Notas iniciais
Yo, esse prólogo diz como o Asmita encontrou sua nova aprendiz *---* e começou a treiná-la.
A história de verdade começa no próximo capítulo :3
Aproveiteem ^.^

Luna despertou por força do hábito, antes mesmo do sol nascer. Ela se sentou na cama, olhando pela janela do seu quarto. O chão do vilarejo de Rodório estava coberto por resquícios de névoa, e o céu, totalmente nublado. Nuvens de tempestade gigantes e negras se aproximavam rapidamente.

Se levantando, ela vestiu rapidamente um vestido de um tecido rustico, que mais parecia um saco de farinha. Antes de sair do quarto, ela se olhou em um pedaço de espelho.

Seus cabelos prateados estavam emaranhados como um ninho de rato. Seu olho esquerdo, que era de um verde intenso, parecia brilhar na claridade do dia nublado. Suspirando, ela pegou uma faixa de gaze e enrolou na cabeça, de modo a esconder seu olho direito, que era azul como o mar.

A menina saiu de seu quarto e foi para cozinha, preparar o café da manha do tio antes que ele acordasse. Luna arrumou tudo com rapidez antes de sair de casa.

Lá fora, seu olho descoberto ardeu com a claridade. O sol já havia nascido, e as nuvens que cobriam o céu espalhavam seu brilho, fazendo parecer que a luz vinha de todos os lugares.

Algumas poucas pessoas começavam a sair de suas casas, para ir trabalhar ou fazer as tarefas de casa antes que a chuva chegasse. Calmamente, Luna se dirigiu para o mercado, prolongando o máximo possível o tempo fora de casa.

Para ela era fácil se esgueirar entre as pessoas no mercado já lotado. Com oito anos, parecia uma criança de seis. Sempre fora pequena para idade, e estava magra demais, quase desnutrida.

No seu bolso havia algumas moedas de ouro. Ela comprava decentemente as coisas que precisava para o almoço. Até que seu primeiro obstáculo surgiu.

– Saia daqui, menina, o mercado não é lugar para crianças – disse-lhe um comerciante, numa banca de maçãs, ignorando a moeda que ela lhe estendia para pagar pela fruta.

Espumando de raiva, Luna pensou em gritar que não era uma criança. Ela já se virava sozinha desde os quatro anos, fazendo as tarefas de casa destinadas a mulheres maduras. Ao invés de gritar, ela agarrou uma maçã e saiu correndo, desviando de todos os pares de mãos que tentaram agarrá-la.

Correu até sair do mercado. Depois parou e respirou fundo para se acalmar, encarando o fruto roubado. Não podia negar que estava morta de fome, o tio lhe destinava apenas uma refeição por dia, normalmente o almoço.

Ela escalou uma casa próxima, e foi pulando os telhados até encontrar um que lhe desse uma vista para o mercado. Então se sentou e comeu a maçã calmamente, olhando o movimento.

Sua mãe morrera quando ela tinha quatro anos. As lembranças do dia da morte da mãe estavam guardadas junto com outras em que a menina não pensava nunca. Luna não conhecia o pai, e sua mãe nunca havia falado sobre ele. O tio com quem morava era irmão dele, mais tão pouco lhe dava alguma informação. Ela tinha esperança de um dia encontrar o pai, ou que ele viesse busca-la, mais isso já era apenas uma fantasia. Ela apenas se contentava com a certeza de que, onde quer que estivesse, o pai era uma pessoa melhor que o tio.

O tio de Luna não era uma boa pessoa. Em seu estado normal, ele era abusivo, sarcástico, pervertido. Mas à menor provocação, ele virava uma besta, inumano. Ao chegar a esse ponto, o tio era capaz de fazer coisas horríveis.

Até matar.

Luna desceu do telhado e mal havia colocado o pé no chão quando uma mão lhe agarrou o ombro com força. Ela nem precisaria olhar para saber a quem a mão pertencia.

– Quem foi que deixou você sair de casa? – gritou o tio, intensificando o aperto.

Sempre quando estava diante dele, Luna vestia uma máscara inexpressiva. Seu olho disponível não demonstrava dor, seu rosto estava desprovido de emoções. Ao falar, sua voz não tinha sentimento algum.

– Eu estava comprando comida para fazer o almoço.

O tio grunhiu de raiva. Ele empurrou Luna, fazendo-a cair no chão, ainda não demonstrando nenhuma emoção.

– Vá para casa. – ele berrou – AGORA!

Ainda indiferente aos gritos do tio, ela se levantou, arrumou o vestido e foi para casa. Assim que saiu do campo de visão dele, ela verificou o ombro que tinha sido agarrado. Marcas roxas começavam a aparecer.

Depois de vestir a máscara da indiferença, ela dificilmente a tirava. Sabia que se seu rosto inexpressivo fosse demonstrar algum sentimento, ela começaria a chorar. E Luna odiava demonstrar fraqueza. O único jeito de sobreviver aos dias com o tio era encarar tudo como se fosse com outra pessoa. Ela era só uma espectadora olhando a vida de alguém.

Ela nem reparou em uma comoção em uma das ruas que dava em sua casa. Homens vestidos com armaduras douradas e longos mantos passavam, e as pessoas paravam para vê-los. Porém Luna passou indiferente pela multidão, em linha reta, milagrosamente sem esbarrar em ninguém.

Nem sequer reparou quando um dos Cavaleiros virou o rosto em sua direção. Ele pareceu observá-la até sair de sua vista.

Porém o Cavaleiro não a via, e sim sentia um poder escondido, como algo que é reprimido ao máximo até finalmente explodir.

– O que foi, Asmita? – perguntou outro dourado.

– Eu pensei ter sentido... não, não foi nada.

...

Luna chegou em casa, e preparou a refeição do tio. Não se lamentou quando ele não apareceu para o almoço. Ela comeu sozinha, e quando terminou ainda ousou pegar uma porção do prato dele, não o suficiente para ele perceber.

Porém conforme as horas tranquilas iam passando, ela começou a ficar preocupada. Para o tio demorar assim, algo devia ter acontecido. E ela não queria estar no caminho quando ele retornasse.

Anoite já havia caído.

A porta da casa se escancarou, quase saindo das dobradiças, e o tio entrou, furioso. Luna apenas olhou para seus olhos e percebeu que indiferença de nada adiantaria agora.

Ele estendeu as mãos para a menina, porem ela desviou-se e correu para a porta. Antes que desse dois passos, o tio agarrou-a pelos cabelos e Luna caiu no chão.

Ainda sem soltar a menina, ele se sentou sobre ela no chão. Quando voltou a olhar nos olhos do tio, Luna viu uma estranha mistura de sua personalidade racional misturada à raiva. Ela não precisava ser uma mulher madura para saber o que o tio faria a seguir.

Tentou se contorcer, gritar, mais a única coisa que conseguiu foi um tabefe na cara. Logo uma das mãos do tio apertava sua garganta. Um zumbido estranho surgiu nos seus ouvidos.

Um barulho de pano rasgado foi ouvido. Foi quando uma imagem tomou sua mente.

Era como se a menina assistisse a mesma cena, só que do chão ao lado. Ao invés de Luna, sua mãe é que tinha as mãos do tio apertadas sobre o pescoço.

Pela primeira vez na vida, Luna teve vontade de ser forte, mas não para se defender, e sim para machucar.

– NÃO ENCOSTE EM MIM! – ela gritou, e uma força invisível empurrou o tio para o outro lado da sala. Ele bateu na parede e caiu no chão. Luna se levantou. Ainda podia sentir o poder em suas mãos. Ela olhou para o tio, e apontou para ele, pronta para disparar o que quer que estivesse em suas mãos.

Porém antes que o fizesse, outra imagem surgiu na sua cabeça. Era sua mãe novamente, porém dessa vez ela estava feliz, com um sorriso calmo no rosto. Ela olhava para Luna com ternura, e falava alguma coisa que a menina não podia escutar.

Subitamente a força a abandonou e ela caiu no chão, tremendo. Ela não sabia por que, mais simplesmente não era capaz de machucar o tio.

Enquanto isso, ele havia se recuperado. Foi em direção a menina, e a levantou pelo pescoço. A raiva agora não deixava espaço para palavras. Ele colocou a mão sobre a boca dela, tapando o nariz também. Luna mordeu a mão dele por reflexo. O tio gritou e tornou a jogá-la no chão.

Agora ele gritava palavras desconexas enquanto tornava a apertar a garganta dela, e com a outra mão tentava tirar o que havia sobrado do seu vestido.

Luna estava convencida que depois que terminasse o que estava fazendo, o tio a mataria. Ela não sabia dizer o porquê. Essa não era a primeira vez que ele abusava dela dessa maneira, porém nunca antes com tanta raiva. Ela ainda resistia ao tio, mais agora mantinha os olhos cerrados.

Antes que o tio de Luna alcançasse seu intento, o que restava da porta explodiu, e passos entraram no recinto. Luna sentiu o tio sendo tirado se cima dela, porém não abriu os olhos.

Os sons de uma luta puderam ser escutados pela menina, que se sentou e encolheu-se junto à parede. Lá fora, uma chuva pesada e constante começou a desabar. Porém dentro de casa, logo fez-se silêncio.

Hesitante, Luna abriu os olhos. Seu tio estava estirado no chão, no outro lado da sala. Sua cabeça estava virada para trás em um ângulo inumano. O peito tinha crateras que haviam partido as costelas, devido à violência de alguns socos. Estava visivelmente morto.

Olhando para o corpo do tio, Luna não foi capaz de sentir nada. Ela não sentia tristeza por sua morte, mais também não estava feliz. Tampouco sentia raiva, liberdade, desejo de vingança. Simplesmente... nada.

A menina não olhou para o tio por muito tempo. Seus olhos logo voltaram-se para aquele que a salvara. Se ela tivesse prestado atenção mais cedo, teria reconhecido o belo homem de cabelos loiros compridos e uma armadura dourada. Porém, como o via pela primeira vez, ele lhe parecia um deus.

O homem mantinha os olhos fechados, mas Luna o encarava num misto de fascínio e agradecimento. Não se passou muito tempo e outros homens de armaduras douradas apareceram.

– Asmita...! – disse espantado um deles. O cavaleiro tinha fama de ser calmo. – O que aconteceu a...

Qualquer outra manifestação restante foi interrompida quando Luna se levantou do canto que estava e correu para junto de seu salvador. Os outros dourados só puderam ver as marcas roxas ao redor do pescoço da menina e em seu rosto, e seu vestido rasgado, antes que Asmita a cobrisse com seu manto.

Ele se ajoelhou, com um sorriso simpático para a menina.

– Como é o seu nome, pequenina? – ele sussurrou para ela, para que apenas a menina o escutasse.

– Lu-una, senhor. – ela respondeu baixinho, encarando o chão. A faixa sobre seu olho direito havia caído, assim como a sua postura indiferente. Ela estava assustada, triste, com medo, e não conseguia mais esconder. Soluçou baixinho.

– Ei, ei... – ele disse, colocando as mãos nos ombros dela. – não chore... já terminou. Se você quiser, eu vou cuidar de você agora.

No momento em que ele colocou as mãos em seus ombros, Luna se encolheu, porém esse sentimento logo evaporou-se. O loiro vestido com uma armadura dourada lhe inspirava confiança. Ela anuiu com a cabeça.

Asmita se levantou, bagunçando os cabelos dela com uma mão. Ele levantou a cabeça para os colegas.

– Vamos voltar para o Santuário agora.

Em parte pelo espanto, os outros dourados nada disseram. Saíram pela porta, prestes a iniciar a subida até o Santuário da Atena. Luna havia machucado a perna ao ser jogada no chão, por isso Asmita a pegou no colo. Logo a menina dormia enrolada no manto do cavaleiro, com a cabeça escondida em seu peito.


Notas finais
Então, como ficou? *--* Mereço reviews? (>°3°)>
Eu pensei em descrever uma cena do tio violentando ela, mais não tive estômago pra isso \(>∩<)/ gomenasai.
Já tenho o primeiro capítulo pronto, então pretendo postar logo <(*U*<) se não amanha, final de semana com certeza.
Espero que alguém leia :3
o/ até mais :*