Give Me Love
5 Capítulo 5 – Retorno
Notas iniciais
“Por que tivemos que vir no seu fusca velho?” Regina fez uma expressão de desgosto e olhou ao redor do veículo enquanto elas seguiam o caminho para os limites de StoryBrooke.
“Hey, trate ele com respeito” advertiu sem tirar os olhos da estrada. “Como sou eu que vou dirigir todo o trajeto, prefiro fazer isso com um carro que estou acostumada.”
“Não por isso, querida. Eu poderia dirigir também.”
“É, mas você não conhece New York como eu.”
“Você estaria do meu lado, Emma. Era só falar as coordenadas.”
“Certo” concordou. “Mas como líder dessa missão cabe à mim dirigir, e isso me dá o direito de escolher o carro que quero andar” ergueu o queixo come se vencesse uma batalha.
“Quem te nomeou líder dessa missão?” arqueou uma sobrancelha na direção da loira. “Não se esqueça que é graças à mim que você está livre.”
“Você tem razão” Emma pareceu pensar por alguns instantes antes de continuar. “Talvez devêssemos dividir a liderança.”
“Emma” a morena suspirou. “Somos só eu e você nessa viagem doida, o mínimo que podemos fazer é dividir a maldita liderança – que você insiste em chamar assim – e tomar as decisões em conjunto.”
“Nós podemos fazer isso” a loira sorriu, desviando o olhar da estrada por um instante para fitar Regina.
“Obrigada” respondeu com um leve tom de ironia e divertimento na voz.
De repente, Emma teve a sensação que estava esquecendo de algo e ao se lembrar o que era, freou o carro abruptamente, apenas um centímetro antes de alcançar a linha da cidade.
“Droga” bateu as mãos contra o volante.
“O que foi agora?” perguntou com os olhos arregalados, o coração acelerado pelo susto de segundos atrás.
“Esquecemos de pegar o pergaminho pra voltar pra StoryBrooke depois.”
“Meu Deus! É verdade” Regina levou a mão à boca e fitou Emma, que permanecia imóvel. “O que está esperando? Dê meia volta e vamos pega-lo.”
~*~*~
O carro amarelo parou em frente à loja de Gold e as duas mulheres desceram de dentro dele.
“Hey, Belle” Emma chamou ao ver a moça entrando no estabelecimento, que se virou para fita-la. “Está tudo bem?” perguntou ao ver a expressão abalada em seu rosto.
“Não, não está tudo bem. Eu acabei de ser raptada por aquele dragão que quase me matou por asfixia” ela falava rapidamente, atropelando as palavras. “E tudo pra pegar a adaga do Rumple e ela ainda disse que estava do seu lado, Regina” fuzilou a mulher com o olhar.
“Por isso que a Maleficent não queria contar o plano dela pra gente” Emma arqueou a sobrancelha na direção de Regina. “Parece que não podemos confiar tanto assim na sua amiguinha.”
“Desculpe” Regina virou-se para Belle, o olhar de culpa. “Você não merecia passar por isso.”
“Tudo bem, já passou. Mas, afinal, o que está acontecendo por aqui? E por que a Maleficent ia querer aprisionar o Rumple? Eles não estavam do mesmo lado?”
“É uma longa história. Basicamente, ela está nos ajudando e nós estamos ajudando ela” Emma tentou ser breve e não perder tempo. “E é isso que nos traz aqui. Eu e Regina precisamos sair da cidade por uns dias e vamos precisar do pergaminho da Snow Queen pra voltar. Está com você, certo?”
“Sim, eu vou pegar pra vocês” disse, voltando a entrar na loja. “Ah,” virou-se para as duas novamente “talvez vocês devessem adiar essa viagem. Maleficent conseguiu deter Rumple, mas Cruella fugiu.”
Antes que qualquer uma pudesse reagir à notícia, uma nuvem preta apareceu ao lado de Regina e quando ela se desfez, tiveram o vislumbre de Maleficent com uma expressão de alívio no rosto.
“Ainda bem que vocês ainda estão na cidade. Eu prendi o Rumple mas a Cruella fugiu” falou rapidamente, antes de interromper-se quando viu Belle ao seu lado. “Oh, olá princesa” sorriu simpática.
“Fique longe de mim sua bruxa” recuou.
“Bruxa? Sério?” Mal comprimiu os lábios em uma fina linha, segurando o riso.
“Eu podia ter morrido” falou com desgosto, passando a mão involuntariamente na garganta.
“Olha só garota, você está bem, não está? Então pare de reclamar.”
“Você não sabe o susto que eu passei pensando que ia morrer. Se tudo isso foi um plano pra capturar o Rumple podia ter me contado antes.”
“Minha querida, eu precisava que você acreditasse para que tudo ficasse mais real e o Rumple caísse na armadilha, entende?”
“Okay, nós conversamos sobre isso mais tarde” Regina cortou o assunto, olhando diretamente para Mal, que apenas deu de ombros. “Mas antes, dê a adaga para Belle.”
“O que? Por que?” a loira a fitou indignada.
“Porque você fez ela passar por toda essa situação, o mínimo que pode fazer é dar a adaga pra ela e deixa-la decidir como lidar com o Gold” Mal não fez menção de se mover. “Agora” ordenou.
Belle observou a mulher mais velha suspirar irritada e lhe entregar a adaga a contragosto. “Obrigada. Acho que o melhor é levarmos ele pra delegacia.”
Emma concordou com a cabeça. “Eu vou ligar pro David preparar uma cela” disse pegando o celular. “Enquanto isso, entregue o pergaminho pra Regina.”
“Swan” Mal a chamou, antes que ela discasse o número do pai. “Diga para o Charming que o Rumple está no porão da cabana e está com algemas anti-magia.”
“Eu aviso, obrigada.”
~*~*~
Regina saiu da loja, o pergaminho já guardado na bolsa. Logo atrás vinham Emma e Mal.
“Deixem que eu me entendo com a Cruella” Mal anunciou. “Podem ir tranquilas para...” parou de falar, tentando se lembrar do nome da tal cidade.
“New York” Emma completou, com pouca paciência.
“Não acho que deva lidar com ela sozinha” Regina comentou preocupada.
“Eu me virei com o Rumple, posso muito bem dar um jeito nela.”
“Com ele você usou Belle, o que vai usar contra a Cruella?” Regina questionou e Mal apenas a encarou sem saber o que responder. Ela não sabia qual era a fraqueza da mulher de cabelos bicolor.
O toque de um celular começou a soar e as três se entreolharam. Regina vasculhou sua bolsa e achou uma nova mensagem recebida.
“Mensagem de vídeo” anunciou franzindo o cenho.
“Recebi uma também” Emma disse confusa, enquanto olhava o celular.
Ao abrir o vídeo, as duas viram a imagem de Cruella, que anunciava ter raptado Henry e logo o garoto aparecia na imagem. As duas mães sentiram o coração parar por um instante.
“Matem o autor e eu entrego o garoto” foi a última coisa que ouviram, antes do vídeo ser encerrado.
Regina tapou a boca com a mão e tentou segurar as lágrimas, não deixaria que nenhuma das duas mulheres a vissem dessa maneira.
“Nós vamos resgatar o garoto, Regina” Emma afirmou, segurando seu braço gentilmente, na intenção de lhe passar segurança. No momento que lhe tocou, a loira sentiu algo estranho fluir pelo seu corpo. Era uma força diferente, parecia magia, talvez, e ela se sentiu fraca por um breve momento. Era como se ela sentisse não só o estado emocional de Regina, mas também a fraqueza física dela. Lembrou-se de quando, naquela noite, a morena havia confessado para Mal como derrubar a barreira havia tirado suas forças.
Regina olhou para a mão de Emma em seu braço, o toque já durando mais tempo do que ela havia se dado conta. A loira retirou a mão rapidamente e sussurrou um “perdão” inaudível.
“Eu vou garantir que ela não saia de StoryBrooke” Mal anunciou. “Vou ficar de guarda há alguns quilômetros antes da linha da cidade e barrar o caminho dela.”
“Okay” Regina sorriu agradecida.
“Ela que não ouse cruzar o meu caminho. Finalmente, vou acertar minhas contas com ela” disse cerrando o punho.
“Você tem problemas com todo mundo nessa cidade?” Emma franziu o cenho.
“Parece que todo mundo nessa cidade tem problemas comigo” respondeu. “Cruella disse que Lily não tinha sobrevivido à viagem pelo portal, eu não queria acreditar e foi por isso que pedi pro Rumple me mostrar o destino dela. Bem, quando eu descobri que Cruella tinha mentido pra mim e que Lily sobrevivera eu queria destruir ela no mesmo instante. Só me controlei porque estávamos do mesmo lado. Mas agora, que ela escapou e pegou seu filho,” olhou para Regina “eu não vou deixar ela sair ilesa dessa.”
No momento que Regina ia pedir que tomasse cuidado, a loira já desaparecia na sua fumaça negra.
“E agora?” a voz de Regina falhou. “Não podemos simplesmente matar o autor, muito menos ficar paradas enquanto ela está com o Henry.”
“Vamos falar com meus pais, precisamos de toda ajuda possível.”
“Tudo bem” concordou e virou o rosto para o lado, piscando algumas vezes para afastar as lágrimas.
Emma sentiu seu coração doer. Henry estava nas mãos de Cruella e ver Regina tão abalada, mas tentando permanecer forte, destruía seu coração.
“Hey” chamou a atenção da morena, se aproximando. “Vai ficar tudo bem” sorriu reconfortante e sem pensar, simplesmente puxou Regina para um abraço. Depois de sentir a vulnerabilidade da prefeita, apenas alguns minutos atrás, Emma achou que um gesto de carinho pudesse lhe acalmar.
Regina, por sua vez, não retribuiu o abraço, sendo pega de surpresa permaneceu imóvel, um tanto que desconfortável com a situação.
“Emma?” chamou, ainda sentido os braços da loira ao redor do seu corpo.
“Oi!?” Emma não se afastou, na verdade ela estava gostando daquela sensação.
“O que você está fazendo?” perguntou confusa e Emma sentiu seus músculos tencionarem mais, finalmente notando o desconforto da mulher.
“Relaxa” se afastou um pouco, ainda no seu espaço pessoal, segurando seus ombros. “Vai dar tudo certo” disse séria, tentando lhe passar segurança.
“Okay, mas por que...” gesticulou entre elas, apontando para as duas simultaneamente. “Por que isso?”
“Qual é, Regina. É só um abraço” suspirou deixando os braços caírem na lateral do seu corpo. Regina, que já se acostumava com o toque, sentiu falta do contato. “Mas se você se sente desconfortável eu posso-”
“Não” falou rapidamente, se surpreendendo com o próprio desespero ao imaginar ter que se desfazer do calor do corpo de Emma, e surpreendendo a própria Salvadora pela mudança repentina de ideia. “Quer dizer... Tá tudo bem, eu só... Isso é meio que novo pra mim” disse tristemente.
“Ser abraçada?”
“É, você sabe... Além do Henry.”
“Bem, você se acostuma” deu de ombros.
Regina balança a cabeça, concordando e as duas sorriem.
Emma deu um passo para trás, colocando as mãos nos bolsos da jaqueta. “Agora vamos indo, que você já conseguiu quebrar o clima do abraço” disse em um tom de brincadeira e se virou para ir até o carro, que estava estacionado alguns passos à frente delas.
“Emma, espera” Regina chamou, antes da loira contornar o fusca.
Emma virou-se para ela novamente. “O que foi?”
“Se você quiser tentar de novo” disse baixinho, encolhendo os ombros. “Eu poderia usar um abraço agora” fitou os pés, envergonhada por estar pedindo aquilo.
Emma não disse nada, apenas se aproximou da morena e envolveu os abraços ao seu redor, dessa vez, o abraço sendo retribuído.
“Obrigada” Regina sussurrou perto do ouvido de Emma.
“Mães?” a voz de Henry foi ouvida ao longe e as duas se afastaram, fitando-se antes de virar na direção da voz. “Mãe! Mãe!” o garoto gritou alegre, correndo na direção das duas.
“Henry” falaram em uníssono e correram para abraçar o filho.
“Você está bem, filho? Aquela doida te machucou?” Regina segurou seu rosto, esperando não encontrar nenhum machucado, quando se afastaram do abraço.
“Eu estou bem, mãe” sorriu, tentando tirar a preocupação da mulher.
“Nós recebemos um vídeo dela ameaçando você e pedindo que matássemos o autor em troca. Ficamos preocupadas.”
“Ah, isso foi gravado tipo uma hora atrás” explicou. “Vocês só receberam agora?”
“A gente deve ter ficado sem sinal” Regina pensou. “Mas como você conseguiu escapar?” sorriu aliviada para o filho.
“Cruella se distraiu jogando angry birds e eu fugi” deu de ombros. As duas mulheres se entreolharam, sobrancelhas arqueadas. "Vilões também tem seus hobbies" ele sorriu.
Antes que pudessem falar alguma coisa, escutaram um latido forte e viraram-se a tempo de ver o dálmata rosnando na direção de Henry, em posição de ataque.
“Ah sim” o garoto comentou, virando-se brevemente para as mães. “Cruella está controlando o Pongo. Tenho certeza que você pode colocar uma coleira nele ou algo do tipo” Henry olhou para Regina, esperando que usasse magia.
“Bem... eu...” a morena hesitou.
Emma percebeu a aflição da outra e, sabendo que sua magia não era suficiente no momento, interferiu. “Você sabe que eu tenho treinado magia, posso tentar algo” disse, erguendo as mãos e no instante seguinte, uma focinheira aparecia no cachorro. Emma o segurou pela coleira com cuidado e prendeu em um poste. “Sinto muito, Pongo” sussurrou e recebeu um latido revoltado em resposta.
“Agora, vamos procurar a Cruella e pôr um fim nessa história de uma vez por todas.”
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