Garotinho... Não Chore
1 Um Amigo Diferente
Notas iniciais
5 dias até a festa.
Olá, eu sou seu amigo. Vim ajudar você a sobreviver a essa realidade, talvez precise.
“O que ele fez dessa vez? ”
“Ele te trancou no seu quarto de novo. ”
“Não tenha medo, eu estou aqui com você. ”
Tento ajuda-lo.
Estou em cima do lençol recém-lavado, o quarto apenas possui uma forma de vida, e esta forma não sou eu, apenas observo-o e hoje vejo suas lagrimas rolarem descontroladamente de seus olhos ao tecido da roupa.
Uma cama, uma cômoda, cinco pelúcias e uma porta trancada é tudo que o garotinho chorão tem. Caminhando de um lado ao outro tentando não soluçar muito alto, por quê? Porque esse é o desejo do causador dos seus problemas, do seu irmão. Ouvir seus lamentos de desespero.
“Esses são meus amigos. ”
O coitado solitário refere-se a mim e as outras quatro pelúcias, uma, no entanto sem sua cabeça.
Girando e girando pelo quarto, tentando achar uma forma de sair, parece que não temos saída de emergência igual aos filmes de ação em um pequeno quarto infantil, a única saída é a porta, o único recurso do garoto que agora está com olhos esbugalhados e com os fios castanhos colados no rosto completamente vermelho.
Começou a bater na porta, e continuou por alguns minutos até ouvir a estranha risada de seu irmão, algo que assusta demais o menino. Ele começa a derreter até chegar ao seu limite e larga todo o orgulho que nunca teve ou irar ter, ficando em uma posição que ninguém veja seu choro, mas os soluços ainda são perceptíveis.
“Amanhã é um outro dia.”
Agora que você, garotinho chorão, decidiu confrontar o seu medo, finalmente, poderei dar-lhes instruções de como sobreviver, estarei sempre a observar seus movimentos.
Este lindo quarto, com brinquedos jogados ao chão, duas portas e um armário a sua frente, não podemos esquecer a sua cama logo atrás, a sua única arma será uma lanterna e nada mais, ela vai protege-lo dos “pesadelos” aqui presentes, e lembre-se, caso ouça uma respiração, não demore muito para fechar a porta... Irei observa-lo da cama, a noite irá começar.
Vejo-o andando de uma porta a outra, primeiramente a esquerda, acendendo e desligando a luz, automaticamente ele segue para a da direita e faz o mesmo processo, não tenta arriscar com o armário a sua frente, algo incomoda ele e raramente ele procura algo dentro dele, e por último ele checa a cama onde estou.
As horas passam devagar, acho que não avisei a ele que teremos um aviso quando o primeiro pesadelo terminar, um som de relógio vai soar no ar, seria possível haver um contador de horas imaginário acima de nossas cabeças? Claro que pode ser possível, eu sou apenas a pelúcia de um ursinho amarelo e consigo reproduzir pensamentos e auxiliar o nosso caro amigo chorão a sair dessa vida.
Estou distraído demais, devo prestar atenção no garoto, de porta em porta, do armário a cama, algo que agora é automático. Não posso ficar um segundo em meus pensamentos.
Por um instante acreditei que tudo estava ocorrendo de maneira eficiente, porém algo aconteceu, o menino largou a lanterna e tornou a soluçar assustado, ele tinha visto algo.
Sim, este algo não era nada bom, estamos aqui para acorda-lo, para trazer ele novamente a realidade, mas para que essa possibilidade aconteça ele deve impor-se contra seus pesadelos e salvar a si mesmo. Creio que ele tenha visto um animatronic.
Animatronic seriam bonecos, robôs que funcionam a energia elétrica, mas estes são movidos a medo, a cada lagrima derramada pelo garoto eles estão cada vez mais próximos.
Irei listar cada um deles, todos vêm com o nome “pesadelo” na frente, ou se preferir do inglês “nightmare”.
Freddy, o estimado ursinho – este não sou eu. O principal deles, não consigo imaginar onde ele pode estar escondido, porém suas “miniaturas” são possíveis de localizar nesta cama que estou, nunca deixe que todos eles se juntem. O segundo poderia ser o coelho Bonnie ou a galinha Chica, os dois são tão terríveis quanto ninguém pode imaginar, trabalham em conjunto e sempre irão estar na porta do quarto. Por último vem a raposa, Foxy, ou o raposo, não tenho a mínima ideia como seria o masculino de raposa, porém irei usar raposa para definir ele, o mais “tímido” podemos dizer, ele nunca aparecerá na porta, sempre seguira para o armário do quarto, todavia é possível torna-lo uma pelúcia gentil e macia apenas com o bater de porta em sua face. Mas é claro que não existem apenas esses, eles são apenas os principais.
Chega de listar as informações sobre os pesadelos.
Volto as minhas orbitas para o menino, ele ainda chora e treme, os sons de passos passam pelas portas, sinto estar ouvindo gotas de agua sendo derrubada em um lago estático em meio ao silêncio. O desespero fora estampado no seu semblante.
Os soluços param, os únicos sons existentes são os de grilos e da respiração profunda na porta, quero dizer para ele correr, fugir, fechar a porta, mas ele continua a caminha até a porta, espero que ele não acenda a luz da lanterna, apenas peço para que não acenda a luz!
Frente a frente com a porta, uma respiração mais próxima do rosto do menino, um segundo a mais e...
Imediatamente porta fechada, um segundo a mais e ele teria visto a sua morte inevitável.
Ouço o som de um relógio anunciar as horas, 06:00, esse é o horário de termino do primeiro pesadelo.
Desejo-lhe muito que consiga viver em paz novamente garotinho chorão.
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