Give Me Strength to Press On
36 Hoping
Notas iniciais
Eles estavam lá, se encarando. Uma nostalgia atingiu Steve. Eles costumavam se encarar, sempre, sem motivo. Apenas ficavam deitados, sentados ou de pé, por um longo período de tempo, se observando. Todos os detalhes.
Enquanto isso, Natasha lutava com um dilema interno. Em seus ombros, ao invés de Satanás e um Anjo opinando sobre o que ela deveria fazer, Jane e Pepper tomavam esse posto, mas Nenhuma delas tinha um tridente ou uma auréola, como ela ia saber qual das duas estava certa?
Pepper dizia para Natasha ignorar o juramento que fez pela manhã de não se deixar cair na tentação de Steve Rogers, enquanto Jane queria que ela lutasse contra e continuasse a ser imparcial.
Ela respira fundo se preparando pra falar, Natasha não iria perguntar ao Steve o que ele estava fazendo ali, era óbvio que tudo não passava de um plano idiota do Tony. Mas ela não pretendia ficar quieta.
— Você ganhou seu emprego do sonhos! Parabéns! — ela fala sem quebrar o contato visual. A Jane imaginaria comemora a imparcialidade da Ruiva. Ponto pra ela!
— Sim... — ele também não quebra o contato visual, mas seu tom é mais tenso que o dela — O que... Você pediu esse emprego? — Steve solta a pergunta rapidamente. Em sua mente, Natasha poderia ter implorado ao Stark para que ela trabalhasse com ele. Uma parte dele até esperava que isso fosse real.
— Não! — responde rapidamente — Eu pedi um emprego, não sabia exatamente qual iria ser... Já deveria ter imaginado. — Jane faz dois pontos sobre Pepper quando Natasha mostra não se afetar com a pergunta.
— Parece algo que Tony faria! — Steve concliu coçando a nuca.
O loiro mantém seu olhar no dela, tão intenso como quando ainda estavam juntos. Eles se perdem novamente em seus olhares.
Steve da alguns passos para o lado em direção a porta de seu escritório. Ele entra e mantém a porta aberta.
— Entre, precisamos conversar e não quero fazer isso na frente do andar inteiro. — ele mantém um tom baixo, sem a intenção de chamar atenção, mas não tinha necessidade já que o andar inteiro olhava para eles com curiosidade.
Natasha percebe os olhares sobre si e se apressa em entrar na sala dele. Steve fecha a porta e se vira pra ela, mantendo ss costas contra o vidro esfumaçado da porta.
— O que quer falar? — Natasha pergunta olhando com superioridade. Jane dança batendo palmas pelo terceiro ponto, enquanto Pepper flutua de pernas de índio apoiando a cabeça nos braços entediada.
— Você acha que trabalharmos juntos vai ser um problema? — Steve pergunta desviando seus olhos dela pela primeira vez. O assunto era desconfortável.
— Não vejo por que seria. Somos ligados apenas pelo nosso filho! Logo nem casados seremos... — ela provoca, se vingando do telefonema que recebeu de manhã. Natasha senta na mesa do loiro com os braços cruzados no peito. Mais um ponto para Jane.
— Ótimo! — Steve parecia confuso com sigo mesmo. Sua batalha interna tinha até um vencedor, mas ele era muito orgulhoso para admitir.
— Então você não vai negar que o que nós tínhamos acabou? — ela vacila e as palavras voam de sua boca antes mesmo que ela perceba. Ela desce da mesa e dá um passo e meio pra frente. Pepper imaginaria comemora seu primeiro ponto contra os quatro de Jane, enquanto Natasha se pergunta o que está fazendo.
— Você acha que eu devo? — a resposta do Steve apenas cria mais dúvidas na cabeça dela. Ele avança mais um passo.
A distância deles é pequena, seus rostos ainda estão longe, mas já é possível para ele enxergar os pequenos detalhes dos olhos verdes dela.
— Não... — ela sussurra perdida nos pequenos oceanos de seus olhos.
Eles voltam a se encarar e dessa vez mais intensamente. Steve se aproxima inconsciente de seus atos. Jane nega e reclama quando Pepper ganha seu segundo ponto.
Natasha briga com sigo mesma por causa da resposta. Não era exatamente isso que seu cérebro queria falar, mas seu corpo foi mais rápido que ela.
— Como quiser! — o alito de menta dele bate contra o rosto dela, e ele leva seus olhos lentamente até os seus lábios.
Natasha engole em seco, o que estava acontecendo? Ela estava indo tão bem. E pelo que ela se lembra ele quer o divórcio, então o que ele estava fazendo?
Ele dá um passo pra frente.
— Steve? — ela dá alguns passos pra trás, tentando se afastar para poder raciocinar — Não... — ela reclama quando ele acompanha seus passos até que a mesa dele a impeça de se esquivar.
Ele leva suas mãos às dela e enrosca seus dedos, sem parar de olhar para sua boca e lábios. Lentamente aproxima ainda mais seus rostos colando seus lábios com delicadeza.
Um arrepio sobe pela espinha da ruiva e ela perde o controle desenroscando seus dedos dos dele para enrosca-los em seus fios loiros. Steve sorri sem descolar os lábios e agarra a cintura dela daquele jeito que ela amava, possessivo e protetor.
Os dedos dele se prendem em sua cintura e a apertam levemente. Natasha sente seu corpo colado no dele, mais do que ela achava que era possível. Cada célula de seu corpo reagindo com os movimentos que a língua dele fazia em sua boca.
Pepper agora dançava seu ponto enquanto Jane estava virada de costas, sem querer ver a cena.
Tão rápido quanto ele os juntou, ele os separou. Steve estava ofegante e vermelho, não muito diferente dela.
— Desculpa, é... Não! Não dá! — ele fala se afastando e virando de costas, antes de sair do escritório.
Natasha fica longos minutos tentando processar o que havia acontecido. Não parecia real.
— O que? — ela sussurra levando as mãos aos cabelos. A sensação dos dedos dele em sua cintura ainda estava lá. Sua boca estava vermelha e inchada e seu coração batia tão forte que Natasha sentia o peito doer. Seu corpo estava quente.
Pra melhorar a situação, lágrimas surgiram em seus olhos e em segundos ela passa de choque para arrependimento.
No que ela estava pensando? O juramento que ela fez de manhã era exatamente para evitar situações como aquela. Situações onde ela se abria pra ele novamente e ele fugia.
Mas falando a verdade, o culpado disso tudo tem nome, sobrenome e Phd em física , engenharia elétrica e mecânica . O culpado era Antony Stark.
Furiosa, Natasha limpa as lágrimas e arruma suas roupas, deixando a sala logo em seguida, se preparando para chingar Tony até que perca a voz.
A porta do escritório dele estava entreaberta, deixando uma fresta. Nessa fresta Natasha pode ver Steve reclamando com Tony.
Ela se aproxima mais da porta tentando escutar.
—... você sabe que eu já superei ela e aí me manda trabalhar com ela? Você acha que vai acontecer o que? Acha que vamos nos beijar e ficar bem de uma hora pra outra? Eu não queria nem ter que olhar pra cara dela... — essas palavras foram muito piores do que qualquer uma que já disseram pra ela. A sensação de seu coração sendo arrancado de seu peito foi a única que ela pode sentir.
Ela não ficou lá nenhum segundo a mais. Com uma rapidez que ela não sabia que tinha, Natasha correu até o banheiro e se trancou em uma cabine, era isso ou entrar naquela sala e dar na cara dos dois. Ela não tinha mais lágrimas, então só ficou sentada lá, esperando saber qual a melhor forma de não repetir aquele erro de novo.
Quando ela vai aprender que Steve Rogers a odeia? Parece que quanto mais ela pensa nele a odiando, mais o coração dela se apaixona por ele.
Quando ela vai entender que ela sempre vai amar ele? Mesmo que o sentimento não seja recíproco?
Parece que nunca.
Ela lava o rosto e arruma sua saia, que estava torta e amassada. Respira fundo antes de sair do banheiro, Steve não deveria nem pensar na possibilidade dela ter estado chorando, ele não merecia mais suas lágrimas.
Ela anda até sua mesa e começa a fazer as coisas que estava fazendo antes, tentando parecer o mais normal possível.
Ela fica meia hora organizando os arquivos que o antigo secretário tinha bagunçado. O que foi bom, a fez esquecer um pouco do loiro.
— Ainda está aqui? — Steve pergunta com uma expressão estranha, não era algo que ele esperava.
— Lógico, Senhor Rogers, esse é meu emprego. Eu preciso dele! — Natasha responde com seu tom mais formal, sem deixar de olhar para os papeis que organizava.
— É... Tony disse que... que nós estamos liberados pra sair com o Sammy. — Steve gagueja, ele estava nervoso. Por quê ele estava nervoso?
— Tudo bem! Já não estava mais aguentando isso mesmo! — ela joga os papéis na mesa e se levanta, sem olhar pra ele.
Ela podia sentir o olhar dele queimando sobre si. Ele parecia querer falar alguma coisa.
— Acho que posso te dar uma carona e vamos direto para um restaurante, o que acha? — Natasha achava que queria esmurrar ele.
Tudo o que ela queria era que ele se decidisse entre ser legal ou o maior babaca da face da Terra, por que ele parecia um bipolar.
Ela assente e pega a bolsa, saindo na frente dele em direção ao elevador.
(...)
O almoço foi tenso por parte de Steve e Natasha, mas para Sammy foi divertido.
Steve tinha planejado jogar basquete com Sammy, e o loirinho adorou a ideia.
Assim que chegam no clube, alugam uma bola de basquete e vão até a quadra, que tinha apenas algumas pessoas.
— Vamos alí! — Sammy grita apontando para uma rede que tinha acabado de ficar livre. O garotinho puxa o pai até lá e pega a bola da mão dele.
Os dois começam a jogar e se divertir. Não era fácil pra Natasha manter sua raiva quando Steve fazia seu filho feliz. Bastardo.
— Mamy, você não vai jogar? — Sammy pergunta após alguns minutos jogando com Steve. Natasha estava apoiada na parede.
— Acho melhor não... — ela fala e Sammy desmancha seu sorriso.
— Natasha, joga um pouco! — Pela primeira vez desde que entraram no carro, Steve fala diretamente com ela — Ou será que não sabe mais?
Aaah, não! Ele a estava desafiando! Sem medo nenhum, na maior cara de pau! Ele sabe muito bem que ela é ótima no basquete.
— Você sabe que eu sei, até melhor que você! — ela responde irônica. Diferente de Steve, não tinha humor nenhum em sua voz. Apesar de sua resposta, ela continua apoiada na parede.
— Você joga? — Sammy pergunta surpreso, nunca tinha visto a mãe jogar.
— Lógico que ela joga! Quer dizer, costumava jogar. Acho que depois de todo esse tempo, ela não sabe mais... — Steve continua a provocar, mas Natasha luta pra não dar o braço a torcer.
— Oooooh! Mãe, ele ta ti desafiando! Vai deixá assim? — o garotinho entra na brincadeira do Steve.
A ruiva não podia acreditar no que Steve estsva fazendo.
— Acho que ela está com medo! — Steve fala para Sammy que sorri.
— Eu também! — o menino responde.
— Ta bom! Eu jogo! — contrariada, Natasha desencosta da parede e anda até eles.
— Mamãe contra Steven! Que legal! — exclama Sammy com um brilho nos olhos.
Natasha estava de um lado da quadra e Steve do outro.
— Mulheres primeiro! — Steve fala sorrindo e jogando a bola pra ela, que agarra surpresa.
Ela aperta os olhos xingando Steve mentalmente de tudo de ruim que conhece e não conhece.
Ela bate a bola no chão se aproximando da cesta rapidamente, mas antes de conseguir arremeçar, Steve aparece e rouba sua bola, fazendo uma cesta.
— Dois pontos pro Steven! — grita Sammy comemorado.
— Parece que ela perdeu mesmo a habilidade! — Steve provoca olhando de canto de olho pra Natasha.
Steve bate a bola e começa a se preparar pra arremessar e fazer uma cesta, assim que ele arremessa, Natasha pula e agarra a bola, saindo do garrafão e fazendo três pontos.
— Uou! Boa mãe! — Sammy estava surpreso.
— Você dizia...? — Natasha fala com uma expressão exibida.
E assim eles continuaram até que fazendo um arremesso, Natasha se desequilibra enquanto Steve pula pra bloquear a bola. Natasha acaba caindo de costas no chão e Steve cai bem em cima dela. Sammy começa a rir descontrolado.
— Você está bem? — Steve pergunta colocando os braços no chão ao lado dela pra aliviar o peso encima dela. Ele olha nos olhos dela, mas ela evita devolver.
— Estou... — fala ofegante por causa do susto e do loiro encima dela.
— Eu estou ótimo! Você amorteceu minha queda! — ele fala baixo, deixando a ruiva arrepiada. O corpo dela adorava trair o cérebro.
— Aham... — ela empurra seu corpo de baixo do dele o mais rápido que pode, saindo de perto o mais rápido possível.
Ela anda até Sammy, que parece estar sufocando de tanto que ri.
— Vamos embora? — Steve pergunta depois de se levantar. Natasha não o olha.
— Não... — o garotinho vaia. Ele estava se divertindo.
— Temos que ir! Você pode ir na frente com o Steve! — Ela dobra o filho, que se anima com a ideia de andar no banco da frente do carro.
Mas Natasha sabia o por que dá oferta. Atrás, Steve não estaria tão próximo.
Quando chegam no apartamento de Pepper, ela é a primeira a descer do carro, indo o mais rápido possível para o elevador.
Steve não sai do carro. Alguns minutos depois Sammy desce sorridente do veículo.
Assim que entram, Natasha vai direto para o quarto de Pepper, que estava vendo TV.
— Oi! Como foi no trabalho? — a loira pergunta sorrindo.
— Por que você não pergunta para seu marido? — ela devolve irônica sentando na cama ao lado da amiga. Pepper tinha uma expressão confusa — Steve é meu chefe! Steve!
— Uou! Acho que Tony pretende morrer! — Pepper fala rindo mas Nstasha mantinha uma carranca. — Foi tão ruim assim? Você disse que não se deixaria mais cair de amores por Steve.
— É, foi o que eu achei! Mas a culpa de eu ter beijado o Steve é inteiramente sua! Você que ficou botando ideias na minha mente! — Natasha se refere a Pepper imaginária.
— Como assim beijou o Steve? Ta ficando maluca? — Pepper arregala os olhos.
— Provável que já esteja! — Natasha apoia a cabeça no ombro da amiga.
— E como foi? — a loira não conseguia segurar a curiosidade.
— Ótimo, na verdade! — a ruiva se deixa sorrir lembrando de sua língua dançando na boca dele — Quer dizer, até ele fugir pedindo desculpas e falando que "não podia".
— O que isso quer dizer? — Pepper parecia revoltada.
— Provavelmente tem a ver com o que ele disse pro Tony depois... — Natasha começa suspirando decepcionada — Eu ouvi ele falando que não gostou da ideia maluca do Tony de me pôr como secretária dele, o que eu concordo, mas depois ele disse "[...] eu não queria nem ter que olhar pra cara dela!" — Natasha termina frustrada. Não sentia mais vontade de chorar, só de socar a carinha linda do marido.
— E depois como é que você aguentou passar o resto do dia com ele sem ter um ataque e arrancar as bolas dele pela boca? — Pepper estava mais surpresa do que imaginava.
— A gente nem se falou, quase. Só que aí ele teve a brilhante ideia de me desafiar no basquete e você já sabe onde isso vai dar... — Natasha fala não querendo mais falar sobre esse assunto. Pepper assente.
(...)
Natasha acorda com a campainha. Com preguiça, ela senta no sofá e pega seu telefone.
— Porra! — ela gruni baixinho quando vê que o relógio marca 5:00 da manhã. Quem poderá ser?
Lentamente ela anda até a porta e a abre.
— Oi maninha! Cheguei! Como foram esses cinco anos em que você decidiu desaparecer? — assim que ela abre a porta, Leonty aparece em seu campo de visão. Sua frase continha quilos de ironia.
— Como está meu sobrinho? — Viktor pergunta se pondo do lado do irmão. A ironia também presente nas palavras
— Ah! Bom saber que está viva. Sabe como é, a gente se preocupa com pessoas que somem, mas ta tudo bem! — Zeke termina se pondo atrás dos irmãos de Natasha.
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