Give Me Love
11 Capítulo 11 – Oops!
Notas iniciais
“Zelena?” a morena teve que reunir todas suas forças para pronunciar o nome da irmã. Só podia estar alucinando. Era a única explicação para o que via na sua frente. Devem ter colocado algo no café que bebera, pensou. “Mas eu vi você m- Você estava-”
“Morta?” completou a frase da irmã caçula. “Eu tenho meus truques na manga” sorriu. “Se me deixar entrar eu explico tudo.”
Antes que Regina pudesse negar o pedido absurdo da ruiva, ela escutou a voz de Emma – tão espantada quanto ela – atrás de si. “Zelena?”
Bem, ao menos agora ela tinha certeza que não estava vendo coisas. O que não era um bom sinal. Ela, honestamente, preferiria que estivesse delirando. Lidar com uma irmã, que julgara estar morta, era o que ela menos queria no momento. Ainda mais se sua irmã é a Bruxa Má do Oeste.
“Vocês realmente gostam de pronunciar meu nome, não é mesmo?” riu, divertindo-se com a expressão de espanto no rosto das duas.
“Mas você morreu. Como isso é possível?” Emma se aproximou cautelosa, colocando-se na frente de Regina de forma protetora. “O que você quer?” arqueou uma sobrancelha, desconfiada da aparição repentina da ruiva.
“Conversar” deu de ombros. “Me aproximar da minha irmãzinha” sorriu carinhosa para Regina, estreitando os olhos. “Senti sua falta.”
Nenhuma das duas engoliu aquela história.
Emma olhou pra trás e viu Lily observando a cena de longe, seja qual fosse a explicação que Zelena tinha para o que aconteceu, a morena não podia saber. Afinal, ela não fazia a mínima ideia que existia magia e toda essa história de Conto de Fadas, e isso a assustaria. Regina percebeu o receio de Emma, e resolveu acabar com aquele assunto de uma vez por todas.
“Então vamos conversar” disse passando por Emma e puxando Zelena pelo braço. Em NY nenhuma tinha magia, e ela tinha certeza que podia lidar com a irmã mais velha sozinha.
Emma a olhou apreensiva, mas recebeu um olhar seguro de Regina e decidiu deixa-la a sós com Zelena, apesar de não gostar da ideia.
Regina a puxou para um canto mais afastado do apartamento, deixando Emma e Lily para trás, onde as duas não pudessem escutar a conversa delas. Ela empurrou Zelena para dentro do quarto onde dormira na noite anterior e fechou a porta atrás de si.
“Então... Pode começar sua explicação” cruzou os braços.
Zelena sentou-se sobre a cama e cruzou as pernas, apoiando as mãos sobre o colchão macio.
“Não precisa me tratar de forma tão rude, irmãzinha” sorriu irônica.
“Vá direto ao ponto, Zelena” falou, perdendo a paciência com a ruiva.
“Tudo bem... Resumindo, eu não morri-”
“Oh, é mesmo? Não me diga?” ironizou e recebeu um revirar de olhos da irmã.
“Minha essência, digamos assim,” continuou, ignorando o comentário de Regina “saiu do meu corpo e eu consegui abrir o portal do tempo. Eu segui aqueles dois idiotas por ele, e chegando na Floresta Encantada, voilà” ergueu as mãos em um gesto exagerado, fazendo uma pausa dramática. E Regina revirou os olhos. “Eu estava de volta à minha forma normal. Emma resgatou Marian, na intenção de trazê-la junto com eles de volta, e eu aproveitei essa oportunidade – quando a deixaram sozinha por um momento. A matei e tomei sua forma” sorriu orgulhosa de si mesma. “Simples assim.”
Regina tentou absorver aquelas últimas informações, ainda em estado de choque. “Quer dizer que Marian era, na verdade, você. Esse tempo todo?”
“Foi o que eu acabei de dizer” suspirou irritada. “Você tem algum problema mental?” revirou os olhos mais uma vez. Uma mania que as duas possuíam. Não havia como negar que eram irmãs. “E quando eu descobri que ela era a esposa do seu amado Robin Hood, bem...” deu de ombros. “Eu vi mais uma oportunidade de acabar com sua felicidade.”
Regina fechou o punho com força. E ouviu a porta abrindo-se atrás de si.
“Tudo bem por aqui?” a loira perguntou preocupada. Ela não aguentara ficar na sala esperando pelas duas.
“Tirando o fato de que minha irmã é a causa de todos os meus problemas, sim está tudo ótimo” disse sarcástica.
Emma segurou o braço de Regina com carinho, antes de voltar-se para a ruiva. “Como você sobreviveu?”
“Portal do tempo, blá-blá-blá, matei Marian e me tornei ela” disse irritada. “Quantas vezes vou ter que repetir isso?”
Emma arregalou os olhos e fitou Regina, que soltou um suspiro cansado.
“Então foi sua culpa Robin não se lembrar da Regina?”
“Exato” sorriu orgulhosa. “Eu sempre carrego comigo algumas coisinhas mágicas, isso foi o mais simples de tudo. O difícil foi ter que aguentar ele por todo esse tempo, não sei o que eu tinha na cabeça. Aliás, não sei o que você viu nesse ladrãozinho” jogou as mãos para o alto. “Robin é bastante chato, sabe!? O garotinho, tenho que admitir, até que é adorável, mas eu não faço o tipo maternal, você sabe” deu de ombros.
“Não me diga!?” Emma perguntou com sarcasmo.
“Ele já estava longe de você, então depois de aprender a me virar nessa cidade maluca eu dei uma poção do esquecimento para eles.”
“E o que você faz aqui?” Regina perguntou seca.
“Por acaso, eu vi vocês duas entrando em uma lanchonete no dia anterior. Reencontrar minha irmã caçula, a qual eu fiz tanto mal, em um lugar enorme como esse só podia ser um sinal. Destino. Eu quero me redimir” disse, levantando-se da cama.
“E por que eu acreditaria nisso?”
“Viver durante todo esse tempo com Robin não foi sofrimento o bastante? Eu já tive minha punição, querida irmã. Não acha que está na hora de esquecermos o passado?”
“Me diga a verdade, Zelena” disse incisiva.
“Okay” suspirou vencida. “Eu encontrei com Rumple algumas semanas atrás e ele comentou sobre uma pessoa do meu passado que eu gostaria de ver. Ela está em Storybrooke.”
“Quem?”
“Isso não é da sua conta.”
“E por que não voltou com ele pra cidade?” Regina perguntou desconfiada.
“E você acha que eu sabia dos planos dele? Rumple me enganou e me deixou pra trás” disse irritada. “Mas isso não importa mais, eu quero recomeçar.”
Regina sentiu a cabeça doer. Seus músculos estavam tensos e mordeu com força o interior da bochecha, tentando adquirir um pouco de autocontrole e não estrangular a irmã.
Emma notou a situação da outra e a puxou pelo braço, delicadamente, para fora do quarto.
“Acho melhor levar ela com a gente” disse num sussurro.
“O que?”
“Se quiser que Robin e Roland recuperem as memórias, nós vamos precisar dela” disse a contragosto. “Assim vocês podem ficar juntos” desviou o olhar.
“Emma...” ela segurou o queixo de Emma com carinho e observou seu rosto. “Você ainda não entendeu?” Emma a olhou confusa e Regina suspirou, pensando nas próximas palavras. “Eu não quero o Robin. Eu quero você” e beijou seus lábios de leve.
Emma sorriu.
“Mas você tem razão. Devemos leva-la conosco” disse se afastando. “Robin e Roland vão ser mais felizes aqui, do jeito que as coisas estão. E não é seguro deixar Zelena aqui com eles. Sabe Deus o que essa mulher é capaz de fazer.”
“Eu tenho um bracelete anti-magia na bagagem. Assim não tem perigo dela tentar algo quando chegarmos em Storybrooke.”
“Por que diabos você traria isso pra NY?” arqueou uma sobrancelha.
Emma deu de ombros. “Nunca se sabe” e deu mais um selinho em Regina antes de caminhar na direção do quarto onde havia deixado suas coisas.
“Emma” a morena chamou, fazendo-a se virar. “Você merece seus pontos de volta” disse e recebeu um olhar confuso da loira. “Da sua eficiência.”
O rosto de Emma iluminou-se e ela soltou um gritinho de felicidade, correndo até Regina e a puxando pela cintura, colando seus corpos. “Obrigada, meu amor” sussurrou contra seus lábios e recebeu uma risada gostosa da morena, antes de beijar seus lábios com paixão.
As duas sorriram contra o beijo e se afastaram, Emma indo novamente na direção do quarto.
“Agora eu entendi o porquê da sua indiferença em relação ao ladrão” Zelena disse, escorada contra a porta.
Regina estava tão absorta, ainda sentindo o calor do corpo de Emma contra o seu, que nem percebera a presença da irmã.
Ela fitou a ruiva, os olhos arregalados enquanto a mesma continuava a sorrir debochada. Regina ajeitou a roupa, levemente amassada e deu um passo na sua direção.
“Nem uma palavra sobre magia ou... sobre isso, para Lily” disse autoritária, apontando um dedo para a irmã.
“Quem é Lily?” franziu o cenho, sem se importar com a ‘ameaça’ de Regina.
“A morena que está na sala. É uma longa história” suspirou.
Logo Emma reaparecia no corredor com o tal bracelete em mãos e foi recebida com um sorriso malicioso de Zelena. A loira franziu o cenho e olhou confusa para Regina, que apenas balançou a cabeça e suspirou cansada.
“O que é isso?” perguntou, apontando para o bracelete que já era colocado em seu pulso, a pegando de surpresa.
“Isso vai impedir que você tente alguma coisa contra qualquer um, quando chegarmos em Storybrooke” Emma respondeu. “Agora vamos, que já perdemos muito tempo aqui.”
~*~*~
Emma dirigia tranquilamente pela estrada de acesso à Storybrooke. Elas já haviam saído de NY e estavam viajando, aproximadamente, por uma hora. Uma música suave ecoava pelo fusca, enquanto seus passageiros permaneciam em silêncio. Regina, ao lado de Emma, no banco da frente. Lily no banco de trás com Zelena ao seu lado. A ruiva permanecera o caminho todo encostada contra a janela do carro, entediada com a viagem e soltando suspiros que irritavam, cada vez mais, sua irmã caçula.
“Então...” Lily começou, receosa. “Vocês conhecem minha mãe?”
Emma se remexeu inconfortável atrás do volante e olhou de canto para Regina. Ela não poderia responder, afinal. Era a morena que conhecia Maleficent. A conhecia bem demais até.
“Nós somos velhas amigas” comentou apenas e fitou Lily pelo espelho retrovisor. A expressão do rosto da mulher mais jovem indicava curiosidade, e Regina aproveitou o curto momento de silêncio, que se seguiu, preparando-se para as próximas perguntas. Ela precisaria ser cautelosa sobre o que responder.
“Me conte sobre ela” Lily pediu e sorriu nervosamente para a morena. Não importava a idade, o anseio de ser amado e desejado, e de pertencer à algo está sempre presente.
“Ela é uma mulher extremamente interessante” comentou, um sorriso involuntário formando-se em seus lábios ao lembrar daqueles dias, anos atrás, que passara a voar nas costas de Maleficent – em sua forma de dragão –, tendo uma visão completamente diferente do mundo. E lembrando da sensação maravilhosa de liberdade que lhe causava, momentos únicos em que seu coração não era consumido pelo desejo de vingança.
Regina estava tão absorta em seus pensamentos que não reparou no olhar de soslaio que Emma lhe lançou. Em partes, a loira sentia aquela sensação corroendo seu peito ao ver a forma que Regina estava apenas por pensar em Maleficent. Mas ao mesmo tempo, ela via em seus olhos admiração e carinho, e ela sabia distinguir daquilo que ela via quando a morena lhe olhava. Era diferente e era tão intenso que a deixava de pernas bambas, mas também era tão cheio de adoração e amor, que aquecia seu coração e a fazia esquecer de todos os problemas do mundo.
E mesmo com tudo isso em mente, ela não conseguiu evitar a pontada de ciúmes que sentiu, e apertou as mãos firmemente contra o volante. Regina notou sua reação, e sentiu vontade de colocar sua mão sobre a dela, na intenção de acalmá-la e dizer o quanto a amava e que Maleficent era passado. Mas ela não podia. Não com Lily e Zelena no banco de trás, atentas à tudo. Então, apenas deixou que um discreto sorriso se formasse no canto de seus lábios.
A morena respirou fundo e notou que Lily permanecia inquieta no banco de trás. “Sua mãe te ama mais do que você pode imaginar” continuou, um sorriso singelo nos lábios. “E ela tem te procurado por tanto tempo... Você é o fin- Você é felicidade dela.”
Lily sorriu de forma carinhosa, seu coração se acalmando instantaneamente com as palavras de Regina. Era maravilhoso saber que havia alguém esperando por ela, alguém que a amasse sem ao menos conhece-la e que a amaria pra sempre, incondicionalmente.
O clima agradável foi cortado por um suspiro irritado de Zelena, que revirou os olhos com toda aquela melação. “Ainda falta muito?” e agora ela parecia uma daquelas crianças birrentas, que não aguentam mais o tédio de ficar dentro de um carro sem fazer nada por muito tempo.
“Se eu fosse você, não teria tanta pressa assim de chegar em Storybrooke” Regina retrucou. “Porque assim que chegarmos, sis, você vai direto pra prisão. De onde nunca deveria ter saído, aliás.”
“Hey, isso não fazia parte do acordo” contestou, indignada.
“Acordo? Não me lembro de nenhum acordo” disse sarcástica. “Você se lembra, Emma?” perguntou, fingindo esquecimento.
A loira balançou a cabeça em negativo e soltou uma risada contida.
“Droga, Regina. Como vou me redimir se vocês não me dão uma chance?” resmungou, cruzando os braços sobre o peito. “Você teve zilhões de segundas chances e eu não mereço nenhuma?”
“Nós conversaremos sobre segundas chances quando chegarmos em Storybrooke. Então trate de se comportar.”
Zelena bufou e voltou a se escorar contra a janela, observando a paisagem em silêncio.
Lily acompanhava a cena um tanto confusa, mas não ousou fazer nenhuma pergunta sobre o relacionamento conturbado das duas, ou o que poderia ter acontecido para haver tamanha hostilidade entre as duas irmãs. Repetindo o gesto da ruiva, virou-se para o outro lado e deixou-se levar pelos próprios pensamentos.
Regina notou a distração das duas e sorriu na direção de Emma, colocando a mão suavemente sobre sua coxa e apertando de leve. A loira, em resposta, mordeu o lábio inferior e devolveu o sorriso à Regina.
A morena sabia que era arriscado, mas desde aquela primeira noite das duas, o desejo por Emma havia aumentado ainda mais e era como se a todo momento ela precisasse tocar a loira. Ela desceu a mão suavemente por toda extensão da coxa de Emma e subiu novamente. A loira já sentia o calor e a umidade entre suas pernas. O toque da outra, junto com o ‘risco de ser pega’, lhe excitando cada vez mais.
Lily estava com os pensamentos perdidos em como sua mãe seria e em como seria o encontro das duas. Ela queria saber tanto sobre a mulher que nem ao menos sabia o nome. Regina não havia falado muito, parecia evitar de se aprofundar no assunto. E ela decidiu que merecia ao menos saber o nome da mãe antes de chegarem lá. A morena afastou-se da janela e a primeira coisa que seu olhar capturou foi a mão ousada de Regina na coxa da loira.
Ela arqueou uma sobrancelha e deu uma leve pigarreada.
Regina, rapidamente, tirou a mão da perna de Emma e colocou sobre as suas, seu rosto corando violentamente e o da loira também. Zelena apenas desviou o olhar da paisagem por um breve momento e sorrindo maliciosa, voltou a escorar-se contra a janela.
“Posso fazer uma pergunta?” Lily inquiriu, não dando atenção ao desconforto das duas, sua curiosidade sobre a mãe era mais importante no momento.
“C-claro” Regina respondeu, ainda desconcertada pelo fato de ter sido pega no flagra.
“Como minha mãe se chama?”
A morena franziu o cenho. Droga. Não podia falar que ela era a Maleficent. Não era como se Lily fosse saltar do fusca e fugir a pé pelo resto da estrada, ou alguma coisa do tipo. Mas era complicado tentar convencer alguém sobre a existência de magia e tudo isso. Regina decidiu que se ofereceria para estar junto com Mal quando contasse para Lily sobre tudo, talvez assim fosse mais fácil para a mulher mais jovem aceitar.
“Mal” respondeu enfim. “Ela se chama Mal.”
“Esse é o nome dela?” perguntou, estranhando.
“É o apelido. E é tudo que precisa saber no momento” comentou, cortando o assunto.
Zelena voltou a prestar atenção na conversa das duas, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, a voz curiosa de Lily lhe interrompeu.
“Posso fazer outra pergunta?”
“Por que não!?” a morena respondeu, soltando um suspiro cansado.
“Vocês duas estão juntas?” olhou entre Emma e Regina. A pergunta foi direta. Tão direta, que pegou as duas de surpresa, fazendo Emma se engasgar com a própria saliva e tossir algumas vezes, e o rosto de Regina ficar extremamente vermelho.
Zelena, que já havia descoberto sobre as duas, apenas riu e lançou um sorriso malicioso na direção de Lily, juntamente com um arquear de sobrancelhas.
A morena sorriu de canto. “Oh, acho que isso já me responde.”
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