Genesis

5 Emma Walker- 05/2014


Emma Walker- 05/2014

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Saímos da casa de Connor e voltamos para casa. Isso demorou em torno de 30 minutos, já que moramos um pouco longe da casa dos Clarinton.

Derek estacionou Dallas no pequeno estacionamento do prédio velho no qual morávamos. Entramos pela porta de ferro cheia de ferrugem e subimos para o segundo andar, onde ficava nosso apartamento.

Derek destrancou a porta verde e entramos. O lugar era bem iluminado. As paredes eram cobertas de pôsteres e quadros engraçados que eu achava por ai.

Tínhamos um sofá cinza, que um dia fora branco, uma TV velha e uma mini cozinha improvisada. Um pequeno corredor levava para o quarto e banheiro. Eu dormia no quarto e Derek no sofá, mas de vez em quando, a gente revezava.

Derek entrou, pegou uma cerveja na geladeira e se largou no sofá, para ver o jogo de futebol. Eu fiz um sanduiche rápido para matar a fome que estava sentindo e me sentei junto a Derek. Passou 20 minutos e jogo ficou realmente desinteressante. Como ainda eram 4 da tarde, resolvi sair de casa. Peguei minha bolsa e coloquei a blusa quadriculada preta. Antes de sair, pequei a Smith&Wesson 22A*, que conseguimos no mercado negro do bairro junto com o resto das armas e coloquei na parte de traz da calça. Coloquei uma jaqueta militar por cima para disfarçar o volume. Todo cuidado é pouco num lugar como o Bronx.

Sai do prédio com os fones de ouvido em direção a livraria, Bom Ler, que ficava a poucos quarteirões de casa. Parece estranho, mas sim, eu adoro de ler. Minhas notas em Literatura costumavam ser altas quando eu ainda frequentava o colégio assim com Matemática. Já as outras... Depois que eu fui expulsa do terceiro colégio, desisti de frequentar um.

Enfim, a Bom Ler era, literalmente, o melhor lugar do Bronx. Tinha bons livros, tocava música boa, o café era delicioso e Ethan, o atendente, era meu amigo. Eu costumava passar as tardes de sexta, como essa, lá. Ou lia livros, ou passava a tarde conversando com Ethan ou apenas dormindo no sofá super confortável do lugar. E essa sexta não foi diferente. Entrei na livraria e o sininho tocou. Olhei para Ethan que dormia na cadeira com os pés na bancada. Ri da cena. Cheguei devagar no computador e aumentei o volume da música que tocava na livraria no máximo e ele acordou assustado.

–DESGRAÇADA! — ele gritou abaixando a música.

–Você não devia dormir no trabalho, alguém pode vir e roubar seus livros.

–Ninguém no Bronx se importa com livros! O FATO É QUE EU ESTAVA PRESTES A BEIJAR A MEGAN FOX! SABE QUANDO EU VOU TER UM SONHO ASSIM DE NOVO?

–Nunca?

–Isso mesmo, nunca!- disse ele decepcionado.

–Desculpa! Dá próxima vez, você me avisa que você tá sonhando com a Megan Fox, que eu não te acordo. — eu disse sarcástica

–Claro. Pode deixar que eu vou lembrar de te avisar.- respondeu ele, no mesmo tom. Eu ri e ele acabou rindo junto.

Ethan tinha cabelos castanhos e era magrelo. Era muito engraçado e tinha um ótimo gosto musical. Essa tarde passamos conversando e ele me indicou alguns livros. Quando olhei no relógio de novo, eram 8 horas da noite. Como já estava tarde, resolvi ir para casa. E isso não era um problema para Ethan, já que ele morava em cima da livraria. Me despedi e sai.

Passei por dois quarteirões e decidi pegar o atalho pela rua da direita. Péssima escolha. Quando virei a esquina, tinham três garotos com garrafas de Vodka na mão. Eu os conhecia e eles não eram nem um pouco confiáveis. Pensei e dar meia volta, mas meu orgulho falou mais forte quando ele me chamou:

–Olha se não é a Walker.

–Vê se me deixa em paz, ok?

Ele riu sarcasticamente.

–Olhe, somos três contra um. Estamos armados e bêbados. E bem, você não é o tipo de menina para se jogar fora...

Ele se aproximou e eu coloquei a mão no revolver na minha cintura, mas antes de sacar, senti um braço segurar meus ombros e hesitei. Olhei para o quem tinha me abraçado e era um cara alto, musculoso, com cabelos castanhos e olhos verdes.

–Sr. Peter Reeves. Não sei se você se lembra de mim, mas passamos por situações complicadas, não é? Bem, acho melhor você não me dar motivos para que aconteça tudo de novo, certo?- disse ele.

A expressão de Peter mudou de malicia para medo e depois para raiva.

–Claro, Collins...

E então ele saiu correndo com os outros garotos. Eu teria raiva de Collins, se ele não fosse tão gato. Mas em vez disso, sorri.

–Garotas como você não devem andar sozinhas num bairro como esse... Meu nome é Andrew.

–Eu saberia me proteger sozinha, Andrew. Mas eu agradeço sua ajuda. Meu nome é Emma.

Continuei andando e ele me seguiu.

–Para onde está indo?- ele me perguntou.

–Para casa...

–Quer companhia?

–Não precisa, minha casa não é longe.

–Bom, eu to indo para o bar, aqui na próxima rua.

–Boteco do Jonh?

–Sim...- ele disse e riu baixo.- Se você quiser me acompanhar...

–Parece irrecusável.

–Eu gostaria que fosse.

–Tudo bem...

Ele me olhou e então eu percebi o quanto ele era lindo.

–Mas só uma cerveja.- eu continuei e ele riu.

Andamos até o bar. Descobri que ele não morava longe de mim. Na verdade, ele morava a 6 quadras de mim.

Chegamos no Boteco do Jonh e sentamos na bancada. Andrew pediu duas cervejas para a atendente. Eu não tinha idade para isso, mas ele não precisa saber.

Fui no banheiro e liguei para Derek avisando que ia chegar atrasada e depois voltei para onde Andrew estava sentado.

–O que você estava fazendo andando sozinha?- ele me perguntou.

–Eu estava voltando da livraria que tem aqui perto.

–Gosta de ler?

–Sim... Porque?

–Eu gosto de meninas inteligentes.- ele disse.

Então a atendente nos entregou as cervejas.

–Para falar a verdade, nem todo mundo que lê é inteligente. E essa cantada foi péssima...- eu disse e ele riu.

–Desculpa, eu to meio enferrujado com essas coisas... Meu trabalho não tá me dando tempo para nada.

–O que você faz?- perguntei dando um gole da garrafa.

–Trabalho para o exercito.- ele disse e eu hesitei um pouco. Não era nada bom eu me envolver com alguém que trabalha para o governo.

–E você?- ele me perguntou.

–Eu trabalho num pet shop, por enquanto...- menti.

Ele sorriu.

–Claro... Desculpa, mas eu nem perguntei quantos anos você tem...

–Tenho 21. — menti. Na verdade, tenho 16.

–Serio? Você tem cara de mais nova.

–Sim, todos me dizem isso...- disse um pouco nervosa.-E você? Tem quantos anos?

–22.- ele disse sorrindo.

Depois disso, ficamos conversando até umas 10 horas. E ele me levou em casa.

–Eu moro aqui, nesse prédio velho.

–Bem, é muito melhor que o meu.- ele disse sorriu.- Posso te ver outra vez?

–Se eu estiver livre... O que é bem provável, pode acontecer.

Então dei a ele meu número. E entrei. Quando abri a porta do apartamento encontrei Derek dormindo no sofá. Tomei um banho quente e coloquei meu pijama mais confortável. Escolhi um livro da minha estante e li até dormir.

*Smith&Wesson22A

Andrew

Ethan