Get Close

1 And close ain't close enough


Notas iniciais
Para o Wellington Belmont, obrigada por ser o pilar inicial para essa estória ocorrer.

Devia ser a terceira vez que ela atualizava todas as redes sociais, todavia, não se fixava em nenhum dos tweets, fotos ou postagens por mais de um minuto. Estava em busca de qualquer distração, desde que não levasse a interações com qualquer dos indivíduos sentados em seu entorno. Achava os outros alunos do instituto um tanto quanto irritantes, quando não os achava ineptos ou desinteressantes.

Tirando pelo fator mutante, nada tornava aquele bando de adolescentes menos problemáticos, imprudentes e cheio de dramas desnecessários. Ela tentava não ser afetada pelas risadas e o falatório cada vez mais alto, de qualquer forma, a opinião deles era irrelevante. Estava impaciente com a demora e a espera por sua vez. Olhou para os tutores espalhados pela sala, mas todos pareciam entretidos avaliando o treinamento de simulação de combate, passando observações para seus pupilos sobre os erros e acertos de abordagem do garoto com poderes de variação de densidade.

Suspirou entediada, deslizando disfarçadamente da poltrona para a porta de saída. Talvez conseguisse esgueirar-se de volta para seu quarto, ou talvez se perder por alguma parte desconhecida da mansão. Espiou cautelosamente por cima do ombro, nenhuma alma parecia perceber sua movimentação sorrateira. O último passo para a liberdade silenciosa do corredor nunca foi finalizado. Havia sido propelida com firmeza de volta pro mesmo assento do qual havia levantado segundos antes, por um vulto alto de tons pratas azuladas, que fez a sala se tornar mais acalorada. Mas o motivo, com certeza, não era ela.

Ele estava parado de lado, encostado na intocada vidraça que separava o nível superior, onde a sala de espera e observação ficava suspensa, protegida da “Sala de Perigo”. O sorriso zombeteiro nunca abandonavam seus lábios, assim como os murmúrios que preencheram a sala após sua entrada nada sutil. Ela revirou os olhos para toda aquela cena, já tinha esgotado sua cota para aturar as teorias, estorinhas retardadas, mentiras e lisonjaria relacionados ao velocista platinado. Entretanto, essa era a primeira vez que ele realmente encarava a jovem Phimister, como se somente houvesse notado uma mobília de extravagante peculiaridade que sempre esteve ali, todavia, nunca havia reparado. A sensação repentina de déjà-vu vu formigou na mente dela.

As condições da chegada de Pietro no Instituto Xavier para Estudos Avançados ainda eram misteriosas, enevoadas até mesmo para o ex-vingador, porém havia se passado meses desde que acordará no centro médico do edifício, desnorteado e sem lembranças relevantes além de seu nome, idade e que nascera e crescera em Sokovia. O Maximoff se adaptara bem as condições, gostava do ambiente juvenil, das missões frequentes e da casa que era forçada a receber mudanças a cada poucos anos.

Contudo, olhando para aquela garota destoante, de cabelos raspados, piercings e batom preto, uma fascinação preencheu sua cabeça, seria desconcertante continuar analisando ela tão descaradamente se não fosse pela intervenção de Colossus.

—Ei, Mércurio! Sua vez de tentar treinar os novatos, poderia ir contra a Míssil? — O gigante de aço gesticulou com a cabeça na direção da garota enquanto se retirava para buscar o educando desmaiado na área de simulação.

Ela levantou uma das sobrancelhas, mal acreditando na audácia dos dois. Pietro deu de ombros, esperando o momento certo para se mover, ela se impulsionou para se atirar da poltrona e ele mal pensou ao agarrar ela e correr. O corpo dela era pequeno e compacto sob seus braços, um peso cômodo, balanceado e confortável, o tecido do uniforme impedia o contato com a pele dela, mas, ainda assim, ele distingui-a o calor emanado dela. Ele a havia pego ela de surpresa, e com mais abalo veio o chão de volta sob seus pés, a musicalidade da gargalhada rouca dele e os olhos azuis penetrantes, que agora estava separado por uma distância de mais ou menos 10 passadas de Ellie. Ela pegou fôlego e aproveitou o momento de distração dele para correr e acertá-lo com toda a força potencializada por seu poder.

—Desculpa, mas não viu isso chegando? — Ela sussurrou mais pra ela do que pra ele, sorrindo de canto, arremessando o ligeiro Maximoff para o outro lado do campo de batalha.

Por mais forte que tenha sido o primeiro golpe de Míssil, Mércurio não seria pego desprevenido de novo, o que tornou o confronto deles em um território de destruição em massa, uma dança em que nenhum dos dois realmente tirava vantagem, se aproximando e se repelindo. Era perceptível que, depois de um certo tempo, os dois já estavam desgastados, sujos e com pequenos e médios ferimentos pelo corpo, entretanto, nenhum dois dos desistiria.

Phimister caminhava cuidadosamente pelos destroços, sabia que ele estava de tocaia em algum lugar, por isso examinava tudo com atenção total de seus sentidos. Nada a preparou para a reação em cadeia, ela o localizou e a explosão do seu corpo aumentava a cada batida de seu coração, ele era um vulto circundando e cercando a explosão, e em segundos, era difícil respirar. A última coisa que viu foi o estouro contido próximo demais dela, ela percebeu tarde demais o que ele havia feito, o gás carbônico havia-a feito desmaiar antes mesmo do seu corpo ser atirado pela pressão da detonação.

Pietro pegou o corpo de Ellie antes que a mesma acertasse a parede de uma casa semidestruída. Ele sabia que aquilo tudo era uma simulação, entretanto os estragos eram reais demais pro bom gosto dele. Ele só queria sair o mais rápido que suas pernas ainda aguentassem, pra bem longe dali, com o corpo da garota aninhado contra seu tronco.

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Sua consciência voltou como num flash. O quarto do centro médico estava escuro, percebeu com as pálpebras ainda fechadas, reconhecendo os sons dos equipamentos médicos e passos distantes. Sentia a presença muito próxima de alguém, a respiração do outrem fazia cócegas em sua bochecha, uma das mãos dele estava fechada entorno da sua. Abriu os olhos devagar para encontrar um Pietro serenamente adormecido muito próximo. Ela admirou sua fisionomia, mesmo que ele não fizesse o tipo costumeiro dela, ele realmente era um cara atraente. Tentou relembrar quando fora a última vez que esteve tão perto de outro ser humano, estava distraidamente brincando com as mechas macias do cabelo dele, os dedos acariciam perto demais do rosto dele, quando percebeu que ele observava ela. Ela tentou abrir a boca pra dizer algo, porém foram substituídas pelos lábios do homem na sua frente. O beijo começou devagar, exploratório, e se intensificou em algo essencial, como se uma necessidade um pelo outro tivesse sido descoberta e precisava ser saciada.

Se separaram arfantes, somente por seus pulmões estarem suplicantes por ar. O silêncio caiu meio constrangedor entre os dois.

—Desculpa, eu queria poder deixar você sem fôlego o tempo todo – Ele não esperava fazê-la rir, mostrando lindas covinhas, e deixando ele ainda mais encantado.

—Seu idiota! — Ela puxou ele pela camisa para mais um beijo.