Genesis

6 Brandon Haynes - 05/2014


Brandon Haynes

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Meu celular vibrou em cima da pia de mármore branco enquanto eu tomava banho. Tentei ver a foto de quem estava me ligando pelo vidro embaçado do boxe. Quando reconheci Margo sorrindo, corri mesmo molhado para atender.

–Oi amor!- ela disse animada do outro lado da linha.

–Oi princesa, ta tudo certo?

–Sim! Olha, o Fernando já está chegando no aeroporto. Você já esta aqui?

–Não...

–E onde você esta? — ela disse um pouco irritada. Ela odeia esperar e se ficasse brava, já era minha noite.

–To chegando! Está um engarrafamento aqui! Olha tenho que desligar! Já te ligo!

Corri para o chuveiro correndo e tirei o resto de sabonete do corpo. Sequei o corpo em velocidade luz e sai colocando as roupas. Terminei de colocar a blusa no carro carro e acelerei em direção ao aeroporto.

Não demorei tanto quanto achei e assim que pisei no aeroporto meu celular tocou. Era ela de novo.

–E ai?

–Cheguei!

–Tudo bem, estou no Starbucks. Christina já foi embora. Deu tudo certo.

–Beleza! To indo para ai.

Corri até o Starbucks e encontrei ela sentada sozinha com 1 mala gigante do lado. Graças a Deus, ela parecia calma. Minha noite ainda pode ser boa! Sequei o fio de suor que descia minha testa e corri até ela.

–Margo!

–Até que enfim você chegou. Estava com saudades! — ela disse e me abraçou.

–Eu fiz o máximo que pude para não te fazer esperar, mas o trânsito... Você sabe!

–Sei sim! Vamos..

Ela levantou e eu a ajudei com a mala. Andamos até o meu carro enquanto ela falava de como tinha enganado Christina e Fernando. Depois ela me contou que Lexy, a dona da casa que supostamente ela passaria o feriado, ia ligar para o Sr. Thompson avisando quando Margo "chegasse".

Eu dirigia enquanto ela falava de tudo. Quando ela terminou de falar tudo que tinha acontecido, perguntou:

–E ai? O que sua mãe achou do campeonato?

–De futebol? Ela adorou!- eu disse e ri.

–Que bom! Eu to muito orgulhosa!- disse pegando minha mão que repousava na marcha.

Olhei para ela e sorri. Ela ficava muito mais bonita enquanto não estava falando sobre bolsas e sapatos, e por um instante, ela nem parecia a filha do governador, era apenas a minha menina. Então, ela voltou a falar.

–Brandon! eu esqueci de falar! Você não vai acreditar o que a Amber fez!

–O que ela fez?- disse parecendo fingir interessado.

–Tipo, ela foi na loja comigo e a gente escolheu um vestido lindo para eu usar na festa que meu pai vai dar, sabe, né?

–Sei. Você mandou foto quando comprou. É muito lindo mesmo.

–Eu sei! Continuando, ela foi na mesma loja e comprou o mesmo vestido! E depois me avisou! Que vadia, né?

Apenas concordei e ela continuou falando de como Amber era vadia até a gente chegar em casa. Estacionei meu carro na garagem e ela saiu do carro e entrou em casa. Eu sai, peguei a mala gigante, e levei para dentro. Quando cheguei, ela já conversava animadamente com minha mãe.

–Querido!- disse minha mãe quando me viu.- Nem te vi sair de casa.

–Eu estava apresado!- eu disse e sorri.- Margo, vamos subir?

Ela concordou e depois resolvemos ir para o shopping até dar a hora para irmos para casa dela. Então peguei minha mochila e coloquei a mala no carro. Fomos para o shopping mais caro da região. Lá, tomamos sorvete e ela comprou roupas. Como sempre...

Eram 18:30 horas quando resolvemos ir para casa. Entramos no carro e seguimos em direção da casa dela.

–Brandon, a gente pode alugar um filme?

–Claro! Qual filme?

–"(500) dias com ela"!

–Não! Não! E não!

–Siiiiiiiiiiiiiim!

–Margo! A gente já viu esse filme um milhão de vezes! Não vamos ver de novo.

5 minutos depois eu estava voltando para o carro com "(500) dias com ela" na mão.

–Sabe que eu te amo, né?- ela disse quando entrei no carro.

–Sei sim.

O resto da viagem ela cantou junto com o radio e foi até divertido.

Chegamos na frente da enorme mansão branca. O portão de ferro estava trancado. A guarita vazia e escura. Era como se ninguém morasse ali. Então um pequeno detalhe veio a minha cabeça. Stuart Thompson nunca deixaria a casa tão vazia. Ele nunca ficaria sem seus seguranças. Aquilo de repente me pareceu muito estranho. Mas ignorei.

Margo saiu do carro na noite fria e digitou a senha que abria o portão em casos de emergência numa pequena tela escondida entre as folhas.

Ela entrou no carro. E eu estacionei em frente a porta. Olhei para a mansão e nunca vi tão escura e chegou a ser um pouco assustadora. Margo olhou para mim e percebi que ela pensou o mesmo que eu, mas ninguém falou nada. Saímos do carro e eu levei a mala e minha mochila para dentro de casa. Entrei primeiro, e não pude ignorar um frio que subiu na minha espinha. Uma sensação ruim. Ela deixou a mala do lado da porta e acendeu as luzes. Então a casa se iluminou, porém, continuou vazia e silenciosa. Ela ligou todas as luzes por onde passávamos sem desligar depois e subimos para seu quarto. Lá, ela ligou a TV num volume alto e o silencio se dissipou. De repente a casa tinha vida de novo. O frio na nuca passou, mas a sensação ruim não. Margo parecia mais calma agora.

–Bom, eu vou tomar banho, tudo bem?- ela disse.

–Posso ir com você?

–Ainda não!- ela disse rindo.- Eu tenho uma surpresa para mais tarde.- e então piscou.

Enquanto ela tomava banho, eu tirei meu tênis e me joguei na cama. Coloque no canal de esportes e fiquei assistindo. Uns 20 minutos depois, ela saiu do banheiro de pijamas. Depois, minha vez de tomar banho. Tomei mais um banho quentinho. Admito que fiquei ansioso com a surpresa e acabei tomando mais uma ducha do que um banho. Eram quase 21 quando deitamos juntos para assistir o filme (dormir). Ela colocou e nos 10 primeiros minutos, eu já estava cochilando, quando ela me chamou:

–Brandon?

–Sim?- disse sonolento.

–Faz um favor para mim?

– Uhum...

–Que tal pegar um lanchinho para gente?

Depois de 10 minutos insistindo, eu resolvi descer.

A sala do andar de baixo, para onde a escada dava, tinha dois grandes corredores, uma para esquerda e outro para direita. Percebi que não lembrava qual deles ficava a cozinha então arrisquei o da esquerda. Nele, haviam mais salas e corredores e eu fui chutando o caminho até desistir. A cozinha deveria ser do outro lado. Aquela casa era realmente enorme.

Margo já tinha me mostrado, mas eu realmente não lembrava o caminho. Enquanto voltava, dei de cara com uma porta branca, extremamente protegida. Era a do laboratório de Madeleine. Olhei novamente e percebi que a porta estava aberta. Tentei ignorar, mas a curiosidade foi tanta que eu decidi dar uma olhada. A porta dava para um corredor branco e bem iluminado com mais três portas. Uma no final e 2 de cada lado. Andei até a porta do final e abri. O laboratório era grande. Em cima da bancada principal, havia uma única caixa de papelão, enquanto todas as outras bancadas estavam vazias.

A caixa estava toda rasgada, como se tivesse sido aberta rápido e depois, fechada de qualquer jeito. Talvez Madeleine estivesse com pressa.

Já que estava rasgada, decidi ver. Dentro da caixa, havia uma outra de acrílico com uma garrafinha dentro. Peguei a garrafinha. Estava escrito HGGN01.

A garrafinha transparente exibia um liquido alaranjado. Era bonito. Mas por distração, deixei a garrafinha cair na bancada. O vidro quebrou e o liquido se espalhou pela mesa. Droga! Deve ser alguma doença maluca. Num impulso rápido, tentei limpa tudo e acabei cortando a mão. Não doeu tanto, mas sangrou. Corri para lavar na pia do laboratório e depois empurrei o vidro para o canto junto com o liquido. Corri do laboratório e procurei a cozinha. Quando finalmente achei, me apoiei na bancada.

Meu coração batia aceleradamente. Não sei se foi pelo susto ou qualquer coisa. Bebi água, lavai o rosto, mas a sensação não passou. Lavei a mão que voltou a sangrar na pia da cozinha. Coloquei um papel toalha por cima para parar de sangrar. Esperei mais um pouco, peguei um lanche qualquer e subi.

–Porque você demorou tanto, amor?- perguntou Margo.

–Eu...Eu quebrei um copo lá em baixo. Ai eu limpei tudo antes de subir...- eu disse mostrando a mão machucada.

Decidi não contar para ela sobre o laboratório, para não deixa-la preocupada e eu também não queria parecer enxerido. Além do mais, se Madeleine descobrisse, ela não ia gostar nem um pouco.

–Ah, não precisava! A Mary podia limpar tudo amanhã!

–Bom, eu adiantei o trabalho dela...- eu disse e dei um sorriso meio nervoso.

Então coloquei a bandeja com o lanche na cama e deitei ao lado dela.

–Você tá bem? Parece nervoso.

–Foi só o susto do copo quebrando. Nada de mais, ok? Coloca o filme.

–Ok...

Ela apertou play e o filme começou.

Uma inquietação subiu pela minha garganta. Será que aquele liquido era alguma doença ou coisa assim? Merda! Eu não quero ficar doente! Meu dedos começaram a tremer. Escondi por debaixo do cobertor, e então me controlei por uns vinte minutos.

Então, uma enxaqueca me atingiu como se tivessem batido com um taco de basebol na minha cabeça. Era doloroso. Meu cérebro parecia estar sendo amassado. Como se meu olhos estivem sendo empurrados para fora. A pior sensação que eu já havia sentido na vida.

–Mago! Por favor! Pega um analgésico para mim! Por favor! Eu acho que vou morrer de tanta dor de cabeça!

–Calma! Er.. Eu não sei onde ficam os rémedios...

–Procura! Por favor!- eu disse um pouco desesperado. Me sentei na cama e tentei massagear a cabeça enquanto ela desceu correndo.

10 minutos se passaram. Ela não tinha voltado e dor só aumentava. Para piorar a situação. Um ânsia de vomito dominou meu corpo. Corri para o banheiro e vomitei tudo o que tinha comido na semana. Respirei fundo e tranquei a porta. Sentei no chão e a ânsia não tinha passado. Voltei a vomitar, mas quando vi. Era sangue. Levantei rápido e quando olhei no espelho, meu rosto estava pálido, meus olhos amarelados e minhas juntas esverdeadas. O que estava acontecendo comigo?

Abri a torneira da banheira de Margo e coloquei minha cabeça debaixo da água. Vi sangue escorrer pelo meu rosto. Meus ouvidos, nariz, e boca estavam sangrando. Não muito, mas pequenas linhas vermelhas desciam pelo meu rosto.

Senti minha vida esvaindo de mim. Meus pensamentos não tinham mais sentidos e se tornavam vagos. Minhas lembranças estavam turvas e iam se apagando. Minha cabeça girava. Meus olhos reviravam. Minha força estava indo embora. Eu já não me controlava mais. E tudo foi se apagando da minha mente.

Se passavam exatamente 50 minutos desde quando eu tive contado com aquele maldito liquido alaranjado. Não tinha ideia de como eu sabia disso, mas eu sabia. 50 minutos.

Depois, minha cabeça se tornou um buraco negro. Quando olhei para porta trancada, eu tive certeza de que quando eu saísse por ela, eu já não seria mais Brandon Haynes. E então, tudo se apagou na minha cabeça. E só um pensamento estava aceso.

Sangue, carne, morte.

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