Notas iniciais
yoooooo ^.^
Nossa eu fiz um milagre para conseguir postar no domingo >.< normalmente a essa hora hoje eu já estou no quinto sono :s
Eu não vou poder continuar postando um capítulo por dia T.T por que daqui a pouco começam minhas provas e como eu durmo durante a aula eu tenho que estudar em casa! ç.ç
Mais um a cada dois ou três dias eu acho que consigo, se não eu entro para postar sempre que puder! XD
Bom, chega de falar, vamos ao capítulo *3*

No momento que Asmita e Luna pisaram nas Casas de Cura de Rodório, a chuva que vinha desabando a noite toda recomeçou.

As Casas de Cura eram lugares onde os feridos e doentes eram tratador por curandeiras. Quando começou seu treinamento, Luna usava seu cosmo para consertar ossos e baixar febre. Isso costumava deixa-la fraca e cansada, mais hoje em dia ela o faz sem nem sequer sentir desconforto.

Quando Luna entrou na Casa, as curandeiras vieram cumprimenta-la. Estavam sempre dispostas a orientar Luna sobre doenças e ervas medicinais. Asmita normalmente a informava sobre tudo que precisaria saber, mas uma segunda opinião sempre era bem aceita.

- Hoje tenho um teste para você – lhe disse Asmita com um sorriso enigmático. – quero saber o quanto você aprendeu com essa ultima fase do seu treinamento.

Luna corou, nervosa. Não sabia que ia ter um teste, e como sempre acontece nesses momentos, a insegurança a engolfou.

Uma senhora idosa com o uniforme das Casas os guiou até uma sala isolada no fundo do salão. Asmita colocou uma mão no ombro de Luna para que a pupila o guiasse pelo labirinto de macas e camas improvisadas.

Na sala, um homem jovem, com não mais de 20 anos, estava sentado num banquinho junto à janela, olhando a paisagem com um olhar vazio.

- Nós não sabemos o que ele tem – confidenciou a senhora para os dois, em voz baixa. – há dias não come nem fala. Os avós o trouxeram pra cá, preocupados, achando que um demônio possuiu seu corpo.

A aprendiz nem sequer considerou essas hipótese. Enquanto o mestre conversava com a curandeira, Luna se aproximou do garoto incógnito, colocando a mão no ombro dele suavemente.

O homem não pareceu notar. Não levantou os olhos para menina, não procurou se afastar, nada. Luna já havia visto de tudo. Pessoas se afastarem dela aos gritos, dizendo que haviam chamado uma feiticeira para opinar sobre seus males. Pessoas que se jogavam aos seus pés em prantos, achando que um anjo viera lhes buscar. Mas esse homem nem sequer notou sua presença. Era uma experiência nova para a jovem aprendiz.

- Com licença...? – Luna chamou, se agachando para ficar na mesma altura do homem.

- Seu nome é Beriwald – informou a curandeira – chegou a Rodório a menos de um ano, para morar com os avós. Não sabemos de mais nada.

Luna chamou o nome dele. Beriwald não pareceu escutar.

Ela olhou para o mestre pedindo autorização para usar seu cosmo. Asmita assentiu sem nada dizer. Luna fechou os olhos.

O pequeno corpo da menina foi iluminado com o brilho prateado de seu cosmo. Quando ela reabriu os olhos, seu olho direito parecia queimar com um fogo azul. Luna olhou em volta para se acostumar.

Seu olho direito podia ver a aura das pessoas quando ativava o cosmo. As auras tinham as formas de chamas, que queimavam com maior ou menor intensidade conforme o tempo de vida da pessoa. Tinham também cores diferentes, com base em sua personalidade. Parte do seu treinamento vinha sendo decifrar essas informações. Também era muito útil para identificar auras doentes.

A aura de seu mestre brilhava, como a de todos os Cavaleiros de Atena. A da senhora ao seu lado era menor, e parecia mais desgastada, experiente, como a da maioria dos mais velhos.

Quando ela voltou o olhar para o homem doente à sua frente, sua aura era um enigma a ser decifrado. Ela estava negra e opaca, e parecia ter um rasgo comprido. Ela estranhou o fato. A grande parte das pessoas que não estava saudável tinha a aura de tons de verde e amarelo doentios.

Luna olhou para o rosto de Beriwald. Ele ainda encarava o horizonte de modo ausente, mais parecia escorrerem lágrimas de sangue de seus olhos.

Seu brilho prateado se apagou e suas pernas perderam a força. Antes que ela caísse no chão, Asmita a segurou. Normalmente seu cosmo não se esgotava tão rapidamente. Ela tornou a encarar Beriwald, dessa vez com medo.

- Quer ir lá fora um pouco? – perguntou o mestre. Ele também parecia ter ficado preocupado.

- Sim, por favor...

Eles refizeram o caminho até a porta de saída, e se sentaram nos degraus da varanda coberta. Luna esticou a mão para molhá-la numa goteira, refletindo sobre o que havia visto.

- Depois de todas as auras que vi, eu cheguei à conclusão que a pior possível é a negra. Quer dizer que qualquer que seja o mal que a atormenta, não há mais volta.

Asmita balançou a cabeça, pedindo que ela continuasse.

- Bom... havia também um buraco, semelhante a um rasgo, como se alguém tivesse talhado sua aura com uma faca. E ele estava chorando.

- E o que você interpreta disso?

Luna ia responder a primeira coisa que lhe vinha à mente quando se conteve.

- Esse é o meu teste, não é mesmo? – ela perguntou, com uma súbita certeza.

- Sim – o mestre respondeu, dando uma risada – mais não deixe que isso atrapalhe seu discernimento. Lembre-se que a vida do homem depende disso. E comparado a uma vida, um teste tem pouca importância.

- A verdade é que não tenho ideia... quer dizer, não tem como você ferir fisicamente a aura de alguém, pois a aura em si não é um objeto físico... – sua voz foi sumindo e ela voltou a refletir.

- Então o que você acha que é aquele rasgo? – incentivou Asmita.

- Talvez alguma coisa que aconteceu para ele... a morte de algum parente querido, uma separação, uma briga... é, acho que é isso, foi algo que o magoou profundamente, pois ele estava chorando.

Asmita então se preparou para a pergunta mais importante:

- E como você vai curá-lo?

Luna obviamente temia que ele fizesse essa pergunta.

- Posso tentar... mais não sei o que fazer. Não sei o porquê, mais ele parece drenar a minha força... – um calafrio percorreu seu corpo – aquelas lágrimas me lembram algo que já vi, mais não sei direito o que é.

Eles ficaram em silêncio olhando a chuva por mais alguns minutos.

- Se eu não curar Beriwald, terei reprovado no teste, mestre? – Luna perguntou.

- Não sei – disse Asmita, o sorriso enigmático de volta ao seu rosto – se eu disser que não, você pode não se esforçar o suficiente, mais eu próprio não sei se Beriwald tem uma cura possível.

Suspirando, Luna revirou os olhos. Esse tipo de resposta que não respondia nada era típico de seu mestre.

- Acho que deveríamos falar com os avós. Saber se alguma coisa drástica aconteceu recentemente com ele. Mas não tenho muita esperança. Como falei, uma aura negra é uma aura morta.

O Cavaleiro concordou, se levantando. Depois de perguntar à curandeira onde os avós do garoto moravam, ele cobriu a si mesmo e a pupila com seu manto e eles saíram na chuva. Não demorou e eles estavam diante de uma pequena casa de barro.

Foram recebidos por uma senhora idosa de aparência normal, e lá dentro um senhor também de idade sentado numa poltrona cochilava. A velinha lhes serviu chá, enquanto lhes contava tudo sobre os filhos e os netos. Sobre Beriwald, ela parecia evitar falar. Quando Luna perguntou sobre ele, a velinha se sentou, como se fosse começar uma longa história. Porém tudo o que disse foi:

- Ele é filho da minha filha mais nova, sabem, ela desapareceu com o menino quando ele tinha o quê, três anos? E depois nunca mais vimos ele, até que ele apareceu na nossa porta um ano atrás.

- Beriwald disse algo sobre a mãe? – perguntou Luna. Asmita apenas assistia, deixando que a pupila investigasse. – Disse algo sobre alguma briga, ou sobre a morte de alguém?

- Não, senhorita – respondeu a senhora – apenas perguntou se podia ficar por um tempo. Ele pretendia partir no começo da próxima lua, mais aí então...

Ela parou de falar, o semblante sério. Luna ainda fez mais perguntas, como para onde ele pretendia ir, se ele tinha amigos na vila, se tinha se relacionado com alguém durante esse ano. A resposta para todas as perguntas era “não sei”.

- A senhora se importaria se eu olhasse o quarto dele? – a velinha prontamente a guiou por um pequeno corredor até o quarto de Beriwald.

Enquanto Asmita a esperava na sala, e a senhora foi juntar-se a ele. Luna passou os olhos pelo lugar, procurando alguma coisa que estivesse deslocada.

No entanto tudo lá era perfeitamente normal. Uma cama com uma coberta branca, um baú com as roupas e uns poucos pertences do garoto. Luna abriu o baú, e além da roupa havia alguns objetos de pouco valor.

Luna resolveu usar outro método: recorreu ao seu cosmo, e olhou ao redor com seu olho brilhante. A princípio nada chamou sua atenção, até que no baú viu algo que parecia queimar com fogo negro. Ela não acreditou no que via, pois somente pessoas e alguns animais tinham auras, mas o que ocorria no baú era indiscutível. Um objeto parecia emitir a mesma aura de Beriwald. Ela o pegou na mãe e deixou o cosmo voltar ao normal.

Segurava um pequeno coração de metal, um trabalho simples porém bonito. Ele estava preso à uma corrente. Luna o colocou no bolso do vestido e voltou para a sala.

Quando eles deixaram a casa, começava a escurecer, então refizeram o caminho até o santuário sem pressa, já que a chuva havia dado uma trégua. Luna mostrou o coração para o mestre.

- Um pouco da aura de Beriwald está aqui! – ela falou, entusiasmada – deve ser uma lembrança de alguém, provavelmente alguém querido que não está mais com ele. A pessoa pode ter morrido ou tê-lo deixado, não importa, o fato é que Beriwald deve ter passado tanto tempo relembrando a pessoa sobre isso que sua aura passou para cá!

Asmita tentou interrompê-la, mais Luna continuou falando, agora totalmente no clima:

- ... e como ele estava fraco devido ao ferimento em sua aura, o pouco que ele perdeu foi o suficiente para deixa-lo do jeito que está! E também...

- Luna, você está se exaltando – interrompeu o mestre, sério. – você deve ser imparcial nesse tipo de caso. Você deve fazer o possível por Beriwald, mais não quero que chore a sua morte como se fosse a de um ente querido.

Corando, Luna se acalmou.

- Você está certo. Perdoe-me, mestre.

- Está tudo bem. E agora, o que você fará com isso? – ele perguntou, apontando para o coração.

Luna olhou para o pingente, pensativa.

- Não tem como devolver a aura que está aqui para Beriwald. E ter o objeto em mãos só o faria sofrer mais. – Ela fez uma pausa, verificando tudo que falara para ter certeza. – Acho que o melhor a fazer é destruí-lo.

Depois de voltarem à Casa de Virgem e de terem tomado um banho para se livrar das roupas úmidas, os dois foram para o pátio da Casa. Asmita largou o pingente de coração no chão à sua frente, antes de golpeá-lo com seu cosmo. Quando a poeira baixou, o coração estava amassado e partido ao meio. Luna verificou e constatou que a aura presente no objeto havia desaparecido.

A menina fez um ensopado para a janta e ambos comeram em silêncio. Luna ponderava sobre como a aura de Beriwald a havia afetado. Tentava se lembrar de onde vira uma aura ferida de forma semelhante. Tentou até que por fim desistiu, torcendo para que a pessoa se recuperasse antes que sua aura ficasse negra e quase irrecuperável.

No outro dia, logo pela manhã, Luna pediu permissão a Asmita para descer até as Casas de Cura, levando consigo uma pequena caixinha. No caminho ela colheu algumas flores amarelas como o sol, que haviam florescido depois da tempestade de ontem.

Depois de cumprimentar as curandeiras, ela foi até o quarto de Beriwald. Ele estava em seu posto habitual, encarando o horizonte. Luna pegou uma jarra e arrumou as flores no peitoril da janela. Sentou-se junto com ele, o chamando pelo nome.

Para sua surpresa ele moveu os olhos, fixando-os no rosto da menina. Ela não imaginou que destruir o coração fosse ter um resultado imediato.

Luna abriu a caixinha que trazia, ela estava cheia de bombons de chocolate, raros de se encontrar. Deixou a caixinha entre os dois, se servindo de um e convidando o garoto a fazer o mesmo. Passado um tempo, ele se mexeu, levando a mão vagarosamente até a caixa. Beriwald provou um bombom e seus olhos se arregalaram de surpresa com o gosto. Provavelmente nunca antes havia provado chocolate.

Conforme a manha ia passando, Luna ia falando, sobre qualquer assunto que lhe viesse à cabeça. Falou sobre a chuva, sobre as flores que cuidava, sobre Ruka, a sua gata. Ao meio dia, a mesma senhora de ontem trouxe uma sopa para Beriwald, e um pão para Luna.

A menina insistiu para que o garoto tomasse a sopa, lhe dando uma e outra colherada até que ele se entusiasmasse a comer sozinho.

Com o passar do tempo, Beriwald começou a falar com ela. Sobre os mesmos assuntos corriqueiros: a paisagem da janela, sobre o cachorro que ele tivera quando pequeno. Um pouco antes da noite começar a cair, Luna se despediu e voltou ao santuário.

Ela ainda voltou mais vezes para vê-lo durante a semana, uma vez até levou Ruka junto para apresenta-la a Beriwald. O garoto começou a conversar mais com ela, sobre os avós, sobre os planos que tinha. Sobre como havia deixado a mãe em um vilarejo no sul da Grécia para vir morar com os avós, tentar ganhar algum dinheiro para voltar e busca-la. Sobre quem o ferira tão drasticamente, ele nunca falou, nem sobre o pingente de coração.

Passando-se um mês, mais ou menos, Beriwald já estava recuperado e voltava a morar com os avós. Luna o visitou por um tempo, até que ele lhe disse que pretendia voltar para buscar a mãe. Seu plano era trazê-la para junto dos avós também, mas talvez uma oportunidade melhor se apresentasse no caminho. Então eles se despediram e Beriwald partiu.

Quase dois meses e meio depois de Asmita tê-la levado às Casas de Cura para um teste, Luna estava sentada com ele nas arquibancadas da arena, no final da tarde.

- Então mestre, eu passei no seu teste? – ela perguntou, orgulhosa.

O mestre encarou a pupila, sorrindo. Ela parecia uma criança que havia feito corretamente a lição.

- Claro que sim, você identificou o mal que atormentava Beriwald. Eu não esperava mais que isso, ainda mais depois que você falou que sua aura estava negra.

- É verdade, eu nunca havia visto uma aura ferida em tal estágio se recuperar.

Os dois permaneceram calados por um instante, observando o sol que se recolhia em sua cama de nuvens, até que Asmita falou.

- Eu tenho uma pergunta.

- Sim, mestre?

- Por que mesmo depois de ter destruído o pingente, você continuou visitando-o com frequência, e depois disso ainda continuou em contato com ele? – perguntou Asmita.

Luna não respondeu imediatamente. Ela ainda esperou o sol sumir completamente no oeste antes de dar a resposta para Asmita.

- Pois essa é a única maneira de curar um coração partido.

Notas finais
Não tive tempo de revisar, por isso me perdoem por qualquer errinho >.<'
E por favor não me matem por esse negócio de o olho azul dela ser especial XD isso me lembra a Black Rock Shooter mais eu garanto que não tem nada a ver! #-.-'#
Acho que esse negócio de auras ficou meio confuso T.T desculpem, desculpem ç.ç mais eu vou explicar melhor no próximo capítulo! O próximo é o meu preferido, vai explicar o por que de ela não poder lutar ^.^'
Acho que dá pra considerar esse capítulo como um OVA, só para explicar para que ela usa o cosmo e talz, não esperem que o Beriwald apareça de novo, ele tecnicamente nem é um personagem!
Bom, um abraço para todas! :**