Por Herval:

Todos nós passamos um tempo tentando descobrir o que a Megan tinha de tão importante para falar, até Dorothy bater o pé e dizer que tinha certeza de que ela nos traria boas notícias. Nós queríamos acreditar nisso, mas até a chegada da garota, não tinha como saber.

Acabaram por decidir fazer um jantar diferente no dia em que a Megan chegasse, para comemorar, além do novo trabalho da Pam, também, talvez, o que a Megan fosse dizer. Confesso que fiquei com um pé atrás. O que seria tão importante ao ponto de fazer o Davi parar o trabalho dele lá em São Paulo para ir até o Rio com a Megan? Ou era algo terrivelmente ruim, ou algo grandiosamente bom.

Chegada a tal noite, nossa casa parecia mais a recepção de uma festa do que uma casa em si. Lá, estávamos eu, Pamela, Joaquim, Branca, Kate, Dorothy, Brian, Lara, Tomás, Louis, Megan, Davi, sem falar na Anne, já que a Kate não sabia do ocorrido – aquele que poderia custar meu casamento – e quis que ela fosse. Pamela não conseguiu negar.

Estávamos todos na sala, champanhe e vinho para os adultos, com exceção da Megan que disse que não queria beber, o que era muito estranho, e refrigerante para as crianças, com exceção da Branca que só tomava leite. Esperávamos apenas a Kate dizer que poderíamos ir para a mesa, quando a Pamela contou logo para a filha sobre a novela que faria. Bom, isso fez Megan gritar, o que deve ter estourado os meus tímpanos, e sem conseguir guardar mais o seu segredo, soltou a bomba enquanto eu dava um gole na taça de champanhe:

I’m pregnant!— No mesmo instante, o champanhe quase saiu pelo meu nariz e enquanto eu tossia convulsivamente, senti umas batidas nas minhas costas; Davi ria tanto do meu vexame quanto da alegria de ser pai. – Uau! Melhor reação, like, ever, Herval! – Ela riu.

— Desculpa Megan, i-i-isso... i-isso é... é...

Wonderful! A melhor notícia de todos os tempos! Oh my God! I can’t believe that! — Pamela me interrompeu indo abraçar a filha, eufórica. – I’m going to be a grandma? — A garota acenou que sim, com os olhos meio marejados. – Oh my God, eu vou ser avó! – Eu fiquei estagnado. Todos rodearam Megan e Davi e eu apenas assisti sem entender o que se passava dentro de mim, até a bad girl falar comigo.

— O que é que foi, Herval? Não gostou da notícia?

— N-n-na verdade, e-eu ainda tô processando... – Tanto ela quanto a Pam franziram o cenho e se entreolharam. Pode-se dizer que nem eu esperava ter aquela reação, mas era uma sensação estranha... como se parte de mim tivesse desgrudado do meu corpo, ou como se... um pai estivesse vendo sua filha se tornar uma mulher feita... sem ter esperado por isso.

What’s wrong with you? — Pamela se aproximou. Eu olhei para Megan e finalmente sorri.

— É que... é como se fosse minha filha dizendo que tá grávida. I-i-isso é... estranho... né? Porque... – Megan abriu um sorriso largo e veio me abraçar.

— Eu não acho nem um pouco estranho. Você virou um pai pra mim, Herval, chegou um pouquinho tarde, mas ainda virou meu pai e sabe muito bem disso. Não é como se fosse sua filha dizendo que tá grávida. É sua filha dizendo que tá grávida! Você vai ser avô, man! — Involuntariamente meus olhos encheram d’água e eu voltei a abraça-la.

— O jantar já está na mesa! – Kate anunciou finalmente e meio que tarde demais algum tempo depois.

Todos foram para os seus lugares e o falatório não parou mais desde então. Todos queriam saber o sexo da criança e como eles pretendiam lidar com aquela gravidez, porque afinal, estavam sozinhos em São Paulo, e embora a Megan tivesse mudado, ninguém duvidava que ela preferia ficar perto da mãe durante a gestação.

Todos se serviam e Megan cochichava com Davi algo, até soltar mais uma vez de repente:

Is a girl! — E houve gritos, mais falatório, lágrimas, e mais um pouquinho de gritos. – Eu fiz o ultrassom ontem. Não queria vir pra cá sem ter todas as informações pra dar a vocês. É uma menininha de 13 semanas ainda, mas já tá fazendo a vida da gente mudar completamente!

— Ah você ainda não viu nada, sweetheart... — Pamela comentou, rindo.

Yeah, I know! E é porque eu tenho muito o que aprender com a melhor mãe do mundo, que nós vamos ficar aqui no Rio por um tempo.

What?

— É, eu tenho quem cuide nos negócios lá em São Paulo por enquanto. – Respondeu Davi.

— E Davi só vai precisar ir lá uma ou duas vezes por mês. Eu quero estar aqui, perto da minha família no momento mais incrível da minha vida. – Segurou a mão da Pamela e ambas se seguraram para não chorar ainda mais.

...

Depois de uma noite longa de comemoração, era hora de sossegar. Pamela se despediu de todo mundo antes, porque tinha que colocar a Branca para dormir e depois eu que tive que pôr o povo para fora – modo de dizer... eu não enxotei ninguém. – Brian e Lara se despediram e foram embora levando seus filhos exaustos para casa, Kate e Ane também foram embora e por mais incrível que pareça, a garota parecia outra! Não conseguia sequer me olhar nos olhos e deu para perceber que estava louca para ir embora o mais depressa possível!

Dorothy foi ajudar o Davi a se instalar no quarto de hóspedes e eu tinha que levar o Joaquim para cama, que o garoto já estava dormindo no sofá. Peguei-o nos braços e o levei para o quarto. Deitei-o na cama, cobri-o com cuidado e lhe dei um beijo na testa depois de lhe desejar um boa noite. Joaquim ainda era pequeno, mas eu não consegui parar de pensar em como eu me sentiria quando chegasse a vez dele dizer para a gente: “Pai, mãe, eu cresci.” Não com essas palavras necessariamente, mas com um “estou trabalhando” ou “vou me casar” ou até mesmo “vou ter um filho!”

Quando eu entrei na vida da Megan, ela já era uma mulher. Ok, talvez fosse um projeto de mulher, e por isso mesmo era complicado lidar com a notícia de sua gravidez. Eu vi a Megan amadurecer! Eu estive ao lado dela quando a Pam esteve em coma. Nós criamos um vínculo forte e embora ela já estivesse morando em São Paulo, a gente sabia que ela sempre voltaria. Agora... era a mensagem “eu cresci” oficial. Sem falar no Davi, que eu vi crescer! Não dava para acreditar que aquele moleque, que também era como um filho para mim, tinha se tornado um homem. Um homem casado, e agora responsável por uma família!

Ah como eu desejei que a hora do Quim demorasse... eu não queria que ele crescesse tão cedo! Eu ainda não tinha aproveitado o suficiente a infância dele. Quando saí do quarto, ia em direção ao meu, quando ouvi vozes no quarto da Branca. Cheguei na porta e espionei Pamela colocando a criança recém-adormecida no berço, e Megan com um sorriso doce ao lado.

— Eu não contei todas as novidades durante o jantar... – Ela sussurrou para não acordar a bebê.

— Não?

— Não. Mas o que eu não disse era algo só pra você, mom. — Pamela cruzou os braços curiosa e Megan sorriu colocando uns fios de cabelo da Pam para trás da orelha. – Nós já decidimos qual vai ser o nome da bebê... na verdade, eu sempre soube desde sempre! Eu sempre disse pra mim mesma que se um dia eu tivesse uma filha, ela teria o nome da minha mãe. – Pamela colocou as mãos no rosto cobrindo a boca e o nariz, e obviamente chorando, abraçou a filha. – Isso parece que vai ficar na família, right? Ela tem o nome da grandma... — Olhou para Branca. – E essa aqui vai ter o seu nome... – Tocou o próprio ventre. – Pamela Parker Reis...

— E talvez a filha da sua filha tenha o seu nome. – Me intrometi, entrando no quarto. Ambas estavam emocionadas e passaram a mão nos olhos enxugando as lágrimas. – E-e-eu tô muito feliz por você e pelo Davi, Megan... – Ela sorriu, passando o braço por trás de mim como num meio abraço e apoiou a cabeça no meu ombro. – E muito orgulhoso também.

Oh yeah, I know... eu sempre deixo todo mundo orgulhoso. – Brincou. – Well, eu vou dormir agora, porque uma mulher grávida precisa ter uma boa noite de sono, right?

Right! Tem razão, baby. —Pamela disse ainda tentando se recuperar da emoção.

— O Davi já foi pro quarto de hóspedes. Deve estar te esperando. – Falei. Ela acariciou a cabeça da Branca devagar em despedida, deu um abraço e um beijo na Pam e o mesmo em mim antes de sair do quarto. – Acho que chegou a nossa vez de descansar, super star! – Abracei-a por trás e fui conduzindo-a até nosso quarto.

Shut up! Não vem com essa de super star, não.

— Mas você é! Quando essa novela começar, o Brasil inteiro só vai ter olhos pra Pamela Parker! – Entramos no quarto e ela se sentou na cama tirando os sapatos.

— Não exagera, Herval... – Agora tirava os brincos e pulseiras.

— Eu não tô exagerando. – Subi na cama e fiquei atrás dela, pousando minhas mãos sobre seus ombros e massageando-os, fazendo-a amolecer em questão de segundos. – Agora saiba que eu tô de olho, viu...?

— De olho em quê?

— Sua personagem tem um par romântico? – Ela murmurou um “uhum”.— Então é nisso que eu vou ficar de olho... no indivíduo que vai ser seu par. Qualquer coisinha que ele fizer a mais do que estiver no script eu quebro a cara dele! – Ela riu e se levantou. Virou de frente para mim e negou com a cabeça.

— Quebra nada... a única coisa que você tá autorizado a quebrar aqui... – Tirou o vestido ficando apenas de lingerie na minha frente. – É essa cama.