Garotinho... Não Chore
5 Um Acidente Temoroso
Notas iniciais
1 dia para a festa.
Creio que tudo esteja acabando.
Hoje começamos diretamente no quarto, a lanterna está pronta, as lagrimas nunca cessão.
O show começa.
No início de tudo eu chamava estas criaturas diabólicas de pesadelos, mas elas são tão medonhas que eu tenho medo de apenas saber que a mente de alguém pode criar estes seres, talvez sejam mais que isso, não me importo, apenas quero que o garotinho chorão saia vivo.
Não consigo focar mais neles, minha mente apenas está concentrada em um único ponto, e nele vejo novamente minha forma horrenda e tento de todas as formas não destruir o garotinho.
O tempo passa tão rapidamente que vejo que meu corpo começa a receber movimento.
Chegou a minha hora, minhas pernas tem rigidez e podem caminhar sozinhas.
Vou até a porta em silêncio como da última vez e sinto a transformação acontecer.
Minhas mãos crescem e se tornam grandes garras molhadas com um líquido vermelho, meu sistema agora é feito de engrenagens e meu único objetivo é atacar o meu amigo.
Porta a porta, vou tentar ataca-lo, porém ele está mais agiu e vejo que ele está ao máximo tentando não me confortar diretamente.
Recupero o controle de meu corpo. No entanto ainda estou na forma de monstro.
O que está acontecendo?
Começo a bater na porta fechada e tenho certeza que ele não irá abrir.
Por favor, seja mais cauteloso, algo está errado.
As luzes do lado de fora da casa, que quase não existiam, agora foram totalmente extinguidas, os sons, todos foram completamente abafados e com isto eu consigo ouvir a respiração acelerada do garotinho chorão e a respiração de outra entidade.
A escuridão prevalece.
Um ser quase idêntico a mim se aproxima, a única diferença é que ele é completamente negro com olhos vermelhos vibrantes, na sua cabeça parece ter um cérebro humano.
Ele se aproxima da porta.
Tento impedi-lo imediatamente de se aproximar mais da porta, mas é impossível, seu corpo parece não sentir a minha força.
Solto um grunhido forte.
Não posso falar.
A boca dele se abre e apenas ouço uma voz tenebrosa e fadiga.
“Pesadelo.”
E volto a ser um ursinho em cima da cama observando Dylan novamente.
Ele abre a porta devagar e liga a lanterna.
Sons de objetos sendo quebrados e o quarto está ficando mais escuro, muito mais escuro. Ele solta a lanterna e me pega em seu colo. Fica observando a porta até que enfim sai.
Quero gritar para ele que pode sair do quarto é uma péssima ideia com aquela criatura andando pela casa, pior que todos, pior que eu.
Ouço passos atrás de nós e uma respiração tensa.
Algo fala no meio do escuro.
“O jogo terminou.”
Ouço os soluços do garotinho chorão.
—Eu não tenho medo de você. – Dizia para a criatura, para mim e para si mesmo.
“Não sou algo que deva ter medo, eu sou o medo.”
Imediatamente o menino virou-se e olhou o medo frente a frente, este seria o seu fim, tanto esforço para finalmente vencer o seu medo e tudo termina em um grande fracasso.
Ele enxuga as lagrimas que começam a desce e eu vejo o sol começar a nascer por uma pequena percha da cortina que cobria a janela.
—Eu não tenho mais medo de você. – A firmeza em sua voz e o olhar de determinação direcionados ao medo foram impressionantes.
Em questão de segundos a materialização do seu medo começou a se dissipar em uma fumaça escura e a luz solar matina finalmente invadiu a sua casa, depois de longas cinco noites. Depois de longas cinco noites tudo acabou.
Estou pronto para parabenizá-lo, quando o seu corpo tomba ao chão congelado, parece que a vida está saindo do seu corpo.
Como isso está acontecendo? Porque isto está acontecendo?
Porque...
Porque...
0 dias para festa.
Finalmente o dia da festa.
Ele está no chão, chorando como nunca chorou e suas mãos estão atadas pela corta mais barata que os brutamontes puderam comprar, mas por ainda ser uma criança não teria forças suficientes para romper esta ligação de fios, só poderia lamentar o que está acontecendo.
Quatro outras crianças com mascaras estão em volta dele rindo.
—Uou, o seu irmão parece um bebê não é. – Comentou o garoto que estava atrás das costas do garotinho com uma máscara de coelho azul.
—Ele é hilário. – Diz o garoto com máscara de urso.
— Porque não ajudamos ele a ver de perto! Ele vai adorar. – O seu irmão dizia com um sorriso, a máscara de raposa não poderia esconder o lado pobre da sua alma, alguém que gosta de se divertir ao sofrimento de terceiros.
—NÃO! POR FAVOR! – O garotinho implorava.
—Vamos lá pessoal, vamos dar uma carona para esse pequeno homem. Ele quer ver de perto e pessoalmente.
Os garotos seguraram o menino chorão com força e começaram a caminhar em direção onde estava ocorrendo o show, ele começou a gritar:
—Não! Eu não quero ir!
Mas ele não tinha opção, os garotos continuavam com a sua brincadeirinha rindo da reação do irmão mais novo do seu amigo.
—Vocês ouviram o pequeno homem1 Ele quer ver mais de perto! Hahahahahaha. – O seu irmão provocava mais ainda o estado emocional do garoto.
Eles pararam de andar e avistaram finalmente a fantasia de Fredbear, ele estava cantando e não estava dando a mínima para os meninos, afinal estava em modo automático e não havia ninguém naquela fantasia para ver o ato horrível que aqueles garotos estavam comentando.
—Ei pessoal, eu acho que o homenzinho disse que quer dar um grande beijo no Fredbear.
O garotinho ao ouvir aquilo começou a debater-se desesperadamente tentando se soltar, mas força dos seus opressores era maior e isso apenas estava machucando os seus braços.
—No TRÊS! Um...Dois...
E os garotos aproximam o garoto da boca de Fredbear.
Ele começa a gritar, berrar e os garotos apenas rindo observando o “beijo” em Fredbear.
Até que a próxima musica começa e a mandíbula de Fredbear começa a se mexer e a triturar uma parte da cabeça do garoto.
Os garotos param de rir quando o corpo do garotinho chorão caiu no chão cinza da pizzaria e as pessoas começaram a gritar.
Desde aquele dia eu apenas lembro do som de ambulâncias vindo socorrer Dylan e o som de um aparelho de frequência cardíaca.
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