Garotos
25 Capítulo 20 . O Garoto da Turma Maçã
Notas iniciais
Talvez ele seja meio amor imperceptível. Foi o que achei. Aquele amor que você nem percebe e quando vê já está apaixonado pelo outro. É, acho que é isso.
Bem, espero que gostem!
Boa leitura!
Tema: Amor imperceptível.
- Professor Gio! – um dos garotos gritou em meio à confusão de vozes estridentes. – O Andrew não quer devolver o meu boneco!
Giovanni respirou fundo, a fim de acalmar-se. Mexeu em seu curto cabelo negro, claramente estressado e direcionou seus olhos de um azul claríssimo para os garotos que brigavam. Talvez ele não houvesse sido feito para cuidar de crianças pequenas. Perdia a paciência muito fácil, apesar daquele sorriso que brincava em seu rosto todas as vezes. Felizmente, ele sabia esconder emoções com aquela máscara de bom garoto.
- Andy, o que eu já falei sobre pegar as coisas dos outros? – indagou enquanto punha uma expressão de repreensão no rosto.
Ainda que não fosse feito para aquele tipo de coisa, estava pegando o jeito. Ou pelo menos tinha que pegar o jeito. Havia um motivo para Giovanni estar ali, e tal motivo tinha nome e vestia sempre – nenhum dia era exceção – um avental com a gravura de um coelho branco, segurando uma cenoura, com uma face extremamente feliz. Era Charlie, o professor da Turma Pêssego, ao lado da de Gio, que cuidava da Turma Maçã.
Quando terminou sua pós-graduação em Pedagogia, Giovanni pensou que se tornaria algum coordenador de turmas do Ensino Médio ou do Fundamental e foi com esse objetivo em mente para a Academia Saint John. Mas infeliz azar o seu quando pôs os olhos sobre Charlie, um candidato a professor do Jardim de Infância. Que terrível foi encantar-se por aquele homem adorável, com uma personalidade tão cativante. Que horror foi descobrir que havia três vagas para a posição que Charlie almejava. E que triste destino o seu quando se viu inscrevendo-se como mais um candidato para professor do Jardim de Infância.
Definitivamente, Giovanni não gostava de crianças tão pequenas, e ele estar ali, com elas, ouvindo seus gritos e suas desavenças, fora culpa de Charlie, o provável homem mais bonito que já vira.
O outro candidato que se tornara professor foi Kala, um havaiano de pele morena, cabelos e olhos escuros, um sorriso contente no rosto e um corpo ligeiramente forte. Este irritava Gio como ninguém mais. Talvez fosse seu nome engraçado – de acordo com o italiano – ou aquele sorriso bobo que fazia as crianças pularem ao seu redor. Ou, simplesmente, o fato de que Kala parecia gostar de Charlie também. Algo na cena de um mês depois do início do trabalho, em que este professor estava encostado a uma parede e Kala, à sua frente, possuía um sorriso nos lábios fê-lo acreditar fielmente em sua suspeita.
Daí vinham sua raiva contida e seus sorrisos falsos direcionados a Kala enquanto, a Charlie, havia risos belíssimos e ações caridosas.
Giovanni ainda tentava fazer Andrew entregar o boneco ao outro garoto, quando a porta de sua sala abriu-se em um estrondo. Os garotos voltaram-se assustados para a entrada, mas, logo, essa expressão tornou-se pura alegria enquanto eles gritavam a plenos pulmões:
- Professor Kala! Professor Charlie!
Os dois estavam parados na porta com sorrisos gigantescos nos lábios finos de cada um. Vestiam ambos aventais com um coelho bordado, e Charlie ainda trazia mais um em suas mãos.
As crianças agarraram-se às roupas dos professores, falando juntas sobre assuntos diversos. Perguntavam por que eles não cuidavam deles, por que tinham que ter como professor o Giovanni, que quase nunca brincava com eles, como Kala e Charlie o faziam com os outros alunos. Gio revirou os olhos. Ele já não gostava daquele trabalho para ainda brincar com os pirralhos.
Kala tentou distrair as crianças com alguma brincadeira, enquanto Charlie abriu caminho entre as várias cabeças e foi em direção a Giovanni, que sentiu suas bochechas enrubescerem, quando o professor estendeu-lhe o avental que trazia em mãos.
- O diretor nos mandou esses aventais como uniforme oficial – disse. – Vista-o, Giovanni.
Talvez o moreno não houvesse percebido as bochechas ligeiramente avermelhadas do outro quando falou. Sorriu e pegou a vestimenta para, então, pô-la sobre o corpo. Definitivamente, aquilo não combinava com Gio. Mas Kala, Charlie e as crianças deram sorrisos enormes enquanto observavam Giovanni.
Os alunos passaram, então, a assediar o professor da Turma Maçã, puxando o avental, brincando com o coelhinho nele bordado e soltando risos à toa. Os outros professores continuavam a observar o que acontecia com sorrisos bobos no rosto.
Depois de alguns minutos, despediram-se; Charlie voltou à Turma Pêssego, e Kala iria em direção à Turma Pera, mas parou na porta. Voltou seus olhos escuros a Giovanni, que franziu o cenho, estranhando tal atitude. Vendo que as crianças estavam distraídas com algum outro brinquedo e que Charlie já adentrara sua sala, o maior aproximou-se de Gio e roubou-lhe um beijo nos lábios finos. Então, saiu, piscando um olho para Giovanni.
O que fora aquilo?
A Turma Maçã estava fazendo colagem, e as crianças gritavam enquanto cortavam os papéis com tesouras sem pontas como se o mundo estivesse acabando. Aquilo certamente teria irritado Giovanni se sua mente não fosse invadida a cada segundo por um filme cuja única cena era o beijo de Kala.
Seus olhos estavam perdidos em algum ponto da sala, enquanto ele divagava sobre tudo aquilo. Não conseguia entender o motivo para o moreno ter feito aquilo. Ele gostava de Charlie, tinha certeza; então, por que, em sã consciência, beijá-lo-ia daquela forma. Suspirou pela terceira vez. Um dos garotos, sentado em uma cadeira próxima, percebeu e levantou-se. Trazia em suas mãos a colagem que fazia e colocou sobre a mesa do professor, assustando-o – já que este estava perdido em seus pensamentos.
- O senhor está triste? – perguntou, inocentemente. – Minha mamãe suspirava quando estava triste.
Giovanni arregalou os olhos, surpreendendo-se com a observação do garoto. As crianças, apesar de, em sua concepção, serem pestes irritantes e barulhentas, eram extremamente carinhosas com as pessoas de quem gostavam. Sorriam, tentavam confortá-lo, mesmo que o motivo para a tristeza fosse desconhecido. Gio não gostava de cuidar de crianças; mas amava esse lado delas.
Levou uma de suas mãos aos cabelos alourados do menino, desalinhando-os ligeiramente. Sorriu ao dizer que não estava triste, e o garoto fez o mesmo ao dizer-lhe que a colagem era para o professor, que levou seus olhos ao papel. Era uma flor de pétalas coloridas, a qual sorria. No canto superior, estava escrito com uma letra infantil:
“Não fique triste, professor Gio. Estamos aqui com você”.
Ele não estava triste. Mas quase não conseguiu conter as lágrimas com aquela frase. Definitivamente as crianças tinham um lado adorável, que encantava Giovanni profundamente.
Uma semana depois, o diretor declarou cinco dias de recesso para certas datas comemorativas. As crianças das Turmas Maçã, Pêssego e Pera viajaram para seus países, acompanhados de seus pais, que os vieram buscar. Charlie, Kala e Giovanni ficaram na Academia. Preferiam descansar naquele mesmo prédio a fazer duas viagens cansativas para suas cidades.
O refeitório funcionava normalmente, para aqueles que passariam o recesso na escola. Charlie estava curioso, pois Giovanni passava horas e horas com um mesmo olhar perdido, sentado em um banco ou vagando pelos corredores da academia. Então, chamou-o para almoçar.
Giovanni aceitou com surpresa, as bochechas rubras. Fazia tempo que não conversava com Charlie, e nem mesmo ele sabia por quê. Sentou-se à mesa vazia, ao lado do professor, que logo puxou algum assunto diverso. Giovanni sentia-se feliz por estar próximo a Charlie. Tão feliz que não sentia vontade alguma de sair dali, de o tempo passar. Gostava da companhia daquele homem.
Charlie sentia o mesmo que Giovanni. Era confortável ficar ali, apenas conversando, palavras voando à toa. Um sorriso insistia em desenhar-se em seus lábios por um motivo totalmente diferente, porém. Ele percebia que, não importava o assunto, de alguma forma Giovanni falava de Kala. “Como está indo com seus alunos, Gio?” “Seria melhor se eles não elogiassem Kala o tempo todo”. “Estou pensando em juntar as turmas para jogarmos”. “Sim, uma vez você teve que sair, e eu e Kala juntamos as turmas. Foi divertido”. “O que vai fazer durante o resto do recesso?” “Talvez eu programe algumas brincadeiras; não quero aqueles pirralhos me comparando a Kala o tempo inteiro”. Em um momento, Charlie riu e deixou que a frase insistente fluísse de seus lábios:
- Gio, você gosta de Kala? Não sei se percebeu, mas falou sobre ele durante quase toda a conversa.
Então, Giovanni parou completamente de reagir a qualquer coisa ao seu redor. Piscou duas ou três vezes, antes de sentir as bochechas rubras por ter, enfim, assimilado o que Charlie dissera.
- Eu não estou—Quero dizer eu nem mesmo me dou bem com aquele cara! Ele... Ele se acha só porque é moreno, havaiano e as crianças gostam dele! Eu não— Nunca— — calou-se.
Charlie ergueu as sobrancelhas. Aquela reação de Giovanni fora incrivelmente fofa, por causa do rubor e daquele gaguejar insistente. Mas tinha que se lembrar de que tinha namorado e não podia dar em cima de qualquer outro homem. Então, simplesmente sorriu e levantou-se da cadeira.
- Verdade? – perguntou. – Que pena, então.
Assim, Charlie saiu do refeitório, deixando seu amigo sozinho com seus pensamentos confusos e seu rosto corado. Por que os dois tinham que fazer aquilo com ele? Afinal, o que Kala e Charlie tinham contra Giovanni? Por que os dois insistiam em confundi-lo e deixá-lo ruborizado?
Giovanni bufou, bateu as palmas de suas mãos contra a mesa e saiu também. Ele gostava de Charlie. Não tinha razão para estar confuso e não confirmar que não estava atraído por Kala. Era a mais pura verdade, e ainda não entendia como deixaria aquele momento escapar. Ele poderia ter se confessado a Charlie. Então, ele teria menos um problema.
Ter se confessado a Charlie? Era isso mesmo que queria?
Durante sua caminhada pelo pátio em direção ao dormitório dos professores, deixou que sua mente divagasse sobre aquele assunto. Quando começou a trabalhar ali, ele, de fato, gostava de Charlie. Por isso que se inscrevera para aquele trabalho. Mas, naquele momento, havia algo diferente. Não parecia ser o mesmo sentimento de euforia do início. Não sentia mais o coração bater do jeito que o fazia antigamente.
Afinal, o que estava acontecendo?
- Giovanni! – uma voz grave, vinda de trás dele, chamou-o.
Virou-se. Kala ia correndo em sua direção, um sorriso estampado no rosto estruturalmente perfeito. Gio sentiu-se diferente naquele momento. Algo como o coração acelerado, ou um suor nas palmas das mãos. Limpou-as no jeans mecanicamente.
- Estava procurando você – Kala aproximou-se, pondo as mãos na cintura. – O que acha de sairmos algum dia para a cidade? Seria divertido!
Giovanni, repentinamente, sentiu-se sensível às ações de Kala. Parecia que qualquer gesto que o havaiano fizesse tinha sua total atenção, e aquilo o frustrava. Ele não queria prestar atenção a cada mínimo gesto daquele homem. Ele queria sentir isso por Charlie, porque sempre fora assim.
- Giovanni? – Kala chamou-o, estranhando a maneira como o professor o encarava. Então, levou uma de suas mãos ao braço fino do outro.
Giovanni puxou seu braço como se uma corrente elétrica trespassasse seu corpo naquele momento. Assustou-se com seu coração batendo forte, com os olhos arregalados, com as mãos suando mais uma vez. Por que aquilo estava acontecendo?
Kala também surpreendeu-se e tentou perguntar ao outro o motivo daquela repulsa tão óbvia. Porém, tudo o que Giovanni fez foi respirar com certa dificuldade e correr para o mais longe possível de Kala. Ele não queria sentir-se assim! Seu coração pertencia unicamente a Charlie; fora por ele que começara a trabalhar como professor do jardim de infância.
- Giovanni! – Kala gritou. Tentou segui-lo, mas ainda estava longe. – Cuidado!
Contudo, quando Gio virou-se, já era tarde demais. A porta já estava aberta e sua cabeça já batera contra ela, levando-o a nocaute.
Quando acordou, não reconheceu o quarto onde estava. Não era muito diferente do seu, mas podia notar algumas coisas que não eram suas, como aquela miniatura de prancha de surfe na prateleira. Só então notou que estava no quarto de Kala e confirmou quando este surgira em seu campo de visão, com uma expressão preocupada no rosto. Giovanni arregalou os olhos, tentou se mover e sentiu uma forte dor na cabeça.
- Não force muito – Kala pediu. – Dimitri pediu muitas desculpas por tê-lo acertado na cabeça. Mas a culpa também não foi dele. O que tinha na cabeça para correr daquele jeito de mim? E ainda não prestar atenção à frente? Por que fez aquilo? Sabe o quanto eu fiquei preocupado por você ter desmaiado? Ainda bem que eu conheço primeiros socorros, porque imagina se eu ainda tivesse que chamar o enfermeiro, demoraria ainda mais e você poderia ter se machucado ainda mais seriamente.
Kala jogou todas aquelas frases no ar, uma seguida da outra, sem pausas, com a respiração curta. Por causa da dor de cabeça, Giovanni não entendeu na hora, mas o havaiano, quando estava nervoso ou preocupado, falava tudo o que lhe vinha à mente sem parar. Era uma mania que tinha desde criança.
- Desculpe – Gio murmurou. Lembrou-se, porém, nesse momento, do porquê de ter corrido daquela maneira. Então, resolveu continuar: — Mas você que me fez fugir daquele jeito. Quero dizer, você me beijou e depois pensa que eu vou fingir que nada aconteceu?
- Você estava fugindo de mim por causa daquilo?
- Mas é claro! Aliás, eu nem sabia por que você tinha feito aquilo, eu só fiquei nervoso e—
- Não está óbvio? – Kala interrompeu-o, selando-lhe, mais uma vez, seus lábios. – É porque eu gosto de você.
Giovanni piscou várias vezes antes de responder qualquer coisa a ele. Ele gostava dele. Era um fato. Ele dissera, confessara-lhe. Então, ele não gostava de Charlie. Ele gostava de Gio. Por que uma parte sua sentia-se aliviada com esse fato? Por que ele mal conseguia focar na imagem de Charlie? Por que sei coração estava batendo tão forte por causa da frase de Kala?
- Giovanni – o havaiano aproximou-se mais, pousando suas mãos nos ombros do mais baixo -, eu posso continuar?
Só então Gio percebeu que ainda estava no mais profundo silêncio. Sua mente era uma confusão que pedia qualquer esclarecimento plausível. Mecanicamente, ele concordou e sentiu os lábios de Kala sobre os seus.
Aquele toque era como um ardor em sua boca; queimava-o, entorpecia seus lábios. Gostava dele, como se fosse algo por que sempre esperara. Sua mente ficou em total branco; não se lembrava mais de quem era Charlie ou do sentimento que tinha por ele. Kala invadia cada um de seus pensamentos, como se quisesse insistir com seu cérebro de que sempre esteve lá, imperceptível – o que era, de fato, verdade.
Giovanni deixou-se levar. A língua do havaiano adentrou sua boca e brincou com a sua. Sentiu o corpo maior subir sobre o seu e o outro afastar sua boca, mordendo seu lábio inferior no ato. Encararam-se por um tempo indeterminado, com certa intensidade. Ambos os corações batiam forte e desajeitadamente.
Então, beijaram-se mais uma vez.
Kala deixou que suas mãos passeassem pelo corpo magro do italiano, subindo ligeiramente a camiseta que vestia a fim de sentir a pele quente abaixo dele. Logo, estavam ambos com os troncos nus. O havaiano não se lembrava exatamente de como sua camisa foi parar no chão, mas sorriu ao ver os olhos de Giovanni encararem seu peito com luxúria.
O corpo de Kala era, certamente, mais estruturado que o de Gio. Tinha mais músculos, mas também não era tão forte. O italiano era magro, esbelto, com a cintura fina e o peito liso. Tinha um corpo de adolescente que encantara o havaiano. A princípio, Kala imaginou que não teria qualquer relacionamento em seu novo emprego, afinal era uma escola só para garotos. Mas, então, conheceu os colegas de trabalhos e, em algumas semanas, percebeu que estava atraído pelo italiano.
Um dia, conversou com Charlie sobre isso. Em torno de um mês depois, encostou-o à parede e começou a desabafar, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Charlie, pensava, transmitia-lhe uma aura de mãe conselheira.
Logo, o havaiano e o italiano estavam deitados na cama de solteiro do primeiro, movendo seus corpos um contra o outro, tocando-se tão intimamente quanto possível. Kala tocava a pele clara de Gio com suas mãos fortes, apertando a carne, enquanto sua língua passeava pelo pescoço, a boca, de vez em quando, chupando-o, mordendo-o, beijando-o.
Quando alcançou o peito de Giovanni, porém, Kala pôde deliciar-se pela primeira vez com a linda voz rouca dele. Gio levou as mãos à boca rápido, envergonhado pelos gemidos que a deixavam. Mas o havaiano sorriu – aquele sorriso lindo, de dentes brancos em contraste com a pele morena – e beijou as costas de sua mão.
- Eu quero ouvir sua voz, Giovanni.
Então, deixou que seus dedos apertassem os mamilos avermelhados do italiano, que, a partir daquele momento, deixou sua boca livre, mal conseguindo conter seus gemidos. Moveram-se mais uma vez: Giovanni subiu mais seu corpo e Kala desceu o seu. Logo, Gio segurava os cabelos do outro, enquanto este puxava sua calça para baixo em pura necessidade.
O membro do italiano pulsava sob a visão luxuriosa do havaiano, que lambia os lábios, umedecendo-os para a tarefa que tinham. A boca quente de Kala, em pouco tempo, envolveu o pênis de Giovanni, que jogou sua cabeça para trás por instinto e acariciou os fios escuros do outro. Enquanto a cabeça de Kala movia-se para frente e para trás, indo de encontro ao quadril do italiano, este se sentia cada vez mais necessitado e ditava o ritmo de seu corpo a Kala, puxando seus cabelos, empurrando-o contra seu corpo.
Não demorou a sentir suas pernas tremerem e sua semente adentrar a boca do outro professor, que tentou engolir o máximo que pôde, mas um filete escorreu pelo canto de sua boca.
Os dois encararam-se por um momento, em puro desejo, e suas bocas se encontraram em necessidade. Giovanni sentiu seu próprio gosto; o filete de sêmen foi lambido rapidamente quando se separaram enfim.
- Gio, fique de quatro para mim – Kala pediu em um sussurro.
Não havia tempo para raciocinar, ou para pensar duas vezes. Logo, Giovanni viu-se com a bochecha encostada no travesseiro, o quadril empinado, completamente entregue ao seu amante. Kala levou seus dedos à boca do italiano, pedindo que os umedecesse e, quando os tinha molhados o suficiente, levou-os à entrada do outro.
Penetrou-o com, a princípio, apenas um dedo, a fim de acostumá-lo com a invasão. Porém deixou que outro acompanhasse o primeiro e, quando ouviu os gemidos de prazer, adentrou-o com mais um. Sentiu que deveria tirá-los, porém, algum tempo depois, quando a voz rouca de Giovanni invadiu seus ouvidos:
- Kala... Eu quero você... Agora...
Seu pedido era como uma ordem para o havaiano. Logo, ele se pôs de joelhos atrás de Gio e segurou a base de seu membro, apontando a cabeça para a entrada do outro. Então, penetrou-o.
O gemido que deixou os lábios de Giovanni era de pura dor a princípio. Sentia que seria partido em dois. Fechou seus olhos com força, as lágrimas de dor acumulando-se nos cantos, e aguentou até Kala estar completamente dentro dele. O havaiano esperou que o corpo de Gio relaxasse mais, que aquilo não fosse tão doloroso e incômodo, o que demorou algum tempo para acontecer. Giovanni mesmo pediu para que ele se movesse, já que a dor não era mais tão forte.
Kala sentiu que deveria fazer alguma coisa por Gio e, por isso, levou sua mão ao pênis deste assim que começou a mover-se. O italiano pôde, dessa forma, esquecer um pouco a dor da penetração, tentando concentrar-se mais na mão que o masturbava. Logo, porém, o prazer consumia completamente seu corpo.
- Aaah...! – gemeu mais alto em um momento.
Kala sorriu de lado.
- Então, encontrei o ponto – concluiu mais para si mesmo do que para Giovanni.
O havaiano começou a mover-se mais rápido e mais forte, recebendo do italiano gemidos cada vez mais constantes de prazer. Gio mal conseguia aguentar-se de prazer, suas pernas tremiam e o travesseiro era bombardeado por sua voz. Não demorou, então, a chegar ao ápice e derramar seu sêmen nas mãos e no colchão.
Quando percebeu que o outro gozara, Kala passou a procurar seu prazer, pondo ambas as mãos no quadril de Giovanni e indo cada vez mais forte contra ele. Seus gemidos, por sua vez, eram abafados, roucos. O moreno encostou seu peito nas costas de Gio e passou a deixar sua voz alcançar-lhe o ouvido.
Mais alguns movimentos, mais alguns gemidos abafados, Kala foi o mais fundo que pôde e gozou. Seu sêmen invadiu o interior de Giovanni para que, assim que saiu dele, escorresse por suas coxas. Os dois caíram cansados, um ao lado do outro, e, antes que pudessem fazer mais alguma coisa adormeceram.
Giovanni foi o primeiro a acordar no dia seguinte. Demorou um pouco a assimilar o que acontecera. Encarou a face sonolenta do havaiano por longos minutos, vendo cada movimento, sentindo cada respiração. As pálpebras do outro tremelicaram, e Kala abriu seus olhos, mirando Giovanni.
- Bom dia – murmurou, e Gio respondeu da mesma forma, sentindo seu coração acelerar extraordinariamente.
Ele se apaixonara sem perceber por aquele moreno de quem antes não gostava.
Notas finais
No próximo capítulo, eu vou atender a um pedido de uma leitora *-* Espero que ela goste do próximo. GUYS GUYS se vocês tiverem um pedido, podem fazer! Eu fico feliz em atendê-los. E se eu tiver passado por cima de algum pedido, me falem, porque eu provavelmente esqueci. Observação: Eu não esqueci o pedido de um S&M melhor, mas eu estou me preparando para escrevê-lo. Ele vai aparecer um dia, HAHAHAHA
Então, até a próxima!
Takoyaki.
Próximo: O Garoto com um Paladar Doce.
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