Geração Pamerval - A história do início ao fim
181 Capítulo 181
Por Herval:
Vi surgir então no canto da sua boca um sorriso. Um sorriso lindo, exclusivo da Pamela, um sorriso que era um convite ao prazer. Ao ouvir aquela frase, a qual a gente dificilmente imagina sair da boca da Pamela, eu senti um arrepio forte, foi o gatilho perfeito para uma excitação, eu diria que, quase instantânea.
De joelhos na cama, puxei-a para perto de mim. Ainda de pé, Pamela pousou as mãos sobre os meus ombros, enquanto as minhas, envolviam sua cintura. Por aquele curto período de tempo nós nos mantivemos olhando um nos olhos do outro como se conversássemos por telepatia; até os dedos dela se entrelaçarem aos meus cabelos carinhoso e sensualmente, seu rosto grudar no meu e ela sussurrar ao pé do meu ouvido: “tá esperando o que?”
Ela mal terminou a frase e eu já roubei-lhe os lábios para mim. Minha mão segurou firme seus cabelos e a outra apertou seu corpo contra o meu de forma a transformá-los num só, e nós nos beijávamos como se estivéssemos tentando tomar alguma coisa um do outro. Era uma briga pela posse que eu não sei do quê. Foi aí que um celular começou a tocar.
— É o meu... – Pamela falou ofegante.
— Deixa tocando, vão acabar desistindo... – Retruquei, jogando-a na cama e tirando minha camisa logo em seguida. Seus olhos passearam por mim rapidamente antes d’ela tentar se levantar.
— E se for... importante? – Falou no meio de um beijo que eu lhe dei para tentar impedir que levantasse.
— Mais importante que isso? – Minhas mãos agarraram suas coxas e eu a arrastei até encaixar nossos corpos. – Eu acho difícil.
Ela sorriu e enquanto eu preenchia seu pescoço com beijos, suas mãos passeavam pelas minhas costas e iam descendo até alcançar minha calça. Mas o celular insistia em tocar e aquilo começava a inquieta-la.
— Deixa eu atender... eu resolvo isso rápido e a gente fica livre de uma vez. Melhor do que escutar esse celular tocar a noite toda. – Com um suspiro acabei concordando. Saí de cima dela e Pamela se sentou na cama, atendendo ao celular. – Hello? ... Moreira? Algum problema com a Parker TV? ... por que você tá me ligando a essa hora? ... – Sentei ao lado dela para escutar, mas não consegui ficar parado, ela estava linda demais naquela lingerie... – Como assim? Me explica essa história direito. – Coloquei uma mão por debaixo dos seus cabelos e à medida em que eu os afastava, beijava a parte exposta do seu pescoço. – E agora, o que vai acontecer? – Ela estava tão focada no papo que nem se importou comigo. Desci a alça do seu sutiã com a boca, e com malícia, enquanto uma mão acariciava sua perna, a outra tentava desabotoar o sutiã. – Como é que é? Eu?! – Dessa vez ela me parou. Olhou nos meus olhos como se tivesse recebido uma notícia bombástica e em seguida levantou da cama. – Não, mas... por que eu? ... uhum, é... realmente faz pouco tempo e seria mais fácil pra mim ... mas, eu não sei, Moreira, eu acho que preciso pensar ... é muita responsabilidade! Eu não sei se dou conta! Ainda mais substituir alguém assim! ... Okay, nós conversamos amanhã pra decidir isso direito. Estarei na Parker às 9h. Good night!
Desligou o telefonema meio atônita, colocou o celular em cima do criado mudo e ficou me olhando com cara de paisagem. O silêncio era tamanho, que eu podia jurar que estava escutando os pensamentos dela.
— O que foi, Pam? O quê que o Moreira queria?
— Me avisar que ouve uma desistência no elenco da novela.
— E ele interrompeu a gente... só por isso?
— Antes fosse! Desistência no núcleo central da trama, Herval! A protagonista deu pra trás! – Arqueei as sobrancelhas.
— Bem, isso é um problemão... deve ser difícil achar outra substituta, né...?
— Já acharam. Eu!
— O que?
— Eles me escolheram pra substituir a atriz que saiu! Não querem mais que eu faça o papel que haviam me dado, querem que eu seja a protagonista!
— M-ma-as...
— Ao que parece, eu sou a pessoa que mais se parece com essa mulher, e, segundo o Moreira, eles acham também que eu sou a única capaz de assumir esse trabalho sem problemas, além de que eu soube do meu personagem há menos de uma semana, não criei vinculo, é mais fácil agarrar essa...
— É, parece que eles querem botar pra quebrar em você! Mas, e aí, o que é que você vai fazer? Vai aceitar? Q-quem é essa atriz aí que desistiu?
— É-é uma tal de... Cláudia... Abreu. P-parece que ela tá com algum problema pessoal, não ia poder se dedicar ao personagem como deveria... e-e por isso decidiu abrir mão. E-eu não sei o que fazer... é muita responsabilidade depois de tantos anos sem atuar!
— Eu já ouvi falar dela... é, realmente vocês se parecem. Mas olha, se eles não acreditassem que você é capaz de fazer esse papel, não tinham te chamado! Pamela, essa protagonista caiu na sua mão como um presente! Não joga fora, aproveita!
— Mas, e Branca? Ela ainda é um bebê, Herval! Como protagonista eu vou ter muito mais horas de trabalho do que eu já teria! Eu não posso...
— Nossa filha não é desculpa, Pamela. – Levantei da cama e ficando de frente para ela, segurei seu rosto entre minhas mãos. – Se for preciso, eu fico com ela o dia inteiro pra você ir trabalhar. Não fica com medo de não dar certo; você pode fazer isso, tá me ouvindo? Você pode! E tá feliz com esse convite que eu sei. – Ela abriu um sorriso instantâneo. – Você vai aceitar, não vai? – Depois de pensar um pouco, acenou nervosamente que sim e o seu sorriso aumentou. – Essa é a minha garota...
E no momento seguinte, nos abraçamos. Sabe aquela sensação de felicidade completa? Por, creio eu, um minuto, foi o que sentimos. Até quem não conhecesse a Pam saberia que ela estava radiante! Então ela se apartou de mim, colocou as mãos para trás do próprio corpo e desabotoou o sutiã deixando-o cair no chão.
— Onde foi mesmo que a gente parou?
(Cinco meses depois...)
Sabe aquela sensação de que quando tudo começa a dar certo na sua vida é sinal de que tem alguma coisa muito errada ou o destino está só lhe dando um sossego antes de voltar a ferrar com tudo?
Pois é, eu não senti ela. Não durante um bom tempo. Aquele tempo que a Megan e o Davi ficaram conosco foi muito bom. Eu me senti mais pai da Megan do que o Jonas jamais foi um dia e a Pam, nossa, ela estava radiante com a ideia de ser avó e de ser protagonista no seu primeiro trabalho depois de anos fora das telas! Megan sempre foi exagerada, todo mundo sabe disso, então ela nos fazia rir muito com seus enjoos, desejos e alteração de humor. Se ela já não tinha papa na língua normalmente, imagine cheia de hormônios!
Enfim, Branca crescia dia após dia. Ficava mais esperta e começava a comer outras coisas e não só mamava. Era difícil admitir, mas ela estava crescendo. Estava ensaiando ser uma pessoa. E isso, ao mesmo tempo que me deixava orgulhoso, me fazia sentir um aperto no coração... não é fácil ver seu bebê crescer, mesmo que seja só alguns centímetros.
Joaquim só nos orgulhava. Aluno exemplar, cada vez mais craque no violino, tinha poucas crises de asma e era uma criança ativa, amorosa e eu arriscaria dizer que até responsável demais para sua idade. E sabe aquele orgulho e aquele aperto no coração? Pois é, eles trabalhavam aí também.
Pamela tinha começado a se dedicar ao personagem desde o momento em que o pegou em mãos! Teve que cortar o cabelo curtinho e tornar o loiro um pouco mais fechado. Ela nunca mudou tão radicalmente assim, mas eu tinha que admitir que ficou linda. Sempre que podia, saía para fazer o que me explicou ser um “laboratório” para o personagem: entrevistas a pessoas que faziam o que sua personagem faria, ou seja, donos de galerias de arte, buscava inspiração para formar a personalidade da personagem, além de até começar a trabalhar o sotaque americano, porque ela precisaria parecer 100% brasileira para a novela. Era lindo vê-la tão animada... era aquela fase em que tudo dá certo. E eu estava tão ocupado em viver ela, que nem parei para pensar na paranoia que citei mais acima. O lance do destino tramar para que tudo dê errado.
Mas isso foi até eu fuçar os textos da Pam. Isso foi num fim de noite, todos já estavam em seus respectivos quartos, as crianças estavam dormindo, e a Pamela só estava tomando um banho para que nós pudéssemos dormir também. Eu estava na cama, só esperando ela, quando peguei o script, que ela deixou em cima do criado mudo, só para passar o tempo. Daí eu fui lendo, lendo, lendo... tinha até umas anotações da própria Pamela. Ideias do que fazer, expressões específicas da personagem, gestos marcados, manias, olhares... absolutamente tudo ela anotava.
Eu estava até gostando de conhecer mais aquele mundo dela, mas isso foi até eu saber quem era o ator que seria o par dela, ler as cenas que eles fariam juntos se tornou difícil. Era minimamente bizarro imaginar a Pam com outro homem, mesmo que só por teatro.
Eu sei que eu que a incentivei a voltar a atuar, mas você nunca sabe como se sente o parceiro de uma atriz, até virar um, né? Quem sabe onde o sapato aperta, é quem calça! E de qualquer forma, antes ela ia beijar outro cara só na teoria, agora era para valer! Embora eu não devesse, me senti ameaçado. Uma pontinha de ciúme começou a me incomodar.
Ela saiu do banheiro enrolada num roupão e falando milhares de coisas, das quais eu não ouvi uma só palavra. Ainda estava com os olhos fixos nos papéis, tentando não me atingir com o que passava na minha mente.
— De repente ficou interessado na novela, Herval? – Sentou na minha frente, dando uma olhada no que eu lia.
— As gravações começam semana que vem, né? – Ela confirmou. – Fiquei curioso... até agora você não me falou nada sobre seu personagem, queria conhecer um pouco o seu mundo...
— É porque você vai ter que assistir à novela para conhecer a história. Não tem graça eu te contar!
— Qual é...? Eu vou ter mesmo que esperar meses pra saber? – Ela confirmou com um sorriso lindo de canto.– Meses pra saber se eu vou precisar partir a cara desse tal de... Reinaldo Gianecchini! – Ela riu.
— Não começa, Herval! He’s a good man and a good actor! — Revirei os olhos e a puxei para que deitasse no meu peito.
— Me fala só um pouco... c-como é mesmo o nome da novela?
— A lei do Amor...
— E como é a sua personagem?
— Well, a novela se divide em dois tempos, e no primeiro é uma atriz jovem que faz a Heloísa. Inclusive a gente já fez até um trabalho de preparação juntas. Trabalhamos uns detalhes da Helô pra ficar verdadeira a identidade da personagem tanto em mim quanto nela, mas enfim, ela... é filha de um casal muito humilde... que vão acabar morrendo, depois você vai saber o porquê... – Eu a envolvi mais em meus braços e comecei a acariciar seus cabelos esperando que ela continuasse. Ela respirou fundo e continuou: – A vida difícil ensinou a ela desde cedo a não se subjugar, o que a leva sempre a brigar e a partir sem pudor pro confronto, seja com quem for, quando se sente prejudicada ou injustiçada.
— Personalidade forte... gostei. – Ela riu e continuou:
— Quando ela conhece o Pedro...
— O tal Gianecchini. – Pamela confirmou e negou ao mesmo tempo.
— Na verdade, é outro ator também, a versão mais nova dele. Anyway, ela se defende, sem conseguir entender o que um homem bonito, rico e tão cheio dos melhores predicados pode ter visto nela. Aos poucos, vai se desarmando e se entregando a este amor conforme ele conquista sua confiança. – Eu apenas confirmava com a cabeça. – Então, após se desiludir com Pedro e ele sumir no mundo, ela vai aceitar a corte de um rico executivo, Tião Bezerra, e se casa com ele, não por amor, mas por bem querer. Vinte anos depois, que é onde eu entro e o Gianecchini também, a Helô está casada com Tião e tem dois filhos. Tem agora uma galeria de arte popular brasileira, se sofisticou, se instruiu, mas, essencialmente, permanece a mesma mulher sensível, ávida, direta, transparente e simples...
— E aí? – Ela bocejou e se aconchegou mais a mim.
— Aí que ela acaba reencontrando o Pedro, o amor renasce e... – Esperei uma continuação e ela não veio.
— Vai ter muita agarração com esse Pedro aí? – Fiquei sem resposta de novo. – Pamela? – Ela tinha caído no sono. Eu não sabia se lamentava ou agradecia ela sequer ter ouvido a pergunta. Apenas lhe dei um beijo na cabeça, a abracei mais forte e me entreguei ao sono também.
(Três meses depois...)
— VAMOS PAMELA, VOCÊ VAI SE ATRASAR! – Berrei da sala. Era uma noite de domingo, festa de lançamento de A Lei do Amor e Pamela não largava a Branca e o Joaquim.
— Já tô indo! É que eu tinha que conferir se tava tudo certo com eles... tá começando a nascer os primeiros dentes da Branca e o Quim teve uma crise de asma ontem, Herval! Eu fico preocupada... – Ela apareceu finalmente.
— Eu também, mas por essa noite você tem que deixar eles por conta da Dorothy, da Megan e do Davi... – Falei enquanto olhava-a dos pés à cabeça.
— Eu me sinto uma péssima mãe...! Tô gravando há três meses sem parar! Tenho que deixar claro pr’os meus filhos que eu não tô esquecendo deles.
— Deixa de drama e vem cá!
— Semana que vem Branca faz um ano e eu ainda não...
— Dorothy tá cuidando da festa dela, não pira, Pam.
— Eu que deveria...
— Shiii! – A interrompi. – Deixa eu ver o quanto você tá linda... – Segurei sua mão, fazendo-a dar uma volta e Pamela sorriu, cedendo. – Espetacular! – Ela estava dentro de um vestido branco com as costas completamente nuas, decote em V até a altura do umbigo e como se não bastasse, uma fenda até a metade da coxa. – Você tá tão linda que dá vontade de fazer a gente se atrasar e...
— Hey! Pode parar por aí! A little Pamela está quase nascendo e não precisa ouvir os avós conversando sacanagem, okay? – Megan surgiu do nada, quase me fazendo dar um pulo. Eu e Pamela nos entreolhamos e Megan caiu na gargalhada. – I’m kidding guys! Eu hein... vão embora daqui, antes que o Herval arranque sua roupa, mom!
— Megan! – Ela repreendeu a filha.
— E eu não tiraria a razão dele! You look hot!— Examinou a mãe dos pés à cabeça.
— Vamos embora, antes que essa maluca fale mais besteira... – Pamela pegou sua bolsa e saiu me puxando pelo braço. – Qualquer coisa, ligue, okay? Nada de botar essa criança no mundo hoje!
— Vou tentar! Divirtam-se!
...
— Hey! Aí está você...! – Pamela acenou para alguém. – Herval, eu quero te apresentar o Giane. – O cara se aproximou, deu um abraço e um beijo na Pam, a elogiou e então veio me cumprimentar. – Giane, esse é o Herval, Herval, Giane.
— O famoso Herval Domingues! É um prazer te conhecer, cara!
— Famoso? – Ele riu.
— A Pamela fala tanto de você, que você não faz ideia! – Eu sorri fraco, olhei para Pamela e olhei em volta. E eu com ciúmes... que idiota!
Os dois começaram a falar desenfreadamente e eu fiquei só olhando. Convenhamos que eu só fui àquela festa de lançamento porque ela insistiu muito! Veio com aquela chantagem emocional barata e com uma lingerie vermelha que devia convencer até um político parar de roubar. Não tinha como dizer “não”!
Mas o inegável era que aquilo a fazia feliz. Os mesmos flashes das câmeras que me deixavam tonto, faziam aqueles olhinhos brilharem. E a mesma imprensa que me fazia suar frio, a deixava tão à vontade, que Pamela parecia estar em casa. E ela estava...
Todo mundo sabe que eu nunca fui de curtir essa exposição toda e que eu estava ali, aguentando tudo pela Pam. Tinha momentos em que eu ficava numa luta interna: “vai pra casa” vs. “fica aqui”. E eu achava que isso estava me incomodando, até eu ver de maneira mais consistente o quanto a Pamela estava próxima do tal Gianecchini. Isso sim me incomodou de verdade!
Eu não precisava de ninguém me dizendo o quanto aquilo era ridículo, porque eu tinha total consciência, tanto que quis me socar! Aquele excesso de contato físico me dava nos nervos, mas eu dei um jeito... as taças de champanhe me ajudavam a relaxar. O problema é que aquilo parecia agulha furando sempre no mesmo ponto. Sendo que os meus ciúmes já estragaram tudo uma vez, eu não ia deixar isso acontecer novamente.
Na época do Ernesto, eu teria fechado a cara, sido sarcástico e/ou agressivo com as palavras. Mas durante aquela festa, eu fui o melhor ator! Ou pelo menos achei que fui. De volta para casa, eu já não controlava as minhas expressões faciais e estava um trapo! Bebi um pouco demais e Pamela que teve que dirigir de volta para casa. Nós chegamos já era tarde da noite e todos já estavam dormindo. A gente estava em silêncio desde que saímos da festa. Quero dizer, eu estava em silêncio. Pamela não conseguia parar de falar o quanto estava feliz. E era aquela felicidade toda que me fazia fica calado. Sabe quando a pessoa está tão radiante que você tem medo de falar qualquer coisa e aquele encanto acabe? Pois é, eu estava tentando manter o encanto dela.
— O que é que você tem? – Pamela me perguntou assim que entramos no quarto e eu me joguei na cama afrouxando a gravata.
— Eu? Nada, por que?
— Você tá bêbado, não tá? Isso nunca acontece. E você também passou o caminho inteiro calado. Isso também nunca acontece. Principalmente quando tem alguém falando com você.
— Eu não tô bêbado, só tô cansado. A noite foi longa... e eu não falei pra não te cortar. Você tava tão animada falando, que eu preferi só ouvir. Eu sou um bom ouvinte, meu amor...
— Uhum... quase me convenceu. Mas eu prestei atenção em você na festa. Seu copo não parava vazio e você estava fingindo animação. Aliás, fingindo muito mal!
— Não tava não. Eu estava aproveitando! – Ela veio até mim e me segurou pelo paletó.
— Eu sou atriz, fingir é o que eu faço de melhor! E sei quando alguém está fingindo. Principalmente você! Eu te conheço e não é de hoje, Herval Domingues... você só é um bom ator embaixo desses lençóis, honey.— Me largou e foi caminhando para o banheiro largando os sapatos pelo caminho. – Desembucha, qual o problema?
— Quer mesmo saber?
— Claro!
— Promete que não vai fazer uma grande coisa disso? Nem vai discutir?
— I promess. Nada pode estragar essa noite... – Ouvi o barulho do chuveiro. Bom, pelo menos ela não ia sair do banho para me bater pela estupidez do meu sentimento.
— Eu senti ciúmes de você com aquele... “Giane”. – Ela deu uma risada lá de dentro. – Não deu pra não sentir. Mas não é nada doentio, é só cuidado.
— Como era com o Ernesto?
— Não. Aquele Herval não existe mais. Aquele ali era um babaca e o Ernesto também era declaradamente apaixonado por você! Agora... é só porque o cara é boa gente, não dá pra negar, e porque ele tem passado e vai passar mais tempo com você do que eu. Isso me deixa um pouquinho preocupado porque eu vou ter que arranjar maneiras de fazer você pensar em mim o tempo inteirinho enquanto estiver trabalhando. – Depois disso ela não respondeu mais nada. Só terminou o banho e quando saiu do banheiro, falou antes que eu entrasse:
— Sweet, se eu pensar mais em você enquanto trabalho, vou chamar o Giane de Herval. E convenhamos que isso não é agradável pra novela e nem um pouco interessante pra você, né? – Dei de ombros e entrei eu no banho. – Mas eu tenho que admitir, você é louco... ciúmes do Giane? – E riu mais uma vez, como se aquilo fosse a maior piada do mundo.
— Eu vou ter que te dividir com ele. Isso é grave! Ele vai ser tipo, seu marido fictício!
— Não, meu marido fictício vai ser o Zé Mayer...
— Qual é! Você vai ter um marido e um amante fictício! E eu? Fico com o quê? Nem marido na vida real eu sou mais. – Não ouvi nenhuma resposta.
Quando saí do banheiro, Pamela já estava na cama, coberta, e eu podia jurar que já estava dormindo. Então eu vesti só uma calça moletom, desliguei as luzes e me enfiei debaixo das cobertas também. Respirei fundo e fechei os olhos. Minha mente ia começando a esvaziar e eu podia sentir o sono chegando de fininho, me entorpecendo de pouquinho em pouquinho... foi então que eu senti uma respiração leve e descompassada no meu pescoço, seguida de lábios quentes beijando-me o canto da boca. Tentei me mexer e a pele febril de um corpo nu se depositou sobre mim. Abri os olhos e ela sorriu com os olhos mirando minha boca e os dedos contornando-a.
— P-Pamela...? O-o quê que você...?
— Shiii... – Pôs o indicador sobre meus lábios e sussurrou no meu ouvido: – Você pode até ter que me dividir com o pessoal do trabalho e nem ser meu marido anymore. Mas é my boyfriend e eu te garanto que quem ficou com a melhor parte foi você, sabe por quê?... – E então se ergueu, ficando sentada em cima de mim; a coberta escorregou pelo seu corpo, mostrando-me uma Pamela desnuda e sensual. Eu mal pude observá-la sob a pouca luz do luar que transpassava a janela, quando senti seus dedos se agarrarem aos meus cabelos e segurando-os firme, aproximou nossos rostos cantando quase que sussurrando: – Porque eu só faço com você./ Só quero com você./ Só gosto com você./ Adivinha o quê... – Mordiscou o lóbulo da minha orelha e eu sorri de canto. Dava para acreditar que ela estava cantando Lulu Santos enquanto se encontrava nua em cima de mim? Mas convenhamos, ela escolheu bem...
— Vem cá, isso é prêmio de consolação pra eu não me sentir mal porque eles vão ter mais de você do que eu, é? – Ela revirou os olhos e com as duas mãos segurando meu cabelo, conduziu meu rosto até seu pescoço, onde eu me embriaguei no seu perfume, descendo para o colo e seios. Murmurou:
— Prêmio de consolação? Você não confia mais no seu taco, Herval Domingues...? Não confia mais no poder que exerce sobre mim?... – Ela me envolveu como num abraço e enterrou o nariz no meu pescoço, deixando beijos calmos e provocantes na região. Sem falar nas mordidas...
— Poder? Eu exerço poder sobre você...? – Ela não segurou um sorriso e, olhando nos meus olhos, segurou minha mão, pousou-a sobre seu peito, onde eu pude sentir seu coração bater acelerado, depois conduzindo-a por sua barriga até alcançar-lhe a intimidade, mostrando-me o quão excitada já estava.
— Isso é só um pouquinho do seu poder... – Murmurou com a respiração descontrolada e então eu comecei a movimentar os dedos contra ela, fazendo-a inclinar-se para trás.
— Gostei desse poder... qual mais que eu tenho...? – Ela sorriu de olhos fechados e saindo temporariamente de cima de mim apenas para me tirar a calça moletom, voltando logo em seguida, falou num gemido rouco ao me sentir dentro dela:
— Você já vai descobrir...
...
Tarde da madrugada, estávamos apenas abraçados, num silêncio de intimidade pura, quando começamos a ouvir vozes nervosas vinda do lado de fora. Ambos questionamos o que estava acontecendo e sem que tivéssemos tempo para ir ver, começaram a bater na porta insistentemente.
— Já vai! – Vesti minha calça com pressa e fui ver o que era. Ao abrir a porta, dei de cara com Davi assustado e ofegante.
— A Megan, e-e-ela vai ter a nossa filha. Agora!
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