Garotos
24 Capítulo 19 . O Garoto com Avental de Coelho
Notas iniciais
Etto . . . Alguém aí lê David Levithan? David. Levithan. meu. escritor. divo. de. livros. altamente. românticos? *-* Não, sim, não?
Era isso. Prometo não demorar muito com o próximo, porque ele está metade escrito ;D
Boa leitura! Espero que gostem :3
Tema: Romance entre diretor x professor + cupido (esse tema é algo como: alguém agindo como cupido de um casal ♥)
Aquele era mais um dia cansativo. Deveras cansativo. Uma das coisas que Sousuke, o diretor da Academia Saint John, mais odiava era ter que fazer as entrevistas dos novos professores. Eram sempre tantos candidatos para preencher um número limitado de vagas. Ademais, a maioria era muito boa, o que fazia Sousuke passar horas e mais horas analisando os pormenores de seus trabalhos e suas personalidades.
Suspirou pela enésima vez naquele dia antes de mandar o próximo candidato entrar e ajeitou os óculos de leitura sobre o nariz. Estava lendo seu currículo, quando a porta foi aberta. Era um candidato a professor de jardim de infância, de 22 anos, que acabara de se formar na universidade. Uma das sobrancelhas de Sousuke se arqueou. O que um estudante sem qualquer experiência estava fazendo ali? A Academia era um lugar nobre e apenas pessoas com alguma experiência naquela área de trabalho conseguiam um emprego ali. O diretor voltou seus olhos para a foto no canto do currículo, enquanto ouvia o candidato sentar-se na cadeira. Tinha um rosto de adolescente, com um aparelho nos dentes e um cabelo curto e cor de mel, deveras arrumado. Suspirou mais uma vez e levantou os olhos.
Quem estava à sua frente, porém, o surpreendeu.
Nada naquele homem assemelhava-se à foto – com exceção da cor dos cabelos. – Tinha fios cor de mel, que estavam presos em um rabo-de-cavalo, que caía por seu ombro, e quase lhe alcançava o peito. O sorriso era de pérolas brancas, perfeitamente alinhadas, e seu rosto era oval, de feições adultas. Não havia gel no cabelo também, alguns fios caíam desalinhados pelo seu rosto e pescoço – mas não lhe tirava aquela beleza rara. Vestia um avental, em que estava bordado o desenho de um coelho.
Sousuke piscou algumas vezes e limpou a garganta em seguida, tentando conter-se. Aquele homem era lindo, mas ele não podia perder para sua beleza. Pôs sua melhor máscara de profissional e começou a entrevista.
- Vejo que quer se tornar professor do jardim de infância – disse.
- Sim – o homem sorriu ainda mais abertamente. – Desde que eu estava no ensino médio, sonho em ser professor do jardim de infância. Sempre amei crianças, mas nunca pude ter um filho. Por isso pensei em ficar mais próximo delas.
Era um discurso bonito, mas Sousuke conhecia muitos candidatos com discursos lindos sobre sonhos e realizações e habilidades terríveis. Continuou o mais sério que pôde e, quando pediu uma demonstração de suas técnicas de aula, surpreendeu-se. Ele não era apenas um homem de sonhos e esperanças. Era incrivelmente bom no que fazia. Sousuke conseguia sentir o amor que cultivava pelas crianças transbordando por seus poros enquanto ele apresentava o que faria em suas aulas.
Rápido, o diretor puxou um papel embaixo do currículo. Era o histórico universitário do candidato. Notas altas, observações cativantes e recomendações de vários professores estavam espalhadas pelo papel. Aquele homem era raro, dificílimo encontrar alguém como ele. Sousuke sorriu sinceramente para ele.
- Muito bom – voltou seus olhos para o currículo -, Charlie Jones. Está contratado.
Charlie sorriu o máximo que pôde, seus olhos brilharam e o diretor sentiu que algo dentro dele reagiu àquelas ações. Ele nunca dizia pessoalmente aos candidatos que estavam contratados, por que ele fizera aquilo com ele?
Essa sucessão de fatos ocorreu um ano antes. Charlie ainda era um professor novo na Academia, apesar de já ter um ano de experiência. As crianças o amavam, e todas queriam ter aulas com ele durante todo o jardim de infância. Charlie retribuía aquele amor com mais força ainda, sorrindo mais a cada dia com seus alunos. Divertia-se com as aulas, como muitos professores do ensino médio e da universidade não o faziam, e dava a cada dia mais certeza a Sousuke de que escolhera a pessoa certa.
De alguma forma, desde o início, Charlie cativara aquele homem, e isso só havia acontecido mais duas vezes: quando ele conheceu Natsumi e quando Natsuki nasceu – ele gostava de lembrar-se da mulher, que morrera no parto, e, por isso, colocou tal nome no filho. Cativara-se porque os amava com todo seu coração, e Charlie parecia despertar esse sentimento nele. Às vezes, chegava a pedir ao professor que viesse à sua sala com desculpas, como “preciso que assine esse documento” e não precisava de fato daquela assinatura.
Sousuke era um homem engraçado, que não conseguia admitir para Charlie que o queria. Era tímido, certamente, deveras tímido, que tinha suas bochechas enrubescidas quando via o rosto de Charlie. Aquilo ficava adorável nele, ainda que fosse um homem adulto de quase quarenta anos de idade. Este era mais um empecilho na mente de Sousuke. Ele imaginava o que um jovem como Charlie, com apenas 23 anos, poderia querer com ele. Era terrível pensar que aquele sentimento não seria retribuído pela diferença de idade, ou até pela aparência. Contudo, Sousuke não parecia um velho, como aqueles que via casando-se com garotas tão novas quanto Charlie. Tinha cabelos negros, curtos, com poucos fios brancos à mostra. Seus olhos ligeiramente puxados para os lados eram, da mesma forma, escuros, e havia poucas rugas em seu rosto. Ainda assim, Sousuke dizia não ser digno da juventude de Charlie e deixava seu sentimento preso.
Um tolo.
Era exatamente isso que Natsuki pensava de seu pai. Não era um garoto insensível – como o imaginavam ser antes de começar a namorar Elliot. Então, sabia perfeitamente os sentimentos do pai em relação a Charlie. Afinal, ele nunca chamava com tanta frequência outro professor à sua sala e, às vezes, dizia a Natsuki ir ao jardim de infância para entender como funcionava o sistema daquela área, já que se tornaria diretor um dia.
- Ah, e de preferência, vá à Turma Pêssego – sempre completava. – Professor Charlie é o melhor daquele lugar.
Sousuke não elogiava professores. Era contra seus princípios. Achava que, se o fizesse, o professor não melhoraria ainda mais seu ensino e poderia até mesmo piorar. Havia, certamente, algo de anormal, e Natsuki sabia exatamente o que era. Aquele rubor o denunciava quando chegava à palavra “Charlie”.
Então, em uma de suas idas ao jardim de infância, disse a Charlie que seu pai o estava chamando. E parecia ser urgente. Não seria melhor ir naquele momento? Tinha certeza de que os outros professores do jardim de infância cuidariam de seus alunos. Não precisava se preocupar, Natsuki falaria com eles. Então, percebeu um sorriso tão alegre no rosto do professor que se surpreendeu. Então, seu velho conseguia conquistar corações também.
Assim, Charlie atravessou o pátio em direção à sala do diretor.
Bateu na porta duas vezes e esperou o homem dizer-lhe que poderia entrar. Quando o fez, Sousuke arqueou as sobrancelhas e arregalou os olhos, deveras surpreso. Charlie possuía um sorriso lindo em seus lábios finos quando se sentou na cadeira em frente à mesa do diretor e indagou o motivo de sua vinda. Sousuke não sabia o que dizer e, nesse momento, seu celular tocou. Pediu licença e foi ler a mensagem que chegara.
“Ataque-o agora, tigrão, raaawr~! Natsuki”.
Por um momento, o homem não soube o que fazer. Seu rosto ficou tão vermelho que até mesmo as pontas de suas orelhas estavam enrubescidas, o que Charlie percebeu. Franziu o cenho e levantou-se da cadeira, indagando:
- Algum problema, diretor?
Sousuke virou assustado para Charlie – esquecera-se de que ele estava lá -, que se surpreendeu ainda mais com o estado em que o diretor estava. Depois de um curto silêncio entre os dois, o celular de Charlie vibrou. Fez como seu chefe: pediu licença e leu a mensagem.
“Você gosta do meu pai, professor Charlie? Tenho certeza de ele o ama. Natsuki”.
Charlie corou e voltou-se para Sousuke, que ainda estava tão vermelho quanto antes. Estavam com ruborizados, surpresos, mirando-se intensamente e eternamente calados. Passaram longos minutos assim, um clima desconfortável pairando sobre eles. Charlie foi o primeiro a tomar uma iniciativa e quebrá-lo.
- Diretor, isso... – mostrou a tela de seu celular para ele. – Isso é verdade?
Sousuke arregalou os olhos. Então, começou a processar a conversa séria que teria com Natsuki depois e virou o rosto tão vermelho quanto um morango maduro.
- B-bem, isso... Não—
- Porque, se for, eu – Charlie o interrompeu, com um olhar estranhamente suplicante – adoraria me tornar alguém especial para o diretor!
O homem voltou seus olhos ao professor. Seus ouvidos ouviram bem? Aquilo era uma declaração de amor? Charlie acabara de dizer-lhe que o amava também?
Seu coração falhou uma batida para, depois, acelerar como se aquelas palavras e aqueles pensamentos lhe houvesse dado um choque. Então, seu amor era retribuído.
- Charlie... – sorriu, como nunca o havia feito para um professor. – E se eu disser que é a mais pura verdade?
Charlie sorriu amplamente.
- Eu agradeceria esse momento a Natsuki todos os dias – disse, apertando o celular nas mãos e levando-o ao peito.
Sousuke contornou sua mesa e aproximou-se de Charlie. Pôs uma de suas mãos no rosto singelo do jovem e lançou um olhar tão apaixonado que o professor sentia seu coração alegrar-se com ele.
- Você já é uma pessoa especial para mim, Charlie – disse, tão enrubescido quanto o mais novo. – Então, o que acha de se tornar meu... esposo?
- Não! – Charlie balançou a cabeça freneticamente. – Eu nunca poderia tomar o lugar de sua esposa! Ela... Ela deveria ser uma ótima mulher e—
- Quem disse que você tomaria o lugar dela? – Sousuke o interrompeu. – Você será meu mais novo amor, Charlie. E eu sei que você sempre quis ter um filho. Apesar de já estar um pouco mais velho que uma criança, o que acha de se tornar meu esposo e me ajudar com o Natsuki? Acho que sempre faltou outra figura na vida dele e espero que você possa me ajudar a dar isso a ele, ainda que não seja uma mulher.
Charlie sentiu seu coração pular. Aquele era o sonho de Charlie. Não apenas ter um filho, mas uma família formada pela pessoa que amava e por suas crianças. Sentiu lágrimas tomarem seus olhos e riu entre o choro, voltando seu rosto contente ao homem à sua frente.
- Você me deixaria estar sempre ao lado de vocês e fazer parte de sua família?
E a resposta para aquela pergunta jogada no ar foi um beijo calmo e singelo, o selar das juras de amor de dois noivos. Estavam emocionalmente casados e sempre estariam. Não precisava fazer cerimônias ou festas, pois eles próprios sabiam o quanto se amavam e isso bastava. Ninguém mais precisava conhecer o amor entre aqueles dois.
Sousuke não gritou com Natsuki depois. Na verdade, agradeceu-lhe de coração. Charlie também o fez algum tempo depois. Natsuki esperava que, assim, seu pai aceitasse seu relacionamento com Elliot – havia um motivo escondido no fim.
Formavam uma família feliz, e era impossível ignorar esse fato. Afinal, aquela foto de família na mesa do diretor da Academia Saint John, na qual Charlie, Sousuke, Natsuki e Elliot – como um genro aceito — sorriam como crianças felizes, não mentia.
Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ espero que alguém ainda goste do Natsuki, sabe, HAUEHAUEHAEHAUHEA
Bem, prometo não demorar com o próximo e é isso, eu acho.
Então, até a próxima!
Takoyaki.
Próximo: O Garoto da Turma Maçã
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