Garotinho... Não Chore
4 Amigos Também São Pesadelos
Notas iniciais
2 dias para a festa.
Novamente na pizzaria onde a minha cópia está sempre a vagar, vejo o garotinho chorando abaixo da mesma mesa que fora encontrado da última vez.
"Você tem que se levantar. "
"Você pode sair dessa vez, mas você tem que se apressar. "
Ele levantou novamente, desta vez espero que ele não erre o caminho...
Parece que ele entendeu o que poderia acontecer se fosse pelo mesmo caminho, deu meia volta e andou para o lado oposto vendo um novo cenário.
Novamente a minha cópia tem seu destaque nesta pizzaria, um enorme pôster de Fazebear sorrindo com um braço erguido está próximo a porta, isso faz o garotinho chorar mais. Também temos alguns brinquedos, acho que devem ser carros, não importa muito, porém estou observando tudo de um desses brinquedo, e por fim, nem menos importante, uma garota brincando com algum brinquedo.
—Onde está o seu brinquedo de pelúcia? – Ela pergunta e o menino se aproxima. – O meu é o Spring Bonnie! – Diz animada.
Ela tem cabelos curtos e castanhos, a camiseta verde-morto destaca o coração vermelho pulsante no centro do peito. Ela tem um boneco de pelúcia em sua mão, ele tem uma coloração indefinida, parece ser uma mistura de verde-musgo com marrom-terra, além disto o boneco parece ser um coelho.
—Meu pai disse que eu tenho que ter cuidado com o brinquedo ou vou arrancar meu dedo. – A garota comenta. – Ele é uma armadilha de dedo, ele disse.
O garoto ouviu a menina dizer e voltou a procurar a saída quando ela resolveu voltar a brincar.
Ele estava um pouco perdido, as vezes voltava para o local onde estava chorando e voltava para onde a menina estava, até finalmente sair pela principal entrada da pizzaria.
Encontramos mais uma criança, outra garota.
Ela parece ser rabugenta e talvez, travessa, suas traças de cabelo estão um pouco acima dos ombros, sua saia laranja combina com o pequeno jardim de flores amarelas onde estou escondido.
Ela avista o garoto passando e grita:
—É melhor você ficar atento! Eu ouvi dizer que eles criam vida a noite. – Ela usa uma expressão de assustada na própria face, o nosso amigo continua chorando e afasta um pouco da garota.
Ela continua falando:
—E se você morrer, eles escondem o seu corpo e não contam a ninguém...
Dylan, meu amigo continua choramingando e a menina alaranjada ri.
—Porque você está preocupado? Te vejo na festa! HaHaHa!
Esta garota apenas complicou a situação.
Ele anda e não comenta nada com a garota, provavelmente ele esteja trêmulo, seu irmão costuma deixa-lo preso naquele lugar. Ele não pode evitar, precisa ficar lá por um certo tempo esperando o seu responsável e o irmão aproveita esse momento para inferniza-lo.
Caminhando com as mãos geladas, ele encontra um menino, a sua altura e consideravelmente superior, porém quando avista o garoto cai ao chão debruçando-se em risadas histéricas.
—Você não é aquele garoto que sempre se esconde debaixo da mesa e grita? – Rindo entre as palavras, não gosto do seu jeito debocham-te dele pronuncia-las.
Observo o insensível rindo.
Sua insensibilidade é tanta que o cheiro desagradável do esgoto onde observo-os não predomina sobre a sua essência horrível deste ser, creio que ele não sobreviveria algumas poucas horas na vida do garotinho chorão.
—HaHaHa! Ninguém mais está com medo! Porque você está? Parece um bebê!
O garotinho chorão ignora e passa rapidamente tentando disfarçar o enorme esforço que faz para parar de chorar, continua indo tão longe que passa por algumas cerquinhas que talvez não conhecia.
—Você está indo para a festa? – Pergunta um garoto meio rechonchudo, ele segura um balão rosa. – Todo mundo está indo para a festa.
Ele de todas as crianças que foram encontradas pelo garotinho chorão é a mais amigável.
—Ei...espera! Você tem que ir! É o seu aniversário. Haha! – Uma risada amigável, porém não é suficiente para que o menino parasse de chorar.
O garotinho chorão não diz nada, mas parece que seu choro diminuiu um pouco, ele continua andando até o pequeno jardim da sua casa.
Ele entra.
"Seja cuidadoso. "
É o único conselho que posso dar a ele.
O menino observa um programa passando na televisão, todos os seus brinquedos de pelúcia mais o Fazebear, passando em alguns poucos segundos e logo depois o nome "Fazebear&Friends" e um pouco abaixo o ano de 1983.
Ele sabe quem está aqui, só não sabe onde.
O garotinho engatinha devagar ao seu quarto, nenhum sinal de perigo.
Ele passa a manga da sua camiseta no seu rosto e caminha até a cama.
A iluminação estava baixa e apenas o seu grito de medo vindo em seguida de um choro completamente descontrolado, seu irmão preparou tudo e escondeu-se debaixo da sua cama.
"Amanhã é um outro dia."
Seu tormento chega próximo do fim, creio que está noite eu não possa mais ficar contigo, posso ser seu amigo, porém uma sentença do teu ser sente aquele medo de mim, medo do urso Fazebear, e este sentimento de medo sobre mim faz com que a minha forma pesadelo domine hoje.
Sobreviva.
Enquanto minha metamorfose para pesadelo não se conclui observo ele agir habilmente, ele não comenta nada, não treme e muito menos hesita por um momento, porém não consegue reprimir a nascente que flui de seus olhos.
O meu medo não é dele ser pego por um dos outros pesadelos, o meu medo é que ele seja pego por mim.
A hora é dada e sinto as minhas pernas indo em direção a porta, estou saindo do quarto.
Meus olhos não enxergam quase nada, tudo é negro e apenas vejo borrões quando a cor chega a se tornar mais clara.
Estou andando pela casa, indo de porta em porta. Tentando devorar o meu queridíssimo amigo.
A tensão no meu corpo é extremamente intensa, poderia derreter todos meus órgãos internos se eu os tivesse. Uma luz e o bater de uma porta de madeira me afasta dele.
Quando percebo estou na cama novamente, só que desta vez não venho acompanhado de meu corpo, mas apenas a cabeça com dentes tão sombrios e afiados que o meu próprio ser esta sentindo calafrios.
Quase, quase, quase.
Por tão pouco.
Preciso ataca-lo.
Preciso protege-lo.
Preciso que chegue 6:00.
Ele está distraído, está é a minha chance, caminho devagar até ele. Para ele os meus passos são leves, porém para eu mesmo é como se cada grama do meu corpo fosse feito de chumbo e a cada segundo o meu corpo desce mais e mais até as chamas.
Um centímetros nos separa.
Um mostro de uma criança.
Meus olhos negros sedentos por sangue fresco olham para ele, meus dentes rangem querendo sentir os músculos de sua carne desmancharem e chegarem as minhas engrenagens enferrujadas.
Apenas quero saber como consigo respirar e a minha mão levanta.
Passo as garras por alguns fios de seu cabelo, não posso ataca-lo, não devo ataca-lo e o relógio soa. No exato instante que isso ocorre vejo a minha forma medonha começar a voltar as cinzas e posso afirmar que ser o caçador é pior que ser a caça.
Agora sou novamente um ursinho de pelúcia inofensivo.
Finalmente acabou-se o tormento, falta apenas passar um estágio, vejo você na próxima noite.
Ou.
Ou não.
Ou irei ver você agora.
A imagem é turva mas parece que voltamos a pizzaria, só que você está em um lugar diferente.
Você está em uma sala completamente cinza e aqui vejo cabeças de animatronics desmontados, até parecem que estão todos desmembrados e além deles também há esqueletos com formas horríveis, quem os visse a noite diria que poderiam atacar a qualquer momento.
—Por favor me deixe sair. – Ele reclama chorando e batendo na porta, é a primeira vez que ouço a sua voz.
—POR FAVOR! – O choro torna-se tão frenético que meus ouvidos doem. – Me deixe sair... – Ele desiste de gritar e finalmente cai no chão aos prantos.
Eu sinto muito...
Fale com o autor