ter criado o Universo? — ela dá uma pausa para respirar — Por que se for, você pode, por favor, ir tomar no cu! Não sei o que eu fiz pra você, mas parece que você não foi com a minha cara!

Ali estava. Raiva. Parte dois. Mais divertida que todas as outras se for pensar. Claro que considerando a tristeza de todas as outras, a hora de chingar se torna mais atraente. A hora que a negação se torna mais intensa e se transforma em agressão.

Natasha foi tomada por tudo o que tinha de negro em seu coração. Por cada sentimento odioso e destrutivo.

— FODA-SE! FODA-SE VOCÊ E TUDO QUE VOCÊ ME FEZ PASSAR! FODA-SE CADA MOMENTO DA MINHA VIDA! EU NÃO LIGO MAIS! — Ela berra com todo ar em seu pulmão. Suas cordas vocais ardem mas ela não se importa.

— Senhora! — um homem com uniforme azul aparece das escadas com uma feição preocupada — Não pode ficar aqui! — ele fala apreensivo. Natasha o encara por um momento.

— Já estava saindo... — ela sussurra passando pelo homem e deixando o terraço do prédio.

(...três semanas depois...)

Natasha não parecia ela mesma com os cabelos pretos. Mas isso, em seu ponto de vista, era bom. Nova Cidade, Novo cabelo.

Ela estava em uma cidadezinha costeira no sul do País. O lugar não deveria ter mais de cinco mil habitantes e isso era mais que perfeito.

Natasha trabalhava em uma loja de conveniências. A única no Oeste da Cidade.

Faziam Três semanas desde que sumira da vida de seus amigos. Ela sentia que finalmente tinha aceitado sua situação. Sentia que, mesmo pensando em Steve a cada segundo, a dor não a faria se descontrolar. Não mais.

Natasha acorda cedo para ir para o trabalho. Se troca e sai do pequeno duplex alugado, que era o único lugar que o dinheiro que ela ganhava com a loja podia comprar.

Ela andava para a loja como sempre fazia. Nesse dia em especial não conseguia parar de pensar em seus amigos.

Pepper deveria estar desesperada. E o bebê dela com 6 meses. Já até deveriam saber o sexo. Jane provavelmente estaria tentando encontra-la a todo custo. Ligando para cada detetive particular da Cidade.

Pela primeira vez desde que ela saiu de Nova Iorque, Natasha se sentiu culpada por deixar os amigos.

No dia que pegou o ônibus para qualquer lugar que não fosse Nova Iorque, ela não tinha pensado em seus amigos nenhuma vez. A ruiva sentia falta dos amigos. Falta da felicidade e da alegria que eles traziam.

Limpando as lágrimas que insistiram em surgir em seus olhos, parou na esquina enquanto esperava o sinal abrir. Ela se preparava pra andar novamente, quando sentiu uma dor imensa em seu abdômen. Sem conseguir se escorar em nada, Natasha cai no chão e bate a cabeça, perdendo a consciência.

(...)

— Senhora? Está acordada? — uma voz chama a atenção da ex-ruiva, que se esforça ao máximo para abrir os olhos.

Uma mão fria toca seu pulso, e logo depois abre seus olhos, os iluminando com uma lanterna.

— Pode me dizer seu nome, por favor? — a mulher tenta novamente, insistindo. A medica estava vestida de jaleco e com os cabelos loiros presos. Ela encarava Natasha com um sorriso genuíno que aparecia até em seu olhar.

— Natasha! Natasha Romanoff! — ela sussurra com a voz seca e áspera — Onde estou?

— Bom, Senhora Romanoff, você está no hospital. Um senhor chamou uma ambulância. Ele disse que você desmaiou na Rua. — Conforme a mulher vai falando, Natasha vai se lembrando do que aconteceu.

— Por que eu desmaiei? — Natasha pergunta. A médica sorri.

— Falta de nutrientes! Acontece bastante com mulheres no seu estado! Vitaminas são essenciais — a médica fala — A propósito, sou a Doutora Robbins!

— Estado? — Natasha pergunta levantando as sombrancelhas e ignorando a segunda fala da mulher.

— Você não sabe? — Doutora Robbins exclama. Natasha suspira e encara a médica irritada.

— Acredito que não! — Natasha estava confusa e a médica só piorava fazendo esses joguinhos.

— Você está grávida, de um mês! — a loira diz sorrindo com os dentes.

Os olhos verdes se arregalam e sua boca se abre automaticamente.

As palavras da medica rondavam sua mente, ecoando até a parte mais escura.

— Eu estou o que? — Natasha não podia acreditar — Existe algum engano! Eu não posso estar grávida! É impossível. — ela nega.

— Claro que pode, tanto pode que está! — Robbins insiste.

— Meu marido... — Natasha tenta falar mas um nó se forma em sua garganta. Não estava preparada para emoções, principalmente uma desse tipo.

Ela não conseguia processar a informação. Ela estar grávida não tem nenhuma lógica.

— Você quer que liguemos pra ele? — a médica não conseguia entender.

— Não! Não! Ele era estéril! E agora está morto! — Natasha assuta a loira, que fica vermelha.

— Me desculpe! — a médica diz tentando não transparecer sua surpresa. Ela não esperava por isso.

— Tudo bem, alguns médicos se confundem! Acho que é normal. — a ruiva respira aliviada.

— Confundem? — Robbins pergunta sem entender — Sra. Romanoff, você está grávida. Eu tenho absoluta certeza. — ela termina.

— Como se meu marido era estéril e eu não tive relações com mais nenhum homem? — Natasha insiste com um tom irônico.

— Mesmo sendo pequenas, alguns homens podem ter chances! — a médica fala — Existem vários casos! Mais comum do que se imagina.

— Aí Meu Deus! — Natasha grita se sentindo milhões de vezes pior que antes. — Mas eu não tive enjoos, desejos ou qualquer coisa do tipo!

— Existem casos em que os sintomas demoram um pouco para aparecer, mas eles podem aparecer a qualquer minuto. — a médica diz.

Natasha fica sem fala, apenas olha para a loira com feições que não poderiam ser interpretadas.

— Vou te deixar sosinha para poder processar, tudo bem? — Robbins usa um tom compreensivo.

Natasha esncosta sua cabeça na maca e olha para o teto. O som da porta do quarto se fechando é o único que ela escuta antes de se desmanchar em lágrimas.

— Por favor! Steve, volta! Volta pra mim! Não consigo fazer isso sem você! — Natasha Barganha, deixando suas lágrimas tomarem conta de seu corpo.

Não conseguia controlar seus soluços e nem queria.

Natasha queria seu marido de volta. Ela queria criar aquela criança com ele e saber como seria a reação dele quando descobrisse da gravidez. Mas agora isso não vai mais ser possível.

Agora ela vai ter que cuidar daquele pequeno pedaço de Steve sosinha. Ela terá que cuidar de uma mínipessoa que é fruto do único real amor de sua vida.

Natasha sente falta das suas amigas. Mais do que tinha de manhã, mais do que jamais teve. Isso por que ela sabia que poderia voltar para suas amigas. Mas a ex-ruiva estava envergonhada. Mesmo sabendo que não importa o quão bravas suas amigas estivessem, ainda iam pirar ao saber do bebê.
Bebê.

Natasha pela primeira vez em semanas esboça um pequeno e impercetível sorriso. Pelo menos uma parte dele sempre estaria com ela.

(...duas semanas depois...)

Depressão é a quarta fase. O sentimento de impotência misturado com a quase inexistente vontade de viver.

Natasha se sentia em uma bolha de tristeza quase 100% do tempo que estava acordada. Passaram mais duas semanas.

Sem saber o que fazer, ela pediu todas as informações que conseguiu à Doutora Robbins. A médica deu dicas e alarmes sobre a gravidez, e se ofereceu para ajudar sempre que o necessário.

Arizona era seu nome. Se tornou o mais próximo de uma amiga que Natasha tinha. A única pessoa naquela cidade que ela contou seu passado.

Natasha já exibia uma barriguinha quase imperceptível. A primeira vez que percebeu que o bebê estava crescendo uma alegria a invadiu. A alegria de ser capaz de cuidar de uma criança e de saber que aquele pequeno pedaço do Steve sempre estaria lá.

Mas um sentimento de tristeza se apossou logo em seguida. Não era assim que ela queria se sentir, mas era assim que se sentia.

Ela teria uma criança. Um filho de Steve Rogers, o amor de sua vida. Natasha sabia que não seria fácil e a ideia de abortar e seguir em frente se fazia constante em sua mente, mas ela sabia que, se acabasse com a gravidez, nunca se perdoaria. Não poderia nunca se livrar da última parte de Steve que a restou.

Naquele momento, sentada em um sofa Velho de sua casa, Natasha finalmente aceitou

Notas finais
Por favor, não me matem!! Sim aconteceu, sim eu fiz isso. Acharam a decisão dela precipitada? Comentem Favoritem Recomendem