Geração Pamerval - A história do início ao fim
82 Capítulo 82
Notas iniciais
Por Herval:
Eu saí daquele quarto cabisbaixo. No fundo tinha sim uma esperança de que quando ela percebesse a minha presença, de que quando ouvisse a minha voz, reagiria de alguma forma, eu queria que ela tivesse dado algum sinal de que estava realmente melhorando, mas nada fizera... E segundo após segundo aquilo me frustrava. Eu queria a minha mulher de volta, ninguém tinha o direito de tirá-la de mim daquela forma!
–E então, ela reagiu, com você? – Disse Megan, ao me ver chegar na sala de espera, sem perceber a minha cara de derrotado.
–Nada. Esses médicos não estão escondendo alguma coisa da gente não?
–I do not know! Você acha que... Que mom não está melhorando, que eles estão nos enganando, apenas para nos poupar?
–Não sei, o único jeito é a gente esperar. – Nos sentamos e enquanto ela tentava se distrair no celular, eu fiquei batucando o braço do sofá, com os dedos, com o olhar perdido, implorando para alguma força maior que a Pam estivesse realmente melhorando e que aquilo fora só uma má sorte minha de não ter um retorno seu.
(E enquanto isso, no quarto, Pamela oscilava a posição da cabeça, como se quisesse despertar, mas seus olhos se negavam a abrir. E então naquele quarto de tom triste, fez-se ouvir um sussurro...
–Her... Val... Joaquim... my... Baby... – Seu coração batia fervorosamente, mas sua cabeça não queria corresponder da mesma maneira, aos comandos do coração...
Ele queria que ela acordasse, que pudesse ver novamente os olhos das pessoas que amava, mas seu cérebro não estava preparado. A flor, logo ao seu lado, era a presença de seu filho naquele lugar, porém murchava... Pamela cravava as unhas na cama, sem a menor força, seu corpo apenas tentava reagir ao estímulo de Herval, que mais uma vez, por azar, não se encontrava ali.
O aparelho que estava conectado ao seu coração, começou a apitar sem parar, ele estava batendo rápido demais ou parava de fazê-lo! A enfermeira responsável por ela, rapidamente apareceu lá, ao ouvir o barulho e via-a naquela oscilação de expressões, posições, e correu para chamar seu superior, com um diagnóstico aterrorizante na cabeça já formado. Encontrou-o num balcão, assinando alguns papeis e assim que lhe deu a informação.
–Ela teve uma parada cardiorrespiratória. — Ele também ficou do mesmo jeito que ela e pediu para que acionassem os outros médicos. Herval imediatamente notou o estranho movimento e sentiu o coração parar dentro do peito, só que na verdade, isso havia acontecido de verdade, com a mulher que ele amava.
–O desfibrilador! Agora! – Disse o médico, já dentro do quarto, vendo-a imóvel e o aparelho fazer aquele barulho uniforme que muitas mortes anuncia: “PIIIIIIIIIIIIIII...” Alegando que não havia pulsação naquele coração.
Imediatamente entregaram-lhe e ele não podia esperar para fazer o que fosse possível, para salvar a vida de Pamela. Deu a primeira descarga elétrica, fazendo seu corpo debater-se uma vez, e nada aconteceu. A segunda descarga, e mais uma vez, debateu-se, o aparelho continuava fazendo o mesmo barulho irritante.
Lá fora, Herval sentia que algo estava acontecendo! Preferiu não alarmar Megan, mas estava com o coração na mão... E se precisasse, o daria à Pamela. Viu um dos médicos apressado no corredor, e correu até ele.
–Algum problema com a Pamela? O que está acontecendo aí dentro?!
–Com licença, meu senhor, eu preciso fazer meu trabalho.
–Me diz! Eu preciso saber a verdade! – E lhe segurava o jaleco.
–Ela teve uma parada cardíaca e nós estamos tentando reanima-la, e se o senhor continuar me prendendo aqui, pode atrapalhar o processo! – Imediatamente ele o soltou, e o médico entrou na sala. Herval ficou paralisado, completamente indefeso.
–O que está acontecendo, Herval? – Perguntou Megan chegando por trás dele. Herval se limitou a olha-la nos olhos, com incessantes gotículas se formando em seus olhos. – Não me diga que...
–Eles estão fazendo o possível... – E sentiu o impacto do corpo dela deixando-se cair sobre o seu e sendo tomada por inacabáveis lágrimas. Herval a envolvia e apertava os olhos, pedindo com todo o coração, pela vida da Pamela, não queria, não podia, não merecia perde-la daquela maneira).
Por Pamela:
Eu me levantei numa cama que não era a minha e num quarto que sem a menor dúvida não era o meu. Eu estava num hospital! Mas por quê? Eu me sentia tão bem... Como poderia estar com algum problema de saúde?
–Herval? Herval! Onde está você? – O procurei, lhe chamei...
–Vai! Mais uma vez! – Ouvi alguém gritar e quando me virei para onde vinha essa voz, me deparei comigo mesma naquela cama.
–Oh my God! O que é isso?! Como… Como eu posso está aqui e ali ao mesmo tempo?
–Ela Não tá reagindo, doutor! – Gritou um.
–Hey! O que está falando?! Eu estou aqui! Estou aqui, não está me vendo?! – Berrei, mas ninguém me olhou. – E-eu não estou entendendo nada, onde está my Family?! Herval! Megan! Joaquim! Dorothy! – Aquela situação estava me assustando, alguém poderia me explicar porquê eu estava ali, em pé e bem, e ao mesmo tempo estava deitada naquela cama, com uma faixa na cabeça, pálida e com o pé engessado?!
–Princess! – Aquela voz... Me virei no mesmo instante.
–Oh my God! Daddy?! – Ele sorriu. – O-o que está acontecendo...? Você está...
–Morto. Yeah!
–Mas se você está morto e eu estou falando com você, isso quer dizer que... eu... Oh no!! Não posso daddy! – Me desesperei.
–No, ainda não! É justamente para impedir que você morra, que eu estou aqui, my princess! – De súbito me abraçou e aquele abraço me transmitiu um calor tão bom... – Ainda não chegou a sua hora, fique calma, baby... Você precisará ser forte! Muito forte para não deixar a vida... Herval está lá fora com Megan, eles estão suplicando por você, sweet... Sua família te ama tanto, é tão linda... Eu estou orgulhoso de você Pamela... – E aquela sensação boa só crescia. – Eu estou orgulhoso, mais não o suficiente. Sua missão nesta vida ainda não acabou, filha. Está na hora, é agora! Vá! Vá não se atrase... Volte para sua family, ame-os como nunca, viva como nunca! Você ainda tem que cumprir a sua missão, puppet...
–Oh daddy... I love you... Mas, que missão?
–Não há tempo, Pamela. Vá! Esta é a hora de você voltar! Não se preocupe, nós ainda nos veremos novamente... I love you too, my princess... – E com lágrimas nos olhos, via-o sumir gradativamente da minha frente. Aqueles homens tentando loucamente me devolver a vida, pareciam se movimentar em câmara lenta para mim. Enxugando os olhos, sentei na cama, sobre mim, na verdade. Olhei-me ali, com uma esperança impressionante me invadindo, e me deitei, sem pestanejar.
(O procedimento continuava, já passavam da quinta desfibrilação e Pamela não reagia. Estavam desesperançados e partiriam para a última tentativa. A última descarga elétrica e a última que faltava, a última que precisava! Debateu-se finalmente e o aparelho começou a mostrar aqueles gráficos de batimentos cardíacos.
–Ela está vida!! — Gritou um. O médico largou o desfibrilador e todos começaram a cuidá-la com urgência.)
Por Herval:
Cada segundo que se passava, fazia meu coração saltitar mais depressa. Megan chorava em meus braços e vice-versa. A morte não podia me levar a Pam! Não podia levar o meu amor! Eu apertava Megan em meus braços, e pedia para Deus e o mundo para que devolvesse a vida da minha mulher! Se quisessem, levassem a mim, mas deixasse-a viva! Dos meus olhos fechados, incansáveis lágrimas escorriam. Eu estava cansado de sofrer, não poderia perder a Pamela, não poderia perder a minha vida! Ela tinha que sobreviver! Por mim, para mim, pelos seus filhos, pela nossa família!
–Ela sobreviveu!!! – Um dos médicos apareceu na porta, sorrindo para nós. Ah que alívio, que peso que me tiraram, que alegria que me invadiu! O sorriso que me surgiu, com certeza iluminava mais que o sol! A Pam tava viva! O meu amor havia voltado para mim... Ela não me deixaria... Eu sabia! Eu sabia que a Pam não faria isso... Nós tínhamos tantos planos ainda! – Ela está viva! Foi por um triz, por um momento achamos que não teria jeito, mas ela sobreviveu!
–Eu quero ver ela! Me deixem ver ela, por favor! – Falei enxugando as lágrimas que agora aumentavam de intensidade.
–Não, pelo menos não agora, ainda estamos examinando seu estado. Melhor vocês esperarem aqui fora. – E caminhou para algum lado que não me importava qual era. Eu só consegui olhar a Megan nos olhos, e sorrir sem parar! Ela me abraçou novamente e agora eu lhe correspondia não mais com pesar, mas com felicidade! Pamela estava salva! Graças a Deus, ela estava salva... Eu provavelmente enlouqueceria esperando a hora de falar com ela, de poder vê-la, mas a felicidade que me invadia e a certeza de que agora sua melhora era pra valer, me fazia aguentar aquela agonia.
(...)
Ficamos ali esperando por algumas horas. Eu tive que tomar inúmeros copos de água pra me acalmar e parar de tremer, tamanha era a minha ansiedade! Até que enquanto eu olhava por uma janela, o sol começar a se pôr, de uma maneira especial, era um pôr do sol que eu nunca havia visto na minha vida, ouvi me chamarem, sem vontade de parar de olhar aquela perfeição, me virei para ver quem era, o médico da Pam.
–Se o senhor quiser, agora pode ir vê-la. – Havia dúvidas quanto a isso?! Mil vezes o rostinho da Pam, àquele pôr do sol que continuava perfeito, mas não me interessava mais se eu podia ver o que me inspirava ainda mais. Acenei que sim, e ele pediu para que eu o acompanhasse.
Segurei a maçaneta da porta, girei-a e por fim, respirando fundo e imensamente aliviado, entrei.
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