Notas iniciais
Oi, oi, meus amores! Desculpem ter demorado um pouquinho, mas dessa vez tenho uma desculpa convincente! O começo dessa semana foi prova pra mim no colégio, então não tive tempo de escrever, mas enfim, agora tô de volta com um capítulo quentinho! Boa leitura!

Por Herval:

–Sim, Pamela, dormi na Plugar... – Falei tentando me manter sereno

–Algum problema mais grave? – Senti que seu tom de voz não era de interesse, mas sim de censura por eu não ter avisado.

–Nada que tenha importância agora... – Respondi dando um gole no café e esperando que ela não seguisse com o interrogatório.

–Por que não avisou que não dormiria e casa...? – Ela continuou.

–Porque eu nem percebi o tempo passar, Pam. Tava atolado numa pilha de papeis e quando olhei no relógio, já era 3:00 hr. Não dava pra voltar para casa numa hora dessas...!

–Yeah... – Ela concordou, pousando sua xícara no pires.

–Hello...! Que clima boring é esse aqui, han?! – Megan notara a tensão. – Vamos Quim, hoje eu faço questão de te levar no colégio!

–Espera, Megan, deixa eu pegar minha mochila no quarto... – Ele levantou da cadeira, nem falou comigo, e foi para o quarto. No mesmo instante eu levantei e fui atrás dele.

–Filho? – Bati na porta.

–Oi, papai... – Falou desanimado e aquilo corroeu meu coração.

–Escuta Quim, espera um pouco. Olha, eu quero que você saiba que eu não tô esquecendo você não, tá?! A Plugar tá passando por uma crise, e o papai precisa se dedicar muito à ela.

–O que é crise? – Eu havia sentado em sua cama e agora ele se sentava do meu lado, interessado.

–É um momento ruim... sabe quando as coisas não vão bem?

–Tipo aqui em casa?

–Como assim, “aqui em casa”?

–Ah dad... mommy anda tliste, você deve saber disso… e eu também né...! Você não tem mais tempo pla gente. – Disse mirando o chão e aquilo parecia uma facada no meu peito.

–Era isso que eu queria que vocês entendessem... eu tô me dedicando inteiramente à Plugar, porque se eu não fizer isso, ela vai falir e todas aquelas crianças a quem você sempre se orgulhou que eu ajudo, não vão ter mais onde aprender a programar! Eu preciso concentrar toda a minha atenção na ONG porque se eu não fizer isso, o trabalho da minha vida inteira vai por água abaixo! Você entende...? – Balançou a cabeça que sim. – Eu te amo tanto, filho, não quero te ver triste comigo... mas você precisa entender que eu preciso dessas ausências, só que eu não te esqueci nem deixei de te amar, tá bom?

–Eu sei que não, papai... desculpa, eu tinha esquecido que você é um herói. Você precisa salvar o lugar onde aquelas clianças iguais a mim, estudam, não é? – Um sorriso sutil ousou sair dos meus lábios e lhe afagando os cabelos, respondi:

–É... é sim, Joaquim...

–Hey! Seu preguiçoso! Ande, você vai se atrasar! – Megan apareceu na porta, berrando o chamando.

–Vai lá, Quim, estuda bastante hein! Eu te amo. – Falei fazendo-o se levantar.

–Também te amo, papai... pode deixar! – Me deu um abraço apertado, que por um instante confortou meu coração, pegou a mochila e foi embora.

Assim que saí do quarto dele, no corredor, dei de cara com a Pamela indo para o nosso quarto. Ela me olhou por um curto instante e continuou caminhando. Agora era com ela que eu precisava ter uma conversa, só que sabia muito bem que não seria fácil! Joaquim era criança, era mais fácil de lhe dar, o cérebro dele ainda não estava contaminado pelos maus momentos da vida, o de Pamela sim... fiquei ali um tempo pensando no que diria, até tomar coragem.

–Pam, a gente precisa conversar sobre... – Disse, entrando no quarto, e o que eu vi, me tomou a fala.

–Lembra desse dia, Herval? – Ela estava cheia de fotos espalhadas em cima da cama e percebendo a minha presença, quis fazer com que eu entrasse naquele momento nostalgia também. Sem ter muito o que pensar fazer ou falar, caminhei até ela, me sentando na cama também e vendo a foto que ela me mostrava.

–Claro que lembro, Pam... – Era nosso primeiro dia de lua de mel em Veneza, tínhamos acabado de sair do hotel para um passeio de gôndola.

–Esse foi um dos melhores dias da minha vida... – Disse com a voz embargada. Não, Pamela, que golpe baixo, chorar não... – A gente se divertiu tanto in Veneza, remember? – Vi a primeira lágrima escorrer.

–Lembro como se fosse hoje, meu amor... – Me aproximei mais dela.

–Mas acontece que não é hoje...! Não é hoje... isso já tem seis anos e nós já não somos mais como éramos antes.

–Por que isso? Do que que você tá falando?

–A gente era tão inseparável! Tão apaixonados...

–E não somos mais? – Perguntei lhe olhando desanimadamente.

–Isso é você que vai dizer. – Ela disse, juntando as fotos em sua caixa. A ficha caiu.

–Pamela... – Suspirei, passando a mão no cabelo, incomodado com aquela situação. – Eu sei que eu ando distante, mas isso não é motivo pra você duvidar do meu amor por você!

–Eu falei isso?

–Não, mas insinuou! Pamela, você precisa entender que a Plugar vai mal! Quer dizer, vai péssima!

–Eu lhe ofereci minha ajuda e você recusou! – Disse se levantando da cama.

–Porque não é um problema que diga respeito a você. Eu tenho que resolver isso! – Exaltei um pouco a voz, não podia acreditar que aquilo estava se tornando uma discussão.

–Uma das definições de casamento é compartilhamento, Herval. Não pode existir mais “eu”, é sempre “nós”! Você não quer dividir seus problemas comigo? É o mesmo de não querer dividir a vida. – Falava numa oscilação de tom de voz.

–Pamela, não viaja! Eu não quero dividir esse problema pra não te preocupar! – Também me levantei, ficando de frente para ela.

–Eu não sou de vidro, Herval. Se um acidente de carro, um coágulo no cérebro e um coma não me mataram, não será te ajudando que eu vou morrer!

–Mas...

–Agora você passa horas e horas trancado naquele lugar, não liga para casa, não pede ajuda, não se abre. Chega em casa de madrugada e agora até dormindo lá, está! Joaquim já não vê o pai, já não corre para abraçá-lo, quando chega da escola, não dá mais boa noite... por que? Por capricho, Herval? Porque você não quer que ninguém se meta nos seus assuntos?! – E o tom de sua voz se elevou. Eu não sabia se me sentia culpado ou revoltado.

–Não é nada disso! Você não sabe o que tá falando! O Joaquim entende, ao contrário de você, que a Plugar, e todas aquelas crianças, precisam de mim!

–Eu entendo sim! Entendo muito bem! E entendo também que se você quisesse a minha companhia, me deixaria ajuda-lo. Você está cheio de segredos, Herval Domingues... e eu não quero, eu não aguento isso novamente... – Era do Jonas que ela estava falando, como se eu estivesse agindo como ele, mas era justamente as minhas suspeitas sobre ele que eu estava tentando esconder! – A família perdeu a importância pra você... eu, que até três semanas atrás, só vivia no seu campo de visão, agora não sou nada...?! Nós mal nos damos “bom dia”, Herval... como quer que eu me sinta? O que quer que eu pense?

–Que a Organização a quem dediquei minha vida inteira está em crise e que eu preciso salvá-la!

–E a nossa vida, não merece salvação? – Ela tentava nervosamente enxugar as lágrimas. – Eu... eu olho pra você e não sei o que pensar, o que sentir... Pamela Parker não nasceu para amar e ser ignorada, Herval Domingues.

–Pamela, não seja egoísta! Eu não sou sua propriedade, não sou seu servo que tem que estar 24h por dia aos seus pés! Há outras pessoas que precisam de mim! A vida daquelas crianças é a Plugar, e eu preciso fazer alguma coisa para salvar aquele lugar!

–Eu já falei, me deixe ajudar! Ou não é simplesmente a Plugar que está nos afastando? Alguém está te tirando de mim, Herval? – Aquilo foi o cúmulo.

–Você está insinuando que... – Não podia ser! Ela não podia estar pensando uma coisa daquelas! E estava acontecendo uma mistura de sentimentos terríveis dentro de mim. – Pamela, você enlouqueceu?! Eu nunca dei motivos pra você pensar uma coisa dessas! Nada nem ninguém está me tirando de você! – Segurei-a firme pelos dois braços. – Será que dá pra você entender que a minha ONG está falindo e eu preciso salvá-la?! Eu reconheço o meu erro, eu sei que deveria ter aceitado a sua ajuda, que deveria ficar mais tempo em casa, mas acontece que não dá! Eu tento, mas falta tempo! Mas isso não implica dizer que eu te ignoro, que eu deixei de te amar! Essa hipótese não pode existir! – Eu segurava-a ainda mais firme pelos braços, enquanto seus olhos já vermelhos de tanto chorar, continuavam a jorrar. Eu não podia vê-la daquele jeito... – Essa possibilidade não existe porque eu te amo! E sou louco por você!! Dá pra entender?! – E as minhas forças se esgotaram, assim como as suas. Num ímpeto, lhe beijei. Ela sequer me tocou, mas não deixou de corresponder ao beijo, as minhas mãos lhe agarraram a cintura, não lhe deixando escapar e deixando claro que eu a amava. Eu sentia uma faísca dentro de mim e tentava loucamente fazê-la me perdoar pela minha ausência. Até o momento em que, colocando a mão entre nossas bocas, ela disse num sussurro envergonhado:

–Sorry... eu sei... eu sou uma egoísta, idiota, mas é que...

–Ei, não fala isso, eu que tenho que me desculpar... – Estávamos com as testas grudadas, ela com curtos soluços de choro e eu com o coração aos cacos por isso. – Eu falei coisa demais, me descontrolei...

–No, Herval... não seja tão perfeito assim, senão eu me sinto ainda mais culpada...! Me perdoa, eu... eu sei que a situação da Plugar não está bem... é só que eu não aguento ficar distante de você... não tem muito sentido viver sem o seu sorriso, sem o seu abraço todo dia e ir dormir sem receber um beijo de boa noite.

–Pam... eu te prometo, a partir de agora eu não vou mais deixar vocês em segundo plano. Esquece tudo o que a gente falou aqui, agora, só lembra da parte que eu disse que te amo. – Sorri. – Vamos fazer assim... Amanhã eu vou sair mais cedo de lá e a gente vai jantar juntos... só nós dois, um jantar romântico, no melhor restaurante da cidade, o que que você acha? – Eu esperava sinceramente que aquela discussão tivesse se encerrado ali, e estava verdadeiramente disposto a lhe dar mais atenção, e pretendia fazer uma surpresa para a Pam durante aquele jantar. Fiquei olhando-a nos olhos até ver um lindo sorriso surgir em sua face.

Notas finais
Continua...