Give Me Love

12 Capítulo 12 – Amar pode machucar


Notas iniciais
Esse capítulo é bem Dragon Queen, mas tem um momento SQ também, hahah. E ainda não vai ser revelado a pessoa do passado da Zel (mas alguém acertou '-'), em breve ;) Talvez eu tenha chorado escrevendo a última cena, mas só talvez u.u

O restante do percurso de volta à Storybrooke foi feito em silêncio. Emma e Regina estavam constrangidas demais com a descoberta de Lily sobre elas e evitaram falar ao máximo, apenas a música suave preenchendo o interior do veículo.

A morena mais jovem repetia o nome de Mal na sua cabeça, encantada demais com o reencontro com a mãe – que se aproximava cada vez mais de se tornar realidade.

E Zelena se mantinha em silêncio também, ela não reclamara mais sobre o tédio da viagem, e deixou-se perder em seus próprios pensamentos.

Agora, elas finalmente estavam dentro da cidade. Regina ligara para os Charmings avisando a sua chegada e combinaram de se encontrar na frente da loja de Gold. O fusca percorreu a rua principal de Storybrooke e estacionou no lugar marcado. Logo puderam ver os Charmings, Henry e o pirata se aproximarem.

Emma saiu do carro amarelo e correu para abraçar o filho, lhe dando um beijo na testa em seguida. Mary Margaret e David se aproximaram cautelosos da filha e para a surpresa dos dois, a loira os abraçou forte. Tinha que admitir que sentiu muita saudade dos pais, e a viagem serviu para pensar sobre tudo o que eles fizeram e que no final eles mereciam o perdão dela.

“Isso significa que...” Snow começou, após se afastar do abraço.

“Eu perdoo vocês” Emma disse e foi respondida com mais um abraço forte da mãe.

Hook se aproximou com seu sorriso safado no rosto e Emma se sentiu um tanto quanto desconfortável ao abraçar o pirata. Principalmente por se sentir mal por ter ficado com Regina sendo que, tecnicamente, namorava ele. Ela precisava resolver as coisas com ele o mais rápido possível.

Regina também já havia saído do carro e abraçava o filho. Quando se afastou, viu Maleficent dobrando a esquina, o caminhar cauteloso e uma expressão de insegurança no rosto. A morena sorriu carinhosa para a velha amiga e voltou a se aproximar do fusca, de onde Lily saía.

Maleficent prendeu a respiração ao ver a filha se aproximar e não pôde conter as lágrimas. Ela mal podia acreditar que finalmente estava conhecendo sua filha, seu bebê. Lily se aproximou cautelosa, sendo encorajada por Regina e parou-se de frente para Mal, a observando atenta.

“Mal... Essa é sua filha, Lily” Regina apresentou as duas e ela mesma já começava a se emocionar com a cena.

A loira se aproximou com calma, ela queria abraçar a filha mais do que tudo, mas tinha medo de assustá-la. Para sua surpresa, foi Lily quem tomou a iniciativa e envolveu seus braços ao redor da mãe. Elas eram estranhas uma para a outra, mas era como se aquele sentimento, aquele amor, falasse mais alto. Ambas choravam emocionadas com o encontro, e Mal conseguiu oferecer um breve sorriso na direção de Regina, que observava a cena, antes de se desfazer do abraço e olhar a filha com atenção.

“Você é tão linda” ela falou encantada.

Lily apenas sorriu, um pouco constrangida. Se Maleficent pudesse, ela ficaria olhando para a filha a vida inteira. Ela já era uma mulher crescida, e ela perdera tanto da sua vida. Mas não havia tempo para se lamentar, ela queria aproveitar o máximo possível a companhia da morena.

Regina não queria interromper o momento das duas, mas precisava avisar para Mal que Lily não sabia toda a verdade.

Ela se aproximou. “Eu vou roubar sua mãe por um segundo” disse olhando para Lily, que assentiu em silêncio. Regina puxou a loira para um canto da rua, mais afastada dos outros e deu uma breve olhada para Emma, que explicava aos pais o motivo de Zelena estar lá e instruía David a prendê-la. Mal estava tão absorta no encontro com a filha que não viu mais ninguém a não ser Lily. “Desculpe por isso, mas... Você precisa saber que Lily não faz a mínima ideia que existe magia e, que na verdade, somos personagem do que eles conhecem como Contos de Fadas” disse de vez, parando em frente à Mal.

“Como eu vou contar isso à ela?” perguntou um pouco insegura, com medo de assustar a filha sobre tudo o que ela foi e é, e Lily não querer mais saber dela.

“Eu posso te ajudar” Regina disse, prontamente.

“Mesmo?” os olhos azuis de Mal ainda brilhavam com as lágrimas anteriores e ela ofereceu um sorriso tímido para a antiga amiga.

Regina assentiu, sorrindo. “Claro. Vamos conversar com ela com calma e tudo vai se resolver” disse, segurando as mãos da loira nas suas.

~*~*~

Lily estava concentrada na comida em seu prato, sentada em uma das mesas da Granny’s Diner. Fazia tempo que ela não comia uma refeição como aquela. Maleficent observava a filha com um olhar bobo, ela tinha medo que se desviasse os olhos da mulher mais jovem, ela acordaria de um sonho e nada daquilo seria verdade. Lily notou o olhar da mãe sobre ela, e lhe sorriu brevemente.

Mal só desviou a atenção de Lily quando ouviu a campainha da porta da lanchonete anunciando a entrada de alguém. Ela observou Regina sorrir na sua direção e caminhar até as duas. Mal se moveu para o banco ao lado, dando espaço para a morena sentar-se. Ela tinha o livro de histórias – de Henry – em suas mãos e o colocou sobre a mesa, assim que sentou ao lado da loira.

“Olá, Lily” ela cumprimentou a mulher mais nova e recebeu um olhar confuso.

“Está tudo bem?” parou de comer, e fitou as duas mulheres alternadamente.

Mal e Regina trocaram um olhar, antes da morena começar a falar. “Nós precisamos conversar... Tem coisas que você precisa saber.”

“Tipo quem é meu pai?” perguntou.

Mal se remexeu desconfortavelmente no banco. “Coisas mais importantes do que isso, Lily” disse com calma.

“Mais importante do que saber quem é meu pai?”

“No momento sim” Regina interviu. “Está vendo esse livro?” ela apontou para ele e Lily assentiu, confusa. “Aqui está a história de cada morador de Storybooke.”

“Emma disse que você é a prefeita, então... Tipo, você mantém um registro de cada pessoa? Isso não é meio doentio?” arqueou uma sobrancelha, olhando um tanto quanto reprovadora para a morena.

Regina revirou os olhos. Seria mais difícil do que ela imaginara.

Ela, então, abriu o livro e o virou para Lily. Estava naquela página clássica, Snow White e Charming compartilhando um beijo de amor verdadeiro. “Esses aqui são os pais de Emma.”

“Wow, você tem mesmo problemas” disse rindo, enquanto olhava a foto e lia o que estava escrito do lado. “Escreveu os moradores como se fossem personagens de Contos de Fadas” ela folheou mais algumas páginas até encontrar a imagem da Rainha Má invadindo o casamento dos Charmings. “E olha você aqui. A Rainha Má” apontou para a figura, não contendo o riso. “E você é quem?” perguntou por fim, olhando para a mãe.

“Maleficent” a loira respondeu um pouco receosa.

“Oh, por isso o apelido” concluiu.

“Lily, preste atenção” a morena chamou a atenção da mulher mais jovem. “Isso vai soar como loucura, mas é a verdade. Nós somos personagens de Contos de Fadas. Eu sou- fui a Rainha Má. Emma é filha dos Charmings. Aquela é a Granny, avó da Red” apontou para a senhora atrás do balcão e em seguida para a morena com mechas vermelhas, que lhe acenou animada. “E sua mãe é a Maleficent.”

“Okay, essa história já perdeu a graça” disse, assumindo um tom sério.

“Mas é a verdade, filha” Mal estendeu a mão para colocar sobre a de Lily, mas ela tirara a sua rapidamente.

“Observe” Regina estendeu a mão e chamas crepitaram sobre sua palma.

Lily arregalou os olhos. “Como você faz isso e não se queima?”

“Isso é magia” disse, as chamas sumiram novamente. Regina fechou e abriu a mão, a estendendo na direção de Lily. “Vê? Nenhuma queimadura... Mas não queira ser alvo de uma de minhas bolas de fogo. Elas podem não me queimar, mas fazem um bom estrago onde são lançadas” completou com um sorriso de canto.

A jovem massageou as têmporas, apoiando os cotovelos sobre a mesa e fechando os olhos. Ela respirou fundo e abriu os olhos, encarando diretamente Maleficent. “E o que é isso?” puxou o colar que tinha em seu pescoço com um pingente avermelhado pendurado, que parecia um pedaço quebrado de algo.

Mal sorriu instantaneamente ao ver aquilo. “É um pedaço do seu ovo” falou emocionada, sem se lembrar que não havia contado sobre suas origens.

“Ovo? Que ovo?” ela arregalou os olhos novamente, alternando o olhar entre Mal e Regina.

“O ovo que você nasceu, Lily” a loira disse com naturalidade. Regina engoliu em seco, percebendo o desastre que aquela conversa seria, e colocou sua mão sobre a de Mal, a impedindo de continuar a falar.

A expressão de Lily foi um misto de espanto com confusão. “Isso é impossível” esbravejou, irritada com aquela conversa. Ela mal havia conhecido sua mãe e já vinham com histórias doidas sobre Contos de Fadas e magia e ovos.

“Lily” a morena chamou sua atenção, tentando manter a voz calma. “Você assistiu os filmes sobre... nós... certo?”

“Os filmes da Disney você quer dizer? Claro. Que criança nunca assistiu!?” comentou irônica.

Regina usou todo seu controle para não revirar os olhos. “E você lembra da Maleficent do filme? Os poderes que ela tinha?”

A morena se lembrava perfeitamente de cada personagem retratado nos filmes. Durante as semanas que passaram procurando pelo Autor, ela, Emma e Henry passavam os finais de tarde assistindo filmes, e entre eles não podiam faltar os dos Contos de Fadas. Algumas coisas se encaixavam – como o que ela estava prestes a contar sobre Mal –, mas outras eram ridículas. Por exemplo a forma como lhe retrataram. A morena achou aquilo uma afronta à sua imagem.

“Eu assisti quando era criança” deu de ombros. “Quer que eu lembre de todos os detalhes? Isso já faz mais de 20 anos.”

“No filme... Maleficent pode assumir a forma de dragão” disse cautelosa.

Lily respirou fundo. “Você quer dizer que... você é um dragão?” olhou descrente para a mãe, que assentiu. “Oh meu Deus! Eu nasci de um maldito ovo de dragão?” perguntou atônita, levantando-se imediatamente da mesa.

Regina levantou-se também, e em seguida Maleficent, que tentou se aproximar da filha, mas Lily deu um passo para trás, acuada.

“Não encoste em mim” disse erguendo as mãos em sinal de defesa.

“Mas... eu sou sua mãe” a loira disse, lágrimas se formando em seus olhos pela rejeição da morena.

“Você é louca. Vocês duas” apontou para Mal e em seguida pra Regina, um pouco mais atrás dela. “Eu não acredito em nada disso que vocês falaram. Eu vou dar o fora dessa cidade ridícula” praticamente gritou, dando as costas para as duas mulheres e saindo da lanchonete.

Mal deu um passo à frente para seguir a filha, mas foi impedida pela mão de Regina em seu pulso.

“Dê um tempo à ela” disse com a voz suave.

“Mas ela disse que ia sair da cidade” a loira tentava controlar as lágrimas, mas sua voz vacilava. “Eu não posso perder ela de novo” disse manhosa.

“Você não vai” Regina disse convicta, puxando a amiga para um abraço, que Mal prontamente aceitou. “Eu prometo” completou, afagando o cabelo da loira.

~*~*~

“Eu vou tentar conversar com ela” Regina disse, sentada de frente para Mal, ainda na Granny’s. A loira estava com os olhos levemente avermelhados e o olhar distante.

“Ela me odeia.”

“Isso não é verdade” Regina estendeu o braço sobre a mesa e pegou a mão de Mal. “Ela só está confusa, foi muita informação de uma só vez. Vai dar tudo certo” lhe sorriu carinhosa.

Maleficent devolveu o sorriso, um agradecimento silencioso por tudo o que Regina estava fazendo por ela.

Um estrondo do lado de fora da lanchonete tirou a atenção das duas. Regina levantou-se rapidamente a tempo de ver Emma entrar exacerbada na Granny’s.

“Regina, sua amiguinha tá atacando a cidade-” interrompeu a frase ao ver Maleficent lhe encarando com uma sobrancelha arqueada. “Desculpe” sussurrou envergonhada por ir logo culpando a loira. “Mas se não é ela, quem é o dragão que tá cuspindo fogo por tudo que é lado lá fora?”

“Lily” Mal levantou-se em um pulo da mesa e correu até o lado de fora da lanchonete. Regina e Emma trocaram um olhar e seguiram a loira.

Na rua central, um dragão – muito parecido com Mal – balançava o longo pescoço de um lado para o outro, cuspindo fogo para o alto. O animal parecia totalmente descontrolado. Os moradores da pequena cidade corriam assustados, procurando um lugar para se esconder.

Maleficent sentiu seus olhos se encherem de lágrimas novamente. “Minha garota” sorriu orgulhosa, olhando para o dragão. “Ela se parece comigo” completou em um sussurro, seus olhos brilhando.

“Isso não é hora de sentir orgulho da filha” Emma lhe olhou indignada.

Mal ignorou o comentário da loira e começou a se aproximar do dragão.

“Mal! Cuidado” Regina tentou alertar, temendo pela segurança da amiga. Mesmo sendo Lily, ela estava claramente descontrolada e podia machuca-la.

“Ela é minha filha” gritou, sem olhar pra trás, se aproximando cada vez mais de Lily. O dragão parou os movimentos por um breve momento e lançou um olhar confuso para a loira. Voltou a erguer-se nas patas traseiras em uma posição ameaçadora.

Regina correu na direção de Mal, na intenção de tentar proteger a amiga, mas mal havia a alcançado e já era arremessada pela cauda do dragão contra a parede de um prédio. Regina bateu com as costas contra o concreto com força e caiu no chão.

“Regina!” Emma e Mal gritaram ao mesmo tempo, correndo na direção da morena. As duas se agacharam ao lado de Regina.

Mal ergueu a mão para olhar se havia algum ferimento da cabeça da prefeita, mas Emma empurrou seu braço. “Não toque nela” disse em tom de ameaça.

“Ela é minha amiga” semicerrou os olhos.

“Sua filha descontrolada acabou de machuca-la” retorquiu, nervosa.

“Vocês vão ficar discutindo ou me ajudar?” Regina se pronunciou, um pouco tonta pela batida.

As duas loiras pararam de se encarar e cada uma pegou de um lado de Regina, ajudando-a a se levantar.

“Vai ajudar sua filha, Mal” Regina disse, apontando para o dragão que dava alguns passos para trás antes de levantar voo e sobrevoar a cidade, na direção da floresta.

A loira apenas assentiu e se afastou das duas, deixando que uma fumaça preta lhe envolvesse e ela assumisse a forma de dragão, seguindo a filha.

“Isso não é hora para sentir ciúmes, Swan” a morena comentou em um tom brincalhão.

“Eu sei, desculpa” disse baixinho, desviando o olhar envergonhada. “Você está bem?” perguntou preocupada. “Se machucou?”

“Nada que um pouco de magia não resolva” deu de ombros e levou a mão até a parte de trás da cabeça.

Emma segurou sua mão carinhosamente, a impedindo de continuar. “Me permita, majestade” disse com um sorriso de canto nos lábios. Regina abaixou a mão e lhe sorriu. A loira notou que havia um machucado na cabeça da morena, e usando sua magia o curou rapidamente.

“Obrigada” disse, segurando as mãos da loira. “Eu queria poder beijar você agora” sussurrou. “Mas alguém poderia ver.”

“Logo isso não vai mais ser um problema” Emma lhe sorriu carinhosa.

“O que você quer dizer com isso?” arqueou uma sobrancelha na sua direção, curiosa.

“Vou resolver isso agora mesmo.”

~*~*~

A última coisa que Regina queria fazer era organizar os papéis da prefeitura. Ainda mais depois do estresse que foi lidar com uma Lily-Dragão fora de controle. Mas Emma estava conversando com Hook. Sim, o Capitão Delineador. A princípio, Regina se negou a deixar Emma fazer isso e tentou fazer a loira mudar de ideia, não queria deixar ela sozinha com aquele pirata. Porém, Emma tinha razão quando disse que precisava terminar com ele antes delas começarem algo. Não era certo o que haviam feito e Regina sabia que a loira se sentia culpada por isso. Então ela deixou que Emma se resolvesse com Hook, apesar do ciúmes estar queimando seu peito.

O que acalmava seu coração era que a loira prometera que a noite seria só delas. E agora, Regina sorria com o pensamento. Era tão bom estar na presença de Emma, ela a fazia sentir-se tão leve, tão viva e tão feliz. E era tudo isso combinado com algo mais, que não sabia descrever. Mas ela estava amando aquela sensação.

Uma batida de leve na porta tirou a morena dos seus pensamentos e logo pôde ver Mal entrando, cautelosa, no seu escritório. No momento em que seus olhos se encontraram, a loira lhe sorriu docemente.

“Mal” ela sorriu detrás da mesa. “Conseguiu se acertar com a Lily?”

A loira assentiu. “Ela acredita e... Está disposta a recomeçar, comigo” sorriu feliz com as lembranças da conversa que teve com a filha. “E eu vou ajudar a treinar ela, para ser um dragão.”

“E o que você está fazendo aqui?” perguntou de forma suave, não era uma repreensão, apenas curiosidade. “Achei que estaria com ela.”

Regina observou a amiga aproximar-se e ela estava com um brilho diferente. Claro, ela havia reencontrado a filha. A morena estava feliz por ela. Muito feliz.

Mal contornou a mesa e escorou-se contra ela, as mãos apoiadas na madeira enquanto ela fitava Regina, com aquele mesmo sorriso nos lábios.

“Você está bem?” perguntou, ignorando brevemente a pergunta da morena. Ela estava preocupada.

Regina assentiu. “Emma me ajudou” disse com um sorriso nos lábios.

“Ah, a Salvadora... Claro” falou baixinho, a expressão tornando-se mais séria. “Bem... Eu vim agradecer...” pareceu pensar nas palavras, um pouco insegura. “Por tudo o que você fez por mim, e por Lily...Mesmo que tenha sido um acordo para salvar a Emma, eu-”

“Sim” a interrompeu e recebeu um olhar confuso da outra. “Eu usei isso para salvar a Emma. Mas eu faria de qualquer maneira, Mal. Apesar de todos nossos desentendimentos, ou sei lá do que chamar isso, eu me importo com você e quero sua felicidade.”

Regina se inclina pra frente e coloca sua mão sobre a de Mal, em um gesto de carinho. Ao ouvir aquelas palavras e sentir o toque, a loira lhe sorriu. E aquele era um sorriso totalmente diferente de todos que Regina havia visto desenhar-se em seus lábios. Era um sorriso, realmente, radiante e com tanto carinho e admiração e-

Amor?

“Obrigada” sussurrou e sentiu suas bochechas ficarem levemente vermelhas.

Regina não pode evitar de arquear uma sobrancelha, aquela era uma cena que ela nunca esperou presenciar. Maleficent com vergonha.

O sorriso da loira se desfez aos poucos, mas seus olhos continuavam com aquele brilho doce. Regina observou-a inclinar-se na sua direção, segurando seu rosto com uma mão, carinhosamente e fechando os olhos. A prefeita arregalou os olhos em espanto e realização. E momentos antes de seus lábios se tocarem, ela levantou abruptamente, fazendo com que Mal se afastasse, endireitando-se e a olhando em confusão.

“O que- o que você está fazendo?” sua voz falhou e ela não queria que a frase saísse rude. Percebeu o efeito de suas palavras apenas quando viu as sobrancelhas da loira se estreitarem e seu rosto assumir uma expressão de dor. Mágoa. “Quer dizer... Mal, eu-”

“O meu final feliz” ela começou, cortando Regina, mas sua voz era suave. “É com Lily, com minha filha” ela sorriu ao lembrar do reencontro com a mulher. “Mas... eu quero dividir ele com você. Regina, você faz parte da minha felicidade” deu um passo à frente e segurou seu rosto com as duas mãos, passando os polegares por sua pele macia, com carinho. “Os momentos que passamos juntas... Eu posso ter dito ser apenas sexo. Mas não era apenas isso, Regina... Era amor” disse a última palavra em um sussurro, como se temesse seu efeito.

A morena piscou algumas vezes, surpresa com a declaração. Ela estava sem palavras. Não sabia como reagir, o que fazer ou o que falar. Dessa vez a loira não inclinou-se para beijá-la, ela esperava uma resposta de Regina. Uma reação. Qualquer coisa.

Regina segurou os pulsos dela, suavemente. “Não faça isso, Mal” sussurrou, afastando as mãos da loira do seu rosto, tentando ser o mais delicada possível.

“Por que não?” ela lhe olhou confusa. Aquele olhar triste novamente, e Regina não sabia se poderia aguentar vê-la daquela forma.

Meu Deus! A mulher realmente a amava?

“Porque...” hesitou. Ela não queria quebrar o coração da amiga, mas precisava falar. Precisava ser honesta. Só assim ela poderia seguir em frente. “Porque eu estou com a Emma agora” disse em um sussurro e desviando o olhar.

Era covardia – Regina sabia –, mas ela não suportaria ver mais dor estampada no rosto da loira.

Quando não obteve nenhuma resposta de Mal, Regina se esforçou para fita-la novamente. O silêncio era tanto, que ela só tinha certeza que a mulher não havia ido embora pois conseguia ouvir sua respiração e, se prestasse atenção, até mesmo as batidas do seu coração poderiam ser ouvidas.

“Eu desconfiei” finalmente ouviu a voz rouca de Mal e obrigou-se a fita-la. Agora era Regina que estava confusa, e surpresa também. “Só não quis acreditar. Tentei convencer à mim mesma que era tudo coisa da minha cabeça” sorriu fraco, tentando mascarar a dor.

“C-como?” foi tudo que conseguiu pronunciar.

“O seu desespero silencioso quando descobriu que a vida de Emma estava em risco, a forma como incluiu ela no seu conceito de família e a forma como vocês se olhavam. Eu sabia que não tinha acontecido nada, mas que cedo ou tarde aconteceria” respirou fundo e piscou algumas vezes para afastar as lágrimas. “Espero que vocês sejam felizes” completou, forçando seu melhor sorriso e tentando parecer indiferente, erguendo levemente os ombros.

“Sinto muito.”

Regina não sabia o que dizer. Na verdade, não havia mais nada a se dizer.

“Não sinta” ela sacudiu a cabeça. “Eu vou superar” sorriu novamente, dessa vez mais sincero. Mal queria que Regina fosse feliz, mesmo que não fosse ao lado dela, mesmo que não fosse ela quem a faria feliz. Era difícil, mas ela aceitaria com o tempo.

E não deu tempo de Regina falar mais nada, não suportaria mais olhar naqueles olhos castanhos sabendo que não a teria mais, que não desfrutaria mais dos seus beijos, nem dos seus toques, nem do seu carinho. Ela contornou a mesa e caminhou na direção da saída, a postura altiva e confiante de volta. Mas aquilo era uma mentira, uma proteção. Não deixaria Regina ver sua fraqueza novamente. Porque por dentro ela estava desabando, seu peito doía e os olhos ardiam, brilhando com as lágrimas que insistiam em cair, mas que ela segurou.

Segurou até alcançar a porta do escritório da prefeita. E quando a porta fechou-se atrás de si, permitiu que apenas uma, não mais que uma, lágrima escorresse pela sua bochecha, queimando sua pele pelo percurso, até alcançar o canto da sua boca.

Regina observou a amiga deixar seu escritório em silêncio. Ela sentiu seu próprio coração apertar-se com a visível dor que causara na mulher. A única coisa que a confortava era saber que ela e Lily estavam se acertando. Regina reprimiu a necessidade que sentiu de correr atrás da velha amiga e abraça-la, dizendo que tudo ficaria bem, que a amizade delas se manteria. Mas ela não o fez, apenas continuou sentada, enquanto Maleficent partia.

Notas finais
Sou só eu que estou depressiva com o término Dragon Queen? *river of tears* Mas isso não é um adeus e muito menos o fim. Isso não significa que não teremos mais cenas DQ, porque a essência da fic está no balanceamento dos dois ships, mesmo que um deles não tenha mais envolvimento amoroso, hahah. O que acharam do capítulo meus amores? Deixem a opinião na caixinha aqui em baixo ;)