Genesis

2 Emma Walker - 05/2014


Notas iniciais
Desculpem a demora para postar o Capitulo, mas ta ai!

Emma Walker — 05/2014

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"Ding-Dong"

Eu estava parada, na frente da enorme casa da Sra. Mabel, segurando seu pequeno e mimado Shih-Tzu. Esperei uns 3 minutos para que ela aparecesse com seus óculos que deixavam os olhos gigantes. Antes que eu pudesse dizer algo, seus olhos se direcionaram para o pulguento no meu colo e um sorriso desdentado e um pouco assustador se abriu naquela cara enrugada.

–Dionísio!- exclamou arrancando o cachorro dos meus braços. Depois de umas palavras que eu não consegui decifrar ela olhou para mim. — Onde você o achou?

–Ele estava andando pela minha rua...- menti.

–Ele estava triste?- ela perguntou realmente preocupada.

–Sim, claro. Estava morrendo de saudades de você. Com toda certeza...- disse sorrindo forçadamente.

–Awnt, tadinho do meu bebê.- ela disse apertando a pobre criatura e beijando todo o rosto dele, uma cena BEM nojenta. — Obrigada menina, você salvou meu filhinho! Eu vou pegar sua recompensa...

–Não, não precisa... Eu só quis ajudar..

–Menina! Pare com isso. É claro que eu vou te pagar, venha. Qual seu nome?

–É Lucy...- Menti. Na verdade, meu nome é Emma, mas ela não precisa saber disso.

–Venha Lucy, vou pegar seu dinheiro. Eu tinha anunciado 300 dólares, sim?

–Sim.

–Bom, eu vou te pagar 400, tudo bem? Ai você compra umas roupas mais bonitinhas, tudo bem?- Espera ai, ela disse que minhas roupas são feias? -Eu pagaria qualquer coisa pelo meu bebezinho. Me espere aqui fora, vou pegar o dinheiro.- disse virando as costas.

Eu virei e sorri vitoriosa para Derek, meu irmão, que esperava dentro de Dallas, o Ford Maverick preto estacionado do outro lado da rua (sim, esse foi o nome que Derek o deu). Ele é extremamente parecido comigo. Cabelos tão escuros, que tomavam tons azuis no sol, olhos cor de mel, covinhas assimétricas e sorriso sedutor. Tudo bem que ele era mais alto e mais forte do que eu, mas, eu ainda era mais durona que ele. É a vida...

Voltando, eu estava com peninha de roubar aquela senhora, mas depois de falar das minhas roupas, o sentimento sumiu. Quer dizer, eu não me visto femininamente, eu me visto estrategicamente. Bom, eu tive que cuidar daquela coisa que ela chama de bebê por 4 dias, eu merecia o dinheiro. Ninguém mandou ela perder ele, ou, deixar que o roubassem. Mas quem faria isso? Bom, eu e Derek... Mas fazia sentido. Nós roubávamos o cachorro, mantínhamos ele por alguns dias, devolvíamos e pegávamos a recompensa. O que gastávamos com a ração, era no máximo, 10 dólares. Era lucro sem dúvida.

Claro que contávamos com a ajuda do nosso "cabeça", Connor. Ele pesquisava onde roubar, quem roubar e quando roubar. Por exemplo, ele pesquisava os nomes das clientes do SPA Platinium Canino. Obviamente, quem gasta quase 500 dólares para que seu bichinho recebesse massagem e tratamentos de beleza, pagaria 400 dólares pelo próprio bichinho. Mas 400 dólares para mim e Derek não era muita coisa. Tínhamos que pagar o apartamento, comida, gasolina, e ainda tínhamos que dar a parte de Connor, para ele investir na sua tecnologia. Então, nos finais de semana mais elaborados, nos visitávamos o cofre de alguns senhores da alta classe.
Mas não me entenda mal, não somos os bandidos da historia. Tínhamos um política de roubo. Roubávamos aqueles que roubam. Ou seja, corruptos.

Sra. Mabel apareceu na porta me tirando do devaneio. Ela me deu um envelope e agradeceu umas 10 vezes. Quando cheguei no carro, Derek encarava o envelope.

–E ai?- perguntou ele.

–400 dólares.-sorri.

–Beleza. Ai, Connor nos chamou para a casa dele, agora!

–Qual a emergência?

–Bom, ele descolou um alvo.- disse sorrindo, com aquele jeito meio inocente dele.

–Eu gosto de ótimos alvos.- eu disse um pouco maliciosa.- Qual é o alvo?

–Ainda não sei...

E então me lembrei de uma coisa.

–Cara, não é seguro conversar sobre isso com os Clarinton lá.

–Eles vão sair, a casa é nossa.

–Tudo bem então, vamos...

Então ele arrancou o carro e dirigiu em direção ao Brooklyn.

Eu e Derek conhecemos Connor no orfanato. Quando nosso pais morreram, a três anos, e tivemos que passar um tempo no lugar. Connor estava lá a 3 anos. Depois que ele foi adotado pelos Clarinton, em 2012, nós resolvemos fugir e desde então, levamos a vida assim, roubando. Connor nos ajuda desde sempre, e para falar a verdade, eu nem sei por que.

Nós roubamos 6 casas nesses 2 anos, e nenhuma quantia maior que 5 mil dólares. Todas as casa roubadas eram de empresários e comerciantes corruptos. Como eu disse, não somos os vilões, só queremos sobreviver. Tudo bem que é de forma injusta, mas quem disse que a vida foi justa comigo quando tirou os meus pais aos 13 anos? Não quero ser justa mesmo e também não peço por justiça.

Enfim, depois de meia hora, chegamos na frente de uma casa, relativamente grande. Derek buzinou e não demorou muito para Connor aparecer. Ele usava sua roupa típica, calças jeans, blusa branca e casaco. Tinha cabelos castanhos e olhos um pouco mais claro.

Saímos do carro e Derek o cumprimentou do jeito que eles faziam. Ele me abraçou e eu resmunguei, mas depois sorri.

–E ai?- perguntei.

–Vocês não vão acreditar no que eu descobri.- ele disse e olhou para os lados.- Vamos, entrem logo.

Seguimos ele até o porão. Lá ele guardava todos os equipamentos que ele usava para ajudar a gente.

–Bom.- disse mexendo no computador.- Eu fiquei um pouco desconfiado, depois de uma entrevista.

–Entrevista com...?- perguntou Derek.

–Nosso queridinho Thompson.

–Thompson? O Governador Stuart Thompson?- perguntei.

Stuart Thompson era o governador de Nova Yorque. O politico mais querido e amado pelo povo americano. Era casado com uma das mais renomadas cientistas da America, Madeleine Thompson. Enfim, ninguém nunca levantava o dedo para contradizer sua candidatura.

–Sim, sim. Cale a boca, Walker, me deixa terminar.- e ele pois o vídeo da entrevista, sem som.-Na entrevista, um senhor se levantou da plateia e alegou que Thompson estava desviando dinheiro publico para seu cofre pessoal. Obviamente, ele foi defendido por outro senhor da plateia e pelo apresentador. E também negou o fato. Porém, ele hesitou um pouco. Foi quase imperceptível...- e então ele pausou. Thompson tinha cerrado os punhos e feito uma leve expressão de medo, mas em segundos, voltou ao normal.- Viram?

–Talvez ele só tenha ficado chateado com o que o cara disse, Connor.- disse Derek.

–Quando você é acusado de corrupção é normal ficar com raiva do cara que disse isso. — concordei com Derek.

–Sim, mas é mais normal ficar com raiva, se o cara tiver certo.- disse Connor, e fazia sentido.- Enfim, eu fiquei desconfiado, e pesquisei tudo sobre Stuart Thompson. Não achei nenhum fato importante. Mas eu consegui entrar no sistema da sua mansão. Ele tem uma filha, só foi preciso criar um link falso de um leilão dos sapatos do Justin Bieber e "PAH". Ela clicou, e eu consegui entrar no sistema da casa. Já o computador principal tinha outra rede de internet e eu tive que...

–Corte os detalhes, Connor, por favor!- eu o interrompi.

–Tudo bem, desculpa. Bem, eu consegui entrar no sistema e achei um documento com o sistema de desvio de dinheiro. Ele é corrupto. Ele é nosso alvo.

–Connor, sem querer ser estraga seus prazeres, mas roubar um grande empresário já é difícil. Imagina roubar o governador de Nova Yorque?- disse Derek.

–Tudo bem, eu tenho um plano... Stuart e a mulher, a cientista Madeleine, vão viajar para comemorar alguns anos de casamento, se não me engano, 18. Enfim, eles vão viajar. Margo, a filha, vai passar alguns 3 dias na casa de sua amiga, na Califórnia. Então, eu liguei para a governanta da casa como se fosse Stuart e falei que daria folga aos empregados durante a noite nesses 3 dias. Ou seja, durante 3 noites, a casa vai estar vazia. Eu estou rastreando o celular de Thompson, então se a governanta ou qualquer empregado da casa ligar eu saberei e vou poder desviar a ligação para o meu celular. Então, sem chances dele descobrir. Como eu disse antes, e entrei no sistema da casa, e consegui acesso ao sistema de segurança. Ou seja, vocês vão poder entrar na casa tranquilamente.

–Você é um gênio.- comentei.

–É, eu sei...

– E também um grande filho da puta! Quando fazemos isso?- perguntou Derek.

–Bom, Stuart e Madeleine, viajarão hoje, Margo vai viajar depois da aula, e os empregados vão tirar a primeira folga amanhã. Então, amanhã a noite nos podemos entrar...

Depois disso, voltamos para o apartamento alugado no Bronx e preparamos a mochila para a noite seguinte. E para ser honesta, eu estava bem ansiosa para ver no que isso ia dar.

Emma Walker
Derek Walker
Connor Robinson