Gata De Rua
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Esse capítulo é mais descritivo e meio parado >.< falando de como tem sido as coisas nesse tempo que passou :3 espero que não tenha ficado muito chato ç.ç
Muito obrigada às que mandaram reviews (/*o*)/ e boa leitura :*
Luna acordou com o sol batendo no rosto. Ela se espreguiçou e levantou da cama, indo até a janela. O sol glorioso da manhã lhe dava uma sensação gostosa.
O Santuário começava lentamente a acordar. A menina olhou o horizonte, podendo enxergar todas as cinco casas que vinham antes da de Virgem. As casas seguintes eram escondidas de sua visão, mas dali ela podia ver o topo da 13ª casa, onde morava o Grande Mestre.
Saiu de perto da janela, despindo a camisa que usava para dormir e colocando um vestido simples de um tecido macio, branco. O vestido lhe caía logo abaixo do quadril, e tinha um decote não muito grande. Ela penteou os cabelos prateados e foi em direção à cozinha.
Antes de seu mestre acordar, ela já havia preparado o chá que ele gostava de tomar com um pedaço de bolo. Quando Asmita entrou na cozinha, eles comeram em silêncio.
- Quais são seus planos para hoje, mestre? – Luna perguntou por cima do ombro enquanto lavava a louça do café – nós iremos até as casas de cura da aldeia novamente?
- Receio que não, Luna. – disse Asmita, ainda sentado. – eu gostaria que você me acompanhasse até o salão do Grande Mestre, e acho que o trabalho que ele tem pra mim tomará o dia inteiro. Você pode tirar o dia de folga se assim desejar.
Mais tarde, então, Luna guiou o mestre até a 13ª casa. Asmita andava com a mão no ombro da menina. Ele podia muito bem andar sozinho, porém gostava da companhia da pupila.
A menina entrou junto com Asmita no templo do Grande Mestre, o cumprimentou com uma reverência e se retirou.
Quando a menina saiu pela porta, o Grande Mestre deu uma risada.
- Você se aproveita dessa garota, não é mesmo, Asmita? – disse ele entre risos – como se você precisasse de um guia para andar.
Asmita deu um sorriso, mas nada respondeu.
- Espero não estar interrompendo seu treinamento – falou o Mestre.
- Não senhor – Asmita respondeu – na verdade o treinamento dela está quase concluído.
O Grande Mestre estranhou o fato.
- Engraçado, pois nunca vi você treiná-la em combate, na arena. – Asmita ficou em silêncio depois desse comentário – você sabe que é necessário saber um pouco de combate para ser uma Amazona de Atena.
-Sim, Mestre, eu sei. – Asmita retrucou, encerrando o assunto.
...
Luna começou a descer as longas escadarias. Estava pensando em ir até a arena de treinamento, onde a maioria dos cavaleiros estava a essa hora, ver se encontrava alguém para passar o dia.
Ao passar pela Casa de Peixes, olhou em volta, procurando seu cavaleiro. Raramente o via, apenas quando seu mestre a levava junto para as reuniões importantes. O homem a intrigava. "Ele está ferido" ela pensou, ainda o procurando. "Seu corpo pode estar são, mas sua alma tem um ferimento profundo".
Agachado sobre uma das vigas no telhado da Casa de Peixes, Albafica mantinha o cosmo escondido enquanto observava a menina passar. A protegida de Asmita mexia com a cabeça de todos os dourados. Seu jeito tímido e delicado despertava neles uma necessidade de protegê-la.
O Cavaleiro de Peixes ainda se lembrava da época em que ela chegou ao santuário. Estivera chovendo, e Asmita a trazia no colo, enrolada em seu manto. Logo os horrores pelos quais passara era de conhecimento geral. Imaginavam que depois do que aconteceu a menina ficaria de cama por no mínimo uma semana e precisaria de toda ajuda possível para superar o trauma.
Tiveram uma enorme surpresa quando ela apareceu na arena na manha seguinte. Asmita a mostrava o santuário. O carisma da pequena Luna logo rendeu a todos. Ela sorria muito e conversava normalmente, embora parecesse tímida. Todos ficaram impressionados com sua recuperação. Albafica também notou que ela não se afastava de Asmita.
De volta ao presente, sentado no telhado, Albafica não pode deixar de reparar no corpo da menina. Embora não lutasse na arena, Luna se exercitava. Era pequena para idade, mas mesmo assim conseguia ter pernas longas e definidas. O vestido que usava definia sua cintura fina, e evidenciava seus seios. Ela tinha um busto avantajado para uma menina tão pequena e magra.
Albafica gostaria de poder tê-la observado mais, porém logo a menina saia da Casa de Peixes. Lá fora, o sol refulgiu em seus cabelos prateados, fazendo-os brilhar. O cavaleiro ainda pôde vê-la por alguns instantes antes que ela começasse a descer em direção à Aquário.
Com um salto, ele desceu da viga onde estivera sentado. Suspirando, começou a lembrar da última festa do Solstício de Verão, última ocasião em que falara com Luna.
Ele se sentava isolado do restante dos cavaleiros que festejavam. Enquanto todos bebiam e dançavam, ele se sentava em um banco de pedra distante, com as pernas cruzadas na companhia apenas de um copo de vinho.
Logo sentiu o cosmo de alguém se aproximar. Era Luna, a menina de Asmita. O cavaleiro não pode evitar secar seu corpo com os olhos, antes de se dar conta do que estava fazendo e desviar o olhar para longe. Por dentro, estava corado de vergonha, mais seu rosto não demonstrava sentimento algum.
A menina se sentou, e Albafica sentiu que ela o observava. Tentou ignorá-la para que assim ela fosse embora. Luna, no entanto, continuava a observar o cavaleiro.
Não agüentando mais, Albafica se virou para ela e a encarou no fundo de seus olhos desiguais. Ele achava os olhos da menina exóticos e provocantes, com sua expressão inocente.
- Melhor voltar para festa. – ele falou com frieza, desviando do olhar dela.
Por dentro, porém, estava assustado. Por um momento estivera prestes a esticar a mão e tocar na pele branca como neve do seu rosto. Ele não queria machucá-la.
- Está muito barulhento lá. – disse Luna a título de explicação. Pareceu hesitar por um instante, antes de fazer uma pergunta – o senhor está ferido, mestre Albafica?
O pisciano se intrigou com a estranheza da pergunta.
- N-não, não estou... – ele gaguejou ao responder. "Droga", pensava. "por que tenho que me atrapalhar assim ao falar com ela?"
Com um pequeno sorriso, Luna encostou o dedo delicadamente em um corte na perna do cavaleiro. Albafica deu um pulo, se afastando e derrubando o vinho. Ficou horrorizado, achando que podia ter envenenado a menina. Luna se assustou com o movimento brusco, mas logo se recuperou dando um sorrisinho. Ela apontou para o machucado. Onde antes estivera um corte, ainda não cicatrizado, agora existia apenas uma fina marca.
Porém Luna voltava a encarar Albafica, a expressão agora era de confusão. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o cavaleiro falou:
- Você poderia ter se ferido. Não faça isso de novo. – Luna se intimidou, encolhendo-se no banco onde estava.
- Desculpe-me, mestre Albafica. – ela disse encarando os próprios joelhos.
Ele se sentou de novo, respirando fundo. Por que motivo não acontecera nada com a menina? Luna poderia ter morrido ao somente encostar em uma gota de seu sangue maldito.
Luna não tentou encostar nele de novo. Ao invés disso puxou um assunto qualquer. Albafica era frio no começo, mas logo se esqueceu de manter a pose distante e conversava animadamente com a menina. Quando ela ria de alguma coisa que o cavaleiro dizia, ele se sentia bem como nunca antes.
Sem que os dois percebessem, a festa chegou ao fim. Asmita se aproximou para voltarem juntos à Casa de Virgem. Depois que Luna e Albafica se despediram, o Cavaleiro de Peixes rumou para sua casa, se sentindo mais leve e feliz do que fora em anos.
"Mas terminou" pensou Albafica com um sorriso sombrio. No outro dia de manhã, ele tomara a decisão de não falar mais com a menina. Não queria nem pensar no que faria se a envenenasse por acidente.
...
Luna não encontrava quase nenhum cavaleiro enquanto descia na direção da arena. Passava por algumas moças que trabalhavam no santuário, as cumprimentando com um sorriso doce.
Na Casa de Libra, encontrou Dohko, que lia absorto alguns pergaminhos. Ela tentou passar por ali sem atrapalhá-lo, mas assim que a viu o cavaleiro largou o que estava fazendo e aproximou-se para conversar.
Mesmo tendo uma carinha inocente, Luna percebia os olhares dos cavaleiros sobre seu corpo. Ela culpava a si mesmo por isso. Via como eles ficavam constrangidos depois de um deslize, como Dohko fazia agora.
Porém nem todos se importavam que ela percebesse o desejo em seus olhos. Um exemplo disso foi quando ela passou pela Casa de Câncer. Manigold estava escorado em uma coluna, e ao vê-la seus lábios se torceram em um sorriso malicioso. Os olhos do canceriano percorreram seu corpo descaradamente, sem nem se importar com o que fazia.
A menina ficou ruborizada e apressou o passo para sair da Casa de Câncer. Porém antes que fosse muito longe, o cavaleiro barrou seu caminho.
- E aí, boneca! – ele falou com seu sorriso cafajeste, impedindo-a de passar para fora da casa. – De folga hoje? Que tal irmos juntos pra algum lugar? – a mão de Manigold foi parar na sua cintura.
Luna tremeu ligeiramente, porém afastou o cavaleiro com firmeza. Ela já estava acostumada com esse tipo de assédio.
- Eu estava indo para a arena. – ela disse, olhando feio para ele – você podia ir também. Talvez você ache alguém mais forte, e eu me divirta te vendo apanhar.
O sorriso de Manigold foi substituído por uma careta de aborrecimento. Luna o contornou e fez questão de deixar a Casa de Câncer, mas o cavaleiro não permitiu. Ele a agarrou pela cintura e a levantou por cima do ombro.
- Manigold! – ela gritou – Me solta! O que você...
O Cavaleiro de Câncer a carregou sem dificuldade até seus aposentos, que ficavam ao lado do pavilhão, como todas as casas dos cavaleiros. Quando passou pela porta, ele largou Luna, que se afastou dele. Manigold fechou a porta da sua casa e a trancou. A chave, ele jogou em cima de um armário, onde Luna com certeza não alcançaria.
Rindo, ele a prensou contra a parede com seu corpo.
- Então – ele falou, uma das mãos abaixando a alça do vestido que ela usava – aqui você não vai escapar de mim.
Manigold sorriu quando ela levantou os olhos assustados para ele.
Notas finais
Qualquer erro de digitação ou coisa do tipo, por favor avisem para que eu possa melhorar *3*
Abraços :* até o próximo capítulo
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