Por Herval:

Quando saí dali, deixando a Pamela sozinha novamente, senti um vazio... Eu queria permanecer ao seu lado integralmente naquele momento. Saber e ver com os meus próprios olhos o quanto ela estava debilitada, foi um choque, uma pancada no peito, mas eu procurei pensar que ao menos ela estava viva! E que mesmo se demorasse, eu estaria ali todos os dias, esperando ela abrir os olhos e dar aquele seu magnífico sorriso.

Eu agradeci ao Ernesto por ter ficado lá, enquanto eu ia descansar, disse que agora ele já poderia ir para casa, mas ele fez questão de continuar lá. Quer saber? Numa situação daquelas, que se danasse as nossas diferenças! Quando a Pam estivesse bem, recuperada e tudo o mais, faria questão de lhe agradecer por tudo o que fizera e eu não poderia ter uma daquelas crises.

Passamos um tempo sentados, os dois em silêncio. Ele mexendo do celular e eu olhando para todos os lados, agoniado por fazer algo ou receber alguma notícia. A certa altura, quando já era tarde da noite, ele foi embora e eu estava disposto a passar a noite, mas a Megan chegou e me disse que o Quim queria ficar comigo e que só dormiria se eu estivesse ao seu lado.

E lá vai eu, voltar para casa... Quando lá cheguei, ele estava na sala, deitado no sofá, lutando contra o próprio sono, para me esperar.

–Joaquim...? – O chamei, me sentado ao seu lado. Ele abriu os doces olhos e sorriu.

–Papai, você veio...

–Claro, meu filho... A Pam tá melhorando e você também precisa de mim, né! Vamos pro quarto. – Ia leva-lo para seu quarto, mas tive uma melhor ideia. – Espera, que tal se você fosse dormir comigo, lá no quarto da mamãe e do papai?

–Really? Eu posso? – Se animou.

–Pode, Quim! Claro que pode... Vamos? – Ele sorriu e respondeu que sim, com a cabeça. Peguei-o no colo e fomos para o quarto. – Espera só um pouquinho tá... Vou tomar um banho rápido e já, já tô aqui com você. – Entrei no banheiro, tirei a roupa e liguei o chuveiro. Um banho sempre faz a gente relaxar e pôr as ideias em ordem, isso era algo que eu estava precisando... Quando saí do banheiro, já com uma calça de moletom e uma camiseta, o Quim já dormia profundamente do lado da Pam na cama.

Me deitei ao seu lado, desliguei o abajur e ajeitando o seu cobertor, fiquei ali vendo-o dormir como um anjo e mesmo que eu olhasse para ele e não encontrasse traços meus, ele era o melhor filho que eu poderia sonhar em ter. Minutos depois, adormeci.

No dia seguinte, me levantei cedo, disposto e ia fazer uma visita a Pamela. Tomei café da manhã na maior brincadeira com o Quim, eu tinha que distraí-lo, ocupa-lo. Mas chegou a hora de eu ir, Joaquim quis me acompanhar, implorou, fez aquela birra de criança...

–Quim, sua mãe, ela tá dormindo, e quando alguém tá dormindo, lá no hospital eles não deixam ninguém entrar pra falar com ela... Olha, eu te prometo que quando a Pam acordar, eu te levo lá, tá bom assim? – Ele não ficou a 100% conformado, mas aceitou.

–Então, já que eu não posso ir, você leva uma coisa pla ela?

–Levar o que? – Ele fez sinal para que eu esperasse e saiu porta a fora. Em seguida voltou com uma flor que por mais ordinária, comum que fosse, era especial, porque era para a Pam...

–Isso, pla ela ficar feliz quando acordar... – Disse, me entregando a flor que, com certeza arrancara do jardim de casa, com o maior cuidado.

–Ela vai adorar, Quim, pode ter certeza... – Falei comovido e passando a mão em seu cabelo, enquanto ele sorria.

Peguei o carro, pus a flor no bolso da camisa, esperando que ela não caísse e dirigia até o hospital com uma força estranha, com uma esperança de não sei o que. Quando cheguei lá, desci do carro e assim que pedi pra ir vê-la, fui surpreendido com uma notícia que me fez abrir um sorriso de canto a canto.

–O-O que? A Pamela ela... Ela...

–Sim, Sr. Herval! Durante a noite eu precisei ficar de olho, trocando o soro, vendo se havia alguma alteração... E eu ouvi, foi mais um sussurro, mudanças pequenas de expressão... Mas ela falou “Herval”! Eu até fiquei com medo de que pudesse provocar uma alteração expressiva no quadro dela, porque afinal, além de ela estar se esforçando, isso ainda é emoção um pouco forte pro estado dela... Lhe querer ali, perto... – Disse a enfermeira.

–E-Eu preciso vê-la, falar com a Pam, eu posso, não posso?

–Sim, claro! Só esperar a filha que entrou há algum tempo... – Concordei e fiquei andando de um lado para o outro, esperando a Megan sair para eu entrar. A Pam ouvir a voz dela a estimularia muito!

Eu nem tive que esperar muito, mas para a notícia que eu tinha recebido, para a urgência que eu tinha em vê-la, em lhe entregar a flor que por incrível que pareça ainda não tinha murchado, os poucos minutos pareceram uma eternidade! A felicidade que me invadia era tanta... Agora eu sabia o porquê daquela esperança se apossando em mim, durante o caminho... Só esperava que ela acordasse.

–E ai, como é que ela tá, Megan? – Perguntei assim que a vi.

–O doctor disse que ela melhora a cada dia, a enfermeira disse que ela falou à noite right?! Mas eu falei tanto e ela não deu nenhum sinal...

–Mas é assim mesmo, Megan... Não é sempre que ela vai falar, acho que nem tem explicação de ela tê-lo feito ontem... Caramba! Em pensar que eu tive que ir pra casa... Mas foi bom também... O Quim tava precisando passar algumas horas comigo. Olha só o que ele mandou pra ela! – Tirei a flor do bolso, lhe mostrando.

–Ounw... Esse meu brother é like, um fofo!

–É... Bom, mas agora é a minha vez de ver a Pam, né! Até mais! – Falei, andando apressado.

Abri a porta lentamente e pé ante pé, entrei. Ela estava exatamente do mesmo jeito do dia anterior. Me aproximei da cama e com delicadeza, segurei sua mão, que estava um pouco fria.

–Oi, meu amor... Tô aqui de novo... – Aquele silêncio era atormentador! – O Quim te mandou um presente, uma flor, olha! – Ergui a mão com a flor e depois de mira-la por alguns segundos, a coloquei em cima de uma mesinha que lá tinha. – Eu... Eu vou deixar ela aqui tá? Que é pra ele ficar pelo menos dessa maneira, bem pertinho de você... – Agora minha outra mão lhe acariciava os cabelos que ficavam fora da faixa. Sua boca fechada, sua cara pálida, estavam me deixando aflito, eu esperava que ela voltasse a me chamar, que ela acordasse... – Fala comigo, Pam... Acorda, volta pra mim... Eu já sei que você tá reagindo e que falou meu nome ontem, eu... Eu tinha ido pra casa, cuidar do Quim... – E me apercebi conversando com ela, na verdade, fazendo um monólogo. – Você precisa ver, Pam! Tá agindo como um homenzinho... E morrendo de saudades suas. A Megan tá tão madura... Nem parece aquela “bad girl” que sempre foi, você deve ter percebido... está todos os dias aqui pra cuidar de você, o Ernesto também. Só quem não pôde vir ainda foi a Dorothy, mas ela tá louca. Só que tá sendo um anjo ficando com o Joaquim 24h por dia. – E o silêncio permanecia, vez ou outra a máquina que apitava. – Eu não vou desistir. O nosso amor é grande demais e não vai parar por aqui... Eu te amo muito e não vou sossegar até ver esse seu sorriso de novo..! Minha gringinha metida a brasileira! – Falei sorrindo sereno e queria tanto que ela sorrisse junto comigo... Aos poucos meu sorriso foi se desmanchando e como eu já sabia que não podia ficar muito tempo, com cuidado lhe dei um beijo e saí dali com a esperança ainda acesa de que mais cedo do que eu pensava, ela voltaria para mim.

Notas finais
Continua...