Get Close

2 With just one breath, I'm locked in


Notas iniciais
Depois de muita demora, muitas horas quebrando a cabeça, muita pesquisa, aqui está o novo capítulo. Aproveitem.

Mais ou menos 1 ano antes

Não percebera quando ou como havia voltado a ter alguma consciência, todavia, se sentia entorpecido e confuso, como daquela vez em que bebeu muito e inalou fumaça de maconha numa festa na adolescência. Essa memória lhe trazia uma vontade involuntária de sorrir. A luminosidade atravessava suas pálpebras, pontos coloridos dançavam disformes até ter se acostumado com a claridade cegante. Estava cansado demais para tentar abrir os olhos, as sentia pesadas, então tratou de prestar atenção nos ruídos em seu entorno, tentar descobrir onde estava.

Algo estava errado. Simplesmente não havia nada além de sua respiração. Sem barulho de pessoas, máquinas, animais, não conseguia ouvir nem o som do vento. Levantou o tronco num espasmos de terror, meramente para dar com a cabeça numa superfície resistente e lisa. O choque, a adrenalina, fizeram seu corpo sair da inercia. Fixando o olhar percebeu que estava num tipo de cápsula de metal. Observou bem a estrutura após verificar que estava tudo consigo mesmo, não lembrava como havia parado ali, mas ainda lembrava de partes de quem era e do seu passado.

Juntou o melhor dos impulsos que poderia dar e chutou a parte mais inferior da cápsula, fazendo a estrutura toda cair, e com o impacto, rompendo Pietro para liberdade. Estava numa sala octogonal com vidro em todos seus lados, do lado de fora haviam diversas poltronas ajeitadas para permitir a visualização do que acontecia na sala de vidro. Mais parecia uma sala de dissecação do que um hospital, por mais clara e limpa fosse. Uma vertigem misturada de aversão o fez correr, mal notando que somente vestia uma camisola hospitalar.

Quando finalmente achou as escadarias, pulando diversos degraus, um alarme foi acionado. Em uma ocasião diferente, teria se divertido em derrubando das formas mais inusitadas possíveis os guardas misteriosos que pareciam brotar do chão, mas o perigo pulsava em suas veias. Sem pensar muito pulou os andares de corrimão em corrimão, as coisas começavam a se movimentar lentamente em seu entorno. Quando chegou no nível térreo, empurrou a porta corta incêndio em direção a uma recepção banhada pela luz do luar que entrava pelas portas e janelas de vidro. Correu na direção da liberdade, mal acreditando na facilidade.

Percorreu por ruas e avenidas, tudo passando como um borrão frenético por ele, foi percebendo quando o perímetro urbano se tornou mais escasso, dando lugar para uma vasta vegetação de árvores enormes. Sabia que estava andando a esmo, contudo, quase foi acertado por uma rajada de tiros vindo do meio da flora. Se perguntou como eles o haviam o achado tão rápido e o que queriam. Movendo cada vez mais para longe da estrada de terra que o levou até ali, se viu de frente a um muro alto, encurralado. Escalar o muro havia sido a parte fácil, embora pular para o outro lado precisaria de um pouco mais de habilidade. Se jogou para frente e agarrou um dos galhos de uma árvore próxima, foi descendo de galho em galho até pousar em segurança em solo firme.

Estava esgotado, seu corpo debilitado cobrava o custo de tanta ação para uma única madrugada. A respiração ainda martelava em seus ouvidos enquanto avistava a construção, era uma enorme mansão em estilo inglês. A vista perdeu o foco e a escurida lhe engoliu de volta, o envolvendo em nebuloso sono.

O barulho não muito longe atraiu a atenção da jovem Phimister, sempre deviam ficar preparados para uma luta ou a destruição da mansão, e os barulhos de disparos eram muito característico como o alarme de invasor que todos conheciam. Permaneceu encarando o lado de fora, vendo as árvores dançando com o vento de verão. Nem acreditou seus olhos quando viu um homem seminu banhado pela luz da lua entrar na claraboia não muito longe do dormitório feminino e cair desmaiado de encontro com o solo. Puxou os fones de ouvido ainda perplexa.

Ouvia a agitação do lado de fora do seu quarto, garotas falavam alto e andavam apressadas, mas permaneceu congelada no mesmo local. Em pouco tempo dois professores apareceram e escoraram o corpo do desconhecido e o levaram em direção ao centro médico. Ela não conseguia ver, mas conseguiu escutar claro e alto a frase que tornaria tudo sobre aquele misterioso invasor ainda mais enigmático.

— ...Não era esperada a chegada dele tão prematuramente, é um regozijo inesperado. Podem se recolher para seus aposentos, meus prezados. — A voz do Professor Xavier tenha um tom afetado. Ellie sabia que algo ruim estava pra acontecer, e temeu pelo futuro.

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Tempo Atual – Alguns dias após o 1º Capítulo

O que estava fazendo era arriscado, poderia expor a si mesmo e colocar Ellie em sérios problemas, todavia, quando se deu conta, já era tarde demais para arrependimentos. Não conseguia dormir direito desde que beijara ela na semana anterior, o que havia exigido mais esforço e concentração em todas as tarefas que o mantiveram ocupado na mansão por quase toda a semana, e agora, o impulsionava a sorrateiramente invadir o quarto dela de madrugada.

— O que você tá fazendo aqui? — Ela parecia sonolenta, com a voz rouca e o rosto um pouco inchado, entretanto o recebia com um brilho abrasador que acendia seus olhos castanhos. — Nem vou perguntar como destrancou a porta com esses seus… dedos – A pausa dramática pesou conforme ela olhava para as mãos dele paradas muito próximas da virilha e do volume ali convizinho.

Arrebatado seria o termo correto para o estado de espírito atual do sokoviano. Pietro estava num embate mental crucial, queria beijá-la e tê-la em seus braços ali de forma violenta e feroz, porém não poderia se deitar com ela, temia que qualquer movimento brusco deturbaria a garota, que estragaria toda a essência da noite compartilhada. Se permitiu a observar os contornos dela ainda sentada debaixo dos cobertores, espreguiçando e vindo para abraçá-lo nas pontas dos pés.

— Não é óbvio? Agora eu estou livre e preso aqui dentro com você – Sussurrou na orelha dela, o sotaque saindo ainda mais forte por toda a tensão. Inalou o inebriante cheiro dela, algo como cravo e canela, acariciando a pele do pescoço com os lábios, exalou todo o ar dos pulmões conforme depositava um beijo na curva do pescoço. Ela já havia entrelaçado os dedos no cabelo platinado dele, puxando de leve para olhar nos olhos dele.

— Deixa eu te dizer o que tenho em mente – Essa não foi a última vez em que Ellie ronronou pressionada contra o corpo dele naquela noite.

Notas finais
Obrigados a todos que leram até aqui.